Vela: Robert Scheidt quer ouro do PAN e no mundial

Scheidt MARCELO FERRELLI Gazeta Press 450 1 Vela: Robert Scheidt quer ouro do PAN e no mundial

O multicampeão da vela Robert Scheidt, tem um calendário duro neste ano. Aos 41 anos o bicampeão olímpico em Atlanta 96 e Atenas 04 vai encarar o Mundial Laser e os Jogos Pan-Americanos colados. Com 172 títulos, 229 pódios sendo 125 internacionais, com 85 primeiros lugares conquistados mundo afora, o brasileiro inicia seu ano esperando bons ventos.

Mesmo com as duas competições sendo disputadas no Canadá, sendo a primeira em Kingston durante o período de 29 de junho a 08 de julho e, apenas quatro dias depois a segunda em Toronto de 12 a 19 de julho. O desgaste físico e emocional numa sequencia dessas é enorme. Claro que isso vale para todos o que pode acabar sendo uma vantagem para o brasileiro que, com toda sua experiência pode fazer o vento soprar para seu lado.

No Mundial Robert vai atrás de sua 12ª. conquista na classe laser e essa é sua principal meta da temporada ele que voltou para a categoria após a classe Star sair do programa olímpico. Em seu primeiro Mundial depois da volta foi campeão no Omã em 2013 e no ano passado foi quinto no evento disputado na Espanha. Robert mostra como velejador que é que como os melhores e mais raros vinhos. O tempo só traz mais qualidade.

Robert é um frequentador dos pódios olímpicos desde Atlanta 96. Foi prata em Sydney 2000 e depois do ouro de Atenas foi prata outra vez em Pequim 2008 e bronze em Londres 2012 o que o torna uma lenda viva do esporte brasileiro e mundial.

Tranquilo, o alemão, como é conhecido pelos mais próximos segue agora para a Copa do Mundo de Vela que será disputada em Miami no período de 26 a 31 deste mês de janeiro.

As crianças de alguns anos atrás vão se lembrar do personagem Mutley do desenho animado que sempre queria “medalha, medalha”. Mesmo sendo ficção ele não dá para largada com o brasileiro Robert que as conquista com ventos contra e a favor, em mais de uma categoria, numa carreira que, com certeza, orgulha todos os brasileiros do Oiapoque ao Chuí.

Vamos lá alemão: “medalha, medalha”!

Handebol: Brasil vence no Mundial

Depois de duas derrotas, a seleção brasileira de handebol masculino venceu sua primeira partida no campeonato Mundial que está sendo disputado no Qatar. Derrotamos a Bielo-Rússia por 34x29 numa atuação convincente.

A equipe do Brasil mostrou uma mescla muito interessante de jovens e experientes jogadores num trabalho muito sério e competente do técnico Jordi Ribera que vem colocando sua equipe numa posição de destaque no cenário mundial. Claro que a situação do masculino não é a mesma do feminino onde as meninas são as atuais campeãs mundiais, mas o desempenho da equipe masculina permite esperar um bom desempenho nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016.

Em suas primeiras partidas, o Brasil perdeu para a seleção “catada” do Qatar que tinha entre seus integrantes atletas nascidos em Cuba e também na França, Espanha e Montenegro numa autêntica equipe da ONU. Isso permite antever como será a equipe de futebol do país sede da Copa do Mundo de 2022. Uma equipe assim formada pode trazer resultado, mas não traz vinculo algum com o país. O lindo ginásio com muitos lugares vazios era uma mostra disso.

Na segunda partida a seleção brasileira jogou de igual para igual com os atuais campeões mundiais, a Espanha e perdeu por apenas dois gols de diferença mostrando que o técnico dispõe de um grupo bastante forte e coeso para alcançar suas metas. Ao final do jogo Jordi Ribera disse que as partidas seguintes seriam todas finais. A primeira delas foi vencida de maneira convincente. Agora é esperar pelos jogos de quarta feira contra a Eslovênia e sexta com o Chile, sendo que duas vitórias colocam a equipe na próxima fase que é o primeiro dos objetivos do Brasil neste Mundial.

