Atletas: competição e comportamento

A questão não é nova. Como enquadrar? Foi na competição ou fora? Estava com o uniforme ou não? As questões não são poucas nem os problemas que elas geram são pequenos, mas, invariavelmente, quando o atleta tem uma conduta inadequada o problema, na grande maioria das vezes está na falta de regras.

O ambiente de competição é estressante. Quem praticou esporte a sério sabe disso e a primeira competição que um atleta passa é para integrar um grupo. Seja num esporte individual ou coletivo a primeira briga é por uma vaga na equipe. Seja de uma modalidade individual ou coletiva a primeira disputa é pelo lugar no grupo. A partir daí começa a competição entre os integrantes do grupo para a definição dos titulares e reservas. Outra disputa onde talento, emoção, força mental e autocontrole entram em cena, afinal quem já não ouviu alguma vez que algum atleta era ou é conhecido como “leão de treino?”.

Esse atleta tem todas as qualidades para ser grande e até pode vir a ser, mas por alguma razão, na hora da competição também conhecida como hora H, o desempenho fica longe daquilo que permite seu potencial e que ele demonstra nos treinos. É a batalha mental para superar a competição com menor responsabilidade de um treino para lidar com ela no momento maior.

Quando as regras não são claras, tudo fica nebuloso e acreditar que o bom senso deve ser o único norte para comportamento pode funcionar muito bem para alguns, mas com toda certeza não funciona para todos.

As empresas quando investem no esporte tem como uma de suas maiores preocupações não o desempenho técnico do atleta ou da equipe onde irão colocar suas marcas, mas, principalmente, em problemas imprevistos que possam surgir e entornar o caldo. Claro que sempre existem situações imponderáveis, mas a grande maioria delas permite que a conduta dos atletas ou dirigentes que estejam representando uma marca, uma equipe ou um país tenham conhecimento daquilo que deles é esperado.

Se a coisa fica liberada à interpretação do atleta, uma série de fatores potencializa o risco mesmo com as melhores intenções por parte do esportista, já que quando não estiver competindo seu julgamento será o bastante para que as coisas corram da melhor maneira. Por mais discernimento que um atleta tenha esse livre arbítrio não é uma medida prudente já que ao se ver fora do estresse da competição, o comportamento dos atletas pode não ser tão adequado quanto aqueles que lhes dão toda liberdade pensam.

O ser humano nem sempre tem em suas características se colocar em todos os possíveis lados de uma situação para imaginar o que determinadas atitudes podem causar e, da mesma forma, não tem a qualidade de perdoar nas outras pessoas aquilo do que não gosta ou considera correto em termos de comportamento.

Quando regras são claras atletas, que na grande maioria das vezes são seres extremamente competitivos, encaram as regras como parte de seu trabalho. Assim como estar sempre viajando, treinando muitas horas por dia e atender compromissos com patrocinadores ou organizadores de evento quando assim lhes é determinado.

Longe de colocar atletas numa situação militar, mas regras de atitude e comportamento permanentes, enquanto fazem parte de um projeto esportivo seja ele grande ou não, possibilita a todos o entendimento claro de normas de conduta e não o “achismo” de imaginar de que quem está lá deve saber o que fazer. Com certeza na hora de venda de um patrocínio não é isso que é falado para a empresa que vai assinar o cheque.

As pessoas por melhores que sejam erram, mas quando sabem, claramente, seus limites erram muito menos. Em todas as situações. No esporte e na vid

Pan: são 50 dias para Toronto

Os Jogos Pan-Americanos são, para o esporte brasileiro, uma competição de afirmação como força continental. Para algumas modalidades representa o embate com algumas das maiores forças do mundo, para outras, nem tanto, mas o Pan é a grande competição desta temporada e o termômetro de a quantas vamos para o Rio 2016.

Como nem tudo é perfeito em toda fase pré competição, algumas baixas acontecem, e uma delas é a do ginasta Diego Hypólito com problemas nas costas. Ele, infelizmente, já está fora do Pan em Toronto.

