Palmeiras e Santos foram a decepção esperada no Ibope. Diante do fracasso dos 21 pontos, a certeza. A Globo continuará priorizando os jogos do Corinthians. Mostrará a final na Vila Belmiro porque será obrigada…

1reproducao40 Palmeiras e Santos foram a decepção esperada no Ibope. Diante do fracasso dos 21 pontos, a certeza. A Globo continuará priorizando os jogos do Corinthians. Mostrará a final na Vila Belmiro porque será obrigada...
Como os executivos globais haviam previsto, a final entre Palmeiras e Santos foi um fracasso em termos de audiência. Acertaram em cheio. Apenas 21 pontos. A decepção esperada. O que só consolidou a decisão de afastar cada vez mais essas duas equipes de sua grade de programação. E privilegiar Corinthians e São Paulo, como já estão fazendo nos últimos anos.

As partidas entre os corintianos e são paulinos na primeira fase de Libertadores marcaram 33 e 32 pontos no Ibope, respectivamente. Ficou evidenciado que não há mesmo motivo para insistir. O Santos sem Neymar não atrai. E os palmeirenses ficaram traumatizados pelos dois rebaixamentos em dez anos. A fórmula do ano passado será repetida até o final da temporada, em dezembro.

Em 2014, a Rede Globo transmitiu 33 jogos do Corinthians.O São Paulo apareceu 29 vezes. O Santos teve 14 transmissões e o Palmeiras apenas 13. Muitos dos jogos mostrados de santistas e palmeirenses foram clássicos. Neste ano, os corintianos já tiveram 16 partidas transmitidas. O São Paulo, 14. Com o confronto de ontem, os dois 'derrubadores de Ibope', somaram apenas sete jogos mostrados, cinco dos palmeirenses e dois dos santistas.

As cúpulas dos finalistas estão revoltadas. Mas perderam argumento com a baixa audiência de ontem. Santos e Ituano no ano passado ficou em 14,6 pontos. Em 2013, Corinthians e Santos chegou a 34 pontos. Já em 2012, Santos e Guarani ficaram em 18 pontos. Em 2011, Corinthians e Santos, novamente, atingiram 30 pontos. Em 2010, Santos e Santo André foram 29 pontos. Em 2009, Santos e Corinthians chegaram aos 35 pontos.

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Ou seja, o foco no Corinthians como o clube de maior audiência em São Paulo continuará. O São Paulo seguirá como segunda opção.

É simples de entender a revolta de Modesto Roma Júnior e Paulo Nobre. Quanto mais jogos transmitidos, mais os patrocinadores são mostrados, maior o número de novos torcedores, mais a equipe é conhecida no Exterior. É uma bola de neve que representa muito dinheiro a mais.

Esta maior audiência que os corintianos conseguem atrair é o motivo pelo qual a Globo paga mais ao time de Parque São Jorge. Torcedores santistas protestam nas arquibancadas. Palmeirenses insistem em boicote à emissora carioca nas redes sociais. Mas a verdade é essas reclamações não afetam, não mudarão a postura de quem detém o monopólio das imagens do futebol brasileiro.

Como os executivos globais haviam dito e foi revelado no blog, havia a certeza de que Palmeira e Santos não mobilizaria um grande público. O domingo sempre foi o 'dia nobre' do futebol na Globo. É quando a família está reunida. Não há a desculpa da partida terminando mais de meia-noite, como as de quarta-feira, que a emissora exige que aconteçam às 22 horas.

As chamadas para a decisão do Paulista têm sido tímidas, poucas. O ar de desolação é perceptível até na cobertura dos dois times durante a semana. Não há entusiasmo, links extraordinários. Como o que o Sportv, tevê a cabo da Globo fez em relação a São Paulo e Corinthains, pela Libertadores. Foram 16 horas diretas sobre o confronto da última quarta-feira.

Nada disso acontecerá em relação a Santos e Palmeiras. Tudo será muito menor.

Os patrocinadores pagam R$ 1,3 bilhão pelo futebol da TV Globo. O foco principal é São Paulo, cidade mais rica da América Latina. E os números comprovam o que as revoltadas torcidas de Palmeiras e Santos não querem aceitar. Seus times são 'derrubadores de Ibope', diante do Corinthians.

Há dez anos os números da audiência do futebol na Globo não param de despencar. São cerca de 28%. A esperança era que uma vitória na Copa do Mundo mudasse esse quadro. O fracasso do ano passado só piorou ainda mais o que se mostrava ruim.

Por isso, a cúpula da Globo vai seguir apostando no que há certeza de retorno. No futebol para São Paulo, o Corinthians. Transmite obrigada Santos e Palmeiras, domingo. Ela quer mostrar o que dá audiência...
 Palmeiras e Santos foram a decepção esperada no Ibope. Diante do fracasso dos 21 pontos, a certeza. A Globo continuará priorizando os jogos do Corinthians. Mostrará a final na Vila Belmiro porque será obrigada...

A guerra entre Santos e Palmeiras pelo julgamento de Valdivia. Cabe a Reinaldo Carneiro Bastos fazer com que o meia seja julgado antes da final de domingo. E manter a credibilidade do campeonato…

 A guerra entre Santos e Palmeiras pelo julgamento de Valdivia. Cabe a Reinaldo Carneiro Bastos fazer com que o meia seja julgado antes da final de domingo. E manter a credibilidade do campeonato...
Conselheiros santistas acreditam que chegou o primeiro teste para Modesto Roma Júnior. O presidente do Santos terá de mostrar sua força nos bastidores. E exigir do novo presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, justiça. Ou seja o julgamento de Valdivia ainda nesta semana, antes do confronto decisivo do Campeonato Paulista, domingo na Vila Belmiro.

O palmeirense, que não jogou, ficou na entrada dos vestiários esperando o árbitro Vinicius Furlan passar após a partida. E ofendeu o juiz. "Uma vergonha essa arbitragem, uma vergonha, arbitragem de ladrão", foram as palavras que Furlan colocou no seu relatório.

Fosse na Espanha, na Itália, na Inglaterra, o julgamento seria rápido, fulminante. Hoje, segunda-feira, a situação estaria resolvida. Mas no Brasil é diferente. Os conselheiros santistas sabem que os tribunais, não só esportivos, se apressam ou são vagarosos de acordo com os casos. Depende da pressão.

Reinaldo Carneiro Bastos tem a obrigação moral de fazer o Tribunal de Justiça Desportiva julgar Valdivia até quinta-feira. Na sexta-feira, dia 1º de maio, dia do trabalho, não haverá expediente no TJD. Ou seja, há quatro dias para tudo ser resolvido.

É uma questão de terminar ou não o Campeonato Paulista com credibilidade. O artigo 58-B do Código Brasileiro de Justiça Desportiva é claro. Prevê multa de até R$ 100 mil e suspensão de uma a seis partidas para o jogador que ofender moralmente o árbitro. Vinicius Furlan foi chamado de ladrão. Além do mais, o Palmeiras deve ser processado. Um jogador que não participou da partida teve acesso ao juiz.

Em todo lugar civilizado, a situação estaria resolvida. Reinaldo Carneiro Bastos quer se firmar como presidente da FPF. Tanto que sua primeira atitude ao substituir seu mentor, Marco Polo del Nero, foi avisar que haverá festa de comemoração da final do Campeonato Paulista.

Só que a situação não é nada festiva. Contra a pressão santista, haverá a palmeirense. O departamento jurídico do clube sabe o que aconteceu. E foi avisado que precisa fazer tudo o que for possível para que o meia atue no domingo. O presidente Paulo Nobre também assumiu a missão de tentar usar seu prestígio para que o julgamento não aconteça até a decisão do torneio.

É uma situação que não deveria nem estar acontecendo. Valdivia é um ídolo de milhões de crianças e adolescentes. Seu exemplo foi péssimo. Ele cometeu um ato que merece punição. Pesquisas mostram que o cidadão brasileiro não acredita que as leis são para todos. Ou seja, os ricos e os poderosos estão acima da punição.

2reproducao11 A guerra entre Santos e Palmeiras pelo julgamento de Valdivia. Cabe a Reinaldo Carneiro Bastos fazer com que o meia seja julgado antes da final de domingo. E manter a credibilidade do campeonato...

Um jogador de 31 anos não participa da partida, contundido. Sabe o quanto o clube acredita e precisa de sua presença em campo no último jogo, na decisão do Campeonato Paulista. Que já recebeu mais de R$ 20 milhões em salários nos últimos cinco anos. Mesmo assim não jogou nem metade das partidas representando seu pagador.

Não se importa nem com o único defensor que tem no Palestra Itália, Paulo Nobre. Não. Valdivia fez questão de chegar perto de Furlan e compará-lo a um ladrão. Sabia muito bem o que estava fazendo. O quanto seu rosto é conhecido. Tinha a certeza de que se expunha a uma justa punição. Mas não conteve o ego.

Em março do ano passado, o volante Francesco do Bragantino fez questão de falar aos jornalistas sobre o comportamento do meia chileno em campo.

"Ele xinga a arbitragem, os auxiliares e ninguém tem peito para expulsar ele. A Federação tinha de ver isso, ele xinga todo mundo, tinha de ter respeito de todos. Xinga jogadores, manda o árbitro tomar no c... Ele entrou no jogo dando cotovelada, se a gente dá uma cotovelada nele, é expulso. Quero ver quem tem pulso de expulsar ele de campo quando ele dá. A Federação tem de olhar isso", pedia. Ninguém tomou qualquer atitude, lógico.

O relatório público do juiz do jogo de ontem não deixa dúvida. O próximo passo da FPF deveria ser lógico. Denunciar o palmeirense. E julgá-lo antes de sexta-feira. Mas não Brasil a lógica costuram ser retorcida.

