Pan: Faltam 350 dias para o show

Com o final da Copa o assunto do esporte passou a ser os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro e a Olimpíada no Brasil é assunto em todo mundo, mas vamos com calma. Entre os dois maiores eventos do planeta temos os Jogos Pan Americanos de Toronto no ano que vem.

Com a lição aprendida nos Jogos Olímpicos de 1976 que aconteceram em Montreal os quais só tiveram sua bilionária conta liquidada mais de trinta anos depois, o Canadá fez um cuidadoso planejamento tanto em infra-estrutura como na questão orçamentária e vem mostrando excelentes resultados na organização. Lições que doem no bolso são ótimos remédios e, normalmente, mostram bons caminhos para o futuro.

Instalações que podem ser acompanhadas por câmeras via web mostram o andamento das obras. Preocupação com a destinação das instalações e um equilíbrio financeiro típico dos canadenses mostra que o Pan de 2015 está andando muito bem e tudo ficará pronto com tempo de sobra. A expectativa para o publico é de um grande evento e isso tudo traz ingredientes que permitem prever um show de transmissão.

A apresentação do Planejamento do Time Brasil para os Jogos do Rio em 2016 dá uma ótima base de analise do que poderá ser o desempenho dos atletas brasileiros no Pan de 2015 em Toronto.

Os investimentos é o maior da história do esporte brasileiro e podem chegar a 1,3 bilhão de reais que traz consigo a responsabilidade de resultados. Essa parte vem sendo plenamente atendida já que o ano de 2013 foi o maior da história do desporto nacional e além dos resultados nas modalidades tradicionalmente fortes, o Brasil está surpreendendo em esportes até então pouco praticados e que não tinham resultados expressivos.

Se a meta para os Jogos Olímpicos do Rio é de 27 medalhas no total, o que pelo critério de números absolutos de pódios nos colocaria entre os dez primeiros, para o Pan, essa preparação pode trazer um resultado geral fantástico, que permita ao Brasil um forte aval técnico para a Olimpíada de 2016.

A meta olímpica já foi superada em números pelos resultados obtidos no ano passado. Foram 28 pódios, sendo oito títulos mundiais. Claro que numa Olimpíada a ser disputada em casa, fatores externos entram nos campos, quadras e piscinas, mas a progressão dos resultados dos atletas brasileiros permite uma projeção bastante positiva.

Em agosto teremos na China, na cidade de Nanquim o desfile das mais novas estrelas do esporte brasileiro. Os Jogos Olímpicos da Juventude. Dali alguns talentos passarão a realidades e irão carimbar suas idas ao Pan de Toronto e de lá, quem sabe, Rio 2016.  Isso mostra mais uma importância do Pan: integrar jovens atletas aos mais experimentados numa competição de alto nível. Esse rito de passagem tem exceções, é claro, mas vale para a grande maioria dos atletas.

Resultado sempre é fruto de talento, mas vale sempre lembrar que talento rima com planejamento e essa rima é fundamental para o sucesso no esporte.

Vôlei: Brasil é vice

A Liga Mundial termina para o Brasil com um bom prenúncio para a seleção brasileira. Depois de uma difícil fase classificatória onde a equipe se encontrou apenas na última rodada contra a Itália, o vice campeonato é um prêmio para o grupo de Bernardinho.

Poucos poderiam imaginar que após as primeiras rodadas de classificação contra Itália, Polônia e Irã disputadas aqui no Brasil e onde a equipe conquistou apenas duas vitórias em seis partidas jogando de uma maneira irregular e, por vezes, irreconhecível.

Sem Murilo nas melhores condições e sem o libero Serginho, o Brasil sofreu muito para ter uma linha de passe e a irregularidade neste fundamento junto com os muitos baixos e poucos altos no saque relegaram a seleção brasileira a uma situação bem difícil de ser revertida e pior, ao final das rodadas aqui disputadas, o time foi para o Irã desfalcado das meninas da estatística parte fundamental do trabalho em qualquer situação, mais ainda quando a equipe não está bem. Mesmo com eventuais substitutos na área já que mulheres não são permitidas em ginásios com competições masculinas nas terras iranianas, foi no segundo jogo lá disputado que a vitória por 3x2 nos colocou novamente na briga pela classificação.

