Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro…

1reproducaoframe Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro...
"Muita gente entendeu errado. Foi um desabafo, sim. Foi um lugar que não poderia, mas foi um desabafo. A adrenalina estava a milhão. Isso vem acontecendo ao longo dos útimos meses,ao longo desses meses de competição. Acho que todo mundo está insatisfeito com o que está acontecendo.

Em momento algum eu quis ofender a CBF. Espero que as pessoas não tenham entendido como uma ofensa à entidade, porque foi um desabafo. Não tive a intenção de ser polêmico e de causar tudo isso. É um descontentamento meu, pessoal e talvez em um momento errado eu tenha tornado isso público. É um descontentamento com toda essa confusão arbitragem que vem apitando o nosso futebol vencedor e campeão."

"Falaram em pena entre quatro e 12 jogos de suspensão. Também se falou em agressão, e terminei com dois jogos e arquivado em ato hostil. Depois de tudo o que se falou, claro que é uma alegria pegar só essa quantidade de jogos. Em um momento torcemos para que fosse um, que foi cogitado. Mas sei muito bem do rigor desse tribunal. Foram as mesmas pessoas que analisaram o caso do Petros. O saldo, então, não foi tão negativo assim, como se falou depois do jogo contra o Flamengo."

Os dois primeiros parágrafos resumem o que Emerson Sheik disse depois do seu julgamento de ontem no STJD. O terceiro foi o que Valdivia falou aos repórteres, um pouco antes, no mesmo tribunal, no Rio de Janeiro. Os dois sorriam. Tinham motivo.

Sheik e Valdivia deixaram muito felizes os advogados botafoguenses e palmeirenses. Os dois deram um show de esperteza nos seus depoimentos. Conseguiram reverter situações complicadíssimas. Mostraram toda a facilidade verbal com que nasceram. Ela é capaz de convencer os incautos. Quem deseja ser convencido.

Emerson tem 36 anos. Se considera um sobrevivente. Falsificou identidade, diminuiu a idade. Mudou até o nome, o verdadeiro é Márcio. Foi acusado de contrabando de veículos e lavagem de dinheiro. Jogando no Corinthians, beijou na boca um homem e colocou nas redes sociais. Não faz nada o que não deseja na sua vida. É muito inteligente.

A desculpa que a 'adrenalina de Sheik estava a milhão' é absurda. Ele sabia muito bem o que estava fazendo quando, expulso contra o Bahia, caminhou em direção à câmera no Maracanã e decidiu classificar a CBF como 'vergonha'. A maior prova foi quando tomou o cartão amarelo ele já tinha feito a mesma coisa. E disse: "Essa é para você, CBF". Foi de caso pensado que ele quis desmoralizar a instituição presidida por José Maria Marin.

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Poderia ter pego 18 partidas de suspensão. E o Brasileiro estaria terminado para ele. Não atuaria mais no Botafogo. O desabafo contra a CBF estava classificado por ofensa contra a ética desportiva. Mas a sua atuação diante dos auditores foi tão convincente que mudou o rumo do julgamento. Eles consideraram que Emerson, ou Márcio, exerceu seu direito de se expressar. Apenas escolheu o lugar errado para chamar a CBF de 'uma vergonha' foi inocentado.

Foi também absolvido da entrada violentíssima em Uélliton do Bahia, que lhe custou o cartão vermelho. E um corte na canela do jogador do time do Nordeste.

Mas não poderia sair livre das palavras românticas que dirigiu ao árbitro Igor Benevenuto: "Apita essa porra! "Safado, sem vergonha, você é um merda, vagabundo, não apita nada!." Por essas ofensas pegou quatro jogos de suspensão. Como cumpriu um, teria mais três partidas para ficar de fora. Vitória, Palmeiras e Corinthians. O departamento jurídico do Botafogo tem certeza que conseguirá o efeito suspensivo. E ele poderá atuar pelo menos contra o Vitória e Palmeiras. Diante do Corinthians, não. Ele pertence ao clube paulista, que lhe paga metade dos salários para jogar pelo Botafogo. Mas com a lábia de Sheik, nada é impossível.

Do seu lado, Valdivia, 30 anos, também mostrou seu incrível poder de reverter situações desfavoráveis. Não carrega o apelido de Mago por acaso. O chileno pisou nas nádegas de Amaral do Flamengo. O volante estava caído, de costas, indefeso. O meia do Palmeiras poderia ser suspenso até por 12 partidas. Por agressão.

1ap5 Sheik e Valdivia, 66 anos de pura esperteza. Comemoram, vaidosos, terem escapado do STJD. Mais uma vez usaram a lábia e saíram ilesos. São dois fenômenos neste triste futebol brasileiro...

"Entrei no início do segundo tempo com aquela vontade, com obrigação de reverter resultado de 2 a 0. Provocação normal dentro do que é o futebolFoi um lance em que a gente se enroscou e na hora que ele caiu eu pisei sem querer na bunda do jogador. Sem maldade, sem querer machucar. Assumi o erro depois do jogo."

Sua postura humilde, arrependida garantiria uma vaga no disputado Actors Studio em Nova York. Ele soube dar o peso dramático a cada palavra. Depois do intenso depoimento, a acusação virou atitude hostil. E apenas não jogará diante do Chapecoense, na quinta-feira. Merecia um Oscar.

Só faltou a diretoria palmeirense soltar fogos diante do excelente resultado do julgamento. Dorival Júnior também estava muito aliviado. Sabe que com o elenco fraquíssimo que possui, ruim com ele, muito pior sem ele. A felicidade é tanta que todos já se esqueceram da firula do chileno que custou a derrota para o Figueirense. Inacreditável a idolatria com que Paulo Nobre e Brunoro tratam o problemático e caríssimo jogador.

Sheik e Valdivia se viram, se cumprimentaram. Sentaram lado a lado. Poucas vezes na sua história o STJD teve dois jogadores tão acostumados a criar confusões e sair delas ilesos. Podem ser considerados maquiavélicos, caras de pau, descolados. Ambos estão no estágio final de suas carreiras. Milionários. O comprometimento de ambos é o mesmo: apenas com o próprio umbigo.

Porém enquanto,vaidosos, comemoram ter saído de mais uma enrascada, não param para perceber. Poderiam ter ido muito além nas suas carreiras. Ser as principais esperanças de Botafogo e Palmeiras para escapar da Segunda Divisão é muito pouco. Tinham potencial para atuar em grandes times europeus. Serem conhecidos e respeitados no mundo todo. Talento nunca faltou. O problema dos dois foi exatamente o que mostraram no tribunal: 'esperteza' demais...
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O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de ‘maneira espontânea’, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians…

1futurapress5 O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de maneira espontânea, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians...
Para quem gosta de teatro ruim, foi um espetáculo e tanto. Mario Gobbi resolveu defender Mano Menezes diante dos jornalistas. Mandar recado aos torcedores. Dizer que ele continuará no clube de qualquer maneira até o final de seu mandato. E Ralf, Fábio Santos e Renato Augusto também apareceram para falar bem do técnico. Tudo orquestrado por Gobbi. O recado não foi para a imprensa e nem à torcida.

Na verdade, Gobbi foi dar uma resposta aos conselheiros do clube. Principalmente os ligados a Roberto de Andrade. O favorito a substituir o presidente na eleição de fevereiro de 2015. Muito ligado a Andrés Sanchez, ele não esconde de ninguém que o treinador que deseja ver no Corinthians é Tite.

Gobbi pretende ter vida ativa no Conselho Deliberativo quando deixar seu cargo. Rompido com Andrés, ele quer mostrar força. E não apenas um marionete. Mas em final de mandato e sem carisma algum, o atual presidente sabe que não ganharia as manchetes. Por isso fez questão da participação dos jogadores.

Por motivos distintos, o trio atendeu a convocação de defender Mano. Ralf quer sair do Corinthians no final do ano. Ele precisa estar bem com a diretoria. Renato Augusto é grato pela paciência do clube com suas inúmeras contusões. E Fábio Santos acabou de renovar seu contrato. Constrangidos, eles falaram.

O mais ridículo é que Gobbi ficou ouvindo o depoimento dos três. Lógico que só elogios a Mano e ao ambiente corintiano. Além das infalíveis promessas de recuperação no Brasileiro. E de total aplicação na primeira partida das quartas-de-final pela Copa do Brasil, quarta-feira, no Itaquerão. Tudo previsível. Para agradar não só Gobbi como Mano. Sem um pingo de espontaneidade.

 O triste teatro orquestrado por Mario Gobbi. Jogadores defendendo, de maneira espontânea, Mano Menezes para a imprensa. Com o presidente na plateia. Vexame no Corinthians...

Foi um tiro no pé de Mario Gobbi. Conselheiros ligados a Roberto de Andrade perceberam a manobra forçada do presidente. E o quanto ele está sem rumo, inseguro. Ele optou por expor três jogadores porque sabia que apenas sua palavra não bastaria. Não repercutiria nem dentro do clube.

Ao mesmo tempo que percebiam a manobra de Gobbi, os conselheiros comentavam sobre o reforço nas grades e na segurança do Centro de Treinamento. O medo que as organizadas invadissem outra vez o local para protestar é enorme. Gobbi sabe que seu discurso também não mobiliza os torcedores. Eles são muito ligados em Andrés Sanchez. E sabem que os dois estão rompidos.

