Publicado em 24/05/2013 às 01h47
O Atlético Mineiro mostrou raça e muita sorte. Graças a Tardelli e ao coadjuvante Luan. O 2 a 2 contra o Tijuana dá a certeza. A semifinal da Libertadores está nãos mãos do time de Cuca…

Cuca é o treinador do Brasil que mais acredita em sorte.
Não há ninguém na elite como ele.
Suas medalhinhas, sua camiseta religiosa embaixo do agasalho.
Seus rituais.
E ontem ele saiu de Tijuana convicto.
Os deuses nestas quartas da Libertadores estão com o Atlético.
O que começou trágico acabou sensacional.
E fruto do acaso.
A contusão no adutor da coxa de Bernard mudou o jogo.
O coadjuvante Luan foi fundamental no ótimo resultado.
Mesmo jogando muito mal, o Atlético foi premiado.
Conseguiu o injusto empate em 2 a 2.
Resultado que só pode ser explicado pelos deuses do futebol.
Depois da desgastante viagem de 20 horas até Tijuana, veio o jogo.
O argentino Antonio Mohammed queria usar suas duas armas.
O desgaste físico do time brasileiro.
E o gramado artificial.
Ele sabe o quanto os brasileiros sofrem para se adaptar.
Sua equipe entrou da mesma forma que jogou contra o Corinthians.
Quando derrotou o campeão do mundo.
Marcando pressão e impondo correria.
Principalmente pela esquerda, forçando Núnez e Martínez.
Um erro de avaliação de Cuca foi fatal.
Ele acreditou em Bernard.
Que o jovem jogador superaria o desconforto na coxa esquerda.
Não superou, deu trotes no primeiro tempo.
Não conseguia correr.
Foi como se o Atlético Mineiro jogasse com um homem a menos.
Em seguida ficaria com um olho a menos.
Ronaldinho Gaúcho recebeu bolada forte no olho esquerdo.
Logo a pancada iria inchar seu rosto.
Ele já estava bem marcado, seu desempenho não foi bom.
"Joguei com um olho só.
Estava difícil enxergar com o esquerdo", justificaria.
No primeiro tempo, ninguém do Atlético jogou bem.
O Tijuana criou e desperdiçou várias chances.
O time atuava de maneira compacta, veloz.
E se aproveitando da intimidade com o gramado sintético.
O óbvio gol mexicano saiu aos 31 minutos.
Moreno misturou habilidade e visão.
Deu excelente passe de calcanhar para Riascos.
Gilberto Silva se desdobrou tentando cortar.
Só conseguiu ajeitar.
O chute foi ágil, forte.
Victor não conseguiu defender.
Tijuana 1 a 0.
Cuca estava todo tenso, o sufoco mexicano era para valer.
O Atlético Mineiro fez péssimo primeiro tempo.
Mereceria sair perdendo por dois ou três gols.
No intervalo, Cuca teve de tirar Bernard.
O jogador que o Atlético negocia com o Borussia estava contundido.
Além de atrapalhar o time poderia ter uma lesão mais séria.
Luan entrou com uma missão específica.
Ajudar a travar o lado esquerdo mexicano.
Ele tinha de ajudar na marcação.
E se possível atacar.
Os mexicanos estavam empolgados.
Sentiam a fraqueza física do adversário.
E principalmente a falta de intimidade com o carpete.
Só a Fifa para permitir essa atrocidade.
Como deixar que os mexicanos tenham tanta vantagem?
É mesma coisa que vôlei de praia ser disputado no asfalto.
Tivessem coragem e união, os brasileiros pressionariam a Conmebol.
Para pelo menos protestar.
É muita vantagem ao Tijuana.
Logo aos sete minutos, o segundo gol mexicano.
Victor se esforçou para defender chute de Moreno.
Mas a bola sobrou nos pés de Martínez, livre para fazer 2 a 0.
O resultado era péssimo.
E o Tijuana ainda jogava melhor.
Os atleticanos sabiam que precisavam ao menos descontar.
E aí entrou em campo o aliado de Cuca, o acaso.
Ronaldinho bateu mal um escanteio.
Arce não pegou em cheio na bola.
Ela procurou Tardelli.
O chute saiu fraco, mas o suficiente para enganar Saucedo.
Gol do Atlético Mineiro: 2 a 1, aos 20 minutos.
Um resultado fantástico diante da superioridade mexicana.
No Horto, o time precisaria de uma vitória simples por 1 a 0.
A partida ficou mais tensa, brigada nas intermediárias.
O Tijuana queria de qualquer maneira o terceiro gol.
E o Atlético tinha em Tardelli seu grande jogador.
O homem que lutava para encontrar espaço na zaga mexicana.
O tempo passava rápido e o time brasileiro jogava melhor.
Mais agrupado, trocando passes.
Só que não era noite de Ronaldinho e Jô.
Os dois estavam mal, irreconhecíveis.
Luan dava uma aula de dedicação.
Marcando atrás e lutando no ataque.
Quando parecia que seria decretada a derrota atleticana, veio o inesperado.
Cuca iria tirar Tardelli.
A substituição estava para acontecer.
Quando o atacante pediu para continuar.
Diante da vontade do jogador, Cuca tirou Jô.
Foi a providência o auxiliando.
Coube a Tardelli entrar aos trancos e barrancos pela zaga mexicana.
E servir de bandeja para Luan.
Ele estava livre diante do goleiro.
O chute saiu fraco, mas passou por baixo de Salcedo.
Era o empate do Atlético Mineiro.
Aos 47 minutos do segundo tempo.
2 a 2.
Sim, 47 minutos do tempo final.
Luan chorou demais, comemorando o gol.
Sabia da sua importância.
O resultado é espetacular diante de tantas dificuldades.
Não precisaria nem mais vencer no Independência.
Um empate em 0 a 0 ou 1 a 1 já basta.
Fora a vitória simples.
E a vaga para a semifinal da Libertadores fica garantida.
O Atlético Mineiro teve garra, raça.
Mas muita sorte.
Tardelli jogou por ele e por Ronaldinho.
O time tecnicamente foi mal.
Taticamente, foi engolido pelo Tijuana.
No final, a superação valeu.
E veio o empate.
Cuca tem mesmo que comemorar.
O resultado foi enganoso, injusto com os mexicanos.
Mas Luan e Tardelli mudaram o jogo.
Conseguiram o empate em 2 a 2.
E levar o fim da conversa para o Independência.
O time ontem se safou da derrota.
Mesmo jogando mal quebrou a invencibilidade da defesa mexicana em Tijuana.
Marcou dois gols.
E agora vai se preparar com calma.
Para não depender da sorte na semana que vem.
O Tijuana não é páreo para o Atlético.
Basta ter concentração e jogar de forma compacta.
As chances de vitórias sobre os mexicanos imensas.
Ronaldinho, Jô e Bernard não vão jogar tão mal.
Tudo promete ser muito diferente no Horto.
Mas não há lugar para reclamação.
O empate em 2 a 2 foi um prêmio do destino.
Da sorte para Cuca.
Na próxima quinta-feira, que use a competência para levar adiante o Atlético Mineiro.
E ter o gosto de chegar às semifinais da Libertadores de 2013.
Sem precisar ser refém da sorte de um coadjuvante.
Ensinar para os jogadores do Tijuana o já consagrado refrão.
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