Publicado em 06/01/2010 às 20h18
Os que jogaram a bomba na enfermeira vestiam as camisas do Atlético Paranaense e do Flamengo. E daí?

Fui alertado por um comentário de Lucas Garcia.
Saiu hoje na imprensa paranaense.
O depoimento do ônibus que levava Tânia Regina da Silva.
Enfermeira, 43 anos.
Ela teve a infelicidade de se sentir segura.
Estava dentro de um ônibus em Curitiba.
Sua paz acabou quando entraram vários torcedores com camisas verde e branca.
Estavam irritados, nervosos, xingavam muito.
Tudo iria piorar dramaticamente quando pedras e bombas caseiras começaram romper os vidros do ônibus.
Uma dessas bombas caseiras caiu no colo de Tânia.
E explodiu.
Ela que sempre viveu de cuidar das pessoas, perdeu três dedos da mão esquerda.
Três.
O depoimento do motorista serviu para isentar a torcida do Coritiba.
Ele confirmou que foram rapazes com camisas do Atlético Paranaense e do Flamengo os que lançaram as pedras e bombas.
Mas isso pouco importa.
Se a camisa era verde, vermelha ou preta.
O que vale que a enfermeira convalece.
Desde aquele domingo que sacramentou o rebaixamento do Coritiba para a Série B.
Nunca mais esquecerá o dia 6 de dezembro.
Dos vândalos que invadiram o gramado do Couto Pereira, 33 foram identificados.
18 foram presos.
Destes só quatro permanecem na cadeia.
Mas seus advogados tentam libertá-los diariamente.
Enquanto isso, Tânia está convalecendo, impossibilitada de trabalhar como fazia normalmente.
A tristeza e a revolta pela violência gratuita se resumem nas suas palavras ao ter os dedos decepados no hospital Evangélico.
Perguntada sobre os agressores, ela sentia na pele de quem se tratava.
E, chorando, mostrou quem eram essas pessoas covardes que têm coragem de jogar bombas em um ônibus lotado.
Em pessoas encurraladas, sem chance de defesa, que voltam do trabalho pensando no dia seguinte.
Se supor que não haverá trabalho e, muitas vezes, nem dia seguinte.
“ Eles são monstros.
Não sabem torcer nem se divertir.
Só sabem acabar com a vida das pessoas.
O que eu tenho com isso? Nem torcedora eu sou."
O Brasil, não só o futebol, deve profundas desculpas a Tânia.
Uma pessoa não pode tomar um ônibus e perder três dedos por causa de uma bomba caseira.
Até na Faixa de Gaza há mais respeito pelo ser humano.
Lá, infelizmente, os dois lados lutam, se agridem, se matam por um ideal.
E aqui?
Porque Tânia perdeu três dedos?
Qual a causa?
O motivo?
As autoridades que lutarão por cargos neste ano eleitoral que tenham a coragem de dizer.
De explicar olhando nos olhos da enfermeira.
Ela está esperando...
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Uma enorme confusão.

