Posts de 5 de novembro de 2009

A revolta de Amaral. “Como dói estar desempregado…”

Amaral A revolta de Amaral. Como dói estar desempregado...

Amaral.

36 anos.

Palmeiras, Parma, Benfica, Corinthians,  Seleção Brasileira,Vasco, Fiorentina, Besiktas (Turquia), Grêmio, Al Ittihad (Arábia Saudita), Vitória, Atlético Mineiro, Pogon Szczecin (Polônia), Santa Cruz, Barueri, Perth Glory (Austrália), Catanduvense... e muita mágoa no coração.

O volante desabafou nesta entrevista exclusiva ao blog.

Mostrou toda a sua tristeza com o descrédito, com o desemprego, com os não que ouviu nos últimos tempos.

“Não suportava a tristeza, a depressão que estava passando. Mais de 15 clubes viraram as costas para mim neste ano. Aceitei jogar a A2 de São Paulo, em 2010, pela Catanduvense para provar o que posso fazer. Vou calar a boca de quem duvidou de mim.”

Por que você está tão magoado?

Não me conformo com o que aconteceu comigo. Todos viraram as costas para mim. Se não fosse o Magrão (antigo atacante do Palmeiras) me procurar acho que iria continuar desempregado. Há um preconceito sem explicação para jogadores de mais de 30 anos. Eu continuo jogando como sempre fiz. Estou até melhor. Mas quando perguntam a minha idade não me dão chance. Estava triste, deprimido em casa com tanto desprezo. Eu só ouvia: Amaral, gostamos muito de você. Mas me contratar, nada. Sério, Cosme, foram mais de 15 clubes neste último ano. Não quero falar quais clubes foram. Mas os dirigentes sabem quem são. E eu vou calar a boca deles. Vou mostrar na série A-2, com a Catanduvense, que tenho futebol para estar em time grande da Série A...Desculpe, estou revoltado.

Amaral, você sempre foi considerado um jogador bonzinho. Isso atrapalhou a sua carreira?

Pode ser que sim. As pessoas confundem as coisas. Eu sou uma pessoa do bem. Nunca sacaneei ninguém. Mas andam me sacaneando. Eu vou dar um exemplo. O Jamelli me levou para o Barueri. Os dirigentes não queriam. Me deixaram como quinto volante. Mas, fui comendo pelas beiradas, e acabei titular. Toda a imprensa ia para o clube e só entrevistavam um jogador: eu. Isso foi incomodando todo mundo. Não tenho culpa se ganhei três Campeonatos Brasileiros e quatro Paulistas e ainda fui chamado 38 vezes para a Seleção Brasileira. Eu tenho currículo. Sou muito mais do que o ex-coveiro feio. E isso incomodou os outros jogadores do time. Acabei dispensado.

Você acha que errou na maneira que se tornou conhecido? Você não errou no seu marketing pessoal?

Acho que sim. Jogador no Brasil que é bonzinho, amigo, companheiro só se ferra. As pessoas se aproveitam. E mais do que isso, não valorizam. Eu sempre soube do meu potencial como jogador. Achava que não tinha de falar que as pessoas estavam vendo. Estava errado. Aqui quem não faz propaganda pessoal fica esquecido, não tem valor. Eu joguei pela Seleção Brasileira contra a Argentina em Buenos Aires. Fui escolhido o melhor jogador. Fui eleito pela Fifa o melhor em campo na final entre Vasco e Corinthians na final do Mundial. Quem sabe disso? Ninguém. Eu esperei a valorização dos outros e me ferrei.

Você está mal financeiramente e por isso quer jogar?

Não é nada disso. Eu tenho o meu dinheiro. Tenho meu apartamento, minhas casas. Está tudo ótimo para quem saiu de um barraco.Não é pelo dinheiro. Eu quero trabalhar. A dignidade de um homem está no trabalho. Esse preconceito com a idade é uma grande idiotice. O Fernando tem 42 anos e está jogando bem demais no Santo André. Eu tenho mais uns três, quatro anos de futebol de alto nível. Não quero ficar triste, aborrecido na minha casa esperando o telefone tocar. Estar desempregado sabendo que você pode produzir é um dos sentimentos mais terríveis para o ser humano. Confesso que fiquei muito emocionado quando o Magrão me procurou e falou do Catanduvense. Esse contrato de cinco meses chegou na hora certa. Não pelo dinheiro. Mas pela autoestima.

Sua carreira realmente é impressionante. Qual foi o seu maior erro?