Lembro quando pela primeira vez uma transmissão de handebol nas olimpíadas aconteceu e, para surpresa de muitos, a audiência disparou. Uma enxurrada de pedidos para colocar o esporte mais vezes chegou, mas a organização da modalidade e a logística para isso ainda estavam muito longe das potencialidades desse esporte.

O handebol é um esporte emocionante e um de meus favoritos. Joguei por um bom tempo antes de me tornar jornalista e, depois continuei batendo uma bola com o pessoal durante alguns anos. Hoje muitos atletas da época em que joguei batem uma bola no EC Banespa às terças feiras à noite. Amigos que jogaram no Pinheiros, Corinthians, Tênis Clube, Bragança, Bandeirantes, no próprio Banespa e em outros clubes que fizeram a história desse esporte vão lá e depois comemoram suas histórias e esse ótimo e merecido momento do esporte que ajudaram a construir.

Acho que vou jogar lá também.

Rio 2016. Começa a corrida dos ingressos

Hoje é uma data fundamental para quem quer acompanhar os Jogos Olímpicos do Rio ao vivo. Inicia-se hoje o cadastramento para a compra dos ingressos.

Com preços para todos os bolsos, os valores vão de quarenta reais a quatro mil e duzentos, o mais caro que é válido para a abertura do evento. Um dos ingressos mais cobiçados em todas as edições olímpicas é o da final dos 100 metros rasos, que deverá ter Usain Bolt e, possivelmente, a conquista do jamaicano no inédito título de tricampeão. Oportunidade rara e que vale muito mais que os mil e duzentos reais do ingresso.

Uma chance para poucos felizardos entre público e jornalistas. Se considerarmos os tempos de Bolt para a prova dos 100 metros que é a cereja do bolo dos Jogos Olímpicos o valor do ingresso para uma atração como esta e um feito único não estão tão caros assim. Se lavarmos por base o último tempo que ele fez aqui no Brasil numa exibição na praia de Copacabana, 10,04 segundos teremos um valor de quase 120 reais por segundo. Segundos de ouro, literalmente.

Extremamente carismático e com uma grande empatia com os brasileiros, Usain Bolt, em todas suas passagens por aqui só fez aumentar seu enorme numero de fãs para alegria do esporte e de seus patrocinadores.

O cadastramento estava inicialmente previsto para novembro, mas o adiamento deu-se por uma maior transparência no processo, um legado da Copa que teve sérios problemas na área, com membros e Comitês podendo ser punidos por cambismo.

No total serão 7,5 milhões de ingressos à venda e, portanto tem pra todos os fãs do esporte. O parcelamento é possível e esse é um momento histórico para o Brasil. O maior evento do esporte mundial fica mais perto, mais perto daqueles que realmente importam para o sucesso de tudo: as pessoas.

Elas são as molas dos saltos dos atletas, motivam, emocionam e fazem com que fenômenos como Usain Bolt realizem façanhas memoráveis.

Só que a primeira corrida não é a de Bolt. É a do ingresso.

Vamos que dá para muitos chegarem lá.

Tênis: Federer a precisão suíça mil vezes

roger federer Tênis: Federer a precisão suíça mil vezes

Para muitos Roger Federer é o melhor tenista de todos os tempos. Eu que já tenho um bom tempo de estrada na modalidade, afinal vi John Mc Enroe bater Ivan Lendl pelo Banana Bowl disputado nas quadras do Tênis Clube de Santos.

Antes do Lendl e do John Mc Enroe vi também Rod Laver, já em seus últimos anos de carreira, mas ainda jogando muito e ganhando na maior parte das vezes. Rodney ´´Rocket ``Laver deu aulas no Ibirapuera durante a nossa versão do WCT. Aliás, Laver foi um injustiçado pelas antigas regras do tênis, pois como foi um dos primeiros jogadores a se profissionalizar e não podia participar dos eventos que não fossem profissionais, o que eram poucos na época.

Apenas com a chegada da Open Era onde todos os tenistas poderiam participar de qualquer evento Laver voltou ao circuito e voltou ganhando.

