Posts de setembro/2009

Kléber entre a dor e o bisturi…

x men origens wolverine 2009 nota2 Kléber entre a dor e o bisturi...

Desta vez não é entre Palmeiras e Cruzeiro.

Mas entre diagnósticos.

O atacante cruzeirense saiu hoje de mais um treinamento sentindo dores.

No púbis.

Desde a Libertadores da América, o jogador convive com essas dores.

Só que elas aumentaram.

O departamento médico cruzeirense acredita que é possível curá-las sem operação.

O jogador veio até São Paulo se consultar.

O diagnóstico foi claro: continuar com o tratamento intensivo, mas...

Se as dores voltarem, o caminho indicado seria a operação.

A cirurgia é bem simples.

Porém, custaria ao artilheiro 30 dias de recuperação.

O atacante já se convenceu que o melhor é ser operado.

A direção do Cruzeiro fica com a opinião do seu departamento médico.

E o DM quer insistir no tratamento.

Há também o lado do desgaste do jogador e a torcida.

Os torcedores querem a sua saída.

Não o perdoaram por haver participado de uma partida com a torcida do Palmeiras.

Justo antes da partida contra o ex-clube.

Diante das vaias no estádio e protestos no clube, Kléber não tem a menor motivação para continuar jogando com dores pelo Cruzeiro.

Pela torcida que o xinga.

A situação está mais do que complicada.

Há desconfiança de ambos os lados.

O desgaste do jogador com o clube mineiro vai aumentando.

E a chance de sua permanência em 2010 diminuindo, diminuindo, diminuindo...

Exclusivo. Mudanças na legislação esportiva. Racismo, juizado, torcida única. E bebidas alcoólicas nos estádios em 2014…

apocalypto4lg cosme Exclusivo. Mudanças na legislação esportiva. Racismo, juizado, torcida única. E bebidas alcoólicas nos estádios em 2014...

O jogador brasileiro é produto de primeiro mundo, de exportação.

Mas a legislação brasileira ainda está na idade das Trevas.

A avaliação é de advogados, chocados com a impunidade.

Os reflexos atingem quem frequenta estádios.

Não há uma pessoa que vá despreocupada para os campos brasileiros.

A violência é a grande inimiga.

O blog teve acesso a mais um passo em direção à modernidade da Justiça Esportiva.

“Vamos passar a punir o racismo.

Vamos criar um juizado para cuidar dos delitos dos menores nos estádios.

Estamos caminhando para a torcida única nos clássicos.

E a legislação brasileira tem tudo para barrar a venda de bebidas, como quer a Fifa na Copa do Brasil.”

As revelações são do promotor do Ministério Público Paulo Castilho, especializado em conflitos em estádios.

Vamos falar de maneira bem didática, por favor.

Quais as novas mudanças que acontecerão na legislação esportiva?

Vamos mexer com temas importantes.

O primeiro deles é o racismo.

Hoje a legislação prevê apenas multa para quem comete esse crime.

O atleta passará a ser suspenso entre cinco a dez partidas.

Dirigentes ou treinadores ficarão de 120 a 360 dias suspensos.

E os torcedores terão pena mínima de 720 dias banidos dos estádios.

Essa é uma medida que era obrigatória.

Outra mudança é a criação do Juizado do Torcedor.

O que é e como funcionará?

Será um avanço no Jecrim (Juizado Especial Criminal).

E terá como preocupação maior punir também os menores.

Atualmente, só os maiores são processados nos estádios.

Os menores  precisam ser encaminhados a outros órgãos quando cometem crimes.

Os mais comuns são brigas e uso de entorpecentes.

A punição serão mais efetivas.

Vamos acabar com o que existe de punir que é a sensação de impunidade.

Jovens hoje se sentem protegidos pela falta da legislação específica.

Isso irá acabar.

Há uma grande chance de ser adotada no Brasil a torcida única?

Estamos perto disso, sim.

Será o próximo passo.

A princípio, a sociedade se chocou, mas hoje autorizar apenas 5% da torcida adversária em clássicos em São Paulo foi maravilhoso.

Os resultados são fantásticos.

Os conflitos acabaram.

No Brasileiro não houve problemas.

O Palmeiras jogou no Palestra Itália contra o São Paulo.

São Paulo e Corinthians no Morumbi.

Corinthians e Santos no Pacaembu.

Deu tudo certo.

Mas eu ainda não estou satisfeito.

Por que promotor?

Por um motivo simples.

Acredito ser um desperdício deslocar um efetivo de cerca de três mil policiais militares.

Todo clássico é esse número absurdo.

Se houver uma torcida só, poderemos diminuir pelo menos pela metade.

Ou seja: mais mil e quinhentos policiais trabalhando pela sociedade e não cuidando de torcedores.

Esse tem de ser a próxima meta.

Em São Paulo eu posso falar: nunca mais haverá 40 mil torcedores de um clube e outros 40 mil de outro.

Isso acabou e não tem volta.

E as bebidas alcoólicas?

Serão liberadas para a Copa de 2014?

Olha, foi com grande sacrifício que enfrentamos a pressão de fabricantes e proibimos bebidas nos estádios.

Há um levamentamento feito pela cúpula da PM paulista.

As ocorrências dentro do estádio diminuíram em 80% depois que a cerveja foi banida.

Sei que uma marca de cerveja patrocina os Mundiais da Fifa.

Mas há a legislação brasileira, das cidades e dos estados.

Se a Fifa quiser fazer publicidade, colocar uma grande garrafa de cerveja de enfeite, tudo bem.

Mas nós trabalharemos para manter o que conseguimos.

Não há razão para liberar a bebida nos estádios.

Nem por Copa do Mundo, nem por motivo algum.

Os promotores públicos do Brasil vão trabalhar neste sentido.

A nossa legislação será levada a sério.

Por falar em legislação, como é que o senhor vê o caso do Senado haver barrado a alteração na lei esportiva?

A principal mudança seria a punição do crime de suborno aos árbitros...

Eu estou profundamente chocado.

Nós fizemos reuniões com o presidente Lula, com o ministro da Justiça, Tarso Genro e com o Ministro dos Esportes, Orlando Silva.

O caso Edílson Pereira foi o nosso exemplo.

Houve a confirmação pela Polícia Federal que ele manipulou resultados.

Como não havia previsão na lei para esse crime, ele escapou.

Mas para evitar novos casos iguais, fizemos uma profunda mudança na legislação.

Só que ela está parada no Senado.

O senador por Brasília, Gim Argello (PTB), pediu vistas ao processo.

Há mais de um mês o projeto está parado.

O senhor acredita que seja uma briga eleitoral, de partidos?

Não posso afirmar isso.

O senador tem todo o direito de analisar com calma o projeto.

Mas o esporte brasileiro está precisando da sua aprovação.

Vários juristas importantes se empenharam muito em fazer este projeto de lei.

A nossa legislação tem de se modernizar o mais rápido possível.

Ainda há muita impunidade.

Impunidade por pura falta de legislação específica.

Essa é a luta do Ministério Público.

Não tem cabimento alguém pagar um juiz para ‘fabricar um resultado’.

