Anderson Silva redescobriu a humildade. Olhou no espelho e encontrou Nick Diaz. Preferiu deixar o ego para trás e voltar a ser apenas lutador. Sério, é uma lenda do UFC e que orgulha o esporte brasileiro…

2ufc 1024x732 Anderson Silva redescobriu a humildade. Olhou no espelho e encontrou Nick Diaz. Preferiu deixar o ego para trás e voltar a ser apenas lutador. Sério, é uma lenda do UFC e que orgulha o esporte brasileiro...
Anderson Silva deitou de costas no octógono e chorou muito, após os juízes confirmarem sua vitória sobre Nick Diaz. Nem quando conquistou o cinturão do UFC, ele derramou tantas lágrimas. Ele provou a ele mesmo que continuava um lutador de MMA. E ainda deu um dos maiores exemplos de superação no esporte moderno.

Há treze meses, Anderson havia quebrado a perna esquerda no mesmo octógono do hotel MGM em Las Vegas. Muitos médicos até tinham dúvidas se voltaria a lutar. Depois de colocar uma liga de titânio na perna quebrada e uma recuperação sofrido, conseguiu. Está de volta ao UFC, ao que mais gosta de fazer: lutar.

Os cinco tensos rounds que durou o confronto com Nick Dias foram reveladores. Anderson Silva estava mudado, diferente do lutador arrogante, prepotente, se achando invencível dos últimos tempos. Os 398 dias que ficou sem poder entrar no octógono serviram para mostrar o quanto ele estava traindo os princípios da arte marcial. Ele se deixou empolgar pelo espetáculo. Se sentia inatingível. Baixava a guarda, ironizava golpes dos adversários, baixava a guarda, convidando socos no seu rosto.

Tudo mudou quando encontrou pela frente Chris Weidman. O brasileiro vinha de dez defesas do título. O norte-americano era um adversário duro, mas enorme azarão diante do brilhante campeão. Mas Anderson Silva resolveu fazer graça, abaixar a guarda, como passou a fazer constantemente no octógono. Tomou um cruzado e foi nocauteado. Quando voltou a si percebeu que o cinturão de campeão não era mais seu.

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Foi uma brincadeira que deu o título para Weidman. Na revanche, Anderson entrou para lutar desesperado. Tinha de recuperar o cinturão. Por uma questão de dinheiro e de ego. Entrou raivoso nesta segunda luta. O norte-americano estava ganhando fácil o combate, quando o brasileiro resolveu chutá-lo. Mesmo com ele estando com a perna levantada, posição básica de defesa. Resultado, Silva quebrou tíbia e fíbula.

Além do título perdido para Weidman, veio a sua mais séria contusão da carreira. Percebeu o que realmente nasceu para fazer. Ainda não tem espírito para controlar uma cadeia de academias nos Estados Unidos. Nem nesta encarnação será o ator de filmes de ação que imaginava ser. Seus cromossomos apontavam para a luta.

Ao olhar no espelho viu um homem de 39 anos que tomava uma lição da vida. Seu extremo talento havia sido engolido pelo ego. Se não tivesse brincado com Weidman, exposto o rosto de forma tola, baixado a guarda, sua carreira continuaria fantástica. E não passaria pelo drama, pelo medo até de andar que estava sentindo.

Percebeu que os milhões que acumulou não bastavam. Seu talento estava no octógono. Mas ele precisava mudar. Voltar a descobrir a palavra humildade. Para quem duvida da rejeição a Anderson, deve falar o seu nome em voz alta em Abu Dhabi, quando quase sabota a entrada do UFC no mundo árabe. Quando resolveu ficar dançando, provocando, menosprezando Demian Maia. Um espetáculo deprimente que está à disposição no youtube.

Os mestres de Anderson Silva o desconheciam. Ele não ouvia ninguém. Combinava uma coisa nos treinamentos. Mas na hora da luta, se deixava levar pelos holofotes. Lia e assistia filmes do Homem Aranha para tentar improvisar golpes de fantasia na realidade. Os treinadores suavam quando ele via antigas lutas de Muhammad Ali. O espetacular boxeador que baixava a guarda e ficava brincando com os adversários, fazendo pêndulo. Evitando os socos só no reflexo, na movimentação da cabeça, dando um passo para trás. Com os braços esticados, baixos, ao longo do corpo. Foi fazendo assim que Anderson tomou seu primeiro nocaute na vida, em um soco de Weidman.

A fratura na perna refletiu no cérebro, na alma do brasileiro. Ele voltou para a terra. Entendeu que seus tempos de entrar para a luta vestido de Michael Jackson havia ficou no Pride, em 2003. Doze anos se passaram. O Pride foi extinto, comprado pelo UFC. A modernidade exige do lutador cada vez mais seriedade dentro do octógono. Não há mais ingenuidade. Todos sabem boxe, jiu-jitsu, wrestling, muay thai. Golpes básicos de karatê, judô e até capoeira.

Um lutador de elite hoje tem professores de todas essas modalidades, mais preparadores físicos, nutricionistas, fisiologistas, psicólogos, acupunturistas, agentes, empresários. Equipes de sparrings. Academias são reservadas apenas para seu treinamento para uma luta. É muito dinheiro em jogo.

Os lutadores que entram para divertir o público são cada vez mais raros. E nenhum deles é campeão de sua categoria. Há dois entre tantos lutadores sérios. O irlandês Conor McGregor e o norte-americano Nick Dias. McGregos é um palhaço fora do octógono. Dentro dele é sério. Tem alta técnica, variação de golpes, estilos e pegada que confunde os adversários. Usou suas provocações surreais para cortar fila. E desafiar José Aldo pelo cinturão. Não é por acaso que, quando focalizado pelas câmeras, Conor esfrega o polegar no indicador. Por trás de todo o show há muito dinheiro vindo do telespectador mundial do UFC com o pay-per-view.

Já Nick Dias foi campeão do Strikeforce e do WEC. Teve uma infância difícil, criado pela mãe, não sabia quem era seu pai. Brigador de rua, de bares. Desenvolveu um gênio detestável. Mas aprimorou sua condição física primeiro nadando e depois fazendo triatlo. Boxeador nato, encontrou no MMA uma maneira de descarregar o ódio, a revolta que carrega da infância. Embora tenha apenas 31 anos, seu auge ficou no passado. Não acompanhou a evolução dos concorrentes. É um dos primeiros meio-médios, mas não tem capacidade de luta para ficar com o cinturão do UFC.

Já foi pego dopado com maconha. Faltou a vários eventos do UFC. Estava sem lutar desde março de 2013, quando perdeu a decisão do título para George Saint-Pierre. Havia jurado aposentadoria. Mas não resistiu a um convite para enfrentar Anderson Silva. Pediu e ganhou uma bolsa de 500 mil dólares, cerca de R$ 1,3 milhão pela luta de ontem. "A única coisa que sei é que serei surrado. Ganhando ou perdendo", disse, irônico.

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E Nick fez o diabo ontem. Xingou, provocou, deitou no octógono, deu as costas para Anderson, baixou a guarda, ofereceu o rosto para ser socado. A postura foi uma tapa na cara do brasileiro. Focado, Anderson se viu no espelho. E não gostou do que viu. Percebeu o quanto é ridículo e vai contra os princípios básicos de qualquer arte marcial desprezar o adversário.

Anderson lutou com seriedade. O medo de outra derrota o fez seguro, sóbrio. Voltou as origens. Usou seu talento para superar Nick com jabs e diretos em uma velocidade impressionante. Chutou, pouco é verdade, mas usou a perna que havia fraturado. Usou a larga vantagem dada por Dana White, sua envergadura, diante de Diaz. Foi forte psicologicamente para não entrar nas provocações absurdas do americano. E, melhor, segurou seu ego astronômico.

Ao final da luta, pulou a grade para abraçar Jon Jones, campeão que vive mergulhado no inferno que buscou para si mesmo, consumindo cocaína. Um apertava forte o outro. Buscavam e davam apoio, como os maiores talentos do UFC. Nick Diaz, fato raríssimo, fez questão de abraçar Anderson. E declarar que o amava. Mesmo sem poder abrir o olho esquerdo, fechado dos jabs que não conseguiu evitar.

Las Vegas viu ontem o Anderson Silva que encantou o mundo. O lutador excepcional. Não uma espécie de 'Arakén, o Show Man'. Se mantiver sua seriedade, o respeito ao adversário e, principalmente, a si mesmo, o brasileiro tem tudo não só para recuperar o cinturão de Weidman. E cumprir o contrato de mais nove lutas com o UFC. Ganhando em média, um milhão de dólares, cerca de R$ 2,6 milhões, só para pisar no octógono. Fora patrocínio e participação no pay-per-view.

Este Anderson Silva humano, focado, orgulha o esporte brasileiro. Chorando de alegria por ter saúde para lutar. Respeitando os princípios das artes marciais. Assim acrescenta, traz brilho, se firma como uma lenda do UFC. Do egocêntrico, prepotente, arrogante que menosprezava adversários, torcedores e até seus mestres, ninguém sente falta...
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O Palmeiras de 2015 empolga. 3 a 1 contra o Audax foi até pouco. E sem Valdivia, Dudu, Arouca e Alan Patrick. O sofrimento do palmeirense ficou em 2014…

1reproducao22 O Palmeiras de 2015 empolga. 3 a 1 contra o Audax foi até pouco. E sem Valdivia, Dudu, Arouca e Alan Patrick. O sofrimento do palmeirense ficou em 2014...
Bastaram 45 minutos. Foi uma festa para os olhos, para a alma do palmeirense. O sofrimento de 2014 foi exorcizado com 18 contratações, mudança de treinador, a chegada de Alexandre Mattos. A perspectiva de que 2015 será bem diferente se materializou. Na abertura do Campeonato Paulista, em casa, no seu novo estádio, em um belo presente do Audax Osasco. Não satisfeito em negociar o mando de jogo, o pequeno clube presidido por Vampeta fez mais. Foi o sparring perfeito para o Palmeiras começar goleando. 3 a 1 foi até pouco demais. Tudo isso sem Valdívia, Dudu, Arouca, Alan Patrick...

