O São Paulo teve coragem, jogou bonito, parecia estar no Morumbi. Mas Lucas Pratto decidiu. Marcou os três gols do líder do Brasileiro. 3 a 1 Atlético Mineiro…

1ae40 O São Paulo teve coragem, jogou bonito, parecia estar no Morumbi. Mas Lucas Pratto decidiu. Marcou os três gols do líder do Brasileiro. 3 a 1 Atlético Mineiro...
Foi bonito. Corajoso. Pressionar o líder do Brasileiro no seu estádio. Marcar a saída de bola com coragem. Ter 19 minutos de domínio. Luís Fabiano obrigado Vitor a fazer excelente defesa. Pato, livre, cara a cara, chutou fraquíssimo, nas mãos do goleiro atleticano.

O técnico Juan Carlos Osório disse que iria usar o jogo como parâmetro das pretensões do São Paulo no Brasileiro. Estava animado, feliz com o que via. Não tardaria para perceber que, na verdade, estava iludido.

Quando seu time parecia que iria marcar, veio o primeiro gol de Pratto, com muita sorte. Seis minutos depois, o argentino faria o segundo com muita qualidade. O terceiro, com oportunismo, demorou um pouco mais 17 minutos. Aos 42, a eficiência de Lucas Pratto voltaria a desequilibrar. E líder do Brasileiro marcava o terceiro e liquidava a partida. Pato ainda descontou no segundo tempo. Mas o Atlético Mineiro venceu por 3 a 1. Continua líder, só que agora abriu oito pontos do São Paulo, travado na quinta colocação.

"Foi ataque contra ataque. O São Paulo tem jogadores importantes. Mas fomos mais eficientes. Conseguimos marcar e saímos com essa importante vitória", dizia Lucas Pratto, confessando que, pela primeira vez na carreira, fez três gols em um só jogo.

"Temos qualidade para jogar. Jogamos assim contra um time bem entrosado. Podemos jogar contra qualquer time. Pena que não é todo dia que a gente tem um gramado assim bom para jogar. Mas a gente criou tudo o que tinha para fazer. Bateu bola na trave, bola para fora, o goleiro defendeu. Foi um jogo sem muita lógica", avaliou Rogério Ceni.

Osório mostrou muita coragem na montagem da equipe. Apostou em três zagueiros e com dois alas bem abertos. Cinco jogadores no meio de campo e Pato e Luís Fabiano na frente. Até parecia o 3-5-2 que Muricy Ramalho consagrou em vários títulos que conquistou no Morumbi.

A intenção do colombiano foi perfeita. Superpovoar o meio de campo, travar a troca talentosa de bola mineira. Ainda no nascedouro. Na intermediária atleticana. Foi um sufoco que realmente surpreendeu Levir Culpi. O time paulista foi muito superior no início do jogo.

Osório impediu a saída de bola com talento dos volantes mineiros. E comprou a briga como poucos sequer imaginaram. O grande problema foi que para tudo sair com perfeição, o seu time deveria fazer o primeiro gol. E tirar de vez a paz de espírito do líder do Brasileiro.

Chances apareceram. Luís Fabiano começou o jogo no ritmo do São Paulo, abrindo espaço, tabelando em velocidade, chutando a gol. Ele obrigou logo de cara Victor a uma excelente defesa, ao quatro minutos. Mas o lance capital aconteceu aos 17 minutos. Em um contragolpe, Michel Bastos deixou Pato livre, sem marcação.

O atacante desceu da intermediária, invadiu a grande área, sem ser perturbado chutou para o gol. Nem um pai, brincando com o filho de cinco anos, em uma manhã de domingo, não chutaria tão fraco. Lance ridículo para um jogador que recebe R$ 800 mil mensais. Victor se assustou até a lentidão da bola, que parecia mais recuada do que batida pelo principal atacante adversário.

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Enquanto isso, Levir tratou de reequilibrar seu time. Pediu para Thiago Ribeiro recuar para compor no meio de campo. Os mineiros passavam a jogar no 4-5-1. Sim, um esquema que primeiro marcava. Mas tinha condições de travar o 3-5-2 de Osório. Porque seu time está muito entrosado, confiante, eficiente.

E foi justamente a eficiência que mudou o rumo do jogo. Marcos Rocha se aproveitou do espaço que Reinaldo lhe proporcionou. Levantou a cabeça e fez excelente cruzamento para Lucas Pratto. O argentino se antecipou a Toloi e desviou a bola. Rogério Ceni ainda conseguiu o milagre. Mas a bola voltou e bateu no ombro do atacante e entrou. Gol do Atlético Mineiro, aos 19 minutos.

Como sempre acontece no atual São Paulo, sofrer um gol traz um peso, uma angústia transparente. A confiança se esvai. O time abaixa a cabeça. Se mostra fraco psicologicamente. E isso não se faz contra o líder do Brasileiro, diante da melhor equipe do país.

O castigo não tardou. Bastaram seis minutos. E outra vez os três zagueiros do São Paulo provaram que não valem por um bom. O excelente Giovanni Augusto desceu nas costas do improvisado Thiago Mendes e enfiou a bola entre Lucas Pratto e Lucão. Lógico que o argentino chegou primeiro. E, com muita qualidade, desviou para as redes de Rogério Ceni. 2 a 0, Atlético.

O São Paulo se perturbou mais ainda. Paulo Henrique Ganso, que havia começado bem a partida, sumiu. Michel Bastos também. Luís Fabiano deveria até ter sido substituído. Se irritou profundamente com o desenho da nova derrota. Perdeu o foco. Alexandre Pato corria de um lado e do outro, buscando a chance de finalizar. E ela veio.

Luís Fabiano brigou com a zaga e a bola dobrou limpa para Pato. O chute foi fortíssimo de dentro da área. Victor conseguiu uma ótima defesa. Logo em seguida, o veterano atacante serviu Ganso. O meia colocou a bola na trave. E no rebote, livre, Pato chutou fora. Inacreditável.

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Se Pato gostava de desperdiçar, Lucas Pratto, não. Hudson deu péssimo passe no meio de campo. A bola caiu nos pés de Giovanni Augusto. Ele deu outro passe perfeito. O argentino dominou e antes que a bola batesse no gol. 3 a 0 Atlético aos 43 minutos do primeiro tempo. sem hipocrisia, todos no Mineirão sabiam que o jogo estava decidido.

No segundo tempo, o São Paulo entrou para tentar ao menos descontar o placar. Só que quem mudou foi o Atlético Mineiro. Levir sabia que teria o contragolpe à disposição. Teve mesmo. Por isso, seu time passou a ter Carlos no lugar de Cárdenas. Para ganhar na velocidade o espaço que os paulistas dariam.

O São Paulo colocava Centurión para pelo menos ter mais correria na frente.O jogo ficou muito elétrico, com chances de lado a lado. Aos 13 minutos, um raio de esperança. Paulo Henrique Ganco descobriu Pato entrando por trás da zaga. Gol que animou um pouco o descrente Osório. 3 a 1.

O jogo seguiu aberto, com chances dos dois lados. Apesar da empolgante torcida atleticana implorar por Guilherme, Levir Culpi usou o bom senso. E fechou a intermediária. Tirou Thiago Ribeiro e colocou Danilo Pires. O Atlético já controlava mais o ímpeto do São Paulo.

O time de Osório já demonstrava o recorrente cansaço de fins de partida. E o placar se manteve. Com a torcida atleticana comemorando a manutenção da liderança do Brasileiro.

Foi um jogo suado, brigado. Que revelou várias situações. Entre elas que o São Paulo tem talento suficiente para jogar no ataque, seja em que estádio for. Mas desde que o time contrate um ou dois bons zagueiros de verdade. E já o Atlético precisa marcar mais forte, apesar da sina ofensiva da equipe.

A partida também serviu para diferenciar os rumos dos dois no Brasileiro. O Atlético quer quebrar o jejum de 1971. E o São Paulo já dará volta olímpica se chegar entre os quatros primeiros e chegar à Libertadores de 2016...
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Sócrates. As histórias impressionantes de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido…

1ap15 Sócrates. As histórias impressionantes  de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido...
Contestador. Inteligente. Talentoso. Depressivo. Autodestrutivo. Diferenciado. Genial. Vários adjetivos que se encaixam para definir Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira. Foram 57 anos de uma vida intensa. Um dos jogadores com mais personalidade a nascer neste país.

A sua biografia até hoje é impressionante. E ela foi muito bem escrita. Mostrando lados desconhecidos. Várias peças formam um painel brilhante de um ser humano impressionante. Fiel até à morte às suas convicções.

O escritor Tom Cardoso assumiu a missão que muitos esperavam ser de Juca Kfouri. Mas o autor de 'O Cofre do Dr. Rui'; 'Tarso de Castro', biografia do jornalista fundador do O Pasquim; e "O Marechal da Vitória", sobre Paulo Machado de Carvalho, assumiu a tarefa. O livro ficou excelente.

Em uma longa e cativante entrevista, Tom descreve Sócrates como poucos poderiam imaginar. As histórias parecem roteiro do filme que virá. Impressionantes. Mas verídicas.

Melhor o próprio autor descrevê-las...

Como nasceu o Sócrates jogador? A família dele era intelectualizada?

Não. E também não tinha nenhum atleta na família. A história é interessante. O pai dele, Raimundo, era um cearense semianalfabeto, nascido em casa de chão batido, autodidata, que lia filosofia por conta própria. O curioso é que foram nascendo os filhos e ele foi batizando com os nomes dos filósofos que ele estava lendo.

E até tem uma história engraçada quando nasceu o Sócrates. O pai, lógico, lia Sócrates. Depois vieram Sóstenes e Sófocles. A mãe, dona Guiomar, resolveu parar com essa história de nomes de filósofos. E começou a dar nomes de nordestino. Raimundo, Raimar, que eram junções. Aí veio o Rai. O pai disse que era hora de parar com esses nomes cearenses, muito feios. E quis voltar a dar nome de filósofo. Ele estava lendo Xenofante. E quis batizar assim o menino. Dona Guiomar não quis de jeito nenhum. E o pai respondeu que não queria mais nomes que eram junções, por ser muito brega. E ficou Rai.

Mas a ligação do Sócrates com o futebol tem tudo a ver com o Pelé. Ele era santista na infância. Ele ia ver os jogos com pai. E a maior goleada do Santos foi 11 a 0, com oito gols do Pelé na Vila Belmiro. E o Machado, goleiro do Botafogo, evitou mais uns 30. E o Sócrates assistiu ao jogo no colo do pai. E passou a gostar de futebol por isso. Começou a se destacar jogando desde menino. E como seu Raimundo sempre deu muito valor à educação. Tanto que foi um dos 16 aprovados no concurso para fiscal da Receita Fiscal no Brasil. Estudou sozinho na luz do lampião, no Nordeste.

Seu Raimundo foi muito bem no concurso. E pôde escolher entre Santos e Ribeirão Preto. Como a família vivia em Belém, onde o Sócrates nasceu, ele optou por Ribeirão, que era mais quente, mais interiorana. Santos já era uma cidade portuária, muito agitada. Foi lá que nasceu o Raí. Sócrates sempre sarcástico, disse que o Raí fazia parte da geração filé mignon, quando o seu Raimundo já estava melhor de vida, fiscal da Receita Federal. Com dinheiro para dar carne boa para os filhos. Por isso o Sócrates dizia que o Raí era fortão e ele magrinho.

Tom, valorização do Raimundo em relação aos estudos fez com que o Sócrates só viesse ao Corinthians tarde?

Sim. Ele só veio para o Corinthians com 24 anos. Ele já jogava futebol em chácaras. Tinha um talento assombroso. Mas sempre indisciplinado. Mas o pai só deixou sair de Ribeirão Preto quando estivesse formado médico. E o Sócrates respeitou a vontade do pai.