Com oito medalhas no Pan, sendo cindo de ouro, Diego estava a caminho de sua quarta participação consecutiva nos Jogos Pan-Americanos. Com a lesão fica fora da disputa por uma das vagas e seu objetivo passa a ser o Mundial em Glasgow, na Escócia, que será disputado em outubro. O Brasil precisa da mescla de jovens talentos como a revelação Ângelo Assumpção e atletas experientes e já consagrados como Diego. Isso dá um equilíbrio fundamental a qualquer grupo que se trabalha para uma grande competição. Principalmente se ela será realizada em seu país, aí a pressão aumenta muito e experiência conta muito. Principalmente durante a preparação.

Na natação, o Mundial que será disputado em Kazan, na Rússia tirou Cesar Cielo da disputa do Pan. A proximidade das competições e o planejamento de competições para este ciclo olímpico do campeão olímpico dos 50 metros livres em Pequim 2008 e bronze nos Jogos de Londres em 2012 o fez optar por disputar apenas o Mundial como preparação para sua terceira briga por medalha olímpica.

Se não teremos o Cesão, Thiago Pereira vai para a briga nas duas competições. No Pan vai buscar mais medalhas para sua coleção e terá a possibilidade de se tornar o maior medalhista na competição. Na natação, as equipes masculina e feminina podem trazer excelentes resultados de Toronto para o Brasil.

No handebol feminino a expectativa de Duda Amorim, escolhida como MVP no último Mundial onde o Brasil se sagrou campeão pela primeira vez, as expectativas são grandes e o Pan também vai servir de preparação para o Mundial que será disputado em dezembro, onde as meninas brasileiras irão defender seu histórico título mundial. O Técnico Morten Soubak trabalha duro para manter o Brasil no topo do ranking.

São apenas 50 dias para muitas emoções. 5º dias para uma das grandes festas do esporte.

 

 

2015 é o ano dos 100 metros; tempo caindo

Em menos de uma semana os tempos dos cem metros rasos estão caindo. Primeiro foi Asafa Powell que fez a excelente marca de 9,84 segundos e agora foi Justin Gatlin que realizou a façanha de obter a quinta melhor marca da história para a prova e se colocar na condição de homem mais rápido do mundo depois de Usain Bolt que tem as quatro mais velozes marcas em todos os tempos.

Em comum Gatlin e Powell tem além da enorme velocidade o fato de haverem sido apanhados em exames anti-doping. Suspensos e afastados, após cumprirem suas penas voltam ao atletismo e brilham.

Justin Gatlin correu os 100 metros em 9,74 segundos, um décimo mais rápido que Powell. As marcas foram obtidas em Doha, no Qatar e em Kingston, Jamaica respectivamente. Para os fãs do esporte e, em especial do atletismo, é sensacional o fato de competições acontecerem ao redor do mundo e a escolha de cada atleta em termos de participação se, por vezes não coloca os grandes favoritos a uma prova juntos, o cronometro se encarrega de fazer isso e a luta contra o tempo independe do lugar.

A luta maior desses atletas, mais até que aquela contra os cronômetros será aquela para limpar definitivamente seus nomes do doping. Essa é a busca pela maior vitória já que ficar, definitivamente, limpos vai trazer não só a condição de grandes atletas de volta, mas, principalmente, a confiança de anunciantes e patrocinadores que arrepiam quando atletas que defendem suas marcas e empresas são ligados a escândalos de doping.

Na toada dessa questão, o laboratório brasileiro do Rio de Janeiro, antes Ladetec, agora Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem foi novamente credenciado pela WADA – Agência Mundial Antidoping e estará apto para a realização dos exames dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Vale informar que durante a Copa do Mundo pelo fato do laboratório estar descredenciado, os exames foram realizados em Lausanne, Suíça o que, convenhamos, não foi um bom momento.

Vale lembrar que antes dos Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Sochi, o laboratório russo também foi descredenciado pouco depois do Ladetec, também por falhas nos exames.

O esporte sempre tem de correr para provar que está limpo. Atletas e autoridades esportivas também para que os resultados conquistados nas pistas, quadras, campos e piscinas sejam eles, todos válidos, todos legais.

