Publicado em 11/03/2010 às 07h06
No 10 a 0 de ontem, o Santos lembrou que não existe dó no futebol…

"Não existe dó no futebol.
Se der para ganhar de dez é para ganhar de dez.
No futebol não existe dó."
As frases não são de Robinho, Neymar ou Ganso.
São de Pelé.
O melhor jogador de todos os tempos sempre justificou as goleadas que o Santos aplicava sem pena.
Dizia que era até uma questão de respeito não só ao adversário, mas aos grandes times que o destino colocou na Vila Belmiro.
Isso talvez alivie o constrangimento de quem assistiu à fantástica goleada santista de ontem à noite.
O pobre Naviraiense, campeão do Mato Grosso do Sul, perdeu por 10 a 0.
Mas poderia ser 13, 15, 18...
Além de todo o desnível técnico, o que chamou a atenção foi a postura do time de Dorival Júnior.
Bem ao contrário da postura corporativista do jogador de futebol atual.
Quando uma equipe começa a golear a outra, costuma 'tirar o pé', na gíria do atleta.
Ou seja: diminuir o ritmo.
O pensamento que domina a todos costuma ser: "4 a 0 está bom. Para que humilhar?"
Só que Pelé definiu bem.
Não é humilhação, é futebol.
É superioridade.
Respeito à própria torcida.
Uma homenagem ao poder do próprio time.
A equipe do Naviraiense comemorou muito ter perdido apenas por 1 a 0 na partida de ida pela Copa do Brasil.
Os jogadores vieram a Santos e alguns deles entraram no mar pela primeira vez, lógico que diante das câmeras da tevê.
Não sabiam do massacre que sofreriam.
Que poderia quebrar o recorde dos 12 a 1 sofridos pelo Ypiranga, em 1927, e pela Ponte Preta, em 1959.
Os meninos tentaram.
Só não conseguiram.
Mas a festa dos 10 a 0 ficará para sempre na memória de quem esteve em campo.
Ou teve o privilégio de assistir.
E foi muito mais do que um passeio de um clube grande, estruturado, com jogadores com nível de seleção brasileira contra uma equipe muito mais fraca física, técnica e financeiramente.
Foi a vitória da filosofia ambiciosa de buscar os gols.
De aproveitar ao máximo o próprio potencial.
O Santos de Robinho, de Neymar, de Ganso, de André, apenas foi um time de futebol.
E que colocou em prática a própria força.
Sem dó, sem pena.
Não fez mal a ninguém.
Apenas jogou futebol.
Que venha o Remo...
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