Posts de 6 de janeiro de 2010

Os que jogaram a bomba na enfermeira vestiam as camisas do Atlético Paranaense e do Flamengo. E daí?

bbandeira Os que jogaram a bomba na enfermeira vestiam as camisas do Atlético Paranaense e do Flamengo. E daí?

Fui alertado por um comentário de Lucas Garcia.

Saiu hoje na imprensa paranaense.

O depoimento do ônibus que levava Tânia Regina da Silva.

Enfermeira, 43 anos.

Ela teve a infelicidade de se sentir segura.

Estava dentro de um ônibus em Curitiba.

Sua paz acabou quando entraram vários torcedores com camisas verde e branca.

Estavam irritados, nervosos, xingavam muito.

Tudo iria piorar dramaticamente quando pedras e bombas caseiras começaram romper os vidros do ônibus.

Uma dessas bombas caseiras caiu no colo de Tânia.

E explodiu.

Ela que sempre viveu de cuidar das pessoas, perdeu três dedos da mão esquerda.

Três.

O depoimento do motorista serviu para isentar a torcida do Coritiba.

Ele confirmou que foram rapazes com camisas do Atlético Paranaense e do Flamengo os que lançaram as pedras e bombas.

Mas isso pouco importa.

Se a camisa era verde, vermelha ou preta.

O que vale que a enfermeira convalece.

 Desde aquele domingo que sacramentou o rebaixamento do Coritiba para a Série B.

Nunca mais esquecerá o dia 6 de dezembro.

Dos vândalos que invadiram o gramado do Couto Pereira, 33 foram identificados. 

18 foram presos.

Destes só quatro permanecem na cadeia.

Mas seus advogados tentam libertá-los diariamente.

Enquanto isso, Tânia está convalecendo, impossibilitada de trabalhar como fazia normalmente.

A tristeza e a revolta pela violência gratuita se resumem nas suas palavras ao ter os dedos decepados no hospital Evangélico.

Perguntada sobre os agressores, ela sentia na pele de quem se tratava.

E, chorando, mostrou quem eram essas pessoas covardes que têm coragem de jogar bombas em um ônibus lotado.

Em pessoas encurraladas, sem chance de defesa, que voltam do trabalho pensando no dia seguinte.

Se supor que não haverá trabalho e, muitas vezes, nem dia seguinte.

“ Eles são monstros.

 Não sabem torcer nem se divertir.

 Só sabem acabar com a vida das pessoas.

O que eu tenho com isso? Nem torcedora eu sou."

O Brasil, não só o futebol, deve profundas desculpas a  Tânia.

Uma pessoa não pode tomar um ônibus e perder três dedos por causa de uma bomba caseira.

Até na Faixa de Gaza há mais respeito pelo ser humano.

Lá, infelizmente, os dois lados lutam, se agridem, se matam por um ideal.

E aqui?

Porque  Tânia perdeu três dedos?

Qual a causa?

O motivo?

As autoridades que lutarão por cargos neste ano eleitoral que tenham a coragem de dizer.

De explicar olhando nos olhos da enfermeira.

Ela está esperando...

Maxi López. O Grêmio não percebeu. Essa Barbie não era assim tão inocente…

 

censasional Maxi López. O Grêmio não percebeu. Essa Barbie não era assim tão inocente...Uma enorme confusão.

E em jogo não está simplesmente o fato de ir atuar na Europa, na Itália.

E a direção do Grêmio não tem um fetiche especial por Maxi López.

Muito pelo contrário.

O que está na disputa é dinheiro.

A situação é complexa.

Maxi López estava no FC Moscou.

No Leste europeu não era valorizado para a elite do futebol mundial.

O Grêmio aceitou trazê-lo de volta para a América do Sul.

O sonho era com ele ganhar a Libertadores da América.

O time gaúcho não conseguiu, mas Maxi López virou um ídolo da torcida.

De acordo com Barbie, seu apelido, o acordo era simples.

