Publicado em 02/02/2010 às 19h25
Quem está mais ensandecida em Minas Gerais? A torcida do Cruzeiro ou a do Atlético Mineiro?

Belo Horizonte está à beira da loucura.
Está rachada e fazendo festa até para relâmpago.
As torcidas de Atlético Mineiro e Cruzeiro decidiram endeusar quem decidir vestir os respectivos uniformes.
Os cruzeirenses inovaram e perderam qualquer vergonha de celebrar uma transação que não deu certo.
Kléber foi saudado como se tivesse sido comprado por Zezé Perrella.
E não como o jogador que Perrella tentou empurrar para o Porto e não ficou pelo tempo de contrato e porque pediu mais dinheiro.
A recepção desarmou completamente o jogador.
E seu empresário.
Os dois estavam culpando Perrella de falta de carinho com o atleta.
E desprezou a vontade que ele tinha de disputar a Libertadores.
Muito carente, o atacante já ia começando a armar o seu tradicional bico e começava a pensar em sair do Cruzeiro.
Sim, o velho caminho.
O presidente Belluzzo se comporta como uma noiva arrependida que terminou o noivado.
Quer Kléber de volta ao Palestra Itália.
E vai iludindo quem passa perto dele.
Até para ascensoristas ele diz que Kléber está perto de voltar.
Mas parece que agora Perrella vai ouvir Adilson Batista sobre a necessidade de manter o jogador.
Ele representa como poucos a garra, a coragem que a Libertadores exige.
Kléber sabe que está devendo.
Teve duas atuações pífias nas finais do ano passado.
A chance de dar a volta por cima é agora.
Depois de ser carregado nos ombros por uma torcida que o ama e não veste verde, Kléber mudou o foco.
De novo.
Agora quer retribuir tamanha demonstração de carinho.
E agora diz que fica.
Em compensação, do outro lado da cidade, paraguaio está até agora com os olhos esbugalhados.
Cáceres, jogador mediano teve uma recepção de Beckenbauer pelos atleticanos.
Ele ficou até constrangido.
Esperava que que só seu empresário estivesse no seu retorno ao Galo.
Mas ele não sabe que os torcedores estão 'dopados' pelas promessas da dupla Luxemburgo e Kalil.
E qualquer jogador passa a ser um gênio, um superdotado.
Foi assim com Zé Luís, Obina e por aí vai.
O importante é fazer festa.
Dizer que seu time é o maior do mundo.
A hegemonia em Minas Gerais é cruzeirense.
Os atleticanos garantem que isso irá acabar.
As cartas estão na mesa.
A ansiedade é igual nos dois lados.
Zezé Perrella não tolera nem ouvir falar o nome de Luxemburgo.
E exigiu de Adílson Batista a conquista do quintal, antes da América.
Quer o Campeonato Mineiro.
Já Kalil avisou Luxemburgo que deseja a Libertadores via Copa do Brasil.
E exige o Mineiro para acabar com a empáfia de Zezé Perrella.
O clima em Belo Horizonte está de euforia.
Todos estão contaminados.
Até a centrada imprensa.
Os reforços começam a ganhar adjetivos imerecidos
Mas o que vale é a rivalidade.
Um está empurrando, cutucando o outro.
Isso é bom para o Cruzeiro e para o Atlético Mineiro.
Belo Horizonte acordou.
E de um modo nada discreto.
Mas fica a dúvida.
Qual torcida está mais ensandecida?
A que comemora uma negociação fracassada?
Ou a que faz festa para um zagueiro paraguaio bem 'mais ou menos'?
(Não queria. Evitei o máximo que pude.
Mas como fui muito acarinhado pela torcida do Atlético Mineiro, vou recordar um dado importante.
Analisem esse time: Bruno; Cáceres, Lima e Thiago Junio; Rodrigo Dias, Alicio, Rafael Miranda, Tchô (Rodrigo Silva) (Euller) e Rubens Cardoso; Renato e Pablito (Quirino)
Técnico: Lori Sandri.
Essa equipe foi rebaixada para a Série B em 2005.
Cáceres além de ter disputado duas Copas com o Paraguai, traz no currículo esse rebaixamento.
Para mim a festa ficou ainda mais estranha.
Eu gostaria que viessem jogadores mais fortes do que o Cáceres para o Atlético Mineiro.
Mas há gosto para tudo.)
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