Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores…

1futurapress Tite mostra aos jogadores e à diretoria do Corinthians. Acabou a dependência de Sheik. Pesaram seus atrasos e a desconfiança de que estaria fugindo dos jogos do Paulista. Por isso está fora do time que enfrenta o San Lorenzo pela Libertadores...
Acabou a graça. O que era para ficar em segredo, foi vazado. Não por Tite. Se dependesse dele, os problemas ficariam internos. Ainda mais agora, no início da Libertadores, com o Corinthians mostrando o melhor futebol da competição. Mas seus auxiliares diretos não conseguiram se calar. Não quiseram. A opinião pública tinha de saber. Outra vez, Emerson Sheik traiu a confiança do treinador.

Tite ouviu de forma clara de Roberto de Andrade em 2014. A diretoria não queria continuar com Sheik. Estava disposta a deixá-lo longe do Parque São Jorge. Mesmo se tivesse de pagar metade dos R$ 520 mil mensais até o final do contrato, em julho. Depois, adeus.

Os motivos foram deixados claros por Mano Menezes. Sheik seria um péssimo exemplo ao restante do grupo. Com seus atrasos, sua pouca intensidade nos treinamentos, seus questionamentos aos técnicos, o desrespeito à hierarquia. E um item complicadíssimo: a escolha dos jogos que deseja atuar.

O ex-presidente Mario Gobbi ficou horrorizado quando Mano expôs o que pensava do jogador. E tratou de despachá-lo, com todo o prazer, para o Botafogo no ano passado. E ficou combinado entre os dirigentes da situação, que havia acabado o ciclo de Sheik no Corinthians.

O ex-presidente e mentor de Gobbi e Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, havia sentenciado nas rádios, no final de 2014. "O Sheik deve procurar outro clube para jogar. Não há espaço para ele no Corinthians."

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Só que surgiu Tite. O técnico que substituía Mano Menezes se apressou a ter uma longa conversa com Roberto de Andrade. E resumiu o que pensava em relação ao problemático atacante. "Comigo ele joga", garantiu o treinador. E fez questão que a diretoria o segurasse.

Roberto de Andrade tentou argumentar que ele era caro e poderia outra vez prejudicar o grupo. O presidente se referia à temporada de 2013. O ano seguinte à conquista da Libertadores e do Mundial. O atacante nem parecia o atleta empenhado, comprometido de 2012. Só renovou contrato depois de Tite interceder, implorar por ele. Gobbi não queria mais dois anos de contrato para um jogador de 34 anos. Foi convencido diante da enorme insistência do técnico.

Mas foi só ter o compromisso firmado: 24 meses recebendo R$ 520 mil e Sheik mudou. Seu desempenho se tornou pífio em campo. Perdeu velocidade, força física. Os atrasos voltaram. Era uma caricatura mal feita do atleta decisivo na Libertadores de 2012.

Começou a ser substituído constantemente por Tite. Até que em uma partida contra o Coritiba, no Pacaembu, ao tirá-lo do jogo, Tite se levantou do banco para cumprimentá-lo. Emerson, irritado, fez que não enxergou. E passou direto. Temendo a repercussão no dia seguinte, no mesmo domingo foi a um restaurante de um amigo.

Com a desculpa de fazer um gesto contra a discriminação sexual, Sheik e o dono do restaurante trocaram um beijo na boca. A cena foi fotografada. E Sheik a divulgou nas redes sociais. Conseguiu desviar o foco, mas ganhou o ódio do delegado Mario Gobbi e das organizadas.

O presidente autorizou a entrada dos torcedores no Centro de Treinamento corintiano. As lideranças das maiores e mais violentas facções se sentaram com o atacante. Sheik foi repreendido aos gritos. E teve de jurar não ser homossexual. Um vexame que Gobbi colocou na conta de Tite.

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Sem Gobbi e com Roberto de Andrade, muito mais próximo, mais amigo, o treinador corintiano resolveu colocar 'uma pedra' nas falhas de Sheik em 2013. Ele já teria pago seus pecados com Mano e com o Botafogo. Sabia que teria sua última chance no Corinthians. Tendo a competição que o consagrou: a Libertadores.

Tite apostava que a mistura Sheik e torcida corintiana no Itaquerão seria fantástica. Ele assumiria a alma do torcedor em campo. Brigando pela bola, catimbando rivais e árbitros. Foi assim contra o Once Caldas e diante do São Paulo. Duas vitórias incontestáveis, inspiradoras.

Mas no meio do caminho há o inútil e obrigatório Campeonato Paulista. Se os jogadores e treinadores dos clubes grandes pudessem responder uma enquete anônima, 99% detestam os estaduais. Sabem que não levam a nada. São insignificantes. Mas eles são proibidos pelos comprometidos dirigentes a se manifestar contra os campeonatos. Por medo de retaliação da Globo e das federações.

Esperto, vivido, Sheik não reclama. Porém sabe que, aos 36 anos, não tem condições de manter um alto nível de atuação neste estúpido calendário brasileiro. Os times classificados para a Libertadores são sacrificados com os estaduais. Tite precisa entrosar a equipe. Sonha que os atletas possam, de olhos fechados, saber onde estão os companheiros, dependendo de onde estiver a bola.

No esquema escolhido para a temporada, o 4-1-4-1, a intensidade é tudo. Os jogadores precisam se desdobrar para atacar, defender, se deslocar, ser responsabilizados por faixas de campo. Um sacrifício para quem está no ocaso da carreira como Sheik.

Apesar de estar na alça de mira por tudo o que já aprontou não só no Corinthians, como na carreira, Sheik voltou a bobear. "Deixar na reta", como confirma um conselheiro ligado à direção. Ele voltou a atrasar nos treinos.Desta vez não quis apelar para helicóptero, como fez no passado, para chegar na hora. Pior: também passou a sentir dores no joelho direito. Dores que dependem mais do diagnóstico do próprio jogador do que dos exames nos modernos aparelhos no Corinthians.

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Daí, muita gente na Comissão Técnica, somou um mais um. E aposta que Sheik estaria se poupando para as partidas do Corinthians na Libertadores. E fugindo dos jogos do inútil Campeonato Paulista. Não atuou nos últimos três: Linense, Ituano e Mogi Mirim. A alegação do desconforto no joelho começou a incomodar. Ele chegou atrasado no treinamento de domingo. Mas disse que as dores haviam diminuído e acreditava que poderia jogar contra o San Lorenzo amanhã.

Só que o preparador físico Fábio Mahseredjian se sentiu desrespeitado. E expôs a situação a Tite. O treinador concordou que a situação teria de acabar. Se levasse Sheik para o jogo da Libertadores poderia 'perder o grupo'. Jogadores sabem muito bem quando um companheiro foge de partida insignificante, se poupa para a importante. Já havia sim as suspeitas que o veterano atleta tem regalias com o técnico.

Por isso, Tite deu um basta. E resolveu deixá-lo em São Paulo. Já que está reclamando de dores, que faça um reforço muscular intenso. Foi divulgado pelo clube que as dores o havia tirado do importante jogo da Libertadores. E ponto final. Mas pessoas próximas a Tite fizeram questão de expor a situação. Deixar claro que Sheik está outra vez abusando. Agindo de forma irresponsável.

Uma pena, desperdício. Outra vez Sheik trai a confiança do treinador corintiano. Ele terá de mudar a formação que deu tão certo no início da Libertadores. Petros, Mendoza ou Vagner Love. Um dos três entrará no lugar de Emerson. Era fazer a mudança ou Tite perder a força diante dos seus atletas. Emerson poderia atuar pelo menos por um tempo na Argentina.

Sheik ficou em São Paulo. E de novo está na marca do pênalti. Caso não pare com os atrasos, esteja pronto para atuar no insignificante Paulista, como os demais, as consequências poderão ser piores. Acabou, por fim, a paciência de Tite. O problemático atleta não está apenas jogando a sua renovação de contrato no lixo. Está arriscando a sua posição de titular, sua importância no grupo.

Há muitos dirigentes corintianos cansados do jogador. Na Comissão Técnica também. Seu último defensor, desistiu. Tite não mais fechará os olhos para a indisciplina e inoportunas dores. Acabou sua dependência de Sheik. Cabe ao 'esperto' Emerson entender. A situação é completamente ao contrário. Ele é quem depende de Tite para continuar no Corinthians...
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Novo estádio faz o Palmeiras o clube que mais arrecada no Brasil. Sozinho, lucra mais que os campeonatos Carioca, Gaúcho e Mineiro. Com tanto dinheiro, cresce a chance de Valdivia ficar…

 Novo estádio faz o Palmeiras o clube que mais arrecada no Brasil. Sozinho, lucra mais que os campeonatos Carioca, Gaúcho e Mineiro. Com tanto dinheiro, cresce a chance de Valdivia ficar...
Há um ambiente de festa no Palmeiras. Paulo Nobre está entusiasmado. Não é por causa do time. Mas por causa do novo estádio. A adesão da torcida está indo além de qualquer previsão. O clube não esperava lucrar tanto no início do Campeonato Paulista. Calculava, no máximo, R$ 5 milhões. Só que o erro foi enorme. O valor foi quase o dobro. A direção do clube subestimou a empolgação dos torcedores com os 19 reforços e a nova casa. Mesmo com o inútil Campeonato Paulista, chegou a um patamar de Libertadores da América.

Os cinco jogos renderam R$ 9,7 milhões. Isso tendo compartilhado a arrecadação do primeiro jogo do torneio, com o Audax. Os números são espetaculares. Por causa do acordo com a WTorre, construtora do estádio. É completamente diferente de Corinthians e Odebrecht. Os corintianos terão de pagar o estádio em 12 anos. A arrecadação de seus jogos vai para um fundo que gere essa dívida que está em R$ 750 milhões e não para de crescer, por causa dos juros.

