São Paulo se entusiasma com a renovação de Rogério Ceni. E Aidar promete montar um time para ganhar a Libertadores da América, dez anos depois…

1ae28 São Paulo se entusiasma com a renovação de Rogério Ceni. E Aidar promete montar um time para ganhar a Libertadores da América, dez anos depois...
Ele não suportou. Caiu na tentação. Mesmo aos 41 anos, Rogério Ceni acaba de renovar contrato com o São Paulo. Vai disputar a última Libertadores da América. Não se conformou com a eliminação para o Atlético Nacional de Medellin e a perda da chance de disputar a final da Copa Sul-Americana.

Ceni caiu no canto da sereia de Carlos Miguel Aidar e Muricy Ramalho. Os dois disseram o que o goleiro queria ouvir. Que o São Paulo precisava de sua liderança na Libertadores.

"A conversa da renovação demorou exatos três segundos. Nós queríamos que ele ficasse e ele queria ficar. Se vencermos a Libertadores, certamente ele ficará para o Mundial", revelou Carlos Miguel Aidar.

A notícia deixou surreal a coletiva que aconteceria no CCT da Barra Funda. O que seria a mera apresentação de sua última camisa na carreira, com direito a três partidas, virou um surpreendente 'fico'.

Rogério Ceni ficou emocionado demais nos últimos dias. A começar quando a Penalty divulgou a coletiva que acontece hoje garantido que ele faria o discurso de despedida. Ele se esqueceu do adiantamento de R$ 300 mil que havia recebido da empresa sobre as camisas. E a possibilidade de ganhar até R$ 1,5 milhão em vendas de uniformes.

Desmoralizou o marketing da empresa. Desautorizou a Penalty de falar no sue nome. Até porque ele estava muito confuso. Conversas seguidas com Kaká e Luís Fabiano o estimulavam a seguir jogando. Fora os companheiros indo no mesmo caminho. Com a confirmação da vaga na competição adorada pelos são paulinos, ele ficou indeciso de vez.

Até que vazou a notícia que ele tinha Henrique, um filho fora do casamento, Henrique. Mais emoção e pressão afloraram. O capitão e exemplo de conduta no São Paulo passava a ter seus segredos pessoais expostos. Com personalidade, ele confirmou a notícia.

Mas sua ansiedade aumentou. Ele continuava inconstante, fugindo dos repórteres para não confirmar o final da carreira. Era até engraçado, quando a pergunta era feita, ele fugia literalmente da resposta. Muitas vezes se fez de surdo. Ironizou, brincou, não sabia o que dizer.

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Havia outra situação que o persegue há anos. Denis, seu eterno reserva. Ele estava certo que, depois de cinco anos, assumiria a meta do São Paulo. Os dirigentes tinham Jefferson, goleiro titular de Dunga, nas mãos. Mas Muricy bateu o pé. Disse ser sacanagem com Denis. Se Ceni parasse, a vaga seria dele.

Carol Paes Matos, esposa de Denis, estava ansiosa. Desde o ano passado, ela já tinha a impressão que o capitão do time não sairia do time nem amarrado. Mostrou todo o seu descontentamento em abril do ano passado. Quando mesmo contundido e, em péssima fase, Ceni jogou e falhou contra o The Strongest na Libertadores.

Impulsiva, desabafou no twitter. "Rogério Ceni falha no primeiro gol. Ele não dá chance nem para a mãe dele." A frase trouxe consequências no elenco. Denis pediu mil desculpas ao titular. Carol revelava que Ceni havia jogado machucado. E ainda errou na ironia. A mãe do goleiro morreu em 1993. Ela não ter acompanhado seu sucesso é uma das grandes frustrações na vida.

Rogério perdoou seu reserva. E 2014 chegou. Aquele que deveria ser o ano de adeus. Só que algo inesperado aconteceu. Treinando menos, recuperou o seu melhor futebol. Sem as dezenas cobranças de faltas e pênaltis obrigatórios depois de cada treino, as pernas se mostraram mais fortes. A explosão muscular, os reflexos voltaram, como anos atrás.

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Ceni virou de novo apenas goleiro. Como nos tempos em que Mário Sérgio não o deixava cobrar faltas. Longe de ser o caso de Muricy. Era apenas uma questão de bom senso, de poupar as articulações.

As boas atuações se seguiam. Mas os títulos fugiam do São Paulo. O Penapolense levou o Paulista, o Bragantino, a Copa do Brasil, o Cruzeiro, o Brasileiro. A chance do sonhado título viria na Sul-Americana. O destino parecia traçado. Ser campeão pela última vez contra um gigante argentino.

O River Plate fez sua parte. Eliminou o Boca. Só que os coadjuvantes do Atlético Nacional saíram do seu papel. E eliminaram o São Paulo em pleno Morumbi. Adeus decisão com o último título.

Ao final da decisão por pênaltis, Ceni andava em círculos. Não queria encarar a imprensa Quando chegou nos jornalistas, outra vez não disse que sim ou que não. Até que chegou esta sexta-feira.

Rogério Ceni já ganhava R$ 700 mil mensais no São Paulo. Conselheiros já avisavam que Carlos Miguel Aidar poderia aumentar o salário do jogador, se ele aceitasse continuar. O que tudo indica ter acontecido nesta manhã. Além disso, a fabricante de material esportivo Under Armour negocia com o jogador. O quer como um dos jogadores a usar suas chuteiras.

A primeira consequência desta decisão é a certeza de que o time terá o capitão que a diretoria e os jogadores desejavam. A autoridade do jogador em relação ao elenco nunca esteve tão forte. Muricy já conversa com ele taticamente há muito tempo. Como sempre fez. Por isso ele tentou fazer o mesmo com Ney Franco e foi um escândalo.

A esticada de carreira de Ceni pode fazer com que até a vida de Muricy mude. O treinador de 58 anos tem se mostrado preocupado com a carreira de técnico. Já teve dois sustos. O primeiro foi quando foi internado com diverticulite. O segundo, com arritmia. Se estiver jogando bem no próximo ano, Ceni tem a renovação automática depois da Libertadores, se quiser. Ou seja, ficar até o final de 2015. A possibilidade de passar a treinar o São Paulo em 2016 não está descartada.

O certo é que há um clima de euforia no São Paulo. Com a renovação de Ceni, Carlos Miguel Aidar garante que montará um time para ser campeão da Libertadores. Se perderá Kaká, buscará reforços importantes. Também assegura que um patrocínio master virá.

O único jogador com direito a ficar desapontado é Denis. Ele completará seis anos na reserva de Ceni. Mais do que ter paciência, precisará manter afastada a sua esposa do twitter. Por que o goleiro que completará 42 anos no dia 22 de janeiro tem uma meta. Jogar todas as partidas na sua última temporada. Quem ainda acredita que será a última?
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Felipão adivinhou. O Corinthians não perdeu ponto nenhum no Pleno do STJD. Apesar de ter escalado Petros irregularmente. O tribunal multou a CBF em R$ 10 mil. E a vida segue…

 Felipão adivinhou. O Corinthians não perdeu ponto nenhum no Pleno do STJD. Apesar de ter escalado Petros irregularmente. O tribunal multou a CBF em R$ 10 mil. E a vida segue...
"O Corinthians vai ganhar quatro pontos, não perder. Se esse julgamento fosse correto, eram 21 pontos, igual ao América Mineiro, que depois caiu para seis perdidos (na Série B). Quando a Federação Paulista de Futebol assumiu o erro, já acertou tudo. Isso é bobagem.

"Não é interessante para o futebol brasileiro ter dois clubes do Rio Grande do Sul na Libertadores e dois de Minas. É bom que tenha um de Minas Gerais, dois de São Paulo, e quem sabe um do Rio Grande do Sul. Quem sabe...

"Já estão escolhidas as equipes que estão na Libertadores."

Foi assim que Luiz Felipe Scolari antecipou como seria o julgamento que acaba de ser encerrado no Pleno do STJD. E ele acertou no resultado. De nada adiantou Grêmio e Internacional se juntarem como interessados no caso. O Corinthians foi inocentado por ter escalado Petros comprovadamente de maneira irregular.

Só para lembras, Petros é o mesmo jogador que foi suspenso por seis meses pelo STJD por ter dado um encontrão no árbitro Raphael Claus, no clássico contra o Santos. Mas o Pleno reduziu a pena de 180 dias para apenas três partidas.

O STJD acatou a tese que o erro foi da CBF que autorizou o clube a colocá-lo em campo. A não checou a liberação da Federação Paulista de Futebol, que não poderia ter acontecido. Tudo se passou na 13ª rodada do Brasileiro, em um domingo, quando o Corinthians enfrentou o Coritiba.

