Publicado em 20/05/2013 às 18h50
José Mourinho e Luxemburgo. Em comum o mesmo ego. O Real Madrid dispensou o português, como havia feito com o brasileiro há nove anos. Fabio Koff titubeia, mesmo diante dos fracassos gremistas. Dinheiro da multa não pode ser tão importante…

O ídolo de Vanderlei Luxemburgo foi mandado embora.
José Mourinho deixou o Real Madrid.
Pelos mesmos motivos que o treinador gremista fracassou.
Seu personalismo, virou um escravo do ego.
Acreditou demais no apelido de Special One dado pela torcida do Chelsea.
Se achava acima do bem e do mal.
Acreditava que bastaria o seu carisma para ficar até 2016.
Tinha assinado contrato com o Florentino Pérez.
O presidente do Real Madrid lembra muito Fabio Koff.
Os dois tiveram momentos fantásticos como presidentes de clubes.
Hoje se sentem meio perdidos diante da modernidade.
Não basta contratar e colocar os jogadores nas mãos de treinadores egocêntricos.
Se o dirigente não der limite, acompanhar o dia-a-dia, o ego toma conta.
Há uma grande diferença básica em relação a José Mourinho e Luxemburgo.
O português estava no auge quando largou a Inter de Milão e foi para a Espanha.
Luxemburgo não.
Estava largado pelos grandes clubes de São Paulo, Rio e Minas.
Todos estavam cansados do seus projetos.
Acompanhavam de perto sua decadência.
O 'deixa comigo' não convencia mais.
Bastava verificar o seu currículo.
E o empolgado Paulo Odone não o contrataria.
Ele sabia que a inauguração da nova arena coincidiria com a Libertadores de 2013.
E Luxemburgo é um dos últimos técnicos recomendados a trabalhar na competição.
São 33 anos como treinador.
Disputou sete Libertadores.
Passou vergonha em todas elas.
O máximo que conseguiu foi levar o Santos à semifinal.
Caiu diante do Grêmio de Mano Menezes.
Que perderia o título para o Boca Juniors.
Nestes 33 anos, Luxemburgo só não perdeu a empáfia.
Seu carisma, o toque mágico foram embora há muito tempo.
Se tornou um treinador comum, previsível.
E complicado.
Arrumando confusões a quem o convida para trabalhar.
Continua iludindo os dirigentes que querem ser iludidos.
Apresenta times fantásticos, sem chance de serem derrotados.
Mas chega a realidade e as derrotas.
O planejamento que parecia sensacional se torna ridículo.
Ou do que adiantou fazer o Grêmio ficar dez dias na Colômbia.
E em campo atuar como um time pequeno diante do Independente Santa Fé?
Mourinho chegou em 2010 cheio de pose no Real Madrid.
Trabalharia com um elenco estelar.
Cristiano Ronaldo, Ozil, Kaká, Modric, Di Maria.
Sua pose era de quem sabia o caminho para a Champions League.
E chegou perto.
Foram três semifinais.
Mas perto para o bilionário Real Madrid não servia.
Ganhou Campeonato Espanhol, travando o Barcelona no auge.
Foi pouco demais pelas expectativas que gerou.
Sua maneira arrogante de agir logo o colocou diante dos líderes do time.
Como Luxemburgo, ele conjuga bem demais os verbos fundamentais do futebol.
"Eu venço, nós empatamos e eles perderam."
Foi assim que bateu de frente com Casillas.
O líder do time e capitão da Seleção Espanhola, campeã do mundo.
Ele não o quis mais titular.
Quis mostrar força e escalar Diego López.
Acabou se enrolando com Kaká.
O queria longe, mas o contrato do brasileiro foi muito bem amarrado.
E o esqueceu na reserva.
Mourinho foi criando casos surreais.
Como quando enfiou o dedo no olho de Tito Vilanova, então auxiliar de Guardiola.
Brigou com jornalistas.
Cansou de dizer que era muito mais querido na Inglaterra.
Sugeriu que lá seria um lugar mais civilizado e melhor para trabalhar.
Acumulou decepções.
A gota d'água foi a perda da Taça do Rei.
A perdeu para o Atletico de Madrid por 2 a 1.
Descontrolado, foi expulso.