A Itália que até então nadava de braçada e havia vencido todas suas partidas começou a colocar seus reservas para jogar e dificultar ainda mais a missão brasileira. Uma tática perigosa que pela qual o técnico Mauro Berruto pagou caro, seu time desandou, e quando chegou a hora de enfrentar o Brasil perdeu, em casa, seus dois jogos já com todos os titulares. Vitórias que deram mais confiança ao Brasil além da classificação para as finais.

Ao vencer a Rússia em seu primeiro jogo da fase final, o Brasil não só classificou-se como passou a poder analisar o andamento de seus adversários e pode poupar Murilo e Sidão em seu segundo jogo contra o Irã. Perdeu e curiosamente foi, novamente, enfrentar a Itália por uma vaga na final. Uma coisa é indiscutível: no momento, por melhor que estejam os italianos, o jogo do time de Bernardinho encaixa com eles e com uma vitória por 3x0 fomos à final contra os EUA.

Na final o jogo brasileiro não fluiu e os 3x1 impostos pelos americanos deixaram a equipe sem mais um título. Essa foi a terceira derrota em finais para os EUA sendo as duas anteriores nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984 e Pequim em 2008.

Mesmo não fazendo uma boa final o time mostrou que tem tudo para fazer uma boa participação no Mundial que será jogado na Polônia a partir de 30 de agosto. A recuperação de Murilo trouxe não só qualidade ao passe, mas um bloqueio mais forte e uma regularidade ao ataque na ponta. Dessa maneira Lucarelli jogou mais tranqüilo, errou menos e pode ajudar mais a seleção, além do saque e bloqueio que funcionaram muito bem nesta fase.

Ganhar da Rússia também foi um fato importante, pois desde a final dos Jogos Olímpicos de Londres não vencíamos os conterrâneos de Putin. Superar essa marca negativa, de uma maneira bastante consistente com a equipe russa completa foi muito bom.

O Brasil vai para o Mundial da Polônia como um dos favoritos, mas no mesmo patamar de outras equipes como Rússia, EUA, Itália e também os donos da casa. Não tem nada fácil.

Jogos Olímpicos: agora só elogios para o Rio 2016

agua Jogos Olímpicos: agora só elogios para o Rio 2016

Pouco antes do início da Copa o Comitê Olímpico Internacional bateu forte na organização dos Jogos do Rio 2016. Atrasos nas obras, indefinição de responsabilidades e a colocação de um executivo para ficar “de olho” no andamento das coisas para que as coisas entrassem nos eixos.

Depois do sucesso da Copa do Mundo, a surpresa de Thomas Bach, presidente do COI foi manifestada por uma série de elogios impensáveis até pouco tempo. A certeza de que tudo estará pronto e a Olimpíada será maravilhosa agora são palavras comuns na boca do alemão.

O que mudou? Simples, as obras dos estádios ficaram prontas e, se não cumpriram os prazos estabelecidos, foram elogiadas por todos: atletas, imprensa e publico fazendo bonito mundo afora. Essa surpresa de todos, aliada à receptividade do Brasil fez o COI mudar o discurso, além disso, tem a seu favor o tempo que permite que todas as obras sejam terminadas a tempo.

Toda uma nova leva de profissionais que foram formados para a Copa pode, e deve ser utilizada na Olimpíada, principalmente na área de hospitalidade. Quanto às sedes da Copa, agora começa a dança do acasalamento para conseguirem sediar grupos do futebol olímpico tanto no masculino como no feminino. Lembro que o numero de participantes no masculino é de 16 como nos antigos mundiais e no feminino de 12 o que restringe a possibilidade de muitas cidades receberem o futebol. Quem está mais perto tem vantagem.