Para que vocês tenham uma ideia, Laver foi bi campeão de Wimbledon (61-62) e ganhou Grand Slam em 1962. Aí se tornou profissional e só voltar a jogar Grand Slam em 68 , quando venceu Wimbledon. Em 1969 fechou seu segundo Grand Slam. É o único tenista da história a fechar o Grand Slam no mesmo ano. Ou seja, venceu Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open no mesmo ano. Tem 11 títulos em simples, 7 em duplas e 3 em duplas mistas só no Grand Slam.

O clube das mil vitórias onde Roger Federer entrou agora tem apenas mais três sócios. Dois no masculino e um no feminino. Martina Navratilova tem 1.661 vitórias em partidas de simples, Jimmy Connors o recordista entre os homens tem 1.253 e Ivan Lendl vem em seguida com 1.071. É, com toda certeza, o clube mais fechado do mundo. Para raros e excepcionais esportistas.

Federer é quase uma unanimidade entre os jornalistas e jogadores de tênis. A grande maioria afirma que Federer em dia de Federer é, praticamente, imbatível.

Aos 33 anos de idade ter essa consideração por parte dos rivais e da crônica esportiva demonstra o talento e a qualidade do recordista do numero de semanas como líder da ATP com 302, os 17 títulos de Grand Slams e as 24 vitórias consecutivas em finais tornam Roger Federer um mito em atividade.

Já escrevi aqui que o Rio 2016 pode ser o final da carreira deste grande campeão, já que o título olímpico em simples é tudo o que lhe falta em sua galeria de troféus. Se considerarmos o desempenho de Roger Federer no último ano e sua atual condição física dá para prever que, caso mantenha o projeto de chegar às Olimpíadas do Rio de Janeiro como o maior de todos os tempos também nos números.

Emblemática também foi a entrega do troféu pelo australiano Rod Laver pode se considerar como a cereja do bolo. A milésima vitória conquistada no Torneio de Brisbane e receber o troféu de um dos melhores de todos os tempos. Muito justo para Federer e também para Laver que jogou até os 38 anos em alto nível, numa época em que não existiam as condições de treinamento nem os equipamentos de hoje. Aos que duvidam proponho tentar jogar com uma raquete de madeira dos anos 60 ou 70 e tenham a agradável sensação de jogar com um tronco de arvore.

A precisão dos golpes de um Federer inspirado é uma verdadeira aula de tênis e, mesmo par quem viu muitos jogos dele, o suíço não se cansa em surpreender sempre mostrando alguma coisa além de nossa imaginação.

É disso que o esporte é feito. Ídolos, recordes e sonhos...

Boxe: Brasil sofre mais um nocaute

Primeiro foram os irmão Falcão. Yamaguchi e Esquiva desistiram do amadorismo e da chance de medalha nos Jogos Olímpicos do Rio e tornaram-se profissionais. Agora quem largou o barco do olimpismo foi o baiano Everton Lopes, Campeão Mundial em 2011 pela Associação Mundial de Boxe Amador e grande esperança para o pódio no Rio.

O que leva um atleta com potencial para uma conquista olímpica desistir para mudar a carreira e se tornar “não elegível” como participante de uma olimpíada? A resposta é simples. Dinheiro e sedução.

Nestes mesmos dias em que se anunciou a debandada de Everton para o profissionalismo, outro pugilista, já profissional e de muito sucesso posou para fotos como ele mesmo disse com seus brinquedos. E quais eram eles senão um jato de 14 lugares, três Bugattis, três Ferraris, um Porsche e um Lamborghini. Não que Floyd Mayweather Jr tenha sido o responsável pela decisão do baiano Everton, mas, convenhamos, o apelo é forte.

Curiosamente a forma como o contrato foi fechado, rápida e sigilosamente e antes de um importante ciclo de competições amadoras, mostra que a tática da empresa Golden Boy de Oscar de La Hoya, pelo menos em termos de pugilistas brasileiros busca, sempre, vencer por nocaute.

A mesma tática foi utilizada para fechar com Yamaguchi Falcão que já está lutando (e bem) profissionalmente. Quando se viu já tinha ido e todo o trabalho feito com vistas ao Rio 2016 foi para a lona.

Tão importante quanto criar estruturas e projetos esportivos que promovam o surgimento de talentos e depois seu intercâmbio e amadurecimento internacional resultam de investimentos de empresas, governos e até pessoas físicas do IR como eu e você que me lê neste momento. Nada contra o progresso, melhoria e profissionalização das carreiras de atletas, mas algum mecanismo de proteção deve existir.