Pesou também o fato de o Sócrates ter começado a beber cerveja muito cedo. Bebia e fumava com 14 anos. Por isso o pai falou que ele só iria para um time grande formado. E ele escolheu medicina porque tinha o sonho de ser médico social, atender a população carente de graça. Ele tinha essa consciência social desde cedo. Ele jogava com os peões das fazendas e via a desigualdade. Uma pena que nunca exerceu a medicina.

Ele também foi influenciado pelo pai, que lia muita literatura de esquerda. Inclusive, na época da Ditadura Militar, chegou a queimar os livros que tanto amava. Com medo que se alguém descobrisse o que lia acabasse prejudicando a família. Aquela cena do pai queimando os livros marcou muito a vida do Sócrates.

 Sócrates. As histórias impressionantes  de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido...

Tom, qual é a verdadeira história da ida do Sócrates para o Corinthians?

O Sócrates jogava no Botafogo porque a diretoria o deixava ficar sem treinar. Apenas jogar. Ele passava muito tempo estudando. Mas todos sabiam que, quando ele se formasse, iria para um time grande. E era acompanhado de perto. Principalmente pelo São Paulo. O presidente do clube na época, Antônio Nunes Leme Galvão, se antecipou. Foi até Ribeirão. E participou de vários churrascos com o pai do Sócrates. E dizia que, quando se formasse, iria jogar no São Paulo. Estava tudo certo.

Mas nisso, havia um conselheiro do Corinthians que estava em um dos churrascos. E ele avisou a diretoria do Corinthians. O então presidente corintiano, Vicente Matheus, soube. Teve uma ideia. Disse que estava interessado em comprar o Chicão. Sabia que o São Paulo iria esperar o dinheiro desta compra e, com ele, buscar o Sócrates.

Enquanto deixou o São Paulo esperando, disfarçou. Disse que estava indo para a Argentina comprar o Maradona, jovem revelação do Argentino Júniors. Saiu na capa de todos os jornais da época. Só para despistar o pessoal do São Paulo. E ele pegou o chofer dele e foi para Ribeirão Preto.

Como o Vicente Matheus era carismático, ele acabou cativando o Sócrates, o seu Raimundo e acabou contratando o jogador. Não quis comprar o Chicão e deu um puta rolo com o São Paulo. O Corinthians venceu. Mas não foi um bom negócio financeiro para o Sócrates.

Como assim?

O Vicente Matheus acabou oferecendo uma miséria para o Sócrates. Ele veio ganhando 45 mil cruzeiros. O Zico ganhava, na mesma época, 450 mil cruzeiro. E o Sócrates já tinha quatro filhos, com 24 anos. E para criar todos, mais a mulher em São Paulo, iria consumir todo o seu salário. Não tinha noção disso. Ele foi morar então em um apartamento com o Palhinha. Ia para o treino de carona do Palhinha. Muito apertado de dinheiro.

Entrevistei o Datena para o livro. Ele era repórter de futebol, de Ribeirão Preto, e amigo do Sócrates. E me disse que chegava na casa do Sócrates e lá parecia uma comunidade hippie. Com todos os filhos dormindo em colchões no chão. Não parecia uma estrela do futebol que já havia até sido convocado pela Seleção, pelo Coutinho.

E o relacionamento do Sócrates com a torcida do Corinthians não foi bom no início, foi?

De jeito nenhum. Pouca gente sabe, mas o Sócrates passou os primeiros anos sendo infernizado pela torcida do Corinthians. Primeiro porque ele era o avesso do estereótipo do jogador corintiano, de jogador de raça. Era mais frio, econômico nos gestos. Fazia o gol comemorando o punho fechado, fazendo o gesto dos Panteras Negras (organização política ligada aos negros norte-americanos. Lutava pelo fim da segregação racial nos anos 60.)

Ele tinha uma grande identificação com os Panteras Negras e a torcida não sabia que droga era aquele braço levantado. Os corintianos queriam que ele pulasse alambrado. Mas depois dele daria uma entrevista dizendo que ele mal tinha fôlego para jogar. Se ele tentasse pular o alambrado, ele morreria. E mais. Primeiro ele achava também que não precisava fazer média.

Tem uma história que quase ninguém se lembra. Em 1981, o Corinthians teve de disputar a Taça de Prata no Campeonato Brasileiro (uma Segunda Divisão disfarçada). Naquele ano estava muito mal. Tanto que perdeu uma partida no Pacaembu para o XV de Piracicaba. E o Sócrates foi dar uma carona para o Palhinha. Só que ele tinha comprado um Fiat 147. Verde! Os torcedores quando reconheceram os dois dentro do carro, logo depois do jogo, quase lincharam a dupla.

Quando escaparam, o Palhinha falou para o Sócrates: "Magrao, seu filho da puta, você não querer correr para o alambrado depois do gol, tudo bem. Mas comprar comprar um carro verde, seu merda?" O Sócrates respondeu. "Não vou vender meu carro para fazer média com torcida. E quando os repórteres perguntavam para que time ele torcia, dizia que era para o Santos do Pelé. Ele era assim.

O Sócrates só virou ídolo da torcida do Corinthians depois da Democracia Corintiana. Antes disso ele era tido como um Ganso no São Paulo. Jogador descompromissado, frio, que não dava sangue. Acredito que dê para fazer um paralelo entre os dois.

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Tom, explique a Democracia Corintiana. O Sócrates era, na verdade, um ditador?

O bom é que eu pude desmistificar essa história do Sócrates político. Não era. Em 1979, ele deu uma entrevista para a Playboy. Nela, elogiou o general Figueiredo. Disse que não era hora de democratização. Achava a militância política um saco. E que no grêmio estudantil de Ribeirão Preto ele gostava era de tomar cerveja. Achava um porre esses discursos acadêmicos de esquerda. Dizia que estava mais para a esquerda festiva do que a tradicional.

Quem levou a política para a Democracia foi o Wladimir. Ele era um negro que estudava iorubá (idioma africano), muito consciente do momento político brasileiro, idealista, filiado ao PT. O Sócrates, apesar de consciente, não era tão envolvido. Era o cara da cerveja. Foram o Wladimir e o Adilson Monteiro Alves, um sociólogo. Ele era um sociólogo que ganhou de presente o futebol do Corinthians. Foi um cara que foi preso no famoso Congresso de Ibiúna, com o Zé Dirceu.

Muita gente acha que a Democracia era o Sócrates, quando na verdade, não. Ele foi o catalizador por causa da Seleção. Foi líder, mas não o ideólogo.

A Democracia foi 'democrática'?

Não. Ela levava em conta o voto do massagista, mas em alguns momentos, ela falhou. Um dos momentos marcantes foi a vinda do Leão. Foi votada a vinda dele e o Sócrates foi a favor. Quando fizeram a votação, deu um puta tumulto. O Casagrande era o principal jogador contrário. Dizia que ele era um reacionário. Mas o Sócrates defendia porque dizia que o Corinthians precisava de um goleiro bom.

O Zenon me disse que, quando houve a contagem, houve uma confusão e o Adilson pegou os votos e nem contou direito. E já foi logo dizendo, "o Leão vem". Dez minutos depois, o Leão foi apresentado aos jogadores. Ele já estava dentro do clube. Estava contratado pelo Adilson. E depois se descobriu que o Adilson tinha jantado com o Sócrates e o Wladimir para falar do Leão. Tanto que o (técnico) Mario Travaglini pediu demissão três dias depois por não ter sido consultado sobre o Leão. Ou seja, a Democracia não era democrática.

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Como foi a vida do Leão no Corinthians, com a Democracia?

O Sócrates sempre disse que se arrependeu amargamente. Ele dizia: "pense em tudo em que uma pessoa ruim pode ter. Essa pessoa é o Leão". Ele boicotou a Democracia. Dividiu o clube entre ele e o Sócrates. Era uma questão pessoal. Tem uma história que ilustra bem a polêmica que cercou o Leão.

Na semifinal de 83, jogaram Corinthians e Palmeiras. O primeiro jogo acabou empatado em 1 a 1. O Adilson Monteiro acreditava que o Leão havia falhado de modo estranho no gol do Palmeiras. No segundo jogo, o Corinthians entrou em campo faltando apenas cinco minutos para a partida começar. Eles se trocaram no ônibus. Não foram nem para o campo. Porque o Adílson convocou uma reunião. E disse. "Se você falhar neste jogo e o Corinthians perder, vou para a imprensa e digo que você está nos boicotando por causa da Democracia Corintiana." E o Leão foi o melhor em campo. Mas mesmo campeão, ele sai porque não tinha mais ambiente para ele.

Tom, como foi a ida do Sócrates para a Fiorentina? Ele foi porque não foi aprovada no Congresso a emenda das eleições diretas para presidente?

Sabe qual foi o principal motivo dele ter ido embora? O romance dele com a cantora Rosemary. Era amante dele. A Regina, mulher dele e mãe dos quatros primeiros filhos, descobre. Depois, o Adilson Monteiro Alves não estava mais no Corinthians. A turma do Vicente Matheus, Romeu Tuma Júnior, chegou ao poder. Era o retorno dos conservadores. A derrota das Diretas contribuiu. Além da proposta milionária da Fiorentina, ele ganharia seis ou sete vezes mais. Mas o que pesou foi o casamento em crise.

Tom, eu falei com um jornalista italiano e ele me revelou. A imprensa italiana acredita que a contratação do Sócrates foi uma das piores de todos os tempos. O apelido dele, inclusive, era Palhaço. Por quê tanta raiva dele?

Existe uma soma de coisas. Primeiro, a indisciplina. Não obedecia o técnico, queria treinar pouco como aqui. A escola italiana era de força, muita marcação, como ainda é hoje. O que era totalmente contrário do estereótipo do Sócrates como jogador. A ciumeira do Passarella. Para o Sócrates ser contratado, a Fiorentina dispensou um outro argentino. Além disso havia a família Pontello, dona do clube. Ela era representante da Democracia Cristã italiana, o maior partido de direita.

E quando ele foi apresentado no estádio da Fiorentina, fez seu gesto tradicional. Levantou o punho cerrado. O Flávio Pontello perguntou, assustado. "O que é que isso? Gesto comunista aqui?" O Sócrates foi avisado da gafe. E respondeu. "Ah, ele não gostou? Então é agora que vou fazer toda hora." Seis meses depois dá uma entrevista ao jornal do PCI, Partido Comunista Italiano. O gesto do punho fechado, erguido, é também ligado à esquerda. Lembra quando o Zé Dirceu é preso e faz a mesma coisa?

Depois, na entrevista de apresentação, foi perguntado sobre se fumava. Ele falou. "Fumo de dez a 15 cigarros por dia". Os repórteres perguntaram também sobre a bebida. 'Vai deixar de beber?' O Sócrates respondeu: "Não vou". Não fez média.

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Tom, o Sócrates fumava mesmo dez a 15 cigarros por dia? E bebia todos os dias?

O Sócrates fumava mais do que isso. Um, dois maços. E bebia todos os dias. Como já disse, desde os 14 anos. Ele sempre bebeu cerveja. Mas no final da vida, trocou pelo vinho. Só que bebia vinho na quantidade de cerveja. Acho que iria pelo vinho que era mais saudável. Mas a quantidade que bebia era absurda. Sempre foi alcoólatra. Mas só reconheceu no final da vida.

Mas como ele conseguia jogar?