Mas no mérito não merece ser tirado do time de Oswaldo de Oliveira. Ele montou seu novo time de maneira muito interessante. Em um versátil 4-3-2-1 que logo passava para um ousado 3-4-3. O medo ficou com o reveillon, com a profunda reformulação no elenco. A proposta é buscar o gol. Com confiança.

A análise mais profunda fica profundamente prejudicada por causa de Fernando Diniz. Desde o ano passado, o treinador tenta imitar a Holanda de 1974. Um time versátil, com jogadores sem posição fixa do meio para a frente. E com uma ordem que pode encantar os mais ingênuos. Proibir seus zagueiros e goleiro de darem chutão é facilitar a vida do adversário. Diniz precisa aprender que a geração holandesa foi moldada no Ajax.

Rinus Michels foi um dos mais espetaculares treinadores que já nasceu nesse planeta. Ele se inspirava na fantástica seleção húngara de 1954, do inovador técnico Gusztáv Sebes. Ambos montaram times que maravilharam o mundo. De excepcional toque de bola, desde a saída de bola. Mas contavam com gerações de jogadores excepcionais. A húngara com base no Honvéd e a holandesa usando Ajax.

Os dois times que influenciaram Fernando Diniz foram derrotados nas finais das Copas do Mundo que disputaram. Pela mesma seleção, a Alemanha. Os germânicos, que também possuíam ótimo jogadores, atuaram de forma pragmática. Com muita marcação, força. O grande segredo era impedir a saída de bola, roubar logo no tiro de meta.

Oswaldo de Oliveira não precisou se aconselhar com Sepp Herberger ou Helmut Schön. Nem poderia porque ambos faleceram. Mas bastou assistir às partidas do Audax no ano passado. E foi só orientar a marcação palmeirense a ser firme quando os defensores tinham a bola. Foi covardia.

Mesmo desentrosado, o Palmeiras tem atletas muito melhores do que os rivais. Com a grande colaboração de Fernando Diniz, as bolas foram sendo roubadas e a primeira vitória foi desenhada. Já com seis minutos, vinha o primeiro gol. Com péssimo sistema defensivo, como se fosse vergonha marcar, o Audax foi presa fácil. Dividida ganha no meio de campo e bola para Leandro Pereira, que era chamado de Banana. Ele tabelou com Allione e bateu para as redes de Felipe Alves. 1 a 0, Palmeiras.

O argentino fez ótima partida. Ele foi muito bem como meia articulador, ofensivo. Aproveitou o espaço dado pelo time de Osasco. Deixou os companheiros várias vezes em condições de marcar. Se movimentou bem demais tanto pela esquerda como pela direita. Confiante, consciente. Foi o melhor em campo.

O massacre continuou. Maikon Leite, que está ganhando uma inesperada chance de Oswaldo, abusou. Perdeu o primeiro gol inacreditável no Paulista. O eterno Zé Roberto o deixou livre, diante da meta, sem goleiro. Mas ele teve a coragem de chutar por cima.

Aliás, o Palmeiras usava muito bem as tabelas, deslocações. Contratou jogadores que atuam por vários setores no campo e que levantam a cabeça antes do passe. Isso foi fundamental nos excelentes primeiros 45 minutos de partida. Aos 13 minutos, já estava o onipresente Allione pela esquerda. Cruzou no peito de Robinho. O promissor meia matou no peito e fez um belo 2 a 0.

 O Palmeiras de 2015 empolga. 3 a 1 contra o Audax foi até pouco. E sem Valdivia, Dudu, Arouca e Alan Patrick. O sofrimento do palmeirense ficou em 2014...

O importante foi que o Palmeiras não perdeu a fome de gols. Pressionava com inteligência. Com inversão de Allione e Robinho. A correria desenfreada de Maikon Leite, que está cruzando muito melhor do que na sua última passagem pelo Palmeiras. O terceiro gol era questão de tempo. E ele veio. Nos pés de quem mais precisava.

Pela trigésima vez, o Audax foi sair jogando na defesa, perdeu a bola. Robinho conseguiu colocar Maikon Leite livre diante de Diego Alves. Desta vez o chute saiu preciso. 3 a 0 Palmeiras aos 35 minutos. Outro jogador que vale a pena destacar é Zé Roberto. O quarentão que Oswaldo colocou na lateral esquerda. Aos poucos, ele passou a atuar pelo meio e desfilar seu talento. Tem tudo para ser um jogador importantíssimo nesta temporada.

Com a vitória assegurada no primeiro tempo, na etapa final aconteceu o que era previsto. Os jogadores do Audax estavam melhores capacitados fisicamente. Normal. Porque treinaram nos últimos dois meses para o Paulista. Os do Palmeiras ainda estão chegando com as malas, despachados no clube por Alexandre Mattos.

O jogo caiu tecnicamente. Jackson entrou no lugar do firme Tobio. Cristaldo na vaga do esgotado e ótimo Allione. Mas a substituição mais significativa foi a de Maikon Leite por Victor Luís. O garoto foi para a esquerda e Zé Roberto foi atuar por alguns minutos onde ele deve estar, no meio. Pena o cansaço do time.

O Audax se aproveitou da falta de pernas dos palmeirenses. E descontou no final do jogo. Francis deixou Rafinha cara a cara com Fernando Prass. O chute saiu firme para as redes, aos 48 minutos do segundo tempo. 3 a 1. Mas em nada afeta a excelente impressão deixada pelo time de Oswaldo de Oliveira.

O torcedor saiu da nova arena empolgado. E com razão. Depois de muito tempo, a diretoria conseguiu dar um time de verdade. Promissor, com muitas alternâncias táticas. Voltado para o ataque, confiante. Tudo ainda está prematuro. A postura irresponsável do Audax facilitou. Mas a impressão foi forte. O Palmeiras deixou seu sofrimento em 2014...
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Palmeiras acolhe, com orgulho, Aranha. O goleiro negro que teve a coragem de enfrentar o racismo. Não só de alguns gremistas, como até de próprios santistas. Um exemplo neste país tão hipócrita…

1ae25 Palmeiras acolhe, com orgulho, Aranha. O goleiro negro que teve a coragem de enfrentar o racismo. Não só de alguns gremistas, como até de próprios santistas. Um exemplo neste país tão hipócrita...
"O Aranha se precipitou em querer brigar com a torcida. Se eu fosse querer parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. O torcedor grita mesmo. Temos que coibir o racismo. Mas não é num lugar publico que você vai coibir O Santos tinha Doval, Coutinho, Pelé… todos negros. Éramos xingados de tudo quanto é nome. Não houve brigas porque não dávamos atenção. Quanto mais se falar, mais vai ter racismo."

Essas foram as palavras de Pelé, condenando a atitude de Aranha. O melhor jogador de todos os tempos pregava a surdez, a omissão diante dos racistas. Nada de confronto. Se os negros norte-americanos e sul-africanos pensassem assim, ainda estaria segregados a lugares longe dos brancos. Ônibus, banheiros, bebedouros, restaurantes, piscinas, elevadores. Sem direito inclusive a votar. Os casamentos 'mistos' seriam crimes.

Um negro fazer amor com sua namorada ou noiva poderia ser considerado estupro. Essa era a lei em várias partes dos Estados Unidos e África do Sul há menos de 50 anos. Não fosse pela revolta de pessoas como Mandela ou Martin Luther King, o racismo ainda prevaleceria.

3reproducao4 Palmeiras acolhe, com orgulho, Aranha. O goleiro negro que teve a coragem de enfrentar o racismo. Não só de alguns gremistas, como até de próprios santistas. Um exemplo neste país tão hipócrita...

Era esse o pensamento de Aranha ao se rebelar na partida contra o Grêmio, em Porto Alegre, no dia 28 de agosto do ano passado. Resolveu chamar o árbitro, também negro, Wilton Pereira Sampaio. E apontou para os torcedores gremistas que o xingavam de macaco, preto fedido e outras injúrias raciais. Os gritos eram captados pelos microfones e as câmeras focalizaram Patricia Moreira da Silva, loira, mostrando todo o ódio que reservava ao goleiro santista. As sílabas saíam com fel de sua boca "Ma-ca-co". O árbitro fingiu que nada ouvia e exigiu que a partida recomeçasse. Uma atitude que combinaria com Pelé.

Aranha já tinha sido detido pela polícia de Campinas quando jogava na Ponte Preta. Seu crime, ser negro e estar em um carro parado. Os policiais exigiram que saísse do carro. "Falaram que era para eu ficar quieto, que eu era suspeito. Me algemaram, deitaram no chão, queriam saber de arma, mas eu não tinha nada. Tomei um tapa, um chute. Tenho a marca aqui, acho que é a bota do policia." O caso aconteceu em 2005 e foi arquivado.

1reproducao21 Palmeiras acolhe, com orgulho, Aranha. O goleiro negro que teve a coragem de enfrentar o racismo. Não só de alguns gremistas, como até de próprios santistas. Um exemplo neste país tão hipócrita...