Se Roberto de Andrade e Andrés Sanchez não conseguirem desatar o nó dos R$ 420 milhões em CDIs oferecidos pela Prefeitura, e bloqueados pelo Ministério Público, será o caos. A dívida subiria para mais de um Bilhão. Mesmo assim, a situação é caótica. Enquanto não se resolve, os juros só aumentam.

O acordo palmeirense foi diferente. A WTorre vai explorar o estádio por 30 anos. Toda a arrecadação dos jogos de futebol fica com o clube de Palestra Itália. A construtora tem o naming rights e shows. Ao Palmeiras, apenas uma pequena porcentagem. Há uma grande briga em relação às cadeiras, já que o texto do contrato dá dupla interpretação.

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Mesmo assim, só o dinheiro dos jogos é uma grande vitória palmeirense. Em 2014, os cinco primeiros jogos renderam muito pouco em comparação a este ano. R$ 400 mil contra o Linense; Penapolense, mais R$ 410 mil, São Paulo, R$ 911 mil; Audax, R$ 492 mil; Ituano, R$ 230 mil. São apenas R$ 2,4 milhões. Fora despesas altas com o aluguel do Pacaembu. Na sua nova casa, o Palmeiras ganhou R$ 7 milhões a mais.

Paulo Nobre está empolgado porque tem a certeza que não é 'fogo de palha'. Por um simples motivo. A localização do estádio. Na Água Branca, zona Oeste de São Paulo, de fácil acesso. Por carro, metrô ou ônibus. Entre dois shoppings. E muito perto do centro da cidade.

Por isso, o presidente nem pensa em abaixar o preço dos ingressos mais caros do país. Em média, R$ 76,3 contra R$ 33,1 dos outros grandes paulistas. Pelo contrário, Nobre pode deve até aumentá-los na fase aguda do torneio estadual. Não aliviará também na Copa do Brasil. A empolgação cresce porque a capacidade do estádio é de 43 mil torcedores. A média nestes primeiros cinco jogos do desinteressante Campeonato Paulita é de 25 mil palmeirenses.

A expectativa de Paulo Nobre é que o Palmeiras seja o clube que mais arrecade em 2015. Superando até os clubes envolvidos na Libertadores. Até porque há muita confiança que este novo time, comandado por Oswaldo de Oliveiras, chegará na fase final da Copa do Brasil e brigará pelas primeiras colocações do Brasileiro. Otimista, o presidente vê chances de títulos nas duas competições.

Há outro dados incríveis. O Palmeiras arrecadou mais do que todas as partidas do Campeonato do Rio de Janeiro até agora (perto de R$ 7 milhões). Do Rio Grande do Sul, com Grenal e tudo (R$ 6,5 milhões). O de Minas Gerais fica perto de um terço. (na casa dos R$ 3,5 milhões). As partidas todas do Paulista chegam a R$ 10,5 milhões.

A entrada de tanto dinheiro pode beneficiar Valdivia. O meia que ainda não entrou em campo em 2015 terá seu contrato encerrado no dia 17 de agosto. O diretor executivo, Alexandre Mattos, já avisou a Nobre. Quer segurar a maior estrela palmeirense. Mas desde que ele aceite um contrato de produtividade. Ganhando quantas vezes entrar em campo.

 Novo estádio faz o Palmeiras o clube que mais arrecada no Brasil. Sozinho, lucra mais que os campeonatos Carioca, Gaúcho e Mineiro. Com tanto dinheiro, cresce a chance de Valdivia ficar...

Os números dão razão ao dirigente. Os números do chileno são arrepiantes. Nos 314 jogos que o Palmeiras fez desde a volta do meia, ele só atuou em 138 deles. E só em 59, atuou por 90 minutos. Ele ficou de fora 176 partidas. Estava machucado 122 vezes, suspenso 15, poupado 13, dispensado 9, Seleção Chilena, 17.

Valdivia se mostra resistente. Quer como é o seu contrato atual, R$ 475 mil mensais. Sem desconto algum quando não joga. Alexandre Mattos terá que dobrar também Paulo Nobre. O presidente não quer perder o chileno. Acredita que precisa de sua estrela para continuar a atraindo público.

De qualquer maneira, o momento financeiro é especial no Palestra Itália. O bilionário presidente comemora e respira aliviado. Acredita que, a partir deste novo estádio, não precisará emprestar mais dinheiro do próprio bolso ao clube. Ele já colocou R$ 135 milhões. Mas já se comprometeu a começar a receber quando deixar a presidência palmeirense, em 2017. Até lá, sua expectativa é lucrar até não poder com a nova arena. Os quatro anos que esperou para voltar a jogar em casa valeram a pena...
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O Brasil ouve Galvão Bueno há 40 anos. O melhor vendedor de emoções, e ilusões, lançará sua biografia. Será uma versão privilegiada. Da voz da dona do monopólio do futebol neste país…

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Final de julho de 1993. Estava admirado com o hotel de alto luxo que o Jornal da Tarde me colocou, em San Cristóbal, na Venezuela. Por engano dos burocratas do jornal, com certeza. Tomava café e pensava nas pautas do jogo da Seleção de Parreira das tumultuadas Eliminatórias para a Copa dos Estados Unidos.

Gritos femininos me chamaram a atenção. Aliás, de toda a legião de jornalistas esportivos que estava no hotel. Os gritos eram em português. Fomos todos para a piscina, de onde saíam. Era uma mulher revoltada, dizendo ter tido suas joias roubadas no quarto do hotel. Os funcionários mal começaram a responder. Quando uma voz firme anunciou.

"Eu quero tudo isso resolvido. Quero as jóias da minha mulher de volta. E ponto final. Não tem mais conversa."

Era Galvão Bueno de sunga vermelha, sem camisa, pulseira, anéis e gargantilha. Sua postura imponente e, principalmente, sua voz fez tremer camareiras e garçons. Tudo ficaria pior quando ouvi o gerente, avisando a todos. "Ele é o mister Galvão da TV Globo. Vamos resolver." Até hoje não sei se as joias foram encontradas, se o hotel pagou por outras. Tudo acabou resolvido. Para mim, ficou nítido o quanto o principal narrador esportivo brasileiro é conhecido fora deste país. E tem suas entranhas ligadas à Globo.

Essa lembrança retorna agora depois que Galvão Bueno confirma que lançará este ano sua biografia. Mais do que autorizada. Sem muito dos bastidores que testemunhou. Ele lembrará seus 40 anos de carreira ao jornalista Ingo Ostrovsky. Os dois são amigos de décadas. Ingo atualmente dirige o Bem, Amigos, programa do narrador no Sportv. Por anos, Ingo representou a Nike junto à Seleção Brasileira.

 O Brasil ouve Galvão Bueno há 40 anos. O melhor vendedor de emoções, e ilusões, lançará sua biografia. Será uma versão privilegiada. Da voz da dona do monopólio do futebol neste país...
Nunca existiu e nem existirá alguém como Carlos Eduardo dos Santos Galvão Bueno. Ninguém jamais teve tanto espaço para não só narrar, como opinar e impor o que pensa nas transmissões esportivas do país. Ele representa o monopólio da Globo no futebol brasileiro.

Nos meus 29 anos de carreira no jornalismo, nas últimas seis Copas do Mundo, nas Eliminatórias, nas Copas América, amistosos encontrei Galvão inúmeras vezes. E sem exceção vi um profissional de extrema qualidade, muito bem preparado, que vai muito além da designação narrador. Mas que sabe muito bem o poder que tem. E o exerce sem cerimônias. Faz questão de estar nas coletivas mais importantes da Seleção Brasileira. E depois delas, faz questão de conversas individuais com o técnico. Na frente dos mesmos jornalistas que imploravam pelo direito de fazer uma pergunta.

Galvão não pede entrevistas. As impõe. Os treinadores e jogadores cedem. É como se Galvão tivesse tatuado o logotipo da Globo na testa. A emissora que controla o futebol deste país há 40 anos. Paga por esse privilégio. Daí as notícias exclusivas do narrador. Não é bom negócio virar as costas a emissora com o monopólio do futebol no país. Dunga sentiu isso na Copa de 2010. Voltou e está muito mais acessível.

Nas conversas, Galvão não se limita a perguntar. Ele diz o que pensa sobre tática, sobre jogadores, sobre convocações, desconvocações, escalações. Todos aceitam. Ou pelo menos, fingem concordar. Por trás de sua personalidade forte, que o torna arrogante, há conhecimento tático. Se tornou narrador por acaso. Ele entrou no jornalismo esportivo como comentarista. Passou por uma enorme peneira, na então poderosa Rádio Gazeta, em São Paulo. Era 1974.

Eu e o meu grande chefe no Jornal da Tarde, Castilho de Andrade, fizemos uma longa entrevista com Galvão no início dos anos 2000. Tenho de confessar que ele foi um das pessoas mais difíceis de aceitar falar com o jornal. Mesmo sendo próximo de Castilho, dos maiores especialistas em Fórmula 1 no país. Depois de muita insistência, marcou no lobby do hotel Fasano, onde estava hospedado.

A entrevista foi marcante. Conheci o jornalista que está por trás do personagem. Ele já assumia ser muito além de um mero narrador, mas um 'vendedor de emoção'. O que repetiria à Veja mais de dez anos depois. Não foi por acaso que, na sua peneira na rádio Gazeta, quando foi perguntado qual esporte conhecia além do futebol, respondeu, encarando a bancada: "todos". Conhece mesmo.

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Galvão percebeu o despreparo da mídia de uma maneira geral neste país. E tratou de mergulhar nas regras, detalhes, bastidores do futebol, Fórmula 1, vôlei, basquete, atletismo. Deu um exemplo de modernidade percebendo a crescente relevância do MMA. Fez questão de se transformar também no principal narrador do UFC no Brasil.

Sem ingenuidade, Galvão Bueno tem a mesma função do locutor que fica em frente a uma das lojas da 25 de março. Ele precisa vender o produto. Mesmo não acreditando que ele seja o melhor, só precisa convencer o público. Muitas vezes talvez ele nem acredite no que está falando. Busca as explicações mais esdrúxulas, ridículas para justificar o interesse que o telespectador deve manter em relação a um jogo. "Vendedor de emoções" é assim mesmo.