Olha, o Sócrates só ficou seis meses em forma. Foi quando o Telê o convenceu a jogar a Copa de 1982. Ele ficou 'limpo'. Parou o cigarro totalmente como a cerveja. O (preparador físico) Gilberto Tim cuidou especialmente dele. O Júnior me deu uma entrevista e disse que o Sócrates vomitava nos treinamentos do Tim. Na época eram treinos revolucionários. Todos tinham de dar oito piques de 300 metros. O Sócrates vomitava. Não tinha condicionamento algum.

Mas durante a Copa, o Sócrates dá arrancadas fenomenais. Ele vira atleta de fato. Se dedicou tanto assim pelo Telê. Ele identificava muito o técnico com o seu pai. Franco, direto, trabalhador. E que não era tanto tático. Gostava de dar liberdade aos atletas, confiava neles. Isso combinava com a maneira de o Sócrates enxergar futebol.

O quanto o Sócrates queria vencer a Copa de 82?

Ele teve um envolvimento emocional com os companheiros daquela Seleção. Apesar de diferentes, ele adorava o Zico. Havia uma preocupação no começo em relação aos dois e ao Falcão. Os três eram capitães nos seus times. Quem iria mandar, quem seria o líder daquele time? O Falcão me falou que o Sócrates era tão líder que exerceu sua liderança de forma silenciosa.

O Sócrates foi tão influente que fez toda a Seleção jogar em função dele. Com toque de bola rápido. Essa história que o Guardiola diz que era moleque e se espelhou no Brasil de 82 é verdadeira. Isso por causa do Sócrates. O próprio Zico confirmou que no Flamengo driblava e carregava muito a bola. Mas na Seleção, na Copa da Espanha, passou a tocar muito a bola. Por causa do Sócrates. O estilo da Seleção de 82 era puramente Sócrates.

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O Sócrates influenciou na mudança de personalidade do Serginho na Copa?

Não. De jeito nenhum. Não partiu dele. Os dois se adoravam. Bebiam juntos. O Sócrates gostava do jeito estourado do Serginho. Mas nunca tiveram problema algum. Há uma história que mostra essa ligação. Em um jogo de 82, o Corinthians enfrentava o São Paulo. E o Serginho começou a dar pontapés. Mas só no Sócrates. Ele não se aguentou e perguntou. "Que porra é essa, Chulapa? Por que você está me chutando?" "Magrão, o próximo jogo do São Paulo é em Marília. Eu peguei a mulher do delegado. E ele me jurou de morte. Tenho de ser expulso." "Chulapa, então vá chutar a canela de um cara que você não gosta. E para de chutar a minha." Aí o Serginho foi chutar outros e foi expulso.

Mas como foi o impacto da derrota em 1982?

Ele sentiu muito. Mas o Sócrates foi frio. Primeiro ele não acreditava que a Seleção Brasileira era muito melhor do que a Italiana. E reconhece que a Itália jogou melhor. Mas o que pouca gente sabe é o que o Sócrates teve um pressentimento. Quando o Falcão empata aquela partida em 2 a 2, ele vai comemorar e, de repente, o semblante dele fica fechado. Naquela hora, ele que não era místico, sentiu uma espécie de 'anjo triste' avisando que tudo estava acabado. Ele sentiu que aquele gol era o último do Brasil na Copa.

Acaba o jogo, o Brasil está eliminado, mas o Sócrates parece sereno.

Ele disse que aquele dia foi o pior de toda a sua vida. Só que nunca mostrou muita tristeza falando da Copa. Por causa das amizades que fez. Zico, Falcão, Júnior, Leandro. Disse que não trocava o título pelas amizades.

E a Copa de 86? O que significou para o Sócrates?

O impacto foi muito menor. Aquela já era uma geração envelhecida. De todos os convocados, o mais contestado foi o Sócrates. Ele estava mal demais fisicamente. Ele já tinha fôlego de veterano com 19 anos no Botafogo. Com 32 anos, mal podia correr. Sua participação foi mais política. Bate de frente com a CBF.

Ele se revoltou porque cada um só tinha cinco minutos para falar com a família no Brasil por telefone. Contestou o prêmio dos jogadores. Não era mais o capitão. Ele pensava mais fora do que dentro de campo. Tanto que não ficou tão abalado quando o Brasil perdeu. Sabia que o time não era tão bom quanto o da Copa passada.

Tom você disse que o Sócrates era um contestador. Na Itália, em um time comandando pela Democracia Cristã, ele não pode ter se dado bem fora dos gramados.

Tem uma história que resume bem isso. Havia uma enorme ciumeira dele na Fiorentina. Mas ele estava deprimido. Era Carnaval. O Sócrates decidiu fazer uma festa de Carnaval na casa dele. Mandou trazer um monte de chope. E decidiu. Não seria uma festa. Mas duas. A primeira para os brasileiros na Itália. E a segunda para os gringos. Disse que iria mostrar para esses filhos da ... como se faz festa.

O primeiro dia seria para os brasileiros. Para o Júnior, Zico, Cerezo, Pedrinho. E no primeiro dia, todos beberam muito. Não só isso. O Sócrates ficou na porta e obrigava a quem chegava a dar uma cheirada de lança perfume. "Aqui na minha festa, todo mundo tem de ficar doidão", dizia o Sócrates. E todos obedeciam. Quando acabou o lança perfume, ele passou a usar um monte de laquê da mulher, que também dava barato.

E cada laquê tinha uma cor. O Zico me disse que cada um foi ficando com o nariz de uma cor. O do Cerezo estava amarelo, do Leandro vermelho, e por aí. O Zico falou que a única vez na vida dele que ficou doidão foi nesta festa.

Todos vararam a noite. E quase todos desmaiaram no fim da festa. Não conseguiram ir embora. Dormiram encostados pelos cantos. Só que logo cedo, no dia seguinte, chegaram os gringos para o 'carnaval brasileiro do Sócrates'.

Enquanto os brasileiros chegaram com pandeiros, bumbos, os italianos chegaram de terno, gravata. O Sócrates falou para os seus amigos daqui. "Filho da puta não entra na minha casa de gravata." Foi no quintal e pegou o cortador de grama, que era um 'tesourão' imenso. Aí ele viu aquelas gravatas Versace, Armani e começou a cortar. Todo mundo que chegava, ele fala 'dá licença' e ia cortando as gravatas. Os brasileiros como Zico e o Júnior chorando de rir.

O último a chegar foi o Passarella, capitão da Fiorentina, personalidade forte. Todos pensaram que o Sócrates não fosse cortar sua gravata. Ele não só cortou como fez picadinho da gravata. O Passarella ficou louco, constrangido.

 Sócrates. As histórias impressionantes  de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido...

Por que a depressão do Sócrates?

Na verdade, o Sócrates já estava muito puto. Sofria boicote na Fiorentina. Não passavam a bola para ele. Além disso declarou mais tarde que percebeu algo estranho. A máfia de resultados na loteria no Campeonato Italiano. Pensou que fosse chegar em Firenze e tomar um banho de cultura. No fim encontrou um clube dominado por uma família de direita, reacionárioa. Além disso, enfrentou o pior inverno dos últimos 30 anos na Itália. Ficou mal. Ficou pouquíssimo tempo e quis voltar. Nem pensar em seguir na Europa.

Ele esteve para jogar na Ponte Preta...

Sim, é verdade. O Luciano do Valle quis tocar um projeto para o seu retorno. Disse que havia conseguido empresas patrocinadoras. O Sócrates fez até uma capa para a Placar com a camisa da Ponte. Posou, assinou contrato. E disse para os italianos que iria embora. Quando chegou no aeroporto, o Luciano do Valle falou que deu tudo errado e não havia dinheiro algum.

O Sócrates teve de voltar com o rabo entre as pernas para a Fiorentina. Teve de voltar para a Itália, quis entrar no clube, mas o segurança estava avisado. E ele foi avisado que não poderia passar pelo portão, pisar na Fiorentina. O resultado: perdeu muito dinheiro. Teve ódio do Luciano do Valle.

Até que foi feito um pool no Flamengo para trazê-lo de volta ao Brasil. Assim como havia acontecido com o Zico. Ele vem para o Rio. Só que deu tudo errado. Caiu de cabeça na noite carioca. Entrevistei a Nana Caymmi e ela me contou que o Sócrates dava festas que varavam a madrugada na sua casa. Só que os jogadores do Flamengo não iam. Isso porque o Zico foi uma vez e o Sócrates trancava a porta e escondia as chaves. Dizia, 'ninguém sai da minha casa antes de amanhecer'.

A casa tinha muros altos. O Zico ficou desesperado. Falou que a sua mulher o estava esperando em casa. Quando viu que o Sócrates não iria abrir, ele teve de arrombar a porta. Os jogadores souberam e ninguém do Flamengo aceitava ir. O Sócrates não parecia, mas era muito festeiro. Precisava ser controlado.

Foi o que fez o Jorge Vieira no Corinthians. Sabia que ele era fundamental no time. Só que não saía da noite. Adora o Gallery. O que ele começou a fazer? Ia com o Sócrates para o Gallery. Mas com a sua mulher e obrigava o Sócrates a levar a dele. O Sócrates ficava com a cara emburrada. E quando dava meia-noite, o Jorge Vieira dizia que era hora de ir embora. E todos iam. Só isso segurou o Sócrates no Corinthians.

3afp4 Sócrates. As histórias impressionantes  de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido...

A diretoria do Flamengo não queria matar o Sócrates?

Não. Porque ele teve uma hérnia e um problema no joelho. Então aceitava suas ausências. O Bebeto surgiu, assim como uma grande geração no Flamengo. O Sócrates foi deixado de lado.

Por que o Sócrates não voltou para o Corinthians?

O Vicente Matheus era o presidente. E não queria ele de volta. Mas estava sendo muito pressionado pela torcida, pela imprensa. O que ele fez? Chamou o Sócrates para uma reunião. E depois dela, malandro, disse que era o Sócrates que não queria voltar. O que não era verdade. Mas não houve comoção da torcida. O Sócrates só virou mesmo grande ídolo do Corinthians na Democracia. E só foi lembrado com saudade quando morreu.

Depois do Flamengo o que aconteceu?

Ele disse que iria parar de jogar por causa das contusões. E começa a namorar a Silvana Campos, uma tenista jovem. Ele separa da mulher. E recebe uma proposta do Santos. O clube estava em uma crise desgraçada. Mesmo assim, o Jair da Rosa Pinto, um ex-jogador com quase 60 anos dá uma declaração quando sabe da contratação. "Se o Santos acertou com o Sócrates, tem de me contratar também. Estou correndo mais do que ele."

O Sócrates chega para o seu time de coração. Mas contestado para caramba. O clube sem dinheiro. O presidente inventa uma excursão para a China. O Sócrates vai e leva a Silvana Campos. No meio da excursão, ele abandona o time. E diz que abandonou o futebol.

Mas muda de ideia e vai jogar no Botafogo. Aí vira técnico. Tenta implantar a Democracia Corintiana lá. Leva cerveja no vestiário. Não dá certo. Depois é contratado pela LDU do Equador. Mesma coisa. Tenta impor a Democracia. Mas quando a diretoria vê que ele quer consultar o massagista para tomar as decisões, pensam que ele é um louco e o mandam embora em três meses.

Daí o Sócrates vai para a Cabofriense, time do Leandro. Tenta impor a Democracia por lá e também é demitido. O Sócrates é isso. Não levou adiante seus sonhos políticos.

5afp1 Sócrates. As histórias impressionantes  de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido...

E o lado político do Sócrates?

Ele foi chamado para vários cargos. Mas aceitou ser secretário de Esportes do Antônio Pallocci, então prefeito de Ribeirão Preto. Ele quer abrir o principal clube da cidade para os internos da FEBEM. Queria socializar os garotos internos. A classe média de Ribeirão fica horrorizada. Não permite.