O goleiro nunca se conformou com a omissão dos negros que jogam futebol. E que aceitam ser xingados de macacos. Cansado, decidiu que havia chegado a hora de dar um basta. Expôs parte da torcida gremista. Acreditou que teria retaguarda no Santos. Um clube grande. O mais conhecido fora do Brasil. Aquele que teve o melhor do mundo. Pois o apoio foi relativo. Parou na área esportiva.

Depois de 'intensa' investigação, a polícia gaúcha chegou a Patricia Moreira, Eder Braga, Fernando Ascal e Ricardo Rychter foram identificados. Quatro torcedores apenas. Eles correram o risco de pegar de quatro a um ano de prisão. Havia testemunhas e, no caso de Patricia, filmagem. Mas em vez disso, a legislação foi suave. Fez com que apenas tivessem de comparecer à uma delegacia por dez meses, no horário em que o Grêmio estivesse em campo. O 'quarteto fantástico' pôde até se recusar a usar uma tornozeleira eletrônica que denunciaria onde estivessem.

Lógico que a sentença foi ridícula. Um incentivo a quem carrega o racismo no peito. A sociedade brasileira perdeu uma oportunidade de ouro. Ao contrário até. Mostrou como é permissiva. E que não é por acaso que na maioria dos filmes de Hollywood, os bandidos querem fugir para cá. É a terra da impunidade.

Tudo o que a justiça fez foi tranquilizar os racistas. Por isso de nada serviram os casos de Tinga, Arouca, o árbitro Márcio Chagas -- que abandonou a carreira, cansado com o preconceito, Assis do Uberlândia, Francis do Boa Esporte, em 2014. O ano da graça de 2015 começa com o desprazer de testemunhar a revolta de Fabiana, bicampeã olímpica de vôlei.

2reproducao8 Palmeiras acolhe, com orgulho, Aranha. O goleiro negro que teve a coragem de enfrentar o racismo. Não só de alguns gremistas, como até de próprios santistas. Um exemplo neste país tão hipócrita...

"Ele 'tava' xingando, 'tava' me insultando o tempo inteiro. Toda vez que eu ia pro saque, ele gritava, 'olha a macaca, joga a banana pra macaca'." Fabiana, chorando, acusou e identificou Jefferson Gonçalves de Oliveira. Ele, torcedor do Minas na partida contra o Sesi de São Paulo. A partida aconteceu no dia 27 de janeiro. Testemunhas, fãs do próprio Minas, confirmam as ofensas. Na delegacia, Jefferson negou e disse que a chamou de 'africana'. E saiu tranquilamente depois de seu depoimento. Assustada, Fabiana não prestou queixa contra ele. Parece não querer enfrentar o desgaste de um processo.

Quanto a Aranha, o jogador percebeu que depois do caso de racismo, seu espaço diminuiu no Santos. Muitos conselheiros se voltaram contra ele. Acreditaram que expôs o Santos desnecessariamente. Dificultou a relação com o Grêmio que sempre foi excelente. Sentia que o clima mudou. De repente, só se falava em contratar um novo goleiro. Quando vieram os quatro meses de salários atrasados, 13º e direito de imagem. Decidiu entrar na justiça para receber o que tinha direito.

4ae8 Palmeiras acolhe, com orgulho, Aranha. O goleiro negro que teve a coragem de enfrentar o racismo. Não só de alguns gremistas, como até de próprios santistas. Um exemplo neste país tão hipócrita...

Foi quando aconteceu o pior. Um grupo de torcedores santistas no Facebook fez o inesperado. Usou ofensas racistas para atacá-lo por entrar na justiça contra o clube. Aranha foi chamado insistentemente de macaco. Um absurdo. Em gremistas radicais, torcedores adversários, a atitude já era inaceitável. Quando próprios santistas apelavam para ofensas racistas, tudo se tornou ainda mais deprimente. Mas o Santos não protestou. Fez questão de ignorar. O que deu mais a certeza ao jogador que era hora de sair. Não jogaria nunca mais na equipe com racistas infiltrados.

Oswaldo de Oliveira se solidarizou com as 'injúrias raciais' contra Aranha. E gostava do seu futebol. Pediu a sua contratação para a reserva de Fernando Prass. Acredita que um dos maiores erros de 2014 foi o Palmeiras insistir nos goleiros formados na base, já que não mostravam segurança. Aranha recebeu uma proposta também da China. Mas decidiu jogar no Palestra Itália.

E no Palmeiras, com o aval de Oswaldo, Aranha terá toda a liberdade para falar sobre o que quiser. Principalmente se manifestar se sofrer novamente com o racismo. O técnico ficou muito orgulhoso com a coragem do jogador.

"A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio", disse Martin Luther King. Ele ficaria orgulhoso da força de Aranha. Um dos poucos jogadores negros com coragem de enfrentar a hipócrita sociedade brasileira.

Situação mascarada que Gilberto Gil resumiu muito bem em um show em São Paulo na década de 90. "Aqui é o país onde muitos brancas só têm prazer em abraçar um negro desconhecido no Carnaval. Na quarta-feira de Cinzas mudam de calçada quando encontram o mesmo negro pela frente"...

Aidar comemora a contratação de atacante argentino “melhor do que Dudu do Palmeiras”. Centurión é veloz, driblador e polêmico. Uma aposta de R$ 12,7 milhões para a Libertadores…

2reproducao7 Aidar comemora a contratação de atacante argentino melhor do que Dudu do Palmeiras. Centurión é veloz, driblador e polêmico. Uma aposta de R$ 12,7 milhões para a Libertadores...
Se a situação de Alexandre Pato já estava complicada no São Paulo, piorou de vez. O clube conseguiu o atacante que Muricy tanto insistia com Carlos Miguel Aidar. Acaba de efetivar a contratação de Centurión. Atacante muito veloz, driblador, especialista em assistências para um definidor, como Luís Fabiano ou Alan Kardec.

Aidar teve de investir 4,2 milhões de euros, cerca de R$ 12,7 milhões no jovem de 22 anos. Há 45 dias, ele marcava o gol contra o Godoy Cruz, que deu o título argentino ao Racing. Centurión era um grande ídolo no seu ex-clube. Por isso a dificuldade na negociação. A diretoria do São Paulo primeiro tentou o empréstimo por até dezembro. Ouviu não. A diretoria do Racing chegou a anunciar que a negociação havia sido fechada por seis milhões de euros por 100% dos direitos do atleta. A verdade veio à tona. Foram 4,2 milhões por 70% do atacante.

Foi quando Muricy teve uma longa conversa com o vice Ataíde Gil Guerreiro. O treinador foi direto. O São Paulo precisava do jogador. Eras chance rara no mercado. Um atleta veloz, driblador, capaz de abrir a defesa adversária, explorar contragolpes. Exatamente como seria com Dudu. Mas o Palmeiras ganhou o duelo. Muricy garantiu que a perspectiva de Libertadores seria outra com ele no elenco.

Ataíde ficou impressionado com a conversa com o técnico. E passou o recado a Carlos Miguel. O presidente estava em débito com o treinador. Ele havia antecipado a Muricy que Dudu estava praticamente contratado. O técnico contava com esse atleta velocista e mais inteligente do que Osvaldo, negociado com o mundo árabe. Houve enorme decepção no Morumbi quando a transação de Dudu não foi fechada. O contratou também pensando na possibilidade de ganhar dinheiro em uma possível venda à Europa, já que tem apenas 22 anos. O mesmo não aconteceria em caso de contratação de Conca. Fora os R$ 2 milhões mensais que o meia foi ganhar na China.

Centurion é um atleta promissor. Ele tem como principal característica a velocidade. Desde cedo se destacou por sua rapidez e coragem. Há jornalistas argentinos que comparam seu início de carreira com o de Carlitos Tevez. Pelos dribles e correria. Só perde na hora da finalização. Não tem medo de entradas violentas. Muitas vezes exagera na simulação. Mas era um dos principais jogadores atuando na Argentina.

Fora dos gramados, já desperdiçou uma grande chance na vida. Passou um ano emprestado ao Genoa. Abusou da noite. Não conseguiu se firmar no futebol italiano. Entrou poucas vezes para jogar, não marcou um gol. Foi devolvido ao Racing sem deixar saudades. Em entrevistas, Centurion disse que sabe ter errado. E garantiu ter amadurecido.

Foi uma das peças mais importantes no fim do jejum do Racing. O treinador Diego Cocca foi avisado ontem que não teria mais o jogador. O clube argentino também passa por dificuldades financeiras. Não teve como virar as costas à proposta brasileira.

Os salários, luvas e tempo de contrato já estavam acertado há mais tempo entre empresários do atleta e o São Paulo. Ele fechou acordo por quatro anos. Na conversa que teve com dirigentes do clube brasileiro, o atacante deu sua versão do que deu errado na Itália. Falou que o problema é que não o colocaram para jogar. Por ser jovem teve poucas chances. Quando recebeu a garantia que teria todas as chances no Morumbi é que se animou para deixar o campeão argentino.

1reproducao20 Aidar comemora a contratação de atacante argentino melhor do que Dudu do Palmeiras. Centurión é veloz, driblador e polêmico. Uma aposta de R$ 12,7 milhões para a Libertadores...

A imprensa argentina também garante que ele perdeu a chance de ir para o Manchester United. Em 2012, aos 19 anos, ele se deixou fotografar segurando um revólver. A brincadeira teria decepcionado dirigentes do clube inglês. Com medo de contratar um atleta problemático, viraram as costas ao argentino.