Mano Menezes sabe que não ficará em 2015. Mas nem cogita pedir demissão diante da pressão pela fraca campanha. O teatro de hoje serviu para Gobbi mostrar publicamente o que já está sendo publicado aqui há muito tempo. O presidente corintiano está isolado no apoio ao técnico. Como não tem respaldo entre os conselheiros, nada melhor do que colocar para falar o que ele deseja os jogadores que paga regiamente.

Causou muito espanto a maneira como Gobbi se referiu aos títulos corintianos. Como se fossem mérito seu.

"Quem está falando aqui não é um aventureiro, um marinheiro de primeira viagem. Fui três anos diretor de futebol e três anos sou presidente do Corinthians. Nesses três anos eu participei e fui vice-campeão da Copa do Brasil de 2008, peguei o time na Série B, fui campeão da Série B com 22 pontos de vantagem para o segundo, também tem Campeonato Paulista invicto de 2009, campeão da Copa do Brasil de 2009, campeão invicto da Libertadores, do Mundial e da Recopa."

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O fim do mandato de Gobbi está muito difícil. As dívidas por causa do Itaquerão se acumulam. Não teve como competir com o Internacional por Nilmar. E nem tentou Jones, atacantes que Mano Menezes desejava. As organizadas continuam revoltadas com os preços dos ingressos no Itaquerão. Os candidatos à presidência não se interessam por seu apoio. Os da situação buscam o apoio de Andrés Sanchez. E os da oposição se aliam a Paulo Garcia e Roque Citadini.

Do título do Brasileiro, o dirigente abriu mão faz tempo. Também não quis falar sobre conquista da Copa do Brasil. Mas garantiu um último feito antes do fim do seu mandato: a classificação para a Libertadores da América.

"A vaga na Libertadores é o compromisso mínimo nosso que eu tenho no clube de recolocar o Corinthians na Libertadores."

Sabe o quanto precisa de no mínimo essa classificação. Estão em jogo nada menos do que R$ 9 milhões. As três eventuais partidas do Corinthians na primeira fase da Libertadores chegariam a esse valor no estádio corintiano. A partir daí, R$ 4 milhões no mínimo nos jogos eliminatórios. A diretoria vê como obrigação de Gobbi deixar essa herança para o novo presidente. Para ajudar a pagar os juros do Itaquerão.

E terá de ser com Mano. Queira ou não a torcida, os conselheiros. E Roberto de Andrade. Tite que espere a nova administração se quiser voltar ao Corinthians. Com Gobbi, não. Como prova o triste teatro que os jogadores foram obrigados a participar...
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A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta ‘não viu e nem ouviu nada’. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão…

1reproducao32 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...
"Relata o comunicante no decorrer do segundo tempo, entre Avaí e Boa Esporte, válido pelo Campeonato Brasileiro da Série B, 26ª rodada, após uma disputa de bola, em que o atleta Valmir Aparecido Franci de Campos Junior, do Boa Esporte Clube, disputando a bola com o atleta de número 3 do Avaí Futebol Clube, Sr. Antonio Carlos Cunha Capocasali Junior.

Após a disputa foi em direção do atleta do Boa Esporte Clube, Sr. Valmir Aparecido Francis de Campos Junior, chamando-o de "macaco do caralho", após esse fato o atleta foi em direção ao árbitro da partida, Sr. Guilherme Ceretta de Lima dizendo para ele você está vendo do que ele está me chamando, neste momento o árbitro da partida falou a seguinte reposta: " vamos joga Francis, vamos jogar", não foi nada". Que ao final do jogo o atleta de número 3 do Avaí procurou o atleta Valmir, para pedir desculpas, mas o atleta Valmir não aceitou. Nada mais."

Este foi o Boletim de Ocorrência que o atacante Francis do Boa Esporte fez após a partida entre seu time e o Avaí, no sábado. Ele foi no primeiro Distrito Policial de Florianópolis e registrou o que sofreu no gramado. O atacante negro foi chamado de 'macaco do caralho' pelo zagueiro Antônio Carlos.

2reproducao16 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...

Outra vez um jogador teve a coragem de enfrentar o sistema. Seria mais fácil se calar. Aceitar as desculpas de Antônio Carlos após o jogo. A omissão de Ceretta. Só que as câmeras do Sportv escancararam a situação. A frase foi captada de maneira clara, indiscutível. A revolta do jogador do Boa Esporte foi instantânea.

O STJD já pediu as imagens para analisar. E Antônio Carlos corre o risco de ser suspenso por dez jogos. O Avaí, ao contrário do Grêmio, não pode ser punido. Só se vários atletas do mesmo clube cometessem a 'injúria racial'. O que não foi o caso.

Mas a diretoria do time catarinense está apavorada. Não quer que o clube tenha a imagem arranhada, ligada ao racismo. Sabe o quanto isso afasta patrocinadores. O Avaí faz excelente campanha na Série B. Ocupa a segunda colocação. Briga com todas as chances de classificação à Série A em 2015. Só tem a perder com essa ofensa absurda de seu zagueiro.

Só que em vez de lamentar, tenta o caminho mais absurdo. Negar o que aconteceu. Acreditar que os brasileiros são desprovidos de neurônios. Somos todos idiotas. E que Antônio Carlos teria chamado Francis de 'malaco' e não 'macaco'. Uma defesa infantil, que só piora as coisas. As imagens mostram muito bem a articulação da boca do zagueiro na hora da ofensa.

3reproducao9 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...

"O carioca utiliza muito uma expressão que segundo Antonio Carlos, zagueiro do Avaí, teria usado contra o atacante Francis do Boa Esporte. Aliás, ambos são da raça negra. Depois de muita catimba durante por parte do atacante do Boa Esporte o zagueiro do Avaí irritado teria dito "Levanta, malaco" expressão usada pela chamada malandragem carioca", foi a versão que o gerente de futebol do Avaí, Chico Lins, teve a coragem de divulgar.

Se tivesse ouvido malaco, Francis não teria ido ficado revoltado, ido até a delegacia, mentido para a Polícia Militar. O que a diretoria do Avaí está fazendo é complicar mais as coisas. Chico Lins, tenta desmentir o indesmentível. Para não ver seu jogador acusado, acusa.

"Existe uma paranoia. Todos querem levar o Avaí ao STJD. Primeiro que o atleta é negro. A mãe dele é negra. Não acredito que ele tenha xingado outro cara da mesma raça", diz, sem convicção, Lins.

Sua declaração às rádios mais revolta do que serve como desculpa. Há muitos negros que ofendem outros de macaco, infelizmente. A frase de Antônio Carlos está tristemente cristalina. Envergonha o futebol brasileiro. O jogador tem de ser punido para que seu exemplo não seja seguido. Gramado também não é lugar para atitudes racistas.

Não é porque Francis pertence ao pequeno Boa Esporte que deve ter menos atenção do que mereceu Aranha. O racismo é algo abjeto e que precisa ser banido do futebol brasileiro. E também está na hora do STJD punir de verdade os árbitros omissos. Com medo de se envolver em confusões e não serem mais escalados, deixam de ouvir e enxergar.

1fotoarena5 A diretoria do Avaí acredita que todos os brasileiros são idiotas. Antônio Carlos xingou Francis do Boa Esporte de macaco. Fez até um B.O. E o árbitro Ceretta não viu e nem ouviu nada. O STJD precisa agir contra o racismo e a omissão...

Ceretta, conseguiu ser pior do que Wilton Pereira Sampaio. Embora perto da jogada, não ouviu Antônio Carlos chamar Francis de macaco. Assim como Wilton, do quadro da Fifa, não ouviu ou viu os dezenas de torcedores gremistas chamando Aranha de 'macaco' e 'preto fedido'. Depois, relatou na súmula. Disse que 'viu na televisão'. Sua omissão foi punida com 45 dias, muito pouco para o que aconteceu. Só que o juiz de Avaí e Boa Esporte, nem isso. Não colocou nada na sua súmula. Deveria ter colocado ao menos a reclamação de Francis. Um absurdo!

Vai ser duro, o racismo precisa acabar. O futebol tolera o racismo desde que o esporte chegou ao país, há mais de cem anos. Mas finalmente acordou para o absurdo de um jogador negro ser comparado a um macaco. Os poucos torcedores racistas infiltrados na torcida gremista aprenderam a lição. E vão deixar sua intolerância para a sua vida, bem longe dos estádios.

Que a diretoria do Avaí eduque seus jogadores. E que também não pense que o país é formado por idiotas. Querer fazer que o mundo acredite que Antônio Carlos disse malaco e não macaco chega a ser agressivo, estúpido. Na ansiedade de tentar proteger o clube, os dirigentes acabam tendo uma postura covarde diante atitude racista de seu zagueiro. Inaceitável...

Imagens do Sportv na Internet

A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento…

1siteoficialatletico A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento...
Há dez anos, sugeri uma pauta no Jornal da Tarde. Levar para onde nasceu, o jovem e rebelde atacante do São Paulo. Matéria aceita. Fomos eu e Diego Tardelli a Santa Bárbara do Oeste, pequena cidade no interior paulista. Ele era ainda desconhecido para o grosso da população. Do prefeito, dos políticos locais. Mas lembro bem do orgulho que tinha ao posar para as fotos com os amigos de infância. E principalmente dos conhecidos de seu pai. Zé Tadeu.

