É tetra! É tetra!

Ao contrário do futebol, quando os gritos do Galvão e do Pelé resgatavam uma conquista que levou vinte e quatro anos para acontecer, hoje o tetra de Usain Bolt nos 200 metros rasos era esperado. Foi disputado, mas era esperado. Para os que estavam preocupados com os tempos do ano Bolt venceu em 19,55 segundos a melhor marca do ano e mostrou, mais uma vez, que é o cara.

Qual um maestro que tem total domínio da enorme massa pressente ao estádio Ninho do Pássaro em Pequim, Bolt entrou fazendo festa, arrancando aplausos da torcida e quando os competidores foram chamados às suas marcas levou o dedo indicador aos lábios pedindo silêncio. E conseguiu. Todo estádio emudeceu para não atrapalhar a concentração do mais rápido de todos os tempos. Antes disso ele fez um gesto simulando uma decolagem e o voo que logo em seguida iria realizar.

Dada largada, o esperado. Bolt voou e conquistou pela quarta vez o ouro naquela que chama de sua prova favorita Mostrou que não importa os tempos que seus adversários conseguem já que, quando está na pista, marcas são apenas uma referência para aquilo que vai fazer ali, ao vivo para uma privilegiada plateia. Só para lembrar, ganhou os 200 m nos mundiais de Berlim 2009, Daegu 2011, Moscou 2013 e agora em Pequim.

Reger uma arena inteira seja num evento esportivo ou musical não é para qualquer um.  Muitos tentam e raros conseguem. Bolt é um deles. Faz de um grande feito que dura pouco menos de vinte segundo um espetáculo que cola nas retinas e nas mentes de todos os que assistem. Ao vivo e mundo afora nas tevês, tablets, computadores e telefones. Aproveita ainda seu momento de glória e marketeia fazendo uma propaganda de seu fornecedor de material esportivo numa ação que vale muito mais que os milhões que ele recebe como patrocinado.

Ação derivada daquela criada por Pelé na final da Copa de 70 quando se abaixou para amarrar suas chuteiras antes do início da final contra a Itália. Até nisso o Rei é inovador. Depois dali variações sobre o mesmo tema surgiram e Bolt é um dos reais seguidores. Marcas e esporte formam uma associação perfeita e definitiva. Quando existe uma estrela como Bolt ainda a coisa fica muito maior.

No mesmo dia em que Bolt venceu Fabiana Murer recebeu sua medalha de prata pela brilhante prova que fez no salto com vara. Liderou a competição até o último salto quando foi superada pela cubana Yarisley Silva. Fabiana é um orgulho e uma grande e real chance de medalha no Rio em 2016. Tão importante quanto o feito foi ela ter feito as pazes com o Ninho do Pássaro onde, em 2008, teve uma de suas varas recolhidas indevidamente e ficou sem o seu instrumento de trabalho quando estava disputando medalha. Isso tirou toda sua concentração e condição de brigar pelo pódio que era seu lugar natural. Aliás, em se tratando de Fabiana pódio é seu lugar comum.

O esporte vive um grande momento e os Jogos do Rio estão cada dia mais próximos aproveitando outro chavão do meu amigo “aguenta coração!”

Até onde vai Usain Bolt ?

Nada mais adequado para Usain Bolt que competir no Ninho do Pássaro. Foi lá que assombrou o mundo batendo os recordes olímpicos e mundiais nos 100 e 200 metros rasos. Não é um pássaro ou um avião como o Super-Homem, mas voa muito, muito rápido, então o maravilhoso Estádio Olímpico em Pequim é um de seus habitats.

Pouco adiantou Justin Gatlin ter os melhores tempos do ano e participar de um número muito maior de competições oficiais que Bolt. Na hora da velocidade pura deu Bolt mais uma vez.

O curioso com Justin Gatlin que passou boa parte de sua vida de atleta de alto nível suspenso por doping é que apesar de seus 33 anos ele está com tempos melhores. Talvez tenha descoberto a fonte da juventude já que no atletismo a idade tem efeito contrário dos grandes vinhos que melhoram enquanto envelhecem. Aguardemos.