Por isso, a pressão dos conselheiros santistas para que Modesto Roma Júnior aja como presidente. E exija que Reinaldo Carneiro apresse o julgamento. Pode parecer chocante para o leigo, mas no futebol, o Executivo domina o Judiciário. Paulo Nobre sabe que precisa evitar que Valdivia possa ficar fora da final. Ele está praticamente recuperado do edema no joelho esquerdo. Estaria pronto para domingo. A certeza que isso ocorra é que não o TJD não julgue o meia.

Há a possibilidade de Valdivia ser julgado, suspenso. E o Palmeiras entrar com efeito suspensivo, o que poderia garantir sua escalação no domingo. Seria ridículo, mas dentro da lei. Indecente será se o julgamento não acontecer, como quer o departamento jurídico palmeirense.

O comportamento de Valdivia outra vez é inaceitável. Sua postura é irresponsável, imatura, condenável. E que merece punição, prevista na lei. Ou agora será liberado para todos os jogadores xingarem os juízes após as partidas de 'ladrão'.

Tudo está nas mãos de Reinaldo Carneiro Bastos. Cabe ao novo presidente da FPF brigar pela credibilidade do maior estadual do país. Reunir o mais rápido possível o Tribunal de Justiça Desportiva e anunciar o julgamento do palmeirense. Ou a maior preocupação de Reinaldo está apenas nos comes e bebes da festa de encerramento do torneio?
1ae31 A guerra entre Santos e Palmeiras pelo julgamento de Valdivia. Cabe a Reinaldo Carneiro Bastos fazer com que o meia seja julgado antes da final de domingo. E manter a credibilidade do campeonato...

O Palmeiras venceu o Santos. Mas desperdiçou pênalti e ficou com o gosto amargo do desperdício. Valdivia aprontou de novo: não jogou, mas xingou o árbitro. E pode ser suspenso. Não jogar a final na Vila Belmiro…

1lancenet O Palmeiras venceu o Santos. Mas desperdiçou pênalti e ficou com o gosto amargo do desperdício. Valdivia aprontou de novo: não jogou, mas xingou o árbitro. E pode ser suspenso. Não jogar a final na Vila Belmiro...
Dudu teve a chance de deixar o Palmeiras muito mais próximo do título paulista. A contratação mais badalado de Alexandre Mattos teve um pênalti à sua disposição. Paulo Ricardo havia segurado Leandro Pereira. O agarrou fora da área e não o largou até a penalidade ser marcada. Foi expulso. O time da casa já vencia por 1 a 0, gol de Leandro Pereira. Os 39.479 torcedores que proporcionaram a arrecadação de R$ 4.181.281,25, e o maior público do novo estádio, estavam com a comemoração preparada. O grito na garganta.

Bastaria Dudu marcar, seu time faria 2 a 0 contra o Santos com dez jogadores. O jogador fez toda a pose possível. Queria aproveitar os holofotes. Correu. Diminuiu a velocidade, deu uns pulinhos antes de bater na bola. E ela subiu. Tocou no travessão e foi embora. O lance foi igualzinho à penalidade que ele desperdiçou contra o Penapolense. Será que ninguém o orientou que precisa bater menos forte na bola? O erro pode custar muito caro ao seu time.

O Palmeiras venceu o jogo apenas por 1 a 0. No jogo final, domingo que vem, o Santos precisa ganhar por dois gols de vantagem para ser campeão. Um gol de vantagem leva a decisão para as penalidades. O pênalti desperdiçado por Dudu tem tudo para fazer muita falta...

"Bate quem treina. Treinei bem durante a semana. Hoje infelizmente a bola subiu. Mas ganhamos o jogo. Está tudo bem", dizia, Dudu, sem a menor convicção. Ele sabia o quanto o gol que poderia ter marcado poderia deixar o Palmeiras muito mais próximo do título. E deixou esperançoso o Santos, já com Robinho.

Antes da bola rolar, o fim das farsas. As Comissões Técnicas de Palmeiras e Santos tiveram de acabar com o teatro barato e tão comum nas decisões. Robinho e Valdivia estavam fora da primeira partida da decisão. Não conseguiram se recuperar de suas contusões. O santista não se recuperou da lesão muscular na coxa esquerda. O palmeirense desta vez perderia um jogo importante graças a um edema no joelho esquerdo.

A partida perderia em ofensividade, em talento. A habilidade de Robinho e a malícia, visão de jogo de Valdivia transformariam a partida em um confronto mais físico, tático do que técnico. Os dois clubes grandes que levaram o Campeonato Paulista mais a sério e, livres da Libertadores, começavam a decidir o título.

O duelo era mais profundo porque colocava lado a lado Oswaldo de Oliveira e Marcelo Fernandes. Os dois há um ano eram trabalhavam juntos, repartiam opiniões, confidências, segredos. Eram treinador e auxiliar na Vila Belmiro. Estava mais do que claro que ambos sabiam o que o outro iriam fazer.

Sem suas estrelas, os dois decidiram optar pela compactação. Tentaram preencher o meio de campo, compactar, não dar espaço para os contragolpes em velocidade, grandes armas dos dois times. Para o Santos era mais danosa a ausência de Robinho do que a falta que Valdivia fazia ao Palmeiras. O clube do bilionário Paulo Nobre tinha mais peças de reposição.

O time da casa tinha a obrigação de vencer a primeira partida. E Oswaldo montou uma equipe que tinha de se desdobrar. Com a bola, o time tinha três atacantes. Dudu e Rafael Marques abertos pelas pontas. E Leandro Pereira, enfiado, como jogador de referência, um antigo centroavante. Lucas e Zé Roberto liberados para buscar a linha de fundo.

Marcelo Fernandes sabia que seu ex-mestre buscaria o sufoco, colocaria seu time na frente, apoiado pela apaixonada torcida. E não quis manter o mesmo esquema. Em vez do veterano atacante Robinho, um meia, Chiquinho. O sonho era travar, conter a empolgação palmeirense. E explorar a onipresença de Lucas Lima na roubada de bola, as arrancadas de Geuvânio e o oportunismo de Ricardo Oliveira. Cicinho e Victor Ferraz tinham de se preocupar em fechar as laterais. E só. Era uma equipe montada para marcar e contragolpear.

Desde os primeiros minutos, ficou evidente que o Santos não iria incomodar tanto o rival. Tanto era verdade que, aos nove minutos, Arouca sentiu forte dores na coxa esquerda e teve de sair. Aos 17 minutos foi embora.

Oswaldo percebeu que poderia ser ousado. Colocou o meia Cleiton Xavier, sem drama de consciência. O Palmeiras passava a ter mais precisão nos passes, mais ofensividade. Renato e Renato ficaram sobrecarregados. Tinham de cuidar de Robinho, Cleiton próximos do trio de atacantes.

A ousadia deu resultado. O volume de jogo do Palmeiras aumentou. E encolheu o Santos em seu campo. A pressão era enorme. O gol era uma questão de justiça. E ela foi feita. Em uma jogada belíssima. Treinada. Cleiton Xavier deu passe para Robinho, ele abriu as pernas e a bola chegou até Lucas, o cruzamento foi perfeito para Leandro Pereira. Livre, chutou com gosto para as redes: Palmeiras 1 a 0, aos 29 minutos.

 O Palmeiras venceu o Santos. Mas desperdiçou pênalti e ficou com o gosto amargo do desperdício. Valdivia aprontou de novo: não jogou, mas xingou o árbitro. E pode ser suspenso. Não jogar a final na Vila Belmiro...

A jogada lembrou demais o gol contra o Botafogo de Ribeirão Preto, o que só demonstra que não nasceu de inspiração. Foi treinada. Mérito de Oswaldo de Oliveira.

Robinho deixou a bola passar por baixo de suas pernas. Ele estava impedido. O gol foi legal porque não atrapalhou jogador algum do Santos. Mas provocou revolta dos santistas.

Marcelo Fernandes percebeu que, de nada adiantaria abrir seu time para buscar o empate. O mais importante seria aprimorar mais ainda a marcação, não sofrer mais gols. Foi uma decisão sábia. O Palmeiras se animou e continuou pressionando, empurrado pela torcida.

O inseguro árbitro Vinícius Furlan teve uma outra decisão difícil e acertada. Aos 43 minutos, Rafael Marques recebeu toque de Dudu de calcanhar. Ao tentar chutar para o gol, o palmeirense recebeu uma entrada dura, mas legal de Geuvânio. O estádio inteiro pediu o pênalti que não existiu.

Oswaldo de Oliveira e Marcelo Fernandes sentiram o cheiro de insegurança de Furlan e invadiram o gramado no intervalo para reclamar. Ambos foram merecidamente expulsos. Os seus auxiliares, Luiz Alberto e Serginho Chulapa comandariam os times. Vantagem para Oswaldo que ficaria atrás do banco de reservas, de pé na arquibancada, muito próximo de Luiz Alberto. Suas ordens eram levadas pelo médico do clube aos ouvidos do auxiliar. Marcelo Fernandes ficou no vestiário vendo o jogo pela tevê.

2 O Palmeiras venceu o Santos. Mas desperdiçou pênalti e ficou com o gosto amargo do desperdício. Valdivia aprontou de novo: não jogou, mas xingou o árbitro. E pode ser suspenso. Não jogar a final na Vila Belmiro...

No segundo tempo, o Palmeiras voltou tendo como missão aumentar a vantagem. E ficar mais perto do título. A pressão acontecia forte na intermediária. A entrada de Cleiton Xavier melhorou muito o toque de bola. As viradas de jogo. O Santos continuava com o defeito de deixar sua defesa em linha, quando buscava o ataque.

