Posts de 29 de setembro de 2009

Rosinei. Ou o trauma que a MSI causou nos juniores do Corinthians…

cosme1 Rosinei. Ou o trauma que a MSI causou nos juniores do Corinthians...

Rosinei.

Volante do América do México.

Nasceu no Corinthians.

Foi apontado como uma das maiores revelações do Parque São Jorge.

A expectativa era que se firmaria.

Habilidoso e inteligente taticamente, os treinadores da base apostariam seus salários no sucesso dele.

Perderiam.

O motivo para ele não ter vingado, dado certo, foi explicado ao blog pelo próprio Rosinei.

Do México falou com exclusividade.

E, relembrou, sem saudade, dos tempos da MSI.

Rosinei, muito se esperava de você no Corinthians.

Por que não deu certo?

Olha, eu sei que poderia ter ido muito mais além do que fui.

Mas faltou um pouco de sorte.

Eu surgi quando a MSI chegou.

Toda a minha geração que passou anos na base do Corinthians perdeu espaço.

O que importava era comprar jogadores de fora.

Queriam atletas de nome, conhecidos.

Os da base ficavam em último plano.

Não tínhamos apoio.

O reflexo é que entrávamos em campo pressionados.

Ninguém poderia errar.

Não havia interesse em incentivar, cuidar de quem nasceu no clube.

Isso atrapalhou muito.

Não só a mim.

Atrapalhou todos que vieram da base.

Uma geração inteira não teve o espaço que mereceria...

Na época você não reclamou...

Não porque era inexperiente, para mim estava tudo bom.

Só agora, mas vivido sei que poderia ter sido melhor.

O que aconteceu não abalou o meu carinho ao Corinthians.

Sei que poderia ter rendido mais se tivesse tido mais chances.

Não ficar entrando e saindo e atuando em várias posições.

Mas foi o momento que o clube vivia.

Aconteceu o que tinha de acontecer.

Havia tratamento diferenciado entre os jogadores da MSI e da base?

Todo mundo sabia que sim.

Mas dava para entender.

Os jogadores que a MSI comprou chegaram muito valorizados.

Tinham de estar em campo.

Muito dinheiro foi gasto para que jogassem pelo Corinthians.

Foi uma situação normal.

Qualquer clube faria o mesmo.

Infelizmente, o futebol é assim.

Eles queriam atletas de nome em campo.

Talvez por isso o clube não ganhou tudo o que poderia.

Ficaram os jogadores da MSI de um lado e os outros do outro.

Isso não poderia dar certo.

Mesmo assim você ganhou a posição de Carlos Alberto.

Mas nunca se tornou titular absoluto.

Eu já disse, faltou um pouco mais de cuidado.

Não só comigo.

Com todos que vieram da base.

Eu atuava em várias posições, não tinha tempo para ficar na minha, que é a de segundo volante.

Era sempre o primeiro a ser substituído.

Quando percebi isso, acabei pedindo para sair.

Fui para o Real Murcia.

Infelizmente o clube estava com problemas.

Não me adaptei e pedi para ser negociado.

No Internacional você também não se firmou...

Eu tive problemas de contusões.

Elas me atrapalharam no meu período de Internacional.

Não pude jogar o que sei.

Eu lamento porque lá fui tratado bem demais.

Me ofereceram ótimas condições de trabalho.

Mas não consegui render pelas contusões.

E resolvi sair.

Você tem muita sorte.

O Parreira tinha pedido a sua contratação para o Fluminense.

Aliás, ele já disse que você é um dos atletas mais versáteis e inteligentes que ele já viu.

Ainda bem que não fechou contrato com o Fluminense, o time é o último no Brasileiro.

Fico muito triste pela situação do Fluminense.

Vejo potencial alto no time e torço para que ainda se acerte e não seja rebaixado.

Eu só não fui para as Laranjeiras por falta de acordo financeiro.

Eu adoraria trabalhar com o Parreira.

Não teria medo de lutar para manter o time na Série A.

Principalmente porque sei do potencial dos jogadores que estão lá.

Só não acertei por causa da diferença financeira.

O destino lhe reservou o América do México...

É verdade.

Estou muito satisfeito com a força que o clube tem.

A infraestrutura não fica nada a dever às maiores equipes brasileiras.

Pelo contrário.

O América é uma equipe rica, não falta nada.

Estou me sentindo à vontade como nunca na minha carreira.

Venho jogando muito bem e a torcida tem gritado o meu nome durante as partidas.

Me sinto no lugar certo.

Agora você está tendo chances depois de um período tentando a adaptação.

É verdade. Quando cheguei estranhei a altitude, o time, os costumes, tudo.

