Toronto mostra a força da mulher brasileira

Ótimos resultados de grandes atletas sempre são esperados e as conquistas, na maioria dos casos, seguem a lógica do esporte. Mas, às vezes as medalhas vêm acompanhadas de grandes histórias também e o atletismo é um grande manancial de feitos e histórias.

O que dizer de uma atleta que estava apenas em sua segunda prova dos cinco mil metros e conquista o ouro do Pan? Esse foi o feito de Juliana dos Santos que conquistou o primeiro ouro do atletismo brasileiro em Toronto num sprint sensacional nos últimos metros. A primeira vez que correu os 5000 metros foi para conseguir o índice e se classificar para a disputa do Pan. Simplesmente fantástico como as maiores emoções que o esporte pode proporcionar.

No salto com vara Fabiana Murer mostrou não só talento e uma excelente técnica, mas também que é uma excelente estrategista quando jogou com as regras e possibilidades levando a disputa com a cubana Yarisley Silva a um duelo psicológico muito interessante. Fabiana que não havia passado em duas tentativas a marca de 4,75 m optou por não saltar a terceira tentativa e foi direto para os 4,80m. Tinha apenas uma chance e passou jogando a pressão para a cubana e naquela que foi, até agora a melhor prova do atletismo, a cubana passou e depois chegou aos 4,85m e ao ouro. Fabiana mostrou que está num caminho muito sólido para uma grande participação no Rio em 2016.E só para lembrar ,o bronze ficou com a campeão olimpica de Londres 2012 ,Jennifer Suhr .

Ainda tivemos pratas na maratona com Adriana Aparecida, Keila Costa no salto triplo e Erica Sena nos 20 km da marcha que se tornou a primeira brasileira a conquistar uma medalha na prova.

Jucilene Lima no dardo também fez uma prova emocionante. Em seu quarto lançamento fez a marca de 60,42m e, a partir daí liderou a prova até a última rodada quando foi superada pelos lançamentos da americana Winger e da canadense Gleadle. Flavia de Lima nos 800 metros fez a melhor marca de sua carreira e ainda vai para a disputa dos 1500 metros neste sábado. Comemoração só no pódio e recuperação para mais uma dura disputa.

Também nas outras modalidades as mulheres estão fazendo história aqui em Toronto, mas isso já é assunto para outro texto...

23 vezes Thiago

Uma das grandes coisas de se ter um bom tempo de estrada é poder acompanhar várias gerações de atletas e, quando surge um grande talento, poder acompanhá-lo e também as suas conquistas.

Thiago Pereira conquistou para o Brasil uma marca que vai levar um bom tempo para ser igualada e, talvez, nem o seja. O nadador brasileiro tornou-se o maior medalhista da história dos Jogos Pan Americanos com 23 medalhas e superou o então recordista, o ginasta cubano Erik López.

A trajetória de Thiago começou no Pan de Santo Domingo em 2003 e não poderia ter sido em melhor companhia. Numa equipe em que Gustavo Borges aos 30 anos fazia sua última participação nos Jogos Pan Americanos e conquistava e Fernando “Xuxa” Scherer com 29 eram as maiores estrelas da natação brasileira para o grande público, Thiago ali conquistou suas duas primeiras medalhas: a prata nos 200 e o bronze nos 400 metros. Ambos resultados no medley.

De lá para cá só fez crescer sua coleção de medalhas e hoje ele é o exemplo da equipe brasileira. O cara, o líder, a experiência e espelho para os atletas responsáveis pelas novas braçadas da natação brasileira. No masculino e no feminino.

Nesses doze anos Thiago amadureceu e soube superar momentos difíceis que incluíram uma desclassificação aqui em Toronto na prova dos 400 medley. As piscinas de Toronto receberam provas de alto nível e o Canadá e o Brasil vieram com suas equipes quase completas. O Mundial de Kazan, daqui a duas semanas pode ter tirado alguns nomes das competições aqui, mas muitos dos medalhistas de Toronto irão para o Mundial e os tempos aqui obtidos mostram que a briga vai ser boa por lá.

Um dos grandes encantos do esporte, além da emoção única dos momentos vividos ali, ao vivo para atletas, jornalistas e torcedores é lembrar daquilo tudo que envolveu e contribuiu para o momento. Privilégio maior é ter visto ao longo de um ciclo de quatro competições pan-americanas o surgimento, desenvolvimento, quebra de recordes e amadurecimento de um talento como Thiago Pereira. Escrever sobre isso é reviver muito de tudo isso: lugares, pessoas, amigos, parceiros inesquecíveis de transmissões e, claro, as conversas depois dos feitos.