O problema é que as entidades do boxe mundial são tantas e realizam seus eventos independentes que quando há uma luta por união de cinturões é uma festa. Nada menos que cinco associações cuidam do boxe profissional: AMB – Associação Mundial de Boxe, CMB - Conselho Mundial de Boxe, FIB – Federação Internacional de Boxe, OMB - Organização Mundial de Boxe, FMBP Federação Mundial de Boxe Profissional e, claro além de todas elas temos a AIBA – Associação Internacional de Boxe Amador à qual são vinculados os pugilistas olímpicos. Apenas entre as federações, conselhos, associações e organizações profissionais que só cuidam do boxe temos o mesmo numero de membros efetivos do Conselho de Segurança da ONU. Uma autêntica Torre de Babel do esporte.

Em Londres Everton Lopes se deslumbrou com a Vila Olímpica e isso virou matéria de jornal. Agora se deslumbrou com o dinheiro e será apenas Golden Boy por trabalhar na empresa que leva esse nome e não por ganhar uma medalha de ouro em seu país. Justo para ele e injusto para o Brasil.

Vôlei faz lição de casa e fica com o Banco do Brasil

lolol Vôlei faz lição de casa e fica com o Banco do Brasil

Depois do susto, da descoberta, do puxão de orelhas e da possibilidade de passar por um grande vexame, a Confederação Brasileira de Vôlei atendeu a todas as recomendações apresentadas no relatório da CGU - Controladoria Geral da União e ficará com o patrocínio do Banco do Brasil pelo menos até o final do contrato vigente que vai até 2017.

O aumento da transparência nos processos, a criação de Comitê de Gestão que envolve técnicos e jogadores, o cumprimento da norma que envolve compras e licitações eliminando para essas ações vínculos de parentesco até o terceiro grau com funcionário ou dirigente da CBV, vetos de empresas suspeitas e buscar reaver, judicialmente, valores pagos em contratos considerados irregulares pela CGU mostra que a nota oficial que a CBV soltou quando saiu o relatório era séria.

Não cabe aqui fazer trabalho de auditoria ou de policia sobre quem fez o que como e com quanto e no que, até porque isso é trabalha para a auditoria externa e para os órgãos de fiscalização que, com certeza, encontrarão nominalmente os responsáveis pelos desmandos com o esporte olímpico mais medalhado do Brasil.

Os atletas e as equipes tiveram um papel importantíssimo nesse processo ao se posicionarem desde a primeira hora da crise em prol do esporte e por uma solução que não jogasse na lama um trabalho de gerações que, como Murilo bem disse, deram seus tornozelos, joelhos e ombros pelo voleibol brasileiro.

Mais importante que o valor do contrato é a participação de todos que fazem o voleibol para resgatá-lo desse mau passo fora das quadras.

Além da adoção das orientações que serviram como determinações de gestão, com toda certeza, fundamental para a continuidade do patrocínio foi o apoio dado às mudanças pelos técnicos Bernardinho e Zé Roberto. Hoje se alguém falar de credibilidade e resultados no esporte, o assunto é com os dois. Quando se pensa em futuro de gestão no esporte brasileiro a pauta passa, com certeza, pelos dois.

Por tudo que já fizeram e conquistaram nas quadras como atletas e técnicos, Bernardinho e Zé Roberto podem assumir qualquer coisa ligada ao esporte que darão conta. Aliás, o Zé já fez isso quando dirigiu a Hicks, Muse aqui no Brasil. A empresa que era, na época, um dos maiores fundos de investimento de esporte fez uma parceria com o Corinthians que foi administrada pelo são-paulino Zé Roberto que administrou com brilhantismo o projeto. Bernardinho já foi sondado para ser candidato ao governo do Rio e também se falou de seu nome para o Ministério do Esporte ,caso o Psdb vencesse a eleição majoritária.Sua trajetória fora das quadras como empresário também o habilitam como ótimo gestor.

