Publicado em 15/03/2010 às 13h49
Mais esperto, Muricy Ramalho está se preparando para voltar. No Campeonato Brasileiro…

O Internacional de Fossati não está decolando.
Mancini perde força no Vasco, não consegue nem escolher o jogador que vai cobrar os pênaltis do seu time.
O Cruzeiro de Adílson Batista está decepcionando.
Impossível prever o que aconteceria com o Corinthians de Mano depois de uma eliminação precoce na Libertadores...
Dirigentes e empresários costumam conversar sobre o futuro dos clubes no Campeonato Brasileiro.
E um nome é apresentado como prontidão.
Alguém que já estará recuperado do cansaço, do desgaste das suas duas últimas saídas de clubes.
O nome e sobrenome: Muricy Ramalho.
Ele pescou, jogou bola no litoral paulista, foi para a fazenda descansar.
Amigos garantem que ele repensou a vida, os erros.
E quer voltar a trabalhar.
Cansou de passear com seu poodle.
Muricy terá de se esforçar muito para que deixar para trás a saída abrupta do São Paulo e a decepção no Palmeiras.
Do clube de Belluzzo, ele ainda recebe uma multa rescisória de R$ 2,5 milhões.
E não de 'apenas' R$ 400 mil como amigos do treinador espalharam pelo Palestra Itália.
Mas dinheiro não é problema.
A vontade, a gana de Muricy é o orgulho ferido.
Embora seja humilde, ele acredita que foi muito prejudicado por ser leal.
No Palmeiras detectou vários problemas de relacionamento e até de farras de jogadores.
Mas fez questão de sair calado, parceiro da presidência.
Arcou com todo o desgaste calado.
Diz que serviu de lição.
Da próxima vez seguirá o seu instinto e levará para onde for trabalhar mais gente.
Apenas o auxiliar Tata e ele não deram conta de tudo de errado que havia no Palestra Itália.
Muricy também foi aconselhado a reconsiderar a maneira com que trata os jogadores.
Amigos como Milton Cruz insistem que ele precisa ser mais 'paternalista' e se aproximar mais dos atletas.
Essa foi a principal reclamação dos palmeirenses: tanto jogadores como dirigentes.
Ele sempre gostou da distância hierárquica.
"Não sou de papinhos mesmo", resmunga sempre o técnico.
Mas as chacoalhadas que recebeu no São Paulo e no Palmeiras parecem que agora fizeram efeito.
Ele acordou da letargia.
Se continuar recusando propostas do futebol mexicano e do mundo árabe, Muricy espera estar de volta no Brasileiro.
E mais calejado e esperto.
Não adianta sair por aí gritando que 'aqui é trabalho, meu filho'.
Nem ficar desopilando o fígado constrangindo jovens jornalistas em coletivas.
Ser um treinador vitorioso vai além de se preocupar com o time só na hora em que todos estiverem trocados no gramado.
Muricy terá sim de sujar as mãos.
Saber da vida dos jogadores, perceber melhor o ambiente onde trabalha.
Conversar com todos os dirigentes do futebol.
Não apenas os que lhe são mais simpáticos.
E não oferecer a própria cabeça quando o clube enfrenta problemas financeiros e tem falsas promessas da parceira.
Enfim, Muricy sabe do seu potencial como técnico.
Teve de amadurecer, mudar seus conceitos no sofrimento, depois de duas enormes decepções.
Melhor para o time que o contratar no Brasileiro.
Torneio que, não por acaso, ele já ganhou três vezes seguidas...
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