O nome de Petros estava no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF na sexta-feira, dia primeiro de agosto. Neste dia, o Corinthians encerrou seu contrato de empréstimo com o jogador (ele pertencia ao Hortolândia-SP) e registrou um novo contrato.

Só que o novo contrato deveria ser válido apenas no dia 2 de agosto, um sábado. Mas o contrato foi registrado na véspera na Federação Paulista de Futebol, entidade que que repassa essas informações para a CBF, que administra o BID. Algo inacreditável legalmente.

Petros foi inscrito na CBF no dia 1, com um contrato que só tem validade a partir do dia 2. Como era um sábado, o registro do jogador só seria válido a partir da segunda-feira, dia 4 e primeiro dia útil seguinte. Como exige a legislação.

3ae5 Felipão adivinhou. O Corinthians não perdeu ponto nenhum no Pleno do STJD. Apesar de ter escalado Petros irregularmente. O tribunal multou a CBF em R$ 10 mil. E a vida segue...

Ou seja, Petros estava irregular contra o Coritiba. Todos concordam com isso. Mas a Federação Paulista de Futebol assumiu a culpa. Alegou que houve um erro de sua funcionária de 30 anos, Teresa dos Santos. E que o Corinthians não teve nada a ver com isso.

O presidente da FPF é Marco Polo del Nero, já eleito presidente da CBF. O STJD é subordinado à entidade que controla o futebol no país. Seus auditores cansam de bater no peito se dizendo independente. Mas acataram no primeiro julgamento do Corinthians a desculpa dada pela Federação Paulista. O clube paulista não foi punido.

Houve recurso de Grêmio e Inter, dois clubes interessados no julgamento e que também brigam por uma vaga na Libertadores. Novo julgamento foi marcado para hoje. E outra vez, a tese da Federação Paulista de Marco Polo foi aceita. O Corinthians não perdeu ponto algum, como Felipão havia previsto. E está praticamente classificado para a maior competição da América do Sul, em 2015.

O lado absurdo neste julgamento foi o depoimento do auditor do STJD, Décio Neuhaus. Ele garantiu que recebeu ameaças até de morte se votasse contra o Corinthians. Ligações e e-mails teriam partido de São Paulo. Décio é gaúcho e mora em Porto Alegre.

"Eu nem atendo mais prefixo 11 (de São Paulo). Recebi um e-mail, dois e-mails, depois algumas mensagens... Quando vi que ia desbancar, parei de atender e de ler. Avisei a minha família para cuidar a bina (identificador de chamadas) em casa. Teve uma mensagem que citava até o PCC", disse Décio.

No julgamento de hoje, Décio foi voto vencido. Ele queria que o Corinthians perdesse quatro pontos pela escalação irregular de Petros. Pouco importando se o erro foi da Federação Paulista. Mas teve de se conformar com a derrota.

O tom do julgamento foi todo esse. Os gaúchos reafirmando que o Corinthians, clube de maior torcida no estado mais rico do Brasil, acabou protegido pelo STJD. A frase do advogado do Internacional, Rogério Pastl, resume tudo.

"A lei serve para todos. Inclusive o 'todo poderoso'." Ironizava a maneira como a torcida corintiana se refere ao time durante os jogos.

"Estamos presenciando um milagre aqui. Grêmio e Internacional estão unidos pela primeira vez", ironizava João Zanforlin, o advogado do Corinthians.

Foi assim neste confronto aberto que foi feita a votação. Os três primeiros auditores já mataram a questão. Flávio Zveiter, relator do STJD, votou pela absolvição do Corinthians e da FPF e punição à CBF. Ronaldo Placenti, vice do Pleno do tribunal, acompanhou integralmente o voto de Zveiter. Gabriel Marciliano vai pelo mesmo caminho. Só Neuhaus votou pela perda de quatro pontos para o clube paulista.

Resultado: Corinthians mantém seus 66 pontos e se mantém na terceira colocação do Brasileiro, praticamente classificado para a Libertadores. A Federação Paulista de Marco Polo foi absolvida. E em uma 'demonstração de independência', o Pleno do STJD penalizou a CBF, com patrimônio de cerca de R$ 900 milhões, a pagar R$ 10 mil de multa.

Resumo da ópera. Petros jogou de maneira irregular, ninguém contesta. Nem mesmo o Corinthians. Mas a culpa recaiu sobre a CBF, que foi multada, por não checar informação errada da FPF.

Uma grande dúvida que permanece em quem acompanha diariamente os bastidores do futebol deste país. E se fosse a Portuguesa que entrasse em campo com um jogador escalado de forma irregular?

15 Felipão adivinhou. O Corinthians não perdeu ponto nenhum no Pleno do STJD. Apesar de ter escalado Petros irregularmente. O tribunal multou a CBF em R$ 10 mil. E a vida segue...

(A direção do Corinthians se divertiu com o resultado do julgamento. Postou um twitter que é pura ironia. " 'Batizou' os mascotes olímpico e paraolímpico brasileiros. Viraram os 'mascotes do Brasileirão'. O vermelho de DVD, em uma alusão ao famoso dvd que o Internacional reuniu lances em que o Corinthians teria sido ajudado no Brasileiro de 2005. E o azul, de 7 a 1, em alusão à goleada que a Seleção tomou da Alemanha. O técnico era Felipão, o mesmo que garantiu que o clube paulista não seria punido no julgamento do Pleno do STJD...)
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Com a eliminação do São Paulo da Sul-Americana, Rogério Ceni não consegue disfarçar a tristeza. Agradece ao time pela dedicação. E deixa claro que vai mesmo parar de jogar futebol…

1spfc Com a eliminação do São Paulo da Sul Americana, Rogério Ceni não consegue disfarçar a tristeza. Agradece ao time pela dedicação. E deixa claro que vai mesmo parar de jogar futebol...
"Esse grupo reergueu o São Paulo no segundo semestre com achegada de alguns jogadores, como o Michel Bastos, o Kaká, o Kardec, enfim, mais alguns que também somaram. Só tenho a agradecer. É um puta orgulho fazer parte de um time bacana como esse. A gente só lamenta o fato de não poder disputar o título."

Foi assim que Rogério Ceni desabafava a dor da eliminação da Sul-Americana. O São Paulo caiu diante do Atlético Nacional nos pênaltis, por 4 a 1, depois de vencer o jogo por 1 a 0. A sensação de despedida do goleiro era mais dolorida até a confirmação: 2014 foi um ano em que o clube não conquistou nenhum título. Foi desclassificado do Campeonato Paulista pelo Penapolense, caiu na Copa do Brasil diante do Bragantino e também não tem como ser campeão brasileiro, título do Cruzeiro. Foi a 14ª eliminação do clube em mata-matas sob o comando de Muricy Ramalho.

Mas ninguém queria se aprofundar no tema. O assunto que roubou toda a atenção foi a dica dada pelo próprio Rogério Ceni. O maior ídolo do São Paulo falou como quem está mesmo dando adeus ao futebol. E mais do que isso. Logo após o final da decisão por pênaltis, o jogador de 41 anos parecia perdido. Sem rumo.

Ele cumprimentou alguns jogadores do São Paulo e do Atlético Nacional. E antes de sair do gramado parece que se deu conta. O destino impediu que participasse da última final de sua carreira. Ficou andando em círculos no gramado, para baixar a adrenalina. Impedir as lágrimas. Se controlar para não falar sobre o adeus. Não foi isso que combinou com a cúpula do São Paulo. O anúncio do fim da carreira não aconteceria para dez repórteres que o cercava.

Conseguiu se controlar. Falou rapidamente. E antes que os jornalistas perguntasse sobre o adeus da carreira, ele preferiu descer rapidamente o túnel que dá acesso aos vestiários. Estava visivelmente transtornado.

Foi uma enorme decepção para Rogério Ceni o que o São Paulo fez ontem diante do Atlético Nacional. Os jogadores sabiam que o clube precisava de um título para terminar 2014. Seria o primeiro do retorno do presidente Carlos Miguel Aidar. Ele busca novo patrocinador master para a camisa. Ou até dois ou três que ficariam em sistema de rodízio. A conquista do torneio internacional seria importantíssimo.

Mas o time não conseguiu. Pressionou muito os colombianos. O São Paulo criou inúmeras chances de gol. Acertou duas vezes a trave de Armani, com Kaká e Luís Fabiano. Foi um sufoco. Principalmente depois que Ganso marcou cobrando falta. Mas nada do segundo gol que garantiria os brasileiros na final da Copa Sul-Americana. A decisão ficou para os pênaltis.