Sua importância no cenário nacional, e internacional, é indiscutível. Vaidoso, ele faz questão de mostrar sua intimidade com as personalidades como as que colocará no seu livro: Pelé, Ayrton Senna, Nelson Piquet, Ronaldo, Zico, Gustavo Kuerten, Hortência, Neymar.

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Galvão sabe que significa a aprovação da opinião pública. Os ídolos também. Ter o seu aval é a garantia de patrocinadores fortes. Levar o narrador à empolgação em um gol, em uma cortada, em uma cesta pode representar uma transferência a um clube europeu. Porque além da vibração, há sua infalíveis opiniões.

O grande problema do narrador está na superexposição. Forçada muitas vezes pela própria Globo. A emissora carioca sabe que sua presença valoriza o evento, traz mais audiência. E ele não se faz de rogado. Embora, milionário, more parte do ano no principado de Mônaco, aceita transmitir o que for determinado.

Embora vários executivos já tenham tentado nestas últimas décadas, ninguém cala Galvão. Ele narra, opina, critica arbitragem. Discorda de comentaristas, de árbitros que o acompanham nas transmissões. Sua palavra é a última. Isso passa ao ar. Fica extremamente antipático. Sabe e não se importa. A estrela é ele, ponto final.

Não aceita nem ficar mais baixo do que seus comentaristas. Invariavelmente, quando a tomada é de corpo inteiro, ele pisa em uma plataforma para ficar da mesma altura de Casagrande, Arnaldo. Isso é lei na Globo.

Já teve problemas graves com Reginaldo Leme, Pelé, Renato Mauricio Prado. Casagrande é o único rebelde que tem coragem de enfrentá-lo nas transmissões. Mas acaba perdendo os embates. Porque, literalmente, ninguém cala Galvão. Caio e Júnior sabem disso e nem perdem tempo. Arnaldo César Coelho, apesar de amigo, tem que se controlar porque o narrador acredita que entende mais de arbitragem do que o primeiro juiz não europeu a apitar uma final de Copa do Mundo. Também não aceita ser contrariado por Arnaldo.

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Mas é na ansiedade de mostrar erudição, conhecimento, que acaba se sabotando. Sem alguém como coragem para travar sua língua e com muito tempo com o microfone, exagera. Um livro chegou a ser lançado em 2010 com o singelo título de "Cala a Boca, Galvão". São frases gafes e frases absurdas, sem sentido, ditas pelo narrador. Só foram levadas a sério porque se trata do maior narrador do país.

Seu patriotismo se mistura com a vontade de vender emoções. E tenta fazer times medíocres como o de 1990 e 2010, 2014 máquinas imbatíveis no imaginário popular. Galvão é responsável pela ilusão e desilusão atual no futebol brasileiro. Como é que a equipe sensacional que ganhou a Copa das Confederações passa vergonha na Copa realizada dentro do país? Perde de 7 a 1 para a Alemanha? O brasileiro comum se sente traído pelo narrador em quem confiou. Por isso ele tem de rever as expectativas que desperta.

Flamenguista assumido, ele precisa sempre trabalhar cercado de seguranças, quando vai para os estádios. Invariavelmente é xingado, quando reconhecido. O coro de: "Galvão vá tomar no ..." é obrigatório. Em ginásios, estádios. Torcedores o enxergam como a voz não só da Globo, como da CBF. Também não entende que sua proximidade com João Havelange, Ricardo Teixeira, José Maria Marin sempre foi um tiro no pé. Mas está claro que a vaidade interfere. Gosta de mostrar a reverência que os poderosos da CBF reservam a ele. Mesmo sabendo que é à Globo, dona do futebol.

Em junho, ele completará 65 anos. Já narrou onze Copas do Mundo. Como Silvio Caldas já prometeu se aposentar várias vezes. Mas sempre muda de ideia. Seu contrato vai até 2019 com a Globo. Lá terá 69 anos. Não há a menor certeza se irá parar. Age como se fosse eterno. Nunca permitiu que a emissora efetivamente preparasse um substituto. Faz questão de estar nos principais eventos. Luís Roberto, Cléber Machado ficam com as partidas, as lutas, as corridas que não interessam. Executivos globais lhe dão apoio porque sabem que ele representa audiência.

O brasileiro ama odiar Galvão Bueno há 41 anos, quando narrou a Copa de 1974, na Alemanha. Tem muitas histórias para contar. Aprendeu com a Globo que a autocensura é um dom. E vai colocar no livro as mais amenas, menos perigosas, para alívio dos poderosos.

Inteligência e bom senso nunca faltaram ao ex-vendedor de enciclopédias. Galvão se desenvolveu na arte de negociar emoção. A tal ponto que se tornou especialista em transmitir ilusão. A dura e suja realidade do esporte, principalmente do futebol, nunca interessou à Globo. Muito menos ao dono de sua voz. É o que se pode esperar de sua biografia. Livro que deveria ser lançado no ano passado. Mas o fracasso da Copa do Mundo não seria um bom incentivo aos leitores.

Motivos para questionar Galvão sobram. Mas ninguém pode negar. Ele é o melhor narrador deste país. O que mais tem responsabilidade nas costas. É a voz da dona do monopólio do futebol no Brasil. E continuará assim enquanto tiver fôlego para vender emoções. Muitas vezes desilusões...

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Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso…

 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...
"Se ele continuar a jogar como está fazendo, fica. Se não, sai do time. Comigo é simples. Não tem frescura."

Esse é o resumo de Muricy Ramalho em relação a Alexandre Pato. O treinador se cansou. Não quer mais saber de teorias sobre as 14 lesões musculares que teve no Milan. No pouco tempo que o Internacional trabalhou seus fundamentos básicos, como cabeceio e chute. Como a sua personalidade instável, sua sensibilidade, falta de reação no maus momentos de um jogo, quando é bem marcado. E menos ainda sua mania de trocar de namoradas como troca de roupa.

O treinador do São Paulo não deseja dribles exuberantes, lançamentos fantásticos, pose para bater lateral. Beijinhos para as tribunas, agora frequentadas por Fiorella Mattheis. Só agora, aos 25 anos, Alexandre Pato entendeu. A fórmula para voltar a ser respeitado é simples: marcar gols.

Mesmo o empresário do jogador, Gilmar Veloz, sabe. Até hoje Pato sofre com a precipitação generalizada. Foi rotulado como craque cedo demais. Nas categorias de base do Internacional, surgiu de maneira avassaladora. Com tanto potencial ofensivo que, com 16 anos, disputou e ganhou o Brasileiro sub-20, contra adversários quatro anos mais velhos. Foi o artilheiro da competição.

Foi escondido pela direção do clube gaúcho até que assinasse seu primeiro contrato como profissional. Na estreia, contra um pobre Palmeiras, em novembro de 2006. Com 17 anos marcou logo com um minuto de jogo, tabelando com Fernandão. Deu três assistências para gols e ainda acertou a trave do desesperado Marcos.

Acabou inscrito com o número 11 no Campeonato Mundial. E quebrou o recorde de Pelé, como mais jovem atleta a marcar um gol em competição oficial da Fifa. Na semifinal da competição, ao abrir o placar contra o Al-Ahly. Tinha nada além do que 17 anos e cento e dois dias.

A partir daí sua vida virou um pandemônio. Campeão mundial, foi vendido no ano seguinte por 24 milhões de euros, cerca de R$ 76 milhões. Na época, a segunda maior transação da história do futebol brasileiro. Só perdia para Denílson, que o São Paulo vendeu para o Bétis por 31,5 milhões de euros.

Foi tratado a princípio com uma grande estrela na Itália. Chegou casado com a atriz global, Stheffani Britto. O casamento durou nove meses. A imprensa italiana alegou que ela não suportou as farras do marido. Pato logo sofreu uma sequência inacreditável de lesões musculares. Foram 14 em quatro anos e meio. Perdeu confiança. Ganhou a filha do bilionário dono do Milan e ex-primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, Barbara. Com a namorada, sua vida de glamour ofuscava a decepção nos gramados. Virou reserva de luxo no Milan.

Na Seleção, não conseguiu convencer Dunga que mereceria disputar a Copa de 2010. Embora houvesse um enorme lobby da Nike por sua convocação. Chegou até a desfilar em Londres, mostrando o uniforme que o Brasil usaria na África. Mas foi deixado de lado.

No Milan, os dirigentes haviam desistido dele. Por mais que fosse namorado do filha do dono do clube, não era mais útil. Surgiu a oportunidade da Nike o colocar no clube que havia acabado de ser campeão do mundo. O Corinthians. Seria uma excepcional oportunidade de marketing, já a equipe também tinha a fabricante de material esportivo como patrocinadora.

Seria uma estratégia 'excelente'. Com certeza, acreditavam os gestores da carreira de Pato, o atacante se imporia no fraco futebol brasileiro. Marcaria gols e mais gols. A pressão popular obrigaria o técnico que estivesse comandando a Seleção a chamá-lo para a Copa de 2014. Seria muito mais fácil do que ficando na reserva na Itália.

1reproducao25 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

Só que Tite não pediu e não queria a chegada dessa 'estrela' que a Nike assegurava faltar no time campeão mundial. Pato chegou com salários de R$ 800 mil mais 40 mil de auxílio-moradia. Acabou rejeito pelo técnico, pelos jogadores, pelos torcedores. Na fatídica invasão das organizadas no ano passado, alguns vândalos cantavam em coro que iriam quebrar suas duas pernas, pelo péssimo futebol que mostrava no Corinthians. Pato ouviu trancado nos vestiários, tendo bancos de maneira colados à porta, para evitar que as organizadas o encontrasse.

