Immobile 131117 250x300 A Itália, que nos deu o tri e o tetra, não vai à Rússia

Immobile: desalento no San Siro

E não é que a Itália será a única seleção campeã do mundo – aliás, quatro vezes campeã – que não disputará a Copa na Rússia?

Depois de ficar em segundo lugar no Grupo G das Eliminatórias Européias e  perder para a Suécia por 1 a 0 em Estocolmo o primeiro jogo da repescagem, a Azzurra empatou há pouco por 0 a 0 em Milão e, repetindo o que aconteceu em 1958, está fora da Copa do Mundo.

Em entrevista recente ao Corriere dello Sport, o zagueiro Giorgio Chiellini, destaque da Juventus e figurinha carimbada da Azzurra desde o Sub-15, foi buscar na Catalunha a culpa pelo fracasso italiano:

- O guardiolismo arruinou toda uma geração de zagueiros. Agora, todos olham para os atacantes, já não há defesas italianas que intimidem os adversários. Estamos perdendo nossa tradição. Nunca teremos o tiki-taka da Espanha. No ano passado, fui criticado por dizer que a Juventus nunca venceria por 6 a 0, como o Real Madrid. Para voltar à elite do futebol mundial, a Itália precisa de novos defensores sérios.

Ironicamente, a Espanha foi a primeira colocada em seu grupo das Eliminatórias, empurrando a Itália para esta trágica repescagem com os suecos.

Chiellini deveria mandar a conta da frustração italiana para seus atacantes, que tiveram 180 minutos para fazer pelo menos um golzinho nos suecos e não saíram do zero.

O desalento mostrado pelo artilheiro Immobile no gramado do San Siro após o 0 a 0 é o retrato mais fiel da impotência ofensiva do atual futebol italiano.

O problema não é dos defensores.

Os muito supersticiosos poderão festejar por aqui a lembrança de que a Copa de 1958 rendeu ao Brasil o seu primeiro título mundial. Por que, coincidentemente, a de 2018 não lhe renderia o sexto?

Para quem acredita em assombração, vale relembrar outra coincidência. A Itália que sucumbiu diante da Irlanda do Norte no dia 15 de janeiro de 1958, perdendo por 2 a 1, contava com o brasileiro Dino da Costa, jogador da Roma e autor do gol em Belfast. Foi o seu único jogo pela Azzurra. E a Itália que acaba de tropeçar no 0 a 0 com os suecos contou pela primeira vez com o brasileiro Jorginho, destaque do Napoli.

Melhor seria, porém, ver o Brasil de Tite repetir as façanhas da Seleção em 1970 e 1994, quando conquistou o tri e o tetra em decisões históricas com a Itália, né? Esqueçamos a decepção de 1982!

A Copa ficou mais pobre, não há dúvida. Não é o futebol da Azzurra que fará falta na Rússia, mas a sua aura de tetracampeã do mundo.

E, aos 39 anos, certamente o mitológico Gianluigi Buffon, campeão mundial em 2006, merecia despedir-se de maneira menos decepcionante após 175 jogos pela Azzurra. Nenhum jogador europeu fez tantos jogos pela seleção de seu país!

A Copa do Mundo de 2018 seria a sexta de Buffon, reserva de Gianluca Pagliuca em 1998 e titular nas quatro edições seguintes. O goleiraço da Juve seria o primeiro jogador  a participar de seis Copas do Mundo.

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