A farsa ser descoberta e ninguém ir para a cadeia por falta de lei específica.

É o que ocorre hoje.

Pode haver vários novos ‘Edílson Pereira’ e tudo bem.

Não é possível...

Rosinei. Ou o trauma que a MSI causou nos juniores do Corinthians…

cosme1 Rosinei. Ou o trauma que a MSI causou nos juniores do Corinthians...

Rosinei.

Volante do América do México.

Nasceu no Corinthians.

Foi apontado como uma das maiores revelações do Parque São Jorge.

A expectativa era que se firmaria.

Habilidoso e inteligente taticamente, os treinadores da base apostariam seus salários no sucesso dele.

Perderiam.

O motivo para ele não ter vingado, dado certo, foi explicado ao blog pelo próprio Rosinei.

Do México falou com exclusividade.

E, relembrou, sem saudade, dos tempos da MSI.

Rosinei, muito se esperava de você no Corinthians.

Por que não deu certo?

Olha, eu sei que poderia ter ido muito mais além do que fui.

Mas faltou um pouco de sorte.

Eu surgi quando a MSI chegou.

Toda a minha geração que passou anos na base do Corinthians perdeu espaço.

O que importava era comprar jogadores de fora.

Queriam atletas de nome, conhecidos.

Os da base ficavam em último plano.

Não tínhamos apoio.

O reflexo é que entrávamos em campo pressionados.

Ninguém poderia errar.

Não havia interesse em incentivar, cuidar de quem nasceu no clube.

Isso atrapalhou muito.

Não só a mim.

Atrapalhou todos que vieram da base.

Uma geração inteira não teve o espaço que mereceria...

Na época você não reclamou...

Não porque era inexperiente, para mim estava tudo bom.

Só agora, mas vivido sei que poderia ter sido melhor.

O que aconteceu não abalou o meu carinho ao Corinthians.

Sei que poderia ter rendido mais se tivesse tido mais chances.

Não ficar entrando e saindo e atuando em várias posições.

Mas foi o momento que o clube vivia.

Aconteceu o que tinha de acontecer.

Havia tratamento diferenciado entre os jogadores da MSI e da base?

Todo mundo sabia que sim.

Mas dava para entender.

Os jogadores que a MSI comprou chegaram muito valorizados.

Tinham de estar em campo.

Muito dinheiro foi gasto para que jogassem pelo Corinthians.

Foi uma situação normal.

Qualquer clube faria o mesmo.

Infelizmente, o futebol é assim.

Eles queriam atletas de nome em campo.

Talvez por isso o clube não ganhou tudo o que poderia.

Ficaram os jogadores da MSI de um lado e os outros do outro.

Isso não poderia dar certo.

Mesmo assim você ganhou a posição de Carlos Alberto.

Mas nunca se tornou titular absoluto.

Eu já disse, faltou um pouco mais de cuidado.

Não só comigo.

Com todos que vieram da base.

Eu atuava em várias posições, não tinha tempo para ficar na minha, que é a de segundo volante.

Era sempre o primeiro a ser substituído.

Quando percebi isso, acabei pedindo para sair.

Fui para o Real Murcia.

Infelizmente o clube estava com problemas.

Não me adaptei e pedi para ser negociado.

No Internacional você também não se firmou...

Eu tive problemas de contusões.

Elas me atrapalharam no meu período de Internacional.

Não pude jogar o que sei.

Eu lamento porque lá fui tratado bem demais.

Me ofereceram ótimas condições de trabalho.

Mas não consegui render pelas contusões.

E resolvi sair.

Você tem muita sorte.

O Parreira tinha pedido a sua contratação para o Fluminense.

Aliás, ele já disse que você é um dos atletas mais versáteis e inteligentes que ele já viu.

Ainda bem que não fechou contrato com o Fluminense, o time é o último no Brasileiro.

Fico muito triste pela situação do Fluminense.

Vejo potencial alto no time e torço para que ainda se acerte e não seja rebaixado.

Eu só não fui para as Laranjeiras por falta de acordo financeiro.

Eu adoraria trabalhar com o Parreira.

Não teria medo de lutar para manter o time na Série A.

Principalmente porque sei do potencial dos jogadores que estão lá.

Só não acertei por causa da diferença financeira.

O destino lhe reservou o América do México...

É verdade.

Estou muito satisfeito com a força que o clube tem.

A infraestrutura não fica nada a dever às maiores equipes brasileiras.

Pelo contrário.

O América é uma equipe rica, não falta nada.

Estou me sentindo à vontade como nunca na minha carreira.

Venho jogando muito bem e a torcida tem gritado o meu nome durante as partidas.

Me sinto no lugar certo.

Agora você está tendo chances depois de um período tentando a adaptação.

É verdade. Quando cheguei estranhei a altitude, o time, os costumes, tudo.

Aos poucos vou me sentindo melhor, entendendo a maneira da equipe atuar.

Estou abrindo o meu caminho.

O clube tem muitos jogadores bons e caros.

Estou conseguindo o meu lugar.

Seu contrato é curto, dez meses.

Você quer ficar mais tempo?

Eu quero.

Agora estou me adaptando, entendendo como as coisas acontecem.

O Cabañas é o líder da equipe e não para de me elogiar.

Estou bem também como treinador (Jesús Ramires).

Me colocou como segundo volante, como gosto, e tenho atuado bem.

Estou animado.

O futebol mexicano é melhor do que eu imaginava.

Os times são muito competitivos.

Você sonha em voltar ao Corinthians?

Lógico que sim.

Quem joga no Corinthians não esquece nunca.

Só que eu adoraria voltar em outra situação, não mais sendo visto como prata da casa.

No futebol os clubes só valorizam quem vem de fora.

Senti isso na pele...

Toda a mágoa de Roberto Carlos

jonathan rhys meyers tudors season 3 01 765x1024 Toda a mágoa de Roberto Carlos

Roberto Carlos é um dos jogadores mais polêmicos do futebol brasileiro.
E gosta de ser.

Da Turquia, aceitou em dar uma entrevista exclusiva ao blog. Não fugiu de pergunta nenhuma. Se mostrou magoado em grande parte da conversa. Principalmente quando o assunto foi Seleção. Assim como Cafu, não tem a menor esperança de uma partida de despedida com a camisa verde e amarela.

Diz que no dia 21 de dezembro desembarcará no Brasil. Deu a prioridade para o Santos de Vanderlei Luxemburgo. Mas tem mantido contato com o Corinthians e Palmeiras. Seu novo procurador é Fabiano Farah, talvez não por coincidência, do seu amigo Ronaldo.

O clima só ficou leve quando o assunto foi moda. Ele lançou sua marca de roupas a RC3. No Brasil, o lançamento aconteceu na luxuosa Daslu. Suas lojas estão na rua mais cara do Brasil, a Oscar Freire, em São Paulo. E em Barcelona.

“Sempre fui mais bonito do que o Beckham. Sou um injustiçado. Sou mais bonito e mais fashion do que ele. Sou ou não sou?”

 
Roberto, vamos direto ao assunto: dói falar em Seleção Brasileira?