Sua passagem foi deprimente. Virou reserva, marcador de lateral esquerdo. Apesar disso foi convocado por Felipão. Teve a chance de se recuperar da péssima Olimpíadas que disputou em Londres. Ainda assim, fracassou. Perdeu a oportunidade de disputar mais uma Copa do Mundo. A do Brasil.

Ao chegar ao São Paulo, Pato contou todas essas histórias. E mesmo pertencendo ao Corinthians até dezembro de 2016, ele jurou que para o Parque São Jorge não volta. Muricy e Rogério Ceni deram todo o apoio na troca. Só que outra vez, se mostrou inseguro. Não se firmou e ainda perdeu espaço depois que o clube contratou Alan Kardec. E Luís Fabiano parou de se contundir e colecionar infantis cartões amarelos e vermelhos.

Alexandre Pato começou o ano desacreditado. Um pobre garoto milionário. Embolsando R$ 840 mil mensais. Mas esquecido. Clube algum da Europa tentou pagar 15 milhões de euros, cerca de R$ 47 milhões, que valia até dezembro do ano passado. Hoje, já vale, por contrato, um terço a menos: 10 milhões de euros, R$ 30 milhões. Nem assim. Sequer houve sondagens.

A diretoria do São Paulo já poderia exercer o direito da compra. Mas vai decidir apenas em dezembro. Aos 25 anos, Pato finalmente percebeu que conto de fadas está se desfazendo. Gilmar Veloz, Muricy e Fiorella se juntaram. E trataram de encurralá-lo na parede. Ou a reação viria agora, ou que se conformasse com a mediocridade que conseguiu transformar sua carreira.

2reproducao9 Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

"Eu nem entendo tanto de futebol, mas a gente conversa bastante, tento ajudar ele no que eu posso fora de campo. Tem o lado psicológico, estou do lado dele, tenho que dar força. Enfim, tento participar um pouco", disse a atriz após a partida contra o Danubio, quando Pato marcou dois belos gols.

Alexandre Pato é paparicado, sempre foi. Talentoso, chegou com uma grande descoberta ao Internacional. Tinha 11 anos quando deixou Pato Branco, pequena cidade paranaense onde nasceu. Protegido por técnicos, dirigentes, preparadores físicos, todos sabiam que ele valeria muito dinheiro. Só pensaram nisso. Deixaram de lado o aspecto psicológico. Por isso tanta dificuldade na hora de ser firmar como jogador. O ego e a insegurança o sabotaram.

Pato está tentando resgatar o tempo perdido. Nos treinamentos está muito mais dedicado, concentrado, focado. Suas deficiências nas finalizações, sua precipitação, a afobação começam a ser dominadas. A aceitação pelo grupo de jogadores do São Paulo e por Muricy têm um peso enorme.

5reproducao Aos 25 anos, Alexandre Pato acordou. Percebeu que não é um príncipe. E sim um jogador que tinha muito futuro. Mas está totalmente desacreditado. Ou acorda para a vida ou aceita o fracasso...

Por enquanto, Carlos Miguel Aidar não cogita comprar Pato. Tem até o final do ano para decidir se gasta ou não R$ 30 milhões com o atacante. O Corinthians já avisou que aceita parcelar. Os dirigentes no Parque São Jorge, principalmente, Andrés Sanchez, não enxergam a possibilidade de uma volta. A rejeição da torcida já era enorme. Ficou insuportável depois de tanto carinho que ele dedica ao São Paulo.

O sucesso neste início de temporada de Pato parece repentino. Mas não é. Foi moldado a muita frustração, lágrimas de arrependimento, sacrifício do próprio ego. Apoio de Muricy, de Fiorella, de Gilmar Veloz. E, principalmente, fim do deslumbramento.

Alexandre Pato olhou no espelho como homem e não mais como menino deslumbrado. Não viu um príncipe. E sim um jogador de futebol que tinha muito futuro e está completamente desacreditado. Precisa dar a vida para mudar essa certeza. Ou aceitar o fracasso...
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A Justiça do Rio solta os 97 cavalheiros envolvidos na briga entre organizadas do Fluminense e Vasco. A legislação brasileira trata com todo o carinho os gentlemen infiltrados nas torcidas organizadas…

1ae28 A Justiça do Rio solta os 97 cavalheiros envolvidos na briga entre organizadas do Fluminense e Vasco. A legislação brasileira trata com todo o carinho os gentlemen infiltrados nas torcidas organizadas...
A Justiça do Rio de Janeiro acaba de libertar 97 presos. Eles têm algo de especial. Fazem parte das torcidas organizadas do Fluminense e do Vasco da Gama. Haviam combinado brigar pela Internet no domingo passado. De acordo com a polícia carioca, membros da Força Jovem do Vasco desobedeceram o trajeto combinado para ir ao Engenhão. Foram pela estação de trem do Meier e se encontrou, de propósito, com dignos representantes da Young Flu.

Cerca de 300 cavalheiros bem apessoados, trajando bermudas e camisetas, ou de peito nu, trataram de mostrar toda a afeição à raça humana. E o refinamento que desenvolveram. Elegantes, com paus, rojões, socos ingleses, pedras e protetores bucais, partiram para uma selvagem briga. A Polícia Militar do Rio, avisada, fez ótimo trabalho. E conseguiu proteger a população dos vândalos.

119 gentlemen foram presos. Entre eles havia menores, que foram encaminhados ao juizado. Os adolescentes foram liberados em seguida. Os pais com certeza deverão cortar mesada e cobrar, com mais afinco, a lição de casa. Restaram encarcerados 97 cidadãos de bem. Ele acabam deslocados para o presídio Bangu 10. Onde a etiqueta, a arte do chá das cinco e a tabuada seriam cobradas pelos guardas.

Aliás, representantes da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro avisava. Desta vez, os vândalos teriam o 'tratamento que mereciam'. E que sentiriam na pele a força da legislação brasileira. Não se sabe se eles estavam se referindo ao fim das gemadas no café da manhã ou à restrição da carne argentina no almoço ou talvez ao fim do direito de dormirem ouvindo Benito de Paula.

Presos, para passar o tempo e mostrar às autoridades quem é que manda, os torcedores se distraiam cantando hinos de suas facções. Um verdadeiro deleito aos ouvidos dos presos. E também prova de bom gosto, com os refrões recheados de palavras de incentivo à vida. Afinal, o que são ameaças de morte e palavrões se não uma homenagem ao homem moderno?

reproducaoextra 1024x445 A Justiça do Rio solta os 97 cavalheiros envolvidos na briga entre organizadas do Fluminense e Vasco. A legislação brasileira trata com todo o carinho os gentlemen infiltrados nas torcidas organizadas...

Na quinta-feira, o juiz Marcelo de Oliveira Silva transformou a prisão preventiva dos cavalheiros. Ela passou para flagrante. Teriam de responder, imaginem, pela terrível acusação de formação de quadrilha e violência no esporte. Um ultraje. Ninguém mais respeita uma boa e sincera troca de carinho.

Mas os dignos advogados representantes do torcedor Lusenrik Sarandi Pinto, conseguiram um habeas corpus para o seu cliente. Ou seja, ele poderia deixar a cadeia. A medida acabou beneficiando todos os demais 96 cavalheiros que o acompanham no caloroso encontro de domingo passado.

Impressionados com a personalidade forte e fraternal dos torcedores, o Tribunal de Justiça do Rio decidiu. Eles não poderão frequentar estádios de futebol durante os jogos. Terão de comparecer a delegacias do perigoso centro carioca duas horas antes das partidas. E só poderão sair de lá duas horas após o confronto esportivo acabar.

A decisão é do desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, da Sétima Câmara Criminal. Os representantes da justiça no Rio comemoraram a decisão. Lógico que advogados dos presos, alguns pagos pelas torcidas organizadas, tentarão livrá-los da pesadíssima pena. Com certeza, conseguirão.

Cada vez que um nobre cavalheiro desses é preso e em seguida solta, o efeito colateral nas torcidas organizadas é em cascata. Vem a certeza que vivemos em um país sem leis, sem punição. Então nada melhor do que arquitetar outra briga, outra tocaia. Vândalos visitar presídios e voltar sorrindo é algo que combina muito bem com a seriedade dos nossos políticos em Brasília.

Infelizmente é sempre a mesma história. A legislação brasileira é arcaica, ultrapassada. Impede que os vândalos, criminosos infiltrados nas torcidas organizadas sejam realmente punidos. Enquanto isso acontecer, cada vez mais brigas e mortes acontecerão pelo país.

A prisão dos 119 membros de organizadas do Fluminense e do Vasco havia sido histórica. Impressionante a firmeza das autoridades, que enviaram 97 brigões para a penitenciária de Bangu. A polícia carioca trabalhou de forma brilhante. Evitou o que poderia ser uma calamidade na estação de trem do Meier. Mas a Justiça brasileira conseguiu encarcerar essas pessoas por apenas cinco dias. Todos já deverão voltar às ruas ainda hoje.

Comemorar as visitas às penitenciárias é algo tímido demais. Essas pessoas deveriam ao menos utilizar tornozeleiras eletrônicas. Serem vigiadas de verdade. O serviço de inteligência da Polícia Civil entrar em ação. E separar o joio do trigo. Prender os traficantes e criminosos que partem para o confronto querendo matar o torcedor rival. E a legislação ser modificada, para que que essas estúpidas e selvagens brigas fossem qualificadas como realmente são: tentativas de homicídio.

Se esses vândalos soubesse que correriam o risco de ficar anos atrás da grade, não se agiriam com tanta naturalidade. Sabem que nada de mais acontecerá se resolver se juntar em bandos e combinar brigas pela Internet. Como se as cidades não passarem de cenário e as pessoas comuns testemunhas de sua ignorância, da sua vontade de sangrar o oponente.

A polícia brasileira está mais atuante. Os juízes, desembargadores também estão muito mais envolvidos. Os promotores do Ministério Público também. Mas infelizmente todos se defrontam com um inimigo insuperável. A velha legislação brasileira. Feita décadas atrás quando os torcedores eram pessoas comuns. Não foi adequada para os criminosos vândalos infiltrados. Aqueles que têm sede de sangue.