Esse balanço traz uma imensa satisfação e lembranças maravilhosas de uma vida, de amigos que já não estão mais por aqui e outros que vi competindo e hoje são, além de amigos, colegas de profissão com talento e conteúdo para informar com grande competência. Atletas e técnicos que deixaram as piscinas e hoje estão do lado de cá, atrás do microfone dando braçadas agora fora d’água.

Isso tudo foi muito bom e foi apenas a primeira semana do Pan. Vamos lá seguir juntos na segunda?

Estrelas que nascem, brilham e se apagam

Duas no esporte e uma na vida. Estrelas são assim mesmo: nascem, brilham e se apagam. O importante não é o tempo que dura sua luz e sim tudo aquilo que seu brilho trouxe.

Primeiro as duas do esporte. O Pan de Toronto vem sendo para os times dos países que fazem o uso certo da competição, um palco para renovação e amadurecimento de atletas que, mesmo numa competição forte e de nível, têm a oportunidade da disputa com alguns dos grandes nomes do esporte num clima reparatório para as Olimpíadas.

Claro que existem alguns que acham o Pan muito pouco, mas a eles lembro que se a importância fosse pequena o continente europeu não faria realizar, pela primeira vez, os European Games. Agora todos os continentes têm suas competições no ano anterior aos Jogos Olímpicos. Mesmo com todas grandes competições anuais de todas as modalidades o Pan e as demais competições continentais são a grande preparação para o evento maior do esporte.
Aqui em Toronto,o presidente do COI Thomas Bach declarou que em várias modalidades os campeões continentais irão para a Olimpíada. Isso vai turbinar muito o PAN, os Jogos Europeus e os Jogos Asiáticos.

Depois de uma abertura de padrão olímpico onde todos os que tiveram o privilégio de assistir voltaram a ser crianças com a magia do Cirque de Soleil é tempo de competir e, depois das estrelas do picadeiro, as estrelas do esporte vieram brilhar. No Brasil a primeira delas foi a ginasta Flavia Saraiva que empolgou os canadenses e levou o bronze no individual geral e também ajudou a equipe brasileira a ficar no pódio, também em terceiro lugar.Foi a ginasta brasileira que mais medalhas conquistou.

Mais que conquistar medalhas, Flavinha conquistou o respeito de todos presentes às competições de ginástica no Pan e mostrou a renovação da ginástica brasileira. Atletas e técnicos de outras equipes não pouparam elogios à brasileira que está em seu primeiro ano competindo como adulta.
A estrela que segue brilhando é Thiago Pereira que já no primeiro dia da natação no Pan e bateu o recorde  de Gustavo Borges com 19 medalhas. Gustavo um grande e modesto campeão disse que Thiago tem condição de “pulverizar” sua marca de medalhas conquistadas me Jogos Pan Americanos. Agora é aguardar a fera cair na água e contabilizar.

Por fim a estrela que se apaga. Pelos menos neste plano terrestre. Não é do esporte, mas é da minha vida. Meu tio Atílio Giardi descansou aos 85 anos. Meu padrinho querido. Tenho dele milhares de recordações e todas elas terminam com uma gargalhada. Era impossível não gostar dele mesmo para quem o conhecesse ali, naquele momento. Ele junto com minha tia Martha, minha mãe e meu pai se conheceram ainda solteiros e eram companhias quase inseparáveis. Minha mãe e minha tia atletas e os dois acompanhando os jogos. Depois do basquete, o chopp, jantar e as conversas que varavam madrugadas e que, quando me eram contadas, nunca cansei de ouvir e nelas viajava como se fosse a primeira vez.

Hoje, como disse meu primo Atilinho, a mesa está novamente completa e lá estão eles a beber e conversar.

Todos eles são estrelas que nunca se apagam, apenas vão brilhar noutro lugar.