Dói porque em 16 anos de Seleção, as pessoas querem me crucificar por um gol. O gol da França na Copa de 2006. Todos já disseram e sabem que eu não deveria estar marcando na pequena área. Eu tinha de ficar no rebote, na entrada da área.

Por isso estava ajeitando a meia. Eu estava no lugar certo, no lugar que o Parreira definiu para eu estar. O resto é bobagem e maldade. Muita gente que não gostava de mim se aproveitou para falar mal. Tentaram manchar a minha imagem. O meu currículo na Seleção é maravilhoso e fala por mim. Em 16 anos de convocações seguidas eu só perdi 13 partidas. O que as pessoas podem criticar.

Eu sempre dei o meu melhor e com muito orgulho pela Seleção.  Fui campeão do Mundo, da América, da Copa das Confederações. Ninguém vai manchar a minha passagem pela Seleção. Podem falar o quanto quiser. O meu currículo responde se houve ou não injustiça em relação a mim.

O Cafu já me disse que não tem nenhuma esperança de jogo de despedida pelo Brasil. Você também acha que não terá o seu? Gostaria de ter?

Vou ser bem sincero: isso é uma coisa do Brasil. Eu já perdi a conta de tantas partidas de despedidas eu já fui. E em todo o mundo. Menos no Brasil. Não sei o motivo. Não acredito que seja uma coisa pessoal. Inúmeros jogadores importantes não tiveram a sua. Por que eu ou o Cafu deveríamos ter as nossas?

O que importa é que nós sabemos o que fizemos com amor pela Seleção. Ninguém vai poder dizer que nós não fomos importantes para o futebol brasileiro. As nossas conquistas ficarão para sempre. Se a CBF quiser fazer despedidas para nós, ótimo. Se não, tudo bem.  Não vale a pena nem ficar pensando neste assunto.

Você completou 14 anos jogando fora do Brasil. O que o Exterior mudou a sua vida?

Além de crescer como jogador, melhorei como pessoa. Vivi outras culturas, cresci muito culturalmente. Sei que só interessa para os torcedores o lado jogador, mas a Europa foi ótima para a minha vida como pessoa. Hoje eu sou alguém com uma visão diferenciada do meu país, do futebol brasileiro. Eu evolui.

Fiquei mais crítico em relação a tudo. Hoje minhas atitudes são conscientes. Me desgasto bem menos. Antes eu ficava exposto, agora não. Falo com quem eu quero, me protejo mais. Já apanhei muito, de graça, sem merecer.

Por falar nisso, aqui no Brasil vários empresários dizem que você está se oferecendo aos clubes...

Não estou falando? Isso é um grande bobagem. Até antecipo para você, Cosme. Acabei de finalizar de vez a rescisão do meu contrato com o Fenerbahce. A diretoria queria que eu ficasse, mas falei que voltaria para o Brasil de qualquer maneira.

Eu quero, a minha mulher quer, será melhor para a minha vida. Os dirigentes entenderam. Farei meu último jogo no dia 20 de dezembro. No dia 21 desembarco em São Paulo. Vou explicar os contatos com os clubes brasileiros...

Explique direitinho, por favor...

Desde que saí do Brasil tive várias propostas para voltar. Mas era impossível concorrer com a Inter, Real Madri e o Fenerbahce. O Fluminense me procurou para voltar no meio do ano. As negociações não deram certo.
Depois surgiram os clubes de São Paulo. Conversei muito com o Vanderlei Luxemburgo e dei a prioridade ao Santos. As coisas estão adiantadas, não fechadas com o Santos. Só sei que irei jogar mais dois anos em um clube de São Paulo.

Você se ofereceu ao Corinthians?

Ótimo você fazer essa pergunta, Cosme. Falaram um monte de bobagem. Graças a Deus eu não preciso me oferecer a clube nenhum. Fui procurado pelo Corinthians e pelo Palmeiras. Adoraria no Corinthians não só pelo meu amigo Ronaldo ou pelo centenário. Teria muito prazer de ter no meu currículo o fato de ser jogador corintiano Assim como santista. Em relação ao Palmeiras, a minha história no clube abre a chance de uma volta.

Mas vou repetir com toda a calma do mundo. Não me ofereci para ninguém. Fui procurado. Repito: pro-cu-ra-do (diz vagarosamente as sílabas). Espero que acabem as mentiras que dizem de mim aí no Brasil. As pessoas estão me convidando.

O Ronaldo pode fazer com que você venha para o Corinthians?

Não preciso nem falar da minha amizade e o quanto gosto do Ronaldo. Repito, o Corinthians já é uma equipe importante demais que sempre me atraiu. Se der certo, seria ótimo.

Passei a trabalhar com o mesmo procurador do Ronaldo, o Fabiano Farah. Isso talvez ajude as coisas. Não sei. Tudo está em aberto. Para o clube que voltar quero dar o meu máximo.

Como você está fisicamente aos 36 anos?

Muito, mas muito bem mesmo. Meus testes são ótimos. Continuo jogando um futebol de alto rendimento. Não vou voltar para o Brasil para enganar ninguém. Respeito todo mundo, mas principalmente a mim mesmo. Quero voltar para ser campeão por onde estiver.

Você tem uma equipe de Stock Car e é um dos donos do Ituano. Por que se preocupar com essas coisas? Não seria melhor curtir o dinheiro que ganhou?

Eu não consigo deixar de fazer o que gosto. Adoro velocidade e a equipe de Stock Car me dá muito prazer. O clima de competição me traz ânimo, vida. Adoro as corridas.Quanto ao Ituano será uma retribuição ao futebol.
Preciso retribuir já que tudo o que tenho devo ao futebol.

Estou reconstruindo o Ituano. O ex-presidente Oliveira Júnior (seu antigo empresário com que é brigado) arruinou o clube. São dívidas e mais dívidas. Processos trabalhistas de todos os lados. Eu e o Juninho Paulista estamos colocando tudo em ordem. Vamos montar um bom time para o Campeonato Paulo. Itu e o interior do Estado merecem que eu mantenha um clube. Está dando trabalho, mas vale a pena.

Roberto e a moda? Como é que está a sua confecção?

Indo muito bem. De moda eu sempre entendi. No início era uma coisa de instinto e fui me aprimorando com os anos de Europa. O Beckham é muito meu amigo e sempre me incentivou. Ele via a maneira com que eu me vestia e não parava de falar para eu montar a minha loja.

Eu tenho uma loja em Barcelona e outra aí na Oscar Freire, em São Paulo. Vocês precisam conhecer a minha confecção, vão gostar, eu aposto.

Quem se veste melhor você ou o Beckham?

Sempre fui mais bonito do que ele. Sou um injustiçado. Sou mais bonito e mais fashion do que ele.  Sou ou não sou?

O blog se recusou a responder...

Kassab: “Belo Horizonte e Brasília podem esquecer. A abertura da Copa será em São Paulo. Eu garanto.”

paris cosme rimoli Kassab: “Belo Horizonte e Brasília podem esquecer. A abertura da Copa será em São Paulo. Eu garanto.”