A absoluta maioria do estádio torcia por Bolt assim como os atletas que estavam competindo. Muitos colocavam a prova como a disputa entre o bem e o mal e alguns disseram claramente que “Bolt vai vencer porque é limpo”. Na quinta feira os dois devem voltar a se encontra na final dos 200 metros. Usain Bolt está motivado e sua escolha de um calendário onde os eventos promocionais foram mais destacados que as competições oficiais mostra que, pelo menos neste caso, a escolha pelo marketing não foi prejudicial ao desempenho na competição mais importante do ano. Ano que vem é ano olímpico e aí a coisa muda e a presença do mais rápido do mundo de todos os tempos nos eventos oficiais da IAAF será constante.

Preocupada com a questão do dopíng, a Federação Internacional iniciou em Pequim um novo sistema de testes mais sofisticado e que começou há seis meses com a coleta das primeiras amostras de sangue para os atletas. Agora a concentração dos testes se dará em todos os atletas de elite em detrimento às ações anteriores que atingiam todos os participantes, ou seja, um terço dos atletas será efetivamente testado.

Na coleta de sangue realizada seis meses atrás a IAAF está estabelecendo o chamado “passaporte biológico” do atleta no esporte. Combater duramente o doping é fundamental para manter a credibilidade do esporte. Isso é fundamental para a sobrevivência e do sucesso do atletismo. Disso dependem atletas, técnicos, patrocinadores e torcedores. Todos querem ficar longa dos personagens de ficção científica nas pistas de competição.

Missão dura para Sebastian Coe recém-eleito presidente da IAAF. Campeão Olímpico e Mundial, além de recordista, Coe competia no meio fundo onde tivemos o grande Joaquim Cruz. Provas das mais difíceis do atletismo onde a estratégia é tão importante quanto a condição do atleta.

Estratégia e uma carreira brilhante Sebastian Coe tem, agora pode colocar tudo isso no maior cargo do atletismo mundial. O atletismo está em ótimas mãos para Bolt continuar voando.

Sydney 2000: cadê o ouro que devia estar aqui?

É comum ao perdermos ou esquecermos aonde deixamos alguma coisa fazermos a tal pergunta: “onde é que está ou cadê aquilo que deveria estar aqui?”. Na grande maioria das vezes nos lembramos e encontramos objeto procurado. Às vezes por ali mesmo, outras vezes em locais completamente diferentes, mas, neste caso o objeto é valioso demais para ser esquecido.

Numa Olimpíada onde as expectativas eram enormes e até sobre o fogo nossos atletas andaram antes de seguir para as disputas em Sydney, deixar para trás uma medalha de ouro é, no mínimo, um absurdo principalmente se levarmos em consideração o desempenho dos atletas brasileiros que a ela tem direito.

Claudinei Quirino, Edson Luciano, André Domingos e Vicente Lenilson conquistaram na pista a prata nos Jogos Olímpicos de 2000 em Sydney com um desempenho brilhante. A performance do time brasileiro desde as eliminatórias foi impressionante por duas vezes nossos velocistas mostraram uma recuperação incrível. Foi um show.

Os EUA venceram e tiveram em sua equipe Tim Montgomery que confessou estar dopado para conquistar o resultado. O normal e esperado para isso é a desclassificação da equipe, cassação e devolução da medalha e consequente promoção do time vice a campeão, terceiro a vice e do quarto ao terceiro lugar. Um novo pódio sem os Estados Unidos.

Tim Montgomery é mais um dos atletas que foram seduzidos pelos milagres do Laboratório Balco que infestou de drogas o esporte por um bom tempo. Foram sete medalhas tiradas do time americano por conta disso, mas resta ainda a questão dos 4x100. O americano participou das eliminatórias e não correu a final.