Por isso, a alegria com a prisão de membros das violentas organizadas termina em pouco tempo. Qualquer advogado minimamente instruído tira da cadeia gente perigosa. Com a maior facilidade. E logo recoloca essas pessoas nas ruas. As devolve para a sociedade. Onde logo elas estarão planejando novas brigas, novos confrontos, novas mortes. E assim segue a vida neste país. Com cada vez mais motivos para simpáticos membros das torcidas organizadas sorrirem. Mesmo algemados. Porque sabem que as algemas durarão poucos dias, poucas horas...
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Com o aval de Felipão, Arnaldo Tirone fez o Palmeiras desperdiçar R$ 36 milhões com Wesley. O volante foi a pior contratação da história do Palmeiras. Agora está livre para o São Paulo…

1ae27 Com o aval de Felipão, Arnaldo Tirone fez o Palmeiras desperdiçar R$ 36 milhões com Wesley. O volante foi a pior contratação da história do Palmeiras. Agora está livre para o São Paulo...
Se os dirigentes do futebol brasileiro fossem responsabilizados por seus erros, hoje seria um dia terrível para a família Tirone. Termina hoje o contrato de Wesley com o Palmeiras. O clube desperdiçou com o volante R$ 21 milhões pelos seus direitos e mais R$ 12 milhões em salários e luvas. Arnaldo Tirone deveria ter de arcar com R$ 36 milhões jogados pelo ralo. O jogador está livre para assinar com o São Paulo, com quem negocia há mais de seis meses. Com o clube de Carlos Miguel Aidar sem precisar mandar um centavo ao Palestra Itália.

No Palmeiras, Arnaldo Tirone se defende. Disse que a contratação foi um pedido expresso de Luiz Felipe Scolari. Se desculpa dizendo que foi um presidente obedecendo pedido do seu treinador. E mais. Avisa que foi convencido pelo departamento de marketing que o clube teria o jogador de graça. Acreditou no sistema crownfunding, ou seja, tinha a certeza que os torcedores iriam pagar cotas de R$ 100,00 para ter o meia.

Tirone acabou expondo o clube à uma situação ridícula. Tentou esconder a incompetência administrativa que afundava o Palmeiras em dívidas. Buscava explorar o amor do torcedor. Pior, a empresa responsável pelo esdrúxula campanha anunciou a meta: R$ 21.377.300,00. Aí incluídos o dinheiro do Werder Bremen, R$ 13 milhões e mais R$ 8 milhões de 'custos'. Ou seja, dinheiro que o Santos teria direito, taxas bancárias e, lógico, comissão à empresa autora da ideia.

O pedido de esmola foi rejeitado pelos torcedores. Não se deixaram enganar pela chantagem emocional. Dos R$ 21,7 milhões, apenas R$ 600 mil foi coletado. Com o detalhe. Nos últimos dias, certos de que a campanha não daria certo, pessoas ligadas à diretoria de Tirone 'compraram' cotas altas. Sabiam que não teriam de pagar efetivamente. Buscavam ao menos diminuir a vergonha.

O Palmeiras pensou até em desistir da transação. Mas como Wesley já havia até treinado no clube, o Werder Bremen ameaçou ir à Fifa querendo o dinheiro. Os alemães alegavam que o acordo estava feito e não seria desfeito. Não aceitavam o brasileiro de volta de jeito algum.

2ae15 Com o aval de Felipão, Arnaldo Tirone fez o Palmeiras desperdiçar R$ 36 milhões com Wesley. O volante foi a pior contratação da história do Palmeiras. Agora está livre para o São Paulo...

O empresário e presidente do Criciúma, Antenor Angeloni, foi procurado. Tirone pediu que ele desse as garantias bancárias pela transação. O Palmeiras não só o pagaria, mas ainda faria um acordo de intercâmbio com o clube catarinense. "Fui enganado. Dei o dinheiro na maior boa fé. Não houve intercâmbio nenhum. E os dirigentes passaram a não atender minhas ligações quando eu cobrava. Entrei na justiça para reaver o meu dinheiro. Essa gente não tem palavra", desabafou Angeloni. O Palmeiras terá de ressarcir o empresário.

Felipão ficou muito feliz com a chegada de Wesley. Tinha certeza que revolucionaria o então time limitado palmeirense. E Seleção Brasileira seria uma garantia ao jogador. Perguntado sobre o porque do fracasso no Werder, Wesley foi vago. Alegou que foi escalado errado. Tinha de de atuar como ponta direita, como atacante. Algo muito estranho, porque os alemães sabiam estar levando um volante.

Wesley já não estava treinando bem. Suas primeiras participações no time, decepcionantes. Até que veio uma lesão no joelho, logo na sua quarta partida, contra o Guarani. Levou sete meses para se recuperar. Ao voltar, não conseguia render o que se esperava. Se mostrava lento, indeciso, desinteressado em campo.

Logo torcedores, dirigentes e jornalistas passaram a questioná-lo. Sua desvalorização foi fulminante. A diretoria palmeirense incumbiu empresários de tentar vender o jogador. Mas não havia interessados em comprá-lo. Apenas em pegá-lo por empréstimo. Com o Palmeiras arcando com 50% dos salários. Atlético Mineiro, Grêmio e Fluminense iniciaram negociações. Mas desistiram.

4ae10 Com o aval de Felipão, Arnaldo Tirone fez o Palmeiras desperdiçar R$ 36 milhões com Wesley. O volante foi a pior contratação da história do Palmeiras. Agora está livre para o São Paulo...

Wesley continuava sua decadência em campo. Irreconhecível. Parecia que o Palmeiras havia contratado um sósia e não aquele jogador versátil, inteligente, veloz do Santos. A inflamável torcida organizada do clube via 'má vontade' do meio campista. Repetia que estava 'encostado' porque tinha contrato de três anos, garantindo R$ 350 mil a cada 30 dias. Ele acabou sendo ameaçado de agressão na rua. O assunto logo foi abafado no Palestra Itália.

Paulo Nobre cobrou Gilson Kleina e Gareca sobre o comportamento displicente do volante. Em campo, se acostumou com as vaias da própria torcida. Jogava cada vez pior. Os ex-treinadores tiveram inúmeras conversas com o volante. Mas não houve jeito. Já diagnosticando pura má vontade e desconfiado que negociava com o São Paulo, Nobre deu uma ordem expressa a Dorival Júnior. Não escalar Wesley de jeito algum nas últimas partidas do Brasileiro. O clube precisava desesperadamente de pontos para não ser pela terceira vez rebaixado.

1reproducao24 Com o aval de Felipão, Arnaldo Tirone fez o Palmeiras desperdiçar R$ 36 milhões com Wesley. O volante foi a pior contratação da história do Palmeiras. Agora está livre para o São Paulo...

Dorival Júnior desobedeceu Nobre. Apostou em Wesley. Foi um dos motivos de sua demissão, apesar de ter salvo o Palmeiras de novo vexame. Desde então, o volante passou a ser tratado com total desprezo no clube. Seus agentes tentaram a antecipação da rescisão de contrato. Acabar o vínculo em dezembro do ano passado.

Nobre acreditou que, na verdade, seria Carlos Miguel Aidar quem estaria por trás da conversa. E, depois de liberado em dezembro, Wesley chegaria ao São Paulo. E seria inscrito para a Libertadores.

O bilionário presidente palmeirense foi vingativo. Preferiu gastar mais três salários, mesmo sabendo que Wesley não entraria em campo, do que cedê-lo antes do final de seu contrato, hoje. Assim, o São Paulo perderia o prazo para inscrever o atleta na primeira fase da Libertadores.

A situação deixou ainda mais desgastado Wesley. Nos últimos dias, ele treinava separado. Com o goleiro Raphael Alemão, o lateral-direito Weldinho, o zagueiro Gabriel Dias e o meia Lucas Morelato, atletas que Oswaldo de Oliveira não utilizará.

Wesley estará livre hoje do seu inferno particular. Aos 27 anos está livre para assinar contrato com quem quiser. Tudo indica que será mesmo o São Paulo. Muricy Ramalho já várias conversas com Aidar. E assegurou que, com ele, o volante joga. O treinador é admirador dos tempos do volante no Santos.

Enquanto o atleta acerta seu futuro, o Palmeiras faz sua contabilidade. R$ 36 milhões de prejuízo. Uma dos maiores desperdícios financeiros do futebol brasileiro nos últimos anos. Com direito a processo do empresário que emprestou dinheiro para a contratação. E mais a vergonha da campanha da esmola.

Como Arnaldo Tirone e Felipão não arcarão com um real, a conta e o vexame ficam para o clube. Assim trabalham os administradores no futebol brasileiro. Gastando milhões, sem a menor responsabilidade. Sem precisar arcar com a própria incompetência...

Massacre da Record, com Gugu e Suzane Richthofen, diante do São Paulo na Libertadores, não é exceção. A Globo vulgarizou o calendário. Está matando o interesse sobre o futebol brasileiro. Por isso sua audiência despenca ano após ano…

1reproducao Massacre da Record, com Gugu e Suzane Richthofen, diante do São Paulo na Libertadores, não é exceção. A Globo vulgarizou o calendário. Está matando o interesse sobre o futebol brasileiro. Por isso sua audiência despenca ano após ano...
Altos executivos da televisão brasileira aprenderam ao longo dos anos. Evitar, de todas as maneiras, levar grandes atrações ao ar quando a concorrente mostrasse futebol. Por décadas foi assim. Afinal, o esporte é o predileto do país. As conquistas, os grandes talentos, as vitórias costumavam prender a família por 90 minutos diante da televisão. Havia a certeza que na manhã seguinte, o jogo seria o assunto principal.