O empréstimo com o Grêmio terminaria no final do ano passado.

O argentino garantiu que os russos aceitariam US$ 1 milhão para liberá-lo.

E ele queria dos gaúchos 1,5 milhão de euros por 50% dos seus direitos federativos.

Disse que estava apaixonado pelo Brasil...

Pela torcida do Grêmio...

Acordo fechado em reuniões e em vários e-mails.

Mas...

Sempre o mas...

Surgiu o interesse da Lazio.

Os dirigentes italianos não sabiam de acordo nenhum e foram direto ao dono dos direitos federativos: o FC Moscou.

Ofereceram o nigeriano Makinwa e mais US$ 3 milhões.

E ainda conversaram com representantes de Maxi López.

O jogador de 25 anos ficou fascinado com a oportunidade de jogar em um time de tradição da Itália.

E simplesmente falou aos dirigentes gaúchos que a transação estava desfeita.

Mandou um fax no início da semana

Só que a direção do Grêmio, percebendo a movimentação, já havia depositado em juízo o 1,5 milhão de euros.

Desmoralizada, a direção gaúcha promete ir à Fifa.

Até porque sabe que se tivesse os direitos federativos de Maxi Lópes era ela quem poderia vendê-lo à Lazio.

Só que os russos voltaram atrás ao que haviam combinado com o argentino.

E a reação em cadeia foi o atacante quebrar a palavra dada ao Grêmio.

O departamento jurídico gremista pensa se vale a pena levar o caso adiante.

"As chances do Grêmio são mínimas, para não dizer zero", disse um jurista do esporte ao blog.

"O que eles estão fazendo é tentar justificar a perda do Maxi López para a torcida.

Eles deveriam ter assinado um contrato quando o argentino deu sua palavra.

Agora só resta chiar, reclamar, xingar."

Mais uma situação que deixa bem claro: não existe nenhum santo no futebol.

Ainda mais envolvendo dinheiro.

Não se pode confiar em ninguém.

Até mesmo na Barbie...

Rogério Ceni e Fábio Costa. Tão iguais. E tão diferentes…

 ideal Rogério Ceni e Fábio Costa. Tão iguais. E tão diferentes...

Rogério Ceni e Fábio Costa.

Dois líderes, sem contestação.

Dois dos principais goleiros do Brasil.

Mas em caminhos completamente opostos.

Rogério Ceni voltou ao treinamento antes de todos os jogadores do São Paulo.

Neste mês ele completará 37 anos.

Sabe que a explosão muscular, os reflexos, a velocidade tendem a diminuir com o passar da idade.

No ano passado, para piorar, ele sofreu uma fratura no tornozelo esquerdo e teve de ficar parado.

E foi como se o São Paulo entrasse em luto.

Tivesse paralisado sem ele.

A dependência psicológica do clube em relação ao goleiro foi aumentando de maneira impressionante ao passar dos  anos desde que foi contratado pelo São Paulo.

Em setembro, completará 20 anos de Morumbi.

Levou sete anos para conseguir ser titular da equipe.

E não largou mais a posição.

Ao contrário da lenda, Rogério Ceni já teve alguns sérios desentendimentos com a diretoria do clube.

A começar pelo seu início como titular do São Paulo.

Cansado da eterna reserva de Zetti, Rogério Ceni foi claro: ele preferia sair a ficar mais tempo no banco.

Os dirigentes da época ficaram surpresos com a petulância do jogador.

Mas havia chegado mesmo a sua hora. Na verdade, havia passado.

Embora adorado pelos torcedores, não há como não lembrar a controversa proposta do futebol inglês.

A briga por aumento e o seu afastamento temporário da equipe.

Foram 28 dias, em 2001.

Mesmo em litígio, Ceni conseguiu se controlar.

E no olho do furacão se mostrou em público mais racional do que se poderia esperar.

Conseguiu superar esses momentos e se impôs como titular absoluto do time.

Na Seleção Brasileira não teve sucesso.