Ele cresceu afastado do pai, jogador de futebol. Zé Tadeu era um meia promissor, talentoso, mas que a indisciplina sabotou a carreira. Passou por Atlético Paranaense, Portuguesa de Desportos, Paraná Clube, Londrina, Portuguesa Santista, América de São José do Rio Preto e Votuporanguense. Mesmo separado da mãe de Diego, sempre foi o ídolo do jogador. Ficou nítido para mim a sua fixação, vontade de mostrar ao pai que seria um jogador de sucesso. Muito maior do que ele havia sido.

O Tardelli que carrega como sobrenome na verdade nunca pertenceu à sua família. Zé Tadeu ficou impressionado com a alegria, a emoção do italiano Marco Tardelli ao marcar o segundo gol de sua seleção na final da Copa de 1982, contra a Itália. Quis que o filho tivesse o mesmo sucesso, o mesmo prazer com o futebol. A separação da esposa afastou os dois.

Por ironia, Diego nasceu com o dom do pai. Mostrava talento desde a infância com a bola nos pés. Mas também com o gênio difícil. Rebelde, que não obedecia ordens de ninguém. Foi por causa de sua personalidade que foi dispensado das categorias de base do Santos, do time que tinha Robinho e Diego. Ele sabia que a sua família dependia do seu sucesso no futebol.

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Teve de tentar a sorte no União Barbarense, time de sua provinciana cidade. Seu potencial logo o levou para o São Paulo, com 17 anos. Foi muito bem na Copa São Paulo de 2004. Logo estava no time principal com 19 anos. Leão nunca foi um treinador com grande visão tática, estratégica. Mas teve grandes relações paternalistas na sua carreira. Foi assim com Diego Tardelli. O problemático atacante conseguiu do técnico a atenção que tanto necessitava. E foi onde teve o seu melhor momento no São Paulo. Foi artilheiro do Campeonato Paulista de 2005 e grande revelação.

Mas tudo acabou quando Leão se indispôs com os demais jogadores, principalmente Rogério Ceni. E com parte da diretoria. Ele aproveitou um convite e foi para o Japão. Paulo Autuori não teve o mesmo cuidado com Tardelli. O treinador o fez mero reserva. Se aproveitou do time montado por Leão. Ganhou a Libertadores e o Mundial. A esta altura, Diego já havia caído na tentação. Baladas e indisciplinas o fizeram ser emprestado a três clubes. Betis, São Caetano e PSV Eindoven. Muitos problemas, pouco futebol.

Foi para o Flamengo. Teve um bom início. Mas faltou sorte. Fraturou o braço e logo foi vendido para o Atlético Mineiro. A desconfiança fez a diretoria adquirir apenas 50% dos seus direitos. Em Belo Horizonte percebeu que estava imitando a carreira do pai. Desperdiçando seu talento por indisciplina e noitadas. A postura foi importantíssima para mostrar a si mesmo o jogador que sempre foi. O sucesso o levou ao russo Anzi, vendido por R$ 11,5 milhões. Apesar da companhia de Roberto Carlos e Jucilei, não se adaptou.

1reproducao31 A vitória mais difícil de Diego Tardelli. Contra a rebeldia genética. Virou referência no Atlético, na Seleção. E orgulha seu pai, que ficou pelo caminho no futebol e desperdiçou seu talento...

E apenas nove meses depois, estava no Al-Gharafa do Catar. Mesma coisa. Não gostou do país, queria voltar para o Brasil. Ao Atlético Mineiro, onde tinha sido tão feliz. Não imaginaria que seria muito mais. Teve uma identificação incrível com Ronaldinho Gaúcho e Jô. Atletas que haviam sido desprezados pelo mundo do futebol por seus exageros nas baladas e indisciplina. Formaram um ataque arrasador que levou o clube à inédita conquista da Libertadores.

A fama de indisciplinado e boêmio o atrapalhou na Seleção Brasileira. Felipão não confiou no seu futebol e o deixou de fora da Copa do Mundo. O que foi um baque para o jogador. Assim como o fracasso do Atlético Mineiro no Mundial. A volta de cabeça à farra de Ronaldinho Gaúcho acabou com o bom ambiente no clube. Seu futebol estava decaindo. Quando chegou Levir Culpi. O técnico foi contratado por Alexandre Kalil com carta branca para travar a decadência do campeão da Libertadores de 2013.

Bastaram poucos dias e Levir percebeu que o problema era Ronaldinho Gaúcho. Sua falta de comprometimento estava afetando o restante do time. Diego Tardelli e Jô tentaram proteger o amigo. Mas o técnico foi bem claro. O camisa 10 não atuaria mais com o nome. Ou seria participativo, vibrante ou iria para a reserva. O empresário e irmão do jogador, Assis, percebeu o que ocorria. E decidiu pela rescisão de contrato, enquanto poderia ser pacífica.

"Você quer saber por que o Ronaldinho saiu do Galo? Pergunte ao Levir. Quando o jogador percebeu que não poderia fazer o que o nosso técnico queria que ele fizesse, foi embora.", diz abertamente Kalil.

Quando Ronaldinho foi embora, Levir chamou Tardelli para uma conversa. Disse que a referência do time passaria a ser ele. Ele teria toda a liberdade para atuar como mais gostasse. Se movimentando como um meia, sem ter a obrigação de marcar. Ficaria inteiro fisicamente para colocar em prática todo o seu talento ofensivo.

Porém havia mais. Levir lembrou que foi treinador do pai de Diego no Paraná Clube. Coincidência irônica. E sabia muito bem. Zé Tadeu poderia ter ido muito mais longe na carreira. Mas a desperdiçou.

A conversa foi fundamental. Desde então, Tardelli tem se dedicado como nunca. Sua forma física é invejável. Assim como o aprimoramento nas finalizações, na visão de jogo. Se tornou fundamental no Atlético Mineiro. O resultado pode ser contabilizado.

Desde que Ronaldinho saiu, o time de Levir disputou 14 partidas no Brasileiro. Venceu oito, empatou três e perdeu apenas duas. Tardelli virou o símbolo e já se transformou no quarto artilheiro da competição, com nove gols. Dunga acredita que pode confiar nele. O convocou para as partidas diante da Colômbia e Equador. E também está na lista contra a Argentina e Japão.

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Aos 29 anos, a vida está dando mais uma oportunidade a Tardelli. É um dos melhores jogadores deste Brasileiro. A maior esperança e referência de Levir Culpi na disputa com o Corinthians por vaga na semifinal da Copa do Brasil. Ídolo maior da apaixonada torcida atleticana. Diego já mostrou ao pai Zé Tadeu. Foi muito além do pai distante. Não se deixou vencer pelo gênio forte, pela rejeição às ordens.

Com alguém que lhe dê atenção, mas o cobre como fez Leão e agora Levir Culpi, seu talento aflora. Melhor para o Atlético Mineiro, para a Seleção Brasileira. E para o menino que está no coração do homem de 29 anos.

Pode encarar agora encarar as fotografias do talentoso Zé Tadeu. Vestido com as camisas da Portuguesa Santista, América de Rio Preto e Votuporanguense, clubes dignos mas pequenos para o seu potencial. Diego tem o direito de comemorar ter vencido a inimiga genética que travou a carreira do pai e que está no seu sangue. A inconsequente rebeldia, vazia. Optou por se transformar em um jogador profissional de futebol...
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A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

2reproducao14 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?
O Palmeiras vencia o Figueirense por 1 a 0. Dominava o time catarinense. Se vencesse, sairia da zona do rebaixamento. A bola caiu limpa para Valdivia. Aos 22 minutos, ele invade a área, dribla um zagueira e fica diante do desesperado goleiro Tiago Volpi. O chileno quis esnobar. Não quis fazer o gol. Tentou rolar, displicente, para Bruninho. A zaga afastou.

O castigo veio. Rápido, cruel. A falta de comprometimento, irresponsabilidade de Valdivia custou caríssimo ao Palmeiras. O Figueirense virou, venceu o jogo importantíssimo por 3 a 1. A brincadeira do camisa 10 e que tem a coragem de jogar com a tarja de capitão travou o time na zona do rebaixamento. Foi o responsável pela 14ª derrota do clube em 25 jogos.

"Eu errei na hora, de não fazer o gol. A partir daquele momento o Figueirense cresceu. Não dá, estava de frente para o goleiro e tentei passar para o Henrique, que estava marcado. Tinha de ter batido para o gol. A culpa é minha",", disse o chileno sem o menor constrangimento. Como se não entendesse o que estava em jogo.

2getty A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

Valdivia travou a reação do Palmeiras no Brasileiro. Como fez na partida do Flamengo, quando pisou nas nádegas do volante Amaral, caído de costas. E foi expulso. Por essa expulsão será julgado amanhã no STJD. A tendência é que ganhe uma punição pesada. Mas os dirigentes palmeirense juram que entrarão com pedido de recurso. E enquanto isso, o efeito suspensivo o manterá em campo.