Apesar dos arranhões profundos, o voleibol saíra mais forte disso. As equipes vão fazer seu trabalho e os atletas vão continuar buscando os ótimos resultados que fizeram o país o mais vitorioso no esporte. Já para os que criaram os problemas não cabe julgar, apenas esperar que a lei os alcance.

 

2015, um ano para superar o melhor que já tivemos

O calendário do esporte do novo ano apresenta uma quantidade de eventos impressionante. Serão 39 Campeonatos Mundiais além dos Jogos Pan Americanos que serão disputados na cidade de Toronto. É competição para ninguém botar defeito.

Claro que algumas delas, por coincidência de datas, não terão o melhor da representatividade nacional, como o vôlei por exemplo. Com a disputa da Liga Mundial no masculino e o Grand Prix no feminino, nossas seleções no Pan serão mais jovens e, consequentemente, terão de remar muito mais, para conquistar o topo do pódio. Difícil? Sim, mas longe de ser impossível e bom para o esporte, já que mais atletas brasileiros estarão em competições top. Isso é a base para a renovação do esporte. Em todas as modalidades.

Para algumas modalidades como a natação, o calendário dá a oportunidade da disputa do Pan e do Mundial que vem a seguir, dando a chance de reafirmar seu estágio e, agora em piscina longa, mostrar todo seu potencial para o Rio, no ano que vem. Isso não quer dizer que nossos melhores nadadores estejam em ambos eventos.

Competições de alto nível servem também, muitas vezes para amadurecer atletas e possibilitar-lhes lidar com as pressões inerentes aos grandes eventos. Dizer que isso não existe é uma bobagem. São raros aqueles imunes a isso e esses atletas são as figuras carimbadas em todo o mundo. Inspiradores dos demais, mas não podem ser tomados como exemplos na questão psicológica já que são exceções.

Além de todo calendário internacional teremos os eventos teste no Rio para a preparação dos Jogos de 2016. São 45 eventos no total sendo 17 deles de Federações Internacionais o que dá um peso ainda maior ao calendário do Aquece Rio. Nenhum lugar do planeta sediará tantos eventos qualificados como a Cidade Maravilhosa.

Para o Pan, o Brasil almeja brigar pelo segundo lugar com os donos da casa. As dificuldades dos calendários são para todos e a meta é difícil, mas não impossível. A lamentar a ausência do futebol masculino no evento por se recusar a jogar em campos de grama artificial. Prefiro ficar a pensar que isso é apenas desculpa para não desfalcar os clubes além do que já acontece com a seleção principal sem interrupção do calendário nacional. Afinal nossa equipe principal joga amistosamente em grama $intética quando interessa não é mesmo?

No ano recém-findo o Brasil teve seu melhor desempenho na história do Esporte Olímpico e, como já escrevi aqui, caso o ano fosse uma competição olímpica o Brasil atingiria, com folga sua meta para o Rio 2016. Agora temos um ano com chance de confirmar o sucesso do esporte brasileiro e consolidar o Caminho Olímpico para os Jogos do Rio em 2016.

Vôlei: Brasil pode ficar fora das competições em 2015

Isso mesmo . Você não leu errado. A crise do vôlei ganhou novos contornos com a posição da Confederação Brasileira em desistir de sediar a fase final da Liga Mundial . Com essa posição ,a Federação Internacional pode punir o Brasil ,excluindo nossas seleções de eventos e amistosos internacionais em 2015.

Imagine o que vai afetar a preparação das equipes para os Jogos Olímpicos do Rio 2016 ?

Agora é a hora do presidente da Cbv buscar conciliação e não confusão . Afinal sua entidade tem que acertar as contas com o Banco do Brasil . E é uma oportunidade . Chance da mudança no esporte.

A nova crise do vôlei com a suspensão do repasse de verbas de patrocínio do Banco do Brasil, que está na modalidade com as seleções brasileiras há mais de vinte anos oferece a chance de uma mudança que pode ser radical e benéfica para o esporte servir e não para aqueles que sempre querem se servir do esporte.

O Banespa que já não existe mais como banco nem como equipe de vôlei, mas muito antes de sua primeira grande conquista, o brasileiro de 87, o Projeto Voleibol Banespa como era chamado no banco já tinha um legado: seu modelo de gestão que envolvia todas as partes do processo o que garantia sua transparência e sobrevivência mesmo que aqueles que o criaram mudassem de posição dentro do banco o que acabou acontecendo, bem como mudanças de governo.

