30 abr
21:14
Adriano e Ronaldo. A diferença é que um joga no clube que ama. E o outro no clube que paga bem…

Enquanto Ronaldo está sendo dissecado pelo vexatória atuação de quarta-feira, Adriano conseguiu alguns momentos de paz.
Ele havia perdido a sua imunidade com a perda do título do campeonato carioca.
A apaixonada torcida flamenguista perdeu a paciência com seu maior ídolo.
E não perdoou o desperdício de um pênalti e a derrota para o Botafogo.
As vaias e os palavrões dominaram o Maracanã.
Foi uma maneira de os torcedores se vingarem do descaso, das faltas aos treinos, da absurda briga com a ex-noiva no Complexo do Alemão.
Dos muitos quilos a mais.
E dos gols a menos.
Adriano engoliu em seco.
Viu a torcida que ele pensou que o amaria acima de tudo ser muito vingativa.
Descobriu da pior maneira que os tempos são outros.
Não existe mais torcida 'Amélia', fiel e apaixonada, que aceita traições, maus tratos.
Adriano se sentiu culpado, e com razão, pela queda do vice Marcos Braz e, do seu querido, técnico Andrade.
Graças ao atacante que o treinador ganhou uma tatuagem: a de técnio permissivo, omisso.
Tudo porque não puniu Adriano pelas seguidas faltas a treinamentos.
Ele tem um acordo com os dirigentes.
Combinou quando assinou seu contratro com o clube.
Quando ele não puder ir ao treinamento, não será punido.
Mas a situação é muito desigual.
Privilégio absurdo, abusivo.
E ele não se fez de rogado, aproveitou.
Pensou que o título brasileiro desse salvo conduto para todos.
Mera ilusão.
Quando viu tudo ruir, resolveu mudar de postura.
Não abre a boca com a imprensa.
Treina sério e de cara fechada.
Age como se quisesse se vingar do mundo.
Como se o mundo tivesse de pagar pelo que ele, Adriano, fez.
Por isso não comemorou o gol de pênalti contra o Corinthians.
Agradeceu aos céus, ao pai falecido e deu.
Ignorou o famoso coro "o imperador voltou, o imperador voltou".
Veículos de comunicação fazem campanha para que volte a comemorar gols.
Faça a paz com a torcida.
Mas Adriano não tem pressa.
Sabe bem aproveitar a ansiedade flamenguista.
Os súditos que voltem a cultuá-lo, a respeitá-lo.
O único motivo de irritação é o pretenso vazamento do seu peso atual: 103 quilos.
Ele continua mais do que confiante que estará na Copa da África.
Confia na relação paternalista que Dunga mantém com ele.
E também no seu retorno para a Europa após a Copa do Mundo.
Mas antes, ele é esperto.
Sabe o quanto significa para a torcida e para o cenário nacional, o Flamengo eliminar o Corinthians da Libertadores.
Na sua casa, no Pacaembu.
O interino Rogério Lourenço está empolgado porque tem a palavra de Adriano de que ele fará tudo direito.
Não irá escorregar a poucos dias dessa decisão.
Este é o momento de Adriano.
Está em paz e com ele em paz, o Flamengo fica em paz.
Tudo pode mudar da noite para o dia, mas Adriano jurou a Rogério Lourenço que não.
Sorte do rubro-negro.
Ao contrário de Ronaldo, que terá de dar explicações à Gaviões amanhã, o calado Adriano sabe bem demais o que significa a Libertadores para o seu clube.
Talvez seja a diferença por jogar no time que ama.
Quantas vezes você viu Ronaldo beijar a camisa do Corinthians?





















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