Aos poucos vou me sentindo melhor, entendendo a maneira da equipe atuar.

Estou abrindo o meu caminho.

O clube tem muitos jogadores bons e caros.

Estou conseguindo o meu lugar.

Seu contrato é curto, dez meses.

Você quer ficar mais tempo?

Eu quero.

Agora estou me adaptando, entendendo como as coisas acontecem.

O Cabañas é o líder da equipe e não para de me elogiar.

Estou bem também como treinador (Jesús Ramires).

Me colocou como segundo volante, como gosto, e tenho atuado bem.

Estou animado.

O futebol mexicano é melhor do que eu imaginava.

Os times são muito competitivos.

Você sonha em voltar ao Corinthians?

Lógico que sim.

Quem joga no Corinthians não esquece nunca.

Só que eu adoraria voltar em outra situação, não mais sendo visto como prata da casa.

No futebol os clubes só valorizam quem vem de fora.

Senti isso na pele...

Toda a mágoa de Roberto Carlos

jonathan rhys meyers tudors season 3 01 765x1024 Toda a mágoa de Roberto Carlos

Roberto Carlos é um dos jogadores mais polêmicos do futebol brasileiro.
E gosta de ser.

Da Turquia, aceitou em dar uma entrevista exclusiva ao blog. Não fugiu de pergunta nenhuma. Se mostrou magoado em grande parte da conversa. Principalmente quando o assunto foi Seleção. Assim como Cafu, não tem a menor esperança de uma partida de despedida com a camisa verde e amarela.

Diz que no dia 21 de dezembro desembarcará no Brasil. Deu a prioridade para o Santos de Vanderlei Luxemburgo. Mas tem mantido contato com o Corinthians e Palmeiras. Seu novo procurador é Fabiano Farah, talvez não por coincidência, do seu amigo Ronaldo.

O clima só ficou leve quando o assunto foi moda. Ele lançou sua marca de roupas a RC3. No Brasil, o lançamento aconteceu na luxuosa Daslu. Suas lojas estão na rua mais cara do Brasil, a Oscar Freire, em São Paulo. E em Barcelona.

“Sempre fui mais bonito do que o Beckham. Sou um injustiçado. Sou mais bonito e mais fashion do que ele. Sou ou não sou?”

 
Roberto, vamos direto ao assunto: dói falar em Seleção Brasileira?

Dói porque em 16 anos de Seleção, as pessoas querem me crucificar por um gol. O gol da França na Copa de 2006. Todos já disseram e sabem que eu não deveria estar marcando na pequena área. Eu tinha de ficar no rebote, na entrada da área.

Por isso estava ajeitando a meia. Eu estava no lugar certo, no lugar que o Parreira definiu para eu estar. O resto é bobagem e maldade. Muita gente que não gostava de mim se aproveitou para falar mal. Tentaram manchar a minha imagem. O meu currículo na Seleção é maravilhoso e fala por mim. Em 16 anos de convocações seguidas eu só perdi 13 partidas. O que as pessoas podem criticar.

Eu sempre dei o meu melhor e com muito orgulho pela Seleção.  Fui campeão do Mundo, da América, da Copa das Confederações. Ninguém vai manchar a minha passagem pela Seleção. Podem falar o quanto quiser. O meu currículo responde se houve ou não injustiça em relação a mim.

O Cafu já me disse que não tem nenhuma esperança de jogo de despedida pelo Brasil. Você também acha que não terá o seu? Gostaria de ter?

Vou ser bem sincero: isso é uma coisa do Brasil. Eu já perdi a conta de tantas partidas de despedidas eu já fui. E em todo o mundo. Menos no Brasil. Não sei o motivo. Não acredito que seja uma coisa pessoal. Inúmeros jogadores importantes não tiveram a sua. Por que eu ou o Cafu deveríamos ter as nossas?

O que importa é que nós sabemos o que fizemos com amor pela Seleção. Ninguém vai poder dizer que nós não fomos importantes para o futebol brasileiro. As nossas conquistas ficarão para sempre. Se a CBF quiser fazer despedidas para nós, ótimo. Se não, tudo bem.  Não vale a pena nem ficar pensando neste assunto.

Você completou 14 anos jogando fora do Brasil. O que o Exterior mudou a sua vida?

Além de crescer como jogador, melhorei como pessoa. Vivi outras culturas, cresci muito culturalmente. Sei que só interessa para os torcedores o lado jogador, mas a Europa foi ótima para a minha vida como pessoa. Hoje eu sou alguém com uma visão diferenciada do meu país, do futebol brasileiro. Eu evolui.