Diego Cocca logo após a conquista do título argentino o procurou. E pediu para que seguisse pelo menos mais um ano no Racing. O atacante estava dividido. Mas um fato inesperado fez com que decidisse sair da Argentina. No dia 14, há 16 dias, ele estava passeando com sua namorada no centro de Buenos Aires. Seu Alfa Romeo foi fechado por um Peugeot 2016. Três assaltantes fizeram o casal descer do carro. Um deles apontou o revólver para o estômago do jogador, que pediu para que não atirasse. O bandido não atirou, mas deu uma forte coronhada na sua cabeça. A criminalidade argentina consegue ser pior que a brasileira.

De gênio forte e precavido com o que aconteceu na Itália, ele chega ao Morumbi para ser titular do time. Com o desejo de brilhar nesta Libertadores. Carlos Miguel está todo vaidoso. Garante a conselheiros que contratou um atacante muito melhor do que Dudu, que foi para o Palmeiras.

Pato já havia perdido a posição de titular. Muricy havia decidido escalar este ano Luís Fabiano e Alan Kardec na frente. Com pediu um atacante de velocidade, a diretoria perdeu Dudu, mas fechou com Jonathan Cafu da Ponte Preta. Ele está treinando muito melhor do que Pato. Com a chegada de Centurion, tudo se complica de vez. O atacante emprestado pelo Corinthians recebe R$ 400 mil mensais e não consegue se firmar.

Alheio a tudo isso, o atacante argentino do São Paulo está empolgado. Na despedida do Racing deixou escapar que estava muito animado com a estrutura e os planos do clube brasileiro para vencer a Libertadores. O anúncio oficial já foi feito na Argentina. O atleta deverá chegar amanhã ao Morumbi para assinar contrato e fazer exames médicos.

Conselheiros garantem que Muricy passou o dia muito feliz. Amante do futebol argentino, ele já assistiu muitas vezes o Racing e Centurion jogar. O técnico acredita que chegou o jogador que precisava para a Libertadores. Basta esperar. E cobrar...

(Fui mais um a acreditar no presidente no Racing. Acabei traído como várias agências internacionais. O São Paulo não comprou 100% de Centurión. Apenas 70%. E pagou R$ 12,7 milhões...)

Os milhões e a badalação que o Corinthians e a Nike desperdiçaram com Pato. Essa a grande motivação de Paolo Guerrero não baixar um centavo no pedido de sua renovação. Ou recebe ou vai embora…

3ae7 Os milhões e a badalação que o Corinthians e a Nike desperdiçaram com Pato. Essa a grande motivação de Paolo Guerrero não baixar um centavo no pedido de sua renovação. Ou recebe ou vai embora...
Demorou. Foram exatos dois anos, mas finalmente Pablo Guerrero teve a oportunidade. Trouxe a público de maneira cifrada, o que só os jogadores que estavam no Corinthians em janeiro de 2013 sabiam. O grande motivador para que não baixe a sua proposta de R$ 18,6 milhões em luvas e R$ 520 mil mensais. Para renovar por três anos.

"Vou ser claro. O que estou pedindo está dentro das possibilidades do Corinthians. Não quero falar de outros jogadores que chegaram e, infelizmente, não jogaram. O Corinthians pagou um monte de dinheiro por eles. E não jogaram", repete, firme, irritado.

Quem alimenta a firmeza e a ira do peruano, sem sequer imaginar, está no Morumbi. E atende pelo nome de Alexandre Pato. Atual reserva de Luís Fabiano, veterano jogador de 34 anos. Podendo ficar na reserva do reserva Jonathan Cafu, que tem empolgado Muricy.

A raiva de Guerrero tem a cumplicidade em vários jogadores que estavam no Parque São Jorge já dois anos. O time havia acabado de conquistar o título mundial de clubes. Já tinha vencido pela primeira a Libertadores da América em 2012. A campanha havia sido fantástica.

Mas a patrocinadora Nike via uma falha insuperável no elenco. Para os executivos da empresa, faltava uma grande estrela internacional. Capaz de vender muitas camisetas. E divulgar ainda mais o nome do Corinthians no Exterior. Principalmente na Europa, Estados Unidos e mercado asiático. Havia um atleta "Nike" que estava à mão.

Alexandre Pato estava disposto a deixar o Milan. Assim como o clube italiano, como se descobriu depois, a se livrar do seu inconstante atacante. Se acreditava na época que o grande problema do jogador eram suas contusões musculares. Teve 16 delas nos cinco anos que jogou pelo Milan.

O atacante tinha o sonho de disputar a Copa do Mundo de 2014. Tinha certeza que em um clube com grande apoio popular no Brasil, seria uma facilidade. Além disso, o potencial da equipe o 'carregaria nas costas'. Ser garoto propagada era com ele mesmo. Faria todas as campanhas sem problema algum.

A transação foi a maior da história no Brasil. Nenhum clube nacional havia pago tanto, 15 milhões de euros, na época, R$ 43 milhões, por um jogador. O acordo foi selado por quatro anos. Pato receberia R$ 800 mil mensais. Mais R$ 40 mil de auxílio moradia. E as luvas foram 40% dos direitos que passaram a ser do atacante. Ou seja, R$ 16 milhões.

A contratação de Pato arruinou o ambiente no Corinthians. Primeiro porque Tite não pediu o jogador. Muito pelo contrário, não o queria. Tinha certeza que seu problema maior como jogador não estava nas contusões. E sim na bola. Analisando jogos do atacante pelo Milan, viu sua dificuldade extrema em dominar, tabelar, se infiltrar. E mesmo finalizar. Não tinha o potencial finalizador que precisava. Avisou a diretoria. Mas a contratação estava consumada. O clube não iria brigar com quem tem contrato até 2025, recebendo R$ 30 milhões até 2022 e R$ 40 milhões nos três últimos anos. Aceitou o atleta.

 Os milhões e a badalação que o Corinthians e a Nike desperdiçaram com Pato. Essa a grande motivação de Paolo Guerrero não baixar um centavo no pedido de sua renovação. Ou recebe ou vai embora...

Alexandre Pato já chegou ganhando mais do que todos. A começar por Tite. Ele recebia R$ 500 mil. Mas foi entre os jogadores, a revolta. Afinal, eles haviam acabado de se tornarem campeões mundiais e só se falava no jogador que chegava do Milan. A raiva iria aumentar quando souberam quanto dinheiro iria para o seu bolso.

No Morumbi, Alexandre Pato não escondeu que nem pensa em voltar ao Parque São Jorge. Nunca teve bom ambiente com os atletas corintianos. Nem mesmo com Tite. O atleta sabia que ele não o queria. Assim como a torcida. Não esquece o coro ameaçador de torcedores na invasão ao CT em 2014, prometendo que se o achassem, quebrariam suas pernas. Essa atitude foi a motivadora de sua troca de clube.

Emerson Sheik já foi citado por Pato em várias conversas na concentração são paulo. Foi quem mais o rejeitou. O veterano atacante recebia, na época, R$ 350 mil, nem a metade do recém-chegado. Mas não era só ele quem ganhava esse dinheiro. E estava ressentido com a valorização do ex-jogador do Milan. Paolo Guerrero embolsa, revoltado, até hoje R$ 350 mil. O atacante que marcou os gols que deram o título mundial ao Corinthians. E que se manteve titular desde que foi contratado.

O peruano tem um ego gigantesco. Ele é a maior estrela do futebol peruano. Ele é perseguido por paparazzi em Lima. As televisões de lá imploram para que participe de programas durante suas férias. É garantia de audiência. Completamente tatuado, adora se expor em fotos. Namora artistas.

Mesmo jogando mal demais, Pato estava em todas as campanhas publicitárias do Corinthians. O que só irritava a todos. Eles não se conformavam. Haviam conquistado a desejada Libertadores e o Mundial. Mas os méritos acabaram caindo no colo de quem não chutou uma bola pelo clube em 2012.

1agenciacorinthians4 Os milhões e a badalação que o Corinthians e a Nike desperdiçaram com Pato. Essa a grande motivação de Paolo Guerrero não baixar um centavo no pedido de sua renovação. Ou recebe ou vai embora...

Sheik conseguiu renovar seu contrato e teve o aumento que pretendia. Passou a ganhar R$ 500 mil mensais. Guerrero ousou pedir um reajuste. Ouviu um sonoro não. Diante da dura negativa de Gobbi, disse que iria esperar. Enquanto aguardava, teve o seu pescoço apertado por um integrante da torcida organizada corintiana, na famosa invasão ao CT no ano passado. Invasão filmada, com os invasores identificados. E ninguém foi preso. Nem o 'estrangulador' do peruano.

Guerrero esperou. E agora, junto com seus representantes, está tratando o Corinthians de maneira profissional. Do mesmo jeito que foi tratado. Ele quer ser valorizado. Tendo como parâmetro os R$ 43 milhões que o clube pagou por Alexandre Pato. Mais os 40% de luvas, correspondente a R$ 16 milhões. O salário de R$ 800 mil que, mesmo no São Paulo, obriga a diretoria a desembolsar a metade, R$ 400 mil para atuar no rival. E ainda pagar R$ 40 mil como auxílio-moradia.

Por isso que o peruano não cede. Não quis nem saber da proposta de quatro milhões de dólares, cerca de R$ 10,6 milhões. Não se alterou quando ela passou a cinco milhões de dólares, R$ 13,3 milhões. Ele quer R$ 18,6 milhões. E mais R$ 520 mil a cada trinta dias nos próximos três anos.