Um dado curioso é que essa equipe americana já foi punida duas vezes por doping gerando uma subida de degrau no pódio do time brasileiro. No Mundial de 97 o Brasil foi do bronze à prata e no Pan de 2003 a equipe foi da prata ao ouro o que mostra um período grande onde as drogas fizeram parte da vida das estrelas do atletismo. A substância da época não detectada era o hormônio do crescimento hGH e a WADA ainda tem amostras dos Jogos de Sydney armazenadas.

Tempos atrás numa entrevista quando o assunto fervia, Claudinei Quirino disse que “todo o trabalho para aquela Olimpíada foi jogado para o mato”. Claro que prejuízos por conta de uma medalha de ouro de direito não vinda são enormes, mas o direito da conquista ainda existe e deve ser exercido. Uma das justas broncas de Claudinei é com relação à entrega já que até pelo correio ele recebeu medalhas referentes aos prêmios acima mencionados.

Uma forma de solucionar isso seria, caso aconteça realmente a justa reclassificação da prova, entregar essas medalhas ao time brasileiro nos Jogos do Rio em 2016 com o Estádio do Engenhão lotado em dia de competição. Aliás, essa deveria ser a prática adotada para restituir a glória olímpica de quem fez a conquista e a competição de maneira limpa e dentro das regras, isso também teria o caráter educativo do qual o esporte sempre deve estar atrelado que é o do combate ao doping em todas as frentes e de todas as formas dentro da lei.

Dessa maneira todos os atletas que tem direito às suas medalhas as receberiam junto do público com pódio e hino e os usurpadores e desonestos ficariam relegados ao que lhes é de direito, o limbo.

Vila Olímpica: prédios que falam

Nestes meus dias de Rio consegui encaixar um programa que sempre gosto de fazer antes de toda edição dos Jogos que participo. Visitar a Vila Olímpica.

Ali estarão os protagonistas do maior espetáculo do planeta. Os atletas que conquistarão a glória do esporte e aqueles que lutarão e serão vencidos. Sorrisos e lágrimas, dor, superação, amizade, confraternização, respeito, admiração e todos os demais sentimentos humanos, nobres ou não terão lugar ali.

Hoje nem todos os atletas ficam na Vila. O futebol brasileiro, o time de basquete americano e também algumas figuras carimbadas do tênis vão para hotéis seguindo sua tradicional rotina. Mas mesmo eles sentem falta do lugar, tanto que sempre aparecem para uma visita. Isso os faz viver os Jogos Olímpicos na plenitude.

Paris 24 teve algo que podia ser comparado a uma ideia de Vila, mas foi em Los Angeles 32 que ela surgiu, efetivamente, pela primeira vez. Na Olimpíada que teve como garotos propaganda grandes atores de Hollywood. Aliás, com a indústria do cinema bombando mesmo numa economia ainda vivendo reflexos da grande crise da bolsa em 1929, as acomodações serviriam depois para atender muitos dos candidatos a atuar na capital mundial do cinema.

Dos toscos chalés de madeira aos espigões de hoje uma coisa permanece além da acomodação dos atletas. Vilas Olímpicas mudam cidades, criam novos bairros ou ainda transformam áreas degradadas. Oferecem, além de moradia, muitas histórias.

Pensando nisso, impossível não lembrar Barcelona. A Vila Olímpica em Poble Nou é marcante. De um lugar degradado onde o mar era um esgoto a céu aberto, depósitos e armazéns abandonados se deu uma transformação e ali surgiu algo espetacular. Hoje é um dos lugares mais valorizados da cidade.

Vilas Olímpicas também trazem tristes recordações como a de Munique. Linda, moderna e livre. Infelizmente alvo da maior tragédia do esporte. Lugar onde os piores sentimentos do homem e alguns de seus piores representantes cometeram um ato estúpido e hediondo contra a vida. Cicatriz que deve ser olhada para que imbecis bárbaros se mantenham longe do esporte.

Os prédios da Rio 2016 ainda não falam, mas já murmuram e prontos para não fazer feio na história dos Jogos Olímpicos, pelo que já vi em todas as nove privilegiadas vezes em que trabalhei na cobertura olímpica, e ainda nas instalações que fiz questão de conhecer quando visitei cidades que receberam os Jogos, posso dizer que, nessa questão a Vila vale lugar mais alto no pódio.

