Posts de 21 de maio de 2010

Como instigar a imprensa brasileira contra a Seleção. Lição número um…

231j Como instigar a imprensa brasileira contra a Seleção. Lição número um...

O Centro de Treinamento do Caju é afastado do centro de Curitiba.

São 50 minutos de carro.

A Polícia Militar cercou o local e só permite a entrada de jornalistas.

Não há ambulantes, vendedores de nada.

A CBF anunciou hoje que haveria uma coletiva.

Não disse com quem.

Estava marcada para as 13 horas.

Choveu e fez frio no Paraná.

Mais de cem jornalistas do país inteiro estão aqui para cobrir a seleção.

Já havia repórteres por volta de sete horas da manhã em frente ao CT.

Perto das 11 horas o movimento já era frenético.

A garoa e o frio deixavam o ambiente congelante, insuportável.

Mas a CBF foi inclemente.

Deixou toda a imprensa na rua, já que a entrada no CT estava proibida.

O Caju é enorme, gigantesco.

Não haveria maior dificuldade em deixar os jornalistas entrarem para o toldo onde foi feita a coletiva.

Os alojamentos da seleção ficam a quilômetros de distância.

Só que a opção foi tratar da pior maneira possível a imprensa.

Às 13 horas, os jornalistas tiveram de fazer uma fila imensa para pegarem suas credenciais.

Mais chuva e frio.

Depois que todos entraram, a notícia: a coletiva estava adiada por duas horas.

Iria começar às 15 horas.

Não havia sequer água para beber.

Muita reclamação dos repórteres pela falta de planejamento, consideração.

Todos sabem que Dunga não gosta do contato com a imprensa.

Ainda é ressentido por ter sido apontado como símbolo do fracasso em 1990, o time de Lazaroni virou a 'era Dunga'.

Jornalistas do Brasil todo sentiram um clima de vingança, revanche, vontade de humilhar por parte de quem comanda a seleção.

Expostos àquele vexame, logo no primeiro dia houve um clima de revolta, raiva.

"O teto estava fechado em Porto Alegre.

Por isso, o Dunga atrasou e a nossa programação mudou", disse o assessor Rodrigo Paiva.

O clima de decepção só cresceria quando foram anunciados os entrevistados.

O preparador físico Paulo Paixão e o médico Runco.

Tudo ficou pior porque se tinha a certeza de que Dunga falaria.

Muitos jornalistas desistiram não só de fazer perguntas, como anotar o que a dupla falava.

Pouca coisa importante, a não ser a certeza de que Kaká e Luís Fabiano estão recuperados.

O que já se sabia.

Não houve bom humor que resistisse à situação bizarra de não haver um banheiro para a imprensa.

E os jornalistas passaram horas para falar com Paixão e Runco.

Depois da rápida entrevista, os dois foram embora.

Acabaram as notícias da seleção na sexta-feira.

Na saída do CT, um bar mostrava um aviso: apoio à imprensa.

Lá eram distribuídos cachorro quente, pão de queijo e guaraná.

Dunga e a CBF precisam saber que a imprensa quer outra coisa: respeito e informação.

Para depois não reclamar da cobertura ácida que o Brasil terá na África...

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Dorival Júnior tem respaldo para enfrentar Neymar e Ganso? Até quando?

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Dorival Júnior precisa se cuidar.

O atraso de Paulo Henrique Ganso, Neymar, Madson e André expõe uma crítica que cresce na Vila Belmiro: a perda de humildade dos garotos.

Principalmente Neymar.

O sucesso repentino parece ter mexido com os garotos.

As filas para pedidos de entrevistas.

O assédio das tietes.

No gramado, os adversários já se queixam da maneira debochada com que os meninos respondem a cada dividida.

De acordo com eles, a estratégia é esperar o juiz estar longe para ficar provocando, humilhando.

O assédio dos empresários avisando que existem grandes clubes europeus também é um ingrediente apimentado.

Que dá mais moral para os jogadores se sentirem mais donos da situação.

E como eles estão cada vez mais unidos, principalmente Ganso, Neymar e André, se alguém mexer com um, mexeu com os três.

Há quem diga que o responsável por esse comportamento é Robinho.

Ele teria influenciado os garotos, que se sentem cada vez mais poderosos.

Sem a obrigação de dar explicações.

Foram eles que travaram a volta de Fábio Costa ao grupo.

Dorival resolveu tirá-los da partida de amanhã para frear tanta vaidade.

Ele não quer futuro confronto, briga pelo poder.

O treinador já ficou irritado com os comentários quando Ganso se recusou a sair na partida contra o Santo André, na final do Paulista.

Engoliu em seco, mas cobrou com juros no atraso da chegada na concentração.

Ele já garantiu ao presidente Luís Álvaro que não vai perder o comando do time.