Fazer vista grossa a isso ou passar a mão na cabeça de quem usa, estimula ou facilita o uso de drogas que melhoram performance são casos patéticos que devem ser dirigidos às delegacias e presídios, pois lá é que essas pessoas devem estar.

Para Gatlin e Powell melhor chance impossível. Um ano antes dos Jogos Olímpicos do Rio eles estão voando. Que seja sempre com suas próprias asas para o bem deles e do esporte.

Atletismo: Jamaicano tem o melhor tempo do ano nos 100 metros

Uma volta dos mortos. É isso que pode se considerar que o jamaicano Asafa Powell fez na Jamaica no último dia 9 marcando o melhor tempo dos 100 metros rasos para a temporada com 9 segundos e 84 centésimos.

Para alguém que tomou um gancho de dezoito meses por doping, Powell coloca fogo na disputa para a prova mais veloz do atletismo que tem como evento maior na temporada, o Campeonato Mundial que será disputado na China, no lindo e famoso estádio Ninho do Pássaro que recebeu as competições do atletismo nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

Lá mesmo onde o homem correu no céu, voando com a tocha olímpica, parece ser o cenário perfeito para a disputa da prova mais veloz do atletismo. E essa promete ser a mais veloz de todos os tempos já que, até agora, temos quatro corredores com tempos abaixo dos dez segundos na temporada e três deles conquistaram seus tempos na mesma prova em que Powell fez sua marca.

Usain Bolt, o soberano da prova, tem até o momento apenas o 26º. Tempo do ano com 10.12 obtidos no Rio, numa exibição realizada em abril. Mas isso para os que conhecem o potencial praticamente sem limites do jamaicano é apenas a certeza de que vem coisa grande por aí.

Para Asafa Powell, mais importante que a marca é sair do inferno do doping e voltar a ser destaque pelo talento, coisa que inegavelmente ele possui em grande quantidade. Mais magro Powell voou em casa para delírio de grande massa de torcedores que lotava o estádio a torcida gritava seu nome e o narrador da prova foi mais um que se emocionou até gaguejando ao microfone dando ainda mais emoção à volta de Asafa Powell aos grandes resultados.

Para o Brasil, o Mundial traz grandes recordações, pois lá no Ninho do Pássaro, a primeira mulher brasileira conquistou o lugar mais alto no pódio do atletismo. Maurren Maggi saltou 7.04 metros e trouxe para nós e para Sofia, sua filha, o ouro histórico. Maureen tem o índice para os Jogos Pan Americanos que serão disputados antes do Mundial e, até lá pode conseguir uma marca que lhe permita voltar a Pequim como competidora em sua última temporada como atleta.

Pan e Mundial de Atletismo neste ano são as grandes competições da modalidade nesta temporada.

Em Toronto , a menos de dois meses , a Jamaica poderá mandar grandes velocistas . Quem irá ?

Nomes e marcas surgirão e farão aumentar ainda mais as expectativas para a corrida do ouro nos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Pan: 60 dias para Toronto

Faltam apenas dois meses para o Brasil começar sua grande competição de 2015. Os Jogos Pan-americanos que serão disputados em Toronto. Numa temporada que ainda prevê vários campeonatos mundiais, ou eventos com esse status, o Pan é a maior competição poliesportiva e é o grande teste para o COB na questão logística e organização. Depois disso é o Rio 2016.

Na questão desempenho, os atletas brasileiros vão muito bem. Além das cinco medalhas conquistadas na etapa brasileira da Copa do Mundo de Ginástica disputada em São Paulo semana passada, neste final de semana foi Fabiana Beltrame conquistou o ouro na etapa de Bled na Eslovênia da Copa do Mundo de Remo.

O lago de Bled é um velho conhecido de Fabiana que ali conquistou sua primeira vitória em 2011 no single skiff, categoria peso leve, que não é olímpico, mas faz parte do programa do Pan. Ainda em 2011 Fabiana conquistou a prata em Guadalajara. Fabiana também compete no Double skiff, esse sim parte do programa olímpico que tem a qualificatória para os Jogos do Rio em novembro.

