Publicado em 02/10/2009 às 11h37
“O Botafogo não vai cair.” Estevam Soares…

Estevam Soares. Técnico do Botafogo. Um dos times mais tradicionais do Brasil.
A beira do rebaixamento no Brasileiro mais uma vez. Vive o inferno. Dívidas de mais de R$ 280 milhões.
Diretor acusado de socar jogador. Segurança reforçada com medo de tocaias da própria torcida. Em entrevista exclusiva ao blog, Estevam mostra o que é estar no olho do furacão.
Como é ser o responsável para a sobrevivência do Botafogo na Série A?
É uma enorme responsabilidade. O maior desafio da minha vida. Eu não tenho conseguido dormir direito. Acordo inúmeras vezes durante a noite. A tensão é grande, a pressão enorme.
Mas o Botafogo não vai cair. A situação não é fácil. Precisamos dar a alma, lutar como nunca para sobreviver. Chegou a hora da união, o fim da vaidade. Só importa o Botafogo.
Como você pode falar em união quando o supervisor Márcio Touson dá um soco em Jonathan? Isso aconteceu no intervalo da derrota contra o Vitória, na semana passada.
Não foi?
Olha, o que aconteceu já foi dito pela imprensa e acabou. O Jonathan foi afastado e estamos decidindo se o reintegraremos ou não. A decisão será tomada na segunda-feira.
O que interessa são todos os outros jogadores que estão comprometidos. Estou levando para Goiás atleta machucado, suspenso.
Quero todos dando a sua contribuição para o Botafogo não cair.
Vamos fazer da partida contra o Goiás uma decisão, o início da virada para ficarmos na Série A.
Você também afastou o Michael, o Eduardo...
Para mim a pessoa ajuda ou atrapalha. Se o atleta não tem interesse geral, não consegue ver que o grupo é mais importante do que ele, o melhor é afastar.
Não tenho medo e muito menos me falta comando para afastar quem atrapalha. Não sou dono do Botafogo. Todos os casos conversei antes com os dirigentes.
Estou tendo todo o respaldo possível. Tomo decisões difíceis, doídas, mas que são necessárias. Não sou omisso. Sou um técnico de futebol comprometido com o meu clube, com o meu trabalho.
Não vim para o Rio de Janeiro passear. Se eu respeito a minha profissão, eu exijo respeito dos meus atletas.
Esse desespero todo em que o Botafogo está enfiado tem motivo?
Olha, Cosme, o Botafogo não está desesperado. Está em dificuldades sérias para continuar na Série A. O motivo foi falta de planejamento. Melhorar a estrutura que agora é razoável.
O elenco não é ruim como muita gente vem dizendo. Houve erros graves que aconteceram antes de mim. Não quero entrar em detalhes.
Só sei que peguei uma equipe tensa, pressionada, sem confiança de jogar. Assim não se conquista nada na vida. Tratei de mostrar o valor de cada um. E o time está reagindo.
Não é por acaso que está nas quartas-de-final da Copa Sul-Americana.
Como você explica este contrasenso? O time tão mal no Brasileiro, sem vencer, e classificado na Sul-Americana?
É fácil de explicar. Na Sul-Americana o time está jogando solto, sem medo, sem cobrança. A equipe não tem medo de errar, enfrenta o adversário com confiança.
Repito, não é por acaso que estamos caminhando tão bem. Não há a sombra do rebaixamento. No Brasileiro, não. Há uma grande preocupação em não errar.
A tensão atrapalha os atletas. Fiz questão de conversar com cada um e mostrar que nada está perdido. A questão agora é cabeça, confiança, convicção e trabalhar com alma.
Vamos fazer umas contas. O Botafogo está em 18º no Brasileiro. Jogou 26 vezes e ganhou quatro. Para sobreviver terá de vencer sete partidas em 12. Como?
Acreditando que cada partida é uma decisão. Ter coragem de dizer para si mesmo que é possível ganhar. Basta ganhar a primeira partida que tudo vai deslanchar.
Precisamos de 45 pontos. Temos 25 pontos. Vamos buscar os 20 que restam. De qualquer maneira.
Você estava feliz, tranqüilo no Barueri. A campanha estava ótima, valeu a pena trocar pelo Botafogo?
A minha campanha no Barueri estava mesmo sensacional. Mas eu queria o mercado do Rio de Janeiro. Poucos clubes do Brasil tem uma história tão vitoriosa como o Botafogo.
Acreditei em mim, nos jogadores que estão aqui e no Botafogo. Poderia dizer não, mas não vou deixar escapar a chance de crescer na carreira. Apostei e aposto no meu trabalho.
A coisas estão duras, difíceis, mas vamos superar. É uma grande prova como técnico para mim.
Eu quero que o meu trabalho salve o Botafogo e, quem sabe, no próximo ano começar tudo do zero, como eu gostaria?
Primeiro enfrentar com coragem essa luta para ficar na Série A.
Vocês estão com medo de agressão da torcida do Botafogo?
Não, muito pelo contrário. Eu sei o quanto o torcedor que ama o Botafogo está sofrendo, está angustiado. Eu tenho o maior respeito pelo seu sentimento.
Compreendo até a hora da raiva quando o time perde, como aconteceu contra o Vitória. Mas eu quero até usar o R7 para pedir apoio total aos torcedores.
O time precisa da torcida mais do que nunca. A hora é de mostrar quem é Botafogo de verdade, tem o clube no coração. Nós vamos dar a alma para o time não ser rebaixado.
Estevam: o Botafogo vai cair?
Não vai cair e ainda vai lutar muito para ser campeão da Sul-Americana. Eu sei com que jogadores estou trabalhando. Não vamos cair.
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