Também novos profissionais na área de atendimento em arenas está no mercado e os Jogos do Rio também já tem esse legado da Copa para usufruir. Voluntários capacitados para atender uma clientela de todo o mundo, uma mão de obra que foi muito elogiada por todos que estiveram no Mundial de Futebol pode ser absorvida e já credenciar os Jogos do Rio para ser um grande sucesso nessa área.

Para quem sofreu os boatos de mudança de sede, os Jogos do Rio obtiveram com a Copa a primeira de suas vitórias. Pode ser que não ocorra na velocidade à qual os executivos internacionais estejam acostumados em termos de obras, mas para eles, hoje não existe dúvida que as obras estarão prontas. A Vila Olímpica, Deodoro e outras instalações do projeto olímpico brasileiro que foram tão criticadas por atraso nas obras, agora são vistas como possíveis marcos de um evento que, segundo Bach, será “inesquecível”.

Mais importante que a lua de mel entre COI e o Brasil com relação aos Jogos do Rio em decorrência do sucesso da Copa, é sempre bom lembrar que apesar do Mundial de Futebol ser um dos maiores eventos do mundo, ele não é o maior. Perde para os Jogos Olímpicos. A concentração de competições que tem sua grande maioria em uma única cidade, no caso o Rio facilita em termos logísticos, mas o tamanho e a complexidade são maiores.

Bom que estamos na fase da alegria e elogios. Só lembro que a missão quase impossível para os jogos é a despoluição da Baía de Guanabara, num momento em que a bola está totalmente a nosso favor, talvez fosse a hora de pensar que todo o Rio de Janeiro é lindo e seu mar, logo ali na frente, é muito limpo.

Um ano sem Zampa

reprodução Um ano sem Zampa

Marcus Zamponi, o grande texto do automobilismo pegou o boné e subiu em sua nuvem há um ano. Impossível não lembrá-lo, inclusive pelo fato de ser um rubro-negro fanático que deve ter gargalhado muito nesta copa. Até imagino ele dizendo: a Alemanha achou o caminho da vitória usando a camisa do Mengão!

Figura inesquecível, nos autódromos quando eu ia a alguma corrida esporadicamente e nos encontrávamos lá vinha a piada: “pô, Alvinho o que você está fazendo numa corrida? O do automobilismo é o outro irmão!” Dizia brincando ao falar de meu irmão Claudio de quem era grande amigo. Quando eu retrucava também na brincadeira lembrando meu passado cobrindo a F1 ele voltava à pilha e dizia: “é até que você entende, mas nos traiu e ficou com os outros esportes”. E vai gargalhada.

Aeroportos, restaurantes e por aí vai. A cada encontro festa, brincadeira, respeito e amizade. Onde estava o Zampa estava a alegria. Era uma parceria quase permanente e também quase perfeita.

A última vez que nos vimos numa pista foi numa corrida da stock em Interlagos onde eu estava com minha filha Fernanda e Zampa ao vê-la falou que me perdoava por ter abandonado o automobilismo. Afinal, segundo ele, elogiando seu talento e o meu pai que ele também conheceu disparou que o velho Paes Leme devia estar muito orgulhoso dos seus com certeza. Verdade.

Hoje quem presta reverência somos nós à linda família que o Zampa criou. Seus filhos Bruno e Ugo, com Juliana e Renata suas mulheres. A pequena Carol, hoje uma linda menina uma autêntica guerreira a quem meu irmão carinhosamente brinca chamando de “Zampinha” já que é marrenta como o avô e rubro-negra desde as fraldas.

Zampa quando mudou de São Paulo para Rio Preto para ficar perto da neta continuou seu trabalho, mas estava bem próximo daquela que é a mais parecida com ele.

