Publicado em 18/02/2010 às 17h05
A triste queda de Muricy. Agora os sonhos: Abel e Autuori. A realidade: Antônio Carlos, Ney Franco…

Muricy Ramalho foi demitido do Palmeiras por total falta de visão.
Mal foi mandado embora do São Paulo, o técnico queria voltar a trabalhar o mais rápido possível.
Era sua família que insistiu que tivesse alguns dias de férias.
Ele quis recuperar a sua imagem o mais rápido possível.
E caiu no canto de sereia da direção do Palmeiras.
O que foi vendido para ele: um time pronto para ganhar o Brasileiro, ambiente maravilhoso e total apoio para as suas decisões.
Só que não foi nada disso.
A chegada de Vagner Love minou o bom relacionamento entre os atletas.
Ele chegou ganhando muito dinheiro, bem mais do que as estrelas Diego Souza e Cleiton Xavier.
O time sofria com a ausência de líder.
Vanderlei Luxemburgo gosta desta situação porque é o que ele manda e acabou.
Muricy, não precisa de atletas de sua total confiança no elenco com poder para influenciar os demais.
O técnico se ressentiu demais da ausência de Milton Cruz e Carlinhos Neves, seus grande companheiros, parceiros do São Paulo.
No Palestra Itália ele tinha a sombra de Jorginho.
Depois dos gritos de Luxemburgo, os jogadores haviam ficado encantado com o jeito simples e direto de Jorginho.
Eles desejavam a efetivação do auxiliar.
Só que foram votos vencidos.
O jeito calado de Muricy só serviu para afastá-lo do grupo.
O time caiu nas últimas rodadas do Brasileiro.
"O Muricy não teve capacidade para motivar o time", revelou o paraguaio Ortigoza.
Ele só falou o que falou porque havia sido dispensado?
Ou por isso mesmo teve coragem de revelar o que todos queriam dizer?
Muricy implorou pela contratação de um meia talentoso.
Imitou até Luxemburgo e conversou com Douglas, ex-Corinthians.
Mas o Grêmio teve mais dinheiro.
Dinheiro também é um capítulo à parte nesta demissão.
A Traffic trancou os cofres com o fracasso no Brasileiro.
Muricy brincava no São Paulo que era 'uma teta' dirigir o Palmeiras com a Traffic.
Era só pedir o jogador.
E foi assim com Luxemburgo.
Na vez de Muricy, a fonte secou.
Secou mesmo.
O Palmeiras teve de apelar para jogadores que sobraram no mercado.
E pagando caro.
Por Lincoln, que não atua desde maio de 2009 por estar brigado com a direção do Galatasarai, o clube desembolsou 1,5 milhão de euros. Por 50% dos seus direitos federativos.
Por 50%.
Muricy não conseguiu também montar um esquema tático convincente.
Mesmo comandando juvenis mancos na Sibéria, um treinador precisa dar um desenho tático à equipe.
O Palmeiras de Muricy vivia à base de cruzamentos da intermediária.
Chutões da defesa para o ataque, 'ligação direta' como os jogadores batizaram a estratégia.
Os torcedores e os conselheiros até que tiveram paciência demais com o técnico.
O vice Gilberto Cipullo, não.
Insistia na sua demissão.
Por ele, depois do vexame na fase final do Brasileiro, a hora era de trocar.
Efetivar Jorginho.
Só que o auxiliar se cansou de esperar e, depois de recusar o Avaí, foi trabalhar no Goiás.
Percebendo que o ambiente estava ruim para o seu lado, Muricy aceitou até fazer propaganda para Unimed.
Como um homem que vende ouro na Praça da Sé, ele usou o seu corpo para colocar uma camiseta azul bebê com a propaganda da seguradora.
Em plenos jogos, Muricy pagava esse mico.
O R$ 1,3 milhão era embolsado pelo Palmeiras.
E nada para ele.
Não adiantou.
O time acumulou vexames seguidos.
O de ontem foi vergonhoso.
A sua multa contratual era um salário.
Ele recebia R$ 400 mil e tinha contrato até o final do ano.
O treinador já havia antecipado que não pediria para sair.
Junto com ele vai seu auxiliar Tata que não pôde fazer nada por ele no Palmeiras.
E o gerente Toninho Cecílio, que ousou reclamar na semana passada que indicava jogadores mas o clube não tinha dinheiro para comprá-los.
Belluzzo defende um treinador jovem e barato. O nome de Antônio Carlos do São Caetano é forte.
Até Ney Franco que foi rebaixado com o Coritiba foi comentado.
Cipullo deseja um perfil mais vivido, vencedor.
Sonha com Paulo Autuori ou Abel Braga.
Agora o que restam são especulações.
E a Muricy cuidar das feridas
Bastaram seis meses de Palmeiras para perder grande parte do seu prestígio.
O tricampeonato brasileiro seguido que conquistou pelo São Paulo não pode ser esquecido.
Mas os méritos pularam do colo do técnico para o colo da direção do clube tricolor.
E o Palmeiras está caído, desmoralizado.
Muricy Ramalho fez mal demais ao Palmeiras.
Mas o Palmeiras também fez mal demais a Muricy...
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