No vôlei Zé Roberto no feminino diante do volume de competições praticamente simultâneas (Pan e Grand Prix) chamou 33 atletas para formar seu grupo para atender toda agenda e, com a qualidade e tradição que ele ajudou a criar a consolidar no vôlei brasileiro. Certeza de renovação e as grandes jogadoras bi campeãs olímpicas lutando para manter o Brasil no topo. No masculino, o desafio de Bernardinho é igual e Liga Mundial e Pan lotam a agenda do time. Oportunidade de observar num grupo maior e em competições diferentes, quais serão os nomes para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016.

No quesito estrutura os canadenses se preparam para superar o Rio 2007 e, com isso, se capacitarem a uma candidatura robusta para voltar a sediar uma edição dos Jogos Olímpicos de Verão deixando para trás, de maneira definitiva, as caras e difíceis de pagar lembranças de Montreal 76.

O Rogers Centre, estádio do Blue Jays com capacidade para 54 mil espectadores irá receber a Cerimônia de Abertura que terá a produção com a griffe do Cirque de Soleil.

Em termos de participantes o Rio continuará sendo maior, pois teve 42 participantes e em Toronto teremos uma representação a menos já que o Comitê Olímpico das Antilhas Holandesas foi dissolvido.

Além de Toronto, outras 14 cidades espalhadas por Ontário irão sediar o Pan numa composição extremamente interessante se considerarmos a pluralidade como forma de redução de custos para a organização do evento.

Em 76 o Canadá realizou uma Olimpíada única com estádios moderníssimos, lidou com a ameaça terrorista pós Munique e ficou com uma conta gigantesca para pagar com uma edição moderna dos Jogos, mas antiga em termos de arrecadação. Montreal foi um divisor de águas com relação a isso.

Agora, 39 anos depois realiza uma nova edição do Pan com um olho no evento e outro no futuro que pode lhe trazer, mais uma vez, o direito de sediar os Jogos Olímpicos de Verão.

A Tv Record é a detentora dos direitos dos Jogos Pan Americanos até Lima 2019

Daqui a pouco começamos a ver tudo isso.

Só faltam 60 dias .

Mães Olímpicas

Toda mãe é olímpica. Mesmo não sendo atleta, os filhos sempre dão um jeito de transformá-la numa campeã já que as demandas são tantas, pois desde o nascimento, assim que o milagre da vida acontece começamos a dar trabalho. E olha que isso vai longe...

 Toda mãe é vencedora, pois nos traz à luz. Carrega um peso razoável durante um tempo que não é pequeno e, sempre tem um sorriso no rosto e conversa conosco mesmo quando estamos lá, na nossa piscina particular, mais agitados que nadadores numa partida de pólo aquático.

 Toda mãe é uma medalhista, pois depois de todo o trabalho que demos durante o dia somos colocados para dormir com um beijo no rosto, durante todos os ciclos olímpicos que com elas vivemos.

Toda mãe merece um estádio em pé, a aplaudir seus feitos, desde os mais simples, mas que são repletos de amor, aos mais difíceis às verdadeiras maratonas a que são submetidas e sempre cruzam a linha de chegada com sorriso nos lábios e beijos para nos dar.

 Toda mãe olímpica é uma grande memória, pois sempre se lembram de nossos primeiros passos, saltos, tombos, jogos, corridas, brinquedos e tantas outras coisas que nos são fundamentais, mas das quais não recordamos e, graças a elas, nossa história é preenchida e fica sem vazios.

 Toda mãe olímpica é uma grande técnica, pois nos orienta durante todo o tempo em que temos o privilégio de tê-las conosco.

 Toda mãe olímpica é super já que não basta ser campeã, precisa ser uma heroína também para lidar com tantas coisas que nós, filhos, precisamos e pedimos. É quase como se ela se transformasse em um time inteiro, mas sendo uma aos nossos olhos.

 Mães são a maior expressão da vida, da alegria, da proteção, do amor e sempre estão conosco, mesmo quando estamos longe.

 Mães olímpicas são modestas, pois quando chegamos abrem mão de grande parte de suas vidas para nos preparar para a vida e se contentam com apenas um dia quando toda uma vida é muito pouco para retribuir o que todos nós recebemos.