Toronto: dia 1

Chegada e correria. Assim pode ser definido o meu primeiro dia em Toronto já que mal larguei as malas no hotelarrow 10x10 Toronto: dia 1 e já fui para o treino do judô acompanhando a produtora Glenda de Luca e o Vinicius Dônola.
O Brasil está com uma equipe poderosa que conta com campeões mundiais como Luciano Corrêa, Mayra Aguiar e Rafaela Silva.
Cheguei e deparei o técnico Luiz Shinohara, que conquistou o ouro no Pan de San Juan em Porto Rico em 79. Depois foi também a Caracas 83 onde foi prata e na cidade do México em 87 quando conquistou o bronze, sempre pela categoria super leve. Estive em suas três conquistas e hoje acompanho seu excelente trabalho como técnico.
Mais um Campeão Mundial que está em Toronto é Tiago Camilo com quem também encontrei. Ele está em busca de sua terceira medalha consecutiva no Pan e tem ouro no  Rio (2007) e Guadalajara (2011). Tive o privilégio de narrar muitas lutas do Tiago dentre as quais suas medalhas olímpicas conquistadas em Sydney (2000) prata e Pequim (2008) bronze. Tiago, um campeão consciente.
O judô é uma das modalidades que sempre traz excelentes resultados para o Brasil em competições internacionais. Os judocas brasileiros estão na elite mundial e sempre são muito respeitados por seus adversários. A equipe brasileira fez uma boa preparação e na mescla entre experientes e novos talentos trará medalhas para o Brasil.    

Malas prontas: Toronto aí vou eu

É hoje. E como antes de toda partida ainda dá o friozinho na barriga, bom sinal. Mostra que apesar de todos os anos de estrada, aeroportos, hotéis e centenas de vistos em muitos passaportes cheios, a emoção da viagem para mais uma cobertura está ali, à flor da pele.

Mais um Pan. Todos sempre são especiais e tem algo inesquecível: o salto do João do Pulo, as meninas do vôlei ganhando de Cuba, o basquete não classificado para a Olimpíada levar o ouro... Rever velhos amigos jornalistas, veteranos de muitas edições dos Jogos Pan-Americanos sempre rendem ótimas conversas nos raríssimos momentos que temos entre muito trabalho. E, assim como para os atletas, a preparação para encarar um evento como o Pan não é mole.

Condição física para encarar uma jornada que muitas vezes passa das doze horas de trabalho entre transmissões, comentários, escrever e também reuniões. Tudo isso exige muito pique, mas a adrenalina de estar presente ali e ver alguns dos melhores atletas do mundo e também muitas revelações que logo irão chegar lá dão uma motivação que faz com que uma cobertura dessas seja muito mais satisfação e realização que qualquer outra coisa.

Toronto mais ser muito mais que especial já que ano que vem o Rio estará sediando os Jogos Olímpicos, portanto para muitos, Toronto é a porta do Rio então a emoção vai correr solta. Muito mais para nós, brasileiros que receberemos a Olimpíada aqui. Simplesmente o maior evento do planeta vai rolar no Rio ano que vem.

Uma curiosidade naquilo que levamos, principalmente no caso dos mais experientes, é o numero de gadgets. Se antes blocos, canetas, gravadores e notebooks grandes e pesados eram importantes ferramentas paras nosso trabalho, hoje o telefone, tablet e um pequeno note resolvem tudo com muito menos peso e volume, muito embora caneta e papel continuem fundamentais para qualquer trabalho jornalístico.

Vem aí um período de muita emoção e muito esporte com uma equipe muito motivada para levar o melhor para você. Vamos lá juntos para Toronto.

É hoje...

 

O Escândalo do Basquete – Cesta contra

O que faz um esporte que é simplesmente bi-campeão mundial, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos (48,60 e 64) e treze vezes medalhista nos Jogos Pan-americanos sendo que nos cinco ouros (71, 87, 99, 03 e 07) tem um deles, o de 87, conquistado na terra do basquete, os EUA, num jogo memorável contra os donos da casa que mudou o basquete para sempre com a entrada dos profissionais da NBA nos eventos da FIBA a partir dali. Sim, o surgimento do Dream Team é um legado do feito brasileiro em Indianápolis.

 No feminino, as brasileiras já levaram a bandeira nacional ao ponto mais alto do pódio no Mundial de 94 na Austrália e também tem um glorioso bronze em 71conquistado no Ginásio do Ibirapuera. Já no Pan são três ouros (67,71 e 91), quatro pratas (59, 63, 87, 07) e também quatro bronzes (55, 83, 03 e 11).

 Hoje com atletas brasileiros jogando nas principais ligas mundiais do esporte, o basquete nacional tinha tudo para estar vivendo um momento fantástico com a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016, só que não é essa a verdade. Infelizmente.