Aos que pensam que ele sossegou, bobagem. Continuou fazendo das suas no interior. Uma de suas preferidas era quando ia almoçar com o filho e família no domingo nas filas dos restaurantes destilava com seu sotaque carioca: “mermão fila por aqui. Caipira é dose” Via o filho se esconder o sogro dele idem e olhava para os lados como se nada tivesse acontecido. Mesmo doente nunca perdeu o talento nem o humor e a vontade de sacanear quem estivesse por perto.

Tomara que Carol também escolha escrever e tenha o talento, emoção e a ironia na perfeita combinação como seu avô, talvez aí mesmo mais velho eu volte aos autódromos. Por ora fico com a saudade do Zampa.

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Rio 2016 -A revanche da Copa

Alguns gostam de uma revanche. Outros preferem a dita “mudança de trabalho” apostando em copiar algum modelo vencedor de momento, que nem sempre se enquadra nas possibilidades e realidade do país.

O que sempre qualifica uma equipe para o resultado é o trabalho e o planejamento. Independente do que acontece com o modelo de negócios do futebol brasileiro que visa o lucro. Do clube formador, do empresário, do intermediário e dos que compram os jogadores brasileiros ainda muito jovens sem terem jogado o suficiente por aqui.

Se o Brasil tem uma dependência absoluta de Neymar, a argentina não foi diferente com Lionel Messi. Chegou à final, mas o esquema também não funcionou. Apenas para finalizar este capítulo e seguirmos em frente lembro que a defesa do Brasil era considerada por todos uma das melhores do mundo, senão a melhor. Da mesma forma com a zaga reserva e o que aconteceu? Tomamos dez gols em dois jogos e passamos a não saber mais jogar futebol e sermos os piores do mundo.

Mas a chance de mostrar que nem tudo virou cinzas e no caminho para a Rússia- 2018, a Olimpíada está logo ali e para Neymar e Oscar dentre outros surge a chance de conquistar aquilo que o Brasil nunca teve no futebol: o ouro olímpico.

Alexandre Gallo técnico responsável pelas seleções de base do Brasil e quem dirige a equipe olímpica brasileira tem a responsabilidade de dirigir a seleção. Seria uma boa assumir nesse período a equipe principal para que pudesse fazer um trabalho de qualidade, com tempo e planejamento para chegar aos Jogos do Rio em 2016 com a equipe em cima.

Claro que logo também começam as eliminatórias para a Copa da Rússia em 2018 (se o agito não aumentar muito por lá) e aí cada equipe deverá se preocupar com suas metas, mas os jogadores mais jovens da seleção estão em condições de trabalhar para as duas competições e isso só favorece a seleção brasileira.

Aos que dizem que são poucos países na disputa do futebol olímpico lembro que é o formato das copas que o Brasil conquistou o tri. Dezesseis seleções em quatro grupos.Aí duas de cada um dos grupos seguem em frrente . A partir daí quartas, semi e final tudo em eliminatória direta. Formato utilizado pela FIFA durante muito tempo.

A Olimpíada sempre penalizou o futebol brasileiro. Primeiro profissionais não podiam jogar e aqui os jogadores desde muito jovens já tinham seus contratos. Lá fora, principalmente na então existente Cortina de Ferro os atletas eram do estado e por ele sustentados então as equipes da União Soviética, Tchecoslováquia, Polônia, Hungria e outras tantas eram, praticamente, as mesmas que disputavam a Copa.

Com a política expansionista da FIFA o futebol olímpico passou a ser visto como adversário e então surgiram as limitações de idade (23 anos) com poucas exceções (três).

Isso tudo só valoriza ainda mais o único título que falta para o futebol brasileiro já que Pelé também já tem sua Bola de Ouro.

É isso. A revanche está logo ali...

 

Pan 2015: falta um ano

Depois da ressaca e, mesmo com a Copa ainda rolando olhando para o Pan de Toronto em 2015 vemos que falta apenas um ano e o Brasil tem condição de fazer uma grande figura por lá.