Que sujam novas e grandes histórias ali...

Gol fica vazio sem Cejas

Num esporte onde o maior momento é gol, o cara tem como função justamente impedir isso. Travar o grito da torcida na garganta, fazer o atacante engolir em seco a chance do instante de glória.

Para estragar a alegria do outro vale quase tudo, afinal ele é o único que pode pegar com as mãos a bola num esporte jogado com os pés. Privilegiado.

É mas isso tem seu preço. Da mesma forma que faz a torcida inimiga engolir o grito de gol, pode fazer a sua levar as mãos à cabeça a ponto de arrancar os cabelos por uma falha. Pode ainda calar toda uma nação e ser condenado injustamente a vagar como morto vivo mesmo sendo um dos maiores de todos os tempos.

Ser goleiro não é nada fácil. A posição requer uma série de qualidades a começar pela que o sábio Neném Prancha dizia em celebre tirada: “goleiro tem de dormir com a bola e se for casado, dormir com as duas”. Isso lá pelo meio do século passado. Hoje goleiro é libero, joga com os pés tão bem quanto qualquer jogador de linha, faz lançamentos, dribla, tira bolas de cabeça fora da área e por aí vai. Tem momentos que um bom goleiro hoje lembra até um polvo. Hoje goleiro é estrela e ganha como tal. Justo, muito justo.

Para chegar nisso as estrelas de hoje tiveram grandes predecessores e um deles hoje foi brilhar no céu. Fez seu último voo, com a mesma elegância dos tempos do Racing, da Seleção Argentina, do Santos, Grêmio e todos os lugares em que fechou o gol. Sim essa era sua característica.

Agustin Mario Cejas foi um super goleiro, um grande craque da posição. Argentino de nascimento chegou até pensar em se naturalizar brasileiro para jogar pela seleção nacional, mas como havia defendido a Argentina na Olimpíada de 64 a FIFA não viu a coisa com bons olhos e torceu o nariz. Assim ele não virou Agostinho Mario Seixas, brasileiro, como uma matéria da Placar previu na época.

Curioso é que mesmo sendo Cejas um goleiraço e eu tendo a oportunidade de ver grandes jogos dele, inclusive na conquista da paulista de 73, a imagem mais forte que vem à lembrança é o Maracanã lotado, lotado mesmo com mais de 130 mil pessoas em 73 quando Pelé mostrou mais uma vez porque é o maior de todos os tempos e, no meio de três argentinos, da meia lua vê Cejas adiantado e faz um gol maravilhoso por cobertura. Depois do gol Cejas põe as mãos na cintura, olha para o rei e dá aquela balançada de cabeça para cima e para baixo, com certeza se perguntando como ele viu e como conseguiu fazer aquilo. O velho Maraca veio abaixo.

Cejas foi reforçar o time lá de cima, e como eu escrevi aí em cima o goleiro tem um que de maldito pelo privilégio de poder pegar a bola com as mãos. Talvez por conta disso é que eu me lembre mais do gol que ele tomou do que alguma defesa maravilhosa (e foram muitas) que ele fez.

Somos todos humanos e como tal, assim como os goleiros, estamos longe de sermos perfeitos.

Voe alto Cejas e agarre a lua, ela é uma bola que tem o tamanho da sua categoria...

Olimpíada 2024. Los Angeles pela terceira vez?

Mal a candidatura de Boston ficou pelo caminho por conta da falta de apoio popular, Los Angeles (sempre ela) se agita para apresentar proposta para sediar os Jogos Olímpicos de Verão de 2024. Isso igualaria a cidade americana a Londres a única, até agora, a sediar três edições dos Jogos.