Depois foi convidado várias vezes para ser Ministro dos Esportes pelo Lula, não topou. E recusou outros inúmeros convites para sair candidato.

Por que o Sócrates bebia tanto? Era autodestrutivo?

Ele só assumiu no final da vida ser alcoólatra. Detestava policiar as pessoas. O Casagrande cheirava muito no Corinthians. E o Sócrates mais velho, capitão, deveria chegar e proibir que ele cheirasse. Não. Preferiu dar uma dica como médico. Chegou nele e disse: "Casão, carrega uma caixa de quindim no seu carro. Porque quando você cheirar, a glicose vai atenuar o efeito da cocaína e você não vai se sentir tão mal em campo".

Se o Sócrates não policiava o amigo, o companheiro de time que cheirava, não iria admitir que ninguém fosse controlar sua cerveja. Como todo alcoólatra, não admitia que era alcoólatra. Só foi aceitar, quando estava com cirrose.

E ele tinha muita resistência à cerveja. Era absurdo. O Datena contava que ele não pagava no Pinguim (principal bar de Ribeirão Preto). Começava a beber às 9 da manhã e ia ficava até o bar fechar. Os amigos deles também bebiam demais. O Sócrates nem percebia porque nem tinha ressaca. Só acordou para o quanto a cerveja fazia mal quando ele teve quatro hemorragias seguidas. Perto do fim.

Que característica do Sócrates te chamou mais atenção?

A coerência. Ele ficou anos brigado com o Casagrande. Sem se falarem. E eles sempre se adoraram. Tudo porque eles se encontraram em um almoço e o Casão estava com terno da Globo. E o Sócrates falou: "Aí, Casão. Virou comentarista da Globo. Roupinha da Globo, todo engessado. O Casagrande tinha filho para criar. Era difícil ser Sócrates 24 horas por dia.

O Casagrande ficou magoado. E deixaram de se falar. Mas os dois continuaram a se gostar muito. Tanto que quando o Casão soube que o Sócrates estava em coma, ele foi desesperado para o hospital. E invade o quarto. Fica perto dele e começa a chorar, a agradecer, se desculpar, dizer o quanto gostava dele.

O Sócrates poderia ter se aproveitado dos vários convites que teve do PT. Ficar calminho ganhando seus dólares na LDU. Ter um cargo público. Mas nunca se deixou levar. Sempre foi coerente com sua personalidade. Isso me impressionou no personagem. Por isso quis escrever o livro.

O Sócrates foi o primeiro comentarista de futebol no Sportv. Foi convidado mas chegou para comentar bêbado. Foi um desastres. No segundo jogo, foi um clássico entre Palmeiras e Corinthians. Ele torceu abertamente pelo Corinthians. Acabou, lógico, dispensado. Casagrande foi convidado para o seu lugar. E se enquadrou. Logo passou do Sportv para a Globo, onde está até hoje. O Sócrates continuou autêntico. Por isso a ironia quando encontrou o Casão. E doeu tanto no Casagrande. Ele sabia que teve de se adaptar a Globo para sobreviver. Fez o que o seu grande amigo se recusou. E se submete ao que Sócrates nunca se submeteria.

3reproducao12 1024x576 Sócrates. As histórias impressionantes  de um homem que não fez concessões. Um gênio que marcou a história do Corinthians, da Seleção. Foi fiel a si mesmo. E que não pode ser esquecido...

Tom, todos esperavam que quem fosse escrevê-lo seria o Juca Kfouri. Ele e o Sócrates eram muito amigos.

Olha, o meu livro do Sócrates teve ótimas resenhas. Teve um espaço bacana. Eu havia escrito dois livros anteriores. Um sobre o Paulo Machado de Carvalho, comandante da Seleção em 58 e 62. O Juca falou bem. Depois citou o livro que escrevi sobre o jornalista Tarso de Castro. E achava natural que ele como jornalista esportivo e, como amigo do Sócrates, fizesse alguma menção do livro.

Não precisava ser elogio. Mas que falasse do livro. Achei estranho o silêncio dele. Achei uma atitude pequena, mesquinha. Todos dizem que ele deveria ser o cara que teria de ter escrito a biografia do Sócrates. Mas não escreveu. E eu acho que no Brasil, as pessoas se sentem donas do personagem. Tanto que o meu livro tem lacunas em relação à família. Acredito que outra pessoa pode escrever esse lado mais pessoal. Como o próprio Juca pode escrever, tendo sido tão próximo.

Acho pequeno um jornalista tão importante quanto ele ficar enciumado porque um jornalista escreveu sobre o Sócrates. E fazer uma retaliação não escrevendo uma linha sobre o livro. E também pedi para o Vladir Lemos, do Cartão Verde, programa que o Sócrates participava, que citasse a biografia. Mas nada. Depois fui saber que o Vladir também queria escrever um livro sobre o Sócrates.

Você acha que o silêncio foi por respeito ao Juca?

A crônica esportiva que cobra um corporativismo dos técnicos também é corporativista. Achei curiosa essa ciumeira. O livro foi mais falado fora da área esportiva. Senti uma coisa ruim. Uma panela que eu desconhecia. O Trajano também elogiou o meu livro do Tarso de Castro se calou sobre o do Sócrates. Achei que foi uma ciumeira, uma bobagem. Até hoje não entendi porque o Juca não escreveu.

O Sócrates foi o primeiro a enxergar o quanto Ricardo Teixeira se aproveitava do futebol?

Sim. Ele foi quase um trovador solitário. Foi o primeiro a bater no Ricardo Teixeira. Mostrar como a CBF se aproveita do futebol neste país. Foi candidato simbólico à presidência da CBF. Falou da corrupção sem medo. Falou do Pelé. Os dois haviam brigado pela transmissão do Campeonato Brasileiro. Depois fizeram um acordo. E o Sócrates falou absurdos do Pelé. Disse que não era um cara de coragem. Bateu duro. Não tinha medo de ninguém.

O livro vai virar filme?

Sim. É um projeto que o Raí está envolvido. Esta ainda no começo. Mas um personagem como o Sócrates. Merece livro, documentário, filme. Foi um dos maiores jogadores deste país. E isso apesar de ter bebido e fumado a vida toda. Acredito que se fosse um atleta, teria potencial para ter uma carreira igual a do Zidane. Com o mesmo reconhecimento do mundo. Só que talvez tirando a bebida e o cigarro do Sócrates ele seria outra pessoa. Talvez não encarasse a vida, a genial maneira que descobriu para jogar, mesmo tendo as limitações físicas que o álcool e a bebida ofereciam. Sócrates fez o que pouquíssimos homens têm coragem de fazer: foi fiel a si mesmo. Sem concessões a ninguém...

Pedido de apoio de Zico à presidência da Fifa não é levado a sério na CBF. É considerado inimigo de Marco Polo, Dunga e Gilmar Rinaldi. O maior ídolo da história do Flamengo perdeu seu tempo. Não terá apoio político para viabilizar sua candidatura…

 Pedido de apoio de Zico à presidência da Fifa não é levado a sério na CBF. É considerado inimigo de Marco Polo, Dunga e Gilmar Rinaldi. O maior ídolo da história do Flamengo perdeu seu tempo. Não terá apoio político para viabilizar sua candidatura...
"Sou amigo do Gilmar. Mas não concordo com a contratação. Quantas pessoas são coordenadoras há dez anos? De que adianta fazer um projeto no Cruzeiro, por exemplo, ganhar título e quando é para ir para a seleção vai um empresário de jogador?

"Nunca tive interesse em ser treinador no Brasil. Mas se fosse e tivesse as mesmas conquistas que obtive no exterior, meteria o pau nessa situação. Ex-jogadores que nunca fizeram carreira sendo contratados para comandar a Seleção.

"Dunga já treinou a Seleção e passou pelo Internacional depois disso. Eu não o contrataria da primeira vez. Mas o Dunga já começou na classe AA, lá em cima. Os outros tiveram de ralar desde baixo."

"Eu lamento muito o silêncio dos jogadores sobre a crise na CBF. Sobre a prisão do Marin.Principalmente, o silêncio dos jogadores da Seleção Brasileira, que têm mais visibilidade. Eles ficam usufruindo de tudo em silêncio. Depois saem e dizem tudo está errado.

"O silêncio também dos clubes é constrangedor. Eles são as células mais importante do futebol. Eles deveriam ser mais independentes.

"Se eu estranho o Marco Polo não saber o que fazia o Marin, que acabou preso? Onde estava Marin, estava o Del Nero. Só isso que eu sei."

Estes foram apenas os ataques recentes de Zico aos principais membros da CBF.

3ae19 Pedido de apoio de Zico à presidência da Fifa não é levado a sério na CBF. É considerado inimigo de Marco Polo, Dunga e Gilmar Rinaldi. O maior ídolo da história do Flamengo perdeu seu tempo. Não terá apoio político para viabilizar sua candidatura...

Zico também promete ajudar Romário na CPI da CBF.

Só que precisa do apoio para poder concorrer à Fifa. De confederação e mais cinco federações.

Seu currículo na Seleção Brasileira é imenso.

Ele fez 89 jogos de 1976 a 1989, e marcou 66 gols, é o terceiro maior artilheiro, atrás de Ronaldo (67) e Pelé (95). Disputou as Copas de 1978, 1982, 1986.

Também deu sua colaboração fora de campo.

Foi secretário nacional de Esportes do governo Fernando Collor de Melo, entre 1990 e 1991. O cargo equivalia à função de ministro do Esporte.

Nada disso será levado em consideração. A CBF confirmou a chegada formal do pedido do apoio da entidade no sonho em disputar a presidência da Fifa.

Marco Polo e seu secretário geral, Walter Feldman, não abrem a menor possibilidade de viabilizar a candidatura. Ambos consideram inacreditável Zico querer o apoio da CBF. Pessoas ligadas à dupla sabem que eles sabem que o ex-meia do Flamengo é um dos maiores inimigos da atual administração. De Dunga e Gilmar.

O pedido não foi levado em consideração.

Pelo contrário.

Até ironizado.

Sem o apoio da CBF, a candidatura do ex-jogador não terá chance alguma se ser validada.

É tudo o que Marco Polo e Walter Feldman querem.

Quanto menos holofote para o inimigo, melhor.

Embora não confirme oficialmente, Zico já sabia que aconteceria.

Não haverá outro caminho a não ser desistir.

E não concorrer à presidência da Fifa.

Aliás, o Brasil não deve ter candidato algum.

Marco Polo pode estar abalado, mas ainda exerce seu poder.

A única explicação viável para esse pedido de Zico seria cruel.

Expor ainda mais a combalida cúpula da CBF.

Obrigar a comparação entre a história dos dirigentes e o candidato.

Aí, o ídolo teria acertado em cheio...
4ae20 Pedido de apoio de Zico à presidência da Fifa não é levado a sério na CBF. É considerado inimigo de Marco Polo, Dunga e Gilmar Rinaldi. O maior ídolo da história do Flamengo perdeu seu tempo. Não terá apoio político para viabilizar sua candidatura...

Era a vergonha que faltava. Um jogador da Seleção Brasileira dopado em plena Copa América, Fred. Não há limites para os vexames do futebol desse país…

1ap14 Era a vergonha que faltava. Um jogador da Seleção Brasileira dopado em plena Copa América, Fred. Não há limites para os vexames do futebol desse país...
Transparência. É tudo que se espera do comando da CBF e da Seleção Brasileira. Não bastasse o fraco futebol mostrado na Copa América, a suspensão de Neymar, agora algo gravíssimo.

Foi mesmo confirmado o exame positivo de doping para Fred. A substância é o diurético hidroclorotiazida na urina do jogador. Seu uso é proibido porque mascara outros elementos dopantes.