Aos mais novos que não viram a histórica final no Ginásio do Ibirapuera onde o Banespa derrotou a Pirelli por 3x2 com uma recuperação heroica no quinto set, antes da mudança de regra, com uma virada após estar perdendo por 14x8 com a torcida da equipe de Santo André cantando o tradicional “já está chegando a hora...” aquela hora foi a do Projeto do Banespa. Que já tinha sua peneira que municiou suas equipes e a partir daí as seleções brasileiras até a geração de Murilo Endres uma liderança dentro e fora da quadra.

Quando a vitória aconteceu a gestão do processo era realizada com o envolvimento do gabinete da presidência do banco na gestão, por meio da participação em um comitê administrativo, onde junto com integrantes da diretoria de marketing e departamento de comunicação do banco, a presidência do clube juntamente com a sua diretoria financeira e a supervisão técnica do projeto se reuniam e decidiam os destinos daquele que é, até hoje, o projeto mais longevo no esporte.

Para a crise atual, a proposta da CGU Controladoria Geral da União é, praticamente, a criação de um modelo do mesmo comitê. Isso funciona mesmo com interesses tão diferentes já que isso pode gerar conflitos. Conflito e divergência muitas vezes são caminhos para o crescimento. Administrar isso requer talento, mas a pluralidade de visões por um bem maior que é o esporte dá resultado. Sempre.

Para o Banco do Brasil como patrocinador do esporte que mais medalhas rendeu ao país em sua história, o rejuvenescimento da imagem foi um ganho incrível e na população mais jovem está a maior parcela daqueles que discordam e protestam contra os “mal-feitos”. Colocar gestores para atual em conjunto com a CBV no dia a dia no planejamento e auditoria de aplicação de sua verba não é ser enxerido, e sim ser responsável com seus recursos e imagem. Para o Comitê o Ministério do Esporte deveria ter um representante em cada Confederação que detém verbas de empresas estatais e se reportarem não só ao Ministério, mas também permanentemente à CGU. Aos responsáveis pela parte técnica supervisores, técnicos e atletas também a representação seria obrigatória como era no finado e saudoso Banespa. Um toma conta do outro. Simples e eficaz.

Para a CBV assumir isso rápido seria decisivo para mostrar que quer que os resultados no esporte mais medalhado do Brasil continuem e o respeito a seu parceiro e principal patrocinador também. Se alguém acha, mesmo num sonho de uma noite de verão, que vai aparecer alguém disposto a abrir a burra e não olhar o que está sendo feito com seu rico dinheirinho pode, como diz o ditado antigo “tirar seu cavalinho da chuva”, pois os arranhões são profundos e as cicatrizes ficarão expostas por um bom tempo, portanto atender, urgentemente, as recomendações da CGU e propor a criação de um Comitê Administrativo do Volei com o Banco do Brasil, a própria CGU e a também representantes da parte técnica e garantir não só a limpeza que o esporte precisa, mas criar um modelo de gestão eficiente e limpo.

Está claro ou quer que desenhe?

Natação. Doha e o mundo veem Brasil campeão

O Brasil, literalmente, deu um banho nas piscinas em Doha. O Campeonato Mundial de Piscina Curta mostrou um desempenho espetacular dos atletas brasileiros e nossos atletas fizeram história.

Com um total de dez medalhas conquistadas, sendo sete de ouro, uma prata e três bronzes, o Brasil participou de nada menos que 23 finais num recorde absoluto em sua história e teve em Felipe França, com cinco primeiros lugares o maior vencedor do mundial.

O duelo entre Cesar Cielo e Florent Manadou teve todos os ingredientes de um filme de suspense onde os rivais se alternavam como o melhor a cada entrada na piscina e, no final das contas Cesão brilhou mais, inclusive na questão superação após não realizar uma boa prova nos 50 metros livre quando ficou em terceiro lugar. Deu a volta por cima e levou os 100 livres e todos os revezamentos em que participou.