A 365 dias da competição que irá de 10 a 26 de julho de 2015 , o esporte brasileiro contabiliza as conquistas recentes .

Para o Brasil as lições a serem tiradas para Toronto e para o Rio 2016são muitas, a começar pelo fato de que o Pan é o maior evento esportivo para o país em termos de resultado, então investir além da melhor preparação para as equipes, garantir que as informações cheguem em profusão para que os resultados sejam justamente potencializados.

2013 mostrou o melhor ano do esporte olímpico brasileiro . Nos campeonatos mundiais ,nossos atletas conquistaram 28 pódios , com 8 titulos mundiais . No Pan de Guadalajara 2011, os atletas brasileiros faturaram 141 medalhas - 48 ouros, 35 pratas e 58 bronzes.

Toronto será ainda melhor com a delegação olímpica completa a um ano das Olimpíadas do Rio 2016.

Sempre que o Brasil compete entra junto nos campos, quadras, piscinas e demais locais de competição a emoção e a paixão do povo brasileiro pelo esporte. A parte do jogador da arquibancada ou da poltrona que garante o clima e a torcida das equipes que representam o Brasil.

Para que resultados sejam conquistados dentro das arenas de disputa é necessário muito trabalho de base, planejamento, intercâmbio e, fundamentalmente, talentos que possam ser trabalhados individual e coletivamente para que surjam equipes fortes e competitivas.

Uma mentalidade vencedora é muito mais que uma figura de linguagem e, nesse ponto, o desporto olímpico brasileiro tem uma política consistente que vem colhendo resultados. Perfeita? Não também não é, mas tem um foco muito mais direcionado e deixa a emoção exagerada, basicamente, aos atletas de poltrona a quem justamente cabe esse papel.

O torcedor com uma latinha ou copo de cerveja na mão tem todo o direito de reclamar de tudo: do juiz e de sua progenitora, da imperfeição de seus ídolos, mesmo que isso muitas vezes seja injusto e, indo mais longe, dizer cobras e lagartos de cartolas e afins. Mas isso é para o torcedor. Aos que informam e analisam cabe, mesmo com a tristeza que as derrotas impõem, por mais terríveis que sejam, a eterna busca da isenção e frieza nas opiniões que trazem dados para a formação de opinião de muitos outros.

O Pan de Toronto será a primeira grande competição após a Copa do Mundo e isso, nesse momento, significa muito mais que apenas mais uma participação brasileira no evento que é a competição onde o país pode conquistar o maior numero de vitórias em sua história. Mais que isso é a possibilidade de resultados expressivos em novas modalidades, mostrar que vamos além do futebol, que no alfabeto dos esportes estamos indo de A até Z.

Ver um legado de obras é muito bom, mas ver um legado de atitude é muito melhor, mesmo que isso seja um dos valores intangíveis do esporte. Valores que colocam pessoas lado a lado em busca de algo melhor, por um objetivo único. Sem outros benefícios.

Para os que buscam explicações para os dez minutos mais negros na história do esporte brasileiro, da história das Copas, da seleção brasileira, da vida desses atletas e mais lembro que brancos acontecem. Esse desgraçadamente foi sobre nós. Por pior que fosse o sistema de jogo, a escalação, quem estava e quem não estava, foram dez minutos de apagão que entraram para a história do esporte.

Eles serão analisados por profissionais que estudam o comportamento humano e, não me surpreenderia, se aparecessem várias teorias em torno disso. Tal qual as opiniões dos torcedores de poltrona, aqueles que podem falar mal de tudo. Tudo isso sem chegar a conclusão alguma.

O esporte é capaz de coisas absolutamente incríveis protagonizadas por seres humanos. Capazes de grandes feitos e de coisas que não são bonitas. Afinal somos humanos. Todos nós.

O Pan de Toronto pode entrar para a história do esporte brasileiro e falta só um ano para tudo isso.

