Publicado em 04/03/2010 às 12h14
Marcos, não se aposente, não. Sem a Parmalat, sem a Traffic o Palmeiras é esse mesmo…

Gil e Branquinho fazem o que querem de Armero.
A bola é cruzada e Rodriguinho, sozinho, faz o gol de letra.
Santo André 3, Palmeiras 1.
Em pleno Palestra Itália.
E Marcos fala em se aposentar.
Como se os gravíssimos problemas do clube de Belluzzo terminassem com a parada do grande goleiro do Palmeiras.
Em décimo lugar no Campeonato Paulista, antes do complemento da rodada de hoje.
O clube não é mais nem chacota no Brasil.
Está triste demais a situação para a ironia.
O Palmeiras em crise em 2010 já virou notícia velha.
Como briga de torcida organizada em estação de metrô.
Não vale a primeira página.
Depois da saída de Muricy Ramalho, após sua decepcionante passagem pelo clube, a teoria da conspiração ganhou força.
Ainda mais depois da estreia vitoriosa de Antônio Carlos.
Os jogadores estavam boicotando Muricy.
Ele nunca foi simpático.
O time desejava Jorginho.
Mas valeria qualquer coisa para tirar Muricy.
E eles teriam andado na goleada contra o São Caetano, que culminou com a demissão do técnico.
Os comentários hoje pela manhã no Palmeiras dão conta que a equipe não se esforçou ontem contra o Santo André.
Qual seria o motivo?
Derrubar Antônio Carlos?
Bobagem.
O problema do Palmeiras não é o sofá.
É o elenco.
O time é fraco.
Os poucos grandes jogadores não têm liderança, a personalidade não foi moldada para empurrar ninguém.
Diego Souza, Cleyton Xavier e mesmo Marcos não têm perfil de comando.
Não é por mal.
Cleyton Xavier se machucou e está poupado da cobrança dos dirigentes.
Vai sobrar para Diego Souza explicar por que não está rendendo o que pode.
A expulsão infantil ontem foi imperdoável.
Mas se Diego Souza tiver coragem de falar o que acontece, vai explicar que ele e Cleyton não jogam sozinhos.
Tirando os dois, que sempre entram em campo marcados, quem tem potencial para mudar o destino de um jogo do Palmeiras?
É muito fácil a diretoria repassar a culpa para o fraco grupo de jogadores que montou.
No ano passado, mesmo, com tudo favorável o time desandou.
Em 2010 não existe nem Vagner Love para colocar a culpa.
Antônio Carlos se lembrou das lições que teve com Luxemburgo e Mano Menezes.
E quer levar o time para longe da pressão do clube, da imprensa, da torcida.
Pena não poder levar a delegação em peregrinação a pé para Santiago da Compostela, na Espanha, Fátima, em Portugal, ou Aparecida do Norte.
Esses lugares costumam fazer milagres.
A saída será Atibaia, Itu, Águas de Lindóia.
A princípio, a sua Presidente Prudente, do Pops Drinks, está vetada.
A viagem deve acontecer logo após o jogo de sábado contra o Sertãozinho, lanterna do Paulista.
O plano básico é ganhar desse time fraquíssimo e ir para o interior.
Até porque o adversário do próximo final de semana é o Santos, na Vila Belmiro.
Para desviar o foco de outro enorme vexame de ontem, o treinador fala que Ewerthon fará sua estréia contra o time de Neymar e Robinho.
O Palmeiras de Belluzzo está sendo assim.
A cada vexame, tenta criar um fato novo para desviar o foco.
No futebol, o seu mandato é a maior decepção entre os dirigentes do país.
Não há presidente, vice ou diretor de qualquer equipe grande que, conversando em off, com o blog, não faça a mesma pergunta.
"O que acontece com o Belluzzo, hein?"
De brilhante intelectual, economista, dono e professor de faculdade, a fama de Belluzzo virou a de um dirigente que pensa como torcedor.
E que era excelente na teoria.
Na prática está sendo um desastre.
Não vale nem citar a festa que foi na Mancha Verde, a ameaça a Simon, a contratação de Vagner Love, a dispensa para mostrar força de Vanderlei Luxemburgo.
Conseguiu ser pior que Luxemburgo na maneira de tratar a saída de Keirrison.
E depois de tudo isso é Marcos quem vai se aposentar no final do ano.
Marcos errará duas vezes se mantiver sua palavra.
A primeira é encerrar a carreira, quando suportaria tranquilamente mais um ano mantendo o nível competitivo.
A segunda é a sua previsão de que o sofrimento do torcedor palmeirense vai terminar em dezembro, quando ele parar.
Se algo muito drástico não acontecer, os sofrimentos continuarão.
Infelizmente, para os seus torcedores e para o futebol de São Paulo, a verdade é dura e cruel.
Foi campeão da Libertadores em 1999.
Há dez anos.
O Palmeiras venceu 0 Brasileiro pela última vez em 1994.
Vai completar 16 anos...
A única Copa do Brasil que conquistou em 1998.
São 12 anos.
O dinheiro da Parmalat esteve por trás dessas conquistas.
O clube foi campeão paulista em 2008.
A grande investidora foi a Traffic, que está se fingindo de morta agora, com o time fora da Libertadores.
Ou seja: na frieza das parcerias o último título que o Palmeiras ganhou dependendo só da sua adminstração, sua competência foi o Campeonato Paulista de 1976.
Há nada menos do que 34 anos...
O que significa isso?
Que há 34 anos o Palmeiras não sabe conduzir sozinho o futebol, esporte que o consagrou no mundo.
É incompetente no sentido exato da palavra que soa como um palavrão.
Falta capacidade dos seus dirigentes.
Se não houver um patrocinador não só para colocar dinheiro, mas para mostrar o caminho, o Palmeiras é o de ontem à noite...
(O resumo do Palmeiras atual, a televisão acaba de revelar.
Marcos no final da partida pergunta para os repórteres quanto é o tempo de jogo.
Seu time perdia por 3 a 1 para o Santo André.
Ele ouve a resposta: 42 minutos do segundo tempo.
Marcos comemora, amargurado.
"42 minuto? Graças a Deus."
Ele tinha medo de tomar mais gols do Santo André no Palestra Itália.
Esse é o Palmeiras de Belluzzo.)
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