Publicado em 09/10/2009 às 14h00
Wellington Paulista. O artilheiro que o Cruzeiro tinha esquecido…
Como o blog havia publicado, Kléber venceu a briga com o departamento médico do Cruzeiro. E vai operar o púbis.
A previsão otimista é que levará cerca de 50 dias longe dos gramados. Se voltar ainda nesta temporada será nas últimas rodadas. Se voltar...
O próximo passo do atacante será lutar para voltar ao Palmeiras. Mas haverá vida, ataque no Cruzeiro sem o Gladiador? A resposta começou a ser dada ontem contra o Goiás.
Na vitória por 3 a 0 no Mineirão, Wellington Paulista só não fez chover. Marcou dois gols e no outro, acertou cabeçada na trave, antes do Leandro Lima marcar.
A operação de Kléber mudou a vida do jogador. Os dirigentes do Cruzeiro sabiam que ele estava descontente. Disposto a ir embora. Não estava sendo aproveitado.
Wellington não quis ir para o Flamengo no início do Brasileiro. Recusou propostas de times pequenos da Itália e Franca no meio do ano. Foi vice artilheiro da Libertadores.
A diretoria sabia que ele estava cansado da reserva e queria trocar de clube. Só que tudo pode mudar com a cirurgia de Kléber. É o que ele deixa claro em entrevista exclusiva ao blog.
Você não estava jogando por quê?
Ah...Decisão do treinador. E eu respeito. Como sempre respeitei quem comanda as equipes por onde joguei. Sei do meu potencial e treinei sempre com toda a vontade do mundo.
Fui artilheiro por onde passei. Eu sempre respeitei as decisões do Adílson, meu técnico. E não posso reclamar nunca da maneira com que me tratam no Cruzeiro. Mas não esqueço do que posso fazer em campo.
Você terá mais chances com a operação do Kléber?
Eu lamento muito que ele tenha de operar. Gosto demais do Kléber. Ele é uma pessoa franca, fala tudo o que pensa. Isso é difícil no futebol. Por mim seria sempre bom jogar ao lado dele. Eu fui vice-artilheiro da Libertadores e jogávamos juntos.
Até vou falar uma coisa. Eu torço demais para que ele fique no ano que vem. Esse desgaste com a torcida tem de acabar. Para o bem do Cruzeiro. Ainda dá tempo do Kléber e a torcida se acertarem. Seria um desperdício ele sair.
Por falar em sair, você está no Cruzeiro de teimoso. Os dirigentes haviam acertado sua troca com o Zé Roberto no meio do ano. Por que não foi para a Gávea?
Por causa da minha adaptação a Belo Horizonte. Eu e a minha família adoramos morar aqui. O Cruzeiro tem uma infraestrutura sensacional e o salário sempre sai em dia.
O jogador sente confiança ao se preparar para entrar em campo. Não quis mesmo sair. Não foi nem não quer ir para o Flamengo. O Flamengo é um clube sensacional. Eu não quis deixar o Cruzeiro.
Procurei os dirigentes e falei a minha decisão. Eles aceitaram e até me encorajaram a ficar. Se não me quisessem, eu seria o primeiro a arrumar as malas.
Agora que tudo esfriou, analise Wellington: por que o Cruzeiro perdeu a Libertadores? Em pleno Mineirão...
Eu vou ser direto. Depois do empate com o Estudiantes em Buenos Aires, nós podemos ter ficado um pouco confiantes demais. Ainda mais na partida no Mineirão, quando fizemos 1 a 0.
Sem querer, o time parece que afrouxou a marcação. Se empolgou, já se sentia campeão. E deixamos o Estudiantes fazer o que queria em campo. Quando tomamos o gol de empate ficamos imobilizados.
Sem força, sem nervos para voltar ao jogo. Eles fizeram 2 a 1 e tudo acabou, desmoronou. Foi uma pena. Mas nós acabamos perdendo para nós mesmos. Foi uma das piores noites da minha vida.
Fiquei até as seis da manhã sem dormir. Lembro que fiquei em frente à televisão. Passavam uns filmes, eu olhando para a tela, mas só pensando na derrota. Nós, jogadores,choramos muito, sofremos demais.
Perdemos um título importantíssimo da pior maneira possível. Diante da nossa torcida. Não podemos culpar ninguém, só nós mesmos.
Por que o Cruzeiro não virou o Fluminense? Depois de perder a Libertadores em casa o clube carioca não se recuperou. Deve ser rebaixado ainda por reflexos do ano passado...
Sinceramente? Porque tivemos ajuda para olhar para a frente. Nós fomos para várias sessões com a nossa psicóloga Adriany (Gomes). Esse é um tabu que os jogadores de futebol precisam quebrar.
Um psicólogo só faz bem, dá força, recupera a confiança. Ela me ajuda sempre. Até em problemas pessoais. Quem não precisa de psicólogo no mundo? Esse trabalho psicológico foi fundamental para o nosso time.
O Adílson Baptista também foi firme. Não deixou que a equipe afundasse. Porque, Cosme, eu posso falar uma coisa de coração...
Eu entendo o que acontece com o Fluminense. Os reflexos de perder uma Libertadores, em casa, ainda mais para um time que dava para ganhar...
Ah... A raiva e a tristeza são enormes. Para virar depressão é muito fácil.
Vamos falar do seu futuro. Você continua no Cruzeiro em 2010?
Olha, eu tive duas propostas no meio do ano. Uma era para a Itália e outra para a França. Eram equipes pequenas. Eu já fui jogar no Alaves, um time que estava falindo. Não pude fazer nada de bom.
Prometi a mim mesmo que só volto a jogar no Exterior em times fortes. Tenho apenas 25 anos. Muita coisa boa ainda vai acontecer comigo. Agora, em relação a continuar aqui, quero sentir se a diretoria, se o treinador querem.
Tenho contrato de mais quatro anos. Eu quero ficar se puder ajudar, ser útil. Não sou jogador de ficar encostado em contrato, ganhando sem trabalhar. Eu adoraria ficar no Cruzeiro e ter a minha importância no grupo.
Só isso. Depende mais do Cruzeiro do que de mim...
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