O volante do Shakhtar Donetsk foi convocado no lugar de Luiz Gustavo, cortado por contusão. Fred atuou contra na vitória contra o Peru e na derrota para a Colômbia. Perdeu a posição e não enfrentou nem Venezuela ou Paraguai.

A Comissão Técnica já informou por seus assessores que o jogador não estava liberado para usar qualquer diurético. Quando isso ocorre em qualquer competição oficial, os médicos precisam avisar três dias antes, pelo menos.

A CBF foi avisada e o jogador deverá sofrer uma punição severa. O resultado da contraprova sairá amanhã.

3ap6 Era a vergonha que faltava. Um jogador da Seleção Brasileira dopado em plena Copa América, Fred. Não há limites para os vexames do futebol desse país...

A notícia vaza justo agora, quando a CBF estava planejando a estratégia para tentar recuperar a confiança do torcedor. A rejeição à Seleção já vinha desde o fracasso na Copa do Mundo. Depois, outro vexame na Copa América. Com direito a expulsão e suspensão do capitão Neymar. A prisão do ex-presidente da CBF, José Maria Marin. O atual presidente Marco Polo del Nero não viajando para a Suíça com medo de ser preso e extraditado. Bancada da Bola prometendo anular a CPI do futebol.

Agora, o caso de doping.

A acusação de um jogador concentrado com a Seleção utilizando um diurético conhecido por mascarar outras substâncias proibidas.

Em plena disputa da Copa América.

O comando da CBF precisa ser revisto.

Não há limites para os vexames.

A futebol brasileiro passou do fundo do poço...

(O que é ruim, sempre pode piorar. O staff de Fred avisa à imprensa que o doping só pode ser algo que ele tomou recomendado pelos próprios médicos da Seleção Brasileira. É impressionante. O poço não tem fundo...)
23 Era a vergonha que faltava. Um jogador da Seleção Brasileira dopado em plena Copa América, Fred. Não há limites para os vexames do futebol desse país...

Solução ‘genial’ de Aidar. Para o São Paulo se livrar de todas as dívidas e garantir sua reeleição. Leiloar garotos da base para torcedores milionários. Pobre futebol brasileiro…

1reproducao41 Solução genial de Aidar. Para o São Paulo se livrar de todas as dívidas e garantir sua reeleição. Leiloar garotos da base para torcedores milionários. Pobre futebol brasileiro...
A cada dia, Carlos Miguel Aidar surpreende. O presidente do São Paulo admitiu que havia um contrato com a própria namorada, Cinira Maturana. Ela ganharia 20% de comissão em negócios que fizesse com o clube. Com o namorado pressionado pelos conselheiros, Cinira pediu desligamento do clube.

Em seguida, Aidar anunciou orgulhoso contrato com a empresa de material esportivo Under Armour. E nele também há comissão. Desta vez, só 15%. São R$ 18,3 milhões a uma empresa chamada de Far East Trading Global. Sua sede, em Hong Kong. Conselheiros ficaram revoltados com tanto dinheiro desperdiçado.

o vice-presidente de comunicação e marketing do São Paulo, Douglas Schwartzmann, defendeu a negociação. De acordo com ele, o pagamento de comissão é 'corriqueira'. "Não tem nada de anormal. Comissão em negócios comerciais é absolutamente normal. O agente fez a prospecção, participou diretamente e fez a aproximação entre o clube e a empresa."

O próprio vice disse a conselheiros que o nome da pessoa seria um norte-americano chamado Jack. Não se lembrava, porém, o sobrenome. No contrato apresentado aos conselheiros, não constava a identificação do intermediário.

Mas havia uma cláusula interessante. A de número sete. A dava poder à Far East determinar qualquer outra empresa para receber os R$ 18,3 milhões. Bastaria apenas uma simples autorização. E não haveria questionamento.

Aidar decidiu seguir inovando na administração esportiva ao admitir que o Morumbi é 'velho e ultrapassado'.

O que não foi justamente a melhor maneira de convencer cantores e grupos de rock ou pop a querer se apresentar por lá. O estádio do Palmeiras já teve Paul McCartney e Roberto Carlos. Terá Kate Perry, Muse, Rod Stewart este ano. Rolling Stones será a primeira atração em fevereiro de 2016.

Com a atual diretoria, salários e, principalmente, direitos de imagem passaram a atrasar. Chegaram a três meses e meio. Situação ruim, já que a maior parte dos vencimentos dos atletas está justamente nos direitos de imagem. Jogadores cobraram publicamente.

O treinador colombiano Osório reclamou do desmanche do time. Ele tinha a promessa de uma grande equipe seria montada. E não jogadores iriam embora e não haveria peças de reposição.

Depois de se indispor com membros de organizadas, Aidar decidiu baixar o preço dos ingressos no Morumbi. Cobrar até R$ 10,00 para sócios torcedores.

O São Paulo só aumentou a dívida desde que o presidente assumiu no ano passado. Passa dos R$ 340 milhões.

No peito e nas costas da camisa tricolor, o mesmo pedido na partida contra o Cruzeiro. 'Seja sócio-torcedor.' É o recurso porque Aidar não consegue encontrar uma empresa disposta a colocar sua marca como patrocinador master. Desde agosto do ano passado é essa constrangedora situação.

Na ansiedade para conquistar sócios-torcedores, o clube enviaria boletos para pessoas que não pediram. O caso do advogado Alessandro Romano é incrível. Além dos boletos, ele foi identificado como 'Alessandro Cidinho Romano'. E sua casa foi classificada no envelope como 'prostíbulo'. Resultado, processo contra o clube por ofender a sua honra, sua dignidade. Exige 40 salários mínimos.

1reproducaoespn2 Solução genial de Aidar. Para o São Paulo se livrar de todas as dívidas e garantir sua reeleição. Leiloar garotos da base para torcedores milionários. Pobre futebol brasileiro...

Mas como uma clarividência invejável, Carlos Miguel Aidar descobriu a 'fórmula'. A maneira com que todas as dificuldades financeiras do Morumbi acabarão. Ele não queria, mas decidiu expor aos pobres mortais o caminho.

Do nada, ele conseguirá R$ 100 milhões. Como? Simples. Criará o Fundo de Investimento de Direito Creditório. O nome já instiga, cativa. A ideia então é fantástica. Aidar quer 'pegar grandes são paulinos'.

"Quem são eles? Já tenho nomes elencados para convidar. Vinícius Pinotti, Abílio Diniz, Roberto Justus, Benjamin Steinbruch, Felipe Massa, Rodrigo Faro, Henri Castelli, Zezé di Camargo, Ives Gandra... A intenção é convidá-los a investir. O investimento mínimo é R$ 1 milhão."

Calma, que tem mais.

"Quando pegar esse dinheiro, vou ao banco e liquido toda a dívida bancária, adiro à MP do Profut, jogo a dívida fiscal e tributária, com a Timemania, de R$ 50 milhões, que eu herdei. Ainda tenho 190 meses para pagar isso, mas se jogar no Profut, passo a ter 240 meses e a prestação diminui."

Aí vem o melhor.

"Vamos pensar que temos um jogador jovem e bom, fixado com a multa rescisória de R$ 20 milhões para o Brasil e 30 milhões de euros para o exterior. O comitê de investimentos senta com o São Paulo, chega a um acordo sobre o valor e ele entra no fundo para dar lastro ao investidor pelo valor que o comitê e o clube acordarem. E fica lá. O dia em que o jogador for vendido, entra o dinheiro da venda dele, você remunera o investidor."

110 Solução genial de Aidar. Para o São Paulo se livrar de todas as dívidas e garantir sua reeleição. Leiloar garotos da base para torcedores milionários. Pobre futebol brasileiro...

Não acabou.

"Até o final do ano toda a dívida deve estar refinanciada e equacionada. Agora, para tirar a dívida da frente é difícil fazer uma projeção. O FIDC está com um modelo muito bem montado, só está com o custo um pouco alto, é um fundo de cinco anos renovável por mais cinco. Então eu acho que em cinco anos eu tiro a dívida da frente do São Paulo. É o tempo que me sobra de mandato. São dois neste atual e outros três da reeleição. Sou candidato à reeleição daqui dois anos e todo mundo aqui dentro já sabe disso."

Aidar mostrou sua fórmula mágica em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo. Disse que em 60 dias, colocará esse fundo 'de pé'. E que 80% do arrecadado irá para pagar a divida do clube. E investirá 20% no futebol.

Em plena recessão, Aidar acredita que são paulinos ricos entregarão R$ 1 milhão, no mínimo, para investir em jogadores da base. Vai sanar as dívidas. Reforçar o time. E garantir sua reeleição.

É inacreditável o que acontece no Morumbi. O clube já foi modelo de gestão. Era um tempo que bastava talento administrativo. Visão. Como para construir o maior estádio particular do mundo. O mais moderno CT do país. Um CT para os garotos que servia como referência. Centro de medicina esportiva melhor do que qualquer um na América do Sul e Europa.

 Solução genial de Aidar. Para o São Paulo se livrar de todas as dívidas e garantir sua reeleição. Leiloar garotos da base para torcedores milionários. Pobre futebol brasileiro...

Mas esse tempo ficou para trás. Há trinta, 20 vinte anos. O São Paulo atual está estagnado. Ficou para trás. Com Juvenal e Aidar dividindo o clube por seus egos. Sem patrocínio. Com a necessidade de uma nova arena. Envolvido em discussões com comissões em paraísos fiscais. Distribuindo boletos de sócios torcedores para quem não pediu.

E agora buscando a cortina de fumaça de nomes pomposos como Fundo de Investimento de Direito Creditório. Na verdade, um mero leilão de suas promessas da base com torcedores enriquecidos.

Se suas promessas são tão boas por que o clube não as vende e fica com todo o dinheiro? Ou será que elas não merecem assim tanto dinheiro dos clubes europeus?

Aidar disse irá 'pegar' esses são paulinos e fazê-los investir R$ 1 milhão.

No mínimo, talvez possam colocar R$ 5 milhões.

Quem sabe R$ 10 milhões, cada um?

Não disse a maneira como irá pegá-los.

Se pelo pescoço, talvez em uma chave de braço.

1agenciaestado Solução genial de Aidar. Para o São Paulo se livrar de todas as dívidas e garantir sua reeleição. Leiloar garotos da base para torcedores milionários. Pobre futebol brasileiro...

O melhor plano para administrar o São Paulo não pode ser a caridade alheia.

E ainda, garantir a reeleição de um presidente.

Para entender a crise no futebol brasileiro não é difícil.

Basta analisar como os grandes clubes são geridos.

A começar pelo tricampeão mundial São Paulo Futebol Clube...
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A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos…

1ae38 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...
Sem hipocrisia, no Brasil seis meses ou 31 partidas precisam ser suficientes para um treinador se impor. Mostrar segurança, dar um desenho tático a uma equipe. Por mais que ela esteja em formação, com jogadores chegando a todo instante. Afinal, se o currículo aponta até conquista de título mundial, o mínimo que o técnico precisaria oferecer seria um esquema, uma filosofia, uma maneira de a equipe atuar.

Foi tudo o que Oswaldo de Oliveira não fez no Palmeiras. Sua demissão foi mais do que justificada. Logo após a perda do título paulista contra o Santos, já havia escrito nesse espaço que seu futuro estava comprometido. A falta de convicção só aguçava de forma intensa a cobiça a Marcelo Oliveira.

O presidente do Cruzeiro, Gilvan Tavares, colaborou. Dispensou o atual bicampeão brasileiro para contratar Luxemburgo. A última conquista nacional do ultrapassado Vanderlei foi em 2004, onze anos atrás.