Se a causa da desistência de Boston foi a falta de apoio da população, em LA o que acontece é justamente o contrário com 81 por cento de aprovação pela candidatura segundo pesquisa realizada nos primeiros dias de agosto. Os dados foram apresentados ontem por Scott Blackmun executivo chefe do Comitê Olímpico Americano (USOC). Ainda segundo o executivo, algumas questões “complicadas” de acordo com Blackmun devem ser resolvidas até o final do mês, mas ele não especificou quais questões seriam essas.

O USOC está empenhado tem de apresentar a proposta até 15 de setembro para o COI. Tempo de uma piscada de olhos e uma frase emblemática na fala de Scott Blackmun mostra a importância do esporte para os Estados Unidos: “os Jogos Olímpicos de Verão não são realizados aqui nos EUA desde 96. Há toda uma geração de americanos que não viu o evento acontecer em solo americano. Queremos resolver isso”.

Para quem acha isso pouco, a mesma Los Angeles recebeu a proposta de sediar as equipes da NFL dos Rams de Saint Louis, Raiders de Oakland e também dos Chargers de San Diego. O que fez três times desejarem mudar de endereço? A resposta é simples: estrutura.

A Câmara Municipal de Carson, subúrbio de LA votou e aprovou por unanimidade os planos para a construção de um estádio no valor de 1,7 bilhão de dólares que poderia receber as equipes dos Chargers e dos Raiders. Já o Conselho Municipal de Inglewood também foi unânime ao aprovar projeto de um estádio com 80 mil lugares, que será utilizado pelos Rams.Foi no Forum de Inglewood ,que Michael Jordan ,Pat Ewing e seus companheiros foram atrás da medalha de ouro do basquete em LA 84 . Hoje ,ele é conhecido como o Forum da California.

A mudança das equipes da NFL pode, caso aconteça, ir de encontro ao uso dos estádios que poderão ser palco de competições da Olimpíada de 2024. Num momento em que se pensa em redução de custos, maximização de utilização e caça (essa sim permitida) aos elefantes brancos de concreto Los Angeles e seu entorno dão mostras que a convergência de interesses potencializa soluções.

Alguém aí duvida que, caso isso seja viabilizado, não será um argumento decisivo para a realização da Olimpíada em LA pela terceira vez?

Aguardemos os próximos passos...  

Os Invasores: eles estão por aqui

Era a história de um arquiteto que via a chegada de uma nave alienígena e o objetivo dos caras era fazer da terra seu novo planeta. Daí a dominação ou eliminação dos humanos era uma tarefa para a conquista.

O personagem principal chamava-se David Vincent e a cada episódio lutava com os aliens que pareciam humanos. Quando o herói os eliminava, eles desapareciam e dificultavam ainda mais sua missão, pois se sumiam iam embora também as provas da existência da raça que queria dominar a terra.

Aqui, no outrora país do futebol também temos os invasores. De varias origens, alguns chegam com estardalhaço e pouco ou nada fazem. Outros são como gafanhotos, pragas que vem em nuvem, mas logo se vão e deixam a terra arrasada indo com sua política predadora para outras plagas.

Outros são mais discretos e acompanham tudo o que funciona no futebol brasileiro e uma das coisas que se nisso se encaixa é o futebol feminino.

Atual campeão pan-americano com uma bela campanha e sem aquela que é considerada sua melhor jogadora, a craque Marta, cinco vezes eleita a melhor do mundo no Bola de Ouro da FIFA, a seleção feminina encontrou tranqüilidade (ao menos até a Olimpíada) com um projeto de seleção permanente. Simples funcional e, ao considerarmos os custos do futebol, extremamente econômico e rentável pelos talentos que o técnico Vadão tem permanentemente á sua disposição.

Na minha volta de Toronto tive o privilégio de viajar ao lado da craque e artilheira Cristiane. No vôo também estava toda a equipe campeã com todos os méritos.

Conversei bastante com Cristiane e percebi que também estava muito atento em nossa conversa outro passageiro e também com curioso com relação às outras jogadoras. Nada mais natural, afinal ali estava um time campeão que pouco tempo antes havia sido eliminado na Copa do Mundo disputada no mesmo Canadá quando perdeu para as donas da casa.