 Com a eliminação do São Paulo da Sul Americana, Rogério Ceni não consegue disfarçar a tristeza. Agradece ao time pela dedicação. E deixa claro que vai mesmo parar de jogar futebol...

Rogério Ceni conversou muito com todos. Era, de longe, o mais empenhado em vencer. Só que não conseguiu fazer uma só defesa. Marcou o seu, depois de ver no laptop, como Armani se comportava nos pênaltis. E depois viu Alan Kardec escorregar e chutar sua cobrança por cima. E Tolói cobrar muito mal, facilitando as coisas para o goleiro adversário.

Em questão de minutos acabava o sonho de Rogério Ceni de disputar a decisão da Copa Sul-Americana. Enfrentar Boca Júniors ou River Plate. O goleiro parecia um menino. Tinha a certeza que o São Paulo teria a chance de encerrar a carreira sendo campeão pela última vez. Sabia estar no melhor elenco da competição. Só que de nada adiantou.

Rogério Ceni tem mais duas partidas para disputar neste ano. O Figueirense, no Morumbi. E o Sport, em Recife. No planejamento do departamento de marketing, Rogério Ceni para. Adeus disputa de três pontos. E no dia 22 de janeiro, um jogo festivo no Morumbi contra os veteranos do Liverpool.

A torcida o aplaudiu ontem no Morumbi. Com o coração apertados, alguns torcedores pediam para ele continuar. Ficar e disputar a Libertadores da América. Só que Rogério Ceni dá mostras de que realmente quer encerrar sua brilhante carreira. Orgulhoso, como sempre foi, não se conformava ontem. As coisas não saíram como havia previsto. Por isso andou em círculos.

Mas pelo menos metade de seu plano está dando certo. Passa por uma grande fase. Muito melhor do que anos anteriores. Agora dá para sentir saudade também debaixo das trave. Por isso está tão decidido a encerrar a carreira ainda este ano. 'Por cima.'

Não agradeceu à toa os seus companheiros de time. Sabe que fizeram o que puderam para lhe proporcionar o último afago. Mas não conseguiram. Nada de título. Mas há a Libertadores da América em 2015. Só que Ceni segue no firme propósito de ir embora.

Até decidiu vestir a polêmica, e feia, camisa do adeus. Confeccionada especialmente pela problemática Penalty. Com toda a paciência, o jogador já avisou a Aidar que entrará com ela diante do Figueirense, no Morumbi. E até diante do Sport, em Recife. Mas no dia 22 de janeiro, a roupa não está escolhida.

Rogério Ceni deve sacramentar o adeus após o Sport. O São Paulo lutará pelo segundo lugar no Brasileiro. Entrar direto na fase de grupos da Libertadores. Mas o assunto será o goleiro. Melhor para Muricy Ramalho. Ele não terá de explicar o acúmulo de fracassos do time que comanda. Por enquanto. 14 eliminações em mata-mata é um número grande demais. 2015 vai chegar...
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Nada de Tríplice Coroa no Mineirão. A personalidade do Atlético Mineiro se impôs. Não tomou conhecimento do Cruzeiro, com sua torcida no Mineirão. E é campeão da Copa do Brasil…

1siteoficialatletico Nada de Tríplice Coroa no Mineirão. A personalidade do Atlético Mineiro se impôs.  Não tomou conhecimento do Cruzeiro, com sua torcida no Mineirão. E é campeão da Copa do Brasil...
O Atlético Mineiro ganhou o duelo mais importante da história contra o Cruzeiro, nos 93 anos que esses clubes se enfrentam. Jogando com muita coragem, o time de Levir Culpi desafiou o elenco que ganhou duas vezes seguidas o Campeonato Brasileiro.

Enfrentou de cabeça erguida os torcedores rivais e o Mineirão. Tirou o doce da boca do maior rival. Nada de Tríplice Coroa. Ou o quinto título da Copa do Brasil. Não, esse não. Esse foi do Clube Atlético Mineiro pela primeira vez. Diego Tardelli marcou o gol que fez justiça à essa decisão.

"Para mim, a sensação é melhor do que a da Libertadores. Ganhar do Cruzeiro na final é gostoso, aqui é nosso salão de festas. Aqui quem manda no Mineirão é a gente", provocou o artilheiro.

O grande arquiteto da vitória atleticana tem nome e sobrenome. Levir Culpi. Ele contrariou a lógica. Apesar da vitória por 2 a 0 no Independência, o treinador não caiu na tentação. Não só não colocou seu time atrás. Como marcou os cruzeirenses com toda a personalidade na frente. Na saída de bola. Na raiz do problema.

A grande preocupação assumida de Levir era com Everton Ribeiro. E mandou Leandro Donizete o perseguir. Com direito a antecipações inteligentes, divididas ferozes e até algumas entradas desleais, principalmente no tornozelo do meia. O motor do time cruzeirense estava travado.

Aliás, foi decepcionante demais a atuação do Cruzeiro. Fora todo o desgaste físico, compreensível. Era o grande duelo mano a mano da história dos dois clubes. Eles nunca decidiram um título nacional. Marcelo Oliveira estava tão preocupado em não perder sua terceira final de Copa do Brasil, que fez tudo para perder.

Ele esperava os atleticanos mais fechados. Acreditava que no toque de bola seu time iria se impor. Aos poucos conseguiria tirar a diferença de gols. Mas sem se expor. Era nítido que o Cruzeiro temia o potencial ofensivo da equipe de Levir.

Mas a postura atrevida do Atlético mudou todo o panorama do jogo. Desequilibrou psicologicamente o rival. Não havia espaço para a saída de bola com qualidade. Levir cortou a carótida azul. Sem Everton Ribeiro, os nervos dos cruzeirenses atrapalhavam passes fáceis. Não havia jogadas pelas laterais. Ceará, que atuou no lugar de Mayke, foi muito mal. Na verdade, também atuou no sacrifício. Egídio atacou muito muito menos do que poderia.

O Atlético estava muito melhor distribuído e pronto para a final do que o Cruzeiro. Marcelo fez uma substituição para matar os laterais cobrados por Marcos Rocha na pequena área, e que deram tanto trabalho na partida no Independência. Colocou Nilton e deixou Lucas Lima fora. Defensivamente foi melhor. Mas justamente a saída de bola ficou comprometida, o meio de campo mais pesado. Foi um grande erro. Até porque Ricardo Goulart fazia uma péssima partida.

Logo aos 12 minutos, Marcos Rocha quase marca o primeiro gol. Tomou a bola no meio de campo de Nilton no meio de campo, passou para Luan e recebeu na frente. Fábio fez excelente defesa. No rebote, Tardelli chutou para fora. O lance já calou a torcida do Cruzeiro. Pontuava o quanto estava travado, inseguro o rival.

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Mas uma reposição de bola de Fábio quase muda o cenário. O chute encontrou a zaga atleticana mal posicionada. Ricardo Goulart teve a chance de fazer o gol. Mas nervoso, afobado, pegou mal demais na bola. E ela foi para fora. Chance incrível desperdiçada. Só que o Atlético continuava muito melhor. Travando o meio de campo e saindo em velocidade incrível, em bloco. Parecia um clone do rival nas suas melhores partidas no Brasileiro.

Foi se impondo, torturando aos poucos o adversário. Fazendo vibrar a sua minúscula mas corajosa torcida no Mineirão. Como em um lance inacreditável, aos 24 minutos. Dátolo cobrou falta e descobriu Diego Tardelli livre no meio da pequena área, entre Léo e Bruno Rodrigo. Ele bateu na bola de coxa e ela foi para fora.

O Cruzeiro não tinha força para reagir. Willian estava mais preocupado em brigar, provocar adversários do que correr, abrir espaço pelos lados do campo. Marcelo Moreno se desesperava, porque a bola não chegava. E, fugindo de suas características, voltava para buscá-la na intermediária. Sem jogadas dos laterais, o ataque cruzeirense era um desastre.

Era apenas uma questão de minutos para o Atlético concretizar a sua ousada estratégia. A gana e o preparo muito maiores para ser campeão do que o grande rival. E tinha de ser sacramentado com ele. O homem que jurou que trocaria seus títulos e gols para conquistar esta Copa do Brasil, em cima do Cruzeiro.

E não precisou nada disso. Bastou Diego Tardelli escorar de cabeça levantamento de Dátolo. Gol histórico, inesquecível no Mineirão. Atlético Mineiro 1 a 0, aos 47 minutos.

Não houve reação à altura. No intervalo, Marcelo Oliveira não quis correr o risco de ver o seu time goleado. Deveria ter apostado em substituições ofensivas. Mas, não. Sabia o quanto desgastado fisicamente e, principalmente, emocionalmente a sua equipe. Todos sabiam no vestiário cruzeirense que não marcariam quatro gols no rival. Não em uma péssima noite como a de ontem.

