Publicado em 30/03/2010 às 10h47
Marco Polo. Ou o prazer de comandar o futebol de São Paulo até quando quiser…

Marco Polo del Nero.
Reeleito presidente da Federação Paulista de Futebol por quatro anos.
Só o São Paulo fez questão de não ir na eleição.
Candidato único.
Ninguém teria como concorrer com ele.
Nem se Barack Obama fizesse uma aliança com Fidel Castro e Nicolas Sarkozy, com Carla Bruni.
É a mesma estratégia desde 2003.
Assim como lhe ensinou Eduardo José Farah.
Ele tem todos os clubes do Interior na mão.
Empresta dinheiro.
Ajuda a construir estádio.
Promete e leva times grandes para a torcida ver de perto.
Mantém sua base eleitoral a ferro e fogo.
Quem ousar ir contra ele sente o mesmo gosto de Napoleão Bonaparte na Ilha de Elba: o exílio.
A cidade, o clube é riscado do mapa do futebol brasileiro.
Não há perdão.
Em compensação, quem está do seu lado, disputa tudo.
Tem a vitrine da Copa São Paulo de juniores.
Recebem clubes obscuros, mas com dinheiro do Oriente Médio, Japão, China, Estados Unidos, países do Leste Europeu.
Marco Polo domina mesmo o futebol paulista.
É a Federação Paulista que determina os árbitros.
Fecha milionários contratos de transmissão pela tevê.
Obriga que jogos no Campeonato Paulista aconteçam em pleno meio-dia no verão.
Esperto, Marco Polo evitou colocar os grandes neste horário indecente.
A briga seria enorme.
Melhor colocar times pequenos que não têm força ou representatividade para reclamar.
As incompetentes administrações dos clubes grandes são nutrientes para Marco Polo.
Basta antecipar cotas de transmissão e não há problemas com Corinthians, Santos, Palmeiras.
Só o São Paulo tem resistido a essa tentação.
Sete anos de poder é um período muito curto.
Marco Polo pode ficar mais 50 anos comandando a FPF.
Basta viver tanto.
O esquema é tão bem amarrado que ele só deixará o cargo quando quiser.
As federações só parecem democráticas.
Mas são os últimos resquícios da ditadura militar no País.
Não há como lhes tomar o poder.
A culpa?
Não é de Marco Polo, Farah...
É da falta de coragem e competência dos dirigentes dos clubes.
Um dia, talvez, eles percebam que são fortes para organizar seus campeonatos, vendê-los para a tevê, selecionar seus árbitros, inscrever seus jogadores e fazer uma tabela racional.
Neste dia vão perceber o tempo e muito dinheiro cultuando federações e seus eternos presidentes.
Parabéns, Marco Polo.
Por mais quatro anos.
Ou mais 10, 16, 34, 45...
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