Na chegada converso um pouco com o cidadão e ele se identificou com canadense e estava vindo ao Brasil para ver Centros de Treinamento ou locais onde pudessem ser construídos ou mesmo adaptados para busca de talentos do futebol feminino. Aquilo que a CBF deveria fazer como uma parte do projeto de seleção permanente numa idéia que me apresentaram bem antes da atual gestão na entidade.

É como diria David Vincent: “eles estão por aqui...”

Rio 2016: agenda cheia para as marcas

Só um ano. Apenas 365 dias e tudo vai começar, então quem conseguir se posicionar e aparecer até lá, com certeza, vai estar no pódio, senão pode começar a pensar em Tókio 2020.

A competição dos patrocinadores e marcas que, mesmo não sendo apoiadoras do evento, mas que investem em esporte, equipes, atletas, eventos e outras ações é agora. Briga dura e boa, mas que tem espaço para todo mundo que tem boas idéias, verbas e vetores.

Quando começa uma competição de alto nível os olhos do consumidor mesmo registrando as marcas que têm conexão com o esporte já estão grudados nos atletas e esportes de sua preferência. Aos que não são fanáticos pelo esporte as conexões são de maneira mais sutil como modas, comportamentos, opiniões e celebridades apenas para citar algumas ramificações do universo que o maior evento esportivo do planeta move. Sim ele mexe, praticamente, com todo mundo e uma associação vencedora, para uma marca, pode valer bem mais que um pódio.

O calendário do esporte não está dando folga para os planejadores e criativos. Mal acabou o Pan e todos já caíram nas águas de Kazan no Mundial de Esportes Aquáticos. Ainda temos uma série de eventos teste aqui no Brasil e também alguns mundiais onde resultados bastante positivos do Brasil são esperados como no handebol feminino. Agora com tudo isso correndo ao mesmo tempo como entrar no carro com ele andando?

Para aqueles que já estão na via do esporte está tudo andando, mas para os que querem entrar o momento é agora. Mesmo com o calendário seguindo e uma série de eventos acontecendo, a chance de se posicionar com o tradicional consumidor do esporte e a gigantesca multidão dos entusiastas e consumidores que vão vibrar com os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro é a hora.

Aos que querem patrocinar atletas temos vários talentos que podem ter mais apoios e outros que não tem um sequer, o mesmo garimpo que vale para um lado, vale para o outro. Imaginou como isso pode valer para uma marca, num momento de um desempenho histórico, no maior momento do esporte brasileiro em todos os tempos?

Um ano. É rápido, passa logo, tão depressa quando Usain Bolt em um de seus melhores dias. O Rio vai estar pronto, o Brasil vai estar pronto, nossos atletas vão estar prontos. Depois que começar é sonho acordado.

Cabe bem o duplo sentido da frase: “às suas marcas...”

Toronto mostra a força da mulher brasileira

Ótimos resultados de grandes atletas sempre são esperados e as conquistas, na maioria dos casos, seguem a lógica do esporte. Mas, às vezes as medalhas vêm acompanhadas de grandes histórias também e o atletismo é um grande manancial de feitos e histórias.

O que dizer de uma atleta que estava apenas em sua segunda prova dos cinco mil metros e conquista o ouro do Pan? Esse foi o feito de Juliana dos Santos que conquistou o primeiro ouro do atletismo brasileiro em Toronto num sprint sensacional nos últimos metros. A primeira vez que correu os 5000 metros foi para conseguir o índice e se classificar para a disputa do Pan. Simplesmente fantástico como as maiores emoções que o esporte pode proporcionar.