Gilberto Kassab. Prefeito de São Paulo. Em entrevista exclusiva ao blog ele esclarece um dos grandes mistérios do futebol brasileiro. Ele antecipa: já está acertada a reforma do Morumbi. Os cerca de R$ 250 milhões virão da iniciativa privada. E o estádio será palco do primeiro jogo do Mundial de 2014. Palavra de Kassab.

Prefeito, o senhor está preocupado com a concorrência. Belo Horizonte ou Brasília poderão sediar a abertura da Copa no Brasil?

De jeito nenhum. São Paulo sediará a abertura da Copa do Mundo. Está tudo certo. As pessoas podem falar o que quiser, mas ninguém tira a abertura da Copa em São Paulo. Essa já é uma decisão que já está tomada.

Como o senhor pode ter essa certeza? O Morumbi precisa ser reformado. A diretoria busca dinheiro e ainda não conseguiu...

Estou acompanhando tudo de perto. A diretoria do São Paulo já conseguiu o dinheiro. O Morumbi será inteiramente reformado. Ficará da maneira que a Fifa exige. Ninguém tirará a abertura da Copa de São Paulo. Não será construído novo estádio. Será no Morumbi.

Mas o senhor acha certo o Morumbi ser reformado com o dinheiro do BNDES?

A boa novidade é que o dinheiro não virá do BNDES. Já estive em contato com a diretoria do São Paulo. Posso antecipar a você que o dinheiro virá dos patrocinadores. Integralmente. Os contatos aconteceram recentemente. Será a iniciativa privada que bancará a reforma do Morumbi. Isso será ótimo para todos.

Prefeito, o senhor garante que não haverá um centavo de dinheiro público nesta reforma?

Posso te garantir que não. Nem a prefeitura de São Paulo, nem o BNDES ajudará. O dinheiro virá dos patrocinadores. Será ótimo para todos. Não há a menor chance de a abertura da Copa ir para Belo Horizonte ou Brasília.

Podem esquecer.

Será em São Paulo.

E no Morumbi.

 

Eu garanto...

Exclusivo: Flamengo quer dinheiro do BNDES para sanar dívidas dos clubes…

marilyn diamond 450 Exclusivo: Flamengo quer dinheiro do BNDES para sanar dívidas dos clubes...

O blog teve acesso a uma informação que pode mudar o cenário do futebol brasileiro.

Ela tem berço esplêndido.

Na sala da presidência do Flamengo.

O BNDES, além de bancar a construção de estádios e hotéis, teria outra inesperada função.

“Emprestar dinheiro aos clubes para saldar as suas dívidas.

Os clubes vão lutar para aproveitar a Copa do Mundo no Brasil.

A chance é essa.”

 O aviso foi feito pelo presidente Delair Dumbrosck.

Ele acaba de voltar da Suíça onde viajou representando o Clube dos 13.

E antecipa várias mudanças no futebol mundial.

Porém está mais animado em acabar as dívidas flamenguistas.

Elas já ultrapassam em muito os R$ 300 milhões.

Delair: qual será esse pedido de empréstimo ao BNDES?

Olha: se haverá financiamento para estádios e hotés para a Copa, os clubes podem ser beneficiados.

Os clubes são a base do futebol brasileiro.

E eles têm dívidas imensas, que a cada dia inviabiliza a administração.

Com o BNDES emprestando o dinheiro para acabar com as dívidas, o perfil do futebol brasileiro mudará de vez.

A Copa do Mundo é uma grande oportunidade para brigarmos por isso.

Essa postura do BNDES será o legado da Copa do Mundo.

Não deixaremos que aconteça como o Panamericano que aconteceu e não deixou nada de bom.

Nada.

Para o futebol continuar forte no Brasil os clubes têm de sanar suas dívidas.

Essa ideia é minha e vou tocar para a frente.

Não vejo nada de errado.

Os clubes no Brasil enfrentam problemas que ninguém quer ver.

Como assim?

Nós dividimos R$ 400 milhões por três anos de transmissão dos jogos.

Os clubes europeus dividem 800 milhões de euros.

É tudo muito desigual.

Por isso é impossível manter os grandes atletas aqui.

Nós temos conversado com as tevês para mudar essa situação.

Nosso produto é nobre e está sendo negociado muito barato.

Isso vai ter de mudar.

Para isso iremos valorizar as nossas competições.

Você pode antecipar as mudanças?

As propostas do Clube dos 13 são bem interessantes.

Vamos valorizar o Brasileiro.

Queremos fazer um congresso com trocas de ideias antes da competição começar.

E não só ideias.

Nesse congresso faremos uma bolsa de jogadores.

Trocaremos atletas entre nós, com grande economia para todos os clubes.

Essas trocas estimulam os torcedores.

E em seguida fazer a partida de abertura na cidade do congresso.

Os campeonatos estaduais terão menos datas para os clubes grandes.

Os torneios podem até ser maiores, mas os grandes entrariam na fase decisiva.

O Flamengo e os outros clubes estão perdendo muito dinheiro dizendo não a amistosos no exterior.

Vamos criar datas para essas partidas.

Os patrocinadores cada vez mais são internacionais, precisam ser vistos no exterior.

A cidade que me desculpe, mas não tem lógica o Flamengo fazer pré-temporada em Caxias.

Também estamos pensando em premiar a Série B.

Deixar que os clubes que estiverem na B disputem a Sul-Americana, competição que não interessa aos da Série A.

Tem mais mudança?

Podemos discutir se será mantida a fórmula de pontos corridos.

Há muita divisão, interesses.

A televisão defende as finais.

Os clubes estão divididos.

Em relação ao calendário, eu sou favorável à adequação aos europeus.

Mas sei que a televisão não quer.

Vamos dialogar, vamos tentar fazer o quer melhor para o futebol brasileiro.

Precisamos mudar para não morrer.

E você foi até ao Congresso da Fifa. Haverá algo novo?

Sim. E vai atingir muita gente.

As tranferências internacionais online.

Ou seja: o vendedor e o comprador negociarão online.

A Fifa terá acesso às transações.

Irá acabar a sacanagem de vender um jogador por dez milhões de euros e dizer que foram seis milhões.

E a Fifa também quer acabar com a imagem do agente Fifa.

O próprio jogador vai negociar seus direitos com o clube.

Muita coisa está para mudar...

“Chegava bêbado para treinar na Inter. Estava deprimido. Sofri. Mas sobrevivi”

obama cerveja 450 Chegava bêbado para treinar na Inter. Estava deprimido. Sofri. Mas sobrevivi

Casa nova.

Adriano. Parte 1.

A fragilidade por trás dos músculos.

A prova do que a tristeza pôde causar na vida de um dos melhores jogadores do mundo.

Na entrevista exclusiva ao blog, ele abriu o coração e contou, sem meias palavras, tudo que viveu.

Foi um depoimento duro, sincero.

No Rio de Janeiro, na Gávea, no clube que tanto ama, Adriano não teve vergonha de ser Adriano.

E jura que nunca esteve mais forte na vida.

Desceu ao inferno e voltou.

Você sabe o que significa ao futebol brasileiro?