Os passos finais ficaram mais difíceis sem Neymar

neymar3 Os passos finais ficaram mais difíceis sem Neymar

Uns dizem que são passos. Outros degraus. Seja lá como for a distância que falta ser percorrida para o hexa ficou mais difícil para o Brasil. A perda de Neymar para o resto da Copa com uma fratura tirou da seleção várias de suas possibilidades de ataque.

Ficou impossível? Não até porque na história o Brasil já ficou sem seu melhor jogador, Pelé, que já era o melhor do mundo em 62 no Chile teve uma distensão na virilha no segundo jogo e, a partir dali, ficamos sem o maior camisa 10 de todos os tempos e isso não impediu o Brasil de conquistar naquela Copa, o bi-campeonato mundial.

Ok, vá lá que tínhamos Garrincha e o anjo das pernas tortas não decepcionou. Jogou muito e em sua segunda participação num “torneio mixuruca” como ele definia o Mundial por não ter returno, foi o grande destaque daquela Copa e o país fez a festa de melhor do mundo pela segunda vez.

Para Felipão, Parreira e comandados o momento é de superação. Isso é o que pode tornar o Brasil mais perigoso não só contra a Alemanha, mas também numa final. Ficamos sem variações de ataque, sem o inesperado. Perdemos parte importante da genialidade, mas podemos ter ficado mais perigosos. A força de um grupo está não só em seus talentos, mas em seu espírito e isso foi demonstrado no jogo contra a Colômbia. Curiosamente o melhor do Brasil no Mundial e, não menos curioso, com uma atuação apagada de Neymar.

Claro que a Alemanha é mais perigosa e tem mais tradição que a Colômbia, mas também já passou por apuros nessa Copa. Para os alemães ficam agora um monte de interrogações. Quem irá entrar no lugar de Neymar? William para reforçar o meio? Bernard com sua alegria nas pernas para infernizar no ataque?

Se até agora havia uma certeza de que o Brasil tinha em campo um cara que podia decidir jogos numa jogada individual, no talento e na genialidade, agora existem 23 caras loucos para decidir até o último suspiro os passos ou degraus faltantes para aquele que, injustamente, foi tirado da Copa.

O esporte é sujeito a lesões. Sérias ou não elas fazem parte da vida dos atletas. O que, decididamente, não é admissível é o anti-esporte, a violência gratuita que pode dar uma guinada inesperada num evento como uma Copa do Mundo. Se a tecnologia já está em campo para se avisar que uma bola cruzou a linha e foi gol e do nada um juiz que não está de frente para o lance e não foi informado por seu assistente que um atacante colocou a mão na bola, onde está esta mesma tecnologia ou informação para punir alguém que entra sem bola nas costas de um adversário?

Certo é que a vértebra quebrada de Neymar também quebrou um pouco de todos os brasileiros, mas também os deixou mais fortes e para os 11 que irão entrar em campo na terça-feira dá uma carga de energia extra: lutar por tudo e também pelo cara que os ajudou, e muito, a chegar até aqui.

Que 62 se repita e surjam nesse grupo não um Garrincha ou um Amarildo, mas que todos virem possessos e mostrem, ainda mais, do que a seleção é feita por eles, pelo Brasil e por Neymar.

Bem-vinda Alemanha. Bibidi, bobidi, boo

Uma das propagandas de um dos patrocinadores da seleção faz alusão a uma poção mágica. Trilha sonora de um dos grandes filmes da Disney a poção tornará uma simples menina em Cinderela. É, Felipão achou a formula ou conversou com a sua fada madrinha e a moçada bebeu dessa fonte.

Felipão e Parreira não fizeram grandes alterações em nomes. A manutenção de Fernandinho que fez um grande jogo e a volta de Paulinho mostrou que os mesmos jogadores podiam fazer mais, muito mais. E eles, desta vez, fizeram.