A equipe brasileira mostrou além de um excelente preparo apresentou uma capacidade que será fundamental nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016: lidou muito bem com a pressão. Chegar ao último dia com possibilidade de um recorde histórico é uma coisa. Traduzir essa chance em realidade contra os melhores do mundo é uma coisa muito diferente.

Felipe França foi o grande destaque individual do mundial com a conquista de cinco ouros e Etiene Medeiros colocou a mulher brasileira em primeiro lugar numa prova individual. Com direito a recorde mundial e tudo, ela ficou com o ouro nos 50 costas além das conquistas nos revezamentos 4x50 medley misto também com ouro e no bronze na prova dos 4x50 livre misto.

No país do futebol, do vôlei, do automobilismo como todos conhecem na maioria das vezes vermos o país da natação surgir é um grande privilégio. Mais que brilhantes talentos individuais esporádicos, vemos agora um grupo forte e coeso que, claro, tem muito que melhorar para 2016, mas tem tempo e competições de nível para isso, portanto as possibilidades de conquista no Rio em 2016 são possíveis e a natação é um dos esportes que mais medalhas distribui daí para quem quer figurar bem na classificação geral, um bom desempenho na natação é fundamental.

Sempre soubemos que Deus é brasileiro. Agora descobrimos que Poseidon também é...

Doping :Crime na Alemanha

Os atletas adeptos das formulas mágicas, das pilulazinhas coloridas e das recentes descobertas dos laboratórios podem encontrar um adversário de peso além da WADA. A justiça alemã. Sim para o governo alemão, a coisa do doping no esporte é séria e pode dar cadeia a partir de 2015.

Atletas que forem apanhados nos testes antidopagem podem ficar até três anos atrás das grades. Para os defensores da olimpíada dos laboratórios e técnicos espertinhos, isso pode ser o mais duro golpe contra a burla das regras do esporte até hoje.

Atletas estrangeiros que também forem apanhados nos exames também poderão ver o sol nascer quadrado. Para médicos, técnicos e fornecedores a coisa ainda é pior; a prisão poderá chegar a dez anos sem dó.

O Parlamento Alemão sempre esteve à frente na legislação esportiva. Nos anos 70 quando a Formula 1 e com raras exceções, uma competição entre empresas tabagistas, foram eles, os primeiros a proibir que os carros ostentassem marcas de cigarro nas pistas alemãs. Em todo o resto do campeonato podia, mas em Nurburgring e Hockenheim as pinturas eram diferentes as cores eram as mesmas, mas os nomes John Player Special, Marlboro, Embassy, Kent, Viceroy e outros ficavam de fora. Já nos uniformes das equipes e macacões dos pilotos remendos cobrindo os nomes ou mesmo esparadrapos e fitas adesivas tapavam as marcas e davam um ar até caricato numa competição onde já girava muito dinheiro. Os alemães foram os pioneiros em separar do esporte o que faz mal à saúde, mesmo que tivesse venda legal, no caso dos cigarros.

Agora o governo alemão submete ao Parlamento a lei que pode mudar de vez a questão do doping no esporte. Tornando crime o medo da burla passa a ser muito maior em razão das consequências, já que hoje muitas vezes o dito banimento não é nada além de um gancho temporário que permite, por vezes, figuras reincidentes aparecerem numa cara de pau de dar inveja a determinadas pessoas.

Mais do que proteger os atletas limpos, essa lei pode valorizar o esporte ainda mais já que a busca por recordes e a superação de marcas hoje envolvem quantias astronômicas de dinheiro e, para alguns, a tentação é grande e a carne é fraca. Assim como muitas cabeças.

Banir do esporte em definitivo bombados e ratos de laboratório deve ser um objetivo perseguido permanentemente por todos os que levam o esporte a sério. Pesquisas para melhoria de qualidade de vida, controle de doenças e a erradicação de males são condições básicas dos laboratórios. O uso desvirtuado de medicamentos não pode e não deve ser a eles imputado como responsabilidade e sim aos espertalhões que se julgam acima da lei e do bem e do mal. Figuras patéticas, mas que fazem parte da sociedade e habitam no planeta.

Um brinde aos alemães! Que a lei passe e outros a sigam assim como foi com a questão do cigarro.

Saúde e amanhã tem mais.

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