E foi surpreendido com ótimo lançamento de Rafael Marques para Leandro Pereira. O jovem Paulo Ricardo começou a segurá-lo fora da área. Mas só conseguiu quando era pênalti. O confuso Furlan deu vermelho a David Bras. Mas foi alertado do erro absurdo. E expulsou Paulo Ricardo.

Dudu teve a chance de ampliar. Fez pose e cobrou forte demais, mandando a bola alta. Ela bateu no travessão e foi para fora. O Palmeiras jogava fora uma chance de ouro. A cobrança desperdiçada abalou psicologicamente o time de Oswaldo. E os santistas trataram de se segurar. Com um a menos, a derrota só por um gol estava de bom tamanho.

 O Palmeiras venceu o Santos. Mas desperdiçou pênalti e ficou com o gosto amargo do desperdício. Valdivia aprontou de novo: não jogou, mas xingou o árbitro. E pode ser suspenso. Não jogar a final na Vila Belmiro...

Os comandados de Marcelo Fernandes sabiam que enfrentariam o rival na Vila Belmiro e com Robinho. Não se expuseram. Geuvânio e Ricardo Oliveiras saíram, poupados para o próximo domingo. Os dois times cansaram no quarto final da partida. Oswaldo de Oliveira percebeu que de nada adiantaria expor sua equipe. E aceitou a vantagem de 1 a 0.

A decisão continua aberta. O Palmeiras conseguiu uma vantagem importante. Bastará o empate para ser campeão. Mas o Santos tem todas as chances de vencer por dois gols de diferença e ficar com o título. O pênalti desperdiçado por Dudu pode ter um peso enorme, significativo.

Ficou evidente. Após o fim da partida, os santistas comemoraram o resultado. Sabem que no domingo que vem tudo pode ser diferente. Os jogadores e os torcedores palmeirenses saboreavam a vitória. Mas sentiam o amargo gosto de desperdício...

E VALVIDIA CONSEGUIU, OUTRA VEZ...

Depois do patético teatro de ontem, quando ele fingiu treinar para tentar enganar a cúpula santista, o chileno não jogou. Continua com o edema no joelho esquerdo. Ficaria em tratamento intensivo para a partida decisiva, do próximo domingo. Só que talvez mesmo se melhorar, não possa jogar. Ele conseguiu se complicar.

Valdivia resolveu esperar o árbitro Vinicius Furlan passar pelo túnel que dá acesso ao vestiário. E fez questão de ofender o árbitro. Como se não fosse um jogador mais do que conhecido. Agiu como um torcedor irresponsável.

O chileno deve ser julgado pelo TJD da Federação Paulista. E, se punido, não jogará domingo, na Vila Belmiro.

Este é o trecho do relatório do árbitro, onde ele detalha o que aconteceu.

"Informo que no túnel de acesso aos vestiários, no intervalo de jogo, o senhor Jorge Luis Valdivia Toro, número 10, conforme a relação de jogadores da equipe do S. E. Palmeiras, se dirigiu à equipe de arbitragem e proferiu o seguinte: "Uma vergonha essa arbitragem, uma vergonha, arbitragem de ladrão"."

Valdivia conseguiu ir além da imaginação. Esse é o ídolo que Paulo Nobre quer manter no Palmeiras...

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Outra vez, Valdivia não joga uma decisão pelo Palmeiras. Por isso Alexandre Mattos o quer longe. O problema é o amadorismo de Paulo Nobre, que age como um torcedor e não como presidente…

2ae18 Outra vez, Valdivia não joga uma decisão pelo Palmeiras. Por isso Alexandre Mattos o quer longe. O problema é o amadorismo de Paulo Nobre, que age como um torcedor e não como presidente...
Alexandre Mattos aprendeu no América Mineiro, onde começou. Observava como os rivais Cruzeiro e Atlético agiam de forma amadora. Pensava no que faria se tivesse os recursos da dupla poderosa de Belo Horizonte. A oportunidade surgiu em 2012. Quando foi convidado para trabalhar no Cruzeiro.

Logo ao chegar mostrou seu maior ensinamento. O de ser prático. Para ele, o grande problema dos dirigentes sempre foi agir como torcedores. Se apegar aos jogadores, geralmente o ídolo. O importante era analisar a situação com clareza, firmeza. Como se fosse em uma empresa. Foi assim que agiu com Montillo e Diego Souza.

O argentino era o grande ídolo cruzeirense. A torcida o adorava. Mas ele dava demonstrações de instabilidade. E sofria muito como problemas com Santino, seu segundo filho. Nascido com Síndrome de Down, a adaptação familiar estava sendo muito difícil. Principalmente com as ausências obrigatórias do pai, como jogador de futebol.

A situação estava ficando insustentável, mas a cúpula cruzeirense não queria abrir mão do seu ídolo maior. Ainda mais que equipes como Corinthians, Flamengo, Grêmio e São Paulo procuraram diretamente seu procurador. Havia a necessidade de uma profunda reformulação no elenco.Só que os cofres estavam vazios. Foi quando Alexandre marcou uma reunião com o presidente Gilvan Tavares. Tinha uma proposta real firme do Santos.

O clube do litoral paulista havia sido ético e o procurado primeiro, querendo comprar o atleta. Gilvan titubeou. Mattos afirmou que a hora era de vender. E se comprometeu com o dinheiro montar a base de um novo time. O dirigente acreditou e liberou a transação. Foram seis milhões de euros, na época, R$ 16,2 milhões, por 60% dos direitos que pertenciam ao Cruzeiro. E mais o retorno do volante Henrique.

O jogador que deveria ser o substituto de Montillo, na idolatria da torcida, tinha nome e sobrenome. Diego Souza. A transação havia sido acertada dois meses antes da saía do argentino. Mattos usou a sua rapidez e se antecipou a vários concorrentes e fechou com o jogador com problemas contratuais com o Al Ittihad da Arábia Saudita. Firmou contrato de três anos.

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Mas bastaram os primeiros meses, o egocentrismo e a dificuldade em entrar em forma do meia ficaram nítidos. Em sete meses ele já era despachado para o Metalist. Lucrou R$ 9 milhões e ainda ficou com o atacante Willian emprestado por um ano. Ainda se livrou de R$ 400 mil em salários. Negócio que o tempo mostrou ser excelente. Assim como a venda de Montillo. O dinheiro da negociação dos dois foi fundamental na formação do atual bicampeão brasileiro.

Essas experiências com Montillo e Diego Souza fortaleceram a certeza de Mattos: Valdivia tem de ir embora do Palmeiras, não renovar. O dirigente já vem defendendo essa tese desde que foi contratado. Considera o maior erro de Paulo Nobre essa dependência do chileno. A dos torcedores, Alexandre compreende. Coloca na conta da paixão irracional. Da angústia do trauma de dois rebaixamentos seguidos e de times lastimáveis formados por diretorias incompetentes.

Mas não perdoa a devoção do presidente do clube, executivo, bilionário investidor financeiro. Toda frieza e objetividade de Paulo Nobre terminam quando o assunto é Valdivia. Ele se incomoda com a postura firme do dirigente. Sabe que ele não deseja a renovação com o jogador. Já ouviu os argumentos irrefutáveis que ele não atuou nem metade das partidas que o Palmeiras disputou nos últimos cinco anos. Do quanto tumultuou os departamentos médico e de fisioterapia do clube, levando muito mais tempo para se recuperar de contusões comuns. Nesses períodos de recuperação foi visto em baladas e até Carnaval.

Mas Nobre continua firme. E foi duro com a direção do Cruzeiro que procurou o pai do atleta, tentando contratá-lo. Pediu ética. E disse que deseja seguir com ele. Gilvan Tavares se desculpou e disse que não assediaria mais o jogador.

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Mattos aprendeu com Marcelo Oliveira a importância do respeito dos jogadores ao treinador, à hierarquia. Sabe que os abusos, os privilégios sabotam o ambiente de qualquer time de futebol. O que Valdivia fez no jogo contra o Corinthians foi deprimente. Ao ver que seria substituído, as câmeras flagraram ele falando claramente 'puta que o pariu'. Depois caminhou em direção ao banco. Oswaldo de Oliveira costuma cumprimentar os atletas que tira das partidas. O chileno sabe disso. O treinador andou na sua direção. Sua mão ficou no ar, enquanto gritava "Val", "Val". O jogador seguiu reto. Desmoralização.

No Palmeiras todos tentaram minimizar a situação. Valdivia ironizou, disse que não ouviu. Oswaldo preferiu comemorar a vitória nos pênaltis. Paulo Nobre não quis nem comentar o assunto. Como se não tivesse existido. Assim agiram quase todos no Palestra Itália, afinal, amanhã o clube começa a decidir o Paulista. Todos os ingressos no seu estádio foram vendidos. Um sucesso. Não haveria porque tocar em fatos negativos. Como a humilhação que sofreu do jogador que só apoiou desde que foi contratado.

Mas não é o que pensa Alexandre Mattos. Ele ficou mais certo ainda de que não vale a pena sequer pensar em renovar o contrato do meia. Tanto que contratou Cleiton Xavier, Robinho, Alan Patrick para a posição. E também apostou no chileno Arancibia, de 18 anos, apontado como grande revelação do futebol andino.

Fora o grande sonho: o argentino Conca, que será mais uma vez sondado. Empresários afirmam que, outra vez, ele já estaria disposto a voltar da China. O Palmeiras deve tentar seu empréstimo do Shanghai SIPG. Isso se aceitar reduzir seu incrível salário de R$ 2 milhões. Se não der certo, Mattos quer outro meia de prestígio, menos Valdivia.