Você não tinha o direito de fazer tudo o que vez com você mesmo...

Não concordo.

Precisava passar pelo que passei para ser quem sou hoje.

Eu tenho plena noção do que represento.

Era um ídolo.

Eu mostrei o que é superação, de volta por cima.

As crianças, as pessoas olham para sim e me vêem como um exemplo.

Como assim?

Eu fiz muita coisa errada e consegui superar.

Se eu pude, as outras pessoas também podem.

Vou contar o que eu enfrentei.

Eu enfrentei uma depressão que foi de 2005 até 2009.

Só eu sei o quanto sofri.

A morte do meu pai deixou um buraco enorme na minha vida.

Ele morreu em agosto de 2004.

Foi a pessoa que me fez quem eu sou.

Devo tudo a ele e a minha família.

Eu acabei ficando muito sozinho, me isolando quando ele morreu.

Foi a pior coisa.

Me vi sozinho, triste, deprimido na Itália.

Foi quando surgiu o problema de alcoolismo?

Foi.

E vou ser bem sincero para você entender o que vivi.

Eu passei a beber, só me sentia feliz bebendo.

Eram festas todas as noites.

E bebia o que passava pela frente: vinho, uísque, vodca, cerveja... muita cerveja.

A situação ficou fora de controle.

Eu só conseguia dormir bebendo.

Acordava e não sabia nem onde estava.

Eu era jogador de um dos maiores times do mundo.

Comecei a ter problemas com o treinador, o Mancini, com os companheiros.

Eles perceberam?

Não tinha como não perceber.

Eu chegava bêbado para os treinos da manhã.

Com medo de perder a hora dormindo, eu ia bêbado mesmo.

Isso aconteceu várias vezes.

Eu ia dormir no departamento médico e diziam para a imprensa que eu estava com dores musculares.

A direção da Inter foi sensacional comigo, tentou me ajudar de todos os jeitos.

Eu passei a me dar mal com o Mancini, o técnico.

A situção ficou insuportável.

Eu não parava de beber, tive de sair da Inter.

O São Paulo me ajudou muito a consertar a minha vida.

Como assim?

Olha, a ideia de vir para o São Paulo por empréstimo foi do meu empresário, Gilmar Rinaldi.

Quando eu cheguei havia um esquema preparado para a minha recuperação.

Me deram psicólogo, carinho, acompanhamento 24 horas.

Eles se propuseram a salvar a minha carreira.

Tive várias conversas com os dirigentes, com o Muricy.

Conversas de apoio e até conversas duras.

Eu fui percebendo o mal que estava fazendo para mim.

A carreira estava indo indo embora.

E passei a perceber o quanto estava mal cercado de amigos.

Amigos que só me levavam para as farras, mulheres, bebidas

Não eram meus amigos, eram pessoas que queriam usufrir do que eu poderia proporcionar.

Foi a direção do São Paulo que me abriu os olhos.

Sinto que poderia ter retribuído mais ao São Paulo.

Deveria ter feito mais por tudo que fizeram para mim.

Por que você voltou para a Inter de Milão?

Porque o Mourinho assumiu e o Mancini tinha ido embora.

Só que quando me vi novamente na Itália, me senti sozinho, sem o apoio que precisava.

Voltei a beber.

Lembrando hoje, fico até com pena do Mourinho.

Ele queria demais me ajudar, ficou brigando com a diretoria, que queria me mandar embora.

O fundo do poço foi quando eu tinha voltado para o Brasil, parado de treinar e bebido muito.

A Inter mandou o preparador físico ao Rio para me ver.

Eu estava um boi de tão gordo, de tão inchado.

Quando vi a cara do preparador físico me olhando, eu senti: cheguei no fundo.

Decidi encerrar o meu contrato com a Inter.

Não queria voltar para lá.

Não tinha forças para superar.

Se tivesse voltado seria o fim da minha carreira.

Mas você tinha mais um ano e meio de contrato.

Era um dos jogadores mais bem pagos do mundo.

Muita gente diz que você foi louco e rasgou dinheiro.

Eu vou ser bem sincero com você.

Eu não rasguei dinheiro.

O que eu fiz foi comprar a minha felicidade.

Não tem milhões de euros que compense eu ter voltado para o Brasil.

Foi nessa época que o Gilmar Rinaldi quis te internar?

Sim. Essa história eu agora posso falar que foi verdadeira.

Ele queria de todo o jeito me internar para acabar com meu problema com o alcool.

Ele e o meu assessor, o Flávio Pinto, cuidaram de mim como puderam.

Mas eu me recusei.

Sabia que a cura para o alcoolismo estava em mim, na minha infelicidade.

Voltei ao Brasil, à comunidade, à favela da Vila Cruzeiro, onde cresci.

E me vi forte, confiante, cercado da minha família e dos meus verdadeiros amigos.

Isso me fez voltar a ser eu mesmo e sair da depressão.

O que você fez quando sumiu na favela da Vila Cruzeiro.

Até hoje é um mistério...

Eu fui ser o Adriano de verdade.

O que gosta de andar só de bermuda, com os pés no chão.

Fiquei conversando, brincando com meus amigos, convivendo com a minha família.

Falaram até que eu estava morto.

Eu tenho raiva dessa parte irresponsável da imprensa que fica espalhando mentiras por aí.

Essa gente irresponsável que se esquece que o jogador tem família, mãe, avó.

Minha mãe, minha vó ficaram apavoradas quando ouviram isso.

Mas você ficou convivendo com traficantes?

Olha, eu vou ser direto com você.

Eu tenho amigos na comunidade que são traficantes, trabalhadores, policiais.

Para mim, dá no mesmo.

Se são meus amigos, eu vou dar a mão, conversar, brincar.

Não vou virar as costas porque seguiram pelo lado que acho errado na vida.

Mas não é por isso que vou ficar cheirando cocaína, como muita gente acha.

Sou um jogador profissional e não uso e quero saber de drogas.

Você não usou cocaína nesta crise que teve?

Não. E não tenho porque mentir.

Hoje estou bem.

Poderia falar que usei e hoje me recuperei.

Mas não usei.

O meu problema era com o álcool.

Eu não me controlava.

Fui forte e superei.

Não sou hipócrita, na minha folga bebo uma cerveja, um vinho, como todo jogador faz.

Bebo uma cerveja e acabou.

No dia seguinte estou treinando, correndo até mais forte.

Sei o que é a minha carreira e dei valor para ela como nunca.

A religião o ajudou a se fortalecer?

Sim. Minha avó é evangélica.

Ela me levou para várias missas.

Ouvi, prestei atenção no que ouvi nas missas.

Me senti mais em paz, fortalecido.

Não me converti, mas gosto da paz que a religão me traz.

Qual conselho você daria a um jogador que fica deprimido e mergulha no alcoolismo?

Primeiro que confesse a ele mesmo que tem um problema.

Você só sara quando assume para você o problema.

Não para os outros, para você, que é muito mais duro.

E depois peça ajuda.

Até médica se for preciso.

Não tenha vergonha.

Eu não me internei, mas tive ajuda para superar a minha depressão e o alcoolismo.