Com Marcelo Oliveira livre, a sombra ficou grande demais para Oswaldo. Seu início pífio de Brasileiro foi a senha. Com ele, o Palmeiras empatou com Atlético Mineiro reserva em casa; empatou com o lanterna Joinville fora; perdeu para o Goiás, em casa; venceu o Corinthians no Itaquerão; empatou com o Internacional em casa; e perdeu para o Figueirense, em Santa Catarina. E bastou. Veio a demissão.

A partir do primeiro treino, Marcelo Oliveira foi no ponto que mais atrapalhava o time verde: a indefinição tática. Ele mostrou que ele moldaria o time à semelhança do que fez com o Cruzeiro. Os jogadores versáteis, velozes teriam vantagem na luta para serem titulares.

O Palmeiras ganhou uma alma moderna, vibrante. Se tornou em pouco tempo a equipe que sabe o que quer. Com Marcelo, o time marcou 16 gols em oito partidas no Brasileiro. Os números enganam. Levam a acreditar que sua equipe é absolutamente voltada para o ataque. Não é. Ele primeiro corrigiu o principal erro de Oswaldo. Conseguiu compactar a equipe quando está sem a bola.

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O preenchimento de espaço é uma obsessão do técnico. Os meias, os atacantes precisam se desdobrar no auxílio dos volantes, dos laterais. Assim como os volantes e laterais têm de chegar ao ataque assim que o time retomar a bola. A equipe de Marcelo Oliveira para render precisa estar no auge do seu preparo físico. Para manter a intensidade do jogo o máximo tempo possível.

O esquema vai muito além do básico 4-2-3-1. Não é estático como grande parte dos times brasileiros. Nem como era com Felipão na Copa do Mundo. A movimentação facilita a marcação. E libera o ataque. Enquanto o Palmeiras se dispôs a impor seu ritmo ontem em São Januário, até os 15 minutos do segundo tempo, foi constrangedor. Parecia uma equipe profissional contra uma de juniores. A partir dos 4 a 0, o treinador já projetava a partida contra competitivo Atlético Paranaense. Trocou, poupou jogadores. Foi de uma frieza incomum. Pela diferença em todos os aspectos, o Palmeiras poderia chegar aos seis, sete gols. Mas e daí? Os três pontos, a goleada já estavam assegurados.

O técnico recuperou dois jogadores em especial. Um já estava para sair. E outro estava mergulhando na depressão. Leandro Pereira e Dudu. "Não esperava tanto apoio. A chegada do Marcelo foi fundamental para a minha volta por cima", elogia o atacante que voltou a ser chamado de artilheiro.

"Eu precisava de confiança. Alguém que entendesse as minhas características. A minha relação com o Marcelo não poderia ser melhor", elogia Dudu, o mais caro contratado e que enfrentava a pressão dos torcedores e da mídia.

A campanha de Marcelo Oliveira no Brasileiro impressiona. Começou perdendo. Perdeu para o Grêmio fora. Goleou o São Paulo em casa. Venceu o Chapecoense em casa. Ganhou da Ponte fora. Venceu o Avaí em casa. Empatou com o Sport em Recife. Venceu o Santos em casa. E ontem humilhou o Vasco por 4 a 1 em São Januário. Sete vitórias, um empate e uma derrota.

Com Oswaldo de Oliveira, o clube era o 14º colocado. A arrancada sob o comando de Marcelo Oliveira levou o Palmeiras já ao terceiro lugar da tabela.

5ae11 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...

O presidente Paulo Nobre está empolgadíssimo. Mais até do que muitos torcedores. Ele havia colocado como meta para Alexandre Mattos a classificação à Libertadores de 2016. Só que o sonho de título já começa a rondar a sala do dirigente. O Palmeiras não é campeão do país desde 1994. São 21 anos de jejum.

O executivo de futebol e o treinador, que tanto sucesso fizeram no Cruzeiro, começam a perceber a bipolaridade palmeirense. Da profunda depressão à euforia é um caminho muito curto. Então tratam de controlar a ansiedade de Nobre.

Levir Culpi já está no Atlético Mineiro desde abril de 2014. É um clube que já tem familiaridade. Foi campeão, perdeu títulos, foi elogiado, foi criticado pelos dirigentes. Sabe como conviver na Cidade do Galo. E a temperatura dos torcedores.

O mesmo se aplica a Tite, no Corinthians. De campeão da Libertadores, mundial a desprezado. Tem a convicção do pode que exigir e até onde vai o apoio, a solidariedade dos dirigentes e torcida.

Marcelo Oliveira está sendo apresentado à euforia palmeirense. Os torcedores, o presidente e muitos conselheiros já projetam a conquista do Brasileiro. Caberá ao treinador ser forte e mostrar que o caminho segue difícil. A sequência de adversários até o final do primeiro turno pode ser traiçoeira.

Atlético Paranaense, no domingo às 11 horas, com a arena palmeirense certamente lotada. Depois, o Cruzeiro no Mineirão. O Coritiba no Couto Pereira. E o Flamengo em São Paulo.

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O Palmeiras está a quatro pontos do Atlético Mineiro e a dois do Corinthians. A disputa pela liderança já domina o ambiente no clube. Marcelo e Alexandre tentam conter os ânimos.

Mas o que fica transparente na atual situação do Palmeiras é a constatação.

Algumas vezes um treinador precisa ser trocado. Seis meses são mais do que suficientes para mostrar sua falta de rumo tático, insegurança, fragilidade psicológica, falta de convicção, ambição. Eram pontos crônicos em Oswaldo de Oliveira.

Paulo Nobre foi firme e não deixou passar a oportunidade. Um dos melhores técnicos do país estava desempregado. A troca de treinadores acabou sendo a melhor notícia no clube em 2015.

Por isso, com razão, a ambição não é mais a mera quarta colocação no Brasileiro.

A maneira empolgante do time com Marcelo Oliveira denuncia.

Ele não venceu os dois últimos Brasileiros por acaso.

Com o técnico, o Palmeiras volta a ter direito de fazer algo há já esquecido.

Sonhar.

E acabar com um incômodo jejum de 21 anos...
7ae1 A melhor atitude do Palmeiras em 2015. Trocar o inseguro Oswaldo pelo bicampeão do Brasil, Marcelo Oliveira. Com ele, o clube volta a ter o direito de sonhar. Em acabar com o jejum de 21 anos...

Corinthians espera decisão de Tite diante dos palavrões de Vagner Love. O técnico nunca passou tamanho vexame. A dúvida é se enfrentará o jogador e seu contrato de R$ 9,5 milhões…

1reproducao40 Corinthians espera decisão de Tite diante dos palavrões de Vagner Love. O técnico nunca passou tamanho vexame. A dúvida é se enfrentará o jogador e seu contrato de R$ 9,5 milhões...
Um dos momentos mais temidos pelos treinadores dos grandes times do Brasil é na hora da substituição. Principalmente de jogadores importantes, com nome. Os que custaram mais. Aqueles que ganham os maiores salários. Os que são estupidamente chamados de patrimônios do clube.

Sob essa aura, o abuso é corriqueiro. Os diretores de imagem já orientam seus câmeras. Quando um atleta for substituído, o close é obrigatório. Seu rosto deve ficar o mais nítido possível. Qualquer palavrão é a certeza de polêmica. Garantia de discussões por horas.

Os técnicos costumam ficar desmoralizados. O normal no hipócrita futebol deste país é o pedido do dirigente para o treinador minimizar. Pensar na desvalorização do atleta. No enorme problema que seria criado o afastando do grupo. Há o pedido de paciência. De esperar a temporada terminar.

Advogados experientes de clubes importantíssimos já me juraram em off. As multas de 30%, 40% dos salários por indisciplina são balela. Desculpas esfarrapadas para acalmar imprensa e torcida. Elas são proibidas. O clube pode descontar, no máximo, 10%. Sindicalistas de atletas me confirmaram a informação. E muitas vezes, nem os 10% são cobrados.

Diante desse cenário, os jogadores se sentem à vontade para expor sua raiva quando percebem que vão sair. O mais cruel é que eles sabem que as câmeras o estão acompanhando. Os palavrões de Michel Bastos e o chilique de Ganso ao ser substituído por Juan Carlos Osório foram mostrados para todo o Brasil. Eles não são garotos. Nem psicologicamente descontrolados. As dezenas de câmeras que filmam cada detalhe de um jogo no Brasil, os focalizaram.

Michel Bastos pediu desculpas ao treinador colombiano. Ganso nem isso fez. Osório não quis levar o assunto adiante. Como desejava a direção do São Paulo. Mas no cenário do futebol brasileiro, Osório não tem a imagem de homem democrata, de lorde, como gostaria. Seu comando é seriamente questionado.

E hoje quem passa por essa situação é Tite. Não bastasse o treinador ter passado pela raiva do fracasso do seu manjado plano: lutar para o Corinthians sair na frente do marcador e depois segurar o resultado a qualquer custo. Colocar o time covardemente na defesa em vez de buscar o segundo gol. O adversário era o fraquíssimo Coritiba, na zona do rebaixamento. Tomou o empate aos 46 minutos da etapa final. Se distanciou dois pontos do líder Atlético Mineiro.

2ae28 Corinthians espera decisão de Tite diante dos palavrões de Vagner Love. O técnico nunca passou tamanho vexame. A dúvida é se enfrentará o jogador e seu contrato de R$ 9,5 milhões...

O que já seria motivo de aborrecimento, acabou agravado. A atitude de Vagner Love foi absurda. Justo ele que se relaciona tão bem com as câmeras. Desde o início de sua carreira entendeu o poder da televisão. Ao perceber que deixaria o campo, balançou a cabeça em reprovação. E já com as câmeras 'fechadas' no seu rosto, ele falou.

"Vai tomar no ... Po..."

Talvez nem familiares do jogador dessem tanto apoio a ele como Tite. O treinador sabe. Na China, o treinamento costuma ser apenas em um período. Geralmente à tarde. O atleta não tem 30% da exigência física do Brasil. Vagner Love já está caminhando para o ocaso se sua carreira. Já fez 31 anos.

Os arranques, a explosão muscular que garantiam a chegada antes dos zagueiros na bola, são cada vez mais raros. Ele estava envelhecendo mal como jogador. Não é por acaso que está há cinco partidas sem marcar. Nos 29 jogos que atuou no Corinthians, estão incluindo partidas contra adversários insignificantes no desimportante Campeonato Paulista. Nem assim. Seus números são péssimo. Apenas cinco gols desde que foi contratado. Tem apenas três gols no Brasileiro.

Aliás, ele só está no Parque São Jorge por causa de Guerrero e seus empresários. Eles recusaram a proposta de renovação do ex-presidente Mario Gobbi. O dirigente ficou possesso quando soube. Disseram que não aceitaram mais conversar com Gobbi, dirigente em fim de mandato. Esperariam pelo novo presidente, que sabiam ser Roberto de Andrade.

1agenciacorinthians Corinthians espera decisão de Tite diante dos palavrões de Vagner Love. O técnico nunca passou tamanho vexame. A dúvida é se enfrentará o jogador e seu contrato de R$ 9,5 milhões...

Desafiado publicamente, o delegado que nasceu em Jaú resolveu dar o troco. E contratou Vagner Love. São 19 meses de compromisso. R$ 500 mil mensais. Comprometeu R$ 9,5 milhões do Corinthians. Mesmo com a certeza que o clube teria dificuldades financeiras com o Itaquerão. Como está acontecendo.

Tite sabe que está em desvantagem. Nunca foi desmoralizado desta maneira no Parque São Jorge. O máximo que havia acontecido era Sheik não querer cumprimentá-lo ao ser substituído, em 2013, contra o mesmo Coritiba. Só que no Pacaembu. Ele foi parar na reserva. O relacionamento entre eles deixou de ser fraterno, ficou muito frio. O técnico é quem havia conseguido a renovação de seu contrato. O Corinthians não queria, por estar 'velho'.