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Oswaldo acompanhava de perto, brigava pela permanência de Valdivia. Mas está muito desgostoso pela humilhação que passou no domingo. Deixou de ser fervoroso defensor do jogador. Pelo contrário, até. Só quer, se ele sair, um atleta com grande potencial para a posição fundamental no time.

A contusão no joelho esquerdo que o impedirá de atuar amanhã contra o Santos, deveria ter ficado em segredo. Ser uma surpresa para Marcelo Fernandes. Mas inexplicavelmente vazou. Os dirigentes querem saber quem passou a informação aos jornalistas. E qual o interesse.

Desde 2008, quando o ex-presidente Belluzzo comprometeu R$ 23 milhões para trazê-lo de volta, o Palmeiras só pôde utilizá-lo em 141 partidas. Como o clube jogou 320 vezes, o meia ficou de fora 159 vezes, exatos 56%. E conseguiu marcar em cinco anos apenas 17 gols.

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Perdeu a fase decisiva da Sul-Americana de 2010 por causa de uma fibrose na coxa esquerda; em 2011, rompeu o músculo posterior da coxa esquerda ao tentar o 'chute no vácuo' contra o Corinthians. Não jogou na eliminação da Copa do Brasil para o Coritiba. Em 2012, foi expulso no primeiro jogo na decisão da Copa do Brasil. Nos jogos decisivos do Brasileiro, do mesmo ano, que culminaram com o rebaixamento, ele também não estava: teve uma contusão no joelho direito.

Em 2013, distensão na coxa direita o tirou das quartas-de-final do Paulista e das oitava da Libertadores, contra o Tijuana. Na Copa do Brasil, quando o Palmeiras foi eliminado pelo Atlético Paranaense, não jogou por causa de um edema. Em 2014, jogou a semifinal do Paulista contra o Ituano machucado e o time foi eliminado. Também entrou contundido na partida em que o Atlético Mineiro tirou o clube da Copa do Brasil. Atuou contundido na partida contra o Atlético Paranaense. Por isso ficou mais de três meses sem jogar em 2015. E já ficará de fora amanhã, no primeiro jogo decisivo do Paulista contra o Santos.

Valdivia ganha R$ 475 mil desde agosto de 2010. Completando cinco anos serão R$ 23 milhões e setecentos e cinquenta mil reais de custos, só de salários. Fora os encargos, impostos. No total, o meia custará ao Palmeiras cerca de R$ 50 milhões neste seu retorno.

O jogador completará 32 anos em outubro. O executivo do futebol espera que Paulo Nobre tenha o mínimo de consciência para perceber o erro que será renovar com o meia. Mas há o temor: a alegria pela eventual conquista do Paulista pode novamente fazer com que o presidente continue a agir como torcedor. E ofereça mais dois anos de regalias ao chileno.

Infelizmente, Alexandre Mattos não está podendo ser o executivo competente que tanto sucesso fez em Minas Gerais. O incrível amadorismo de Paulo Nobre, em relação a Valdivia, não deixa...

(Em mais um capítulo da absurda passagem de Valdivia no Palmeiras, ele pediu para treinar hoje. Foi uma prática leve. Continua com o edema no joelho esquerdo. Mas está relacionado e está concentrado para a partida de amanhã. Pode ser um blefe. Precipitação. Uma recuperação milagrosa. Risco para Oswaldo ter de substituir um jogador que vai entrar em campo contundido.

Com o Valdivia é sempre assim. O que acontece hoje dá a medida de quanto o chileno faz o que quer no Palestra Itália. E o clube se submete...)
1ae28 Outra vez, Valdivia não joga uma decisão pelo Palmeiras. Por isso Alexandre Mattos o quer longe. O problema é o amadorismo de Paulo Nobre, que age como um torcedor e não como presidente...

Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os ‘derrubadores de Ibope’. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar…

1reproducao36 1024x682 Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os derrubadores de Ibope. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar...
"Não sei se vai ser nesse domingo o filme dos Três Porquinhos e no outro o do Netuno, o rei dos mares."

Foi assim que Modesto Roma Júnior resumiu a atenção que a Globo reserva para as finais do Campeonato Paulista entre o seu Santos e o Palmeiras. O presidente ironizava sobre o que aconteceu há dois domingos. Quando seu time disputava uma vaga para as semifinais contra o XV de Piracicaba. Ele sabeia que havia sido assim durante todo o torneio. E será assim no restante do ano. Como também, os palmeirenses terão o mesmo tratamento. Serão a terceira opção a ser mostrada aos paulistas.

Os dados dos executivos globais em relação ao Palmeiras levam em conta os últimos anos, quando chegou a ser rebaixado duas vezes. Não os de 2015, que são bons. Mas o rótulo de 'derrubador de Ibope' já estava tatuado na camisa verde.

Há duas semanas, a emissora que monopoliza o futebol no país preferiu mostrar o Espetacular Homem-Aranha do que santistas e piracicabanos. O Santos desde que vendeu Neymar é um reconhecido 'derrubador de Ibope' pelos executivos globais. Assim como os palmeirenses. O barulho da justa revolta dos torcedores nas mídias sociais foi alto demais. Obrigou a emissora a alegar que, por contrato com a FPF só poderia mostrar um jogo por fim de semana. E mostrou, no sábado, Corinthians e Ponte Preta.

Modesto Roma sabe que isso é balela. A Globo é parceira da FPF tanto quanto é da CBF. Se quisesse, mostraria o jogo sem problema algum. Marco Polo del Nero, que comanda as duas instituições, desejava maior publicidade possível no estadual.

O futebol, a bola rolando contrario a emissora carioca. A final do Campeonato Paulista de 2015 reúne as duas piores equipes no Ibope. Santos e Palmeiras. Este ano a Globo só mostrou uma partida do time da Vila Belmiro. Uma só. Justo o clássico contra os palmeirenses. Já o time de Paulo Nobre apenas teve direito a quatro jogos de exposição.

O Corinthians, campeão de audiência, já mostrou seus patrocinadores em 16 partidas na Globo. O São Paulo foi mostrado em 12 jogos, três vezes mais do que o Palmeiras. E 12 do que os santistas. O Danúbio do Uruguai acabou sendo mostrado três vezes este ano.

2reproducao10 Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os derrubadores de Ibope. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar...

Com o Corinthians e São Paulo classificados para os mata-matas da Libertadores e as sensacionais semifinais da Champions League, entre Barcelona e Bayern e Juventus e Real Madrid, as finais do Paulista ganham na emissora carioca a mesma atenção que o desenho dos Três Porquinhos mereceria.

Está claro que não se espera grandes números do Ibope nos dois próximos domingos. A Globo está muito mais interessada em acompanhar o crescente interesse no futebol europeu, de altíssima qualidade. Barcelona e PSG, pelas quartas da Champions, na terça-feira deu excelentes 16 pontos em plena tarde. A perspectiva é agora esses números aumentem de forma significativa nas semifinais.

Enquanto isso, o favorito Corinthians só chegou a 15 pontos contra a Ponte Preta. Na semifinal de domingo, contra o Palmeiras, a audiência chegou nos 24 pontos consolidados, com pico de 32 pontos.

A alegria nos corredores globais acabou com a certeza de que Santos e Palmeiras ficaram para a decisão.

Palmeirenses e santistas dão o troco à emissora. Cada torcida de sua maneira. Na semifinal contra o São Paulo, na Vila Belmiro, a direção de tevê da Sportv,que transmitia o jogo para quem paga, tomou uma decisão. Iria mostrar a feliz torcida do vencedor comemorando. Fixou imagem e abriu o som. Foi um enorme erro. O coro era altíssimo e nítido: "Chupa Globo, o Santos está na final de novo". Além disso, centenas de torcedores levavam e exibiam a singela faixa "Chupa Globo, emissora de Gambá". A alusão é ao Corinthians. Prometem fazer a mesma coisa nos dois clássicos contra o Palmeiras.

Já os palmeirenses usam a Internet para até tentar boicotar, fazer com que a sua torcida não assista a partida na emissora que chamam pelas iniciais, RGT, Rede Globo de Televisão.

Nesse clima de 'fraternidade e amor entre os cidadãos' que o Campeonato Paulista de 2015 está chegando ao final nas telas da tevê aberta. Com a emissora que detém o direito de transmissão mostrando as finais entre os times que não a interessava. Que escondeu durante todo este ano.

Enquanto os diretores de programação globais anseiam pelo mata-mata na Libertadores. Assim como pelas semifinais da Champions League. Ou pelo Campeonato Brasileiro. Até lá são obrigados a mostrar não somente uma, mas duas vezes santistas e palmeirenses duelando. Em dois domingos. A saudade de Corinthians e São Paulo será imensa.

Esta é a relação entre a dona do monopólio do futebol no Brasil e os clubes que não são seus prediletos. E que recebem muito menos do que Corinthians e Flamengo. Quanto menos jogos transmitidos, menos interesse as empresas têm em colocar dinheiro para aparecer em suas camisas. Menos estímulo para novos torcedores. Menos divulgação no Exterior.

Por isso não estranhe se, no hora da decisão do Campeonato Paulista, a Globo estiver mostrando o Lobo Mau tentando derrubar a casa dos Três Porquinhos. Atração mais atraente para seus executivos do que o clássico entre os derrubadores de Ibope: Santos e Palmeiras...
 Palmeiras e Santos decidem o Paulista de 2015. Dois jogos entre os derrubadores de Ibope. E que a Globo escondeu o máximo que pôde de suas transmissões. Agora, será obrigada a mostrar...