Como é ser Adriano?

Não é fácil. Ser observado, ser cobrado todos os dias.

São vários convites, várias armadilhas.

Você precisa ter uma estrutura psicológica muito forte.

E graças a Deus, agora eu estou forte o suficiente para ser Adriano.

“Eu e Ronaldo estaremos na Copa da África”

gordo magro 400 Eu e Ronaldo estaremos na Copa da África

Segunda parte da entrevista exclusiva.

Depois do sofrimento com o alcoolismo, Adriano fala de futebol.

Da volta ao Flamengo, do sonho da Copa do Mundo.

E faz duas revelações muito importantes.

“Eu e o Ronaldo temos lugares na Copa da África.

Vamos juntos. Tenho certeza.”

Confiante, faz a avaliação que irá atiçar empresários.

E a direção do Milan.

“Eu me recuperei.

Tenho cabeça para depois da Copa do Mundo voltar para a Europa.

Não vendi minha casa em Milão.

Falo italiano, gosto de lá.

Voltar a jogar na Itália de novo é uma grande possibilidade.”

O que o Flamengo lhe trouxe de bom na sua recuperação?

Tudo. Sou tratado como um filho por muita gente.

Eu precisava me sentir em casa.

Esse é o clube do meu coração.

O amor, o prazer que sinto em estar no Rio e no Flamengo não têm preço.

Estou no lugar certo agora.

Minha carreira está recuperada.

Voltei a ter o gosto de ser artilheiro da equipe, do Brasileiro.

Fiz a escolha certa.

Você e o Ronaldo são os maiores ídolos do Brasil.

Só que você está no Rio, cercado de clubes com problemas.

O Fluminense está em último. O Botafogo também na zona do rebaixamento.

O Vasco na Série B. Como você explica?

Os clubes do Rio precisam se reestruturar.

Os times do Fluminense e do Botafogo não são ruins.

Só que o atraso no pagamento atrapalha demais, deixa o ambiente pesado, tenso.

Vejo a necessidade de os clubes se modernizarem, se estruturarem.

Eu fico incomodado com a situação dos outros clubes cariocas.

É ruim demais para todos aqui no Rio.

As coisas no Flamengo agora se acertaram.

Os salários estão em dia.

Ainda bem.

Você acha que irá disputar a Copa da África?

Tenho certeza que sim.

Tive uma conversa muito séria com o Dunga.

Percebi que só dependerá de mim.

Da minha responsabilidade com a minha profissão.

Não posso mais errar. E não vou errar.

Estou focado como nunca estive na minha carreira.

Trabalho duro pelo Flamengo, sabendo que o trabalho pode me levar à Seleção.

Quero e vou disputar a Copa do Mundo.

Sei que será a minha última, terei 28 anos.

Quero me recuperar de tudo o que não fiz na Copa de 2006.

2010 será a minha Copa do Mundo.

Por que você foi tão mal em 2006?

Fui porque estava no meio do processo de depressão.

Estava muito mal fisicamente.

Sei que dependo do físico para jogar.

Estava pesado, lento.

Infelizmente estava mal, mas não porque queria.

Estava no meio do processo da minha relação com o álcool.

As farras na folga durante a Copa não ajudaram a piorar tudo?

Você e os outros jogadores do Brasil não poderiam se segurar por um mês?

Pioraram, lógico. Mas na hora, não percebia.

Olha, esse é um bom assunto que eu gostaria de tocar.

A gente ia para as festas até a madrugada porque tinha liberdade para isso.

O limite tem de partir da direção da Seleção e não dos jogadores.

Nós fizemos o que tínhamos permissão para fazer.

Se na Copa de 2010 não puder sair nas folgas, tudo bem.

Mas a ordem tem de sair da direção da Seleção.

Não dos jogadores.

Ninguém foi vilão,saiu escondido ou pulou o portão em 2006.

Éramos liberados.

Quero que isso fique bem claro.

O Ronaldo tem alguma chance de ir para a Copa?

Eu e o Ronaldo vamos para a Copa.

Eu tenho certeza.

Ele tem muito talento e está bem demais no Corinthians.

Sinto o esforço que está fazendo para ir para o último Mundial dele.

Sou amigo dele e sei o que ele é como jogador.

Nós dois estaremos lá.

Ainda temos espaço para isso.

Será um sonho realizado.

A oportunidade para deixarmos para trás o que aconteceu em 2006.

Você já tem cabeça para voltar para a Europa?

Eu me recuperei.

Tenho cabeça para depois da Copa do Mundo voltar para a Europa.

Não vendi a minha casa em Milão.

Falo italiano, gosto de lá.

Voltar a jogar na Itália é uma grande possibilidade.

Até porque não existe a bobagem que andaram espalhando em relação à Máfia.

Eu posso voltar a jogar na Itália quando eu quiser.

Disseram que a Máfia não me queria lá.

Pura bogagem de certo tipo de imprensa que detesto.

Qual tipo?

A que vive da vida alheia.

Eu deixei de ir ao aniversário do Ronaldo para não dar margem.

Se eu tomasse uma taça de champanhe, já escreveriam que eu estava bêbado.

Há muita gente mentirosa nesse tipo de imprensa que vive de fofoca.

E isso está no Brasil inteiro, infelizmente.

Quem é conhecido não pode sair em paz.

Por isso tenho evitado sair.

Tenho levado os meus pouquíssimos amigos que tenho agora para a minha casa.

Levo os amigos mesmo.

Os da comunidade da Vila Cruzeiro, com quem cresci.

E ficamos conversando, comendo, rindo, bebendo cerveja.

Me sinto feliz de verdade.

Você fará algo pela Vila Cruzeiro quando parar de jogar?

Sim. Eu vou criar uma fundação, algo assim.

Gosto do projeto do Raí e do Leonardo, o Gol de Letra.

Me sinto na obrigação de retribuir o que recebi para a comunidade.

Lá é um lugar carente e que precisa de ajuda.

Há muita gente boa que tudo o que necessita é uma chance, uma oportunidade na vida.

Você já superou a morte do seu pai?

A dor, a ausência vai diminuindo com o tempo.

Mas sempre estará lá.

Me acalma ver o meu irmão caçula estar menos revoltado.

Sei que meu pai está em um bom lugar.

E o melhor é que sinto como se ele estivesse comigo, perto de mim.

A nossa ligação sempre será forte demais...

“Se eu continuar a ganhar, a Seleção vai chegar”

bruce 450 Se eu continuar a ganhar, a Seleção vai chegar

Muricy Ramalho.

Tricampeão brasileiro.

Líder do campeonato nacional de 2009.

Entrevista exclusiva ao blog.

Em conversa franca, o treinador do Palmeiras deixa escapar uma convicção.

Não será um novo Rubens Minelli.

Bem explicado.

Ele adora e considera Minelli um dos melhores técnicos que passaram pelo Brasil.

Muricy acredita que não será tão injustiçado quanto Minelli na Seleção.

E mostra que agora tem condições de avaliar com consciência o que é trocar o São Paulo pelo Palmeiras.

Passou a dor de ter sido demitido do São Paulo?