Mas compensou sendo decisivo na conquista do terceiro Mundial do São Paulo.

Recordista mundial de gols marcados por um goleiro: 85.

Tem emprego garantido no clube, independente de diretoria.

Seja quem for o presidente.

Pouca gente sabe, mas ele tem o gênio tão forte quanto o de Fábio Costa.

A diferença é que sabe se conter.

Evita os escândalos gratuitos, se expor, não deixa escapar sua raiva em divididas perigosas com adversários.

Perigosas para os dois lados.

Já Fábio Costa surgiu como um excepcional goleiro.

Nas categorias de base foi do Vitória para o Cruzeiro.

E seu potencial era tão impressionante que foi para o PSV Eindoven em uma época que era difícil o trânsito dos goleiros brasileiros pelo mundo.

Mas o seu gênio forte sempre foi um grande inimigo.

E voltou para o Vitória.

De lá, pisou na Vila Belmiro, no Santos.

Na conquista do Brasileiro de 2002, todos só falam em Robinho, Diego, Elano.

Mas se esquecem que Fábio Costa foi fundamental para a conquista do título.

Ele vivia uma fase fabulosa.

Tinha condições de brigar a sério por uma vaga na Copa do Mundo.

Teve contra si o seu pior inimigo: seu gênio.

Nunca resistiu a uma provocação.

Qualquer irritação e já vinha confusão.

Até com torcedores na rua.

Brigou com adversários e com jogadores do Santos.

Foi para o Corinthians e, apesar de campeão brasileiro, ficou sem ambiente.

Não tinha tanto espaço como em Santos.

Não podia voltar mais pesado das férias, que a notícia era passada para a imprensa.

Ao contrário da Vila Belmiro.

Voltou onde se sentia em casa.

Comprou um camarote seu.

E errou feio ao se vincular politicamente com Marcelo Teixeira.

Dizem que Fábio Costa é exagerado em tudo.

Quando é amigo é amigo demais.

E não teve como se segurar nas eleições do Santos.

Mesmo sem querer, acabou taxado de um dos principais cabos eleitorais de Teixeira.

Com a derrota, o fim da dinastia, Fábio Costa é um peixe fora d'água.

O atual presidente Luís Álvaro prometeu a várias pessoas que o apoiaram que Fábio iria ter de se adequar.

Acabar com as brigas.

Respeitar a hierarquia, o técnico, os dirigentes, o presidente.

E até, golpe mais doído, aceitar baixar o seu salário.

Isso se quisesse continuar no clube.

Fábio Costa já percebeu que tudo mudou.

Hoje irá participar de uma reunião importante com os dirigentes.

A tendência é que acabe saindo do clube.

Há o Atlético Mineiro de Luxemburgo oferecendo uma ótima chance de manter a dignidade.

Fábio Costa completará 33 anos em novembro.

Ele é um grande líder, não há como negar.

E também um bom goleiro.

Mas ao contrário de Rogério Ceni, Fábio Costa errou o foco.

Errou na escolha do personagem.

Ceni lutou para ser visto como uma entidade.

Há um homem com falhas por trás dele, mas ele soube cultuar o próprio mito.

Já Fábio Costa não conseguiu escapar da sua personalidade.

É visto como incontrolável, imprevisível, impulsivo, genioso.

Tudo o que não cabe a um capitão.

Um líder.

Por isso hoje haverá uma reunião importante em Santos que pode definir a saída de Fábio Costa do clube.

Enquanto isso, no Centro de Treinamento do São Paulo, Rogério Ceni continuará se exercitando.

Mesmo com a reapresentação dos jogadores estando marcada só para amanhã.

Marketing, já que ele poderia estar treinando em qualquer academia?

Pode até ser.

Mas como falar mal de um atleta que antecipa suas férias, larga a família e está no clube antes dos demais jogadores?

Olhando bem de perto para Rogério Ceni é possível perceber.

O quanto faltou de orientação para Fábio Costa...