E vai sem eles contra o Atlético Goianiense.

Dorival  acredita que é preciso dar um basta.

Cortar o mal pela raiz.

Os meninos tentam fazer piada sobre o que aconteceu.

Disseram que chegaram à meia-noite e não as três da manhã como foi divulgado.

E que é melhor 'colocar uma pedra' no assunto.

Mas a situação não é tão simples.

Dorival se sentiu desafiado e jura que não vai se deixar impressionar pela força da mídia de Neymar e Ganso.

Há um grande ar de desencanto na Vila Belmiro.

E todos os dirigentes estão prestando muita atenção às atitudes de Dorival.

Por mais valiosos, os meninos precisam ter limite.

Resta saber se o treinador terá liberdade para se impor como gostaria diante dos novos ídolos santistas...

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O Flamengo foi Flamengo tarde demais…

tichau O Flamengo foi Flamengo tarde demais...

O Flamengo foi Flamengo tarde demais.

Contra o Universidad ontem no Chile, o time valorizou sua história.

E se impôs diante do time, da torcida, do árbitro.

Adriano justificou em campo todo carinho e apoio que sempre teve, mesmo nos momentos de maior irresponsabilidade.

A bicicleta que deu no passe do gol de cabeça de Love foi incrível.

Mostrou que não está morto para o futebol.

Vagner Love mostrou garra, força de vontade de orgulhar o torcedor flamenguista.

Rogério Lourenço preparou seu time para o confronto.

E o que se viu foi a superioridade, a força do Flamengo.

É mais time do que o Universidad de Chile.

Bobeou no Maracanã.

Acordou tarde demais.

A derrota decepcionante no Maracanã custou caro demais no Chile.

Se o time tivesse se comportado como ontem, estaria nas semifinais da Libertadores até com facilidade.

Uma pena.

Pelo jogo e pelas conseqüências da derrota.

Adriano e Love sabem que não têm mais grande desculpa para continuarem no time de seus corações.

Gilmar Rinaldi seleciona a melhor proposta do futebol europeu para levar Adriano.

O futebol francês surgiu com força para tirá-lo do destino que o próprio jogador considerava óbvio: a Itália.

A diretoria do CSKA quer Love de volta.

Ou no mínimo fazer milhões de euros o repassando a quem puder pagar.

Bruno também quer sair.

Léo Moura, Juan..

Se o Flamengo tivesse se respeitado mais não estaria fora da Libertadores hoje.

A manhã não estaria tão sem graça no Rio de Janeiro...

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Você aposta no Internacional ou no orgulho ferido do seu ex-capitão, Fernandão?

234f Você aposta no Internacional ou no orgulho ferido do seu ex capitão, Fernandão?

Que façanha a do Internacional...

Como não se deixar contagiar pela batalha de ontem no Centenário?

O gol de Giuliano aos 43 minutos do segundo tempo tirou da Libertadores, o seu atual campeão, na sua casa, diante da sua torcida.

O passe maravilhoso de Andrezinho...

A vitória por 2 a 1 do Estudiantes de nada serviu.

Verón vai acompanhar, se quiser, a Libertadores pela televisão.

O Internacional de Fossati foi irregular, como sempre, mas mostrou uma garra, um espírito guerreiro inédito.

No segundo tempo, o uruguaio fez o que gosta: conseguiu travar o time adversário e seu time aproveitou um contragolpe fatal.

A equipe volta para Porto Alegre renascida, orgulhosa de si mesma.

Está na semifinal da Libertadores.

E contra o São Paulo de Fernandão.

Há quatro anos ele levantava a taça contra o próprio São Paulo, com a camisa colorada.

Agora está do lado inimigo.

E ferido.

Não no corpo, mas na alma.

Foi recusado, desprezado pela diretoria do Internacional.

Pelo dirigente em quem mais confiava, Fernando Carvalho.

E quer vingança.

Jogando pelo clube que mais o desejou.

Que esperou a aventura do seu retorno ao Goiás fracassar.

Cujos dirigentes nunca deixaram de ligar, conversar, insistir, seduzir...

Fernandão foi o grande responsável pela sobrevivência do São Paulo diante do Cruzeiro.

A sua chegada mudou o roteiro que parecia iria seguir o mesmo caminho de 2009.

Salvou Ricardo Gomes, desnorteou Adilson Batista.

Agora o destino coloca o confronto mais interessante da Libertadores.

Quem iria imaginar que apenas quatro anos fariam Fernandão, o símbolo da conquista de 2006 estaria do lado inimigo?

Quem sonharia que o Inter desprezaria seu capitão quando ele quis voltar ao Brasil, depois de enriquecer no Oriente Médio?

Esse é o efeito colateral da contagiante conquista da vaga para as semifinais do time de Fossati.