 Com um patrocinador que também está na Olimpíada do Rio, o basquete brasileiro, ou melhor, a CBB Confederação responsável pela modalidade por aqui pode conseguir a mágica de colocar nossas seleções fora das disputas olímpicas, ou obrigá-las, por pura incompetência, à disputa de torneios para classificação para os jogos que iremos sediar. Parece piada, mas é a pura verdade.

 Se isso não fosse o suficiente, ainda a desfaçatez da cartolagem que considera normal (??????) essa situação pelo calote dado à compra da vaga para convite no mundial masculino ano passado. A preocupação de realizar um feito nunca havido antes na história do país deu lugar a um ainda maior e, potencialmente, mais bizarro: ficar fora da disputa de uma Olimpíada aqui, em nosso solo. A fobia de ficar de fora do evento pela primeira vez gerou a compra de um convite por um módico milhão de dólares e a conta não está sendo paga o que coloca o nosso basquete para a olimpíada tal qual a Grécia para a zona do euro. Coisa feia.

 Não é de hoje que defendo que a gestão esportiva deve ser firme e transparente em todas as modalidades para que exista a segurança nos investimentos que possam ser feitos no esporte. Fico imaginando o que deve se passar nos pensamentos dos patrocinadores do basquete brasileiro. Atletas consagrados mundialmente, potencial enorme de conquistas, mas um enorme ponto de interrogação na participação da competição maior com dirigentes esperando um jeitinho ou um novo dinheirinho para pagar as prestações atrasadas. Isso em pleno século 21!

 A CBB vai gastando tempo e não ligando para os sinais e cobranças da FIBA. Acredita que será dado um “jeitinho”, mas isso pode não acontecer e uns e outros poderão passar para a história como alguns dos piores dirigentes esportivos que o país já viu.

 Para um país que tem no Hall da Fama dos Estados Unidos em Springfield, cidade berço do basquete os atletas Ubiratan, Oscar e Hortência e no Hall da Fama da FIBA Amaury Passos e Oscar além de Paula e Hortência é uma vergonha esperar por um “jeitinho” para participar da Olimpíada no Brasil.

 É uma verdadeira cesta contra.

Brasil é bronze na Superfinal mundial do Polo Aquático

Se na estreia a seleção brasileira já havia conquistado seu maior feito, ele foi  ainda maior. Graças ao planejamento e trabalho dos quais falamos na coluna passada, mais um capitulo  escrito neste final de semana em Bergamo na Itália.

Depois de  derrotar a Austrália por 9x8 e cair diante da Sérvia  por 13 a 9.Nunca um Brasil e Sérvia foi tão equilibrado.Os europeus ficaram com a medalha de bronze nas duas ultimas edições dos Jogos Olímpicos -Pequim 2008 e Londres 2012. Na final, em Bergamo a Sérvia bateu a Croácia por 9-6. Dusan Mandic foi o melhor jogador da Liga.

Vimos, pela primeira vez, uma equipe sul-americana chegar às semifinais da Liga Mundial de Polo Aquático, mais uma grande conquista deste grupo comandado pelo técnico Ratko Rudic que já está entre os melhores do mundo. O polo aquático brasileiro segue fazendo história.

A disputa do bronze foi contra os Estados Unidos . Tony Azevedo ,nascido no Rio de Janeiro ,é um dos destaques  norte americanos e capitão da equipe .Donos de várias medalhas Olímpicas , eles eram os grandes favoritos . Um ouro , três pratas e três bronzes atestaram isso .

Eles mandaram no jogo ,o Brasil só empatou a poucos segundos do final - 10-10.

Aí Ratko Rudic mudou o goleiro para as cobranças .Saiu o ótimo Vinicius Antonelli e entrou Thiê Matos Bezerra na meta brasileira .

Thiê pegou o pênalti do Tony Azevedo e Jonas Crivella marcou para o Brasil - 14 a 13  nas cobranças .24 a 23 no placar .Bronze Brasileiro .

O objetivo do grupo para este ano são os Jogos Pan Americanos de Toronto. Ao que apresentaram até aqui é claramente possível imaginar, sem exagero, que a conquista de uma medalha é real. O ouro depende de uma série de circunstâncias, inclusive do momento da partida, mas, também é bastante possível.

