Publicado em 16/03/2010 às 06h00
Marcos: as dores podem levá-lo a encerrar a carreira em dezembro…

Marcos não embarcou para enfrentar o Paysandu pela Copa do Brasil.
Reclamou de dores nos joelhos.
Bem ao seu estilo, brincou com os médicos dizendo que são dores generalizadas, de um jogador em final de carreira.
Por trás da brincadeira há uma verdade.
Marcos começa a não suportar mais as dores de um goleiro em um clube de elite.
Ele vai completar 37 anos em agosto.
Desde 1992 é goleiro do Palmeiras, a primeira e única equipe na carreira.
Ele tem uma carreira fantástica.
Ganhou quase tudo pelo clube verde e branco.
De torneio Naranja a Maria Quitéria.
Rio-São Paulo, Paulistas, Copa do Brasil, Libertadores.
Perdeu a decisão do Mundial Interclubes para o Manchester United, partida pela qual se culpa até hoje.
Em compensação virou santo para os torcedores por ter sido o principal personagem em duas eliminações do Corinthians da Libertadores.
Foi campeão do mundo.
Só passou a ser valorizado financeiramente no Palmeiras graças a Kia Joorabchian.
Sim, ele mesmo.
O homem da MSI.
O iraniano ofereceu um salário gigantesco para Marcos trocar o Palestra Itália pelo Parque São Jorge.
Ele iria em 2006 para disputar a Libertadores em que a torcida corintiana quase demoliu o Pacaembu.
Marcos pensou, pensou, levou a proposta até a diretoria palmeirense.
E aconteceu o óbvio: teve um significativo aumento.
Era o que queria.
"Se eu for para o Corinthians, a torcida do Palmeiras me mata.
Eu não iria me sentir bem nunca", justificou Marcos para o atônito Kia que já comemorava a contratação.
Ainda mais depois que soube que o goleiro teve aumento mas continuou ganhando bem menos do que receberia no Corinthians.
O Palmeiras também tentou 'se livrar' de Marcos.
Em 2003 o clube acertou até as bases com o Arsenal.
Por 4 milhões de dólares, ele seria companheiro de Gilberto Silva e de Edu.
Mas o destino e a mão direita disseram não.
O departamento médico do Arsenal vetou Marcos por causa de uma lesão na mão direita.
O goleiro não insistiu, porque não estava interessado em jogar na Inglaterra.
"Mas eu tive essa lesão a vida toda.
Nunca me atrapalhou.
Se eu fosse costureira estaria ferrado.
Mas sou goleiro.
A lesão dói mas não atrapalha", disse, na época, a este jornalista.
Depois dela, Marcos teve inúmeras outras contusões.
Em 1997 foram canela e tornozelo esquerdos.
Em 2000, o punho esquerdo e o polegar direito.
Já em 2001 , o dedo mínimo direito
2003 , problemas respiratórios, quadril, abdome, coxa e pé direito.
No ano seguinte, o polegar esquerdo, punho esquerdo.
2005 - Punho e dedo anelar esquerdo
2006 - Coxa direita e ombro direito
2007 - Fratura no braço esquerdo.
Desde então, ele convive com dores musculares e nos joelhos.
O que aconteceu na semana passada, antes da partida contra o Santos, quando tomou infiltração para jogar, é recorrente.
Ele vive com dores.
Quando elas são mais fortes, ele passa um período recolhido, irritado.
Marcos sente que elas começam a ser frequentes demais.
E por isso a chance de parar no final do ano é real.
Não por sua irritação com o seu time.
Mas pelas dores mesmo.
Ele brinca, dizendo que deseja parar e não ser 'parado' no Palmeiras.
E também encerrar a carreira por cima, para deixar saudade.
Não sendo um peso para o time.
Esta é a situação do maior goleiro da gloriosa história de goleiros do Palmeiras.
Ele nunca pensou tão sério em parar com o futebol...
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