
A angústia do primeiro jogo de dois eliminatórios.
Vasco, Corinthians, São Paulo, Goiás, Palmeiras, Atlético...
Vitória, Coritiba, Libertad e Universidad de Chile...
Cada um deles com um plano diferente para sobreviver.
A começar pelo Vasco.
Cristóvão e seus experientes jogadores sabem que hoje é o dia.
Usar o caldeirão de São Januário para vencer o Corinthians, de qualquer jeito.
Um gol de vantagem está excelente.
Tite deixou escapar que não desejava confronto com times brasileiros antes da final.
O motivo todo torcedor de arquibancada sabe.
E os vascaínos também.
Quando o time pisa no Pacaembu precisando da vitória para não ser eliminado é uma agonia.
A Libertadores é o campeonato dos sonhos e do desespero para corintianos.
O torneio tira os torcedores e dirigentes do sério.
O ambiente fica insuportável.
O time acaba transpirando não suor, mas medo.
"Foi como nós eliminamos o Corinthians.
Sabíamos que nosso time era mais fraco, só que eles travariam.
E travaram mesmo no Pacaembu, com Ronaldo, Mano e tudo mais."
Esta a explicação de Vagner Love lembrando do que aconteceu na Libertadores de 2010.
As equipes brasileiras costumam tirar vantagem do trauma.
Assim, Cristóvão preparou seu time para resolver a situação hoje.
Mesmo sem Dedé, melhor zagueiro do País, vai abrir seu time.
Nenhuma equipe tem tanta massa encefálica.
Juninho Pernambucano e Felipe compensam em neurônios os muitos anos.
Caberá aos dois ditarem o ritmo do jogo.
E fazer com que Diego Souza e Éder Luís abram espaço para Alecsandro resolver.
Fágner e Thiago Feltri também estão liberados para jogar como pontas.
A ordem é conseguir a vitória de todo o jeito.
Plano exatamente contrário ao de Tite.
Não foi por acaso que o treinador não deixará um atacante fixo.
Seu sonho é ver seu time se comportando como o Barcelona de Itaquera.
Com Danilo, Alex, Jorge Henrique e Emerson trocando passes e posições.
Fazendo com que o Corinthians acabe com o ímpeto vascaíno tocando a bola.
De pé em pé para deixar o ritmo lento, procurando espaços na fraca defesa carioca.
Não haverá pressa.
Muito pelo contrário.
Tite não pensa na história mais batida da Libertadores.
Perder marcando gols é interessante para quem decide em casa, na próxima rodada.
Pode ser para todos os outros times, menos para o Corinthians.
Derrota em Libertadores significa um pé no Apocalipse.
É proibido sonhar com a postura ofensiva que o time adotou no México, contra o Cruz Azul.
Será muito mais próxima da contra o Emelec no Equador.
O sonho é travar o advesário fora e matar em casa.
Simples assim.
Um empate seria considerado maravilhoso.
A maior chance de vitória paulista será nas bolas aéreas.
O treinador sabe que é o caminho diante de Renato Silva e Rodolfo.
Escanteios e faltas laterais serão a válvula de escape.
Mais do que as bolas levantadas por Alex, o grande medo em São Januário tem nome e sobrenome assustadores.
Sandro Meira Ricci.
Ninguém o queria neste jogo.
Foi uma teimosia de Sérgio Correa.
A sorte está lançada.
No Morumbi, a dupla caipira Leão e Paulo Miranda são as estrelas.
O treinador resolveu enfrentar a diretoria e o bom senso.
Escalou o zagueiro que foi afastado das partidas contra a Ponte por Juvenal Juvêncio.
Quis mostrar que manda na escalação do time, mesmo com a direção não querendo o retorno do jogador.
Leão está por sua conta e risco.
Ele tem contas para acertar com o campeão goiano.
O Goiás foi a última equipe que treinou antes de ser aposentado compulsoriamente.
Saiu de lá brigado com a direção.
Ouviu que estava acabado para o futebol.
Passou um período no exílio até que Juvenal o resgatou.
E o vaidoso técnico quer mostrar o quanto estavam errados os dirigentes do Planalto Central.
Colocará o São Paulo para matar a decisão no primeiro jogo.
Todo escancarado no ataque.
Só Denílson protegendo Paulo Miranda e Rhodolfo.
Casemiro, Cícero, Jadson, Lucas e Luís Fabiano na frente para limpar a honra de Leão.
Douglas e Cortez estão liberados para atacar.
Ao mesmo tempo, se precisar.
Será a certeza de muita emoção e pouca razão no Morumbi.
O Goiás de Enderson Moreira não é ingênuo.
Muito pelo contrário.
É um time de muita pegada, marcação no meio de campo.
E velocidade no contragolpe.
Enderson até que está gostando dessa ansiedade são paulina.
Seu plano de jogo busca explorar exatamente essa correria desenfreada que Leão quer.
Ele sabe o quanto o time paulista se desmancha taticamente quando ataca.
E vem preparado para contragolpes cirúrgicos.