Olha, não teve dor na demissão.

Eu sabia que tinha gente trabalhando, pedindo a minha demissão há muito tempo.

Pediam porque eram pessoas que não gostavam de mim e eu não gostava delas.

Eu gosto de pessoas que trabalhem e não fiquem no clube fazendo intrigas, fofocas.

Fiquei três anos e meio no São Paulo.

Conquistei três brasileiros, valorizei muitos jogadores e recusei inúmeras propostas para ganhar mais que o dobro.

Cumpri a minha missão.

Não tem dor. Vida de técnico é assim mesmo.

Muricy eu sei que você saiu do São Paulo com salários atrasados.

Só não falou publicamente por lealdade ao clube.

Foi uma coisa de momento, que aconteceu.

Não teve problema, depois me pagaram.

Eu não falei porque sou leal mesmo.

Não me afetou em nada.

Naquela hora se eu falasse só iria criar um problema desnecessário.

Sou muito leal ao clube pelo qual trabalho.

E tenho muito respeito ao Juvenal Juvêncio.

Esse sim sempre trabalhou a favor do São Paulo.

E me segurou o quanto pôde.

Foi preciso ter coragem aceitar trabalhar no rival Palmeiras?

Foi sim.

Eu fiquei muito preocupado pela maneira com que seria recebido.

Tinha ficado muito tempo no São Paulo.

Mas os dirigentes entenderam o meu jeito de trabalhar.

E a torcida também me aceitou logo de cara.

Foi ótimo.

Eu tinha preocupação em relação ao que iria encontrar depois que aceitei o Palmeiras.

Foi melhor do que havia imaginado.

Lá todos os dirigentes trabalham pelo clube.

Não estão preocupados em aparecer como, infelizmente, há gente no São Paulo.

É minoria, mas há pessoas assim no Morumbi.

Sorte que eles têm um grande presidente, o Juvenal.

O São Paulo é um clube elitista e o Palmeiras, mais passional, graças ao sangue italiano?

Vou deixar bem claro para ser bem entendido.

Nenhum clube é melhor do que o outro.

Eles são diferentes entre si.

E o que você colocou tem muito a ver.

O São Paulo é mais elitista mesmo e o Palmeiras mais passional, mais ‘italianão’.

E você teve de se dobrar à Traffic?

Não tem essa história de se dobrar.

Fui uma só vez à Traffic.

E eles foram claros: contratam jogadores jovens para que se valorizem no Palmeiras, são investidores.

Não tenho o que reclamar.

Pelo contrário, até.

Só agradecer pelo esforço que fizeram.

O Diego Souza e o Cleiton Xavier tinham propostas da Europa.

A Traffic não quis vendê-los no meio do ano.

O que foi ótimo para o time.

Por que o Palmeiras está fazendo tanto sucesso?

Qual a sua participação?

Porque tem um elenco qualificado.

Não está pronto: ainda é muito jovem, mas talento há de sobra.

Estamos conseguindo fazer uma ótima campanha por causa da qualidade do time.

O que estou fazendo é trabalhar todos os dias para o time se aprimorar.

Tive várias conversas com o Diego Souza.

Mostrei para ele que melhoraria se pensasse só em jogar futebol.

Não precisa dar uma de machão quando é provocado.

Basta jogar bola, ter o sangue mais frio.

Tomar cartão só prejudica a ele e ao time.

O Diego se controlou e logo vieram as convocações para a Seleção.

O nível dos jogadores do Palmeiras é muito bom.

Como você vê a chance de ser tetracampeão brasileiro seguido?

Te dá orgulho?

Muito. Porque este campeonato é difícil demais.

É longo. Exige planejamento, envolvimento do técnico e dos jogadores.

Ser tricampeão já é uma façanha.

Agora ter a chance do tetra é algo surpreendente.

Sinceramente, isso me dá até mais motivação que já tenho para trabalhar.

Pelo elenco do Palmeiras posso ficar animado, esperançoso.

Mas o segredo é trabalhar todos os dias.

Buscar jogo a jogo, ganhar as várias decisões que teremos até o jogo final.

Estou feliz demais com a vitória contra o Cruzeiro em pleno Mineirão.

O segredo para ganhar o Brasileiro é se manter na liderança o maior tempo possível, até a rodada decisiva.

O bom astral da liderança carrega o time.

Você é tão bom no Brasileiro.

Por que vai tão mal na Libertadores, nunca venceu uma...

Olha, eu não tenho nenhuma dificuldade em dizer o porquê.

A Libertadores não passa de uma grande loteria.

Não dá para fazer um planejamento mais profundo.

Com tantas partidas eliminatórias seguidas há sempre o risco.

Basta um frango do goleiro, uma expulsão, um erro do zagueiro, um pênalti na trave e acabou o planejamento.

Por isso times estranhos como a LDU, o Once Caldas são campeões.

E também repare que não há campeões seguidos.

Porque o torneio é uma grande loteria.

Talvez eu tenha a sorte de ganhar.

Mas não vou ficar frustrado se não vencer.

Você aceitaria trabalhar no Rio?

Hoje eu diria não.

Há clubes de muita tradição, torcida.

Mas eu tive uma longa conversa com o Celso de Barros, presidente da patrocinadora do Fluminense.

Ele me perguntou se eu gostaria de trabalhar no seu clube.

Eu disse que não.

Porque não há infraestrutura para um trabalho sério, forte.

O jogador precisa treinar de manhã, comer, descansar e voltar a treinar pela tarde no clube.

Não há nenhum clube carioca que siga essa rotina.

Tudo ainda é muito improvisado.

O resultado se vê na falta de conquistas.

Os clubes cariocas precisam se reciclar o mais rápido possível.

E a Seleção Brasileira?

O quadro está ficando mais claro.

Treinadores importantes perderam espaço.

Eu não tenho loucura para dirigir a Seleção.

Não vou morrer se nunca for o treinador.

Mas se eu continuar a trabalhar bem e ganhar títulos como estou fazendo, não vai ter jeito.

Terei a minha chance.

Hoje o treinador do Brasil é gaúcho, o Dunga.

O preparador físico é gaúcho, o Paulo Paixão.

Acabou o que aconteceu com o Minelli.

Não há mais o bairrismo, a CBF não coloca só cariocas comandando a Seleção.

Penso em Seleção, mas não agora, que o Dunga está ótimo e vai com todo direito à Copa.

Penso que no futuro terei minha chance.

É capaz de assumir uma campanha para trabalhar na Seleção?

De jeito nenhum.

Eu não sou marqueteiro.

Não sou de usar a imprensa para nada.

Não sei e não gosto dos holofotes.

Quando vou a um programa de televisão, só volto no ano seguinte.

Não sou lobista para nada,

Se as coisas tiverem de acontecer, ótimo.

Não vou pedir o lugar de ninguém.

Não sou como uns treinadores que ficam cobiçando, se oferecendo para trabalhar no lugar do outro.

E sou diferente.

Tenho caráter.

Você é um treinador do Palmeiras com coração de são-paulino?

Não.

Não sou são-paulino.

O tempo me ensinou que não há sentido torcer por uma equipe.