O treinador corintiano é muito emotivo. Ele acredita de verdade que está trabalhando com amigos. Com Vagner Love, não poderia ser mais cuidadoso. Percebeu o quanto ele precisava de treinamento físico. O deixou apenas se preparando, evitando o desgaste dos jogos. Mas sempre esteve presente, animando o jogador. Dizendo o quanto precisaria dele, com a saída de Guerrero.

Tite também trabalhou várias vezes só com o atacante. Queria aprimorar as finalizações. Precisava de seus gols. Mas mesmo depois de tanta atenção, o jogador não conseguia retribuir. E mostrava sua irritação no Parque São Jorge. Os sorrisos acabaram. Ele sabe que seu desempenho é pífio.

A ponto de Tite não ter dúvidas em pedir outro atacante. Já aceitou a oferta de empresários. Jonathas. Ex-promessa da base do Cruzeiro e da Seleção Brasileira sub-20. Perambula na Europa desde 2009. Sem grande sucesso. Atuou no holandês Alkmaar, nos italianos Brescia, Pescara, Torino, Latina Calcio e no espanhol Elche.

3reproducao11 Corinthians espera decisão de Tite diante dos palavrões de Vagner Love. O técnico nunca passou tamanho vexame. A dúvida é se enfrentará o jogador e seu contrato de R$ 9,5 milhões...

Ele está registrado no Maga, clube catarinense da Terceira Divisão. Seu empresário, o italiano Mino Raiola, é dono do Maga. O Corinthians deseja o empréstimo até 2018. A direção sente que Jonathas e Raiola estão ganhando tempo. Esperando se alguma equipe europeia não aparece até o dia 31 de agosto, quando a janela se fecha.

Foi frustante a atitude de Tite em relação a Vagner Love. Mal acabou o jogo, todos sabiam o que o atacante havia feito. Repercutiu nas tevês, rádios, portais. O treinador se recusou a falar sobre o desacato. Nunca nos seus anos do Corinthians teve um atleta soltando palavrões ao ser substituído. Os dirigentes esperavam a reação ainda hoje.

Adiar a decisão é só favorece Love. O gerente Edu Gaspar já tenta a conciliação. Um pedido de desculpas para o grupo. Talvez uma multa que ninguém nunca saberá se foi cobrada ou não e vida que segue.

Cabe a Tite, treinador que diz prezar a disciplina, e que sonha um dia assumir a Seleção, aceitar ou não a conciliação.

Assim como aconteceu com Sheik, a decepção veio do jogador que mais apoiou no Parque São Jorge. E que menos correspondia em campo.

Aos 31 anos, Vagner Love pode alegar qualquer coisa. Mesmo que não sabia que estava sendo filmado.

Se Tite não deseja ficar desmoralizado como Osório, precisa agir.

Técnico importante no mundo não aceita palavrões de jogador substituído.

Por mais que seja uma das estrelas do time.

E tenha um contrato de R$ 9,5 milhões...

(A decisão de Tite foi acreditar que Love xingou Elias por ter errado um passe. "Tem de respeitar os cabelos brancos do Tite. Mamãe me ensinou muito bem. Respeito muito o treinador, e respeito como pessoa também. Se eu o tivesse xingado, teria sido desrespeito da minha parte. Pode ter certeza de que isso não vai acontecer." Essa foi a garantia de Vagner Love.")
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TJ Dillashaw mostrou que não é apenas um azarão. Deu outra aula, outra surra no irreconhecível Renan Barão. Manteve o cinturão do galos do UFC. O brasileiro terá de repensar a carreira…

1reproducao39 TJ Dillashaw mostrou que não é apenas um azarão. Deu outra aula, outra surra no irreconhecível Renan Barão. Manteve o cinturão do galos do UFC. O brasileiro terá de repensar a carreira...
As dúvidas foram dirimidas a cruzados, diretos e uppercuts. TJ Dillashaw mostrou em Chicago que não foi por acaso que retirou o cinturão dos galos de Renan Barão. Na revanche que o norte-americano deu para o brasileiro, ele se superou. Ganhou os três primeiros rounds com uma superioridade que foi só crescendo. No começo do quarto assalto, uma saraivada de golpes calou os seus críticos, aqueles que o consideravam uma mera zebra. E nocauteou novamente o ex-campeão.

Foi a vitória da confiança, do preparo físico, da velocidade, da precisão nos golpes. TJ Dillashaw voltou muito melhor do que o confronto em maio de 2014. Neste ano, ele conseguiu se aprimorar. A sua noção de distância e potência nos golpes e antecipação de movimentos foram sensacionais. A guarda baixa era uma armadilha fatal. Ele parecia ler a mente de Barão.

"Depois que você perde o cinturão, chegam vários sentimentos. Vergonha, raiva, decepção. Mas aquele que não pode te dominar é a insegurança. No octógono, se o adversário sente o cheiro que não tem confiança, ele fica dez vezes mais forte. Aí, não tem saída."

A definição de Júnior Cigano se encaixa perfeitamente no que ocorreu ontem à noite em Chicago.

Barão não era nem sombra do lutador que ficou dez anos sem perder. Inseguro, evitando fitar nos olhos o adversário antes da luta. Fãs torciam para que o olhar fixo no chão fosse concentração. Não era. Apenas intimidação.

Quem acompanhou os treinamentos da Nova União percebeu o esforço de Dedé Pederneira. Ele insistiu muito no lado psicológico do ex-campeão. Tenso, Renê até tatuou a imagem da avó que o criou no Rio Grande do Norte. Precisava se sentir mais seguro para a revanche.

2getty1 TJ Dillashaw mostrou que não é apenas um azarão. Deu outra aula, outra surra no irreconhecível Renan Barão. Manteve o cinturão do galos do UFC. O brasileiro terá de repensar a carreira...

O plano de luta de Barão era trocar, desta vez atento aos contragolpes, e levar o norte-americano no chão. Vencê-lo no jiu jitsu. Mas não conseguiu colocar em prática. Não aplicou nenhuma queda no rival. Cada vez que se aproximava, levava socos diretos, cruzados.

TJ repetia a mesma provocadora postura de lutar com os punhos baixos. Oferecia o rosto. Mas bastava Renan tentar acertá-lo, e com ótimo jogo de pernas, o norte-americano contragolpeava. Foram vários golpes de encontro. Usava a vontade do brasileiro como sua aliada. Foi uma aula de boxe, de esquiva.

No primeiro e segundo rounds, Barão ainda conseguiu usar bem uma arma. Os chutes na base do americano. Eles estavam entrando. Mas não houve sequência do brasileiro. Até porque seu fôlego começou logo a ir embora. Há dois motivos. Sua dificuldade em perder peso para lutar na categoria. E, principalmente, por seu nervosismo. A tensão atrapalha demais qualquer lutador.

E Renan sentia a responsabilidade de reconquistar o título. Só que estava se frustrando. TJ estava muito melhor. Mais solto, atrevido, agressivo.

O brasileiro perdeu os dois primeiros rounds. E entrava cada vez menos confiante. No terceiro ficou claro que o combate não chegaria ao final. Os juízes não teriam de mostrar suas notas. Dillashaw seguia dando um show de preparo físico e jogo de pernas. Renan, cansado, lento, frustrado, foi um alvo fixo para os socos do americano. Parecia que seria nocauteado, mas o gongo o salvou.

Ou melhor, só adiou o sofrimento para o quarto round. TJ continuou sério, firme, determinado a encerrar a luta. Não deixou o brasileiro respirar. Foram socos e mais socos. A guarda de Renan já não conseguia impedir que as velozes mãos do americano fossem estourar no seu rosto. Foi uma vítima fácil demais. Aos 35 segundos, o combate estava terminado. O árbitro Herb Dean evitou o massacre. O nocaute técnico foi decretado com o brasileiro em pé.

Tylor Jeffery Dillashaw não é uma zebra. É apenas o melhor lutador dos galos do UFC. A categoria é sua. Quanto a Renan Barão, ele e Dedé Pederneiras precisam reavaliar a carreira do potiguar. Ele continua muito talentoso. Não tem contusão crônica alguma. Mas precisa urgentemente decidir se vai continuar lutando até os 61 quilos ou vai subir para os penas. O desgaste de baixar o peso tem conseguido sabotar todo o seu planejamento.

E antes de mais nada, Barão precisa fazer um grande trabalho psicológico. Sua confiança não existe mais. Depois que perdeu a primeira luta contra Dillashaw, quase se complica com o fraco canadense Mitch Gagnon. Em Chigaco, ontem, foi constrangedor.

O brilho de campeão se esvaneceu dos olhos de Barão.

E TJ se aproveitou.

Mostrou o excelente lutador que sempre foi...
1getty3 TJ Dillashaw mostrou que não é apenas um azarão. Deu outra aula, outra surra no irreconhecível Renan Barão. Manteve o cinturão do galos do UFC. O brasileiro terá de repensar a carreira...

Romário tem a obrigação de explicar. Como R$ 7,5 milhões estão depositados no seu nome na Suíça? Dinheiro não declarado na Receita Federal. Ele é a esperança de uma revolução no futebol deste país…

1ae37 Romário tem a obrigação de explicar. Como R$ 7,5 milhões estão depositados no seu nome na Suíça? Dinheiro não declarado na Receita Federal. Ele é a esperança de uma revolução no futebol deste país...

"Galera, bom dia
Na quinta-feira, fui informado por um repórter da Veja que eu tinha uma conta na Suíça com o saldo de alguns milhões. A matéria saiu na edição impressa da revista. Obviamente, fiquei muito feliz com a notícia, assim que possível, irei ao banco para confirmar a posse desta conta, resgatar o dinheiro e notificar à Receita Federal.

Espero que seja verdade, como trabalhei em muitos clubes fora do Brasil, é possível que tenha sobrado algum rendimento que chegou a essa quantia. Estou me sentindo um ganhador da Mega Sena, só que do meu próprio honesto e suado dinheiro.

O que há de estranho nisso é a informação da revista de que a aplicação seria de 2013. Certeza que eu não fiz nenhuma aplicação no período recente. Também não recebi nenhuma notificação do Ministério Público a respeito. Mas como se trata da revista Veja, se a informação estiver errada, não será uma surpresa.

Essa mesma matéria diz, por exemplo, que eu desfilo de Ferrari pelas ruas do Rio, algo impossível já que o carro já não se encontra na cidade há alguns anos. A saber, o veículo foi comprado em 2004. O repórter diz ainda que eu teria negociado com meu partido, o PSB, o pagamento do aluguel da casa onde moro no Lago Sul, como uma forma de compensar minha refiliação a legenda. Essas e outras mentiras costuram o enredo de uma farsa. Coisa que a revista tem expertise em fazer.

2ae27 Romário tem a obrigação de explicar. Como R$ 7,5 milhões estão depositados no seu nome na Suíça? Dinheiro não declarado na Receita Federal. Ele é a esperança de uma revolução no futebol deste país...

Se vocês lerem a matéria, perceberão que não há uma fonte sequer identificada de acusações contra mim. Vale informar que durante as eleições do ano passado, essa mesma cretina revista tentou publicar essa matéria contra mim, com claras motivações políticas.

A matéria não saiu, na época, por falta de consistência. Não é de suspeitar que uma semana depois de eu despontar com alto índice de intenções de votos para a prefeitura do Rio, a publicação tenha sido resgatada com este fato novo da conta na Suíça.

Difícil é esperar credibilidade de uma revista como essa, que vende capa.
Espero que, pelo menos, a conta seja verdade. Porque dinheiro honesto, ganho com muito suor, não faz mal a ninguém.