A consistência da marcação de Oscar e Hulk, com ambos jogando mais fechados pelo meio e não nas pontas acabou com o buraco que vimos até aqui nos jogos do Brasil que teve varias chances de liquidar a partida ainda no primeiro tempo, mas isso não aconteceu tornando o jogo difícil até a metade do segundo tempo quando David Luiz fez o segundo gol brasileiro num autêntico show da defesa brasileira já que Thiago Silva havia marcado o primeiro.

David Luiz bateu a mais perfeita falta da Copa. Golpe de mestre.

Artilheiros brasileiros são os zagueiros, os melhores em campo

Redenção absoluta para o capitão da equipe que foi criticado por chorar e não querer bater pênalti contra o Chile. Aqui vale um pensamento rápido: melhor dizer que não quer bater, mesmo sendo capitão ou bater sem a condição ideal?  Claro que melhor não bater e aí vale não bater também em Thiago.

No mesmo festival de mágica na equipe canarinho Fuleco, o mascote desaparecido, surgiu em Fortaleza. Na comemoração do primeiro gol brasileiro ele estava lá no chapéu de um menino e finalmente o símbolo do tatu em risco de extinção apareceu para o mundo todo.

Ainda na questão do que apareceu de maneira surpreendente neste jogo, James Rodríguez, o craque colombiano mesmo não sendo um fashionista como Cristiano Ronaldo em seu corte de cabelo tinha três listras exatamente iguais às de sua chuteira. Ué, merchandising no cabelo pode? Ou é por conta do patrocínio da FIFA?

Aliás, a coisa ficou preta para a entidade máxima do futebol. A apuração dos ingressos vendidos por cambistas chegou no filho e no próprio Julio Grondona, cartola argentino do século passado que deu as explicações mais absurdas para o seu “não envolvimento”. Essa é mais uma para virar roteiro de Hollywood.

Um pênalti convertido pelo artilheiro da Copa, James Rodríguez, colocou a Colômbia no jogo pressionando o Brasil e, como todas vezes em que o Brasil perde o domínio do meio de campo, a coisa pendeu para o lado dramático, mas, afinal, é uma quarta de final da Copa, então sem drama não vale.

Para o próximo jogo contra a Alemanha, Thiago Silva que levou seu segundo cartão amarelo está fora e deve dar lugar a Dante. A qualidade se mantém. A saída de Neymar, machucado, preocupa, ele foi encaminhado ao hospital e toda a nossa torcida para sua  recuperação.

No final, James Rodríguez com seus passes precisos quase levou o jogo para a prorrogação.

Apesar do sufoco no final, o Brasil fez, durante a maior parte do jogo, sua melhor partida na Copa. Superamos mais um passo. Agora que venha a Alemanha.

É hoje!

10481598 10152295043756638 9125148337668805806 n É hoje!

Chegamos a mesma posição das últimas duas Copas - quartas de final.

Alemanha-2006, derrota para a França de Zidane. Na África-2010 ,a Holanda de Roben passou.

E agora?

Em pelo menos 6 posições , o Brasil é superior a Colômbia, mas individualidades não superam o jogo coletivo. Brasil teve adversários mais difíceis
para chegar até aqui. O que não teve foi um atacante decisivo. Quase todas as seleções desistiram do centro avante fixo ou atacante de referencia e isso mostra a nossa falta de evolução.

Por isso, quando o técnico acha que deveria ter trazido um ou outro jogador se percebe que o jogo será dificílimo.

Em 2010, Dunga pecou por não levar 2 jogadores jovens que estavam arrebentando, preferiu veteranos até no banco.

Em 2014, Felipão preferiu jogadores inexperientes e não trouxe 2 com experiência em Copas passadas. Com mais vivência.

Assim se escreve a história do futebol , que como na vida, é feita de escolhas.

ESCOLHAS CERTAS.

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Copa. Falta gestão de crise no Brasil?

 Copa. Falta gestão de crise no Brasil?

Todas as grandes empresas modernas têm um comitê para isso que é acionado nos momentos adversos. Parte significativa dos políticos tem seus gestores de crise para, muitas vezes, explicar o inexplicável e mostrar que como diz a musica infantil dos tempos antigos “o bom menino não faz (ou fez) pipi na cama”.

