Publicado em 02/04/2010 às 12h35
Jogadores do Santos mostraram personalidade. E não quiseram posar para fotos com doentes…

Os jovens jogadores do Santos quebraram ontem uma terrível tradição.
As diretorias dos clubes brasileiros estão acostumadas a juntar caridade com publicidade.
E às custas dos atletas.
A causa é nobre, mas a atitude é egoísta.
Os dirigentes não pedem, mandam atletas para instituições de caridades.
Elencos visitam crianças doentes, velhos abandonados.
Levam alento.
Mas muitos desses jogadores não estão em bom momento psicológico para animar ninguém.
Marcos do Palmeiras é um grande exemplo.
Ele vivia um momento ruim, de várias contusões seguidas.
O clube organizou uma visita a uma instituição com crianças com câncer.
Um menino em estado terminal era apaixonado pelo goleiro.
Marcos estava deprimido quando conheceu o menino.
Ficou desesperado quando soube que ele tinha pouco tempo de vida.
E pouco tempo depois que os dois se conheceram, o garoto morreu.
Marcos ficou ainda mais triste.
Jogadores detestam quando são obrigados a ir para instituições de caridade.
Vários deles ajudam, dão dinheiro e não fazem disto publicidade.
Mas não é o que o diretor, o presidente do clube quer.
Primeiro ele avisa para a assessoria de imprensa informar, com antecedência aos jornalistas, principalmente os da tevê, o que irá acontecer.
E o 'flagrante' é armado.
Só que ontem, os dirigentes do Santos sentiram que não podem fazer favor, caridade à força.
A esmagadora maioria dos jogadores não quis descer do ônibus na instituição Lar Espírita Mensageiros da Luz.
O constrangimento foi geral.
Mas quem ficou no ônibus mostrou personalidade.
É preciso ter muito preparo psicológico para ver crianças com paralisia cerebral.
O trabalho é fabuloso.
A instituição cuida de 34 pessoas carentes com paralisia cerebral.
Os jogadores teriam de 'doar' 600 ovos de Páscoa para a instituição vender.
O dinheiro ficaria para ajudar os pacientes.
Alguns atletas desceram e garantiam as fotos nos sites e nos jornais.
Os jogadores do Santos foram honestos com eles mesmos.
Tiveram consciência que não fariam bem aos pacientes ficando constrangidos diante deles.
Foi preciso muito coragem.
Que sirva de lição aos dirigentes que querem ajudar pessoas necessitadas.
Os atletas precisam responder se querem ou não querem ir a lugares assim.
Não está no contrato.
Não é função deles.
Há boa vontade, mas uma grande dose de demagogia nestas visitas a hospitais e instituições de caridade.
Os jogadores estão aprendendo a dizer não.
E não estão errados...
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