Bom lembrar que problemas financeiros todo mundo tem e os meus sempre foram com recursos privados, nunca nada com R$ 1 de dinheiro público.

Ademais, podem atacar, mas eu continuarei presidente da CPI do Futebol e imbuído de vontade de moralizar o futebol brasileiro.

Sobre o meu futuro político, nada vai tirar meu foco!
Aos meus concorrentes, minhas pretensões se fortalecem com matérias como essas.
Aos repórteres que assinam mentiras, nos vemos na justiça."

3ae18 Romário tem a obrigação de explicar. Como R$ 7,5 milhões estão depositados no seu nome na Suíça? Dinheiro não declarado na Receita Federal. Ele é a esperança de uma revolução no futebol deste país...

Por trás de todo o bom humor e rancor, as explicações de Romário precisam ser mais transparentes e convincentes. A denúncia da revista Veja foi um golpe tão pesado quanto inesperado. A denúncia se espalhou pelo mundo todo.

O senador teria uma aplicação no banco suíço BSI. O total chegaria a R$ 7,5 milhões. Feitos os investimentos teriam começado em 2013. E não constavam na declaração de renda quando ele concorreu e ganhou a vaga de senador do Rio de Janeiro.

A partir de cem mil dólares, R$ 335 mil, em um banco no Exterior, o dinheiro precisa estar registrado no imposto de renda. A quantia apresentada no extrato que a revista conseguiu é de 2,5 milhões de francos suíços, cerca de R$ 7,5 milhões.

Romário é o presidente da CPI da CBF. Promete investigar todo o dinheiro gasto na Copa das Confederações, na Copa do Mundo. Os acordos da CBF com patrocinadores. A construção das arenas do Mundial. O quanto as construtoras cobraram. Muitas delas estão envolvidas na operação Lava Jato. Com seus donos presos. O político promete com gente poderosa deste país.

Há um grande interesse na denúncia, por parte da bancada da Bola. Políticos ligados ao presidente Marco Polo e das federações de futebol do Brasil. Esses deputados e senadores adorariam vê-lo desmoralizado. A começar pelo próprio relator da CPI da CBF, Romero Jucá, ligado a Renan Calheiros e Fernando Collor de Mello. Seu adversário declarado.

E também os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro. O ex-jogador da Seleção já se assume como postulante ao posto. Um dos grandes favoritos nas últimas pesquisas. Ou seja, inimigos não faltam.

Romário tem a obrigação de limpar seu nome. Mostrar de onde vem esse dinheiro. Se é seu. Ou foi depositado no seu nome. Ele disse à revista que pode ter deixado algum dinheiro nas contas que deixou na Holanda e na Suíça, quando era jogador. As aplicações começaram em 2013.

É comum neste jogo sujo da política, adversários colocarem dinheiro em nome de rivais só para manchar sua reputação. Se for isso, Romário precisa ir a fundo. Acionar Polícia Federal, Interpol, o que for.

Só não há o menor cabimento a acusação ficar sem resposta verdadeira. Não só ironias, acusações e processos à revista, aos repórteres. É necessário ir muito além.

1reproducao38 Romário tem a obrigação de explicar. Como R$ 7,5 milhões estão depositados no seu nome na Suíça? Dinheiro não declarado na Receita Federal. Ele é a esperança de uma revolução no futebol deste país...

Romário é visto como um dos último pilares de honestidade no Congresso Nacional. Principalmente nas questões ligadas ao futebol. Ele cansou de chamar Marin, Ricardo Teixeira e Marco Polo de ladrões. Pediu à Dilma intervenção na CBF, revolução no futebol brasileiro.

Por isso tudo, não pode pairar nenhuma dúvida sobre sua conduta.

Ele precisa esclarecer o depósito, esse dinheiro.

É o que muita gente neste país espera, torce e exige.

O senador carrega nos ombros a esperança de milhões de brasileiros.

A esta altura, não adianta parecer honesto.

É preciso provar.

Estamos esperando, Romário...
4ae19 Romário tem a obrigação de explicar. Como R$ 7,5 milhões estão depositados no seu nome na Suíça? Dinheiro não declarado na Receita Federal. Ele é a esperança de uma revolução no futebol deste país...

Com o sorteio das Eliminatórias, CBF mais desesperada, e menos esperançosa, para tentar livrar Neymar. A estreia é assustadora. Chile, campeão da Copa América, em Santiago…

1ae36 Com o sorteio das Eliminatórias, CBF mais desesperada, e menos esperançosa, para tentar livrar Neymar. A estreia é assustadora. Chile, campeão da Copa América, em Santiago...
Chile em Santiago. Venezuela no Brasil. As duas partidas Argentina em Buenos Aires. Peru no Brasil. Estes serão os confrontos em 2015. O sorteio das Eliminatórias Sul-Americanas não foram exatamente carinhoso com o time de Dunga. A Seleção tem tudo para ter um início de competição difícil, muito pressionada. E com a obrigação de fazer valer a sua tradição. Foi a única seleção a ter disputado todas as Copas do Mundo até agora. Hoje ninguém pode garantir que a rotina será mantida. Muito pelo contrário. Nunca houve tanta tensão.

A CBF conseguiu com a AFA e Fifa um acordo antes do sorteio. A pedido dos dois países, o confronto entre brasileiros e argentinos só aconteceria na terceira rodada. O que foi bom para ambos, evitando o jogo entre os selecionados mais tradicionais, com sete títulos Mundiais, logo na primeira partida.

O caminho inteiro brasileiro no primeiro turno será este. Brasil x Chile (fora), Brasil x Venezuela (casa), Brasil x Argentina (fora), Brasil x Peru (casa), Brasil x Uruguai (casa), Brasil x Paraguai (fora), Brasil x Equador (fora), Brasil x Colômbia (casa), Brasil x Bolívia (casa). Depois, no returno, a ordem estará mantida. Só com o mando invertido.

O coordenador da Seleção, Gilmar Rinaldi, havia avisado que o Brasil fará tudo para ter uma arrancada em 2015. Para que a sequência das eliminatórias fosse mais tranquila, sem pressão.

Só que o desejo não se realizou. Logo de cara, o campeão da América e equipe que mais se desenvolveu no continente. A equipe do argentino Jorge Sampaoli hoje está à frente do Brasil. E sua população está entusiasmada pela primeira conquista internacional de relevância. É favorita a vencer a primeira partida. O time de Dunga escapar sem perder do estádio Olímpico será uma façanha.

3ae17 Com o sorteio das Eliminatórias, CBF mais desesperada, e menos esperançosa, para tentar livrar Neymar. A estreia é assustadora. Chile, campeão da Copa América, em Santiago...

Ainda mais sem Neymar. Daí o desespero da CBF, o braço direito de Marco Polo del Nero. O presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro de Bastos, viajou para a Suíça e Rússia. É ele quem tenta articular politicamente o perdão ao jogador. Ele está suspenso dos dois primeiros jogos das Eliminatórias.

A expulsão e as ofensas ao juiz chileno Enrique Osses, depois da derrota para a Colômbia, custaram quatro partidas. Ele cumpriu duas. O Brasil não recorreu e poderia diminuir, ainda na competição sul-americana, em jogo. E o brasileiro só estaria fora na estreia.

A CBF entendia que a punição de dois jogos valeria só para a Copa América de 2016. Quando descobriu que valia para as Eliminatórias, era tarde. Pediu primeiramente a reconsideração à Fifa da suspensão. Foi negada. Agora só existe o último recurso, o Comitê de Apelação da Fifa. Mas as chances são quase nulas. Tanto que Reinaldo conseguiu o acordo para enfrentar a Argentina na terceira rodada, já considerado o principal jogador brasileiro fora dos dois primeiros jogos.

Mas a terrível estreia do Brasil contra os chilenos fará com que a CBF se mobilize ainda mais tentando a liberação.

A caminhada da Seleção não será fácil. E apresenta vários momentos preocupantes, levando em conta o atual nível técnico. Depois do Chile, a Venezuela em casa. Contra o time mais fraco do continente, a obrigação de vitória. O Brasil deverá ainda definir suas duas sedes. O Rio com o Maracanã é uma unanimidade. A outra pende para Fortaleza ou Recife.

4cbf1 Com o sorteio das Eliminatórias, CBF mais desesperada, e menos esperançosa, para tentar livrar Neymar. A estreia é assustadora. Chile, campeão da Copa América, em Santiago...

Depois, o confronto contra os argentinos em Buenos Aires. Jogo imprevisível. Com leve favoritismo para os rivais. A quarta partida e última do ano, os peruanos do argentino Gareca e Guerrero pela frente.

Pela configuração dos quatro jogos, a Seleção de Dunga tem grande chance de ter de vencer, de qualquer maneira, suas partidas em casa. Não há certeza que consiga sequer um ponto nos dois jogos fora.

Depois, em 2016, a sequência. Uruguai em casa. Provavelmente em uma sede quente, para incomodar os rivais. Depois, o Paraguai em Assunção. O time do argentino Ramon Diaz que tirou o país da Copa América.

Aí, equatorianos na altitude de Quito. Depois os dois último adversários do primeiro turno em território nacional. A emergente Colômbia e os bolivianos, que fora da altitude de La Paz, não devem preocupar.

No segundo turno, tudo se inverte. Se na primeira parte da competição o Brasil fez cinco partidas em casa, fará apenas quatro.

O clima na CBF já era de grande preocupação, o sorteio aumentou a tensão. Não haverá paz desde o início dos 18 jogos.

Nas Eliminatórias para a Copa de 2010, o Brasil também tinha Dunga no comando. A campanha foi fácil. O Brasil conseguiu 34 pontos. Venceu 9 partidas, empatou sete e perdeu duas. Foi a primeira colocada geral. Depois, vieram Equador, Paraguai e Argentina. O quinto colocado foi o Uruguai, que se classificou na repescagem.

2getty Com o sorteio das Eliminatórias, CBF mais desesperada, e menos esperançosa, para tentar livrar Neymar. A estreia é assustadora. Chile, campeão da Copa América, em Santiago...

Já com a Seleção classificada como anfitriã, as eliminatória para 2014 foram interessantes. Já apontavam uma mudança geográfica do futebol por aqui. A Argentina foi a primeira. Nove vitórias, cinco empates e duas derrotas. Colômbia, Chile e Equador se classificaram em seguida. E os uruguaios buscaram sua vaga em outra repescagem.

O equilíbrio de forças no território sul-americano e a decadência do futebol brasileiro assustam. A luta por uma das quatro vagas contra argentinos, chilenos, colombianos, uruguaios e paraguaios será séria. Tanto que a CBF foi uma das mais empenhadas na permanência da possibilidade de uma quinta vaga na repescagem. A influência da América do Sul impediu a Oceania de ter um time direto. O melhor de lá precisa disputar um mata mata para chegar à Rússia. E o destino foi irônico. O confronto será com um time sul-americano.

A tensão de Dunga no sorteio era evidente. A transmissão da Fifa insistiu em mostrar a fisionomia do treinador brasileiro. Ele tem sim motivo para se preocupar.

O caminho da instável Seleção Brasileira é espinhoso. A pressão será imensa. Desde a estreia. Dunga sabe disso. Assim como Marco Polo, que não viajou para a Suíça e Rússia com medo de extradição.

Por isso, o Brasil que esnobou a apelação por Neymar na Copa América, agora vai implorar por ele na Fifa. Mas os sinais enviados pela tabela das Eliminatórias são claros. Dunga que comece a trabalhar sério sem o principal jogador deste país. Isso se tem o sonho de voltar com algum ponto de Santiago em outubro...
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