Porém as decepções com a Seleção Brasileira, o estúpido calendário que vulgarizou os jogos dos clubes, a debandada dos craques, o horário cruel das 22 horas, os canais a cabo, os péssimos espetáculos. Esses elementos se juntaram para sabotar o interesse pelo futebol neste país.

Dados demonstram o quanto despencou a audiência da Globo. A dona do monopólio do futebol perdeu cerca de 10 pontos na última década. E o interesse continua caindo. São dados assustadores. Que refletem. Menos patrocínios milionários nas camisas dos clubes, dificuldade de novas arenas como as do Corinthians, Grêmio e Internacional, Atlético Paranaense conseguirem empresas para pagar pelo naming rights. Não há interesse.

Por isso houve tanta festa na Globo quando Corinthians e São Paulo, na semana passada, chegaram a 32 pontos de audiência. A partida, inédita pela Libertadores, bateu a final da Copa do Mundo de 2014. Alemanha e Argentina chegaram apenas a 29 pontos.

O que deveria ser um desestímulo para a concorrência. Por exemplo para a TV Record. A emissora paulista resolveu colocar outra vez no ar, o apresentador Gugu e seu show de variedades. O acerto é que o programa será mostrado às terças, quartas e quinta-feiras.

Como é de praxe, uma atração assim tão cara costuma ter um grande trunfo na sua estreia. E ele tinha. Uma entrevista exclusiva com Suzane von Richthofen. Ela arquitetou o assassinato do pai e da mãe pelo namorado e seu irmão, Daniel e Christian Cravinhos. Na noite do dia 31 de outubro de 2002, o engenheiro Manfred e a psquiatra Marisia von Richthofen dormiam. Foram mortos a pauladas. Depois de matá-los, o trio tentou forçar uma cena de assalto no quarto do casal. Suzane pretendia ficar com a herança dos pais, cerca de R$ 11 milhões.

A trama, cometida no bairro nobre paulistano do Brooklin, foi desmascarada e depois de um dos julgamentos mais comentados na história do Brasil, veio a sentença. 39 anos para Suzane e Daniel. Cristian pegou 38 anos.

O que levou uma jovem loira bonita, dona de uma vida de mordomias a arquitetar o cruel assassinato dos seus pais? A sua versão, depois da condenação, nunca veio a público. A curiosidade aumentou quando ela resolveu se casar com uma detenta Sandra Regina Ruiz Gomes. Condenada a 27 anos por sequestro e morte de um adolescente. Sandra trocou Elise Matsunaga, por Suzane. Elise está presa por ter matado e esquartejado o marido Marcos Matsunaga.

1ae26 Massacre da Record, com Gugu e Suzane Richthofen, diante do São Paulo na Libertadores, não é exceção. A Globo vulgarizou o calendário. Está matando o interesse sobre o futebol brasileiro. Por isso sua audiência despenca ano após ano...

O caso é trágico, terrível. E desperta a atenção do brasileiro desde 2002. Qualquer dia que a entrevista exclusiva de Suzane, com direito à participação de Sandra, teria audiência.

Se Gugu tem às terças, quartas e quintas para levar ao ar o depoimento, o manual básico da televisão não recomendaria justamente a quarta-feira. Dia no qual a maior concorrente da Record, a Globo estaria mostrando um jogo importantíssimo da Libertadores para a capital paulista. São Paulo e Danubio do Uruguai. Depois da derrota para o Corinthians, o clube tricampeão mundial não poderia sequer empatar o jogo. O interesse deveria ser enorme.

Mas não houve esta preocupação. O futebol não assusta. Pelo contrário. Com a decadência na audiência, o que aconteceu na semana passada foi exceção. E a emissora paulista fez Gugu estrear sem medo. Bater de frente com São Paulo e Danúbio. A grande atração, a entrevista exclusiva de Susane ficaria guardada para a última hora. Enquanto a partida estivesse acontecendo.

O resultado foi marcante. A Globo marcava 22 pontos com o início do jogo. Mas a audiência começou a despencar quando Gugu entrou no ar. Depois de uma hora, o programa já tinha 17,3 pontos contra 15,5 do futebol. E as pessoas não paravam de mudar de canal. Quando veio a entrevista, foi um massacre. A Record tinha 14,5 pontos contra 7,7 pontos da TV Globo. Os números do Ibope são preliminares. Há a tendência que a diferença seja ainda maior para a Record.

O caso é marcante. A entrevista de Suzane despertaria a atenção do brasileiro em qualquer dia, qualquer horário. Mas quando se opta por enfrentar, sem medo, um jogo fundamental da Libertadores, há algo errado. Os patrocinadores que gastam mais de um bilhão de reais com o futebol na Globo precisam repensar. Cobrar uma atitude. Já que os executivos da Globo, que têm à sua disposição o calendário da CBF e da Conmebol, vulgarizam seus produtos. A influência de um bilhão de reais, nesta recessão, tem ressonância.

A diretoria do São Paulo implora por um patrocinador master para sua camisa. Qual o interesse de uma empresa, assolada pela recessão, de colocar R$ 25 milhões por ano no clube? Quando nem pela Libertadores, em jogo importantíssimo, é capaz sequer de liderar a audiência no país?

O que aconteceu ontem foi significativo para a Record, para o Programa do Gugu. Mas a parte esportiva, o futebol outra vez mostrou toda a sua fragilidade. O falta de cuidado do calendários, o número excessivo de jogos. Torneios decadentes que o tempo matou, como os estaduais vão além da perda de tempo. Viraram veneno para a audiência. Times grandes colocam equipes mistas reservas para enfrentar adversários insignificantes, de aluguel, montadas por empresários e prefeitos para divulgarem sua cidade.

2ae14 Massacre da Record, com Gugu e Suzane Richthofen, diante do São Paulo na Libertadores, não é exceção. A Globo vulgarizou o calendário. Está matando o interesse sobre o futebol brasileiro. Por isso sua audiência despenca ano após ano...

O torcedor não é idiota. Não perde tempo com jogos que sabem não valer nada. Muito menos se dispõe a pagar para ver de perto equipes fracas, sem talento. Se for à noite, pior ainda, se expor à violência dos centros urbanos brasileiros. Expor esposa e filhos para ver um jogo ruim e ter de voltar para casa depois da meia-noite, para trabalhar no dia seguinte?

A falência dos grandes clubes, por incompetência, irresponsabilidade e, muitas vezes, corrupção dos dirigentes. A debandada dos jogadores talentosos para a Europa, Oriente e até Estados Unidos. A certeza dos que ficaram por aqui não tem potencial para ir ou voltaram por não servir mais à elite do futebol mundial. O que já é ruim fica muito pior com o vulgar calendário que reserva horários nobres para partidas insignificantes.

O que aconteceu ontem com o programa de Gugu não é um caso raro. Muito pelo contrário. O brasileiro comum está se cansando do futebol. Três arenas construídas para a Copa do Mundo não foram usadas nos estaduais de 2015. Não vale a pena, pelo custo, abrir o Castelão, a arena da Amazônia e o Mané Garrincha. Elas seguem fechadas para os insignificantes torneios. Esperam pelo Brasileiro, pela Copa do Brasil.

Mesmo no Morumbi, ontem, no jogo importantíssimo, o público foi de pouco mais de 16 mil torcedores. Os dirigentes são paulinos sonhavam com 35 mil pagantes. Uma decepção que está longe de ser exceção. Repare nas cadeiras vazias, atrás de Pato, nas fotos, enquanto ele comemora seus gols. Deprimente...

As emissoras não temem mais o poder do futebol neste país. A Globo, que monopoliza o esporte, desde os tempos da Ditadura, conseguiu. Está matando sua galinha de ovos de ouro. Com a cumplicidade da CBF. E a covarde omissão dos dirigentes dos grandes clubes brasileiros...
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A reviravolta da reviravolta no amador Corinthians. Tite consegue convencer o carente Jadson a ficar. É seu titular absoluto na Libertadores. Nada de China. Pelo menos até amanhã…

 A reviravolta da reviravolta no amador Corinthians. Tite consegue convencer o carente Jadson a ficar. É seu titular absoluto na Libertadores. Nada de China. Pelo menos até amanhã...
No domingo, Tite teve a garantia de Roberto de Andrade. O presidente confirmou que o Corinthians passa por dificuldades financeiras 'absurdas' por causa do Itaquerão. Mas seguraria todos os jogadores, principalmente Jadson e Gil, os mais assediados, até o final da Libertadores. O treinador comemorou, feliz.

Na segunda-feira, Roberto de Andrade dizia o inverso. O clube chinês Jiangsu Sainty decidiu pagar a multa de 5 milhões de euros, cerca de R$ 18 milhões. A diretoria não teria como segurar o meia. Tite ficou muito chateado. Não quis dar entrevista, falar com ninguém da imprensa. O golpe era muito forte na equipe que havia acabado de ajustar.

"A multa é o limite contratual de qualquer atleta e ele mostrou interesse de sair. Não tem contraproposta. Vou fazer o que? Comprar o atleta de novo? Não dá. Se o jogador fala 'não quero jogar na China' a multa não tem valor, mas se o atleta tem vontade não tem jeito. E eles pagaram a multa", garantiu Roberto de Andrade.

Jadson também ficou revoltado pela maneira que a situação foi conduzida. Seus agentes só souberam da transação depois que os dirigentes corintianos já haviam se reunido várias vezes com representantes chineses. O meia se sentiu muito desprestigiado. Esperava que, o Corinthians ao menos tentasse segurá-lo, oferecendo uma prorrogação de contrato, um aumento. Buscar negociar.

O meia já tem sua situação financeira bem resolvida na vida. Passou sete anos lucrativos na Ucrânia. Desde que saiu do Atlético Paranaense, em 2005, seus salários nunca ficaram abaixo de R$ 200 mil. Mais as luvas, premiações que recebeu nestes dez anos, o meia não tem o que reclamar.