A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata-mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra…

1reproducao34 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...
A Fox Sports fez valer seu direito como maior investidora na Copa Libertadores. E ficou o filé da transmissão dos jogos das oitavas de final. Fez com a Globo o que a emissora carioca faz com a Bandeirantes. Escolheu os jogos mais importantes, para o mercado que a interessa: o paulista.

E acabou de vez com o casamento entre Globo e Corinthians. Ficou com a partida entre o time de Tite e o Guaraní, no Paraguai. A emissora do bilionário Rupert Murdoch vai mostrar a partida de ida do clube mais popular de São Paulo, na quarta-feira, seis de maio. No horário das 19h45.

No mesmo dia, a Globo vai mostrar São Paulo e Cruzeiro, após a novela, no horária que adora, às 22 horas. Mas nada de mostrar sozinha: terá a companhia da Fox Sports.

Na outra semana, dia 13 de maio, a emissora a cabo ficou com Cruzeiro e São Paulo, definição da vaga, em Belo Horizonte. E as 22 horas, Corinthians e Guaraní, no Itaquerão, mostrado pelos dois canais.

Além disso, a Fox Sports também transmitirá os jogos entre Internacional e Atlético Mineiro para todo o país, inclusive São Paulo.

2reproducao9 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...

A Globo queria que a Fox Sports ficasse com os dois confrontos entre São Paulo e Cruzeiro e nenhum jogo do Corinthians com exclusividade. Mas não conseguiu impor sua vontade. A concorrente brigou e conseguiu o jogo no Paraguai. E abriu mão da exclusividade da primeira partida entre São Paulo e Cruzeiro, no Morumbi. Não houve como a emissora carioca reverter a situação.

A situação é inusitada para a Globo. Perder jogos do Corinthians na fase de grupos já foi de difícil assimilação. Mas não mostrar a primeira partida do mata-mata foi algo mais do que inesperado. Os executivos tentaram de toda a maneira fazer com que o jogo no Paraguai fosse às 22 horas. Não houve como. A Fox Sports fez valer os seus direitos.

1reproducao35 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...

A emissora a cabo está pegando gosto pela coisa. Danúbio e Corinthians que mostrou com exclusividade foi a segunda maior audiência do canal a cabo este ano. Só ficou atrás do Capitão América, que o Telecine abriu o sinal para quem quisesse ver, sem pagar. Ganhou até das tevês abertas.

Na estreia do narrador Nivaldo Prieto, a Fox Sports mostrou San Lorenzo e São Paulo, na Argentina. Foi a mais assistida entre os canais a cabo. E só perdeu para a tevê aberta para a própria Globo.

O ambiente na nova emissora é de euforia. O monopólio da Globo sempre assustou as concorrentes. Mas para a Conmebol não pesa qualquer influência que seja diferente do dinheiro. Pagou mais, levou.

Por isso são tão comemorados esses jogos exclusivos do Corinthians. E mais. Abre perspectivas para sonhar mais alto. Será difícil nesta edição da Libertadores. Mas o cenário mostra que não é impossível a Fox Sports mostrar, por exemplo, uma partida semifinal do time mais popular de São Paulo nas semifinais.

Não há mais espaço para ingenuidade e amadorismo. Demorou, mas a Globo encontrou pela frente uma inimiga no campo esportivo. Acabou a festa exclusiva com o Corinthians. E não só ao clube paulista. A atitude da concorrente será a mesma em relação também ao Flamengo, clube mais popular do Brasil. Caso se classifique para a Libertadores, em 2016, a emissora de Murdoch também vai exigir jogos exclusivos.

A parceria entre a Fox Sports e a Globo vai continuar na competição mais importante da América do Sul. Só que cada vez lembrará o que a Globo faz com a Band no Brasileiro, no Paulista e na Copa do Brasil. Deixa a emissora paulista mostrar ou o mesmo jogo ou a partida que não a interessar.

A Globo mostrou ontem São Paulo e Corinthians para os paulistas. A Band? Salgueiro de Pernambuco contra o Flamengo pela Copa do Brasil. Fácil imaginar o interesse em São Paulo dessa partida. O clássico deu 32 pontos. O jogo do time de Luxemburgo ficou com 0,8 ponto.

A farra global foi ótima enquanto durou...
3reproducao5 A Fox Sports se impôs de vez na Libertadores. Exigiu jogos exclusivos do Corinthians e São Paulo no mata mata. A Globo teve de aceitar. Acabou a farra...

Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.
Há um grande medo na direção do Corinthians. O trauma com algo já vivido, sofrido. E que custou um ano de frustração no Parque São Jorge. A proteção de Tite a jogadores que comprometem o time. A cegueira que domina o técnico quando alguém que confia o decepciona. Em 2013, ele se grudou à equipe campeã da Libertadores e Mundial. Não percebeu ou não quis perceber que ela estava cansada, envelhecida. Resultado, foi dispensado do Corinthians.

Agora no seu retorno, sinais da 'síndrome das ovelhinhas' o ronda novamente. A expressão se explica. Em 2001, o Grêmio, comandado por Tite, venceu a Copa do Brasil derrotando o Corinthians de Vanderlei Luxemburgo por 3 a 1. O título chamou a atenção do país ao então jovem treinador.

Em 2003, o técnico seguia mantendo a base campeã. Mas o time não rendia. Um repórter do Zero Hora ligou para falar com o então presidente Flávio Obino. Ele não quis atender e pensou que houvesse desligado o celular. Não desligou. O jornalista ouviu então duras críticas do dirigente ao 'pastor Tite e suas ovelhinhas', jogadores que mantinha apenas por lealdade, agradecimento à Copa do Brasil.

12 anos depois, o medo dos dirigentes corintianos em relação a Tite se prende a dois nomes: Emerson Sheik e Vagner Love. Por motivos diferentes, os dois seguem protegidos, blindados pelo treinador, mesmo depois do que estão mostrando em campo.

O caso de Emerson é exemplar. O homem que manda no clube, Andrés Sanchez, o queria longe do Parque São Jorge. O atacante ganha R$ 520 mil mensais. E é detestado pela torcida desde que beijou na boca um dono de restaurante e colocou a foto na Internet. O jogador buscava desviar o foco por ter humilhado Tite. Ele se recusou a cumprimentar o treinador que o substituíra no confronto pelo Brasileiro, contra o Coritiba. Justo o técnico que havia implorado por sua renovação de contrato. Percebendo o erro, Sheik resolveu dar o beijinho e se dizer contra a homofobia.

O efeito foi contrário. O ex-presidente e delegado Mario Gobbi permitiu que os chefes das organizadas fossem até ao treino do Corinthians e 'enquadrassem' o atacante. Ele ouviu gritos, foi humilhado e se retratou. Disse que não era homossexual 'porque não era são paulino'. Mano Menezes o detestava. E o mandou para o Botafogo. Andrés o queria fora do Corinthians em 2015. Mas Tite insistiu, tinha certeza que ele seria importante na Libertadores.

O jogador que fará 37 anos em setembro começou muito bem a temporada. Mas ontem voltou a aprontar, a se deixar dominar pelo ego como um juvenil. Rafael Tolói foi maldoso e pisou, de propósito, na sua canela. Sandro Meira Ricci deveria ter dado cartão vermelho ao são paulino. Nada fez. Emerson resolveu descontar. E deu um chute leve, sem bola, para derrubá-lo. Agressão estúpida e que mesmo sendo branda, merecia o vermelho. Deixou o Corinthians com dez jogadores com apenas 18 minutos de partida. Ele já é o jogador mais indisciplinado do elenco: são quatro amarelos e um vermelho em 2015.

 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

Os dirigentes esperavam uma atitude firme de Tite após a derrota. Ele já se antecipou e disse que não punirá o atacante. "Claro que nós não queremos ter jogadores expulsos, tal qual coloquei quando nós vencemos em outras ocasiões. Eu tenho suficiente bagagem para não externar meus problemas, mas disciplina eu prezo muito. A equipe comete erros, está aqui para retomar, corrigir, mas não vou expor de forma pública. Não vou colocar 'Ah, perdemos por isso, por aquilo'... Não vou!"

Todos os setoristas, jornalistas que vão diariamente ao Corinthians, sabem da profunda amizade entre Tite e Sheik. A impressão de tratamento especial ao veterano jogador, fundamental na conquista da Libertadores de 2012, só ficou mais forte. Ele prejudicou de forma infantil o Corinthians ontem. De nada adianta postar foto mostrando a canela marcada pelo pisão de Tolói. Não se justifica derrubá-lo sem bola, de costas. Mereceu o cartão vermelho.

Outra situação é a de Vagner Love. O jogador foi contratado por imposição do ex-presidente Mario Gobbi. Um dos seus últimos atos. Ofereceu contrato de ano e meio ao atacante. R$ 500 mil mensais. Fez de sua cabeça. Era sonho pessoal vê-lo vestindo a camisa corintiana. Desde 2005, quando quase foi contratado, Gobbi desejava materializar a transação.

Mas o dirigente só justificou o que falou quando assumiu o cargo de diretor de futebol, cargo que ganhou como compensação por ter perdido a eleição para a presidência do Conselho Deliberativo. "Não entendo nada de futebol", garantiu em 2007. Oito anos depois, comprovou que não aprendeu. Vagner Love já era um jogador em decadência quando foi liberado pelo Shandong Luneng. Suas arrancadas, a velocidade, haviam ficado no passado distante. Mesmo assim, Gobbi o contratou sem consultar ninguém. Ordenou que o gerente de futebol, Edu Gaspar, fechasse a transação.