Infelizmente, o Cruzeiro abriu mão da briga. Henrique, contundido saiu. Se esperava pela entrada de um atacante, um meia mais ofensivo. Só que não. Entrou Willian Faria para fechar o meio de campo. Ou seja, o Cruzeiro continuaria com a mesma distribuição tática. Levir puxou sua equipe um pouco mais para trás. Não deixaria espaço para o rival trocar a bola nas intermediárias.

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A decisão já estava decidida. Os dois times sabiam muito bem disso. E o que se viu no segundo tempo foi muita luta, mas com os dois sistemas defensivos prevalecendo. O Cruzeiro, apático, era uma caricatura dos seus melhores jogos em 2014. Everton Ribeiro se cansou e abdicou de vez do jogo. O Atlético continuou pilhado, empolgado. Já se sentindo campeão. Só estava um pouco mais violento nas divididas.

Marcelo Oliveira não abriu sua equipe. Trocou Willian por Dagoberto. Atacante por atacante. Era uma decepção a falta de ambição cruzeirense. Do lado atleticano, Levir ia dando mais força na pegada. Rafael Carioca, ótima surpresa no time, foi substituído por Pierre. Maicosuel já havia entrado no lugar do contundido Luan.

A partida continuava disputada, quando Dátolo acertou um chute fortíssimo no travessão de Fábio. Só aos 33 minutos, Ceará saiu, trocado por Júlio Baptista. E o Cruzeiro ficou um pouco mais ofensivo. Leandro Donizete perdeu a cabeça em seguida e deu uma entrada violenta, desnecessária em Dagoberto. E foi justamente expulso por Luiz Flávio de Oliveira, que foi muito bem no jogo.

Enquanto os torcedores cruzeirenses iam embora, os times já se conformavam com seus destinos. O Cruzeiro sabia que havia feito um ano ótimo. Mas não tiveram competência ou força física e psicológica para ganhar do rival nesta final.

Já o Atlético se superou. voltou a ganhar um título nacional depois de 43 anos. Justo no maior confronto de 93 anos de clássicos contra o Cruzeiro. É com toda a justiça, descobriu o gosto de ser campeão da Copa do Brasil. Pela primeira vez. Diante do rival predileto, na final dos sonhos para todo atleticano.

"Há coisas que não se explica. Estou tão feliz. Quero abraçar minha família, minha mulher, filhas e todos que participaram disso. Foi um dos títulos mais justos que eu já vi. Jogamos bem, fizemos milagres. Eliminamos Palmeiras, Corinthians, Flamengo e nosso maior rival com duas vitórias. Talvez seja o título mais significativo da minha carreira", resumiu, entusiasmado, Levir Culpi.

A torcida do Cruzeiro reverenciou o time que lhe deu tanta alegria. Os jogadores e Marcelo Oliveira foram aplaudidos, mesmo com o título indo para o rival. Nada mais justo...
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Final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético. Deveria ser a demonstração do domínio de Minas no futebol nacional. Não será. Por causa do amadorismo de Alexandre Kalil e Gilvan Tavares. Apavorados em perder o título para o rival…

1reproducao30 Final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético. Deveria ser a demonstração do domínio de Minas no futebol nacional. Não será. Por causa do amadorismo de Alexandre Kalil e Gilvan Tavares. Apavorados em perder o título para o rival...
O que deveria ser orgulho, rivalidade pura, virou mesquinharia. Atlético e Cruzeiro são a prova da superioridade do futebol de Minas Gerais no Brasil. O último campeão tupiniquim da Libertadores da América enfrenta o time que venceu o atual e o anterior campeonatos nacionais. Derrotaram o poderio econômico paulista, o melhor mercado carioca, deixaram para trás os tradicionais gaúchos.

Decidem pela primeira vez na sua história um título nacional. A Copa do Brasil de 2014 ficará marcada para sempre. Poderá significar a conquista da Tríplice Coroa para o Cruzeiro. Ou a Libertadores, com o prazer de evitar a fantástica conquista do maior rival para o Atlético.

Os dois clubes que perderão os milhões do BMG como patrocinador master em 2015, deveriam estar capitalizando a força dessa decisão. Organizando ações conjuntas. Buscando outros investidores dispostos a colocar seu dinheiro em clubes vencedores. E que têm o domínio do futebol brasileiro. Unindo forças para ficarem ainda mais fortes para as próximas temporadas.

Para brigar juntos por melhores quinhões na divisão da transmissão do futebol, por exemplo. Afinal, juntos, possuem mais de 13,2 milhões de torcedores em todo o país, de acordo com última pesquisa do Ibope. São números importantíssimos.

Afinal têm Everton Ribeiro, Diego Tardelli, Ricardo Goulart, Victor, Fábio, Carlos, Marcelo Moreno, Leandro Donizete. Jogadores importantes, cobiçados. São comandados por Levir Culpi e Marcelo Oliveira. Dois excelentes treinadores no auge de suas carreiras.

Deixar a rivalidade sadia por parte dos torcedores. Sem agressão. Se a torcida do Cruzeiro espalhou milho na entrada do Independência, agora tomou o troco, com atleticanos jogando muita purpurina nas cercanias do Mineirão. Tudo na base da provocação, ironia, brincadeira. Sem violência, tudo perfeito.

Mas quem deveria ter uma visão diferenciada, que capitalizaria esse momento único, especial, maravilhoso do futebol mineiro coloca tudo a perder. Alexandre Kalil e Gilvan Tavares têm tanto medo de perder essa final que a contaminaram. O clima de raiva, ódio, exploração do torcedor, tribunais, polícia, Ministério Público, Procon se deve a esses dois homens. Os presidentes.

Há divergência sobre quem começou. Mas o outro seguiu no caminho até pior. Em uma reunião antes de começar a decisão no Independência, Gilvan jurou que Kalil propôs e ele aceitou torcidas únicas para os dois jogos. Triste este país onde a violência vence e as autoridades não conseguem dividir o estádio, reservando metade para cada lado.

3reproducao7 Final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético. Deveria ser a demonstração do domínio de Minas no futebol nacional. Não será. Por causa do amadorismo de Alexandre Kalil e Gilvan Tavares. Apavorados em perder o título para o rival...

O presidente cruzeirense teria aceitado. Mas ficou revoltado quando na reunião definitiva para este acerto, com a polícia, Kalil voltou atrás. E disse que o Atlético queria seus 10% no Mineirão. Revoltado e sem ter o que fazer, Gilvan pediu seus 10% no Independência. O princípio da proporcionalidade iria atrapalhar. Um estádio é muito maior do que o outro. Só que tudo ficou muito pior.

O Cruzeiro deveria ter direito a 2.331 ingressos, 10%. Só que não havia condições de juntar essas pessoas em um setor só do Independência, de acordo com a PM. Apenas 1.871 entradas foram oferecidas, 8% do estádio. A direção cruzeirense se recusou a ficar com esses ingressos. E ainda avisou que teria troco.

E ele veio. Tão baixo quanto o nível dessa briga diretiva. O Mineirão tem capacidade para 60 mil torcedores. 10% disso são seis mil. O Cruzeiro disponibilizaria 4,5%, 2.736 ingressos. Mas foram liberados para a partida decisiva de hoje, apenas 1.854 ingressos. Pouco mais de 2,5%. O pedido foi da PM mineira. Porque a direção cruzeirense colocou de maneira 'esperta', os atleticanos em um setor cercado por sua torcida. Ou seja, os policiais tiveram de isolar a área. E o espaço ficou muito menor.

Gilvan queria ser ainda mais cruel. Fez o diabo para cobrar R$ 1.000,00 dos rivais. Entrou na justiça, segurou até a última hora a venda das entradas. Só que perdeu. E teve de se contentar com R$ 500,00. Para os cruzeirenses, entradas entre R$ 100,00 e R$ 800,00. Exploração do amor do torcedor, exatamente como aconteceu no Independência, por parte da direção atleticana. Mas a notícia do dia é que o STJD resolveu processar o Cruzeiro pela venda irresponsável dos ingressos.

Kalil e Tavares tiveram duas grandes derrotas pessoais neste ano. Tentaram seguir uma velha prática: misturar futebol com política. O presidente atleticano está no final de mandato. Ele era muito ligado ao candidato à presidência Eduardo Campos. Foi ele quem o convenceu a sair como candidato a deputado federal. Mas com a morte de Campos, Kalil decidiu não mais concorrer ao Congresso Nacional. Não teria o mesmo apoio do PSB.

