Obina. O Palmeiras deve a liderança a um jogador que havia decidido dispensar…

Mala Obina. O Palmeiras deve a liderança a um jogador que havia decidido dispensar...
Obina.

Teve uma atuação de gala contra o Goiás.

Marcou três gols e deu um passe de calcanhar para o quarto. Festejado pela torcida. Pelos jogadores do Palmeiras.

Pela torcida.

Pelos dirigentes.

Pura ironia.

O jogador foi emprestado de graça pelo Flamengo no início do Brasileiro. De graça.

O clube paulista só teve de bancar os salários, perto de R$ 80 mil.

Torcedores ficaram revoltados com a contratação.

Luxemburgo, técnico da época, e o presidente Belluzzo tiveram de explicar várias vezes a vinda dele ao Palmeiras.

Ele chegou bem acima do peso, cerca de seis quilos. Parecia seis quilos só de bochechas.

O Palmeiras foi eliminado da Libertadores. Luxemburgo, demitido.

Obina não se firmava no ataque. Vagner Love sabia da situação e se revoltou com a diretoria do CSKA. E forçou sua vinda ao Palmeiras.

Sonhava que seria estendido um tapete vermelho por Dunga para que voltasse à Seleção.

Isso não aconteceu. Já percebeu que não vai para a Copa.

Mas e Obina?

Treinou muito e emagreceu. Só que seu futebol não agradava ninguém nos treinamentos.

A ironia está no fato que já a cúpula do clube já havia tomado a decisão de devolver o jogador ao Flamengo.

Vários dirigentes que se abraçaram, se beijaram e deram murros no ar comemorando os gols de Obina, eram os mesmos que debochavam da possibilidade de o Palmeiras pagar R$ 4 milhões pelo baiano.

Os dirigentes da Traffic já falaram logo na chegada dele que não havia o menor interesse em pagar tanto dinheiro por um jogador perto de completar 27 anos. E sem mercado no Exterior.

Não foi por acaso que o clube não quis pagar a multa para que enfrentasse o Flamengo.

Estava em contrato R$ 1 milhão, o clube carioca desceu logo de cara para R$ 400 mil. Se o Palmeiras oferecesse R$ 200 mil ele jogaria.

O que não seria absurdo, já que havia pago R$ 100 mil para o zagueiro Danilo enfrentar o Atlético Paranaense.

Mas ninguém pensou em investir esse dinheiro em Obina.

E o time de Muricy perdeu para o Flamengo por 2 a 0 e não havia um artilheiro no banco de reservas.

Obina, que estava louco para mostrar seu valor para o clube que o despachou, soube da situação. Ficou muito chateado por não jogar.

E também por saber que o Palmeiras não o iria contratar. Ele só optou por não tornar isso público.

A raiva nas comemorações dos gols é mais do que explicada.

Resumo da ópera: o Palmeiras voltou à liderança do Brasileiro graças a um jogador que já havia decidido dispensar daqui cerca de 45 dias, quando acaba o Campeonato.

Se o Flamengo não baixar, e muito, a pedida de R$ 4 milhões, os dirigentes entendem que a volta ao Rio é garantida.

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