Depois de um grande período de depressão nas mãos de Mano Menezes, Jadson estava entusiasmado com Tite. Se sentia valorizado depois de muito tempo. Ainda mais após a saída de Lodeiro. Havia se tornado titular absoluto do time na Libertadores. Não esperava deixar o Parque São Jorge.

2ae13 A reviravolta da reviravolta no amador Corinthians. Tite consegue convencer o carente Jadson a ficar. É seu titular absoluto na Libertadores. Nada de China. Pelo menos até amanhã...

Conselheiros corintianos garantem que a proposta para o meia é fortíssima. Principalmente para um atleta com 31 anos. Nada menos do que R$ 1 milhão mensais. Tudo ficou nas suas mãos. A direção mandou avisar a imprensa na terça-feira pela manhã que não haveria volta. O meia aceitou e iria jogar na China.

Só que os setoristas que acompanham os treinos diariamente no Corinthians estranharam. Jadson estava contrariado, irritado. Exatamente como Tite. Estava claro que havia algo de muito errado. A sensação é que o jogador não estava à vontade. Geralmente quando alguém muda de clube satisfeito fica sorridente, brincalhão.

Jadson se mostrava deprimido, tenso. E sem aceitar dizer uma palavra aos jornalistas. Assim como Tite. O desconforto era claro. Mas até então, todos acreditavam na palavra de Roberto de Andrade. Mesmo com o vazamento de o negócio ser péssimo para o Corinthians. O dinheiro chegaria a R$ 4,8 milhões, quantia irrisória diante da perda de um titular absoluto.

Não se sabe o motivo, mas o ex-presidente Mario Gobbi aceitou que o jogador passasse em 2015 a ter 70% dos seus direitos. E ninguém da atual direção sabe porque o dirigente fixou em um valor tão baixo a multa rescisória de Jadson.

Quase ninguém acreditava na reviravolta. Conselheiros e dirigentes tentavam mudar o foco do péssimo negócio. Diziam que era Jadson que havia aceito. Mas se era isso, por que ele não vinha a público confirmar?

Por um simples motivo. Houve uma conversa significativa entre ele e Tite. O treinador expôs o quanto contava com ele para a sequência da Libertadores. E o quanto acreditava que, com ele no time, o Corinthians poderia brigar seriamente pelo título. E depois, poderia ir embora. Até mais valorizado. Foi a tentativa desesperada de segurar o meia.

Todos no São Paulo sabem. Jadson é um jogador muito carente. Ele precisa do afago dos treinadores para render bem. Se sentir importante. Há vários atletas no futebol brasileiro com essa característica.

3ae10 A reviravolta da reviravolta no amador Corinthians. Tite consegue convencer o carente Jadson a ficar. É seu titular absoluto na Libertadores. Nada de China. Pelo menos até amanhã...

Diante da postura de Tite, o meia avisou a seus agentes que decidiu ficar. E eles avisaram a Roberto de Andrade. O jogador não assinaria contrato algum. Aí já há algo muito estranho. O presidente corintiano havia garantido que os chineses haviam pago a multa. Como, se não havia assinatura do atleta?

A negociação foi desfeita. Os representantes chineses ficaram irritados com tanto amadorismo.

A desculpa que a assessoria de imprensa corintiana divulgou é que Jadson havia decidido ficar porque sua família não quis viajar para a China. Também 'vazou' que Vagner Love o teria aconselhado a não ir jogar na China. Justo ele que foi preterido por Cuca, depois da contratação de Conca...

Mas o que importa é que o meia não sairá mais. O que significa um ganho absurdo técnico e tático para o Corinthians na Libertadores. Tite não terá de apostar em Danilo os 90 minutos ou recuar Sheik e formar o ataque com Love e Guerrero. Nada disso. Seu esquema 4-1-4-1, que tão bem se encaixou neste grupo, será mantido.

Jadson treinou hoje entre os reservas e não atuará contra o Linense. Tite tem todos os motivos para ficar exultante. O meia carente também. Nunca foi tão valorizado. A diretoria, desesperada por dinheiro, que trate de buscar outra fonte de renda. Pelo menos enquanto durar a Libertadores da América.

E que Roberto de Andrade, como presidente do Corinthians, tenha menos ansiedade. Não exponha uma situação tão séria como a venda de Jadson como definitiva. Quando não está. Por falta de visão e pulso, o dirigente expôs o clube à uma agitação completamente desnecessária. Desgastou o elenco, Tite e principalmente Jadson.

Então, fica combinado assim. Pelo menos até hoje à noite, Jadson fica no Corinthians. Amanhã, seguindo o amadorismo que domina o clube, ninguém sabe. Não custa nada o meia passar a dormir dentro de um avião...
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O deputado Andrés Sanchez já começou a trabalhar em Brasília. Primeiro ato: apoiar a criação do Dia do Corinthians. Esse é o candidato dos sonhos de Lula para prefeito de São Paulo…

1ae25 O deputado Andrés Sanchez já começou a trabalhar em Brasília. Primeiro ato: apoiar a criação do Dia do Corinthians. Esse é o candidato dos sonhos de Lula para prefeito de São Paulo...
"A população clama por mudanças na política. As manifestações que tomaram as ruas em junho de 2013 mostraram isso. E só há uma forma de transformar essa realidade: a Reforma Política. Na Câmara Federal, Andrés Sanchez vai defender projetos que signifiquem uma ampla reforma no sistema político e eleitoral e que garantam mais transparência nas ações do governo e rigor no combate à corrupção. Como deputado federal, Andrés não terá medo de fazer o debate da Reforma Política, enfrentando interesses que ainda permeiam alguns setores da política brasileira."

Esta era a primeira das seis promessas do então candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores, Andrés Sanchez. Feitas na página na Internet do então candidato número 1354. Todas estarão neste texto. A expectativa sobre sua candidatura era enorme. Amigo íntimo e apadrinhado por Lula. O operário que virou presidente da República nutre um sonho em relação a Andrés. O considera em condições de fazer excelente carreira na política.

Como já aconteceu muito neste país, pessoas que conseguem projeção no futebol, costumam se aproveitar da popularidade do clube que defendem e acabam eleitas pelos torcedores das equipes. Não é necessário projeto algum.

Lula convenceu a cúpula do PT que Andrés é um fenômeno natural. Com a proteção do manto corintiano, o ex-presidente acredita que ele fazer muito pelo partido. A começar pelos votos que deveria trazer. Ele foi o homem que conseguiu modernizar o Corinthians. Contratou Ronaldo. Montou uma base política que está há dez anos mandando no Parque São Jorge. A comanda com mão de ferro.

Andrés apoia a renovação na política. Defende ideias diferentes e projetos inovadores. Por isso, é contra a reeleição. Enquanto presidente do Corinthians, Andrés liderou a reforma do estatuto que proibiu a sua própria recondução ao cargo no clube. Para ele, se sangue novo é bom no futebol, na política também será! Na Câmara, Andrés vai atuar para que os mandatos passem de quatro para seis anos, mas trabalhará pelo fim da reeleição."

A maior conquista de Andrés é, sem dúvida, o Itaquerão. Ele conseguiu, com a ajuda do indefectível Lula, a sonhada construção de uma arena moderna, digna de um dos grandes clubes do mundo, que o Corinthians é. Com Ricardo Teixeira, Lula e o discreto, mas significativo apoio da Globo, o dirigente tomou a abertura da Copa do Mundo do Morumbi. Viabilizou a construção da arena de mais de um bilhão. Como o Corinthians vai pagar a Odebrecht? Isso é assunto para depois, mas o estádio está lá.

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Hoje, o esporte representa apenas 1,9% do PIB brasileiro. Em um país com um povo apaixonado pelo futebol e outras modalidades esportivas, esse número tem condições de crescer muito mais. O esporte é uma cadeia produtiva importante e deve ser organizada, planejada e potencializada. Hoje, é a área da prestação de serviços que mais cresce economicamente no país. Como deputado federal, Andrés defenderá o incentivo e fomento à indústria esportiva como forma de gerar empregos e renda e qualificação profissional, além do apoio a novos atletas nas diversas modalidades esportivas existentes.

Carismático, populista, dono de frases de efeitos e centralizador, ele virou uma figura adorada pela mídia. Suas entrevistas são sarcásticas, contundentes, explosivas. Pouco importa se muito do que diz é raso, sem profundidade. Porém ser politicamente incorreto dá Ibope. Andrés percebeu e capricha nos palavrões, no mau humor.

Dirigentes do PT acreditavam que, pelo Itaquerão, pelos títulos da Libertadores e do Mundial, que Andrés encaminhou para Mario Gobbi, seria histórica sua votação como deputado federal. Os cálculos dos petistas era que chegaria a um milhão de votos. Mas sua campanha não decolou. Aceitavam 500 mil. Não conseguiu nem chegar perto. Ficou com 169.834 votos. Em 20% lugar geral. Atrás de Celso Russomano, Tiririca, Marco Feliciano...

Foi uma enorme decepção. O socialista ex-presidente do Corinthians, que Lula sonhava em ver como prefeito de São Paulo, não decolou. Nem com o Itaquerão nas costas, conseguiu impressionar o eleitorado. Muitos corintianos souberam separar o ex-presidente do político inexperiente.

Andrés sabe do potencial do esporte e da cultura como instrumentos de inclusão social e de combate ao crime e às drogas. Para ele, nada dialoga mais com as crianças e os jovens. Na Câmara Federal, vai defender a ampliação de parcerias com estados e municípios e até mesmo com agremiações e clubes amadores para colocar em prática projetos esportivos e culturais nas comunidades, especialmente aquelas mais carentes. Também é possível aliar esporte e cultura às questões de saúde e educação.

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Mesmo com o decepcionante número de votos, Andrés não se fez de rogado. Deu várias entrevistas. Cansou de repetir que iria brigar para acabar com a desigualdade social no país. O futebol ficaria em segundo plano. Mas ao mesmo tempo, com a eleição de mais um pupilo seu para a presidência do Corinthians, Roberto de Andrade, Andrés foi convocado oficialmente. Será o superintendente do futebol.