Acredita ser o segredo para mostrar à direção do seu clube que estava certa.
Não adianta ter um técnico do Sudeste famoso e ultrapassado.
Leão quer acabar com as quartas de final da Copa do Brasil hoje.
Enderson também.
Cada qual de sua maneira.
Em Curitiba, o medo entra em campo com o Palmeiras.
Luiz Felipe Scolari não se esquece dos 6 a 0 contra o Coritiba.
O Atlético Paranaense de Carrasco não tem o toque de bola e nem a eficiência ofensiva do time de Marcelo Oliveira de 2011.
Mas é uma equipe ferida, raivosa.
O rebaixamento no Brasileiro de 2011 empurrou o clube para a Série B.
Houve uma reestruturação profunda.
O time joga a Copa do Brasil para resgatar o orgulho.
Está mais atormentado por perder o Paranaense na decisão por pênaltis.
Quer usar o Palmeiras para se vingar.
O treinador uruguaio sabe que terá pela frente uma equipe famosa.
Mas limitada.
Vai usar a força, a virilidade para tentar ganhar bem o jogo.
Sabe da insegurança de Maurício Ramos e Leandro Amaro em qualquer cruzamento.
O Atlético tem seu Marcos Assunção: Paulo Baier.
Será um duelo de bolas aéreas.
Manoel e Renan Foguinho se viram um pouco melhor.
O time paranaense sabe que depois da Copa do Brasil virá o ostracismo.
A dureza da Série B.
E faz da competição o seu torneio do ano.
Luiz Felipe sabe que está em contagem regressiva no Palmeiras.
Não renovará seu contrato nem sob tortura.
E quer tirar o trauma de Curitiba.
Escapar de outra humilhação.
Com um time tão sem esperanças quanto o de 2011, ele vai tentar se defender no Paraná.
E rezar para que o inconstante Valdivia esteja disposto e em um bom dia.
O pior custo/benefício do futebol brasileiro estará de novo com a camisa 10 verde.
Banido da Seleção Chilena, cabe a ele ser o articulador dos contragolpes verdes.
E tentar levar a bola para Barcos, que mostra uma enorme dificuldade contra times bons.
Foi o rei contra equipes de aluguel no Campeonato Paulista.
Resumo da ópera, o Palmeiras jogará em Curitiba para escapar de um novo vexame.
E o Atlético quer se vingar do mundo e aproveitar os holofotes diante do time do angustiado Scolari.
O Vitória perdeu a hegemonia do futebol baiano no domingo.
E tem de reagir.
Na sua casa contra o Coritiba, campeão paranaense.
O time passa pelo ridículo.
Insiste com Paulo César Carpegiani.
O técnico que aceitou a proposta, mas teve de voltar atrás.
Sua mulher não queria que trabalhasse em Salvador.
O treinador mandou avisar que mostrou quem manda em casa.
Conseguiu a carta de alforria e deve assumir o clube.
Tristes dirigentes que dependem de uma crise entre marido e mulher para seguir em frente.
O eterno interino Ricardo Silva sabe que o empate em casa é interessante.
A começar por não poder escalar o goleiro Renan, machucado.
Douglas, o vilão da decisão do Baiano, continuará no time, apesar do protesto da torcida.
Pedro Ken e Uelliton foram suspensos na partida de eliminação do Botafogo.
Romário, Nino Paraíba e Léo continuam machucados.
O Vitória estará desfigurado, abatido pela perda do título para o Bahia.
E com Ricardo Silva de saída.
A sempre empolgada torcida baiana está insatisfeita com o clube na Série B novamente.
O lado psicológico da partida pende para o lado do Coritiba.
Com a conquista do Campeonato Paranaense, no domingo, Marcelo Oliveira está empolgado.
Quer conquistar a competição que foi vice em 2011.
O estilo de toque de bola em velocidade não mudou.
Os deslocamentos, as infiltrações e, principalmente, as triangulações fazem do Coritiba uma das equipes mais modernas do País.
Além disso tem Everton Ribeiro em ótima fase.
Mesmo sem a regência de Theco, o Coritiba é franco favorito hoje em Salvador.
Tem tudo para deixar bem fácil a situação na partida de volta das quartas no Paraná.
Já Libertad tem na violenta torcida paraguaia a sua maior arma contra a Universidad de Chile.
Os chilenos tem uma equipe de toque de bola, a ponto de ser batizada de Barcelona da América do Sul.
Vendeu jogadores importantes e fragilizou seu sistema defensivo.
A Universidad foi goleada pelo Deportivo Quito, mas deu a volta por cima.
Foi sensacional...
A velocidade é o ponto forte do Libertad neste primeiro confronto das quartas da Libertadores.
Enquanto a equipe andina tentará impor seu toque de bola.
Jogo muito interessante e imprevisível.
A noite desta quarta-feira será fundamental para o destino destes dez times em 2012.
Mostrará toda a importância do primeiro jogo de dois eliminatórios.
E que muita coisa já está decidida quando começa o segundo...