Valdivia continua fazendo o que quer no Palmeiras. Fosse outro que tivesse brincado hoje no jogo disputado sob dilúvio em Santa Catarina, seria substituído imediatamente. E tomaria uma dura de Dorival Júnior, do valente José Carlos Brunoro, do ainda mais valente Paulo Nobre. Dificilmente escaparia da cobrança e até de um pescoções de companheiros. Mas ninguém tem coragem de enfrentar o jogador.

Há muitos conselheiros importantes no clube que juram. A divulgada multa de R$ 50 mil por pisar no flamenguista não é real. Apenas uma desculpa para acalmar imprensa e torcedores. Luxemburgo que frequentou muito tempo o Palestra Itália dizia que essa era uma prática normal por lá. Principalmente envolvendo jogadores importantes.

Valdivia pôs a perder uma partida que o Palmeiras estava se superando. Jogando com o coração, marcando forte o Figueirense na sua intermediária. Dorival Júnior organizou muito bem a equipe. Ele tem casa em Florianópolis. E sabe muito bem que o time de Argel precisa de espaço para jogar. Com um futebol solidário, de muita aplicação, os palmeirenses não deixaram o rival respirar.

1getty4 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

Renato, Marcelo Oliveira davam sustentação à zaga. Diogo, Valdivia e Cristaldo deveriam fechar a intermediária e tentar encontrar espaço para Henrique, fixo na frente. Os laterais João Pedro e Vitor Luis ficavam fixos, apenas marcando. O Figueirense não tinha qualidade para sair da sua defesa para o ataque. Dentro de suas limitações, o Palmeiras fazia uma partida surpreendente como visitante.

Tudo ficou maravilhoso para o time paulista quando Diogo fez ótima jogada e cruzou da esquerda. Cristaldo bateu forte, indefensável para Thiago Volpi. 1 a 0 Palmeiras, aos 34 minutos do primeiro tempo. Tudo parecia se encaminhar bem demais para uma desejada vitória.

Dorival Júnior estava orgulhoso do seu time. Não precisava mudar nada para o segundo tempo. A ordem era fazer a mesma coisa. Argel precisava também vencer. Adiantou a marcação do Figueirense na saída de bola palmeirense. O que se viu foi uma guerra. Com dois times marcados, dando carrinhos, chutões. O time paulista continuava melhor.

Até que Valdivia teve a chance para marcar o segundo gol. E colocou tudo a perder. O lance que teve a intenção de humilhar os catarinenses acabou despertando a ira do Figueirense. O mais baixo dos seus atacantes, Clayton, subiu de cabeça e empatou o jogo. Apenas oito minutos depois da brincadeira do capitão palmeirense.

Foi muita emoção em seguida para os comandados de Dorival Júnior. Raiva de Valdivia e angústia pelo empate. Todo o trabalho do motivador psicológico Lulinha Tavares estava sabotado. A partir do 1 a 1, o que se viu foi o Palmeiras entregue, desesperado. E logo tomou mais dois gols. Apenas dois minutos depois do empate, Clayton novamente entrou nas costas de Vitor Luis e completou levantamento de Geovani. Sem chance para Deola: 2 a 1. O golpe viria aos 35 minutos. Leandro levantou e Marcão cabeceou livre para o fundo do gol palmeirense: 3 a 1.

O que era festa, virou depressão. Dorival Júnior já não sorria. Os jogadores no banco estavam cabisbaixos. E Valdivia continuava agindo como se nada tivesse acontecido. O mais revoltante em toda essa situação é ter a certeza que José Carlos Brunoro outra vez vai defender o chileno, que recebe R$ 475 mil desde 2010 e tem mais um ano de contrato.

1ae41 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

É inacreditável que um clube com a história do Palmeiras se sujeite a ser rebaixado pela terceira vez à Segunda Divisão. Não bastasse o time medíocre montado por Brunoro, o clube fica à mercê de seu camisa 10 que pensa ser uma estrela internacional. Mas não desperta o interesse sequer de equipes médias européias. Já foi expulso várias e várias vezes de maneira desnecessária, suas contusões demoram muito mais para ser curadas do que qualquer jogador no elenco, sumiu, foi para a Disney sem dar satisfação a ninguém, já xingou dirigentes, mostrou a genitália para a Mancha Verde.

Valdivia tem esse comportamento irresponsável porque tem muitos cúmplices no Palmeiras. Todos na diretoria. Apáticos, incompetentes. Mais irresponsáveis até do que ele. Que dividam felizes mais essa derrota do Palmeiras no Brasileiro...
2ae18 A irresponsabilidade de Valdivia foi a responsável pelo Palmeiras perder do Figueirense. E continuar na zona do rebaixamento. Até quando Brunoro e Paulo Nobre vão permitir que o chileno sabote o clube que lhe paga R$ 475 mil mensais?

O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge…

1reproducao29 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...
A falta de ambição do Corinthians nos jogos fora de casa pesou. E está fora da zona de classificação da Libertadores. Jogando outra vez um futebol burocrático, o time de Mano Menezes perdeu. Foi derrotado em Curitiba por 1 a 0. O resultado acontece logo depois que as organizadas protestaram contra o treinador corintiano. O ambiente no clube que já estava ruim deverá ficar muito pior.

O resultado leva muita angústia a Mario Gobbi. O presidente corintiano sabe muito bem o quanto o clube necessita disputar a Libertadores de 2015. As dívidas com o Itaquerão se acumulam. E ter a principal competição sul-americana no seu estádio seria a certeza de milhões em caixa. Só nos três jogos como dono da casa, na fase de grupos, seria possível arrecadar pelo menos, R$ 9 milhões. No mínimo. Se chegasse nos mata-matas, pelo menos, mais R$ 4 milhões por partida. Na pior das hipóteses.

Mas para isso acontecer, há a necessidade de classificação. O Brasileiro ainda é considerado o caminho mais fácil. Com uma vaga entre os quatro primeiros. Mas acontece que o time de Mano Menezes vem perdendo força com o passar do Brasileiro. Não consegue se impor mesmo contra adversários reconhecidamente mais fracos.

Mano detesta a expressão muito usada para resumir a maneira como monta o Corinthians: covardia tática. Mas é incrível como seu time muda a maneira de atuar. Dentro do Itaquerão busca a iniciativa do jogo, pressiona, não deixa a equipe adversária nem respirar. A marcação é forte, ainda no tiro de meta. Pressing, compactação, firmeza. Bons conceitos do futebol atual.

Mas basta tirar o jogo do seu estádio e levar, por exemplo, para a Vila Mariana e tudo mudo. Incrível a falta de personalidade do Corinthians fora de casa. Só tem coragem de atacar quando está perdendo. Se não, tenta diminuir o ritmo da partida. Cadenciar o toque de bola, diminuir o ímpeto do dono da casa. Por isso tantos e tantos empates.

O que aconteceu hoje na Arena da Baixada foi o de praxe. Mano foi muito infeliz na escolha de como substituir o suspenso Ralf. Ele tratou de recuar Elias. Perdeu qualidade na saída de bola e o jogador surpresa na área adversária. Bruno Henrique, Petros e Renato Augusto completavam o quarteto das intermediárias. Na frente, Malcom e Guerrero correndo como alucinados pelas beiradas do campo.

Com medo de recorrentes bolas nas costas, Fagner e Fábio Santos estavam presos. Pouco ultrapassavam a linha do meio de campo. Ou seja, o Corinthians entrou em campo para amarrar o adversário. Acontece que Claudinei Oliveira não é ingênuo. Sabendo do time limitado que tem nas mãos, tratou ele de marcar muito forte. Exigir que o Corinthians tivesse a iniciativa do jogo. Montou duas linhas de marcação. Os zagueiros e cinco homens no meio de campo. Na frente, Marcelo.

Mesmo com campo para atacar, o Corinthians mostrava muita lentidão. Pouca ambição. Falta de convicção. Nada de competitividade. Apenas troca de bola burocrática, lenta. A marcação paranaense sobressaía. O Corinthians tinha muito mais posse de bola, mas era impotente. Não levava perigo ao gol adversário. Petros se ressentia de falta de ritmo. Deveria ter saído logo na primeira meia hora de jogo. Nada fazia de produtivo.

O Atlético era muito mais objetivo. Chegava pouco, mas sempre com perigo. Como aos 21 minutos, quando Marcelo cruzou na cabeça de Douglas Coutinho. Ele ganhou de Anderson Martins e cabeceou para fora. Foi uma grande chance de gol. A outra, a equipe não desperdiçou. E graças a uma falha incrível de Elias.

O volante ajudava na marcação. Deu um chutão que bateu no braço de Sueliton. O árbitro Marcelo de Lima Henrique acertou, não deu toque. Foi claríssima bola na mão. Mas ela sobrou para Cléo. O atacante invadia a área, quando Elias chegou atrasado ao tentar 'dar o bote'. Fez pênalti claro. O próprio Cléo teve muito sangue frio e cobrou, deslocando Cássio. Atlético Paranaense 1 a 0. Na primeira etapa, os paranaenses chutaram oito bolas a gol, os paulistas, duas!

 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...

O segundo tempo foi ainda mais decepcionante para o Corinthians. O time tinha prazer em desmentir a tese de Guardiola. O treinador espanhol insiste quem a equipe de maior posse de bola tem todas as chances de vencer. Não se for o time de Mano Menezes. A troca de passes é inútil. Na sua intermediária, longe do gol adversário. Irritante a falta de ambição.