 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

Com a dengue de Guerrero, Tite tinha duas opções. Fixar Danilo que estava dando muito certo improvisado no lugar do peruano. Ou colocar Love. O treinador percebia toda a vontade do jogador recém-chegado da China. Dos primeiros a chegar aos treinamentos e dos últimos a ir embora. Ele quer se reinventar. Só que há um detalhe que não fugiu do olhar dos jornalistas no Parque São Jorge: está treinando e jogando muito mal. Mesmo assim e, inexplicavelmente, o treinador foi dando chances que o atacante desperdiçou. Tem sido uma nulidade em jogos fundamentais como contra o Palmeiras e ontem diante do São Paulo.

Os dirigentes também estão surpresos em relação ao emocional de Tite. O treinador que fez de 2014 um ano sabático, só de estudos. Destrinchou esquemas dos grandes clubes europeus. Impôs a intensidade nos primeiros jogos do Corinthians neste ano. Responsável pela invencibilidade de 26 partidas. Mas que demonstra não saber lidar com as decepções.

O técnico impôs luto no Parque São Jorge depois da eliminação da final do Paulista para o Palmeiras. Proibiu seus jogadores de falarem antes da partida contra o São Paulo. Deixou o ambiente exageradamente tenso. O que só atrapalhou os nervos dos jogadores ontem no Morumbi.

A postura tática, acovardada, no segundo tempo contra o Palmeiras e durante todo o jogo diante do São Paulo também reflete. Mesmo antes da expulsão de Sheik, o time já estava todo atrás, encolhido como uma equipe pequena. Conselheiros estão se queixando, irritados. Viram o mesmo Corinthians de 2013. Foi refreado o otimismo exagerado em relação a Tite. A eliminação e a derrota diante de dois rivais foram pesadas demais.

Tudo fica pior porque o treinador toma a frente do grupo. Sutilmente quer que a diretoria resolva o problema dos atrasos. Nos direitos de imagem, nos salários e até premiação pela classificação à Libertadores. Os dirigentes tentam um empréstimo com a Caixa Econômica Federal. A dívida já ultrapassaria R$ 20 milhões.

Em meio a tudo isso, as duas únicas notícias boas são a volta de Guerrero ao treinamento, já livre da dengue. E a certeza que o Guarany do Paraguai é um adversário mais fácil nas oitavas do que qualquer brasileiro. Se conseguir eliminá-lo, o próximo confronto nas quartas, também não assusta: o vencedor de Racing e os uruguaios do Wanderers. Ou seja, adversário de primeiro nível só na semifinal da Libertadores. Até lá, muita coisa deve mudar no Corinthians.

Roberto de Andrade e Andrés não querem novo 2013. O time precisa voltar a vencer. Até porque precisam desesperadamente do dinheiro que a Libertadores pode trazer aos combalidos cofres corintianos...
2ae17 Diretoria do Corinthians frustrada com Tite. A proteção a Sheik e a Vagner Love terá de acabar. Assim como a postura acovardada contra o São Paulo. Dirigentes não querem que o técnico repita os erros de 2013.

O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata-matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi…

1reproducao33 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...
O São Paulo redescobriu sua alma. Fez sua melhor partida desde dezembro de 2012, quando foi campeão da Sul-Americana contra o Tigre. Hoje no Morumbi, o time de Milton Cruz fez o que quis do Corinthians de Tite. Quebrou sua invencibilidade de 26 jogos. Fez um primeiro tempo primoroso. Misturou intensidade, personalidade, raça, talento. Teve posse de bola de Bayern de Guardiola, 64% contra apenas 36% do rival. E marcou 2 a 0.

O São Paulo não só venceu a partida e se classificou para os mata-matas. Redescobriu o orgulho. Desde 2007 não ganhava do Corinthians no Morumbi. A sua desconfiada torcida acabou o jogo gritando olé, tamanho o domínio são paulino. Mesmo pressionado, Sandro Meira Ricci errou em não dar vermelho a Tolói que pisou em Emerson. Mas expulsou de maneira correta Sheik, Luís Fabiano e Mendoza. Se tivesse tirado o zagueiro são paulino do jogo, a partida poderia ter outro rumo.

"O time esteve muito concentrado, focado. O São Paulo teve domínio de 90% do jogo hoje, como o Corinthians teve em sua casa. Vamos enfrentar o Cruzeiro, um time forte e muito justo. Mas motivado e aguerrido como hoje, nós enfrentamos todos os times da Libertadores. Vamos brigar por uma coisa muito maior do que esse sofrimento que vínhamos passando até hoje.

"O São Paulo é um time muito especial, e nossa preleção hoje, antes de sair do CT, nos fez ganhar o jogo. Viemos para cá com convicção de vitória. A marcação pressão, todo mundo correndo, tentamos fazer isso para encurtar o espaço deles. Era tomar a bola no campo de defesa deles. O time soube fazer isso, mesmo antes da expulsão do Emerson", comemorava Rogério Ceni, que adiou sorrindo a aposentadoria para agosto.

4reproducao1 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

Doeu perder para o rival. Mas o Corinthians não tem do que reclamar do seu adversário nas oitavas-de-final, o Guaraní do Paraguai. Já o São Paulo precisa manter essa pegada. O confronto será contra o Cruzeiro.

Milton Cruz surpreendeu a todos. Até dirigentes do São Paulo. Mesmo precisando desesperadamente da vitória, o treinador colocou seu time com um atacante só, Luís Fabiano. Nada da velocidade de Centurión ao seu lado. Pelo contrário, o eterno interino no Morumbi escolheu preencher o meio de campo. Decidiu pagar na mesma moeda o que Tite fez no Itaquerão no primeiro confronto entre os times nesta Libertadores.

Milton colocou não só três volantes, como foi muito explorado na divulgação da escalação no Morumbi. Ele distribui o São Paulo no 4-1-4-1. Mas sua espetacular contribuição foi a mudança da atitude dos são paulinos. Nem parecia os mesmos jogadores que, submissos, perderam para o Santos na semifinal do Paulista. E que há muito tempo não passava confiança a seus torcedores.

O time enorme determinação. Vontade de ganhar. Se desdobrou em campo. Em toda disputa, principalmente no primeiro tempo, havia dois, três jogadores do São Paulo para um corintiano. Foi um massacre. Foi fazendo o Corinthians se encolher. O plano tático de Tite era marcar forte no meio de campo, para sair no contragolpe, explorando o provável nervosismo são paulino. Mas só que o tricolor entrou confiante, sabendo o que iria fazer. Mostrar que estava na sua casa, o Morumbi.

Foi impressionante como conseguiu imprensar o Corinthians em seu campo. Era como se fosse a partida de um time grande contra um pequeno. Os jogadores são paulinos jogavam com sangue nos olhos. Queriam calar todos que duvidavam não só do seu potencial. Se desdobraram para provar que tinham vergonha na cara. Mostravam até para Carlos Miguel Aidar e os companheiros de diretoria que não havia a necessidade de uma reformulação no elenco. Esta ameaça foi muito usada. Foi o ingrediente a mais na estratégia estudada e colocada em prática por Milton Cruz.

5reproducao O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

O plano foi preciso. O São Paulo dominou o meio de campo e entrou em campo com dois laterais ofensivos. Que tinham a missão de explorar o ponto fraco corintiano: os cruzamentos. Qualquer bola que chegue dos lados na área é um desespero para a zaga corintiana. Felipe melhorou muito com Tite, mas continua instável. O que piora o futebol de Gil. Está claro que ele não confia no seu companheiro de miolo de defesa.

O jogo já começou de maneira impressionante. A um minuto cobrou falta da esquerda, Doria cabeceou sozinho e a bola passou muito perto da trave de Cássio. O lance incendiou a descrente torcida e deu confiança instantânea ao São Paulo. Michel Bastos outra vez era o grande jogador. Ele ditavam o ritmo, a correria, a pressão desenfreada contra o Corinthians.

Milton Cruz deixou seu time marcando a saída de bola corintiana. Admirador do futebol europeu, o treinador interino do São Paulo parecia ter copiado o Bayern de Guardiola. Sem comparar o talento dos jogadores do time alemão, evidente. Mas a distribuição do time. Uma postura incomum em equipes brasileiras. A compactação era na intermediária corintiana, não no meio de campo, como atua a grande maioria dos times nacionais. Sem medo de bolas nas costas. Porque o Corinthians não tinha um velocista.

Tite deve ter dado a última oportunidade a Vagner Love. Outra vez ele foi de uma nulidade absoluta. Ele deveria ser o jogador de definição. Mas outra vez abaixou a cabeça e repetiu sua improdutividade. O jogo estava terrível desde o início aos corintianos. Não bastasse o esquema acovardado de Tite, o ânimo dos atletas era surpreendente. Parecia que todos estavam de luto. Ainda pela eliminação da final do Paulista pelo Palmeiras.

O time estava cabisbaixo, sem confiança, irritado. E aos 18 minutos, Sheik, por ego colocou tudo a perder. Em uma dividida, ele foi pisado por Tolói. As câmeras pegaram o pisão, Sandro Meira Ricci, não. Foi um erro grave. A jogada seguiu e Sheik, quis descontar. Deu um toque por baixo no pé do zagueiro são paulino. O espírito de Paulo Autran baixou em Tolói, ele rolou no gramado, tremeu, parecia ferido de morte. Conseguiu o justo cartão vermelho a Emerson. Embora a pancada tenha sido leve, foi agressão sem bola.

 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

O Corinthians já era massacrado pelo São Paulo quando eram onze contra onze. Com um jogador a menos, virou presa fácil. Só faltavam os gols. E eles vieram. O primeiro, com Luís Fabiano. Hudson recebeu o que? Cruzamento da esquerda. Bateu, a bola tocou no braço de Uendel e sobrou para o atacante marcar seu primeiro gol na Libertadores. São Paulo 1 a 0, aos 31 minutos.

