Marcos, não se aposente, não. Sem a Parmalat, sem a Traffic o Palmeiras é esse mesmo…

pra Marcos, não se aposente, não. Sem a Parmalat, sem a Traffic o Palmeiras é esse mesmo...

Gil e Branquinho fazem o que querem de Armero.

A bola é cruzada e Rodriguinho, sozinho, faz o gol de letra.

Santo André 3, Palmeiras 1.

Em pleno Palestra Itália.

E Marcos fala em se aposentar.

Como se os gravíssimos problemas do clube de Belluzzo terminassem com a parada do grande goleiro do Palmeiras.

Em décimo lugar no Campeonato Paulista, antes do complemento da rodada de hoje.

O clube não é mais nem chacota no Brasil.

Está triste demais a situação para a ironia.

O Palmeiras em crise em 2010 já virou notícia velha.

Como briga de torcida organizada em estação de metrô.

Não vale a primeira página.

Depois da saída de Muricy Ramalho, após sua decepcionante passagem pelo clube, a teoria da conspiração ganhou força.

Ainda mais depois da estreia vitoriosa de Antônio Carlos.

Os jogadores estavam boicotando Muricy.

Ele nunca foi simpático.

O time desejava Jorginho.

Mas valeria qualquer coisa para tirar Muricy.

E eles teriam andado na goleada contra o São Caetano, que culminou com a demissão do técnico.

Os comentários hoje  pela manhã no Palmeiras dão conta que a equipe não se esforçou ontem contra o Santo André.

Qual seria o motivo?

Derrubar Antônio Carlos?

Bobagem.

O problema do Palmeiras não é o sofá.

É o elenco.

O time é fraco.

Os poucos grandes jogadores não têm liderança, a personalidade não foi moldada para empurrar ninguém.

Diego Souza, Cleyton Xavier e mesmo Marcos não têm perfil de comando.

Não é por mal.

Cleyton Xavier se machucou e está poupado da cobrança dos dirigentes.

Vai sobrar para Diego Souza explicar por que não está rendendo o que pode.

A expulsão infantil ontem foi imperdoável.

Mas se Diego Souza tiver coragem de falar o que acontece, vai explicar que ele e Cleyton não jogam sozinhos.

Tirando os dois, que sempre entram em campo marcados, quem tem potencial para mudar o destino de um jogo do Palmeiras?

É muito fácil a diretoria repassar a culpa para o fraco grupo de jogadores que montou.

No ano passado, mesmo, com tudo favorável o time desandou.

Em 2010 não existe nem Vagner Love para colocar a culpa.

Antônio Carlos se lembrou das lições que teve com Luxemburgo e Mano Menezes.

E quer levar o time para longe da pressão do clube, da imprensa, da torcida.

Pena não poder  levar a delegação em peregrinação a pé  para Santiago da Compostela, na Espanha, Fátima, em Portugal, ou Aparecida do Norte.

Esses lugares costumam fazer milagres.

A saída será Atibaia, Itu, Águas de Lindóia.

A princípio, a sua Presidente Prudente, do Pops Drinks, está vetada.

A viagem deve acontecer logo após o jogo de sábado contra o Sertãozinho, lanterna do Paulista.

O plano básico é ganhar desse time fraquíssimo e ir para o interior.

Até porque o adversário do próximo final de semana é o Santos, na Vila Belmiro.

Para desviar o foco de outro enorme vexame de ontem, o treinador fala que Ewerthon fará sua estréia contra o time de Neymar e Robinho.

O Palmeiras de Belluzzo está sendo assim.

A cada vexame, tenta criar um fato novo para desviar o foco.

No futebol, o seu mandato é a maior decepção entre os dirigentes do país.

Não há presidente, vice ou diretor de qualquer equipe grande que, conversando em off, com o blog, não faça a mesma pergunta.

"O que acontece com o Belluzzo, hein?"

De brilhante intelectual, economista, dono e professor de faculdade, a fama de Belluzzo virou a de um dirigente que pensa como torcedor.

E que era excelente na teoria.

Na prática está sendo um desastre.

Não vale nem citar a festa que foi na Mancha Verde, a ameaça a Simon, a contratação de Vagner Love, a dispensa para mostrar força de Vanderlei Luxemburgo.

Conseguiu ser pior que Luxemburgo na maneira de tratar a saída de Keirrison.

E depois de tudo isso é Marcos quem vai se aposentar no final do ano.

Marcos errará duas vezes se mantiver sua palavra.

A primeira é encerrar a carreira, quando suportaria tranquilamente mais um ano mantendo o nível competitivo.

A segunda é a sua previsão de que o sofrimento do torcedor palmeirense vai terminar em dezembro, quando ele parar.

Se algo muito drástico não acontecer, os sofrimentos continuarão.

Infelizmente, para os seus torcedores e para o futebol de São Paulo, a verdade é dura e cruel.

Foi campeão da Libertadores em 1999.

Há dez anos.

O Palmeiras venceu 0 Brasileiro pela última vez em 1994.

Vai completar 16 anos...

A única Copa do Brasil que conquistou em 1998.

São 12 anos.

O dinheiro da Parmalat esteve por trás dessas conquistas.

O clube foi campeão paulista em 2008.

A grande investidora foi a Traffic, que está se fingindo de morta agora, com o time fora da Libertadores.

Ou seja: na frieza das parcerias o último título que o Palmeiras ganhou dependendo só da sua adminstração, sua competência foi o Campeonato Paulista de 1976.

Há nada menos do que 34 anos...

O que significa isso?

Que há 34 anos o Palmeiras não sabe conduzir sozinho o futebol, esporte que o consagrou no mundo.

É incompetente no sentido exato da palavra que soa como um palavrão.

Falta capacidade dos seus dirigentes.

Se não houver um patrocinador não só para colocar dinheiro, mas para mostrar o caminho, o Palmeiras é o de ontem à noite...

(O resumo do Palmeiras atual, a televisão acaba de revelar.

Marcos no final da partida pergunta para os repórteres quanto é o tempo de jogo.

Seu time perdia por 3 a 1 para o Santo André.

Ele ouve a resposta: 42 minutos do segundo tempo.

Marcos comemora, amargurado.

"42 minuto? Graças a Deus."

Ele tinha medo de tomar mais gols do Santo André no Palestra Itália.

Esse é o Palmeiras de Belluzzo.)