 A todas as mães olímpicas um grande beijo e um agradecimento por existirem

Marketing: quando a ajuda vem do além

Esporte e emoção é uma parceria constante, definitiva. Impossível dissociar um do outro, decididamente não dá e, justamente, por conta disso aparecem situações e oportunidades para que o lado de lá dê sua mãozinha ao esporte e às marcas.

Não é uma arte nova, já que no jornalismo esportivo, caindo na ficção Mestre Nelson Rodrigues criou o Sobrenatural de Almeida. Personagem completo com nome e sobrenome era capaz de coisas fantásticas como desviar bolas com o vento, ou seu sopro para o gol, paralisar o campeonato carioca e, literalmente virar o assunto de uma cidade como o Rio durante semanas. É quase a versão local, dentro das devidas proporções, da Guerra dos Mundos criada por Orson Welles.

No automobilismo agora quem dá uma mão para a McLaren que volta a ter o motor Honda, mas está lá no fim do pelotão, ao menos por enquanto, é o ídolo de sempre Ayrton Senna. Agora associado novamente à marca de relógios Tag Heuer que acaba de lançar um filme onde o McLaren Honda do título de 88 – primeiro do brasileiro – anda ao lado do carro dessa temporada.

Curioso é que não é a primeira vez que o barulho do mítico carro da alegria das manhãs dominicais volta ao vídeo. Quando a Honda anunciou sua volta à F1 fez um filme só com o som de uma volta de Ayrton Senna pelo circuito de Suzuka onde ele conquistou o titulo em 88 e teve os embates históricos com Prost em 89 e 90 numa belíssima produção criativa. Agora neste filme Senna fala da corrida contra o tempo e aí entra a Tag Heuer que com ele fez a épica campanha “Don’t crack under pressure” que espelhava literalmente a determinação de Senna que não quebrava sob pressão. Campanha que volta com a força do maior embaixador que a marca já teve.

A Nike também já usou do expediente com Steve Prefontaine, grande atleta, treinado por Bill Boewermann um dos criadores da marca. O espírito de Pre, como o corredor era conhecido fazia o chamamento para o “espírito Nike”.

A mesma Tag Heuer criou um diálogo virtual entre Steve McQueen e Lewis Hamilton. McQueen tornou a marca famosa ao utilizar seus relógios no filme Le Mans e Hamilton que era um dos garotos propaganda da marca na época em que corria na McLaren. Mesmo campeão mundial e muito talentoso precisava do carisma maior de McQueen que segue como embaixador da marca, assim como o também Juan Manoel Fangio, também falecido segue com os relógios, o que mostra que o tempo é, literalmente, uma medida exata, mas de interpretação variável.

Em tempos difíceis, uma ajudinha do além vai muito bem e quando as coisas estão boas, a emoção também sempre vende e muito e nossas ótimas lembranças vem à tona com grandes ídolos de todos os tempos.

 

Nada além do esporte faz isso.

Copa do mundo de Ginástica. Brasil rumo ao Pan de Toronto com 9 medalhas

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A realização de Etapa da Copa do Mundo de Ginástica Artística aqui no Ibirapuera serviu para mostrar o estágio em que se encontra a equipe brasileira para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016.

Semana passada conversava com Luisa Parente, a primeira ginasta brasileira a chegar numa final olímpica e após uma gravação na Record seguimos para o Rio e o assunto claro foi esporte e, principalmente, a ginástica artística.

A equipe brasileira tem algumas certeza e realidades mais que consolidadas. Dentre elas Arthur Zanetti é a maior delas. O campeão olímpico e mundial deu um verdadeiro show no Ibirapuera e fez uso a seu favor do publico que lá esteve e o aplaudiu de pé. Zanetti conseguiu a melhor marca de sua carreira nas argolas, depois conquistou o ouro com uma marca também expressiva e dedicou a medalha à torcida brasileira. Ganhou mais uma vez, com todos os méritos.