O indeciso treinador resolveu trocar Petros, Renato Augusto e Bruno Henrique. Colocou Romero, Danilo e Jadson. Mas nada aconteceu. Claudinei Oliveira travou muito bem as laterais. A única saída para um time sem convicção e jogadas agudas era previsível. Cruzamentos inúteis longe da linha de fundo que só facilitavam a tarefa dos zagueiros atleticanos, que chegavam inteiros, de frente para a cabecear a bola.

Os jogadores corintianos mostravam garra, mas não disciplina tática. Não havia triangulações, aproximação. Neurônios. Nada ensaiado. Era cada um por si. O que foi ótimo para os atleticanos muito bem distribuídos nas intermediárias. Não havia como penetrar. Claudinei, com um time pior, deu um banho estratégico em Mano Menezes.

 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...

Depois de vencer o São Paulo, parecia que o time iria desabrochar, lutar pelo título do Brasileiro. Mas vieram as duas derrotas. Contra o Figueirense e hoje diante do Atlético Paranaense. A surpresa termina quando se lembra que elas aconteceram longe do Itaquerão. O Corinthians hoje é um mero time caseiro. Mano Menezes já havia jogado a toalha do título depois de empatar com a Chapecoense. Do jeito que está vai acabar desistindo também da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi. O último defensor do decepcionante treinador no Parque São Jorge.

Pressionado, o treinador começará sua briga para sobreviver na Copa do Brasil. Terá o Atlético Mineiro no Itaquerão. Mano sabe da rejeição de dirigentes, conselheiros e organizadas. E da pressão pela volta de Tite. Uma eliminação precoce diante do time de Levir Culpi pode custar o seu emprego, queira Gobbi ou não. Mano Menezes poderá pagar pela burocrática maneira que escolheu para o Corinthians jogar...

1ae38 O burocrático Corinthians de Mano Menezes perdeu para o limitado Atlético Paranaense. Despencou para sétimo lugar. Saiu da zona da Libertadores. Para desespero de Mario Gobbi, o último protetor do técnico no Parque São Jorge...

Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano…

1ae37 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...
Dos últimos 12 pontos, o São Paulo fez apenas um. Perdeu para o Coritiba, Corinthians, empatou com o Flamengo e foi derrotado ontem diante do Fluminense por 3 a 1, com 'quarteto mágico' e tudo. Está a dez pontos do líder Cruzeiro. Jogadores admitem que o título está indo embora. "Não sei explicar o que está acontecendo. Não podemos continuar assim", resumiu Kaká, com medo de o time despencar da zona da Libertadores.

A torcida, revoltada, vaiou o time no segundo tempo. Percebeu que o título do Brasileiro está indo embora de vez. Ao final da partida gritava no Morumbi: "Libertadores é obrigação". Luiz Fabiano mostra sua irritação pela reserva. Assim como Pato por ter sido substituído na quarta-feira.

O homem que poderia mudar esse quadro está internado há quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva do hospital São Luiz. E sem previsão de alta. Os médicos querem entender o motivo da abrupta e forte arritmia cardíaca. Muricy Ramalho a sofreu em pleno treino dos reservas na quinta-feira.

Embora não pareça, Muricy completará 59 anos em novembro. Está muito acima do seu peso ideal. Como todo treinador de time grande é submetido a uma pressão imensa a cada partida. "É comum eu só conseguir ir dormir nos dias de jogos lá pelas quatro, cinco da manhã. Fico esperando a adrenalina abaixar. Nas derrotas é pior, fico pensando o que poderia fazer para evitá-las. Aí é que eu não durmo", já desabafou o técnico.

O quadro médico recente de Muricy não é bom. Em 2009, ele teve de ser hospitalizado por conta de pedras no rim. Em 2011, foi constatada uma hérnia nos discos. E em 2013, uma incômoda diverticulite (inchaço dos intestinos).

Pessoas ligadas ao futebol do Santos ficaram assustadas. O técnico repetia constantemente sua vontade de parar de trabalhar. Repetia que não seguiria o mesmo caminho de Telê Santana. Ele foi seu mentor e grande inspirador como treinador de futebol.

"Mas o Telê não teve vida. Se dedicou de corpo e alma ao trabalho. E não aproveitou como poderia a família maravilhosa que tinha. Eu não quero fazer isso. Ser técnico é se submeter a muita pressão. Não quero ter um treco. Preciso aproveitar a minha vida, meus filhos, minha mulher", disse a conselheiros santistas.

E foi o que fez. Mal se recuperou da diverticulite, mudou sua rotina. Viajou de férias com a família, procurava não varar as madrugadas trabalhando, discutindo o time com os parceiros de Comissão Técnica. A equipe já havia perdido sua grande estrela Neymar. As derrotas se acumulavam. Os membros do Comitê de Gestão viam Muricy menos dedicado. E decidiram pela sua demissão.

2gazeta2 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

De maio até setembro de 2013, Muricy ficou sem trabalhar. Viajou, descansou, aproveitou a vida. Ficou com sua família, seu cachorro. Mas até que, fiel ao seu estilo, disse em entrevistas. "Já deu. Descansei o que tinha de descansar. Voltou a trabalhar no próximo ano. Estou sentindo falta do futebol." Falou isso em agosto. Em setembro voltava para salvar o São Paulo que estava ameaçado pelo rebaixamento.

Voltou ao Morumbi, teve todo apoio da torcida, de Juvenal. Conseguiu salvar o clube da Segunda Divisão. Mas tropeçou no torneio mais fácil e que poderia levar o time à Libertadores. Perdeu a semifinal da Sul-Americana para a Ponte Preta. Frustrou Juvenal. O presidente queria montar uma equipe muito poderosa para 2014. Já buscava patrocinadores para o retorno de Kaká. Com a eliminação, mudou seus planos. E mesmo Muricy, que renovou contrato até o final de 2015, não teve o aumento que teria se o clube conseguisse voltar à Libertadores.

O técnico voltou a ser muito questionado com a eliminação pelo Penapolense no Paulista. Seu time não chegou nem à semifinal do torneio estadual. Em seguida, o São Paulo caiu na Copa do Brasil diante do Bragantino. O treinador passou a ser muito questionado. Toda a tranquilidade que havia adquirido com o descanso no ano passado sumiu. A tensão voltou de forma ainda mais forte. Com Muricy mais velho.

 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

Carlos Miguel Aidar voltou de uma maneira estranha à presidência do São Paulo. Primeiro a briga pública com Juvenal Juvêncio. Dirigente de 80 anos que várias vezes saiu do hospital, onde luta contra um câncer de próstata, para ajudar na campanha política de Aidar. O atua presidente tem uma atitude dúbia em relação a Muricy. Primeiro avisou que ele ficaria de qualquer maneira até o final de 2015. Mas diante da instabilidade do time no Brasileiro, Carlos Miguel disse que Muricy teria de reagir.

A postura incendiária da nova diretoria deixou o clima pesado demais, tenso. O clube está rachado politicamente. A grande maioria dos conselheiros influentes se bandearam, indignados, para o lado de Juvenal. Aidar se aproxima da oposição. Quer convencê-la a apoiá-lo na profunda reforma, praticamente uma reconstrução, do Morumbi. Seu grande cabo eleitoral seria o time vencedor. Classificado ao menos para a Libertadores de 2015.

Embora disfarçasse, Muricy sabia. Com Kaká, Alan Kardec, Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso, Rogério Ceni, Álvaro Pereira e Luís Fabiano, jogadores importantes e caríssimos, estar na principal competição sul-americana é obrigação desde que Aidar assumiu. E se cobrava demais pelos últimos resultados ruins.

O empate com o limitado time do Flamengo de Luxemburgo foi uma enorme decepção. O time carioca jogou muito melhor, foi ágil, veloz. Merecia a vitória. Conselheiros ligados a Aidar ficaram irritados. A vitória era vista como obrigatória. O 2 a 2 foi mais um motivo de uma noite insone do técnico. Até que à tarde da quinta-feira, veio a fortíssima arritmia cardíaca. Cardiologistas garantem que geralmente ela está ligada à pressão alta. A tensão é uma das causadoras mais comuns.

4ae2 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

Muricy tem sua vida financeira resolvida. Pode parar com o futebol na hora que quiser. Seus filhos e até seus futuros netos não passarão por dificuldades. Seus altos salários que recebe há dez anos, desde que assumiu o Internacional, viraram imóveis e investimentos seguros. Sua família já pediu que levasse em conta sua saúde em 2013. Agora está preocupada com a internação por problemas cardíacos. O exemplo de Ricardo Gomes, que teve de deixar de ser treinador por causa de um AVC, também é levado em consideração.

6ae Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

Aidar quer saber a real situação de Muricy. Sua presença é fundamental para o final da temporada. Na disputa dos últimos jogos do Brasileiro e na briga pela Sul-Americana. Com dívidas que chegam a R$ 150 milhões, o presidente conta com o clube na Libertadores de 2015. O problema com o coração de Muricy era tudo o que não esperava. Ele quer pelo menos que o treinador fique até o final do ano.

Há um medo silencioso que anuncie o fim da carreira. Conselheiros garantem que a família do técnico está muito preocupada. Ninguém se esquece da promessa que ele fez ainda em 2008. Falou ao site da Globo.