Acreditar em procuradores. Eu não queria ter rodado o mundo. Gostaria de ter ficado mais tempo nos clubes, como fiquei seis anos no Palmeiras. Essa troca constante acabou me atrapalhando. Dei também pouca sorte. Quando estava jogando bem demais na Fiorentina, o clube vai para a falência. Ao acertar o meu melhor contrato da vida no Besiktas, houve um problema com o meu procurador e o contrato é desfeito. Mas fui muito feliz na Polônia e no futebol australiano, de onde acabo de voltar.

Amaral, talvez não esteja na hora de parar?

Eu sou consciente. Faço testes físicos com outros jogadores. Eu tenho 36 na carteira, mas meu físico é de menos de 28 anos. Meus testes são sempre de alto nível. Por que tenho de parar, por preconceito? O Zinho (ex-jogador do Flamengo, Palmeiras, Grêmio), uma das pessoas mais inteligentes que eu conheci, acabou de levar o Júnior Baiano para os Estados Unidos. O Júnior Baiano tem 39 anos. O Zinho não é burro. Essa história de idade vale para quem nunca jogou. É um precoceito idiota.

Como foram as suas passagens pelo Exterior?

Ótimas. Cresci como jogador e fui muito respeitado. Em Portugal, na Itália, na Arábia, na Polônia e, agora, quando joguei na Austrália. Sou uma pessoa que se adapta fácil. Só que essa história de idade tem me atrapalhado. Os dirigentes ficam preocupados quando ouvem que tenho 36 anos e, apesar do meu currículo, não me dão mais chance.

Amaral: você não errou ao ser tão sincero? Vincular a sua imagem de coveiro não te atrapalhou na carreira?

Eu não sei mentir, não vou iria esconder o meu passado. Cosme, até ajudou. Sabe por quê? Quando tinha um jogo importante, um clássico, todos sabiam que eu não iria tremer. Se não tremia carregando cadáver de um lado para o outro, por que iria tremer em um jogo de futebol (ri...).

Até que enfim você está rindo. Tem alguma história engraçada recente, já que a sua carreira é cheia de histórias?

A mais recente foram os meus dois apelidos na Austrália. Eu não falo bem inglês e os caras do meu time resolveram me sacanear feio. Me apelidaram de ‘I don’t know’ (eu não sei). Era porque me perguntavam as coisas, eu não entendia e respondia não sei. Depois, o apelido mudou. Como comecei a entender um pouco o inglês, passaram a me chamar de ‘a little bit’ (um pouco). É porque eu respondia que falava um pouco inglês. Era ‘a little bit’ para lá e para cá. No mundo inteiro só tem sacana. (ri muito...)

Veja mais:

+ Reforço do Catanduvense, veterano Amaral revela assalto na Austrália

+ Bruno admite pressão no Palmeiras

+ Torcedor palmeirense poderá conhecer Palestra Itália por dentro

Presidente do São Paulo paga bicho de vitória pelo empate. A dúvida: o resultado foi bom para Palmeiras, Atlético e Flamengo?

Dúvida Cruel Presidente do São Paulo paga bicho de vitória pelo empate. A dúvida: o resultado foi bom para Palmeiras, Atlético e Flamengo?

O presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, disse ter sido ‘épico’ o empate de ontem com o Grêmio.

Conversando com aliados, ele disse que o time mostrou raça, coração e que é ‘muito macho’ ao terminar com oito jogadores e conseguir segurar o 1 a 1.

Juvenal resolveu pagar premiação de vitória, depois do empate em Porto Alegre.

Ele gostou também da reação de Ricardo Gomes, que não estava comemorando. Pelo contrário.

O presidente percebeu que o técnico queria mesmo ganhar o jogo. Dagoberto e Jean foram absolvidos pelos cartões vermelhos. Mas Borges...

Se o clima já é ruim para ele, seu empresário, não só ouve como discute uma proposta do Corinthians, tudo ficou pior.

Há a certeza, com a expulsão infantil de ontem, que o atacante está irritado, desequilibrado com a reserva.

E seu contrato não deverá ser renovado. Apesar de Ricardo Gomes ter tentado amenizar a situação ontem após o empate.

Depois das notícias, as perguntas...

Você acredita que o São Paulo conseguiu um bom resultado?

Palmeirenses devem lamentar ou comemorar o empate?

A torcida do Atlético Mineiro deve ter ainda mais esperança?

Foi um escorregão que pode deixar o Flamengo como terceiro colocado?

+ Assista aos gols do jogo entre Grêmio e São Paulo
+ Lateral argentino Sorín se despede do Cruzeiro e do futebol
+ Todos os blogueiros do R7