Publicado em 22/12/2009 às 18h36
O jogador mais injustiçado do Brasil.Ou como é difícil estar no Palmeiras e não ser da Traffic. Deyvid Sacconi…

Há quase três anos é a mesma coisa.
Ele perdeu as contas de quantas vezes teve de responder a seqüência de perguntas.
'Você treina tão bem. Quando entra rende muito.
Por que não tem chance no Palmeiras?
Por que não é da Traffic?
E em todas as vezes, ele fica constrangido. Pensa muito bem antes de responder.
Foi orientado para não entrar em choque com a milionária patrocinadora palmeirense.
Conselheiros da situação e até da oposição pedem para o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo dar mais chances ao jovem meia.
Muricy Ramalho ouvia falar muito bem dele ainda no São Paulo. Sua fama era de ser o grande injustiçado do futebol paulista.
E foi o primeiro técnico em quase três anos de Palmeiras a lhe dar a chance de atuar em três partidas seguidas.
Um das maiores queixas sobre o trabalho de Luxemburgo era não olhar com atenção para o jogador.
Em entrevista exclusiva ao blog, fica claro que a situação de Deyvid Saconni vai mudar.
Não só no Palmeiras, mas na carreira.
Ele acaba de voltar de Milão onde deixou adiantado o seu passaporte italiano.
É um grande sinal de que o meia de apenas 22 anos cansou de esperar apenas pela boa vontade palmeirense.
Deyvid: por favor, acabe com um grande mistério.
Quem acompanha o dia-a-dia do clube diz que você é injustiçado há muito tempo.
Você não consegue ser titular do Palmeiras porque não é da Traffic?
Os jogadores da Traffic precisam atuar para serem valorizados...
Olha.. Eu me recuso a acreditar que o motivo seja esse.
Eu realmente não pertenço à Traffic.
Meus direitos são 50% do Sonda, 40% do Palmeiras e 10% meus.
Prefiro pensar que os treinadores que passaram pelo clube tinham as suas preferências.
Até para viver melhor.
Eu respeito sempre o técnico.
Não vou criar clima ruim, questionar, eu apenas respeito.
Sei do meu potencial, mas quem escolhe quem vai para o campo é o treinador.
O Luxemburgo não costumava nem deixá-lo no banco...
O que eu posso dizer?
Eu treinava, fazia o que tinha de fazer.
Muita gente me elogiava sim.
Mas o Luxemburgo não me escolhia.
Eu sabia que estava bem, mas tinha de acatar.
Não sou jogador de criar problema.
Se as pessoas falavam bem de mim no clube, a culpa não era minha.
O Luxemburgo tinha seus jogadores preferidos.
Eu não parava para pensar se eles eram ou não da Traffic.
Mas você chegou a cansar e pensar em sair?
Todo jogador quer estar em campo.
Eu não sou diferente.
Tive duas propostas muito boas de dois clubes tradicionais do Brasil.
E estava disposto a ir. Não tinha chances...
Mas o gerente Toninho Cecílio me chamou para conversar e insistiu que eu continuasse no Palmeiras.
Foi ele quem foi me tirar do Guarani.
Ele conhece bem o meu potencial ("Ele é um excelente jogador. Excelente", costuma repetir Toninho. E diz que foi um feito trazê-lo do Guarani para o Palmeiras. Venceu a concorrência de Internacional, Fluminense e Santos).
Sabe que havia outras equipes interessadas em mim antes de eu fechar com o Palmeiras.
O Toninho me pediu paciência disse que chegaria a minha hora.
Eu preferi acreditar nele e fiquei.
Meu contrato termina em 2011.
Vamos ver o que acontecerá em 2010.
Como é se sentir melhor do que os titulares e não ficar nem na reserva?
É duro. Mas eu tinha de respeitar o técnico e quem estava jogando.
E eu respeitei. Minha personalidade é essa. Não quero criar problema para ninguém.
Quero ajudar a deixar o ambiente no clube em que eu trabalhar o melhor possível.
Qual a maior sequência de jogos que você teve no Palmeiras?
Em quase três anos de clube...
Foram três partidas com o Muricy.
Foram as últimas do Brasileiro.
Com ele eu tenho tido mais espaço.
Uma coisa que sempre me deu força foi o apoio dos jogadores.
Muita gente no time sempre me incentivou.
Falavam para eu segurar, não reclamar e continuar treinando.
Foi o que eu fiz.
Tenho grandes amigos no Palmeiras.
Esse apoio foi fundamental para eu ficar tranqüilo mesmo não jogando.
Atuar no Palmeiras é mesmo mais difícil do que em outros clubes?
Ah...Eu não tenho dúvida nenhuma sobre isso.
A pressão é enorme. Ganhando ou perdendo.
A torcida foi muito bem acostumada com o clube ganhando vários títulos ao longo dos anos.
Somos cobrados como se tivéssemos a obrigação de ganhar.
E temos mesmo já que somos atletas do Palmeiras.
Eu resumo de uma maneira fácil de entender.
É preciso ter mais personalidade do que o normal para vestir a camisa do Palmeiras.
Eu tenho.
Não tenho o menor medo de pertencer ao clube.
Pelo contrário. Tenho orgulho.
Por falar em ter, você daria algum conselho ao Vagner Love?
Quem sou eu para dar conselho ao Vagner Love?
Ele faz o que quiser, mas eu gostaria muito que ele continuasse no Palmeiras.
Ele é um grande jogador.
Foi a minoria da minoria da torcida que resolveu agredi-lo.
Os torcedores palmeirenses respeitam seus ídolos.
Será um desperdício se ele for embora do clube.
Como é que você se sente sendo convidado pelo próprio Rivaldo para o jogo beneficente de amanhã em Mogi?
Ele e vários jogadores como o César Sampaio elogiam o seu futebol. E olha que você não é nem titular do Palmeiras?
Só posso sentir orgulho. O Rivaldo foi meu ídolo. Quando era criança adorava vê-lo jogar. É um craque. Assim como César Sampaio. Só posso ficar muito feliz por esse reconhecimento. Quando jogadores importantes como eles me conhecem e me querem jogando com eles é sinal que estou no caminho certo.
A última pergunta: você se sente injustiçado no Palmeiras?
Por isso tirou o passaporte italiano?
Eu...Não me sinto injustiçado, não.
Prefiro acreditar que em 2010 a minha hora vai chegar.
Estou pronto para fazer o melhor e ganhar de vez um lugar na equipe.
Acredito no trabalho do Muricy e vamos compensar o que deixamos escapar em 2009.
Quero ter uma passagem vitoriosa no Palmeiras.
E depois posso pensar no meu futuro.
Ter o passaporte italiano abre as portas para a Europa.
Eu quero jogar em um grande clube de lá.
Mas antes faço questão de ganhar, de vencer no Palmeiras.
2010 será um ano diferente para mim.
Bem diferente...
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