O mais importante é que essa equipe já é uma realidade para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Para os atletas como Felipe Perrone que escolheu voltar a jogar aqui e aos que com ele vieram e escolheram o Brasil fica a certeza do primeiro resultado com essa ótima escolha.

 

Polo Aquático: Brasil campeão na primeira rodada

Existe isso? É possível uma equipe ser campeã tendo jogado apenas uma partida num torneio? Se considerarmos o feito do ponto de vista histórico e pela licença poética sim, mas pelas regras ainda temos passos a dar.

Vencer uma equipe campeã olímpica por 17x10 na rodada de abertura da Superfinal da Liga Mundial de Polo Aquático disputada em Bergamo na Itália foi o feito da equipe brasileira masculina. Conquista histórica que coloca o país no cenário das principais forças da modalidade por conta de um processo de renovação e capacitação da equipe para as Olimpíadas do Rio no ano que vem.

O primeiro passo para o fortalecimento da equipe veio com a contratação do técnico Ratko Rudic que tem seis medalhas olímpicas, sendo quatro de ouro como técnico e duas como jogador. Melhor portfólio impossível. A partir daí o repatriamento de Felipe Perrone, brasileiro, mas que estava jogando pela Espanha e foi o melhor jogador da última Liga dos Campeões de lá.

Felipe veio e trouxe também o espanhol Adrià Delgado e o italiano Paulo Salani, ambos filhos de brasileiros e nascidos no exterior. Além deles o central croata Josip Urlic e o goleiro Slobodan Suro reforçam o agora esquadrão brasileiro junto com os atletas que já formavam a seleção.

Uma característica notada nessa memorável vitória frente os campeões olímpicos foi a força física e uma marcação invejável que mostram a grande evolução da equipe. Talentos, estrutura e capacidade física e técnica sempre dão resultado em qualquer esporte.

A meta da equipe para esta temporada é o Pan e tudo até lá é visto como preparação. A única vez em que o Brasil foi medalhista na modalidade foi nos Jogos de 63 disputados em São Paulo, quando o lugar mais destacado do pódio foi do Brasil. Em comum com aquela equipe e a atual a presença de destaques internacionais e no time de 63 esse lugar era de Aladar Szabo.

Szabo ou Zabão como é conhecido foi o responsável pelo primeiro salto do pólo aquático brasileiro. Figura lendária, o húngaro fugiu de seu país após a invasão soviética em 54 e veio para cá para ser técnico. Ao cair na água para mostrar jogadas era tão superior que acumular as funções foi o passo natural. Tão bom jogador como figura, sua presença nas piscinas era certeza de grandes jogadas. Se fosse fora delas e pintasse uma briga o certo era procurar uma cadeira e sentar para assistir, pois de uns dez o Zabão dava conta. Mole.

Primeiro no Rio depois em São Paulo, o Zabão fez muito da fama que o pólo aquático tem até hoje de grandes atletas e que tem facilidade de resolver as pendências à moda antiga. Folclore à parte o water polo está, novamente, começando a viver um momento maravilhoso.

Desta vez essa geração do Felipe tem a chance de se juntar à conquista dos tempos do Zabão e superá-lo e ao seu grupo no Pan e brigar muito no Rio em 2016.

O primeiro título todos eles, comandados pelo técnico Ratko Rudic eles já conquistaram. E olha que foi num jogo só...

Vôlei. Na quadra e na areia Brasil vai bem

Um final de semana com resultados excelentes no vôlei. Na quadra a equipe de Bernardinho conquistou uma grande vitória sobre a Itália e na areia um pódio todo das meninas brasileiras. Show de bola.

Depois de perder para os donos da casa no lindíssimo Foro Itálico, numa arena aberta que também recebe o aberto de Tênis de Roma, a seleção masculina dirigida por Rubinho se recuperou da derrota por 3x2 na sexta feira e conquistou um grande resultado ao bater os italianos por 3x0. Resultado que mostra que o rodízio entre os jogadores para a formação dos grupos que jogarão as finais da Liga Mundial e o Pan está funcionando muito bem e o Brasil, apesar de já classificado por sediar as finais no Rio, segue em primeiro lugar em seu grupo.

As expectativas para as finais do Liga e o Pan são fortes já que o desempenho da moçada está correspondendo. A diferença fundamental de uma partida para outra foi o bloqueio. Quando ele comparece, o jogo do Brasil fica muito mais consistente e intimida o adversário seja ele qual for. Inclusive Rússia e Polônia com quem não temos tido resultados favoráveis em decisões.