Gilvan sofreu um baque ainda maior. Decidiu ser candidato a deputado estadual pelo Partido Verde. Nem a campanha vitoriosa cruzeirense conseguiu elegê-lo. Teve apenas 38,4 mil votos, cerca de 0,37% dos 10,3 milhões de votos válidos em Minas Gerais. Foi uma imensa decepção. Não pôde seguir o caminho, por exemplo, de Zezé Perrela, ex-presidente cruzeirense e hoje senador da República.

Os dois presidentes ficaram mais amargos depois de verem fracassar seus projetos eleitorais. E se afastaram ainda mais. Atualmente mal se suportam.

4reproducao4 Final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético. Deveria ser a demonstração do domínio de Minas no futebol nacional. Não será. Por causa do amadorismo de Alexandre Kalil e Gilvan Tavares. Apavorados em perder o título para o rival...

Neste dia 26 de novembro de 2014, histórico para o futebol mineiro, Atlético e Cruzeiro perdem uma oportunidade de ouro de juntar forças. Fazer uma decisão incrível com o Mineirão dividido entre as torcidas. Com preços muito mais acessíveis. Exigindo que a Globo mostrasse a decisão para o país todo, principalmente São Paulo, o maior mercado. São dois milhões de mineiros que vivem no estado paulista e estão impedidos de ver a partida na tevê aberta. Quantas vezes Minas Gerais não foi obrigada a ver confrontos de times paulistas ou cariocas?

Mas movidos pelo ódio e medo de ver o rival campeão, os dois dirigentes não percebem. Colocam tudo a perder. Deixam muito menor a inédita decisão da Copa do Brasil. Esse é o preço falta de visão, da rivalidade mais mesquinha. Possa o Cruzeiro reverter a desvantagem de 2 a 0. Ou o Atlético mantê-la ou até vencer o jogo. Na verdade, os dois clubes já perderam. Não perceberam a força incrível que teriam juntos. Graças à visão ultrapassada e raivosa de apenas dois homens: Alexandre Kalil e Gilvan de Pinho Tavares. Apavorados em ver o rival sair campeão hoje à noite...

(O blog homenageia o campeão desse confronto histórico. Dará cinco camisas oficiais aos torcedores da equipe vencedora. O regulamento está no post específico. E só lá os comentários podem ser postados. A promoção termina às 22 horas, quando os times entrarem no gramado mal cuidado do Mineirão...)
2reproducao10 Final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético. Deveria ser a demonstração do domínio de Minas no futebol nacional. Não será. Por causa do amadorismo de Alexandre Kalil e Gilvan Tavares. Apavorados em perder o título para o rival...

Nada de mala branca ou incentivo financeiro de Paulo Nobre. Esperto, Luxemburgo fará de tudo para o Flamengo ganhar do Vitória. Para reabrir as portas do Palmeiras que estavam lacradas para ele…

1reproducao29 Nada de mala branca ou incentivo financeiro de Paulo Nobre. Esperto, Luxemburgo fará de tudo para o Flamengo ganhar do Vitória. Para reabrir as portas do Palmeiras que estavam lacradas para ele...
"Nós temos mais dois jogos e alguns atletas podem ser liberados antes. Temos compromissos importantes contra Vitória e Grêmio, mas se o Flamengo tiver que fazer alguma ação neste sentido (liberar atletas), será pelo Flamengo. Se pudermos antecipar alguma coisa, com jogadores que estão lesionados e não vão ser mais aproveitados, não tem por que ficarem aqui, sabendo que podem voltar melhores ano que vem."

Essas foram as palavras de Vanderlei Luxemburgo, depois da partida contra o Criciúma. Mas logo após o empate, ele teve de mudar radicalmente a sua postura. O Flamengo continua sem brigar por título, Libertadores ou rebaixamento. Acontece que o jogo em Manaus contra o Vitória ganhou uma importância inesperada. Será fundamental para a sobrevivência ou não do clube baiano na Série A. Assim como também do Palmeiras.

O treinador é muito ligado à atual diretoria do clube paulista. O homem responsável pelo futebol, José Carlos Brunoro, tentou contratá-lo desde que ganhou o cargo de Paulo Nobre. Mas o presidente sempre foi resistente ao treinador. Tanto que o preteriu pelo argentino Gareca.

Luxemburgo foi o treinador que acabou com o jejum de 17 anos do Palmeiras. Foi bicampeão brasileiro. Venceu quatro Paulistas e um Rio-São Paulo. Mesmo assim fechou as portas do clube ao ter um grande desentendimento com Luiz Gonzaga Belluzzo. E acabou demitido por causa de Keirrison, em 2009. O técnico disse que se o jogador não aceitasse atuar no Barcelona, não jogaria mais no Palmeiras. Belluzzo alegou 'quebra de hierarquia' e o demitiu sem dó.

O técnico também tem séria resistência de Mustafá Contursi. O ex-presidente não o perdoa por ter desmanchado o elenco em 2002 e quando o estava remontando, foi para o Cruzeiro ganhar mais. Mustafá credita o primeiro rebaixamento do clube a esta postura do treinador. E garantiu que, enquanto ele fosse presidente, o técnico não trabalharia mais no Palestra Itália.

Luxemburgo não está interessado em mala branca, em dinheiro. Mas em fazer renascer sua carreira. Por isso ele quer o Flamengo mais competitivo possível diante do Vitória. De repente, o clube carioca passou a ser até mais pressionado do que o rival baiano no jogo em Manaus.

O técnico sabe que seu trabalho começou a ser elogiado no Palestra Itália. Até por ex-dirigentes como Salvador Hugo Palaia. Há conselheiros que criticam a decisão de Paulo Nobre por optar pelo argentino Gareca e ter virado as costas para o então desempregado Luxemburgo.

 Nada de mala branca ou incentivo financeiro de Paulo Nobre. Esperto, Luxemburgo fará de tudo para o Flamengo ganhar do Vitória. Para reabrir as portas do Palmeiras que estavam lacradas para ele...

O técnico é muito esperto. Enxergou a fresta da porta aberta. E quer escancará-la. Por isso fará de tudo para o Flamengo vencer o vitória. Na última semana ele estava em São Paulo. E deu duas longas entrevistas para dois canais de televisão. Ele não quer se restringir ao Flamengo. Quer ter outras opções de trabalho no futuro. Até mesmo no próprio Palmeiras.

No Parque São Jorge, se a oposição vencesse a eleição, o que é quase impossível, ele teria chance. Roque Citadini, articulador de mais uma candidatura de Paulo Garcia, tem excelente relacionamento com Luxemburgo. Os membros da oposição dariam de bom grado o comando do time a Vanderlei. Com direito até a fazer o que tanto gosta, ser manager.

"A gente não renasce, a gente tem uma história. Coloca renascer parece que você está acabado. Jornalista fica velho e fica mais inteligente e sábio. O técnico fica velho, fica burro, fica ultrapassado. Se não fosse eu, o Flamengo caía" disse, na Fox Sports.

E foi fundo na questão de uma eventual 'mala branca' do Palmeiras ao Flamengo. E ainda confirmou que vai escalar seus titulares.

"Acho isso incompetência. Quando você deixa de dar para o seu jogador para dar aos jogadores 'de fora' você é incompetente. Porque deixou de fazer a coisa que deveria fazer. Não acho imoral, é uma coisa do mercado, mas acho depreciativa. O Flamengo tem de fazer o que é melhor para o Flamengo. Porque as pessoas ficam colocando pilha na gente como se a gente tivesse de fazer o trabalho dos outros. Vou colocar os titulares porque ainda estou testando para ver quem fica na temporada seguinte. Se estivesse tudo definido tiraria todo o time (titular). Faria o que é melhor para o Flamengo. Sem me preocupar com nada. O problema agora é do Vitória e do Palmeiras. Não nosso."

Mas não é bem assim. Vanderlei Luxemburgo quer ganhar do Vitória porque quer reabrir as portas do Palestra Itália, que um dia pareceram lacradas a ele. Paulo Nobre ou Pescarmona, quem ganhar a eleição, ficaria eternamente grato por esse favor. Ou seja, não será preciso mala branca.