Com direito uma constrangedora briga após o jogo, que deixou sangrando Desabato.

Ele mesmo.

"Nós não eliminamos um time de várzea.

Eliminamos o campeão das Américas", comemorava, entusiasmado, o técnico uruguaio do Inter.

Como prêmio, terá pela frente o São Paulo, também renascido por causa de Fernandão.

Um deles representará o Brasil na final da Libertadores.

Façam suas apostas...

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A África é logo ali. O que há por trás da Copa de 2010…

mapaCosme finalizado A África é logo ali. O que há por trás da Copa de 2010...
Quando ficou decidido que a Copa de 2010 seria na África do Sul, não houve festa, comemoração entre os jornalistas brasileiros.

Por um motivo simples:  a falta de infraestrutura do país.

Cobrir uma Copa do Mundo é um grande privilégio.

Acompanhar in loco a competição esportiva que mais desperta interesse no planeta é o ápice da carreira de todo jornalista esportivo.

Quer seja ele chinês, alemão, argentino.

A Fifa quando escolhe uma sede para a disputa da Copa leva em consideração seus interesses.

E eles não são nobres como divulga.

O que ela pretende não é o desenvolvimento do esporte do país, apesar de ser este o discurso.

O que ela quer é atender sua vontade desenfreada de crescer financeiramente.

Ganhar muito dinheiro, o máximo que puder.

Com construção de estádios, transmissão pela tevê, patrocinadores exclusivos que injetam bilhões de euros.

Até fabricantes de cerveja.

E fazer alianças cada vez mais poderosas nos continentes.

Tudo isso garante à entidade o domínio do maior esporte do planeta.

Por isso as Copas acontecem onde a Fifa precisa expandir seu poder e lucrar mais.

Desde João Havelange, a postura da entidade mudou.

A ingenuidade foi embora.

O capitalismo selvagem a domina.

Agora, apenas chegou ao máximo.

E essa fome de lucro e poder atinge a todos.

Isso explica a falta de comemoração dos jornalistas quando foi definida a África do Sul como sede da Copa de 2010.

A explicação precisa ser pessoal, para ser entendida.

Vou cobrir a minha quinta Copa do Mundo consecutiva.

São vinte anos acompanhando a elite do futebol.

O que as outras quatro, Estados Unidos, França, Japão e Alemanha tiveram em comum?

Infraestrutura.

Segurança.

Tranquilidade para trabalhar.

A certeza do deslocamento no país sem problemas.

Não há um jornalista que vá tranqüilo para a África.

As recomendações são inquietantes.

Para o repórter e, principalmente, para sua família.

É preciso tomar vacina contra febre amarela, contra o tétano, contra a hepatite.

Seria recomendável escovar os dentes com água mineral.

Tomar banho de boca fechada.

Só sair às ruas em grupo.

Não ir a cinema, supermercados, lojas sem duas outras pessoas.

O índice de sequestro, de mortes é altíssimo na África.

Às mulheres que estão indo ao Mundial é recomendável não sorrir aos homens africanos.

O índice de estupros também é inacreditável.

Assim como a Aids.

Por trás do exagero há sim uma grande preocupação.

O pais é pobre, está em desenvolvimento.

O planejamento de deslocamento das sedes da Copa é tenso, por causa da violência.

Tudo isso não é culpa dos africanos.

Tal qual como no Brasil, um país de Terceiro Mundo tem gravíssimos problemas.

Desigualdade social.

Se a Seleção de Dunga chegar à final da Copa, os jornalistas brasileiros ficarão no mínimo, entre preparação e decisão do Mundial, 47 dias.

O sistema de telecomunicação no país ainda é precário.

Não há serviço regular de táxis.

Em vez de hotéis, a preferência das grandes equipes de jornalistas é para ficar em condomínios, mais seguros.

As estradas são perigosas.

Assim como aconteceu no Panamericano, o exército africano estará nas ruas para tentar proteger o turista.

Na teoria, tudo é maravilhoso.

A Fifa pega um país pobre e promove a Copa do Mundo lá.

Movimenta bilhões de dólares e desenvolve um crescimento forçado.

Não pensa no que deixa para trás.

Ou quem jogará depois que a Copa acabar nas arenas milionárias que serão construídas em Manaus, Natal e outras tantas espalhadas pelo Brasil em 2014?

Antes de serem construídas já são consideradas 'elefantes brancos'.

A  preocupação da Fifa é vender o próximo Mundial.

E para que isso aconteça, muitas pessoas 'sem grande importância', como os jornalistas do mundo todo,  são expostas.

Mas é apenas o novo preço para estar em uma Copa do Mundo.

O preço do capitalismo.

Quanto mais pobre o país, maior o lucro.

O resto...

É apenas o resto..

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