O time de Milton Cruz queria mais. Não fez o que clubes brasileiros costumam fazer. Nada de recuar, buscando contragolpes. Queria decidir o jogo, conseguir o placar. E foi o que fez aos 39 minutos, em um chute de Michel Bastos de fora da área. Cássio falhou. Foi enganado pelo pique da bola. São Paulo 2 a 0.

2reproducao8 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

Tite teve uma participação medíocre na partida. Ele já estava sem Sheik. Deveria ter tirado Vagner Love quando estava perdendo por 1 a 0. Faltava velocidade. Acabou colocando Mendoza e tirando o inútil atacante que veio da Rússia só no intervalo.

No segundo tempo, o São Paulo estava melhor. Mas sem se desgastar tanto com a frenética marcação dos primeiros 45 minutos. Quando o Corinthians mostrava um pouquinho mais de coragem vieram duas expulsões. Luís Fabiano se desentendeu com Mendoza. O colombiano deu um tranco no brasileiro. Acertou o braço. O atacante são paulino fingiu que havia acertado seu rosto. Ambos foram de maneira justa expulsos.

A partir daí, dez contra nove, o ritmo diminuiu de vez. O São Paulo sabia que havia vencido o jogo. Não correria risco. E os corintianos não conseguiam articular jogadas de perigo. Os dois times sabiam que a partida estava decidida. Mas os donos da casa seguiram tentando marcar mais gols, transformar a vitória em uma goleada.

Surpreendente a postura submissa corintiana. O time aceitou a derrota desde o início do jogo. Portanto não há como se deixar levar pela desculpa que o time pretendia o Guaraní paraguaio. A equipe de Tite jogou muito mal. Mereceu perder a invencibilidade de 26 jogos, algo que não alcançava havia 58 anos. O treinador precisa não só de Guerrero, mas descobrir uma nova maneira de o Corinthians atuar. Novas variações táticas se quiser ir longe na Libertadores.

 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

Já o São Paulo que vive ainda sua expectativa de mudanças, já está quase desistindo de Sabella e investindo novamente em Luxemburgo, tem mais é que comemorar. Nem seus dirigentes acreditavam na vitória contra o Corinthians. O resultado consolida a relação entre Aidar e Milton Cruz. O presidente está mudando de ideia, pensando em manter o interino na nova Comissão Técnica de um treinador que ainda vai chegar.

O importante é que o time redescobriu seu potencial. A vontade, honrou a camisa vitoriosa do São Paulo. O caminho passava muito mais pela psicologia do que pelos corriqueiros treinamentos no CCT da Barra Funda.

"A gente dependia só de nós para chegar a essa classificação, então colocamos na mesa o que estava errado e o que podia melhorar. Uma das coisas faladas é que tinha que ter muita garra e força de vontade para vencer uma grande equipe como o Corinthians, que não perdia há um tempão. Fizemos um grande primeiro tempo e com o resultado, vamos dizer assim, na mão, pudemos cadenciar e segurar no fim. Isso que a torcida estava esperando, essa garra, esse sentimento. É manter esse ritmo que nós vamos longe."

O São Paulo renasceu na Libertadores. E o Corinthians precisa se reinventar...
 O São Paulo redescobriu sua alma. Fez o que quis do Corinthians de Tite. 2 a 0 foi pouco. E também se classificou para os mata matas da Libertadores. A noite foi de delírio no Morumbi...

Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder…

1ae26 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...
Um dos mais profundos princípios das artes marciais é a ética. Anderson Silva é motivo de orgulho, o maior ídolo de MMA deste país. Um dos maiores na história do UFC. Acumula recordes e mais recordes. Exemplo de superação, de vida, ícone de milhões de adolescentes no mundo todo. Apesar de todos esses predicados, ele não tinha o direito de se candidatar à uma vaga no time brasileiro de taekwondo.

Por um simples motivo. Ele está suspenso, proibido de lutar por ter sido flagrado dopado. Drostanolona e androsterona, esteroides anabolizantes e mais ansiolítico, drogas para o sono. Tudo foi encontrado no seu sangue. Substâncias artificias que melhoraram seu desempenho dentro do octógono, na luta contra Nick Diaz. Algo inconcebível. Está suspenso preventivamente. Mas pode ser punido e ter de ficar dois anos longe dos combates pela Comissão Atlética de Nevada, a (NSAC).

Não há defesa. Os exames e as contraprovas vão na mesma direção. Anderson Silva estava dopado quando pisou no octógono. Pouco importa se foram os médicos tentando acelerar sua recuperação pela perna esquerda quebrada. Ou se foi ele mesmo quem decidiu se dopar. A responsabilidade é dele.

A situação deveria correr seu rumo normal. Enfrentar o julgamento, aceitar a punição. Pensar com calma se vale a pena esperar o tempo passar e continuar a carreira. Afinal de contas, já completou 40 anos. E o seus últimos desempenhos ficaram muito a desejar.

Mas acontece que Anderson Silva não é apenas um lutador. Ele está cercado por uma engrenagem montada para ganhar dinheiro, muito dinheiro. A Spider Company é uma empresa que cuida da imagem do jogador. Ele já foi agenciado pela 9Ine de Ronaldo Fenômeno. Mas percebeu que poderia ganhar muito mais sozinho.

Midiático, patrocínio é o que não falta. Ou faltava. Burger King, Wizard, Duracell (Procter & Gamble), Vivo, Budweiser (InBev), General Optical, Philips, Renault, HDI e Hublot. Passou um tempo lutando com as cores do Corinthians. Fora ter se tornado embaixador remunerado de Furnas por R$ 240 mil.

1reproducao32 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

Quando ganhou mais dinheiro de patrocínio foi em 2012, quando ganhou a revanche de Chael Sonnen. No total, R$ 5,2 milhões. Vários debandaram depois do anúncio de doping. Ele não fez mais qualquer publicidade desde então. A expectativa é que deva embolsar cerca de R$ 800 mil de patrocínios antigos. Mas hoje ninguém quer vincular sua marca à imagem de um lutador dopado. Simples e dolorido assim.

Anderson é milionário. Suas lutas rendiam entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões cada. Ele era um dos lutadores que mais recebiam no pay-per-view. Agora a fonte secou. O presidente do UFC, Dana White, ficou muito decepcionado com o brasileiro. Ele era uma dos grandes responsáveis pela entidade ter se tornado bilionária. Havia virado uma lenda no octógono. Até explodir o doping. Ele teve até de deixar de ser um dos técnicos do TUF Brasil. Até chorou ao saber que estava proibido de seguir no reality show.

As coisas não poderiam continuar como estavam. Foi quando alguém do seu estafe se lembrou das Olimpiadas de 2016. A Wada, que regula os atletas dopados do mundo todo, não tem nada contra Anderson. Por um simples motivo. Ela acompanha os atletas olímpicos. O MMA nunca foi olímpico. Ou seja, a NSAC não tem qualquer ligação com a Wada. Mesmo culpado, Anderson Silva está confortável. Está livre para disputar os Jogos do Brasil em 2016.

Ele sempre adorou boxe. Mas aos 40 anos seria difícil ganhar a seletiva. Preferiu escolher o taekwendo. Mesmo tendo abandonado o esporte há 23 anos. E lá foram os marqueteiros de Anderson Silva espalhar a notícia. Ele quer disputar a seletiva olímpica da modalidade.

"O Anderson Silva querer participar, acho que para o taekwondo é uma grande conquista, uma grande importância. É um esporte em desenvolvimento e com um trabalho muito bem feito. Será benéfico. Em relação ao doping, nós defendemos que o doping é uma questão zero, mas no mundo diversos atletas campeões olímpicos tiveram em algum momento do passado problema de doping. Ele cumprindo o que for estabelecido pela Comissão de Nevada, estará pronto para competir sem problemas."

2ae16 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

A declaração festiva de boas-vindas é de Carlos Arthur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e do Comitê Rio 16. É a maior autoridade brasileira relacionada à Olimpíada. O dirigente ficou tão empolgado porque seria sensacional ter um astro mundial na competição que organiza. Com atraso e caros gravíssimos e insolúveis como a poluição na Baía da Guanabara. Anderson desvia o foco. Por isso o doping foi minimizado.

O atleta terá tempo para se preparar. A seletiva de taekwondo acontecerá apenas em janeiro de 2016. Nove meses são suficientes para um atleta excelente para Anderson se readaptar à luta. Concorrentes às vagas pelo Brasil tentaram ridicularizá-lo. Mas no fundo sabem que um lutador excepcional como Anderson pode sim se tornar um grande adversário. Mesmo quarentão.

Ele soube da ironia dos competidores brasileiros. E devolveu com fina ironia hoje, na entrevista de confirmação nas seletivas.

"Claro que meus companheiros têm alguma razão no que eles falaram, com certeza, parei de treinar taekwondo quando eu tinha 17 anos, então a dificuldade que vou encontrar do taekwondo da minha época para o de hoje é muito maior. Mas é um desafio ao qual estou disposto a enfrentar, não estou preocupado em passar vergonha, até pelo que fiz pelo esporte.

"Tudo que o taekwondo me deu serviu para que eu levasse o país aonde precisava levar, que era transformar nosso país durante muito tempo na maior força dentro do MMA mundial. No taekwondo vou tentar fazer a mesma coisa, não por ter que provar algo para alguém, mas estou aqui para ajudar o esporte e fortalecer quem me fortaleceu durante anos."