Se o Flamengo não conseguir derrotar os baianos do Vitória, não será por desleixo. E muito menos falta de vontade. Pelo menos de seu treinador. Vanderlei Luxemburgo é muito oportunista. Esta é uma chance de ouro para quem estava desempregado, desacreditado em julho, há quatro meses...
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A renovação de Guerrero é obrigatória no Corinthians. Trunfo eleitoral. E exigência das organizadas. As mesmas que tentaram esganá-lo em fevereiro. Ele é o melhor atacante do Brasil…

1ae24 A renovação de Guerrero é obrigatória no Corinthians. Trunfo eleitoral. E exigência das organizadas. As mesmas que tentaram esganá lo em fevereiro. Ele é o melhor atacante do Brasil...
Paolo Guerrero nunca foi tão feliz em um clube como é no Corinthians. Jamais atingiu o grau de idolatria no Alianza Lima, quando surgiu como grande promessa. No Bayer de Munique ou no Hamburgo. O que vive no Parque São Jorge é único. Só por isso ele mudou radicalmente a sua intenção de ir embora, deixar o clube por causa das organizadas.

Guerrero estava profundamente magoado. Não se conformava como foi tratado na invasão dos torcedores ao Centro de Treinamento do clube em fevereiro. Apesar de ter feito o gol que deu o título mundial ao Corinthians no Japão, ele foi agarrado por membros das organizadas, revoltados com o fraco desempenho do time.

"O Paolo foi esganado no seu pescoço", garantiu o presidente e delegado Mario Gobbi.

O jogador se nega até hoje a detalhar o que realmente aconteceu. Ele não quis falar nem para a Polícia Militar. Optou em não comprar briga com as organizadas corintianas, muito fortes no clube. Mas a mágoa estava presente. Aos 30 anos, o jogador ficou impressionado com as cenas que viveu. Com o coro criminoso dos invasores ameaçando quebrar as pernas de Sheik e de Alexandre Pato. Inclusive esse foi o grande motivador do jovem atacante ir para o São Paulo. E o veterano se aventurar no Botafogo.

2ae13 A renovação de Guerrero é obrigatória no Corinthians. Trunfo eleitoral. E exigência das organizadas. As mesmas que tentaram esganá lo em fevereiro. Ele é o melhor atacante do Brasil...

Guerrero ficou. Deu a volta por cima. Os chefes das mesmas organizadas que invadiram o CT corintiano exigem da direção do clube que o atacante fique no clube. Que aconteça a renovação antecipada de seu contrato. Ele termina em julho de 2015. E a partir de dezembro, o artilheiro já poderia negociar com qualquer outra equipe. E sair de graça em julho do próximo ano.

Não seria essa estratégia que ele e seu empresário Andrés Pizarro traçavam. Eles cogitavam voltar para a Europa no final deste ano. Mas com o atacante vendido, dando dinheiro para o Corinthians. Mas foram mudando de ideia de acordo como a temporada foi se desenvolvendo. O time crescendo, chegando a Libertadores. Guerrero cada vez mais importante. Fazendo gols fundamentais para a equipe de Mano Menezes. O peruano resgatou o prazer de jogar no Brasil, em São Paulo, no Itaquerão. Já marcou 15 gols no ano, cada um mais importante do que o outro.

Se tornou o maior ídolo no clube. Ouve tanto de Mano Menezes sobre a dependência do time de seu futebol que já conseguiu até se livrar de amistosos do Peru para jogar pelo Corinthians. A classificação para a Libertadores lhe trouxe motivação especial para ficar. Tem o sonho de ganhar a competição e também conquistar o Mundial. Só que no meio de tudo isso há a valorização.

Guerrero tem 30 anos. Seu salário é de R$ 470 mil mensais. Em conversas com o diretor de futebol, Ronaldo Ximenez, disse no mês passado que aceitaria renovar. Aceitaria até receber o mesmo salário por um contrato de três anos. Mas desde que ganhasse uma luva compatível a uma negociação com clube europeu. Disse que desejava sete milhões. Ximenez achou alta a pedida, mas factível. Foi antes de ouvir a complementação: "de dólares". Ou seja, R$ 17,8 milhões. Aí tudo se complicou.

3reproducao6 A renovação de Guerrero é obrigatória no Corinthians. Trunfo eleitoral. E exigência das organizadas. As mesmas que tentaram esganá lo em fevereiro. Ele é o melhor atacante do Brasil...

O orçamento do Corinthians está comprometido para 2015. Os gastos com o Itaquerão são assustadores. Terá pagar uma parcela de R$ 100 milhões no próximo ano, do estádio de R$ 1,1 bilhão. E a previsão otimista é que o clube terá um déficit de R$ 45 milhões. Como pagar reservar muito dinheiro a Guerrero? Vendendo um ou dois atletas importantes do time. Ralf, Cássio ou Gil já sabem. Se houver propostas interessantes, até dois deles podem ir para a Europa.

Já Guerrero, não. Ele é o ídolo que o Corinthians deseja para a Libertadores de 2015. Sua presença é importantíssima para atrair o torcedor. Perdê-lo seria uma arma espetacular para a oposição nas eleições marcadas para fevereiro.

Só que Gobbi já deixou vazar. Não vai pagar sete milhões de dólares como luvas ao peruano. Sua primeira proposta a Guerrero é de quatro milhões de dólares, cerca de R$ 10,1 milhões. Parcelados. Seu salário seria arredondado para R$ 500 mil mensais. E compromisso de três anos.

O jogador gostou dos termos, mas acredita que pode ganhar mais. As negociações estão acontecendo com calma. Mas há um dado muito interessante. As chefias das organizadas insistem com a diretoria que o Corinthians não pode perder o atacante. O mesmo que foi esganado por membros dessas mesmas torcidas.

Tudo caminha bem até porque, apesar do seu ótimo desempenho nesta reta final de brasileiro, não há propostas de grandes clubes europeus. Sua idade, 30 anos, é um enorme obstáculo para seu retorno ao Velho Continente. Ele sabe muito bem disso. Assim como a diretoria corintiana.

Tudo está caminhando de maneira animadora. Mario Gobbi tem certeza que a renovação do peruano será a sua última vitória na direção do Corinthians. Ele não conseguiu convencer Roberto de Andrade, candidato da situação à presidência, a continuar com Mano Menezes. Quer de qualquer maneira o retorno de Tite. O presidente viu o time não conseguir vencer sequer um título em 2014. A vaga na Libertadores é animador. Mas garantir Guerrero por três anos virou sua obsessão.

Gobbi tem todo o apoio do seu grupo político na renovação. Até mesmo o seu mentor, com quem está brigado, Andrés Sanchez quer que o peruano fique. Há até a esperança que Guerrero renove até antes do Brasileiro acabar. Será o maior reforço do Corinthians para a Libertadores de 2015. Até os membros das organizadas que o esganaram em fevereiro concordam. Ele é o melhor atacante deste país...

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Patricia e mais três gremistas foram premiados pela Justiça gaúcha. Não irão a julgamento, apesar de terem chamado Aranha de ‘macaco’. Um erro que só estimulará vândalos e racistas nos estádios…

1reproducao28 Patricia e mais três gremistas foram premiados pela Justiça gaúcha. Não irão a julgamento, apesar de terem chamado Aranha de macaco. Um erro que só estimulará vândalos e racistas nos estádios...
Um tapa na cara na luta contra o racismo no Brasil. Patrícia Moreira, Fernando Ascal, Éder Braga e Rodrigo Rychter foram identificados. As câmeras da ESPN-Brasil identificaram os gritos de 'macaco', vindo com ódio de Patricia para o goleiro Aranha. O trabalho competente da polícia gaúcha identificou Fernando, Éder e Rodrigo. Todos torcedores gremistas. Os entregou para a Justiça.

E a Justiça fez um acordo vergonhoso para que o quarteto escapasse do julgamento que poderia os punir até com três anos de prisão. Amparado na frouxa legislação brasileira.

A legislação brasileira é hipócrita. Alguém chamar um negro de macaco é uma definitiva demonstração de racismo. Em todos os países civilizados. Mas aqui é 'injúria racial'. A melhor e mais didática explicação para essa farsa encontrei no blog Cena Jurídica de Paulo Renato Bezerra, nas palavras do professor de Direito Penal, Sandresson Menezes. Vale a pena ler para entender o que se passou com Aranha. E compreender porque esses quatro não foram presos assim que identificados, como deveriam.

"A questão mais debatida no meio jurídico é a distinção entre injúria racial e racismo, onde uma começa e a outra termina. A questão é mais simples do que se pensa. Há a injúria racial quando as ofensas de conteúdo discriminatório são empregadas a pessoa ou pessoas determinadas. . Ex.: negro fedorento, judeu safado, baiano vagabundo, alemão azedo, etc. Tal crime está disposto no artigo 140, § 3º do CP.

O crime de Racismo constante do artigo 20 da Lei nº 7.716/89 somente será aplicado quando as ofensas não tenham uma pessoa ou pessoas determinadas, e sim venham a menosprezar determinada raça, cor, etnia, religião ou origem, agredindo um número indeterminado de pessoas. Ex.: negar emprego a judeus numa determinada empresa, impedir acesso de índios a determinado estabelecimento, impedir entrada de negros em um shopping, etc.

