Publicado em 29/09/2009 às 19h47
Rosinei. Ou o trauma que a MSI causou nos juniores do Corinthians…

Rosinei.
Volante do América do México.
Nasceu no Corinthians.
Foi apontado como uma das maiores revelações do Parque São Jorge.
A expectativa era que se firmaria.
Habilidoso e inteligente taticamente, os treinadores da base apostariam seus salários no sucesso dele.
Perderiam.
O motivo para ele não ter vingado, dado certo, foi explicado ao blog pelo próprio Rosinei.
Do México falou com exclusividade.
E, relembrou, sem saudade, dos tempos da MSI.
Rosinei, muito se esperava de você no Corinthians.
Por que não deu certo?
Olha, eu sei que poderia ter ido muito mais além do que fui.
Mas faltou um pouco de sorte.
Eu surgi quando a MSI chegou.
Toda a minha geração que passou anos na base do Corinthians perdeu espaço.
O que importava era comprar jogadores de fora.
Queriam atletas de nome, conhecidos.
Os da base ficavam em último plano.
Não tínhamos apoio.
O reflexo é que entrávamos em campo pressionados.
Ninguém poderia errar.
Não havia interesse em incentivar, cuidar de quem nasceu no clube.
Isso atrapalhou muito.
Não só a mim.
Atrapalhou todos que vieram da base.
Uma geração inteira não teve o espaço que mereceria...
Na época você não reclamou...
Não porque era inexperiente, para mim estava tudo bom.
Só agora, mas vivido sei que poderia ter sido melhor.
O que aconteceu não abalou o meu carinho ao Corinthians.
Sei que poderia ter rendido mais se tivesse tido mais chances.
Não ficar entrando e saindo e atuando em várias posições.
Mas foi o momento que o clube vivia.
Aconteceu o que tinha de acontecer.
Havia tratamento diferenciado entre os jogadores da MSI e da base?
Todo mundo sabia que sim.
Mas dava para entender.
Os jogadores que a MSI comprou chegaram muito valorizados.
Tinham de estar em campo.
Muito dinheiro foi gasto para que jogassem pelo Corinthians.
Foi uma situação normal.
Qualquer clube faria o mesmo.
Infelizmente, o futebol é assim.
Eles queriam atletas de nome em campo.
Talvez por isso o clube não ganhou tudo o que poderia.
Ficaram os jogadores da MSI de um lado e os outros do outro.
Isso não poderia dar certo.
Mesmo assim você ganhou a posição de Carlos Alberto.
Mas nunca se tornou titular absoluto.
Eu já disse, faltou um pouco mais de cuidado.
Não só comigo.
Com todos que vieram da base.
Eu atuava em várias posições, não tinha tempo para ficar na minha, que é a de segundo volante.
Era sempre o primeiro a ser substituído.
Quando percebi isso, acabei pedindo para sair.
Fui para o Real Murcia.
Infelizmente o clube estava com problemas.
Não me adaptei e pedi para ser negociado.
No Internacional você também não se firmou...
Eu tive problemas de contusões.
Elas me atrapalharam no meu período de Internacional.
Não pude jogar o que sei.
Eu lamento porque lá fui tratado bem demais.
Me ofereceram ótimas condições de trabalho.
Mas não consegui render pelas contusões.
E resolvi sair.
Você tem muita sorte.
O Parreira tinha pedido a sua contratação para o Fluminense.
Aliás, ele já disse que você é um dos atletas mais versáteis e inteligentes que ele já viu.
Ainda bem que não fechou contrato com o Fluminense, o time é o último no Brasileiro.
Fico muito triste pela situação do Fluminense.
Vejo potencial alto no time e torço para que ainda se acerte e não seja rebaixado.
Eu só não fui para as Laranjeiras por falta de acordo financeiro.
Eu adoraria trabalhar com o Parreira.
Não teria medo de lutar para manter o time na Série A.
Principalmente porque sei do potencial dos jogadores que estão lá.
Só não acertei por causa da diferença financeira.
O destino lhe reservou o América do México...
É verdade.
Estou muito satisfeito com a força que o clube tem.
A infraestrutura não fica nada a dever às maiores equipes brasileiras.
Pelo contrário.
O América é uma equipe rica, não falta nada.
Estou me sentindo à vontade como nunca na minha carreira.
Venho jogando muito bem e a torcida tem gritado o meu nome durante as partidas.
Me sinto no lugar certo.
Agora você está tendo chances depois de um período tentando a adaptação.
É verdade. Quando cheguei estranhei a altitude, o time, os costumes, tudo.
Aos poucos vou me sentindo melhor, entendendo a maneira da equipe atuar.
Estou abrindo o meu caminho.
O clube tem muitos jogadores bons e caros.
Estou conseguindo o meu lugar.
Seu contrato é curto, dez meses.
Você quer ficar mais tempo?
Eu quero.
Agora estou me adaptando, entendendo como as coisas acontecem.
O Cabañas é o líder da equipe e não para de me elogiar.
Estou bem também como treinador (Jesús Ramires).
Me colocou como segundo volante, como gosto, e tenho atuado bem.
Estou animado.
O futebol mexicano é melhor do que eu imaginava.
Os times são muito competitivos.
Você sonha em voltar ao Corinthians?
Lógico que sim.
Quem joga no Corinthians não esquece nunca.
Só que eu adoraria voltar em outra situação, não mais sendo visto como prata da casa.
No futebol os clubes só valorizam quem vem de fora.
Senti isso na pele...
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