A triste queda de Muricy. Agora os sonhos: Abel e Autuori. A realidade: Antônio Carlos, Ney Franco…

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Muricy Ramalho foi demitido do Palmeiras por total falta de visão.

Mal foi mandado embora do São Paulo, o técnico queria voltar a trabalhar o mais rápido possível.

Era sua família que insistiu que tivesse alguns dias de férias.

Ele quis recuperar a sua imagem o mais rápido possível.

E caiu no canto de sereia da direção do Palmeiras.

O que foi vendido para ele: um time pronto para ganhar o Brasileiro, ambiente maravilhoso e total apoio para as suas decisões.

Só que não foi nada disso.

A chegada de Vagner Love minou o bom relacionamento entre os atletas.

Ele chegou ganhando muito dinheiro, bem mais do que as estrelas Diego Souza e Cleiton Xavier.

O time sofria com a ausência de líder.

Vanderlei Luxemburgo gosta desta situação porque é o que ele manda e acabou.

Muricy, não precisa de atletas de sua total confiança no elenco com poder para influenciar os demais.

O técnico se ressentiu demais da ausência de Milton Cruz e Carlinhos Neves, seus grande companheiros, parceiros do São Paulo.

No Palestra Itália ele tinha a sombra de Jorginho.

Depois dos gritos de Luxemburgo, os jogadores haviam ficado encantado com o jeito simples e direto de Jorginho.

Eles desejavam a efetivação do auxiliar.

Só que foram votos vencidos.

O jeito calado de Muricy só serviu para afastá-lo do grupo.

O time caiu nas últimas rodadas do Brasileiro.

"O Muricy não teve capacidade para motivar o time", revelou o paraguaio Ortigoza.

Ele só falou o que falou porque havia sido dispensado?

Ou por isso mesmo teve coragem de revelar o que todos queriam dizer?

Muricy implorou pela contratação de um meia talentoso.

Imitou até Luxemburgo e conversou com Douglas, ex-Corinthians.

Mas o Grêmio teve mais dinheiro.

Dinheiro também é um capítulo à parte nesta demissão.

A Traffic trancou os cofres com o fracasso no Brasileiro.

Muricy brincava no São Paulo que era 'uma teta' dirigir o Palmeiras com a Traffic.

Era só pedir o jogador.

E foi assim com Luxemburgo.

Na vez de Muricy, a fonte secou.

Secou mesmo.

O Palmeiras teve de apelar para jogadores que sobraram no mercado.

E pagando caro.

Por Lincoln, que não atua desde maio de 2009 por estar brigado com a direção do Galatasarai, o clube desembolsou 1,5 milhão de euros. Por 50% dos seus direitos federativos.

Por 50%.

Muricy não conseguiu também montar um esquema tático convincente.

Mesmo comandando juvenis mancos na Sibéria, um treinador precisa dar um desenho tático à equipe.

O Palmeiras de Muricy vivia à base de cruzamentos da intermediária.

Chutões da defesa para o ataque, 'ligação direta' como os jogadores batizaram a estratégia.

Os torcedores e os conselheiros até que tiveram paciência demais com o técnico.

O vice Gilberto Cipullo, não.

Insistia na sua demissão.

Por ele, depois do vexame  na fase final do Brasileiro, a hora era de trocar.

Efetivar Jorginho.

Só que o auxiliar se cansou de esperar e, depois de recusar o Avaí, foi trabalhar no Goiás.

Percebendo que o ambiente estava ruim para o seu lado, Muricy aceitou até fazer propaganda para Unimed.

Como um homem que vende ouro na Praça da Sé, ele usou o seu corpo para colocar uma camiseta azul bebê com a propaganda da seguradora.

Em plenos jogos, Muricy pagava esse mico.

O R$ 1,3 milhão era embolsado pelo Palmeiras.

E nada para ele.

Não adiantou.

O time acumulou vexames seguidos.

O de ontem foi vergonhoso.

A sua multa contratual era um salário.

Ele recebia R$ 400 mil e tinha contrato até o final do ano.

O treinador já havia antecipado que não pediria para sair.

Junto com ele vai seu auxiliar Tata que não pôde fazer nada por ele no Palmeiras.

E o gerente Toninho Cecílio, que ousou reclamar na semana passada que indicava jogadores mas o clube não tinha dinheiro para comprá-los.

Belluzzo defende um treinador jovem e barato. O nome de Antônio Carlos do São Caetano é forte.

Até Ney Franco que foi rebaixado com o Coritiba foi comentado.

Cipullo deseja um perfil mais vivido, vencedor.

Sonha com Paulo Autuori ou Abel Braga.

Agora o que restam são especulações.

E a Muricy cuidar das feridas

Bastaram seis meses de Palmeiras para perder grande parte do seu prestígio.

O tricampeonato brasileiro seguido que conquistou pelo São Paulo não pode ser esquecido.

Mas os méritos pularam do colo do técnico para o colo da direção do clube tricolor.

E o Palmeiras está caído, desmoralizado.

Muricy Ramalho fez mal demais ao Palmeiras.

Mas o Palmeiras também fez mal demais a Muricy...