Jorge Fossati luta para não dar hoje o último suspiro no Internacional…

abel1 Jorge Fossati luta para não dar hoje o último suspiro no Internacional...

Jorge Fossati está envergonhado.

Depois de passagens pífias como jogador no futebol brasileiro, sonhava em se impor como treinador.

"No país que onde o futebol realmente nasceu", brincava com jornalistas brasileiros que o entrevistaram quando era treinador do Uruguai.

Inclusive este responsável pelo blog.

Estava nítido em cada frase, falada em português, que ele fazia questão de falar, o seu desejo de treinar um clube grande brasileiro.

Ele esteve para assumir o Palmeiras em uma indicação de Luiz Felipe Scolari.

Mas o ex-presidente Afonso Della Monica escolheu Luxemburgo.

Fossati chegou ao Inter acreditando que a diretoria, a torcida e a imprensa soubessem o que ele poderia oferecer.

Ele se especializou em montar equipes competitivas, rápidas nos contragolpes.

Sempre teve nas mãos mais rapidez e agilidade do que talento.

E no Internacional encontrou um time com jogadores acostumados a dribles, a cadenciar a partida.

Foi um choque quando ele começou a escalar o time apenas com um atacante fixo.

3-6-1 para o milionário elenco montado por Fernando Carvalho?

O Internacional tentaria ganhar a Libertadores com a LDU?, perguntam os irritados conselheiros.

Os jogadores também não entendiam tanta cautela.

Ainda mais por que quem enfrenta o time colorado abre mão da iniciativa.

Então como contragolpear se o adversário não ataca?

Fossati foi teimoso na sua tese de preenchimento de espaço até quando pôde.

Sentindo os olhares de decepção e a maneira fria com que passou a ser tratado em Porto Alegre, ele mudou.

Resolveu soltar as rédeas do time.

Mas sem estrutura defensiva.

Foi pior.

Colocar dois, três atacantes fíxos mexeu com toda estrutura tática da equipe.

Ficou vulnerável demais.

E vieram os vexames.

Já são seis partidas sem vitória.

Seis.

Com direito a apanhar do São José, do Caxias.

Nem Jó teria tanta paciência como a direção do Inter.

Mas ela acabou.

Ou Fossati começa a justificar a sua contratação hoje, com uma vitória convincente diante do Cerro do Uruguai, ou pode começar a dobrar bem suas camisas e calças e fazer as malas.

O técnico uruguaio apelou para a velha tática de quem pode perder o emprego.

Fechou os treinamentos e incutiu na cabeça de seus jogadores que todos estão contra eles.

Desde o homem que vende churrasco na entrada do estádio, Marcelo Dourado, Xuxa e a imprensa.

Melhor a síndrome de perseguição do que admitir que suas convicções de futebol não estão dando certo no Brasil.

A sua sorte é que o elenco do Internacional é muito bom.

Até porque não foram todos os jogadores que ficaram encantados com seu jeito seco de ser.

Uma pena para quem o conheceu tão esperançoso, tão desejoso de trabalhar no 'país onde o futebol realmente nasceu'.

Talvez ainda dê tempo para que Fossati se salve no cargo.

Talvez ganhe uma sobrevida hoje.

Mas se for verdade que é a primeira impressão é a que fica...

Será muito útil Fernando Carvalho não ter jogado fora os telefones de Muricy e Abel Braga...