Fiquei mais crítico em relação a tudo. Hoje minhas atitudes são conscientes. Me desgasto bem menos. Antes eu ficava exposto, agora não. Falo com quem eu quero, me protejo mais. Já apanhei muito, de graça, sem merecer.

Por falar nisso, aqui no Brasil vários empresários dizem que você está se oferecendo aos clubes...

Não estou falando? Isso é um grande bobagem. Até antecipo para você, Cosme. Acabei de finalizar de vez a rescisão do meu contrato com o Fenerbahce. A diretoria queria que eu ficasse, mas falei que voltaria para o Brasil de qualquer maneira.

Eu quero, a minha mulher quer, será melhor para a minha vida. Os dirigentes entenderam. Farei meu último jogo no dia 20 de dezembro. No dia 21 desembarco em São Paulo. Vou explicar os contatos com os clubes brasileiros...

Explique direitinho, por favor...

Desde que saí do Brasil tive várias propostas para voltar. Mas era impossível concorrer com a Inter, Real Madri e o Fenerbahce. O Fluminense me procurou para voltar no meio do ano. As negociações não deram certo.
Depois surgiram os clubes de São Paulo. Conversei muito com o Vanderlei Luxemburgo e dei a prioridade ao Santos. As coisas estão adiantadas, não fechadas com o Santos. Só sei que irei jogar mais dois anos em um clube de São Paulo.

Você se ofereceu ao Corinthians?

Ótimo você fazer essa pergunta, Cosme. Falaram um monte de bobagem. Graças a Deus eu não preciso me oferecer a clube nenhum. Fui procurado pelo Corinthians e pelo Palmeiras. Adoraria no Corinthians não só pelo meu amigo Ronaldo ou pelo centenário. Teria muito prazer de ter no meu currículo o fato de ser jogador corintiano Assim como santista. Em relação ao Palmeiras, a minha história no clube abre a chance de uma volta.

Mas vou repetir com toda a calma do mundo. Não me ofereci para ninguém. Fui procurado. Repito: pro-cu-ra-do (diz vagarosamente as sílabas). Espero que acabem as mentiras que dizem de mim aí no Brasil. As pessoas estão me convidando.

O Ronaldo pode fazer com que você venha para o Corinthians?

Não preciso nem falar da minha amizade e o quanto gosto do Ronaldo. Repito, o Corinthians já é uma equipe importante demais que sempre me atraiu. Se der certo, seria ótimo.

Passei a trabalhar com o mesmo procurador do Ronaldo, o Fabiano Farah. Isso talvez ajude as coisas. Não sei. Tudo está em aberto. Para o clube que voltar quero dar o meu máximo.

Como você está fisicamente aos 36 anos?

Muito, mas muito bem mesmo. Meus testes são ótimos. Continuo jogando um futebol de alto rendimento. Não vou voltar para o Brasil para enganar ninguém. Respeito todo mundo, mas principalmente a mim mesmo. Quero voltar para ser campeão por onde estiver.

Você tem uma equipe de Stock Car e é um dos donos do Ituano. Por que se preocupar com essas coisas? Não seria melhor curtir o dinheiro que ganhou?

Eu não consigo deixar de fazer o que gosto. Adoro velocidade e a equipe de Stock Car me dá muito prazer. O clima de competição me traz ânimo, vida. Adoro as corridas.Quanto ao Ituano será uma retribuição ao futebol.
Preciso retribuir já que tudo o que tenho devo ao futebol.

Estou reconstruindo o Ituano. O ex-presidente Oliveira Júnior (seu antigo empresário com que é brigado) arruinou o clube. São dívidas e mais dívidas. Processos trabalhistas de todos os lados. Eu e o Juninho Paulista estamos colocando tudo em ordem. Vamos montar um bom time para o Campeonato Paulo. Itu e o interior do Estado merecem que eu mantenha um clube. Está dando trabalho, mas vale a pena.

Roberto e a moda? Como é que está a sua confecção?

Indo muito bem. De moda eu sempre entendi. No início era uma coisa de instinto e fui me aprimorando com os anos de Europa. O Beckham é muito meu amigo e sempre me incentivou. Ele via a maneira com que eu me vestia e não parava de falar para eu montar a minha loja.

Eu tenho uma loja em Barcelona e outra aí na Oscar Freire, em São Paulo. Vocês precisam conhecer a minha confecção, vão gostar, eu aposto.

Quem se veste melhor você ou o Beckham?

Sempre fui mais bonito do que ele. Sou um injustiçado. Sou mais bonito e mais fashion do que ele.  Sou ou não sou?

O blog se recusou a responder...