O cargo é apenas uma satisfação aos sócios, aos conselheiros. Na verdade, desde 2005, Andrés é o presidente de fato do Corinthians. São dez anos de muito poder. Mario Gobbi só se revoltou no final do seu mandato com tanta influência de Andrés. Em absolutamente todas as decisões importantes do clube. Com a eleição de Roberto, Andrés ganhou voltou a ter o poder de decidir o futuro do clube.

Andrés sabe a transformação que a Arena provocou na ZL de São Paulo. A construção foi planejada a fim de alavancar o desenvolvimento, e o resultado não podia ser diferente: vários investimentos em mobilidade e transporte, instalação de órgãos públicos e novas empresas, polo educacional, geração de muitos empregos e a melhoria da autoestima de quatro milhões de pessoas. Na Câmara, Andrés quer propor projetos para diagnosticar o potencial de cada região e trabalhar para que recursos públicos sejam destinados, estimulando o desenvolvimento regional e melhorando a qualidade de vida da população.

O salário mensal de um deputado federal é de R$ 33,763,00. Tem ajuda de custo de R$ 1.113,46. R$ 33.010,33 de "Cotão": são passagens aéreas, fretamento de aeronaves, alimentação do parlamentar, cota postal e telefônica, combustíveis e lubrificantes, consultorias, divulgação do mandato, aluguel e demais despesas de escritórios políticos, assinatura de publicações e serviços de TV e internet, contratação de serviços de segurança.

Há uma verba de R$ 78 mil mensais para até 25 funcionários. Mais auxílio-moradia, R$ 239,85. O custo de Andrés e de cada deputado federal em Brasília por mês chega a R$ 147.659,96. Por ano a despeja atinge, impressionantes R$ 1.919.579,48. Como são 513 deputados federais, o Brasil gastará ao final de 2015, nada menos do que R$ 984.744.273,24. Nada menos do que R$ 75.749.559,48 por mês.

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Andrés, que começou a trabalhar muito cedo, sabe da importância do investimento público nas áreas da saúde e educação para que o país possa crescer e se fortalecer cada vez mais. Na Câmara, vai apoiar expansão de programas como o Mais Médicos, Rede Cegonha, Prouni, Pronatec, Ciências Sem Fronteiras, entre outros que geram igualdade de oportunidades para todos, além de fiscalizar a destinação correta dos recursos do pré-sal para essas duas áreas.

Mesmo recebendo essa enormidade de dinheiro público, Andrés continuará comandando o Corinthians. Aliás, o primeiro projeto que ele efetivamente se envolveu em Brasília terá uma relevância inacreditável. Vai mudar o rumo da política nacional, acabará com a desigualdade, será uma dádiva ao saneamento público, à combalida educação, à saúde.

Andrés e o representante da Gaviões da Fiel em Brasília, Goulart, trabalharam em fazer do dia 1º de setembro, o Dia do Corinthians. O projeto foi formulado por Goulart, mas contou com todo apoio do ex-presidente. Ou seja, o primeiro projeto que o deputado federal Andrés se envolveu foi dar ênfase nacional ao dia em que seu clube foi fundado. Quem sabe, se os outros deputados aprovarem, o país não ganhe mais um feriado por causa do Corinthians?

Assustado com a péssima repercussão, Andrés se apressou em colocar no seu facebook que não é autor do projeto. Só apoiou Goulart, se justificou. Depois de 25 dias que tomou posse, essa foi a primeira ação efetiva no cargo.

O ex-presidente corintiano garante: esse será seu único mandato como deputado federal. Não concorrerá à reeleição. Resta saber se não brigará para se tornar prefeito de São Paulo, como sonha seu grande amigo Lula...

(Com vergonha da repercussão do Dia do Corinthians, Andrés pediu e seu amigo Goulart não enviará mais o projeto para votação. Pelo menos por enquanto. O vexame ficou pior...)
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Grenal da paz em Porto Alegre. Mães como seguranças em Recife. É a sociedade desesperada, tentando conter os vândalos infiltrados nas organizadas. Compensar o descaso criminoso do governo, um estímulo à impunidade…

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A iniciativa da direção do Internacional foi corajosa, criativa e muito bem amarrada. Com as equipes de Aguirre e Luiz Felipe Scolari vivendo péssimo momento, a saída foi investir nos torcedores. Criar o 'clássico da paz'. Reservar dois mil lugares para que torcedores dos dois clubes possam sentar lado a lado, com uniformes, bandeiras diferentes.

Mas nada é improvisado. E nem é para qualquer um. Quem comprou os ingressos precisou deixar todos os seus dados. E do acompanhante rival. Se houver algum problema, será fácil responsabilizar os envolvidos. Processá-los e buscar uma punição exemplar, se for o caso.

Pais e filhos, casais, parentes foram a esmagadora maioria dos que compraram as entradas. Elas estão esgotadas para o Grenal de domingo. Até porque o jogo é a materialização do que parecia ser utopia pura. O pai colorado ter o prazer de ir ao maior clássico do Rio Grande do Sul com seu filho, gremista.

A iniciativa é sensacional. Tem como alvo colocar um fim na violência e garantir pessoas normais nos estádios. A direção gremista promete fazer o mesmo quando tiver o mando de jogo. O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, quer fazer a mesma coisa no clássico contra o Corinthians, pela Libertadores, no Morumbi. Reservar um setor misto.

Os pernambucanos também foram criativos. Trataram de selecionar 30 mães para assegurar a paz na Arena Pernambuco. As genitoras de membros de torcidas organizadas 'trabalharam' como seguranças, espalhadas pelo estádio. Sport e Náutico jogaram e não houve problemas dentro da arena. As mães foram respeitadas.

Ou seja, a iniciativa privada está tentando compensar a incompetência das autoridades brasileiras. A omissão diante da violência das torcidas organizadas é criminosa. A Polícia Militar trabalha, prende os bandidos. Mas não há amparo legal para deixá-los isolados da sociedade.

Como aconteceu no domingo. Vândalos infiltrados nas organizadas do Vasco e Fluminense combinaram uma briga perto do Engenhão. A polícia foi avisada. Sabia o que aconteceria. E prendeu 118 homens. 19 menores. Eles tinham cabos de madeira, pedras e rojões. Como novidade, usavam protetores bucais, utilizados por lutadores de MMA e boxe. Para proteger os dentes.

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Mal foram detidos e advogados pagos pelas torcidas já começaram a agir. Para liberá-los da acusação de formação de quadrilha e promover tumulto. A legislação está dos lado dos vândalos. O que está atrapalhando a ação dos advogados é o fato de cerca de 50% dos detidos já têm passagem pela polícia. Um deles foi fichado pelo terrível confronto entre vascaínos e atleticanos em Joinville, pelo Brasileiro de 2013.

Leone Mendes da Silva, o torcedor da que foi flagrado com um cabo de madeira, com pregos na ponta, batendo em um torcedor atleticano desacordado, postou na Internet. Ele fez questão de postar no facebook, mostrar sua revolta com quem o criticava. Depois de passar cerca de três meses detido, Leone não mostrava nenhum arrependimento. Pelo contrário. Livre, estava ainda mais revoltado.

"Muitos me criticaram, mas não sabem o que passamos pelos nosso maiores amores. Vou deixar uma frase para os recalcados filhas da puta. Os fracos não fazem história, mas sim os valentes. Chupa.

"Só quem está no dia a dia pode falar. Somos o que somos. Se arrepender jamais." Dias depois, escreveu: "Estou tranquilão."

A terrível briga em Joinville aconteceu há um ano e dois meses e o julgamento ainda não foi marcado. Leone é acusado de tentativa de homicídio duplamente qualificado, por motivo fútil e sem chance de defesa da vítima. Ele agredia a pauladas, Estevam Silva desacordado. O advogado de Leone, Marcio da Mata Vicente, está tranquilo. Tem certeza da inocência do seu cliente.

"Ele (Leone) não é nenhum criminoso. Está arrependido e responde processo. Mas tem que tocar a vida. Não foi condenado e até que se prove o contrário é inocente", disse ao jornal Extra.

O vascaíno tem apenas de se apresentar em uma delegacia nos dias de jogos do Vasco. E o advogado mandar relatórios sobre o comportamento de seu cliente à Justiça.

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A polícia do Rio de Janeiro faz questão de dizer que os detidos do domingo foram encaminhados para o presídio de Bangu. O estardalhaço perde vigor quando advogados garantem que logo eles estarão legalmente liberados. Como aconteceu em 2011, quando 102 pessoas foram detidas por causa de uma briga entre organizadas do Flamengo e Vasco, em Niterói. Todas saíram livres, sem prejuízo algum.

"Estamos esperando acontecer uma grande desgraça. Só assim o Brasil tomará providências reais sobre o que acontece nas organizadas. Infelizmente essa é a verdade", desabafa o coronel Marinho, que trabalhou 17 anos no Batalhão de Choque, só tratando dos torcedores nos clássicos em São Paulo. "A situação foi piorando ano a ano. A impunidade só estimulou a violência. A realidade é essa", disse o militar ao blog.

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Como foi revelado por aqui, não houve conflito entre torcedores organizados do Corinthians e do São Paulo no clássico pela Libertadores no Itaquerão. Os chefes da Gaviões da Fiel, B.O., e da Independente, Negão, fizeram um acordo de paz. Até para evitar torcida única nos estádios paulistas. E não aconteceu qualquer conflito. A força dos presidentes das organizadas é algo impressionante.

Enquanto isso, medidas paliativas vão sendo adotadas. Como a do Grenal, das mães em Pernambuco. Atitudes desesperadas da sociedade, diante da omissão governamental.

O país coloca um band aid em uma fratura exposta. Lugar de criminoso é na cadeia. Esteja ele vestindo camisa de torcida organizada ou não. Quem sangra é a sociedade brasileira...
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