Sua última partida pelo Real Madrid foi patética.
Mourinho não quis sair do clube.
Foi demitido.
Florentino Perez se viu diante do mesmo impasse de Koff.
Mas não teve medo.
Foi investimento pagar multa e se livrar do problemático português.
Está contratando Carlo Anchelotti do PSG.
Bicampeão da Champions.
O treinador que fez Kaká viver seu auge no Milan.
Mourinho vai encontrar guarida junto a outro especialista em egos.
Roman Abramovich, russo bilionário dono do Chelsea.
Rafa Benitez já havia deixado claro que o português chegaria.
Luxemburgo tem contrato até dezembro de 2014 com o Grêmio.
Mas há campanhas de torcedores contra ele.
Trouxe jogadores que viraram alvos dos torcedores.
Cris, Adriano, André Santos, Welington.
Garantiu que se viessem Barcos e Vargas, o ataque seria infernal.
Não disse a Koff, no entanto, que escalaria o chileno como ele não gosta de jogar.
Fixo aberto, ele não rende nem metade do que pode.
Informações sobre atletas que atuam no Exterior nunca foi seu forte.
Apesar de colocar a mesma banca de Mourinho.
O Grêmio estava carente de técnicos de ego.
Luxemburgo substituiu Caio Júnior, humilde demais para o cargo.
Florentino Pérez demorou mas tomou atitude.
E anunciou hoje que José Mourinho e seu ego vão para longe do Real.
Fabio Koff ainda não foi por esse caminho.
Está perdendo a sua maneira firme de agir.
Hoje nem apareceu no treino.
Luxemburgo fez de conta que nada estava acontecendo.
Que o projeto do milionário Grêmio foi abortado pelo Santa Fé.
E deu treino normalmente.
Estava descansando do fracasso no Rio de Janeiro.
Desde que pisou em Porto Alegre, só fracassos.
Não ganhou nem um turno do Gaúcho de 2012.
A mesma coisa no Campeonato Gaúcho de 2013.
Caiu na Copa do Brasil.
Na Sul-Americana.
No Brasileiro só a vaga para a Libertadores.
E eliminação da Libertadores de 2013 nas oitavas de final.
Tudo isso com um time que custa R$ 7 milhões por mês.
Luxemburgo e José Mourinho têm o mesmo ego.
O português é muito mais competente do que ele.
Mas foi defenestrado do Real Madrid pelo pífios resultados.
Partiu com seu currículo de duas Champions League.
Luxemburgo ainda não.
Fabio Koff reluta, não quer gastar com a multa rescisória.
Pior para o Grêmio.
Começará no próximo final de semana o Brasileiro.
E o professor parece que estará lá.
Para fazer as suas promessas, apresentar seus projetos infalíveis.
Que lembram o plano de Cebolinha para sumir com o Coelho da Mônica.
Nunca chegou sequer a uma final de Libertadores.
Em 33 anos de carreira!
Pérez se cansou da cantilena de Mourinho.
E agiu.
Fábio Koff está esperando pelo insuportável.
E ele chegará com o decadente Luxemburgo.
Optou por perder tempo e dinheiro.
A demissão do treinador e seu fraco trabalho é uma questão de tempo.
Conselheiros sonham com Mano Menezes, com Renato Gaúcho.
A torcida não quer o técnico carioca.
Só falta Koff agir.
Seria bom ele acompanhar o que aconteceu hoje em Madrid.
Ou então tentar descobrir o que aconteceu no Real há nove anos.
O time espanhol suportou Luxemburgo por 12 meses em 2004.
Ele nas mãos Zidane, Ronaldo, Roberto Carlos, Raul, Beckham.
O resultado foi o mesmo que em Porto Alegre.
Fracasso absoluto.
Não ganhou nem um mísero título.
O dinheiro da multa não pode ser tão importante.
Não mais do que o futuro do Grêmio.
Dando sobrevida ao ultrapassado técnico, Koff sabe.
Só aumentará a agonia de sua torcida.
Tentará que Luxemburgo peça demissão.
O presidente vai perder tempo e dinheiro.
O treinador aprendeu muito bem a lidar com demissões.
É o que o que mais faz nos últimos anos.
De Porto Alegre ele só sai com sua multa no bolso...
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