Publicado em 28/03/2010 às 12h06
Pet conseguiu o que queria. Está com um pé e meio fora do Flamengo…

Diz a lenda que políticos e dirigentes de futebol acham que a pior hora do dia é quando chegam os jornais.
Mal raia o sol, ávidos querem saber se terão aborrecimentos.
Isso graças à consciência pesada.
E foi assim hoje com toda a direção do Flamengo.
A longa e corajosa entrevista de Pet ao Lance escancarou como as coisas acontecem no clube rubro negro.
O sérvio estava magoado, querendo falar.
Ele abriu mão de cerca de R$ 8 milhões para poder voltar a jogar na Gávea.
Ganhou uma ação trabalhista de R$ 16 milhões.
Como queria continuar a entrar em campo ele se ofereceu a atuar pelo Flamengo e abrindo mão de metade do que ganhou na Justiça.
Houve uma grande briga entre os dirigentes se aceitavam ou não a proposta.
O vice de futebol Marcos Braz foi uma das pessoas a se posicionar contra, mas foi voto vencido.
Pet soube e o relacionamento entre os dois sempre foi péssimo.
Nem o título brasileiro amenizou as coisas. Só adiou.
E chegou ao limite quando sérvio se preparava para abandonar o Maracanã ao ser substituído no clássico contra o Fluminense.
O dirigente começou a xingá-lo e deu ordem para que ficasse no vestiário esperando o final do jogo.
O sérvio não só retrucou como mostrou que sabe todos os palavrões mais duros em português.
Foi afastado do time.
E exposto à imprensa, treinando sozinho.
Isso seria comum em um clube, desde que Adriano não pudesse aprontar tudo o que a imaginação permitr e nada acontecer.
Depois do final da punição, Andrade já havia efetivado Vinicius Pacheco como titular do Flamengo.
E o treinador mudou o relacionamento com o jogador por acreditar que ele o desrespeitou também indo embora no clássico.
Os dirigentes do Flamengo entusiasmados com a conquista do Brasileiro haviam prometido prorrogar o contrato do meia em dezembro.
Até agora, final de março, nada de prorrogação.
E Pet cansou.
Foi pegando os pontos fracos do Flamengo e bateu sem dó.
Disse que no Vasco, onde jogou, Eurico Miranda mandava em tudo, mas assumia.
Para ele, no Flamengo muitos mandam mas ninguém assume a responsabilidade por nada.
Cutucou Andrade, dizendo que no ano passado ele o consultava muito.
E neste ano não o procura.
Disse que não brigou com ele e estranha que vários jogadores que brigaram são titulares da equipe.
Lembrou que é sempre o primeiro a sair.
Quanto à sua renovação de contrato, garantiu que não se sente confortável no clube.
Irônico, disse que quando foi conveniente ao Flamengo (deixar de pagar R$ 8 milhões) o contrato foi assinado rapidamente.
Agora, não é o caso.
Ele deixa claro que foi usado quando foi bom para o clube.
Esperto disse que não tem problema com Adriano ou Vagner Love.
E fez um resumo de ouro para quem quer briga.
Para ele, a melhor coisa do Flamengo é a torcida.
E a pior?
Adivinhe.
Isso mesmo, o sérvio disse que são os dirigentes.
Simpático, não é?
A repercussão foi imediata.
A presidente/vereadora Patricia Amorim leu a entrevista e entrou em contato com seu vice Marco Braz.
Marcos foi contra o aumento de salário de Andrade depois do título do Brasileiro.
Desde então, os dois se afastaram.
Mas diante duras das críticas de Pet, tomaram café da manhã juntos analisando o que fazer o jogador.
Ambos não vão confirmar publicamente, mas acham Pet dispensável.
Seu nível técnico caiu muito em 2010 e Vinícius Pacheco o está substituindo com vantagem para o time.
Ele estava confirmado como titular para o jogo de logo mais contra o América.
Havia duas opções, afastá-lo do elenco .
Ou fingir que nada aconteceu e simplesmente não renovar o seu contrato, deixá-lo ir depois do estadual.
Esta parece ser a opção mais lógica.
Apesar de estar marcada para amanhã uma reunião entre Braz e o procurador do jogador para a renovação de contrato.
Só para lembrar, Pet é muito inteligente e articulado.
Ele pode estar magoado e está.
Em setembro ele completará 38 anos.
Mas isso não impede que tenha várias propostas de times grandes para disputar o Brasileiro.
Principalmente equipes precisando de um líder mais vivido.
Empresários falam em Vasco, Fluminense (duas equipes que ele já passou), São Paulo e Palmeiras.
Se é conversa de empresário, ainda não dá para saber.
Mas uma coisa é certa: Pet está com um pé e meio fora da Gávea.
De vez...
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