Na seleção que ficou conhecida como colocar a emoção acima de tudo e botar o coração na bola, as lágrimas em excesso e a falta de um bom e convincente futebol para muitos é a ponta do iceberg da falta de preparo emocional do grupo. Não concordo com isso, embora ache que a coisa está num nível acima do que seria razoável e uma correção seria muito bem vinda.

Um gestor de crise, mais que um ser onipresente e salvador é aquele que pode antecipar os problemas, aquilo que pode dar errado e produzir ensaios e simulações de como superar os obstáculos. Para os que acham que essa figura é o pentelho pessimista vale dizer que a antecipação dos problemas e a proatividade podem fazer a diferença entre a conquista e o quase.

No jogo, o craque antecipa a jogada, não espera o adversário chegar e maximiza potencial e minimiza a possibilidade de erro. Isso não quer dizer que irá ganhar sempre, mas sua postura o colocará em vantagem. Esperar o problema chegar para resolver equivale a sair em viagem com o carro velho. Pode não dar trabalho, pode dar. Um Mundial é rápido demais e equivale a estar voando. Não é possível parar o avião para arrumar. Tem de ser voando mesmo e do jeito que der.

Um sintoma de que a coisa não anda nos eixos é um diretor sair no braço com um jogador na saída para o intervalo de uma partida. Se o ambiente está tenso, a obrigação do cara, que não está jogando, é segurar seus jogadores para que não andem lado a lado com possíveis encrenqueiros ou ainda procurar antes do final do tempo de jogo alertar os comissários do corredor para possíveis problemas, não criá-los ainda que, eventualmente, tivesse razão.

Esportes coletivos geram reações diferentes das diferentes pessoas que o compõe. Isso é óbvio, mas sempre pouco considerado pelos filósofos que aplicam sempre os termos “grupo fechado” ou “todos unidos”, mas que ignoram as variáveis que podem ser potencializadas por emoção acumulada ou situações inéditas e não previstas. Uma Comissão Técnica não pode ser deixada só para lidar com todas as questões nessa hora. Na mágica a cartola faz desaparecer coisas, no caso fez gente sumir...

Lidar com dificuldades e visões diferentes da emoção, além de seu peso no desempenho profissional, no caso atlético e técnico também é trabalho para profissionais, mas eles também necessitam do envolvimento de todos. Na hora do aperto é que se sabe com quem contar. Vale para amizades, para trabalho, para a vida.

Ayrton Senna era emotivo e nem por isso era frouxo. Muito pelo contrario. Emoção a flor da pele o Tri campeão mundial chorava e muito e isso não diminuiu em nada suas conquistas. Já com a seleção a emoção tomou conta de uma maneira maior que o imaginado e num esporte coletivo a forma como cada um reagiu potencializou as diferenças. Isso pode resultar num comportamento em termos psicológicos.

Atletas não são maquinas infalíveis e dependem de uma complexa engrenagem para que tudo funcione bem. O melhor exemplo de reconstrução psicológica está na própria equipe e defende o gol. Júlio César em 2010 chegou como o melhor do mundo, o número 1 e saiu como pior. Perdeu a posição em seu clube, perambulou, ficou sem jogar e foi para uma liga menor. Agora é o número 12 e não fecha olho em bola nenhuma ao contrário daquelas duas da Holanda no jogo que eliminou o Brasil na Copa da África. Recomeçar sempre é possível. Basta querer.

Mudar para melhor é preciso, como minha mãe sempre dizia, morar nos bons exemplos. Temos vários deles e pouco tempo, mas quem disse que conquistar o mundo é fácil.

Veja mais:
+ R7 BANDA LARGA: provedor grátis!
+ Curta o R7 no Facebook

+ Siga o R7 no Twitter

+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7

Página 1 de 4312345...Último