Mario Gobbi que recusou o aumento já pedido no ano passado, disse que não negocia mais com Guerrero. Se dependesse do atual presidente, o atacante poderia ir embora em julho. Roberto de Andrade, candidato de Andrés Sanchez, e favorito à sucessão de Gobbi não concorda. Quer segurar o peruano alegando que ele é o maior ídolo corintiano.

4ae7 Os milhões e a badalação que o Corinthians e a Nike desperdiçaram com Pato. Essa a grande motivação de Paolo Guerrero não baixar um centavo no pedido de sua renovação. Ou recebe ou vai embora...

Nunca ficou claro aos dirigentes e aos torcedores porque Guerrero era tão firme na pedido. O seu desejo vai além de querer ter um final de carreira confortável. Ele também está se vingando por ter sido tão desvalorizado quando havia acabado de ser campeão mundial. Feito os gols que deram as vitórias corintianas no Japão contra o Al Ahly e o Chelsea.

Engoliu em seco ser passado para trás por Alexandre Pato. O viu fazer todas as campanhas publicitárias possíveis. E ganhar mais do que o dobro do seu salário. Mas o tempo passou. A hora é sua. De cobrar juros e correção monetária da raiva, do ressentimento que passou.

Por isso sua retórica e lógica são simplórias. Se o Corinthians pagou, e paga, tanto por um atacante que nada fez, ele quer ser valorizado. Por isso não aceita reduzir sua pedida. Sabe muito bem que há clubes e rivais do Corinthians que podem pagar o que está pedindo.

A partir de 15 de julho, estará livre. Para sair do Parque São Jorge sem render um centavo. Com a possibilidade de atuar até de verde, no Palestra Itália. O Corinthians e a Nike que fiquem com o seu 'querido' Alexandre Pato, com quem tem contrato até dezembro de 2016. E o obriguem a jogar no time que ele jurou não atuar nunca mais...
1ap9 Os milhões e a badalação que o Corinthians e a Nike desperdiçaram com Pato. Essa a grande motivação de Paolo Guerrero não baixar um centavo no pedido de sua renovação. Ou recebe ou vai embora...

A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem…

1cbf2 A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem...
O agora ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, ficou decepcionado. Tinha certeza que a presidente Dilma aprovaria o projeto que foi a sua 'menina dos olhos', enquanto comandou o esporte. A anistia, o perdão ou o 'refinanciamento' de R$ 4 bilhões de dívidas públicas dos clubes brasileiros.

Dilma não aprovou porque os deputados federais e senadores, que tão mal servem o país em Brasília, exageram. Os clubes deveriam dividir em 240 meses suas dívidas, com direito a redução de 50% nos juros e 70% nas multas. São dívidas que se arrastam por décadas. São sucessivas péssimas administrações nos principais clubes brasileiros. Incompetência, corrupção, vaidade, estupidez. Tudo se mistura nas dívidas absurdas que os dirigentes se meteram.

Fosse um cidadão comum que tentasse administrar suas dívidas com o governo da mesma maneira estaria preso. Se fosse o dono de uma empresa, estaria falida. Mas clubes neste país têm regalias porque seus torcedores votam. O vergonhoso projeto foi vetado porque ultrapassava todo limite da moralidade. Não pedia nada de volta aos clubes. Iriam ganhar essa proteção toda sem oferecer a garantia que iriam se modernizar, evitar repetir os mesmos erros.

Dilma vai exigir o mínimo. A responsabilidade financeira e de gestão. Multas e até rebaixamento de divisão em caso de atraso de pagamento dos jogadores e funcionários. Talvez, os dirigentes possam passar a ser responsabilizados e ter de dispor do próprio patrimônio se envolver os clubes em dívidas. Como costuma acontecer, quando um presidente vaidoso gasta mais do que pode contratando atletas caríssimos, sem se preocupar com dívidas.

Para quem considerou exagerada a postura de Dilma, vale muito a pena ter em mente os dados que acabam de ser divulgados pela Procuradoria-Geral da Fazenda. As mais indecentes dívidas dos clubes que vão disputar o Brasileiro de 2015 e mais, o Botafogo. Ele não poderia faltar nesta lista.

Ultrapassam os R$ 130 milhões acumulados com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Qualquer empresa precisa colocar 8% do salário de seu funcionário no FGTS. A legislação brasileira reserva esse dinheiro para quando o trabalhador se desligar da empresa. Ou então acumular o dinheiro para a aposentadoria, doenças graves ou compra de um imóvel para morar.

13 A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem...

Deixar de recolher o FGTS é um crime hediondo vai contra a civilidade. Fere o princípio básico do trabalhador. Só que virou uma prática recorrente nos clubes de futebol brasileiros. Jogadores e funcionários ficam o dinheiro que, obrigatoriamente, as equipes tinham de depositar. Caso isso não aconteça, não é problema do governo. A questão fica entre o trabalhador e quem o empregou.

Não há só jogadores com salários milionários nos clubes. Muito pelo contrário. Eles são menos de 5% no cenário atual. Muitos atletas ganham pouco. Assim como há funcionários como lavadeiras, cozinheiros, vigias que ganham um ou dois salários mínimos. Eles todos ficam sem seu fundo de garantia quando dirigentes relapsos, incompetentes assumem os clubes. O pior é que a CBF tem a acesso a esses dados há décadas. E não faz absolutamente nada.

Aqui a lista dos perdulários começa com o Botafogo. Nada menos do que R$ 29,3 milhões. Depois, o Fluminense R$ 25,5 milhões; Flamengo, R$ 12,4 milhões; Atlético Mineiro, R$ 9,9 milhões; Vasco, R$ 8,2 milhões; Palmeiras, R$ 7 milhões; Santos, R$ 6,3 milhões; Corinthians, R$ 6,3 milhões; Sport, R$ 6,1 milhões; Internacional, R$ 5,5 milhões; Grêmio, R$ 4,6 milhões; Ponte Preta, R$ 3,2 milhões; Avaí, R$ 2,6 milhões; Coritiba, R$ 2,3 milhões; Chapecoense, R$ 327 mil e Figueirense, R$ 19,9 mil.

As dívidas são pequenas diante do dinheiro que passa pelo caixa destes clubes. É aí que tudo fica mais indecente. Há um acordo velado para que a dívida não seja paga. Os dirigentes esperam que o FGTS seja incluído no refinanciamento 'materno' que o governo deve aprovar, se houver contrapartida. Os jogadores e funcionários lesados que esperem. É uma vergonha inaceitável.

São Paulo, Cruzeiro, Atlético Paranaense, Goiás e Joinville, neste caso, merecem aplausos. Pelo menos suas diretorias tiveram a decência de depositar o Fundo de Garantia como manda a legislação, que muitos dirigentes de clubes neste país adoram burlar...
21 1024x445 A mais hedionda dívida dos clubes com jogadores e funcionários. Deixar de recolher o fundo de garantia, o FGTS. A dívida já passa dos R$ 130 milhões. Omissos, governo e CBF nada fazem...

O Maracanã rejeita o Campeonato Carioca. Os inúteis estaduais estão morrendo. Deficitários, irrelevantes, só existem pela ditadura das federações. Mas um dia elas vão passar…

1reproducao19 O Maracanã rejeita o Campeonato Carioca. Os inúteis estaduais estão morrendo. Deficitários, irrelevantes, só existem pela ditadura das federações. Mas um dia elas vão passar…
"É de conhecimento geral a crise de atratividade dos campeonatos estaduais em todo o país. E não é a adoção de preços irrisórios que vai levar o torcedor de volta aos estádios. Considerando que cerca de 20% de todo o público tem acesso de forma gratuita ao estádio, 40% pagam meia-entrada e que 20% de toda a renda é destinada ao pagamento de INSS, federações e custos de arbitragem, caso fosse adotada uma precificação de R$ 20 para a inteira no Norte/Sul e R$ 40 a inteira no Leste/Oeste, todos os jogos já seriam deficitários, tanto para os clubes como para a concessionária.

Implantando-se o conceito de “meia-entrada universal”, esses prejuízos seriam, portanto, ainda mais acentuados, independentemente da quantidade de público que se conseguisse atrair.

Considerando jogos do Fluminense e Flamengo na Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Copa Sul-Americana, temos já um grande desafio de obtermos equilíbrio financeiro. A realidade é que não cabem num estádio de padrão internacional e com capacidade de 78 mil lugares jogos pequenos com baixíssimo potencial de atratividade de público como a grande maioria das partidas do atual Carioca.

Acreditamos que é hora de encarar a nova realidade de responsabilidade no futebol na qual alguém paga as contas. Quem pagará a conta do prejuízo líquido e certo com o Campeonato Carioca? A Concessionária? Os Clubes? A Federação? O Governo Estadual e/ou Municipal?"[EOdM1] 

Foi arrebatadora a postura do consórcio que administra o Maracanã. Não há interesse, necessidade, vontade de ter jogos do Campeonato Carioca no estádio mais importante do país. Verdadeiro cartão-postal do Rio de Janeiro, o novo estádio para 78 mil pessoas realmente é algo absurdo.

A média de público do Carioca em 2014 foi de 2.828 pessoas, ridículo perto dos 78 mil lugares do Maracanã. O consórcio assume que é muito melhor ficar de portas fechadas enquanto o Carioca for disputado. A decisão já estava sendo amadurecida pela Odebrecht Properties e a empresa americana AEG, responsáveis pelo estádio. Mas faltava coragem para o rompimento com o estadual.