Os jovens mostraram seu talento como Flavia Saraiva ,ouro no solo e prata no salto ,aos 15 anos de idade .Angelo Assumpção ganhou o salto entre os homens.O futuro é promissor .

Uma das grandes preocupações dos treinadores de todas as modalidades esportivas é o fator casa. Todos enaltecem o fantástico fato de seus atletas e equipes competirem aqui numa Olimpíada, mas tem a preocupação da pressão que pode acontecer. Como irão reagir é um dos prognósticos mais difíceis, já que esse é um aspecto que depende de cada atleta e sua força psicológica, mesmo com todo trabalho que é realizado pelas equipes técnicas para isso.

No caso da ginástica artística isso é ponto de maior atenção pelo fato da equipe estar em renovação, com muitos atletas bem jovens, que diante dos bons ginastas que vieram ao Brasil tiveram, de um modo geral, um bom desempenho nesse aspecto e a pressão na jovem equipe brasileira. A coordenadora da Equipe Feminina, Georgette Vidor fez elogios às meninas, mas lembrou que a possibilidade era maior em termos de pódios no Ibirapuera, até pelo que foi apresentado nas eliminatórias.

As nove medalhas conquistadas pelo Brasil no Ibirapuera apresentam um panorama muito interessante para a ginástica. Renovação e Experiência, não importando aí a ordem formam uma equação sempre vencedora no esporte quando utilizada com talento e inteligência. Isso em qualquer modalidade.

A experiência e vivência maior daqueles que já competiram mais ajuda no desenvolvimento dos novos e alivia a barra da pressão. Individual ou coletivamente a coisa dá resultado.

No futebol o Santos também fez uso da mesma formula em sua equipe de futebol e conquistou mais um título paulista.

Tênis de mesa: show do país do futebol na Pátria do Ping-Pong

Alguns já nascem com a bola nos pés. Isso foi argumento utilizado durante muitos anos para justificar o domínio do futebol brasileiro no mundo.  Fosse com a seleção ou grandes equipes como Santos e Botafogo nos anos 60 e depois todos os clubes nacionais que conquistaram o Campeonato Mundial de Clubes fizeram a imagem verde e amarela no mundo da bola.

Já do outro lado do mundo a moçada nasce com a raquete na mão. Tênis de Mesa faz parte da vida de todo mundo por lá. Da infância à terceira idade é o esporte nacional e ganhar alguma coisa do pessoal dos olhos puxados não é nada fácil.

Há 61 anos o Brasil chegou a uma disputa de quartas de final em um Campeonato Mundial da modalidade, na categoria de duplas. Os heróis de então foram Dagoberto Midosi e Ivan Severo. A melhor colocação do país na história.

Em 1954 quando aconteceu a conquista, a China havia saído de duas guerras: a segunda Guerra Mundial  até 1945 e sua Guerra Civil, onde nacionalistas e Comunistas lutaram até 49. Um país dividido, já que os nacionalistas foram para Taiwan e estão por lá até hoje, devastado e que tinha de se reerger em suas duas antagônicas faces.

O Tênis de Mesa tem importância política histórica já que foi por meio dele que aconteceu a primeira aproximação ocidente oriente com a realização da exibição entre as equipes chinesa e americana. Isso no auge da Guerra Fria o que torna o feito ainda mais significativo. Mais uma vez o esporte como ferramenta diplomática para unir os povos e cessar conflitos. Se considerarmos a importância do esporte na conquista da Paz veremos que ele merece mais de um Prêmio Nobel por conta disso.

Nos dias atuais, o feito conquistado por Cazuo Matsumoto e Thiago Monteiro é ainda mais forte, pois a China e os países asiáticos não só são grandes potências na modalidade, mas polos exportadores de atletas já que com um numero absurdo de talentos, nem todos têm chances nas equipes nacionais de seus países, então sair, jogar fora e se naturalizar para participar das grandes competições por outras nações é algo comum como com nossos jogadores de futebol, futebol de salão e futebol de areia. Só que se considerarmos a população brasileira e a chinesa veremos a quantidade de jogadores de tênis de mesa gabaritados disponíveis no mercado.

