
Marco Aurélio Cunha.
Supervisor do São Paulo.
Na semana passada ele havia reclamado contra a arbitragem.
De uma maneira geral, sem criticar, xingar, ameaçar ninguém.
Defendeu o seu clube e conseguiu pressionar as arbitragens do Palmeiras.
Sem precisar citar o nome do rival.
Nos corredores do Palestra Itália, Marco Aurélio se tornou um dos fantasmas mais visto.
Ele teria contribuído para a confusa arbitragem de Carlos Eugênio Simon.
Seria a pressão do São Paulo que teria dado certo.
Em entrevista exclusiva ao blog, ele se defende.
E argumenta que a culpa pelo destempero de Belluzzo e da diretoria do Palmeiras tem explicação.
“A inexperiência do Belluzzo pesa.
E vou dizer mais: quem está na fila, querendo ser campeão de qualquer maneira, sua, sofre mais.
Não é o caso de um clube como o São Paulo.
Por estarmos ganhando há tanto tempo, ser tricampeões nacionais seguidos, sabemos administrar crises.
E o Belluzzo que tome cuidado porque os jogadores seguem o líder.
Se o presidente está xingando, eles entrarão em campo tensos, achando que todos querem prejudicar o Palmeiras.
Se houver um erro contra o clube, eles podem começar a distribuir pontapés e tomar cartões vermelhos.
O comando tem de dar exemplo.”
Marco Aurélio, você está sendo visto por dirigentes do Palmeiras como incendiário.
Jogou a arbitragem contra o Palmeiras...
Isso é uma injustiça.
Na semana passada eu mostrei os erros contra o São Paulo.
Que foram muito piores do que contra o Palmeiras.
Falei do pênalti que voltou depois da defesa do Rogério Ceni contra o Flamengo.
O Bruno do Flamengo já defendeu três da mesma maneira e não voltaram.
Eu protestei com toda a calma do mundo, sem xingar ninguém.
Os meus 30 anos de experiência pesaram.
Eu entendo muito bem o que acontece com o Belluzzo.
Ele mal chegou à presidência do Palmeiras.
Não tem vivência.
Não está preparado para suportar toda a pressão interna do clube.
As pessoas próximas a ele confundem o dirigente com o torcedor.
E ele, sem vivência, não se conforma com o erro da arbitragem.
Acredita que é uma coisa voltada contra ele.
E, com sangue italiano, fica revoltado.
Com os amigos cobrando uma atitude, o Belluzzo fez o que não deveria.
Xingar juiz, ameaçar árbitro se volta contra o próprio clube.
Pode haver o efeito rebote, a revanche inconsciente dos outros árbitros.
E tudo ainda piorar.
Mas é preciso anos de vivência como dirigente para adminstrar a própria raiva, o sentimento de ser injustiçado.
Porque é duro.
Eu entendo o Belluzzo.
O fato de o Palmeiras não ser campeão Brasileiro desde 1994 pesa? São 15 anos já...
Lógico que sim.
O São Paulo vem de uma sequência de inéditos três títulos seguidos.
Pegue alguém que receba bem e outra pessoa que nem tanto.
Quando essa pessoa que não ganha bem tem uma nota de R$ 500 nas mãos, sua, fica preocupada, tensa.
Por outro lado, quando a outra que tem uma boa condição financeira coloca R$ 5.000 no bolso, nem liga.
No futebol, o clube que é campeão sempre entra muito mais tranquilo nesta fase decisiva.
Quem está na fila, querendo ser campeão de qualquer jeito, sua, sofre mais.
Está mais sujeito a perder a cabeça.
Quem está acostumado a ganhar, não.
Como o São Paulo conseguiu virar o seu pior momento no Brasileiro?
O clube esteve entre os apontados como possíveis rebaixados e hoje é líder e favorito ao título...
Primeiro, Cosme, vamos deixar claro algumas coisas.
Existe um sentimento óbvio geral de que não interessa o São Paulo vencer o Brasileiro.
Não é bom para ninguém um clube conquistar quatro vezes seguidas o maior campeonato do País.
Então havia uma torcida silenciosa para que as coisas não dessem certo conosco.
Só que nós dirigentes sabíamos que tudo não poderia piorar de uma hora para outra.
O grupo era vitorioso, o Muricy, nosso treinador na época, era outro vitorioso.
Então, diagnosticamos o problema.
Nosso grupo estava viciado. No bom sentido, mas viciado.
Todos estavam acomodados, acreditavam que iriam ganhar de novo, mas sem esforço.
Bastaria colocar a camisa do São Paulo.
Então houve a necessidade de uma mudança.
Estou revelando como foi a saída do Muricy.
Por que ele teve de sair?
Pelo que estou falando. O meu lado emocional foi totalmente contrário ao Muricy.
Ele é umas pessoas mais competentes que eu conheço no futebol. E muito leal, amigo e trabalhador.
Só que o meu lado racional, como a maioria da diretoria do São Paulo, entendeu que era hora de trocar o comando do futebol.
Discordei a princípio, mas depois tive de concordar. Com a chegada de uma pessoa também vencedora como o Ricardo Gomes, o time voltou a lutar como deveria pelo título.
A mudança de comando fez bem para o time e o resultado está refletido agora, na fase decisiva.
O São Paulo é líder e favorito ao título.
O que o clube não pode fazer nesses quatro jogos?
Jogar tão bem que não deixe a arbitragem decidir o resultado do jogo.
Não fazer uma linha de impedimento arriscada.
Não reclamar porque vem o cartão vermelho.
Se preocupar em jogar futebol o melhor que puder e não dar chance aos árbitros.
Não por desconfiança, mas por precaução.
Melhor prevenir do que reclamar, xingar depois...
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