
Nove meses de suspensão.
Foi o que custou ao presidente do Palmeiras as ofensas e a ameaça de estapear o árbitro Carlos Eugênio Simon.
A punição de 270 dias surge logo quando Luiz Gonzaga Belluzzo estava se firmando como um novo tipo de dirigente.
O intelectualmente desenvolvido.
Professor universitário. Dono de revista e de faculdade. Foi secretário de política Econômica do Ministério da Fazenda. Conselheiro econômico do presidente Lula.
Currículo mais do que respeitável, admirável. Com todo potencial para enterrar de vez a ditadura Mustafá Contursi...
Se mostrava capaz de definir um novo caminho para a administração dos clubes brasileiros, com sua estranha atração para a falência, as dívidas trabalhistas, a dependência das cotas de televisão e empréstimo de federações.
Logo de cara enfrentou os sindicatos dos jogadores e propôs um teto de salários. Para os atletas e técnicos.
Impressionou os outros dirigentes brasileiros. Foi convocado para dar palestras no Clube dos 13. E na Suíça, na Fifa.
Passou a ser visto como um novo Messias econômico, o homem que salvaria o futebol brasileiro...
Mas a paixão do futebol superou a razão.
Quem não quer ser um presidente vencedor do clube que ama? Amor passado pelo pai. E repassado aos filhos.
Belluzzo é o responsável pelas duas Comissões Técnicas mais caras do futebol brasileiro em 2009.
Depois do fracasso de Vanderlei Luxemburgo, banca Muricy Ramalho. É dono da maior folha salarial do país.
Um exemplo de como as coisas funcionam no clube, teve de dar aumento a Diego Souza depois da contratação de Vagner Love.
Mesmo com a parceria com a Traffic, as dívidas do Palmeiras crescem. O Palmeiras de Belluzzo fracassou no Paulista e na Libertadores.
A construção da moderna arena multiuso não sai do papel. Mesmo com o apoio do governador Serra, as obras não começam.
As datas da reconstrução do estádio vão mudando constantemente.
Já houve até jantares com palmeirenses ilustres para tentar abrir os caminhos para a arena. Mas nada de prático aconteceu.
Os inconstantes resultados do time... As decepções com o trabalho dos caríssimos Muricy Ramalho, Diego Souza e, principalmente, Vagner Love tem mexido com o emocional de Belluzzo.
Assim como as cobranças dos seus amigos mais próximos, palmeirenses poderosos.
Depois do erro absurdo, incompreensível de Simon na partida contra o Fluminense, queriam que Belluzzo se posicionasse.
Cobraram por não trabalhar nos bastidores. Não manipular, comprar ninguém, mas mostrar à Comissão de Arbitragem e à própria CBF que não toleraria ver o Palmeiras prejudicado.
Só que o sangue calabrês falou mais alto em relação ao alto quociente de inteligência. E tratou de chamá-lo de vigarista, safado, crápula, vagabundo.
Disse que, se o encontrasse na rua, lhe daria uns tapas. Depois disse onde: na bunda. Será processado por Simon.
O que Belluzzo ganhou com isso? A suspensão.
Perdeu muito da sua força como novo tipo de dirigente. Se nivelou aos piores. O que o Palmeiras ganhou com as ameaças?
Desestabilizou os árbitros que vão trabalhar nas suas partidas. Um exemplo foi o juiz goiano Elmo Alves Resende Cunha.
Ele dirigiu o jogo contra o Sport. Ficou tão perturbado em não prejudicar o Palmeiras que validou o gol de Danilo apesar de haver apitado, paralisado o jogo.
Não trabalha mais em 2009. Virou uma maldição ser o árbitro de jogos do clube de Belluzzo.
Com que cabeça entrará em campo Héber Roberto Lopes hoje à noite, no estádio Olímpico? Será solidário ao seu amigo Simon?
Terá medo de errar e ter de ouvir os desabafos de Belluzzo?
Ou, tendência mais forte, tentará mostrar uma independência total que poderá acabar com as chances de o Palmeiras ser campeão brasileiro?
Na dúvida sempre optar pelo Grêmio e mostrar que os árbitros estão unidos e não temem ameaças de tapas de ninguém?
Cada jogo do Palmeiras estará sob suspeita, será disputado com uma tensão muito acima do normal daqui por diante. Por causa de Belluzzo.
Suspenso, o presidente cederá seu cargo para o vice Salvador Hugo Palaia. Sim, ele mesmo.
O dirigente que foi capaz de criar a autoentrevista. Ou seja: quando comandava o futebol palmeirense reuniu a imprensa e ele mesmo fez inúmeras perguntas e as respondeu.
Os jornalistas que o cercavam ficaram chocados. Palaia protagonizou uma das cenas mais constrangedoras da história recente do clube.
Assim está o comando do Palmeiras na véspera da decisão do título brasileiro. Campeonato que não vence desde 1994...
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