2ae12 O Maracanã rejeita o Campeonato Carioca. Os inúteis estaduais estão morrendo. Deficitários, irrelevantes, só existem pela ditadura das federações. Mas um dia elas vão passar…

A oportunidade surgiu quando Eurico Miranda propôs, diante do esvaziado interesse do público, cobrar meia-entrada universal. Quem quiser acompanhar as partidas pagará metade do que seria cobrado.

R$ 5,00 nas partidas entre os clubes pequenos. Entre pequenos e grandes, o preço muda de acordo com o estádio. Se for em São Januário, por exemplo, custa R$ 15,00; no Engenhão haverá dois valores: R$ 20,00 para os setores atrás dos gols, R$ 30,00 para as arquibancadas centrais.

Nos confrontos entre grandes e pequenos no Maracanã, o bilhete deveria ser vendido a R$ 20,00 para os setores Norte e Sul, atrás dos gols. No meio do campo, nos setores Leste e Oeste, o valor passaria para R$ 40,00. Nos clássicos, o menor valor – atrás dos gols – é R$ 25,00 e o maior, no meio do campo, R$ 50,00.

Eurico pensou nas partidas às 22h , no meio de semana, exigência da grade da Globo. O preço dos ingressos ficará entre R$ 10,00 e R$ 20,00, em qualquer estádio.

Na hora da votação, a cizânia ficou estabelecida. Flamengo e Fluminense foram radicalmente contrários. Queriam os preços cheios. Meias para estudantes e idosos. Como um maestro, Eurico deu o voto do Vasco e conduziu o Botafogo e os pequenos. A proposta de redução venceu.

Mas aí chegou a inesperada postura do consórcio que administra o Maracanã. A Federação Carioca ficou desesperada. Inacreditável pensar no seu estadual sem o estádio. Chegou a hora de Eurico Miranda ficar ao lado do assustado presidente Rubens Lopes. E avisar publicamente que o Vasco nunca mais jogará no Maracanã como mandante. Seja em que torneio for. Bravata, chantagem, pressão, seja o nome que for, o consórcio não mudou a sua decisão. Não que o Campeonato Carioca na arena para 78 mil pessoas. Abre mão, sem drama, até dos clássicos.

Diante do impasse, a partida entre Fluminense e Friburguense, marcada para o Maracanã, foi transferida para Volta Redonda, neste domingo. Na primeira rodada do Carioca não haverá jogos no estádio.

4ae5 O Maracanã rejeita o Campeonato Carioca. Os inúteis estaduais estão morrendo. Deficitários, irrelevantes, só existem pela ditadura das federações. Mas um dia elas vão passar…

As direções do Flamengo e do Fluminense buscam uma maneira legal de cobrar mais nos seus jogos. O presidente Rubens Lopes avisou. Se algum clube procurar a Justiça para aumentar os ingressos será punido esportivamente.

Foi por essa razão que a direção do Fluminense divulgou uma nota. Cheia de ironias. Mas comparando a postura da Federação Carioca à dos generais que comandaram o Brasil durante o regime militar. Aqui o trecho em que o clube buscou ajuda na inspiração de Chico Buarque de Holanda.

"Embora a Federação pretenda instaurar o Ato Institucional número 5 no futebol carioca, não será o Fluminense Football Club o "subversivo" desta competição. Não é e nunca será este o nosso papel. Ao Fluminense sempre coube a vanguarda, no melhor sentido da palavra. Lembremos Chico Buarque: "Hoje você é quem manda, falou tá falado, não tem discussão." E termina a nota com um recado direto a Rubens Lopes. "Apesar de você, amanhã há de ser outro dia..."

Rubens convocou uma reunião entre os quatro clubes cariocas para amanhã. Com a desculpa de analisar o Carioca de 2017, ele tentará acertar as coisas para o estadual deste ano.

Na verdade, o que acontece é irreversível. Não há mais lugar no futebol moderno para os estaduais. São torneios que só servem para os times pequenos, prefeituras, presidentes de federações. A CBF ainda apoia porque os dirigentes são eleitos com os votos das federações. Para os grandes clubes e seus torcedores, os campeonatos são grande perda de tempo. Até a estupidez dos executivos da Globo um dia vai acabar. A audiência despenca a cada ano. Assim como a média de público.

Vale sempre a pena lembrar a média dos principais estaduais nesta terra chamada Brasil. Bastam os três últimos anos. Em 2012, o Gaúcho foi de 2.284 pagantes; o Mineiro, 3.581; Paulista, 6.122; Carioca, 3.058. Em 2013, Gaúcho, 2.219 torcedores; Mineiro, 6.451; Paulista, 6.217; Carioca, 2.422; 2014, Gaúcho, 2.379 pessoas; Mineiro, 4.257; Paulista, 5.675 e o Carioca, 2.828.

4ae6 O Maracanã rejeita o Campeonato Carioca. Os inúteis estaduais estão morrendo. Deficitários, irrelevantes, só existem pela ditadura das federações. Mas um dia elas vão passar…

Os clubes grandes são obrigados a disputar o torneio por suas federações. Caso tivessem coragem de recusar, seriam desfiliados. E não disputariam campeonato algum. Para aumentar o ridículo, os presidentes de federações buscam maneiras artificiais de preservar os campeonatos. Em São Paulo, só são aceitas 25 inscrições de jogadores 'de linha' e três goleiros. E ainda o reservado 'pedido' que os grandes coloquem a maioria dos seus titulares em campo. Isso seria uma média interessante. Se eles quiserem tomar empréstimos na FPF, como sempre fazem.

No Rio de Janeiro, é pior. O artigo 133 multa em R$ 50 mil o jogador, treinador ou dirigente que tiver coragem de falar mal do Campeonato Carioca. A multa cai para R$ 25 mil se o presidente do clube do jogador, técnico ou dirigente passar por um vexame e assumir por escrito a reclamação. Nem a Ditadura Militar faria algo tão grotesco.

Resta torcer para Chico Buarque estar novamente certo...

Enorme decepção no Corinthians. Tite e a diretoria não esperavam as juras de amor de Guerrero à Europa. Sua palavras à uma rádio espanhola podem fazer o clube desistir do peruano…

1ae24 Enorme decepção no Corinthians. Tite e a diretoria não esperavam as juras de amor de Guerrero à Europa. Sua palavras à uma rádio espanhola podem fazer o clube desistir do peruano...
"Eu quero continuar no Corinthians. Já falei isso mais de mil vezes. Está na mão da diretoria decidir. Por mim eu fico. Me sinto muito bem aqui."

"Minha intenção agora é voltar para a Europa. Minha intenção era ir depois do Mundial de Clubes (em 2012). Vim para ganhar e voltar para a Europa. Vieram opções, mas o Corinthians fechou as portas para todos."

Qual é o verdeiro Guerreiro? O que realmente o atacante peruano deseja? Onde está o foco do jogador: na Libertadores ou no seu retorno ao continente europeu? Será que disputará sem medo os aguerridos jogos da Pré-Libertadores contra o Once Caldas? Seus empresários já estão negociando com um clube europeu para que ele vá embora 'de graça' no meio do ano?

Estas são as perguntas que dominam o Corinthians. A revolta já começou na sala presidencial de Mario Gobbi. Ele é brigado com os empresários do jogador: Marcelo Goldfarb, Bruno Paiva e Marcelo Robalinho, sócios da Thinkball. O desgaste aconteceu na negociação envolvendo Dudu. Os agentes deixaram acertados salários e luvas do jogador com o ex-presidente Andrés Sanchez e o candidato Roberto de Andrade. Mas se sentindo desprestigiado, Gobbi recusou a transação. E o atacante foi parar no Palmeiras.

A Thinkball publicou uma nota em repúdio à postura do presidente corintiano. "Apenas desejamos ao Corinthians, em nome de sua grandeza e tradição, que o dia 7 de fevereiro (dia da eleição do novo presidente) chegue depressa ante ao processo latente de apequenamento que se dá dia após dia. Aguardamos a entrada da nova diretoria para podermos voltar a sentar à mesa e lembrar que estamos lidando com um clube glorioso e centenário."

A convivência ficou impossível. Gobbi quis saber, no ano passado, quanto Guerrero queria para renovar. Seu contrato termina em julho. A partir do dia 15 deste mês ele já pode acertar um pré-contrato com qualquer equipe. E o Corinthians não receberá um centavo. Se for para a Europa, Gobbi não precisa nem ser notificado.

Os empresários de Guerrero afirmaram que ele desejava luvas de 7 milhões de dólares, cerca de R$ 18 milhões. Mais salários de R$ 520 mil por um contrato de três anos. O Corinthians concordava com o salário e tempo de contrato. Só que aceitaria pagar, no máximo, cinco milhões de dólares, R$ 12,9 milhões.

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Com o desgaste envolvendo Dudu, as conversas ficaram suspensas. Gobbi não quer nem ver o rosto dos empresários do jogador. E orientado por eles, o atacante peruano não negocia sozinho com os dirigentes corintianos. A ordem dos seus agentes é esperar a eleição no clube, dia 7 de fevereiro. E negociar com Roberto de Andrade, favorito à vitória, e muito próximo dos empresários. Há uma certa rejeição a Roque Citani, candidato da oposição.

Aos trancos e barrancos, a situação estava sendo suportada. Até porque, nas curtas entrevistas que dava para a imprensa brasileira, Guerrero jurava que desejava seguir no Corinthians. Não aventava a possibilidade de voltar à Europa. Sua fidelidade era exemplar. O que só aumentava a pressão dos conselheiros e membros da diretoria para a renovação.

