Publicado em 30/10/2009 às 17h00
Obina. O Palmeiras deve a liderança a um jogador que havia decidido dispensar…

Obina.
Teve uma atuação de gala contra o Goiás.
Marcou três gols e deu um passe de calcanhar para o quarto. Festejado pela torcida. Pelos jogadores do Palmeiras.
Pela torcida.
Pelos dirigentes.
Pura ironia.
O jogador foi emprestado de graça pelo Flamengo no início do Brasileiro. De graça.
O clube paulista só teve de bancar os salários, perto de R$ 80 mil.
Torcedores ficaram revoltados com a contratação.
Luxemburgo, técnico da época, e o presidente Belluzzo tiveram de explicar várias vezes a vinda dele ao Palmeiras.
Ele chegou bem acima do peso, cerca de seis quilos. Parecia seis quilos só de bochechas.
O Palmeiras foi eliminado da Libertadores. Luxemburgo, demitido.
Obina não se firmava no ataque. Vagner Love sabia da situação e se revoltou com a diretoria do CSKA. E forçou sua vinda ao Palmeiras.
Sonhava que seria estendido um tapete vermelho por Dunga para que voltasse à Seleção.
Isso não aconteceu. Já percebeu que não vai para a Copa.
Mas e Obina?
Treinou muito e emagreceu. Só que seu futebol não agradava ninguém nos treinamentos.
A ironia está no fato que já a cúpula do clube já havia tomado a decisão de devolver o jogador ao Flamengo.
Vários dirigentes que se abraçaram, se beijaram e deram murros no ar comemorando os gols de Obina, eram os mesmos que debochavam da possibilidade de o Palmeiras pagar R$ 4 milhões pelo baiano.
Os dirigentes da Traffic já falaram logo na chegada dele que não havia o menor interesse em pagar tanto dinheiro por um jogador perto de completar 27 anos. E sem mercado no Exterior.
Não foi por acaso que o clube não quis pagar a multa para que enfrentasse o Flamengo.
Estava em contrato R$ 1 milhão, o clube carioca desceu logo de cara para R$ 400 mil. Se o Palmeiras oferecesse R$ 200 mil ele jogaria.
O que não seria absurdo, já que havia pago R$ 100 mil para o zagueiro Danilo enfrentar o Atlético Paranaense.
Mas ninguém pensou em investir esse dinheiro em Obina.
E o time de Muricy perdeu para o Flamengo por 2 a 0 e não havia um artilheiro no banco de reservas.
Obina, que estava louco para mostrar seu valor para o clube que o despachou, soube da situação. Ficou muito chateado por não jogar.
E também por saber que o Palmeiras não o iria contratar. Ele só optou por não tornar isso público.
A raiva nas comemorações dos gols é mais do que explicada.
Resumo da ópera: o Palmeiras voltou à liderança do Brasileiro graças a um jogador que já havia decidido dispensar daqui cerca de 45 dias, quando acaba o Campeonato.
Se o Flamengo não baixar, e muito, a pedida de R$ 4 milhões, os dirigentes entendem que a volta ao Rio é garantida.
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