Publicado em 27/12/2009 às 01h17
Belluzzo promete que em 2010 voltará a ser o doutor Belluzzo. Será?

Ele chegou com a aura de intelectual.
Capaz de influenciar não só a economia do Brasil como a do próprio governo Obama, pelo menos é o que os seus correligionários espalham todos os fins de semana no Palestra Itália.
Luiz Gonzaga Belluzzo.
O home que trouxe a Parmalat para o seu clube de coração.
Finalmente ele era o presidente, o comandante.
De Q.I. elevadíssimo, era a esperança de grande mudança no comando não só do Palmeiras, mas de todos os clubes do futebol brasileiro.
Já foi dar palestrar como gerenciar para o Clube dos 13, para a Fifa.
O 'prometido' havia descido do reino dos Céus.
Só que bastaram os corriqueiros problemas do futebol para rachar a aura.
Derrotas nas semifinais do Paulista, eliminação da Libertadores, Luxemburgo pensando que mandava mais do que o próprio presidente.
Situações normais.
Belluzzo começou a lidar com elas com o coração e não com o cérebro privilegiado.
Se defendia dizendo que seu sangue é calabrês.
O erro absurdo de Simon contra o Fluminense e a reação mais absurda ainda.
Com promessas de tapas no vagabundo.
A suspensão enorme, nove meses, 270 dias.
Para piorar, o vexame na festa da torcida organizada, quando conclamava os torcedores a matar bambis.
O ex-presidente Mustafá Contursi aproveitou para ironizar, dizer que Belluzzo não passava de uma 'mentira' como dirigente.
Veio não só a perda do título Brasileiro.
A não classificação para a Libertadores.
A agressão e as ameaças de sequestro dos filhos de Vagner Love.
Percebeu que está lidando com fogo.
Suas declarações já não repercutem como antes.
São ouvidas com desconfiança, incredulidade.
E ele sabe disso.
Belluzzo acaba de garantir a amigos íntimos no Palestra Itália que vai mudar.
No seu último ano na vida como dirigente (jura que não concorrerá à reeleição).
Em 2010 ele voltará a agir com a razão.
Não vai xingar árbitro, se envolver com torcidas organizadas e se calar mais.
Chega de tanta constrangedora exposição.
Vai tentar reconstruir a sua imagem que foi tremendamente abalada.
Deixará os responsáveis pelo futebol falar.
O que foi aconselhado ao assumir, mas não conseguiu se conter.
Quem conhece Belluzzo sente que passou a empolgação com o poder.
Comandar o clube que o pai, ele e filhos amam não tem tanta graça quanto parecia
Ele está magoado.
Sente que foi um grande erro se expor tanto.
É dono de uma carreira acadêmica impressionante.
Possui uma faculdade e uma revista voltada para o público A do País.
Percebeu que não tem cabimento se comportar como um irritado torcedor de arquibancada comandando um clube tão importante.
E o seu desejo maior para 2010 é díficil.
Belluzzo quer voltar a ser Belluzzo.
Mas é bom ele saber : amigos e inimigos duvidam que vá conseguir.
Vão esperar pela primeira entrevista depois de uma eliminação palmeirense.
Seu mandato vai até dezembro de 2010.
Será que terá tempo suficiente para conseguir o seu grande desejo?
Reconstruir a sua tão desgastada imagem?
Nem os seu aliados mais íntimos podem garantir...
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