
Nada menos do que 92 equipes.
92 times.
Sim, 92...
Para disputar um torneio que começa hoje, dia 2 de janeiro.
E termina daqui a 23 dias.
No dia 25.
O campeonato mais importante da categoria de base do futebol brasileiro é disputado como se fosse um "festival de várzea", onde tudo é decidido no mesmo dia, em jogos eliminatórios.
O descaso com a Copa São Paulo é impressionante.
Meninos têm a sua grande vitrine da vida atuando ao meio-dia (me corrigiram...ao sol das 13 horas, perdao), em pleno verão.
Os jogos se acumulam.
A grande maioria dos times se acumula em péssimas acomodações.
Só os grandes escapam.
Muitos times chegam à capital paulista depois de ter passado o final de 2009 em intermináveis viagens em velhos ônibus, cruzando o Brasil.
Todo ano é a mesma coisa.
Dezembro inteiro é desperdiçado pela FPF.
Os técnicos reclamam. O torneio poderia ser disputado de forma mais racional e justa com os meninos, em dois meses.
Seria a chance também de aproveitar as férias dos profissionais.
Mas para cortar custos, a FPF espreme o campeonato.
E o número gigantesco de participantes é fácil de explicar.
Uma patética maneira de tentar mostrar poder, pujança, força do futebol paulista.
Mas olhado de um pouco mais perto, tudo remete ao improviso e à política mesquinha.
Todos lembram que Falcão, Casagrande, Cafu, Toninho Cerezo e muitos outros atletas importantes disputaram o torneio.
Assim como fica impossível não perceber porque tantas subsedes espalhadas pelo Interior.
É uma maneira de agradar politicamente uma cidade, um presidente de liga, um dirigente de clube.
Todos com direito de voto na eleiçao da FPF.
Seja quem for o presidente da entidade, a Copa São Paulo é uma das maneiras de se perpetuar no poder.
Um trunfo político.
E sempre também vale destacar que o torneio começa cercado de interesse.
As tevês, os jornais, as rádios se mostram ávidos de futebol.
Com as férias dos profissionais, é bom, barato e interessante mostrar a Copinha.
Só o início dela.
Porque quando entra na reta final, a grande cobertura da imprensa some.
Pelo óbvio motivo que os profissionais voltam a treinar e disputar os campeonatos estaduais.
É um absurdo que todos fingem não ver.
Outro grande motivo para o torneio começar em dezembro.
Mas de nada adianta protestar, pedir, perguntar.
A fórmula absurda está feita e é intocável.
Para combinar com o calor absurdo de janeiro, a FPF só acertou em cheio ao convidar o time estrangeiro, o Al-Hilal.
Tinha de ser uma equipe árabe.
Ironias à parte, o pior é que depois, no resto do ano, os meninos disputam torneios que não são acompanhados nem por seus pais.
A chance é a Copa São Paulo.
Ou melhor: o início dela e a sua final, no aniversário da cidade.
Na maior parte do torneio, só os familiares e os empresários estarao vendo os garotos enfrentar o sol, os péssimos gramados e as arbitragens que favorecem os clubes grandes.
Mas o que vale é destacar a megalomania.
Os 92 times.
A torcida dos organizadores para que pelo menos uma equipe grande paulista chegue à final para que o estádio do Pacaembu esteja lotado.
E o Brasil seja obrigado a ver a força, a pujança, a organização do futebol paulista.
Quem vai parar para pensar em que condiçoes reais é disputada a Copa São Paulo?
Nos gramados esburacados e desnivelados espalhados pelo estado, que abrigam a esmagadora maioria dos jogos?
Todos só irão lembrar do Pacaembu e sua verdinha grama, muitas vezes pintada de verde para a a televisão mostrar a imagem perfeita.
É exatamente isso que interessa a quem organiza.
O que vale é falar muito e sempre de Casagrande, Falcão, Cafu...
Assim começa outra vez o maior campeonato da categoria de base do futebol brasileiro.
Feliz ano novo...