Eu torço para as pessoas que eu gosto.

Torço para os amigos.

Quero ver meus amigos felizes.

E pelo clube em que estou, tento fazer o que sei fazer de melhor: trabalhar.

O Palmeiras será campeão brasileiro?

Se será campeão, eu não sei.

Só tenho certeza, pode escrever aí.

Ninguém vai trabalhar mais do que nós por esse título.

Ninguém...

“Fiz com o Corinthians o que o Ronaldo fez com o Flamengo”

beyonce marta Fiz com o Corinthians o que o Ronaldo fez com o Flamengo

Marta.

23 anos.

A melhor jogadora de futebol mundial.

Nos últimos três anos, venceu a concorrida eleição da Fifa.

Contrato invejável para vestir a camisa que foi de Pelé por três meses.

R$ 150 mil mensais.

Mais bônus se o time vencer a Libertadores e a Copa do Brasil.

Apartamento e carro de luxo para utilizar enquanto estiver em Santos.

Muito mais do que jogar, a alagoana de Dois Rios se sente em uma missão.

Marta quer dar credibilidade a um esporte que o brasileiro ainda rejeita: esse tal futebol feminino.

Quanto o machismo no Brasil atrapalha?

A impressão que fica é que muita gente não leva a sério mulher correndo atrás de bola...

O machismo do brasileiro atrapalha sim.

Ele diminuiu, mas continua. Não dá para disfarçar.

Só que quando eu comecei era muito pior.

Era xingada de tudo quanto é nome por ter a coragem de jogar futebol no meio dos meninos.

E como conseguir ir bem, era ainda mais xingada.

A situação ainda não é boa para as meninas aqui no Brasil.

Mas melhorou muito.

Eu quero fazer a minha parte e ajudar como puder.

Se somos valorizadas lá fora, temos de ser aqui, no nosso País.

Você tem coragem de usar a sua representatividade para pressionar a CBF?

A CBF é que precisa organizar campeonatos decentes para as mulheres.

Os torneios acontecem de forma inconstante e clandestina...

Depois da Olimpíada da China, nós da Seleção Brasileira tivemos uma promessa da CBF.

O presidente Ricardo Teixeira disse que iria criar uma competição nacional séria.

E fez a Copa do Brasil.

A CBF tem de fazer a parte dela, mas sinto que tudo está dentro de um contexto.

Os clubes precisam ser fortes.

Aqui no Brasil eles teriam de estar associados aos times populares, de massa, de torcida.

Já jogo no Santos, há o Corinthians. Mas ainda é muito pouco.

Para levar as torcidas ao estádio para ver as meninas jogando só com camisa forte.

Isso faria com que o investimento fosse mais forte e seguraria as atletas de elite aqui.

Há muita diferença no que nos oferecem no Exterior e o que nos é dado aqui.

Se fosse próximo, tenho certeza que eu e as outras meninas jogaríamos no Brasil.

(O Santos que é o clube que melhor paga no País, gasta cerca de R$ 2 mil com as suas jogadoras.

Com exceção das atletas da Seleção Brasileira que contratou para a Libertadores.)

Você não ‘traiu’ o Corinthians?

Foi para lá no ano passado, ganhou camisa, a diretoria lhe fez juras de amor.

E veio jogar no Santos?

Olha, eu acho que pode me comparar ao Ronaldo.

Ele também é apaixonado pelo Flamengo, esteve lá e foi jogar no Corinthians.

Falando bem sério agora, já que os dois clubes merecem respeito, eu fui profissional.

Todo mundo sabe que eu adoro o Corinthians, sou torcedora mesmo, mas tudo parou aí.

Quem me fez proposta foi o Santos.

Quem me apresentou um plano de trabalho foi o Santos.

E eu aceitei.

Vou jogar com todas as minhas forças e satisfeita demais pelo Santos.

Do Corinthians eu serei torcedora sempre, mas não posso confundir torcida com meu trabalho.

Não houve traição alguma.

Você é uma pessoa que sofre muito nas derrotas da Seleção Brasileira.

Nas derrotas nas duas últimas Olimpíadas chorou como se carregasse o mundo nas costas...

Eu sei o que muita gente confia e espera muito de mim.

Me dói quando as coisas não dão certo, como quando o Brasil perdeu.

Sou assim, uma pessoa muito emotiva. Nas vitórias e nas derrotas.

Quando a Seleção perde, me dói muito.

Sei o quanto faria bem ao Brasil ser campeão olímpico, mundial, de tudo.

 Então eu choro, xingo, desabafo.

 Sou assim e não vou mudar.

Na última Olimpíada o Brasil inteiro viu sua mãe sofrendo demais com a derrota.

Sua família é simples, do interior de Alagoas, não é melhor protegê-la de tanta exposição?

Olha, eu vi as imagens, fiquei triste de vê-la daquele jeito.

Toda derrota tem um peso enorme para ela.

Eu sei o amor que ela tem por mim e o quanto torce para tudo dar certo.

Gostaria que ela se protegesse mais, fosse mais reservada.

Mas quem consegue a convencer de não abrir a porta para a imprensa?

Ela é uma guerreira.

Se separou do meu pai quando nós éramos pequenos.

Ficou com quatro crianças para criar.

E eu entendo o orgulho me vendo jogar pelo Brasil.

Então por mais que ela sofra, ninguém vai falar para ela não assistir com os jornalistas a filha dela jogando.

Em poucas competições do mundo há um favoritismo tão grande para um clube.

A Conmebol criou a Libertadores feminina a pedido do presidente do Santos.

E Marcelo Teixeira montou a base da Seleção Brasileira e te contratou.

A decisão será na Vila Belmiro.

O Santos tem a obrigação de ganhar...

Futebol não é assim.

Falar antes é bobagem.

Não conheço o nível técnico dos nossos adversários.

Temos mesmo uma grande equipe, mas não sou de desprezar ninguém.

Não existe essa história de ganhar de todo mundo por 10 a 0, dar show, humilhar.

Fora de campo, com o nome, ninguém nunca foi campeão de nada.

Eu faço tudo para ganhar, dou sangue, corro, luto.

O Santos vai lutar muito para ser campeão da Libertadores.

E só ganharmos, será mérito do time, do técnico, da nossa torcida.

Eu não não faço nada sozinha.

Como é ser a melhor jogadora do mundo?

Se sente como o Romário que diz que Deus o apontou e lhe disse que seria o ‘cara’?

Olha...

Eu sinto uma prazer muito grande por ser vista como uma pessoa especial.

Qualquer um que é considerado o melhor no que faz tem muito orgulho.

Ainda mais eu.

Só eu sei de onde saí, das dificuldades que enfrentei para jogar futebol de alto nível na Europa, nos Estados Unidos, no Brasil.

Não foi fácil.

Quando olho para trás vejo e vejo pelo que passei, sinto que sou uma pessoa privilegiada.

Sou protegida por Deus, mas que batalhei muito para chegar onde estou.

Me sinto uma vencedora, já que nada veio de graça.

E eu tenho a quem puxar: sendo filha da minha mãe tinha de ser uma guerreira...