Publicado em 27/02/2010 às 06h00
Se quiser ser um grande técnico, Mancini tem de enfrentar Dodô, Fábio Costa e quem vier pela frente…

Vagner Mancini surgiu como um bálsamo.
Parecia um treinador diferenciado da nova geração.
Inteligente, articulado e sincero, ele parecia ter a fórmula do sucesso.
Fez uma campanha inesquecível com o Paulista de Jundiaí.
Foi campeão da Copa do Brasil.
Disputou a Libertadores.
Recusou várias propostas de clubes grandes antes de pegar a estrada.
Parecia preparado.
Parecia.
Vagner Mancini tem um sério problema.
Não sabe como se comportar com indisciplina no grupo.
Ele não mostra força para se impor.
Espera ganhar o grupo com conversas, reuniões, cochichos ao pé do ouvido.
Já foi assim no Santos.
Fábio Costa e Fabiano Eller brigaram no vestiário.
O zagueiro socou o goleiro.
O ex-presidente santista era muito ligado ao goleiro.
E Fabiano Eller não foi só afastado do grupo.
Foi exilado e depois negociado com o Internacional.
Mancini herdou a briga de Marcio Fernandes.
O clima estava horroroso e ele se omitiu.
Não teve a menor participação nas decisões.
O que de mais forte fez foi dizer ao grupo que havia um espião que passava as confusões do vestiário para a imprensa.
E que faria tudo para pegar o espião.
Em vez de acabar com as brigas, o desrespeito, ele queria pegar o espião.
No Vitória também a reclamação é que falta vigor, força e até um pouco de má educação para Mancini.
Assumiu o Vasco bem criado por Dorival Júnior.
Carlos Alberto estava calmo, domado.
O time tem uma base sólida, construída pelo ex-treinador.
Caberia a Mancini apenas tocar para frente o que recebeu.
Mas os problemas de relacionamento voltam a surgir.
Depois da decepcionante perda da taça Guanabara para o Botafogo, veio o Souza da Paraíba.
E outra atuação abaixo da crítica de Dodô.
Ele já havia sumido em mais uma partida decisiva.
Contra o Botafogo foi difícil ouvir o seu nome por qualquer narrador.
E diante dos paraibanos, outra atuação fraca.
Aceitou passivamente a marcação.
Foi substituído com razão.
Só que, de solidário com o grupo, Dodô não tem nada.
E foi embora antes do jogo acabar.
Estava irritado.
Se tivesse sido sorteado para o antidoping poderia até estar suspenso preventivamente.
Logo Dodô para brincar com o doping?
Ele que ficou quase dois anos longe dos gramados pego no doping,
Mas ele foi embora.
Desrespeitou o seu time.
E Vagner Mancini?
Quem falou foi o presidente Dinamite.
Garantiu que acredita no jogador e está tudo bem.
E Vagner Mancini?
Está mais do que na hora do técnico mostrar força.
Só estratégia, inteligência e educação não servem para formar um grande treinador.
Ainda há tempo de se impor no Vasco.
E recolocar sua carreira nos trilhos.
Só depende do próprio Mancini.
Não basta parecer.
Ele tem de mostrar que é o chefe da família...
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