A revelação da entrevista à rádio espanhola pegou todos de surpresa. O constrangimento é geral. Não há como o atacante dizer que foi mal interpretado. Colocar o culpa no jornalista que o entrevistou. Tudo foi gravado. E divulgado.

Pior, o atacante deu essa entrevista depois que vazaram rumores que o Hamburgo, sua ex-equipe, estaria interessada na sua volta para disputar a próxima temporada. Ele e seus agentes estariam costurando o retorno para lá.

"Paolo Guerrero tem contato com clubes do futebol alemão. Ele quer voltar para lá. Seu contrato termina no meio do ano e há possibilidades de assinar o Hamburgo", disse o ex-jogador Thomas Vogel à revista Bild. Vogel garantiu que trabalha junto com os empresários do atacante. O que foi, a princípio, negado pelos agentes brasileiros.

Os jornais do Peru insistem no retorno do jogador à Europa desde a semana passada. Nos últimos dias, o tom de certeza vem aumentando. Enquanto isso, no Corinthians, os boatos de que o clube estaria buscando um substituto para o artilheiro crescem. Nomes são lançados ao ar todos os dias. Vão desde Hernani até Vagner Love.

Tudo está muito estranho. Fazendo jogo de cena ou não, o ex-presidente e mentor de Roberto de Andrade, Andrés Sanchez, deu entrevista à rádio Bandeirantes em dezembro. E confirmou que, na opinião dele, Guerrero teria de abaixar sua proposta. Ou então seria melhor liberá-lo.

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Tite e Roberto de Andrade são os grandes defensores da permanência do atacante no Corinthians. Pelo menos até ficarem sabendo da entrevista à rádio espanhola. O peruano falou algo completamente diferente do que vem repetindo desde novembro de 2014. E mais: constrangeu o clube quando garantiu que o Corinthians fechou todas as portas para sua volta à Europa.

Guerrero foi ainda mais direto em outro trecho da entrevista à rádio europeia. Perguntado se poderia atuar na Espanha e não na Alemanha onde já atuou, o atacante se mostrou muito oferecido. Estaria disposto a jogar em qualquer país europeu. "Qualquer uma dessas ligas são tentadoras. Ainda estou em pré-temporada, estou tranquilo. Há possibilidades. Para mim, é sempre tentador estar em uma liga competitiva."

Para os poucos adeptos de Mario Gobbi no Corinthians, a máscara caiu. Para eles ficou claro que Guerrero não tem amor algum ao clube. Pelo contrário. Ele está interessado é em voltar à Europa. Disse com todas as letras que ficou no Parque São Jorge forçado por seu contrato.

A entrevista também pegou mal para Roberto de Andrade, Andrés e Tite. Roque Citadini nunca foi apaixonado pelo atacante. Ele terá de se explicar. Ou então assumir que deseja ir mesmo embora do Corinthians. O amor incondicional, de muita gente no Parque São Jorge, ao peruano acabou hoje. Suas palavras podem fazer com que o clube desista até de tentar a renovação de contrato.

Afinal ninguém sabe afirmar. Qual é a verdadeira vontade de Guerreiro? Por que ele fala uma coisa para repórteres brasileiros e outra, completamente diferente, aos europeus?
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Erro inacreditável do presidente Mario Gobbi expõe o Corinthians. O time de Tite na Pré-Libertadores depende de Felipe. O inseguro zagueiro que estava na lista de dispensas de 2014…

1agenciacorinthians3 Erro inacreditável do presidente Mario Gobbi expõe o Corinthians. O time de Tite na Pré Libertadores depende de Felipe. O inseguro zagueiro que estava na lista de dispensas de 2014...
Tite avisou a direção do Corinthians. Não podia perder Anderson Martins. Não pelo talento exagerado do zagueiro. Mas porque não havia no elenco um jogador experiente, vivido, para disputar a Libertadores da América. E na defesa, o técnico não abre mão de atletas "com o couro marcado". Principalmente à frente de Cássio. Gil é incontestável. Pelo planejamento, Anderson Martins seria o outro.

Só que o treinador não contava com a estúpida cláusula do empréstimo do Al-Jaish. O clube catariano o cedeu com uma ressalva. Se o desejasse de volta no início do ano, não haveria discussão. O Corinthians teria de aceitar. Foi o que aconteceu. De uma hora para outra, Tite ficou sem seu zagueiro titular, que começava a se encaixar com Gil.

A pedido dele, o Corinthians sondou Cléber. O antigo titular que, em outra negociação absurda, foi para o Hamburgo sem render um centavo ao Parque São Jorge. Na Alemanha ele está com dificuldade para se firmar como titular. Tite sabia disso. E pediu para a direção tentar seu retorno. Não houve liberação por parte dos germânicos.

Foi quando o gerente Edu Gaspar soube que Edu Dracena iria se desligar do Santos. Tinha três meses de salários e quatro de direito de imagem atrasados. Foi fácil garantir a prioridade. E assim que o veterano de 33 anos acertou sua liberação, acertou com o Corinthians.

Fisicamente ele já estava atrás dos demais companheiros. Não fez a pré-temporada nos Estados Unidos. O que já estava ruim piorou ontem com uma entorse no tornozelo direito. Ficou clara a sua disposição, vontade de jogar. Mas ele precisa de mais treinamentos. E não deverá jogar na fundamental primeira partida da Pré-Libertadores contra o Once Caldas no Itaquerão. Confronto marcado para daqui sete dias.

1ae23 Erro inacreditável do presidente Mario Gobbi expõe o Corinthians. O time de Tite na Pré Libertadores depende de Felipe. O inseguro zagueiro que estava na lista de dispensas de 2014...

Quem será o companheiro de Gil no miolo de zaga? Um jogador que não tem a confiança de grande parte da diretoria, dos conselheiros, da torcida. E que estava na lista de dispensa que Mano Menezes havia elaborado para seu amigo, Mario Gobbi: Felipe.

O zagueiro foi contratado do Bragantino em 2012. E não conseguiu se impor no Parque São Jorge. Virou apenas um pacato reserva que nunca foi sombra para os titulares. Parece que deixou toda a firmeza e parte da personalidade forte em Bragança. Marco Chedid, presidente do clube interiorano, garantia que Felipe tinha potencial para chegar à Seleção jogando com a camisa corintiana.

Mas ele não conseguiu transformar em realidade a previsão de Chedid. Até agora se deixou intimidar pelas cobranças, pressão e responsabilidade por atuar no clube mais popular de São Paulo.

O mais cruel é que um jogador de futebol percebe quando o seu ambiente não é favorável. Quando as pessoas desconfiam profundamente do que possa fazer em campo. Infelizmente para Felipe é o que acontece com ele. Tite já teve várias conversas reservadas. Insistiu que aposta e que o escala como titular sem medo.

5ae2 Erro inacreditável do presidente Mario Gobbi expõe o Corinthians. O time de Tite na Pré Libertadores depende de Felipe. O inseguro zagueiro que estava na lista de dispensas de 2014...

Neste início de 2015, o caminho estava aberto para o jogador. Os companheiros mais experientes, Cássio, Ralf, Fábio Santos e, principalmente, Gil tratam de animá-lo, incentivá-lo. Tentam passar confiança, firmeza. De personalidade afável, ele é muito querido no elenco. Só dependia do seu futebol.

Mas logo no torneio da Flórida, Felipe mostrou a sua velha companheira com a camisa corintiana: a insegurança. O gol de Peszko do Colonia nasceu do seu péssimo posicionamento com Gil. No gol do Bayer Leverkusen, quem ficou para trás antes da batida de Yurchenko? Sim, Felipe. Nas duas partidas, ele foi o calcanhar de Aquiles do time. Chegando atrasado em cruzamentos, se colocando mal e sendo facilmente driblado.

O Once Caldas não é mais o melhor time da Colômbia. Mas o espião corintiano, o ex-jogador Mauro, já avisou Tite que o grande perigo é a velocidade dos seus atacantes. Ou seja, a zaga precisa estar muito bem protegida.

Com Edu Dracena mal fisicamente, Felipe não tem concorrentes. Yago e Pedro Henrique são atletas jovens. O treinador corintiano nem pensa em colocá-los neste confronto na Libertadores.

3ae6 Erro inacreditável do presidente Mario Gobbi expõe o Corinthians. O time de Tite na Pré Libertadores depende de Felipe. O inseguro zagueiro que estava na lista de dispensas de 2014...

A saída será mesmo apostar em Felipe na próxima quarta-feira. O treinador manterá o mesmo time que estreia no Paulista contra o Marília, no domingo, na Libertadores.

A incompetência administrativa de Mario Gobbi jogou o futuro do Corinthians nos pés do inseguro zagueiro de 25 anos. É absurdo, mas o Corinthians apostou na sorte. Acreditava que o time catariano não levaria Anderson Martins de volta. Mesmo existindo essa possibilidade em contrato. Pagou para ver. Acreditou que a vontade do atleta de disputar a Libertadores acabaria prevalecendo. Foi só os árabes ameaçarem levar o caso para a Fifa e o jogador estava fazendo as malas.

Fazer uma excelente Libertadores é obrigação para o Corinthians em 2015. Obrigação porque o clube está amarrado financeiramente ao Itaquerão. Precisa começar efetivamente a pagar o estádio de mais de R$ 1 bilhão. Gobbi sonha com dezenas de milhões de reais com o clube chegando, pelo menos à semifinal.

Mas se arrisca a não passar da Pré-Libertadores por um problema gravíssimo no elenco. Com muito otimismo, Tite prevê que Edu Dracena possa atuar contra o Palmeiras no Paulista e fazer o jogo decisivo diante do Once Caldas na Colômbia. Para chegar aliviado na partida decisiva da Pré-Libertadores, o confronto da próxima quarta-feira é fundamental. E o resultado passará, sem dúvida alguma, por uma posição fundamental: a zaga corintiana. Ou seja. Por Felipe.

