Publicado em 26/09/2009 às 20h26
“Eu e Ronaldo estaremos na Copa da África”
Segunda parte da entrevista exclusiva.
Depois do sofrimento com o alcoolismo, Adriano fala de futebol.
Da volta ao Flamengo, do sonho da Copa do Mundo.
E faz duas revelações muito importantes.
“Eu e o Ronaldo temos lugares na Copa da África.
Vamos juntos. Tenho certeza.”
Confiante, faz a avaliação que irá atiçar empresários.
E a direção do Milan.
“Eu me recuperei.
Tenho cabeça para depois da Copa do Mundo voltar para a Europa.
Não vendi minha casa em Milão.
Falo italiano, gosto de lá.
Voltar a jogar na Itália de novo é uma grande possibilidade.”
O que o Flamengo lhe trouxe de bom na sua recuperação?
Tudo. Sou tratado como um filho por muita gente.
Eu precisava me sentir em casa.
Esse é o clube do meu coração.
O amor, o prazer que sinto em estar no Rio e no Flamengo não têm preço.
Estou no lugar certo agora.
Minha carreira está recuperada.
Voltei a ter o gosto de ser artilheiro da equipe, do Brasileiro.
Fiz a escolha certa.
Você e o Ronaldo são os maiores ídolos do Brasil.
Só que você está no Rio, cercado de clubes com problemas.
O Fluminense está em último. O Botafogo também na zona do rebaixamento.
O Vasco na Série B. Como você explica?
Os clubes do Rio precisam se reestruturar.
Os times do Fluminense e do Botafogo não são ruins.
Só que o atraso no pagamento atrapalha demais, deixa o ambiente pesado, tenso.
Vejo a necessidade de os clubes se modernizarem, se estruturarem.
Eu fico incomodado com a situação dos outros clubes cariocas.
É ruim demais para todos aqui no Rio.
As coisas no Flamengo agora se acertaram.
Os salários estão em dia.
Ainda bem.
Você acha que irá disputar a Copa da África?
Tenho certeza que sim.
Tive uma conversa muito séria com o Dunga.
Percebi que só dependerá de mim.
Da minha responsabilidade com a minha profissão.
Não posso mais errar. E não vou errar.
Estou focado como nunca estive na minha carreira.
Trabalho duro pelo Flamengo, sabendo que o trabalho pode me levar à Seleção.
Quero e vou disputar a Copa do Mundo.
Sei que será a minha última, terei 28 anos.
Quero me recuperar de tudo o que não fiz na Copa de 2006.
2010 será a minha Copa do Mundo.
Por que você foi tão mal em 2006?
Fui porque estava no meio do processo de depressão.
Estava muito mal fisicamente.
Sei que dependo do físico para jogar.
Estava pesado, lento.
Infelizmente estava mal, mas não porque queria.
Estava no meio do processo da minha relação com o álcool.
As farras na folga durante a Copa não ajudaram a piorar tudo?
Você e os outros jogadores do Brasil não poderiam se segurar por um mês?
Pioraram, lógico. Mas na hora, não percebia.
Olha, esse é um bom assunto que eu gostaria de tocar.
A gente ia para as festas até a madrugada porque tinha liberdade para isso.
O limite tem de partir da direção da Seleção e não dos jogadores.
Nós fizemos o que tínhamos permissão para fazer.
Se na Copa de 2010 não puder sair nas folgas, tudo bem.
Mas a ordem tem de sair da direção da Seleção.
Não dos jogadores.
Ninguém foi vilão,saiu escondido ou pulou o portão em 2006.
Éramos liberados.
Quero que isso fique bem claro.
O Ronaldo tem alguma chance de ir para a Copa?
Eu e o Ronaldo vamos para a Copa.
Eu tenho certeza.
Ele tem muito talento e está bem demais no Corinthians.
Sinto o esforço que está fazendo para ir para o último Mundial dele.
Sou amigo dele e sei o que ele é como jogador.
Nós dois estaremos lá.
Ainda temos espaço para isso.
Será um sonho realizado.
A oportunidade para deixarmos para trás o que aconteceu em 2006.
Você já tem cabeça para voltar para a Europa?
Eu me recuperei.
Tenho cabeça para depois da Copa do Mundo voltar para a Europa.
Não vendi a minha casa em Milão.
Falo italiano, gosto de lá.
Voltar a jogar na Itália é uma grande possibilidade.
Até porque não existe a bobagem que andaram espalhando em relação à Máfia.
Eu posso voltar a jogar na Itália quando eu quiser.
Disseram que a Máfia não me queria lá.
Pura bogagem de certo tipo de imprensa que detesto.
Qual tipo?
A que vive da vida alheia.
Eu deixei de ir ao aniversário do Ronaldo para não dar margem.
Se eu tomasse uma taça de champanhe, já escreveriam que eu estava bêbado.
Há muita gente mentirosa nesse tipo de imprensa que vive de fofoca.
E isso está no Brasil inteiro, infelizmente.
Quem é conhecido não pode sair em paz.
Por isso tenho evitado sair.
Tenho levado os meus pouquíssimos amigos que tenho agora para a minha casa.
Levo os amigos mesmo.
Os da comunidade da Vila Cruzeiro, com quem cresci.
E ficamos conversando, comendo, rindo, bebendo cerveja.
Me sinto feliz de verdade.
Você fará algo pela Vila Cruzeiro quando parar de jogar?
Sim. Eu vou criar uma fundação, algo assim.
Gosto do projeto do Raí e do Leonardo, o Gol de Letra.
Me sinto na obrigação de retribuir o que recebi para a comunidade.
Lá é um lugar carente e que precisa de ajuda.
Há muita gente boa que tudo o que necessita é uma chance, uma oportunidade na vida.
Você já superou a morte do seu pai?
A dor, a ausência vai diminuindo com o tempo.
Mas sempre estará lá.
Me acalma ver o meu irmão caçula estar menos revoltado.
Sei que meu pai está em um bom lugar.
E o melhor é que sinto como se ele estivesse comigo, perto de mim.
A nossa ligação sempre será forte demais...
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