"Penso em mais uns cinco anos porque meu desgaste é muito grande. Tenho boa saúde, se fosse mais calmo daria para ir um pouco mais, mas me estresso muito e tive o exemplo do seu Telê. Ele ficou doente por isso aqui, era trabalhador e estressado. Não é fácil, o cara acaba ficando doente, fundindo o motor sem perceber, e não quero que aconteça comigo, por isso o plano de cinco anos..."

2008 mais cinco anos é igual a 2013. Ou seja, a ideia de parar é algo que acompanha Muricy há muito tempo. A derrota para o Fluminense ontem deixou os companheiros de Carlos Miguel arrepiados. Tudo o que eles querem é que Muricy trabalhe pelo menos até o fim do Brasileiro e da Copa do Brasil. São praticamente dois meses de jogos decisivos. Se não conseguir, Milton Cruz continuará como interino.

Tudo dependerá dos resultados dos exames. E de quando o treinador sair do hospital. A previsão era que Muricy dormisse na UTI na quinta-feira. E que na sexta, já voltasse para casa. Hoje é domingo e até agora, nada de alta. A previsão era amanhã. O médico José Sanches já mudou seu discurso. Virou 'talvez' no início desta próxima semana...

(Muricy de forma surpreendente, até para os dirigentes, teve alta do hospital hoje. O quadro reverteu de maneira rápida demais. Mas Carlos Miguel Aidar não se preocupa. Quer o técnico trabalhando o mais rápido possível. Não importa se ele acaba de passar por um período na UTI. No Morumbi, as coisas são assim, agora...)
5ae2 Muricy deixa a UTI. Carlos Miguel Aidar o quer o mais rápido possível treinando o São Paulo. O time, mesmo com o quadrado mágico, despenca. A saúde do treinador que fique em segundo plano...

O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal…

1ae36 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...
No site oficial da Fifa, http://tinyurl.com/yd9ww54, no da CNN, http://tinyurl.com/yzqdhg9, no Corriere dello Sport (Itália), http://tinyurl.com/yhjgszy, no World News, com 28 idiomas diferentes http://tinyurl.com/ykmdle9.

Na Sports Illustrated, http://tinyurl.com/yzqdhg9. Four Four Two australiana,http://tinyurl.com/yza83sx. No Russia Today, http://tinyurl.com/yjz4ky5. Na Sky Sports Football, http://tinyurl.com/ydbrh2p. No Fussballboom da Alemanha, http://tinyurl.com/ygjpbtv.

No México, o site da Televisa, http://tinyurl.com/yhp7k5p. No Mundo Deportivo (Espanha), http://tinyurl.com/yj9kpag. Record de Portugal, http://tinyurl.com/yzqdhg9. A Bola (Portugal), http://tinyurl.com/ykbgft8. No Ole da Argentina,http://tinyurl.com/yf6vzn6. Cronica Viva , do Peru httptinyurl.com/yhogtrz. O Yahoo europeu,http://tinyurl.com/ykhqcdb.

Esses foram só alguns sites do mundo todo que repercutiram a entrevista com Adriano no R7. Foi a minha primeira matéria na inauguração do portal. Há exatos cinco anos. 4.820 posts e 320 mil e duzentos e dois comentários depois, a constatação do quanto valeu a aposta.

Estava empolgado com o blog no UOL. Vendo o blog brigar cada dia pelo privilégio de ser o mais acessado no Esportes. Duelo mais do que estimulante com Juca Kfouri, uma referência do jornalismo esportivo. Tendo o prazer de ver os nossos nomes divulgados pelo portal em propagandas na Folha de São Paulo.

Acertava detalhes da viagem, da cobertura pelo UOL da Copa da África. Quando fui convidado para conversar com Antônio Guerreiro. Me deixei contagiar com seu entusiasmo pelo novo portal que a TV Record criaria. Os planos eram ambiciosos, a proposta ousada. Soube da seleção dos jornalistas que trabalhariam ao meu lado como blogueiros. Pessoas importantes, consagradas nas suas diversas áreas.

Além disso, Guerreiro me queria comentando futebol no jornal da Record News. Heródoto Barbeiro estava sendo contratado. Uma pessoa que exala credibilidade no jornalismo neste país. O entusiasmo me contagiou. Sabia que o UOL seguiria muito bem sem mim. A sensação de ser um dos muitos pais do novo portal foi irresistível.

A vida oferece algumas escolhas que podem mudar ou não sua vida. Trabalhei no Jornal da Tarde por 22 anos. Tive oito propostas de trabalho para ganhar bem mais do que recebia. TV Globo, Bandeirantes, Cultura e Folha de São Paulo. Recebi dois convites, em anos alternados, de cada um desses importantes veículos de comunicação. Resolvi ficar no JT, enebriado pelo ambiente espetacular de trabalho, pela ousadia jornalística. Mas mal administrado, o jornal fechou.

Estava feliz no UOL, tendo todo o respaldo do meu chefe Alexandre Gimenez. Por anos foi meu concorrente, trabalhando com competência pela Folha, no dia-a-dia nos clubes, na cobertura da Seleção. Estava até mais entusiasmado do que eu com o sucesso do meu blog. A ideia havia sido dele. Ficou chocado quando o chamei para conversar e avisei que iria para o R7. Me ofereceu aumento, falou da importância do portal. Agradeci muito e expliquei que queria estar neste novo projeto.

Gimenez se despediu dizendo que as portas estariam sempre abertas. Sei que ainda estão. Mas sinto que acertei na aposta. Aqui me sinto em casa. Guerreiro não exagerou. Os objetivos ousados do R7 foram alcançados, dia após dia. O respeito, a credibilidade, a audiência do portal são impressionantes. Principalmente levando em conta que tem apenas cinco anos.

Pelo R7 cobri as Copas da África do Sul, do Brasil. Olimpíada de Londres. Panamericano do México. Mundial de Clubes do Japão. Etapas do UFC. Libertadores, Brasileiro, Copa do Brasil. Entrevistei Vicente del Bosque, Neymar, Romário, Marta, Muricy, Anderson Silva, Felipão, Carlos Alberto, Ademir da Guia, Marcelo Oliveira, Kaká, Dunga, Paulo André e muitos outros personagens importantes do esporte.

Passo horas e horas do meu dia buscando informações para contextualizar, explicar, criticar o jogo muitas vezes sujo dos bastidores do futebol. Não é fácil. Mas a participação incrível dos leitores é revigorante. Sou competitivo por natureza. E saber que o blog é o mais comentado entre os 96 que o R7 oferece me estimula a cada dia. Ainda mais sabendo do alto nível dos meus colegas.

Acompanho diariamente a importância do jornalismo digital. Percebo que sua agilidade está ganhando profundidade, respeito. É o caso deste portal. Tenho mesmo orgulho em trabalhar nesta casa. Sou um jornalista de vestir camisa, fincar raízes. Feliz, com uma estranha sensação de paternidade neste aniversário de cinco anos. Reparto com os leitores, meus companheiros de todos os dias, essa alegria.

Faço questão de reproduzir como presente para mim e para quem lê o blog a entrevista com o Adriano. Sua primeira confissão para a mídia dos graves problemas que tinha. E os sonhos que não conseguiu alcançar.

Hoje é um dia muito importante na vida do R7 e na minha. Há cinco anos se confundem, entrelaçadas. Grande abraço. Muito obrigado a todos pela companhia...

1ap4 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Casa nova.

Adriano.

A fragilidade por trás dos músculos.

A prova do que a tristeza pôde causar na vida de um dos melhores jogadores do mundo.

Na entrevista exclusiva ao blog, ele abriu o coração e contou, sem meias palavras, tudo que viveu.

Foi um depoimento duro, sincero.

No Rio de Janeiro, na Gávea, no clube que tanto ama, Adriano não teve vergonha de ser Adriano.

E jura que nunca esteve mais forte na vida.

Desceu ao inferno e voltou.

Você sabe o que significa ao futebol brasileiro?

Não tinha o direito de fazer tudo o que vez com você mesmo...

Não concordo.

Precisava passar pelo que passei para ser quem sou hoje.

Eu tenho plena noção do que represento.

Era um ídolo.

Eu mostrei o que é superação, de volta por cima.

As crianças, as pessoas olham para sim e me vêem como um exemplo.

Como assim?

Eu fiz muita coisa errada e consegui superar.

Se eu pude, as outras pessoas também podem.

Vou contar o que eu enfrentei.

Eu enfrentei uma depressão que foi de 2005 até 2009.

Só eu sei o quanto sofri.

A morte do meu pai deixou um buraco enorme na minha vida.

Ele morreu em agosto de 2004.

Foi a pessoa que me fez quem eu sou.

Devo tudo a ele e a minha família.

Eu acabei ficando muito sozinho, me isolando quando ele morreu.

Foi a pior coisa.

Me vi sozinho, triste, deprimido na Itália.

2ap1 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Foi quando surgiu o problema de alcoolismo?

Foi.

E vou ser bem sincero para você entender o que vivi.

Eu passei a beber, só me sentia feliz bebendo.

Eram festas todas as noites.

E bebia o que passava pela frente: vinho, uísque, vodca, cerveja... muita cerveja.

A situação ficou fora de controle.

Eu só conseguia dormir bebendo.

Acordava e não sabia nem onde estava.