Entre as peculiaridades de cada crime encontram-se as seguintes diferenças:

O crime de racismo é imprescritível e inafiançável, enquanto que o de injúria racial o réu pode responder em liberdade, desde que pague a fiança, e tem sua prescrição determinada pelo art. 109, IV do CP em oito anos.

O crime de racismo, em geral, sempre impede o exercício de determinado direito, sendo que na injúria racial há uma ofensa a pessoa determinada.

O crime de racismo é de ação pública incondicionada, sendo que a injúria racial é de ação penal privada (há quem defenda ser condicionada à representação);e nquanto que no crime de racismo há a lesão do Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, no crime de injúria há a lesão da honra subjetiva da vítima."

Pois bem, o quarteto que humilhou Aranha já tinha esse grande escudo da legislação. Poderiam no máximo, se julgados, pegar uma pena entre um e três anos. Além de multa. Mas como são primários deveriam pegar apenas a prestação de serviços comunitários. Mas haveria o julgamento. A sentença seria um marco. Abriria um precedente. Ficaria claro que estádio de futebol não é lugar para demonstrações de racismo, ou de injúria racial como está na nossa frouxa e hipócrita legislação.

2reproducaozerohora Patricia e mais três gremistas foram premiados pela Justiça gaúcha. Não irão a julgamento, apesar de terem chamado Aranha de macaco. Um erro que só estimulará vândalos e racistas nos estádios...

Só que o juiz Marco Aurélio Xavier resolveu optar pela legislação capenga deste país. Ele suspendeu o processo contra o quarteto. Ofereceu algo muito mais palatável do que o julgamento. Ficariam muito expostos, coitados. Em vez disso, o juiz deu a chance que todos se apresentassem em uma delegacia antes dos jogos oficiais do Grêmio, dentro ou fora de Porto Alegre. Até agosto de 2015. Muito unidos, os quatro aceitaram imediatamente a proposta.

Marco Aurélio Xavier não foi rígido com o quarteto. Sugeriu que em vez de ir até a delegacia, usassem tornozeleiras eletrônicas. Os gremistas não quiseram ser monitorados na polícia. Recusaram. O juiz aceitou a negativa. Mas deixou avisado que, se eles cometerem outro crime até agosto de 2015, o processo de 'injúria racial' será reaberto. E aí sim poderão julgados.

E mais para os quatro não serem novamente lembrados, os próximos passos envolvendo o processo correrão em segredo de justiça. Ou seja, a imprensa e a população não ficarão sabendo. O 'próximo passo', se os quatro cumprirem o que foi proposto, será a suspensão permanente, a extinção do processo.

A decisão do juiz é lamentável. Foi um presente de Natal antecipado para o quarteto culpados confessos de injúria racial. Talvez Marco Aurélio Xavier devesse convocar Bernardo, Vitória e Rafael. Os três são enteados de Aranha, ele trata com o mesmo carinho que dedica a Sofia, sua filha natural. Depois que o caso estourou os enteados foram chamados de macacos e filhos de macaco na escola onde estudam.

Ou então o juiz falar com o próprio Aranha, o ofendido. Vai entender porque ele fez questão de enfrentar os racistas na arena do Grêmio. Saber que ele sofre com o preconceito racial há muito tempo. Como quando foi preso apenas por ser negro e estar dentro de um carro caro em Campinas esperando por um amigo. Três policiais racistas mostraram como acreditam que negro deva ser tratado.

3reproducao5 Patricia e mais três gremistas foram premiados pela Justiça gaúcha. Não irão a julgamento, apesar de terem chamado Aranha de macaco. Um erro que só estimulará vândalos e racistas nos estádios...

"Falaram que era para eu ficar quieto, que eu era suspeito. Me algemaram, deitaram no chão, queriam saber de arma, mas eu não tinha nada. Tomei um tapa, um chute. Tenho a marca aqui, acho que é a bota do policial", declarou em 2005 o goleiro. Ele ficou preso no camburão. Só foi liberado quando chegou o advogado da Ponte Preta e os policiais viram que era jogador. Apesar da denúncia do revoltado goleiro, nada aconteceu com os policiais.

O STJD já havia sido responsável por um desserviço. Depois de eliminar o Grêmio da Copa do Brasil, pelo caso envolvendo racismo, quando foi elogiado no mundo todo, voltou atrás no Pleno. E apenas tirou três pontos do Grêmio, que inviabilizou a partida da volta contra o Santos, já que havia perdido o primeiro jogo. O abrandamento da pena causou alívio para a CBF. Se fosse referendado o primeiro julgamento, todo clube que tivesse torcedores racistas infiltrados poderiam ser eliminados dos torneios. Que seria caótico. Por coincidência, lógico, isso não aconteceu.

O Pleno do STJD foi carinhoso com o árbitro Wilton Pereira Sampaio que conseguiu não ver ou ouvir as muitas manifestações de racismo naquela partida. Não colocou nada na súmula. O mais triste de tudo é que Wilton é negro.

Patricia Moreira da Silva perdeu o emprego, teve a casa apedrejada. Uma bomba incendiária queimou uma parte da área da residência. Disse que foi ameaçada de estupro pelas redes sociais. Ela está tomando tranquilizantes desde que 'tudo aconteceu'. Por 'tudo aconteceu' se entenda ela gritar 'macaco' para Aranha. Seu choro sem lágrimas na ida à Globo para falar com Fátima Bernardes foi lastimável.

Patricia ontem caprichou no encontro com o juiz. Não tirou os óculos escuros, entrou cabisbaixa e mandou avisar que não tinha condição psicológica para falar com a imprensa. Nem parecia a mesma garota que posava com cara de nojo, mostrando um macaco de pelúcia com o uniforme do Internacional. Gostou tanto da foto que colocou nas redes sociais.

1reproducaozerohora Patricia e mais três gremistas foram premiados pela Justiça gaúcha. Não irão a julgamento, apesar de terem chamado Aranha de macaco. Um erro que só estimulará vândalos e racistas nos estádios...

O juiz Marco Aurélio Xavier não só abrandou a situação dos quatro gremistas. Na verdade, ele decepcionou o Brasil. Ninguém queria que os racistas fossem crucificados. Mas deveriam sim passar pelo julgamento. Ele seria histórico, um marco neste país com tantas injustiças. A boa vontade desse juiz reflete nos vândalos e criminosos. A postura infelizmente estimula que muita gente acredite que estádio é um pedaço do Brasil sem lei.

Não é por acaso que parte da torcida organizada gremista sempre canta a romântica música quando o adversário é o rival Internacional.

"Somos campeões do Mundo
E da Libertadores também
Chora macaco imundo
Que nunca ganhou de ninguém
Somos a banda mais louca
A banda louca da Geral
A banda que corre
Os macacos do Internacional."

Não é à toa que Patricia cansou de repetir. "Não sou racista. Tenho vários amigos negros. Mas me deixei levar pela empolgação. Aprendi ouvindo as músicas da torcida gremista. Não fui só eu quem gritou macaco para o Aranha. Eu fui pega pelas câmeras, mas havia mais gente", relembra a torcedora.

O recuo da justiça neste simbólico caso só estimula que vândalos racistas continuem a procurar estádios. E se infiltrar em todas torcidas organizadas. Não só a do Grêmio. A decisão do juiz Marco Aurélio Xavier foi lastimável para o futebol, para a sociedade deste país...

Depressiva, cinza, fosca. A última camisa da carreira de Rogério Ceni vaza na Internet. Foi a gota d’água. O São Paulo tenta se livrar da Penalty…

1reproducaointernet Depressiva, cinza, fosca. A última camisa da carreira de Rogério Ceni vaza na Internet. Foi a gota dágua. O São Paulo tenta se livrar da Penalty...
Que final de carreira de Rogério Ceni. Simplesmente nada dá certo. Primeiro a Penalty antecipou que ele realmente se despedirá do futebol este ano. Acabou com o mistério acalentado pelo jogador. Depois, o jornal Estado de São Paulo revela que o goleiro teve um filho fora do casamento. Ceni confirma ser verdade. Ele se chama Henrique e tem dois anos.

E hoje à tarde vazou na Internet o segredo que a Penalty iria revelar apenas amanhã. A última camisa do goleiro como jogador de futebol. Ela é não tem nada de especial. Ao contrário. É até sombria. É cinza, com listras finas, em cor mais escura. Calções e meiões brancos. O uniforme decepciona diante da enorme expectativa. Da pré-venda antecipada, que a empresa garante ter sido muito concorrida. Apesar do absurdo preço de R$ 249,99.