Já nas areias de São Petersburgo nos EUA, Ágatha e Barbara Seixas ficaram no lugar mais alto do pódio, Juliana e Maria Elisa em segundo e Fernanda Berti e Taiana fecharam a três medalhas brasileiras naquele Grand Slam num grande momento para o esporte brasileiro. Como o evento é valido para a corrida das vagas olímpicas, as campeãs assumiram também a liderança dessa briga, com Juliana e Maria Elisa no encalço e Larissa e Talita na terceira posição. Serão duas as duplas brasileiras nos Jogos do Rio ano que vem e a briga está muito boa.

Com a liderança do ranking mundial também em suas mãos nesse momento, Ágatha e Barbara Seixas vêm mostrando uma consistência grande como equipe e tem tudo para ficarem entre as melhores do mundo.

Se fora das quadras e areias a coisa, por vezes, está meio complicada, dentro delas o desempenho brasileiro continua a ser destaque em todo mundo com talento em todas as frentes.

Humor Olímpico

Com todo respeito a toda e qualquer manifestação esportiva é difícil imaginar que algumas das atividades que se apresentaram como candidatas a integrar o programa olímpico nos Jogos de Tóquio em 2020 tenham chance. A decisão será tomada na Assembléia do COI no Rio, antes do início do Rio 2016.

Curioso é lembrar que na própria origem dos Jogos da Era Moderna, algumas de suas primeiras edições tiveram modalidades, bastante exóticas, as quais nos dias atuais seriam consideradas muito além de politicamente incorretas. Pensar que a edição dos Jogos de 1904 realizada em Saint Louis nos Estados Unidos teve a módica duração de cinco meses já que foi realizada em conjunto com a Feira Mundial. Imaginou essa moçada durante uma temporada assim hoje? Haja estrutura e grana para isso.

 Claro que é impensável por conta da profissionalização do esporte, calendários e emissoras de tevê só para levantar alguns senões. Da mesma maneira que algumas modalidades da época não têm apelo algum além de estarem altamente enquadradas no politicamente incorreto o que poderia gerar tantos protestos e processos que poderiam quebrar o COI. 

 Todo esporte sonha ser olímpico. Prestígio, interesses comerciais e de comunicação, marketing e outros benéficos que geram grandeza, visibilidade e poder. Mas isso é impossível de ser para todos. Elitista não, longe disso, apenas realista. Não existe espaço para sequer para todos os esportes quanto mais para atividades que estão virando esporte agora.

 Uma solução para se atender ao maior número possível seria enquadrar por grupo de esportes e criar Jogos específicos para eles. Por exemplo, os Mind Games. Jogos de estratégia e inteligência a começar pelo xadrez e agora envolvendo os jogos de carta que também viraram esporte. No grupo dos Beach Games entrariam o mergulho, surfe, esqui e wakeboard, frisbee e por aí vai.

 Para organizar esses eventos, países que, normalmente, não possuem condições de sediar uma edição de Jogos de Verão ou Inverno poderiam receber esses eventos dinamizando e ampliando seu potencial turístico e o desenvolvimento desses esportes. Teriam muito menos despesas e muito mais visibilidade.

 Para os esportes isso pode representar um crescimento consistente e paulatino sem devaneios megalômanos que, na grande maioria das ocasiões, sempre acabam em problemas maiores num prejuízo para o próprio esporte.

 Já o beisebol, caratê e pólo eqüestre são modalidades que parecem estar mais próximas de uma edição olímpica como conhecemos os Jogos hoje, mas isso é decidido numa votação e nem sempre resultados de urnas são lógicos.

 Por mais força que os guerreiros do sumô tenham, assim como um prestígio de acordo com suas circunferências, o esporte não é muito praticado fora do Japão, e isso deve pesar contra.

 No caso do Brasil, o futebol de salão ou futsal sequer foi relacionado para entrar no programa olímpico dos Jogos de Tóquio 2020. Bem, pelo tamanho da encrenca que a Confederação da modalidade tem, agora encampada pela CBF nessa última assembléia, os problemas lá são outros então talvez seja mais prudente ficar fora. Triste é pensar que Falcão e sua turma não vão disputar uma Olimpíada num esporte criado aqui no Brasil e que já ganhou o mundo.

 Bom pelo menos ninguém tentou colocar o arremesso de anões de volta. Isso mostra que estamos evoluindo...

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