Publicado em 14/10/2009 às 15h50
“O Uruguai precisa mais da vaga do que a Argentina” – Dario Pereyra

Uruguai e Argentina.
Rivalidade que remonta desde a primeira final da Copa do Mundo.
Vencida pelo Uruguai, em casa, no Centenário, por 4 a 2.
Não foi por acaso que torcedores uruguaios receberam com rojões as 2h30 de hoje a delegação argentina.
“A rivalidade nossa com os argentinos é mais pesada do que os brasileiros e os argentinos.
Um quer ganhar do outro de qualquer maneira.
Ninguém esquece quando ganha ou quando perde.”
Quem define a Batalha do Rio da Prata para o blog é quem esteve na última partida importante entre as duas seleções.
No México, pela Copa do Mundo.
A Argentina venceu o Uruguai por 1 a 0.
Dario Pereyra nunca esqueceu aquela partida.
“Os argentinos vinham mal na Copa, ganharam força nos derrotando.
E acabaram com essa injeção de ânimo engrenando e venceram o Mundial.
Se o Uruguai tivesse vencido aquele jogo poderia ter vencido a Copa.”
Qual a importância para o Uruguai vencer a Argentina hoje?
Importante demais.
O futebol uruguaio está precisando ser valorizado novamente.
O país vive muita dificuldade.
Os clubes não têm dinheiro.
Vencer a Argentina e voltar a disputar a Copa traria de volta o olhar dos patrocinadores.
É tudo o que o Uruguai precisa.
Por isso tenho certeza que a nossa seleção irá fazer de tudo para ganhar.
De tudo.
Qual é o maior trunfo dos uruguaios?
Crescer no final das Eliminatórias.
Ter vencido o Equador na altitude de Quito trouxe um ânimo inesperado.
O time é jovem e conseguiu a confiança que precisava.
Os jogadores e os torcedores estão sentindo que a vaga é muito mais do que possível.
O Uruguai vai se desdobrar para sair com os três pontos e voltar ao Mundial.
Você acredita que o Uruguai vence a Argentina?
Vou responder de duas maneiras.
A primeira com o coração.
E o meu coração quer que o Uruguai vença.
E apelando para a raça do time, os uruguaios têm tudo para ficar com a vaga.
Agora, falando pela consciência, pela mente, o jogo vai terminar empatado.
Tudo se equivale.
O potencial, os pontos fortes e fracos são iguais.
E se houver o empate, torcer para o Chile do Bielsa vencer o Equador e o Uruguai ir para a repescagem.
Você se lembra do último jogo tão importante entre Uruguai e Argentina?
Sim. Eu estava lá.
Pelas quartas-de-final da Copa do México, em 1986.
Nós vínhamos até melhor do que eles.
Sabíamos que era a partida para um dos dois embalar e ir longe.
Foi uma pena que eles nos venceram.
Como foi aquela partida?
Vou te contar os bastidores uruguaios.
Tínhamos um grande time.
Perdemos porque o grupo era desunido.
Inventaram uma excursão de 25 dias pela Europa e depois mais 20 dias na Colômbia.
Os dirigentes conseguiram que o nosso grupo rachasse.
Ninguém suportava olhar a cara do outro.
Ficamos muito tempo juntos.
Foram se formando vários grupos.
O Uruguai tinha tudo para ser campeão do mundo em 1986.
Mas a preparação acabou com todas as nossas chances.
Isso eu vou lamentar para sempre.
A Argentina não estava tão bem.
Maradona só começou a ser o melhor jogador do Mundial depois do nosso jogo.
Nossa desunião ajudou os argentinos.
Porque eu sei que dava para ganhar aquela partida no México.
Isso que dói...
Eu espero do fundo do coração que os uruguaios não façam a mesma coisa hoje.
Meu país tem de voltar a disputar a Copa do Mundo.
E ser respeitado no futebol novamente.
A rivalidade entre uruguaios e argentinos é maior do que a de brasileiros e argentinos?
A rivalidade é diferente entre nós e os argentinos.
É mais pesada, mais dura, mais ríspida em campo.
Quem assistir essa partida vai perceber como um quer ganhar, quer eliminar o outro da Copa.
Você vai assistir essa partida com velas, rezando pelo Uruguai?
(Risos.) Quase isso.
Vou assistir sozinho em casa esse jogo.
Sem vela e sem rezar.
Mas querendo muito que o Uruguai vença.
O futebol uruguaio já sofreu muito.
O Uruguai precisa mais da vaga do que a Argentina...
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