Com o vazamento, o lançamento do uniforme que estava previsto para amanhã no Centro de Treinamento do São Paulo deve ser cancelado. O presidente Carlos Miguel tenta ainda hoje antecipar o encerramento de contrato com a Penalty. O clube tem propostas da Adidas, Puma e Under Armor maiores que a atual fabricante.

Mas mesmo se houver o acordo, a Penalty ficará o final deste ano. E será responsável pela última camisa de Rogério Ceni. Nas redes sociais, torcedores já criticavam o uniforme. Realmente estranho, nada imponente para o fim da carreira do maior ídolo da história do São Paulo.

Outra vez Rogério Ceni teria ficado irritado com o fim da surpresa sobre sua camisa. O clima entre ele e a Penalty é péssimo. Mas não há o que fazer. O jogador tem um percentual sobre as camisas vendidas. A expectativa otimista da empresa é que o atleta poderia ganhar R$ 1,5 milhão com as vendas. O contrato já está assinado. E o jogador teria até recebido um adiantamento de R$ 300 mil. Ou seja, não há como voltar atrás.

Pelo contrato, o jogador deve estar presente no lançamento oficial do seu último uniforme. E participar de uma coletiva. Isso se houver festa. Porque não há o menor clima entre Rogério Ceni e a Penalty. Ele não se conforma com o festival de trapalhadas que cerca esta depressiva camisa cinzenta, fosca de R$ 249,99...

As acusações de Felipão precisam ser levadas a sério. Ele foi íntimo da CBF, Marin, Marco Polo e TV Globo. Há clubes escolhidos para disputar a Libertadores? Quem os escolhe? E por quê?

1gazetapress6 As acusações de Felipão precisam ser levadas a sério. Ele foi íntimo da CBF, Marin, Marco Polo e TV Globo. Há clubes escolhidos para disputar a Libertadores? Quem os escolhe? E por quê?
"Já estão escolhidas as equipes que estão na Libertadores."

Essa foi a frase, sem retoques, de Luiz Felipe Scolari, logo após a derrota do Grêmio para o Corinthians. O que poderia ser apenas mais um treinador desviando o foco de seu fracasso, fica mais preocupante na boca de Felipão. Ele estava revoltado com a bola que Fábio Santos desviou com o braço, pênalti. Mas suas frases foram além de uma simples reclamação contra um lance não marcado por um juiz.

Se existe alguém que conhece intimamente a CBF, José Maria Marin e a cúpula da TV Globo é ele. Conviveu e participou de várias reuniões com os representantes do comando do futebol neste país. Foi o treinador da Seleção Brasileira de novembro de 2012 até julho de 2014. Um ano e sete meses de reuniões, planos e trabalho junto a quem decide tudo o que acontece ou deixa de acontecer.

Para alguém que já foi treinador do Brasil em duas Copas, Felipão sabe muito bem o que diz. Ele, que é um mestre em meias palavras, decidiu escancarar. Falar tudo o que acredita. Principalmente o quanto acredita que desejam o time de Mano Menezes na competição mais atraente para a televisão na América do Sul.

Não deixou dúvidas sobre o que pensa. Duvida até do resultado do julgamento do recurso do Grêmio pelo Corinthians ter colocado Petros irregularmente para jogar. Situação assumida pela Federação Paulista de Futebol, que colocou a culpa na senhora Teresa dos Santos, funcionária há 30 anos da entidade. Desmoraliza o STJD.

"E tu acredita em alguma coisa nesse julgamento? O Corinthians vai ganhar quatro pontos, não perder. Se esse julgamento fosse o correto, eram 21 pontos, igual o América-MG, ou seis. Quando a Federação assumiu, já acertou tudo. Não tem jogo, isso aí é bobagem."

2reproducao9 As acusações de Felipão precisam ser levadas a sério. Ele foi íntimo da CBF, Marin, Marco Polo e TV Globo. Há clubes escolhidos para disputar a Libertadores? Quem os escolhe? E por quê?

O que pode parecer galhofa aqui no Brasil, seria muito sério fora daqui. Digno de uma investigação profunda. Com as autoridades como Polícia Federal, Ministério Público envolvidos. Há manipulação no Campeonato Brasileiro? O ex-treinador da Seleção Brasileira garante que os 'times que vão disputar a Libertadores já estão escolhidos'. E que um clube deveria perder 21 pontos ou seis no principal tribunal esportivo no país. Mas não vai porque a federação de seu estado assumiu a culpa.

Não há como se esquecer da entrevista do vice-presidente do Grêmio, Nestor Hein. No final de outubro, ele fez acusações pesadíssimas. E não foram rebatidas, investigadas. Simplesmente as pessoas atingidas se calaram.

1reproducao27 As acusações de Felipão precisam ser levadas a sério. Ele foi íntimo da CBF, Marin, Marco Polo e TV Globo. Há clubes escolhidos para disputar a Libertadores? Quem os escolhe? E por quê?

"O STJD é um câncer incurável de grau quatro. Muita gente diz: "como é que os clubes elegem por unanimidade o presidente da CBF"? Elegem porque se não eleger o sujeito fica marcado. (...) Você entra no STJD já sabendo o resultado do que vai acontecer. Nós advogados vivemos da surpresa e de acreditar que o nosso talento, nosso poder de convencimento possa fazer prevalecer o Direito. Agora ali na hora você já sabe que o cadafalso vai te pegar.

(...) A televisão que é hoje um fator de faturamento, fundamental, sem o qual os clubes não sobrevivem...A rede que dá publicidade aos jogos, transmite os jogos (TV Globo)...O diretor mais importante dela disse o seguinte: Corinthians e Flamengo são times. O resto é merrrrrda (forçando o sotaque carioca)."

Hein fez essas acusações logo após o julgamento do STJD que inocentou o Corinthians em relação ao caso Petros. O tribunal aceitou a alegação da FPF que o erro foi de dona Teresa. A cúpula gremista viu uma nítida proteção ao clube paulista de maior torcida no país.

"Não é interessante para o futebol brasileiro ter dois clubes do Rio Grande do Sul na Libertadores e dois de Minas. É bom que tenha um de Minas Gerais, dois de São Paulo, e quem sabe um do Rio Grande do Sul. Quem sabe...", voltou à carga Felipão.

A quem não interessa ter na Libertadores Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Atlético Mineiro? Quem deseja dois times paulistas? Além do Corinthians, o São Paulo também é protegido?

Aqui no Brasil, as palavras são jogadas ao vento. Por pessoas importantíssimas no contexto do futebol. Acusações são feitas e não merecem o mínimo de investigação. Nada é levado a sério. Ninguém prova nada.

Mas as suspeitas do homem que conviveu intimamente tanto com José Maria Marin e com Marco Polo del Nero, não. Merecem respeito. Assim também como as de um vice-presidente do Grêmio. Afinal, há interesses maiores que fazem um árbitro errar a favor ou contra uma equipe?

A Polícia Federal e o Ministério Público deveriam começar a agir. E convocar Felipão para depor. Ele precisa falar claramente tudo o que sabe. Mas inacreditavelmente não há interesse. Todos se fazem de surdos. Morasse aqui e estivesse vivo, José Saramago escreveria o Ensaio sobre a Surdez Oportuna.

Agora algo que o Corinthians tentará escapar é da punição pelos uso de sinalizadores. Sua torcida outra vez os usou no estádio. A fumaça que soltaram fez com que a partida contra o Grêmio ficasse paralisada por cinco minutos. Vale lembrar que foi um sinalizador que matou o garoto Kevin Spada na Libertadores de 2013. Ele partiu das organizadas corintianas que estavam na Bolívia. Ninguém pagou por essa morte.

O árbitro Ricardo Marques Ribeiro relatou os sinalizadores e também uma faixa na torcida corintiana. Os dizeres não poderiam ser mais diretos. 'CBF e Rede Globo, o câncer do futebol".

O que alivia a situação é que os três torcedores que dispararam os sinalizadores foram presos. O que é um enorme atenuante. O Corinthians é responsável pela segurança da partida que acontece no seu estádio. Como qualquer equipe que joga em casa. E esses vândalos conseguiram entrar no Itaquerão com os sinalizadores. Assim, deverá haver a denúncia e acontecer novo julgamento no STJD, o 'câncer incurável de grau quatro', nas palavras do vice gremista...
1getty6 As acusações de Felipão precisam ser levadas a sério. Ele foi íntimo da CBF, Marin, Marco Polo e TV Globo. Há clubes escolhidos para disputar a Libertadores? Quem os escolhe? E por quê?

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