Ao ficarem nas quartas, derrotados pelos coreanos por 4x3 em sets eles fizeram a história na modalidade e o grande resultado conquistado é uma justa homenagem a todos mesatenistas brasileiros. Desde Dagoberto e Ivan, passando por Biriba, Claudio Kano, o incrível Hugo Hoyama e tantos outros homens e mulheres que levaram a bandeira brasileira às competições em todo o mundo.

Fofão: conquista e despedida

fofao Fofão: conquista e despedida

Talvez a maior dificuldade e um atleta não seja errar um lance decisivo, aquele que pode dar um título a ele, sua equipe, seu país.

Talvez a maior dificuldade de um atleta não seja lutar contra os limites do corpo, das dores, das lesões, das intermináveis sessões de fisioterapia ou da recuperação de cirurgias onde, curiosamente, são chamados de pacientes, quando exatamente o contrário é que corresponde à realidade.

Talvez a grande dificuldade para quem conheceu a glória, a conquista, o sucesso, seja o anonimato onde os grandes são relegados ao lugar comum e passam a ter nas recordações aqueles que podem ter sido os grandes momentos de suas vidas.

Depois de tanto talvez, uma certeza. Parar. Esse é o grande desafio de todo atleta de alto nível. Grande parte das vezes o corpo cede à pressão dos anos e diz que chega. Outras vezes o cansaço mental de tantas competições, concentrações, viagens, ausências junto à família e também das pessoas queridas torna a escolha pelo fim da vida esportiva o caminho escolhido.

Nessas certezas tem mais algumas e uma delas, particularmente, aos que foram grandes é a mais dolorosa. É quando o atleta não quer parar, mas o esporte para com ele. Fica sem espaço para jogar, competir e chega ao fim de sua carreira da pior forma. Barrado na festa que contribuiu para que fosse um sucesso.

Caso fosse futebol, aos 45 parar seria no fim de jogo, mas no volei apenas uma coincidência numérica. Hoje, campeã mais uma vez, Fofão disse adeus às quadras. Jogou como se fosse apenas mais uma vez. Colocou suas atacantes na grande maioria das vezes para definirem os pontos de sua equipe, o Rexona Ades, com tranquilidade e foi maestrina de sua equipe que venceu uma final de superliga por 3x0 o que não é comum.

Fofão correu o mundo atrás da bola e jogou, sempre com destaque conquistando títulos e colecionando prêmios individuais. Além dos países também conquistou continentes e foi a melhor levantadora da Champions League e, ainda na Europa, ganhou o Oscar do Volei de melhor levantadora. Isso dá um ginásio cheio de prêmios e troféus.

Tão importante quanto todos seus prêmios foi sua dedicação e isso que a fez superar os reveses que acontecem em muitas carreiras. Na seleção disputou posição com Fernanda Venturini que também foi uma das melhores levantadoras do mundo. Também lidou com uma fase de difícil gestão antes da entrada dos técnicos Bernardinho e depois Zé Roberto que transformaram a seleção de uma sempre possível favorita a uma realidade que dura desde que eles assumiram o comando das seleções brasileiras.

Ganhar, para um grande atleta é o objetivo sempre, mas dar sempre seu melhor é o que o torna inesquecível. Fofão sempre, mesmo quando jogava sem suas melhores condições, sempre deu seu máximo.

A conquista de Fofão hoje é generosa, como sempre foi sua função no volei levantar para atacantes brilharem e as meninas do Rio mostraram isso em quadra com toda justiça.

 

A diferença é que na constelação das grandes estrelas do esporte o brilho de Fofão e de seus feitos é único e agora passa a ser a inspiração não só das levantadoras que estão na seleção jogando muito, mas de todas as meninas sonham em jogar volei. Que levantem suas bolas bem alto até que elas cheguem no céu e virem estrelas, como as bolas da Fofão.

Agora, como seria normal esperar de uma cidadã do mundo, a despedida definitiva será num mundial. O Rexona Ades vai para a Suíça disputar o Campeonato Mundial Interclubes entre os dias 5 e 10 de maio. Depois disso, Fofão na quadra só nas nossas ótimas lembranças

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