Eu era jogador de um dos maiores times do mundo.

Comecei a ter problemas com o treinador, o Mancini, com os companheiros.

Eles perceberam?

Não tinha como não perceber.

Eu chegava bêbado para os treinos da manhã.

Com medo de perder a hora dormindo, eu ia bêbado mesmo.

Isso aconteceu várias vezes.

Eu ia dormir no departamento médico e diziam para a imprensa que eu estava com dores musculares.

A direção da Inter foi sensacional comigo, tentou me ajudar de todos os jeitos.

Eu passei a me dar mal com o Mancini, o técnico.

A situção ficou insuportável.

Eu não parava de beber, tive de sair da Inter.

O São Paulo me ajudou muito a consertar a minha vida.

3ae8 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Como assim?

Olha, a ideia de vir para o São Paulo por empréstimo foi do meu empresário, Gilmar Rinaldi.

Quando eu cheguei havia um esquema preparado para a minha recuperação.

Me deram psicólogo, carinho, acompanhamento 24 horas.

Eles se propuseram a salvar a minha carreira.

Tive várias conversas com os dirigentes, com o Muricy.

Conversas de apoio e até conversas duras.

Eu fui percebendo o mal que estava fazendo para mim.

A carreira estava indo indo embora.

E passei a perceber o quanto estava mal cercado de amigos.

Amigos que só me levavam para as farras, mulheres, bebidas

Não eram meus amigos, eram pessoas que queriam usufrir do que eu poderia proporcionar.

Foi a direção do São Paulo que me abriu os olhos.

Sinto que poderia ter retribuído mais ao São Paulo.

Deveria ter feito mais por tudo que fizeram para mim.

Por que você voltou para a Inter de Milão?

Porque o Mourinho assumiu e o Mancini tinha ido embora.

Só que quando me vi novamente na Itália, me senti sozinho, sem o apoio que precisava.

Voltei a beber.

Lembrando hoje, fico até com pena do Mourinho.

Ele queria demais me ajudar, ficou brigando com a diretoria, que queria me mandar embora.

O fundo do poço foi quando eu tinha voltado para o Brasil, parado de treinar e bebido muito.

A Inter mandou o preparador físico ao Rio para me ver.

Eu estava um boi de tão gordo, de tão inchado.

Quando vi a cara do preparador físico me olhando, eu senti: cheguei no fundo.

Decidi encerrar o meu contrato com a Inter.

Não queria voltar para lá.

Não tinha forças para superar.

Se tivesse voltado seria o fim da minha carreira.

Mas você tinha mais um ano e meio de contrato.

Era um dos jogadores mais bem pagos do mundo.

Muita gente diz que você foi louco e rasgou dinheiro...
1divulgacao1 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

Eu vou ser bem sincero com você.

Eu não rasguei dinheiro.

O que eu fiz foi comprar a minha felicidade.

Não tem milhões de euros que compense eu ter voltado para o Brasil.

Foi nessa época que o Gilmar Rinaldi quis te internar?

Sim. Essa história eu agora posso falar que foi verdadeira.

Ele queria de todo o jeito me internar para acabar com meu problema com o alcool.

Ele e o meu assessor, o Flávio Pinto, cuidaram de mim como puderam.

Mas eu me recusei.

Sabia que a cura para o alcoolismo estava em mim, na minha infelicidade.

Voltei ao Brasil, à comunidade, à favela da Vila Cruzeiro, onde cresci.

E me vi forte, confiante, cercado da minha família e dos meus verdadeiros amigos.

Isso me fez voltar a ser eu mesmo e sair da depressão.

O que você fez quando sumiu na favela da Vila Cruzeiro?

Até hoje é um mistério...

Eu fui ser o Adriano de verdade.

O que gosta de andar só de bermuda, com os pés no chão.

Fiquei conversando, brincando com meus amigos, convivendo com a minha família.

Falaram até que eu estava morto.

Eu tenho raiva dessa parte irresponsável da imprensa que fica espalhando mentiras por aí.

Essa gente irresponsável que se esquece que o jogador tem família, mãe, avó.

Minha mãe, minha vó ficaram apavoradas quando ouviram isso.

Mas você ficou convivendo com traficantes?

Olha, eu vou ser direto com você.

Eu tenho amigos na comunidade que são traficantes, trabalhadores, policiais.

Para mim, dá no mesmo.

Se são meus amigos, eu vou dar a mão, conversar, brincar.

Não vou virar as costas porque seguiram pelo lado que acho errado na vida.

Mas não é por isso que vou ficar cheirando cocaína, como muita gente acha.

Sou um jogador profissional e não uso e quero saber de drogas.

Você não usou cocaína nesta crise que teve?

Não. E não tenho porque mentir.

Hoje estou bem.

Poderia falar que usei e hoje me recuperei.

Mas não usei.

O meu problema era com o álcool.

Eu não me controlava.

Fui forte e superei.

Não sou hipócrita, na minha folga bebo uma cerveja, um vinho, como todo jogador faz.

Bebo uma cerveja e acabou.

No dia seguinte estou treinando, correndo até mais forte.

Sei o que é a minha carreira e dei valor para ela como nunca.

A religião o ajudou, te fortaleceu?

Sim. Minha avó é evangélica.

Ela me levou para várias missas.

Ouvi, prestei atenção no que ouvi nas missas.

Me senti mais em paz, fortalecido.

Não me converti, mas gosto da paz que a religão me traz.

Qual conselho você daria a um jogador que fica deprimido e mergulha no alcoolismo?

Primeiro que confesse a ele mesmo que tem um problema.

Você só sara quando assume para você o problema.

Não para os outros, para você, que é muito mais duro.

E depois peça ajuda.

Até médica se for preciso.

Não tenha vergonha.

Eu não me internei, mas tive ajuda para superar a minha depressão e o alcoolismo.

Como é ser Adriano?

Não é fácil. Ser observado, ser cobrado todos os dias.

São vários convites, várias armadilhas.

Você precisa ter uma estrutura psicológica muito forte.

E graças a Deus, agora eu estou forte o suficiente para ser Adriano...
2ap2 O R7 completa cinco anos. O prazer de ser um dos muitos pais deste projeto. Talvez o mais orgulhoso. A repercussão pelo mundo, da primeira entrevista do blog, já mostrava a credibilidade do portal...

A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo…

1getty3 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...
A decepção com Mano Menezes é enorme no Parque São Jorge. O blog já relatou o descontentamento de conselheiros. A pressão que fazem para que Mario Gobbi o troque por Tite. A sombra do técnico que fez o clube campeão da Libertadores e Mundial é enorme. A derrota diante do Figueirense foi a gota d'água para as organizadas. Elas fizeram questão de ir protestar contra o trabalho do técnico.

A principal queixa de torcedores e conselheiros é pela maneira pouca ofensiva que ele monta o Corinthians. Em 24 jogos, seu caro elenco marcou 29 gols. Enquanto o Cruzeiro fez 49, o São Paulo, 42. O time já despencou para a sexta colocação. Mano Menezes já havia desistido do título do Brasileiro ao empatar com a Chapecoense no Itaquerão. Matou o sonho de o clube ser campeão do país. Faltando 16 rodadas. Não é por acaso que enlouqueceu os corintianos.

Os adjetivos que mais ouve é ser 'retranqueiro'. E montar o time de uma maneira covarde, medrosa. Postura que não combina com a história do Corinthians. Acuado hoje por faixas na entrada do Centro de Treinamento, Mano desabafou com os jornalistas.

"Estou acostumado com os adjetivos reservados a mim. Eles se repetem com uma falta de criatividade impressionante. O Corinthians não é uma equipe extremamente ofensiva, mas tem a quinta melhor produção em gols do Campeonato Brasileiro. Tem 14 retranqueiros piores do que eu. Por isso técnico tem de ser bem escolhido. Você precisa ter discernimento necessário nessas horas para não fazer bobagem, não desorganizar."

É assustadora a irregularidade corintiana. O time é capaz de vencer o clássico contra o São Paulo, para logo em seguida, perder para o Figueirense. Mano tem uma mania incrível. Basta o time sair do Itaquerão e ele trata de colocar seus jogadores todos atrás, marcando. Põe o time para contragolpear. Atrai o adversário. Não importa se ele é muito pior tecnicamente do que a equipe que tem nas mãos.

Esperto, ele tenta desvalorizar a opinião dos torcedores. Os trata como se fossem retardados, não enxergassem a maneira medrosa com que tem colocado o Corinthians para atuar. Buscou desvalorizar o protesto de hoje.

"Não posso fazer uma leitura do protesto. A torcida tem o direito de protestar. Se o fizer com limites, não temos que nos opor a isso. Nem supervalorizar também. Vamos continuar fazendo o melhor trabalho possível. Vamos a Curitiba para buscar a vitória, que há tempos não conseguimos fora de casa. Nosso torcedor ficará feliz como ficou após o clássico contra o São Paulo. Esse é o objetivo."

2ae17 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...

De propósito, ele faz de conta que os torcedores só estão reclamando pela derrota de quarta-feira. Finge não perceber que a cobrança é muito mais profunda. Acompanhando todas as partidas do time, as organizadas reclamam da descaracterização do Corinthians neste Brasileiro. Um time frio, sem intensidade, sem gana, coragem. Derrotar o fraco Atlético Paranaense não vai mudar este quadro. A postura imediatista de Mano é, de propósito, superficial.