No salto com vara Fabiana Murer mostrou não só talento e uma excelente técnica, mas também que é uma excelente estrategista quando jogou com as regras e possibilidades levando a disputa com a cubana Yarisley Silva a um duelo psicológico muito interessante. Fabiana que não havia passado em duas tentativas a marca de 4,75 m optou por não saltar a terceira tentativa e foi direto para os 4,80m. Tinha apenas uma chance e passou jogando a pressão para a cubana e naquela que foi, até agora a melhor prova do atletismo, a cubana passou e depois chegou aos 4,85m e ao ouro. Fabiana mostrou que está num caminho muito sólido para uma grande participação no Rio em 2016.E só para lembrar ,o bronze ficou com a campeão olimpica de Londres 2012 ,Jennifer Suhr .

Ainda tivemos pratas na maratona com Adriana Aparecida, Keila Costa no salto triplo e Erica Sena nos 20 km da marcha que se tornou a primeira brasileira a conquistar uma medalha na prova.

Jucilene Lima no dardo também fez uma prova emocionante. Em seu quarto lançamento fez a marca de 60,42m e, a partir daí liderou a prova até a última rodada quando foi superada pelos lançamentos da americana Winger e da canadense Gleadle. Flavia de Lima nos 800 metros fez a melhor marca de sua carreira e ainda vai para a disputa dos 1500 metros neste sábado. Comemoração só no pódio e recuperação para mais uma dura disputa.

Também nas outras modalidades as mulheres estão fazendo história aqui em Toronto, mas isso já é assunto para outro texto...

23 vezes Thiago

Uma das grandes coisas de se ter um bom tempo de estrada é poder acompanhar várias gerações de atletas e, quando surge um grande talento, poder acompanhá-lo e também as suas conquistas.

Thiago Pereira conquistou para o Brasil uma marca que vai levar um bom tempo para ser igualada e, talvez, nem o seja. O nadador brasileiro tornou-se o maior medalhista da história dos Jogos Pan Americanos com 23 medalhas e superou o então recordista, o ginasta cubano Erik López.

A trajetória de Thiago começou no Pan de Santo Domingo em 2003 e não poderia ter sido em melhor companhia. Numa equipe em que Gustavo Borges aos 30 anos fazia sua última participação nos Jogos Pan Americanos e conquistava e Fernando “Xuxa” Scherer com 29 eram as maiores estrelas da natação brasileira para o grande público, Thiago ali conquistou suas duas primeiras medalhas: a prata nos 200 e o bronze nos 400 metros. Ambos resultados no medley.

De lá para cá só fez crescer sua coleção de medalhas e hoje ele é o exemplo da equipe brasileira. O cara, o líder, a experiência e espelho para os atletas responsáveis pelas novas braçadas da natação brasileira. No masculino e no feminino.

Nesses doze anos Thiago amadureceu e soube superar momentos difíceis que incluíram uma desclassificação aqui em Toronto na prova dos 400 medley. As piscinas de Toronto receberam provas de alto nível e o Canadá e o Brasil vieram com suas equipes quase completas. O Mundial de Kazan, daqui a duas semanas pode ter tirado alguns nomes das competições aqui, mas muitos dos medalhistas de Toronto irão para o Mundial e os tempos aqui obtidos mostram que a briga vai ser boa por lá.

Um dos grandes encantos do esporte, além da emoção única dos momentos vividos ali, ao vivo para atletas, jornalistas e torcedores é lembrar daquilo tudo que envolveu e contribuiu para o momento. Privilégio maior é ter visto ao longo de um ciclo de quatro competições pan-americanas o surgimento, desenvolvimento, quebra de recordes e amadurecimento de um talento como Thiago Pereira. Escrever sobre isso é reviver muito de tudo isso: lugares, pessoas, amigos, parceiros inesquecíveis de transmissões e, claro, as conversas depois dos feitos.

Esse balanço traz uma imensa satisfação e lembranças maravilhosas de uma vida, de amigos que já não estão mais por aqui e outros que vi competindo e hoje são, além de amigos, colegas de profissão com talento e conteúdo para informar com grande competência. Atletas e técnicos que deixaram as piscinas e hoje estão do lado de cá, atrás do microfone dando braçadas agora fora d’água.

Isso tudo foi muito bom e foi apenas a primeira semana do Pan. Vamos lá seguir juntos na segunda?

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