O cenário está pronto. Há fotos de Anderson com quimono treinando. Seus representantes estão ávidos. Com certeza haverá algum patrocinador disposto a voltar. Ou um novo, quem sabe, acreditando no seu renascimento. Quem sabe do próprio governo?

1furnas Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

Mas e a essência das artes marciais, como fica? Anderson Silva sabe que, infelizmente, foi pego dopado. Mas de uma maneira esperta não cumprirá qualquer punição. Pelo contrário. Se usar seu talento, seu dom, poderá até ganhar uma medalha olímpica. Justo o símbolo mais puro de princípio, de vitória no esporte.

Não tem cabimento Anderson Silva disputar seletiva alguma para a Olimpíada do Brasil. Sua presença será a vitória da impunidade, do jeitinho, da lei de Gerson. Um mestre como ele não deveria se prestar a esse papel. Em nome de seu legado não só no esporte. Na vida...
1afp3 Anderson Silva disputando vaga na Olimpíada é a vitória da Lei de Gerson, do jeitinho. Ele é um ídolo. Mas que foi pego dopado. Precisa cumprir sua punição. Por mais patrocinadores que vá perder...

Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci…

1ae25 1024x681 Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci...
Em 1987, o grupo 3 da Libertadores da América reunia São Paulo, Guarani, Cobreloa e Colo Colo. O clube do Morumbi havia conquistado o Campeonato Brasileiro de 1986. Na época, a diretoria do Morumbi estava empolgada, garantia que faria história venceria a competição sul-americana. Mostrava que poderia ganhar o Mundial Interclubes.

Mas o São Paulo foi um fracasso na Libertadores. O vexame foi imenso. O time acabou desclassificado na fase de grupos. Foi o último colocado, com uma campanha pífia. Ganhou um jogo. Empatou dois. E perdeu três. Quem era o presidente há 28 anos? Carlos Miguel Aidar. Ou seja, vexame na competição não é novidade para ele.

Essa história precisa ser relembrada pela atitude que o dirigente teve ontem. Carlos Miguel usou o mais velho dos truques. Que talvez pudesse dar resultado há 28 anos, mas agora não. Ele decidiu desviar o foco de toda a falta de competência com que tem administrado o São Paulo. Juvenal Juvêncio nunca foi um exemplo de modernidade. Pelo contrário, o tempo passou e mostrou que sua tirania só prejudicou o clube que diz amar.

Mas com Carlos Miguel a situação não melhorou. Piorou. O São Paulo chega hoje a seu jogo fundamental para a sobrevivência na Libertadores. Com Milton Cruz, um interino, comandando a equipe. O presidente segurou Muricy Ramalho, um treinador adoentado, atormentado pelas dores abdominais quase um ano. Não viu que ele não tinha forças para continuar. Mesmo assim, lavou as mãos. Até que o time sucumbiu.

O elenco é formado por jogadores sem confiança, traumatizados e sem a menor unidade ou união. Atletas importantes como Paulo Henrique Ganso e Luís Fabiano sabem que os dirigentes o querem ver longe. Toda o sistema defensivo é fraco e deverá ser trocado. Dos volantes, só Souza está garantido para o Brasileiro. Rogério Ceni está cansado, desanimado. Novo treinador chegará para implodir esse grupo. Aidar o quer na semana que vem. Após o fim desta fase de grupos da Libertadores.

O cenário que esse novo treinador irá encontrar depende do que acontecerá esta noite. Uma derrota para o Corinthians em pleno Morumbi e uma vitória do San Lorenzo contra o fraquíssimo Danúbio e tudo acabou.

O time de Tite está ferido. Perdeu a chance de decidir o título paulista em casa. Foi eliminado diante de sua torcida para o Palmeiras nos pênaltis. Tite sabe e age como se o resultado fosse inaceitável. Afinal, o adversário tradicional ainda está em formação, com seus 21 novos contratados. E se sente pressionado pelos dirigentes e pela torcida. Todos esperam uma vitória hoje, o prazer de eliminar o rival da Libertadores.

Aidar pode ter não saber lidar com sérios problemas administrativos. Como por exemplo não conseguir um patrocínio master para a camisa, ter força política para reformar o Morumbi ou manter salários e direito de imagem em dia. Só que ele sabe o óbvio. O Corinthians chega muito melhor para o clássico. E que arma ele poderia usar na véspera do jogo? Forte o suficiente para que todos se esquecessem das mazelas são paulinas? Falar do árbitro.

2ae15 Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci...

"Confesso que fiquei preocupado com a escolha do Ricci, porque o retrospecto dele em jogos do São Paulo é ruim. Não é ruim para o Corinthians. Ele tem retrospecto de expulsão de dez jogadores do São Paulo em 17 jogos e de apenas uma expulsão de jogadores do Corinthians em 17 jogos."

Falou ontem, cercado de microfones e câmeras. Não falou em critérios, condições, situações, nada. Levantou apenas os números. Como excelente advogado que é, tanto que chegou a presidir a Ordem dos Advogados do Brasil, Aidar deixou a conclusão para os torcedores. Jogou a sombra da desconfiança e se afastou. Porque não fez nenhuma acusação direta. Disse apenas 'estar preocupado'.

Ricci é mesmo um árbitro instável, sujeito a erros. Como todos desta fraca geração de árbitros brasileiros. Já ajudou o Corinthians. Marcou um pênalti inexistente de Gil em Ronaldo no Brasileiro de 2010, no Pacaembu. O que levou ao ex-presidente do Cruzeiro e atualmente senador da República, Zezé Perrella à loucura.

"Todo mundo que gosta de futebol deveria hoje estar envergonhado. Eu nunca vi um negócio desse. Seis impedimentos que ele deu, pênalti a nossa favor que ele não marcou, expulsou jogador nosso. Um filho da puta desse...não poderia nunca estar no futebol. O negócio desse não pode continuar. Temos famílias, trabalhamos, são oito milhões de torcedores sofrendo por causa de um picareta desse (...) que veio aqui nos opera."

As declarações em dezembro de 2010 custaram R$ 60 mil a Perrella. O árbitro o processou e ganhou a indenização. Mas Perrella tentará recurso.

Só que Ricci também prejudicou o Corinthians. Em setembro do ano passado, contra o Flamengo, confirmou um gol marcado em claro impedimento, de Wallace. E quando marcou pênalti em toque involuntário de Fágner.

Sandro Meira Ricci é um árbitro ruim. Não desonesto. O que Aidar fez foi jogar responsabilidade descabida, antecipada em eventual eliminação do São Paulo da Libertadores. Repassar a culpa ao juiz. Talvez funcionasse na década de 80, hoje não. Os erros inadmissíveis administrativos no Morumbi não serão esquecidos. Nem se o time for campeão da Libertadores, o que é muito improvável.

1reproducao31 Truque velho. Só mostra o quanto o São Paulo é fraco nos bastidores da Conmebol. Aidar tenta desviar o foco da incompetência, o medo de ser eliminado da Libertadores pelo Corinthians. E pressiona Sandro Meira Ricci...

A situação já ficaria patética. Mas Aidar conseguiu ir além não resistiu aos microfones. E mostrou como ele é fraco nos bastidores da Conmebol. Admitiu o fracasso na tentativa de ter um árbitro estrangeiro para o clássico de hoje e não um brasileiro.

"Até mandei correspondência à Conmebol, estranhando sobremaneira a escolha do Ricci para esse jogo, por conta desse retrospecto. Perguntei por qual razão eles não escalam árbitros estrangeiros. Carrega-se toda uma história de campeonatos locais. Estamos preocupados com a arbitragem dele. Espero que não repita as atuações passadas. Não confio nessa estatística desastrosa em jogos do São Paulo."

Vale a pena destacar suas palavras. "Mandei correspondência à Conmebol estranhando sobremaneira a escolha de Ricci. (...) Perguntei por qual razão eles não escalam árbitros estrangeiros." Não é possível que um presidente de um clube tão importante como o São Paulo aja desta maneira amadora.

É preciso ter personalidade, viajar para Assunção. E pessoalmente tentar impor sua vontade antes da escala da arbitragem para qualquer jogo. Ficar mandando e-mail, carta, bilhete, correio elegante para a Conmebol depois que o juiz é escolhido é inútil. E ainda torno público o quanto a cúpula do São Paulo é fraca nos bastidores e está sem rumo.

Nada é por acaso no futebol. Se não fosse assim, o São Paulo não apelaria para a triste promoção "VC + 1". Ou seja, mesmo para um jogo valendo a vida do clube na Libertadores, os dirigentes resolveram agir: a cada ingresso comprado, o são paulino ganha outro. Ou seja, compre um e leve dois. Nem assim há a garantia de estádio cheio hoje à noite. Não há nada de modernidade. Mas apenas a constatação. O time não desperta confiança na sua torcida. É apenas mais um vexame da administração Aidar.

Por isso tudo, jogar nas costas do fraco árbitro Sandro Meira Ricci a responsabilidade de uma eventual eliminação, não adianta. Não enganará ninguém. O que o São Paulo fez na Libertadores até a partida de hoje?

E mais: será que Carlos Miguel Aidar não se lembra do jogo que deu o título brasileiro ao São Paulo em 1986? Ele já era presidente do clube. Foi esse campeonato que levou seu time a passar vergonha na Libertadores de 1987. Não se recorda do nome José Assis de Aragão? Do pênalti absurdo que o juiz não marcou de Vágner em João Paulo? O lance absurdo aconteceu nos minutos finais da partida. É inesquecível. Ou será que para o dirigente, não? Sua memória é seletiva?

O presidente são paulino não tem o direito de reclamar de arbitragem nesta vida e nem nas próximas encarnações...

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