Na verdade, ele sabe que não continuará no Corinthians em 2015. Ele não agrada nem a situação, que deve concorrer com Roberto de Andrade. E nem a oposição que deverá ter Paulo Garcia ou Roque Citadini. Mano não interessa a ninguém no Parque São Jorge a não ser Mario Gobbi. Até mesmo Andrés Sanchez está desiludido com a forma que o Corinthians está jogando em 2014.

O técnico insiste em se defender. Diz que o combinado com Gobbi este ano seria reformular o time de Tite. E por isso os resultados não estão sendo espetaculares. Muitos conselheiros que cercam Gobbi insistem que esta é apenas uma mera desculpa de Mano. Ele voltou muito inseguro ao Corinthians depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo.

A salvação do treinador estava ao alcance de sua boca. Um discurso otimista, firme poderia mudar o rumo das coisas. Mas nem hoje, pressionado pelos torcedores, ele consegue se impor. Garantir que o time ao menos lutará para ganhar o título brasileiro. Ele parece ter alergia, urticária em citar a chance de fazer o Corinthians campeão. Ele sempre sai pela tangente, como há pouco.

"Se você não fala em título, vão dizer que não temos ambição, que não se pode estar em clube grande, onde você sempre deve buscar a conquista. Se falar, é outra teoria, com uma pressão a mais. Não temos saída no futebol. Se ganharmos, estaremos certos. Se perdermos, estaremos errados."

1fotoarena4 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...

A rejeição a Mano é impressionante. Cresce a cada instante. E ele contribui com sua falta de firmeza. Não tem o perfil sonhado pela torcida corintiano. A Seleção e o Flamengo lhe fizeram muito mal. Ele se tornou um homem amargurado, inseguro. É isso que está colocando tudo a perder. Tudo isso indica que o cargo está voltando para Tite. Ele é o treinador predileto de Roberto de Andrade, favorito a assumir no lugar de Gobbi em fevereiro. Roberto não suporta Mano.

O clube precisa conquistar pelo menos uma vaga na Libertadores de qualquer maneira. A dívida pelo Itaquerão se acumula. Seria um fracasso grande demais o clube ficar de fora da maior competição da América Latina. A diretoria está desesperada com a possibilidade de ficar fora outro ano seguido. Mesmo assim, Gobbi o apoia. Por isso passa a ser também alvo dos torcedores.

E o técnico sabe disso. Só que em vez de buscar aliados. Consegue novos inimigos a cada dia. Com o protesto de hoje, as organizadas já mostraram. Elas também não suportam mais o inseguro treinador. Mano nunca esteve tão fragilizado desde que Andrés Sanchez o trouxe de volta ao Corinthians. O fantasma de Tite se materializa um pouco mais a cada dia...
1ae35 A rejeição a Mano Menezes no Corinthians. Conselheiros, dirigentes e torcedores não suportam sua covardia tática. Ele voltou muito inseguro depois dos fracassos na Seleção e no Flamengo...

Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual…

1reproducao28 Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual...
Quando um torcedor racista sentir vontade de gritar 'macaco' ou 'preto fedido' para um jogador negro pensará duas vezes. Os gritos de alguns fizeram com que o Grêmio fosse eliminado da Copa do Brasil. Os auditores do pleno do STJD minimizaram. Trocaram a palavra excluído pela expressão perda de três pontos. O que significa exatamente a mesma coisa, já que os gremistas perderam o primeiro jogo por 2 a 0. O clube gaúcho está fora de uma competição nacional por racismo de seus torcedores.

A história foi feita no tribunal. Há agora oficialmente o precedente que faltava contra os racistas de plantão. Por mais que o STJD tenha tentado amenizar. Seus auditores disfarçarem. Enquanto falavam que não haveria 'precedente', puniam o clube. Ou seja: falavam uma coisa e fazia outra. A CBF se apressou a divulgar que não haveria novo jogo, já que os gremistas tinham perdido seis pontos. E em um novo jogo contra o Santos só poderia chegar a três. Fim da Copa do Brasil para o clube gaúcho.

Não adianta buscar o termo jurídico injúria racial para se esconder. Pessoas que comparam um negro a um macaco serão punidas. E punirão também os clubes que juram amar. Como é o caso de Patricia Moreira da Silva. Ela pode participar dos encontros públicos com negros onde quiser. Mas a imagem dela gritando, com raiva e nojo, 'macaco' em direção ao negro goleiro santista Aranha ficará para sempre. Ela contribuiu muito para a eliminação do Grêmio da Copa do Brasil. Manchou a imagem do clube no país e no Exterior. A punição é mais do que justa.

A decisão foi unânime. Por sete a zero. Foi por terra a esperança difundida por conselheiros gremistas na imprensa gaúcha. A certeza de uma reviravolta, com o clube perdendo apenas o mando de duas partidas. E ainda na Copa do Brasil de 2015. A notícia foi divulgada como certeza absoluta. A imagem do presidente Fábio Koff sorrindo chegando ao tribunal pareceu uma mensagem. A certeza de que tudo melhoraria para o seu clube. Ledo engano.

1ae34 Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual...

Os auditores foram fiéis ao comportamento inaceitável de alguns membros da torcida gremista. As imitações de macaco e os gritos racistas eram claros demais. Embora os discursos dos auditores não fossem taxativos como no primeiro julgamento, no STJD, o pleno condenou. Mostrou ser insuficiente a campanha do clube contra a discriminação dos negros. Racistas ainda frequentavam a sua arena e usando camisas, cachecóis tricolores. A figura de Patricia Moreira da Silva foi citada várias vezes.

Depois do veredicto, Fabio Koff sabia. A perda é enorme ao clube que preside. E vai além da Copa do Brasil. A imagem fica desgastada demais. Ficará muito, muito mais difícil a venda do naming rights da arena. Que empresa quer colocar seu nome em um estádio frequentado por racistas? Mesmo que seja uma parcela ínfima da torcida gremista, os que ofenderam Aranha eram adeptos do time gaúcho.

O fato de Luiz Felipe Scolari ser o treinador do clube ajuda a difundir a sentença histórica no mundo todo. É comum ler nos portais internacionais: 'clube de Felipão punido por racismo'. O prejuízo para a imagem do Grêmio é gigantesco. Quando o Banrisul, banco do Estado do Rio Grande do Sul, decidir tirar seu patrocínio na camisa, não deverá ser fácil encontrar outro tão cedo.

Fabio Koff se rendia à sentença. Mas avisava que iria cobrar o STJD em relação a qualquer outro ato de racismo.

"Em primeiro lugar, houve uma decisão unânime no Tribunal. Temos que respeitar. Se é justa ou não, do ponto de vista da consciência popular e do senso comum, vamos aguardar outros inquéritos que estão aí de discriminações previstas na lei, se serão jugados com o rigor que o Grêmio foi julgado. Porque o Grêmio teve pena preventiva, não houve inquérito, e foi punido rigorosamente.

Se isso indica que os outros expedientes que aguardam julgamento de outros clubes vão merecer o mesmo tratamento. Veremos. Se não houver, vou dizer que foi injusta. Até lá não vou me manifestar sobre a decisão."

1futurapress4 1024x682 Vitória da decência no pleno do STJD. Grêmio fora da Copa do Brasil. Como os racistas prejudicaram o clube, dirigentes gremistas querem punição às equipes de torcedores homofóbicos. Negro não é macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual...

Os advogados gremistas avisavam que daqui para frente vão notificar qualquer ofensa que o clube receber. Principalmente a ligada à homofobia.

"É uma pena pesada, um precedente perigoso. Temos que analisar se os demais casos serão analisados assim. Homofobia é igual ao racismo. Se há este tipo de caso, precisa ter o mesmo rigor", disse o advogado Gabriel Vieira. Já devia ter cobrado há mais tempo. E não esperado seu clube ser punido por atitudes racistas de alguns de seus torcedores.

Gabriel tem razão. O coro de 'gaúcho viado' infelizmente costuma acompanhar os jogos do Grêmio. E também do Inter. Gritado pelas torcidas adversárias. Dirigentes e jogadores gremistas e colorados precisam pressionar os árbitros a relatarem na súmula quando esse coro surgir novamente. Estádio de futebol não é um paraíso para a escória da sociedade. Onde tudo é permitido. O julgamento do pleno do STJD mostra isso. Jogador negro não pode ser comparado a macaco. E nem gaúcho é sinônimo de homossexual.

O Brasil caminha lentamente em direção à modernidade. Torcidas organizadas ainda matam a pedradas, usam vasos sanitários como armas letais, sinalizadores. Tribunais esportivos precisam que as autoridades também façam seu papel. Tirem da sociedade os criminosos.

Mas o dia é de comemoração. Não contra o Grêmio, um dos clubes mais importantes do País. Mas contra a discriminação, a intolerância racial. Quem decidir frequentar estádio de futebol no Brasil é preciso ter algo em mente. Não é porque um negro está atuando numa equipe adversária pode ser chamado de 'macaco', 'preto fedido'. Caso contrário corre o risco de ser processado pela Justiça, como Patricia Moreira da Silva será. E ainda prejudicará profundamente o seu próprio clube. Vitória da decência no pleno do STJD...

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