Ninguém assume publicamente a enorme preocupação em relação ao jogador. Mas internamente, conselheiros e dirigentes estão muito preocupados. Sabem do gravíssimo erro de Mario Gobbi em relação à liberação de Anderson Martins. Como ele não queria a volta de Tite e, sim a continuação de seu amigo Mano, não houve diálogo entre o presidente e o treinador. Pior para a equipe. A responsabilidade de Felipe ficou imensa. O Corinthians brinca com fogo...
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Bolsa de estudo. Promoção e muito prestígio na Gaviões. Os prêmios para Helder Alves Martins, o menor que assumiu ter matado Kelvin Spada em 2013. O processo foi arquivado, não existe mais. Brasil é o país da impunidade…

1reproducao18 768x1024 Bolsa de estudo. Promoção e muito prestígio na Gaviões. Os prêmios para Helder Alves Martins, o menor que assumiu ter matado Kelvin Spada em 2013. O processo foi arquivado, não existe mais. Brasil é o país da impunidade...
Revoltante é a palavra que mais se aproxima do resumo da situação. No dia 20 de fevereiro de 2013, o menino boliviano Kevin Spada ganhou a permissão do pai para realizar o 'sonho de sua vida', como dizia. Iria assistir à partida do time do seu coração, o San José em Oruro. Contra o então campeão mundial, o Corinthians. Diante de sua empolgação juvenil, o pai Limbert o liberou. Acreditou que estava fazendo a felicidade de Kevin.

Jamais imaginaria que um sinalizador esfacelaria o cérebro de seu filho. Cairia morto diante dos amigos que o acompanhavam na partida. Os detalhes terríveis não saem da lembrança da família do garoto. O foguete, usado para iluminar pontos no alto-mar tem a potência dez vezes maior que os sinalizadores comuns. Atingia inacreditáveis 300 quilômetros por hora. Chegaria a 600 metros.

Mas disparado das organizadas do Corinthians, atingiu Kevin ainda quando ganhava velocidade, força. A violência do impacto no rosto do menino foi impressionante. Perfurou seu olho direito e implodiu seu cérebro. A princípio, a polícia boliviana, pensou que havia sido um tiro de fuzil, tal o estado que ficou Kevin.

O que aconteceu em seguida mostrou porque somos dignos representantes do Terceiro Mundo. Visto por europeus e norte-americanos como um continente atrasado, sem lei, onde vigora a impunidade. Primeiro incompetentes policiais bolivianos não revistaram os torcedores que foram ao estádio de Oruro. As organizadas corintianas entraram com sinalizadores sem o menor problema.

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Depois, com o garoto de 14 anos morto, havia a necessidade de punição. A polícia prendeu  ao acaso 12 membros das organizadas. Sem prova alguma que sequer um deles tivesse realmente participado do assassinato. A lógica dos defensores da lei foi criminosa. Apenas um torcedor disparou de forma irresponsável o sinalizador. Outros 11, no mínimo, seriam inocentes. Mas, no cárcere, acabariam confessando. Incompetentes, as autoridades bolivianas estavam mais para sequestradoras do que para policiais. Por mais raiva que as organizadas corintianas pudessem despertar naquele episódio, foi uma violência o que aconteceu.

Dos detidos, nove pertenciam à Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians, e três à Pavilhão Nove. As uniformizadas mostraram um poder de organização assustador. Logo três advogados, inclusive um especializado em direito internacional, assumiriam o caso. Vereadores, deputados estaduais, federais, senadores, ministros e até o ex-presidente Lula se juntaram para libertar os corintianos. Na cadeia, havia orelhão e os 12 acusados se divertiam jogando futebol.

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Nem a alta tecnologia existente conseguiu definir quem disparou o sinalizador. Quando houve essa certeza, por incrível coincidência, a Gaviões da Fiel apresentou aquele que seria o assassino acidental. Foi apresentado no Fantástico. Na época, H.A.M. de 17 anos.

Por força do acaso, menor, ele não poderia ser extraditado à Bolívia. Lá a maioridade começa a valer aos 16 anos. Correria o risco de pegar até 30 anos pelo crime que jurou ter cometido. No Brasil, o máximo que sofreria seria ter de passar até três anos na Fundação Casa. Mas, como tinha residência fixa e morava com os pais não ficaria internado. Talvez tivesse de dormir na instituição por um ano ou alguns meses. Depende de como o processo fosse julgado.

A família de Kevin e a opinião pública boliviana e grande parte da brasileira se revoltaram. Era tudo muito conveniente. As organizadas apresentaram um menor como autor do crime. Sem prova alguma. A não ser seu depoimento dúbio. Não havia provas materiais. Nenhuma testemunha, mesmo ele tendo participado da caravana. E ficado ao lado de centenas de corintianos no estádio. Por ser menor, sua pena no Brasil seria branda demais para um crime tão hediondo.

O experiente repórter criminal da TV Globo Valmir Salaro, escalado para entrevistar H.A.M., não deu sequência ao caso. De maneira muito estranha, deu tudo por encerrado. Os advogados da Gaviões da Fiel proibiram o menor de dar entrevista. Mas seu nome não foi esquecido. Logo vazou que a maior torcida corintiana havia prometido uma bolsa de estudos ao menino de 17 anos. Um prêmio por ter se delatado.

E ele mereceu. Diante da confissão e da pressão internacional, a tosca polícia boliviana teve de libertar os 12 membros das organizadas. Eles foram recebidos como heróis na volta a São Paulo. Logo alguns deles se envolveriam em brigas, crimes, roubos. O que já foi muito divulgado.

O caso foi arquivado no Brasil. Não existe mais. A confissão de H.A.M. de nada valeu. "O processo foi arquivado há cerca de 15 dias, por falta de indícios de materialidade. Acabou, zerou tudo", comemorava o advogado Davi Gebara Neto, muito bem pago pelas organizadas. O Corinthians pagou R$ 113 mil à família do menino. O presidente da CBF, José Maria Marin, prometeu que a arrecadação do amistoso entre Bolívia e Brasil seria dos parentes de Kevin.

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O jogo rendeu cerca de R$ 1 milhão. A Federação Boliviana repassou apenas R$ 42 mil, alegou que teve gastos na organização da partida. "Prevaleceu a injustiça, a humilhação, a impunidade. Perdi meu filho e ninguém foi punido de verdade. É uma lástima. Me causa muita revolta", desabafou.

Mas e H.A.M.? O tempo passou e ele não é mais menor. Seu nome pode ser divulgado. Ele se chama Helder Alves Martins. O fim do sigilo se deve a Marcelo Duarte. No seu blog, mais detalhes que deixarão ainda mais depressiva a família de Kevin Spada.

Não passou de boato a história que ele teria sido afastado da Gaviões. Os sócios não queriam conviver com ele pela morte de Kevin. Pelo contrário. Helder foi promovido. É responsável pelo setor de bandeiras na torcida. E mais. Acabou premiado. Ele que sempre estudou em colégios públicos, teve o privilégio de terminar o Ensino Médio no colégio particular, o Drummond no Tatuapé. A mensalidade de R$ 510,00 não foi cobrada. Ele ganhou a bolsa da Gaviões. Ela foi repassada à organizada pela escola. Helder estudou com outros cinco jogadores do Corinthians.

Havia a promessa da organizada pagar a faculdade. E seria assim. Começou a estudar gratuitamente automação industrial, na própria Drummond. Abandonou no primeiro semestre, por achar as contas difíceis. Ele assume: detesta estudar. Está desempregado. Mora no Parque do Gato, conjunto habitacional de baixa renda. Aos 19 anos, sua maior preocupação é seguir o Corinthians. Cuidando do setor das bandeiras da Gaviões. Afirma que está quase todos os dias na quadra da organizada.

Diz que adora caravana. Afirmou na matéria que conheceu quase todo o Brasil com a Gaviões. E também a Argentina. Mesmo querendo se mostrar um turista, não citou em momento algum a Bolívia. Como se estivesse esquecido que esteve lá. Muito estranho.

O que fica latente é o exemplo. A punição de criminosos existe para mostrar às demais pessoas o que não fazer. Um menino de 14 anos morreu pelo pecado de ter ido assistir a uma partida de futebol. Ninguém foi punido. O criminoso confesso ganhou bolsa de estudo e foi promovido na torcida organizada da qual faz parte.

O caso Kelvin Spada premia a impunidade da pior espécie. E as mortes continuam parceiras do futebol. 2015 começa com a notícia que um torcedor de 23 anos foi morto. Corintiano e membro da Gaviões, Felipe Augusto Oliveira teria sido capturado após uma festa, sábado no Anhembi, por membros de organizadas palmeirenses no sábado à noite. E espancado até a morte. Seria uma vingança pela morte de André Alves Lezo, de 21 anos, e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira, assassinados por corintianos, em março de 2012. Já há a promessa de vingança por Felipe.

É uma insanidade. Estimulada pela omissão das autoridades. O Brasil é o país da impunidade. Para revolta da família de Kevin Spada e de tantas outras que perderam seus filhos estupidamente...
4ae3 Bolsa de estudo. Promoção e muito prestígio na Gaviões. Os prêmios para Helder Alves Martins, o menor que assumiu ter matado Kelvin Spada em 2013. O processo foi arquivado, não existe mais. Brasil é o país da impunidade...

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