Piscina medalhada

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A aposentadoria durou pouco. Foram apenas 20 meses de folga para o maior vencedor da história olímpica. Michael Phelps vai voltar a competir no GP de Mesa, no Arizona, a partir de amanhã.

Com 22 medalhas, sendo 18 de ouro, o maior vencedor de todos os tempos não resistiu ao apelo das águas e volta para começar sua caminhada rumo aos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Para a volta o programa de Phelps contempla os 50 e 100 metros nado livre e os 100 borboleta onde é recordista mundial.

Michael Phelps como todo grande campeão ficou, aparentemente, cheio da rotina de treinamentos e competições e quis dar um basta, mas viu que não vive sem a água que lhe trouxe tantas glórias.

Primeiro resultado de sua aparição, os ingressos para o evento logo se esgotaram mostrando que, mesmo de checar sua capacidade como competidor, o efeito mercadológico continua intacto e deu um prestígio

Inusitado à competição.

No evento Phelps vai medir forças com o amigo e rival Ryan Lotche o que dará um excelente parâmetro de seu estado competitivo. O GP de Mesa faz parte de um circuito com seis etapas pelos EUA e todas as distâncias individuais olímpicas fazem parte do programa. Um bom desempenho ali traz mais perto o sonho olímpico.

Quem ganha com isso é o esporte com a volta de um grande após umas férias prolongadas. Quem ganha com isso são os Jogos do Rio que podem ter o maior medalhista de todos os tempos por aqui.

Isso sim vale ouro.

 

Luciano do vôlei. Luciano do Esporte

Chamá-lo de Luciano do Vôlei é pouco. Muito pouco. O homem transformou o esporte em produto mercadológico e bateu, mais de uma vez, com vôlei o Ibope das novelas. Encheu o Maracanã com mais de 95 mil pessoas para um jogo de vôlei Brasil e União Soviética que até hoje é o recorde mundial de publico na modalidade que foi transmitido pela TV Record em 26 de julho de 1983.

Meu pai sempre disse que um grande profissional deve ser reconhecido por seus feitos claro, mas o mais importante é ver quem e quantos talentos foram por ele revelados e aí Luciano é, absolutamente, imbatível. Num alfabeto que tem gente que praticamente vai de A a Z ele deu chance para muita, mas muita gente mesmo mostrar talento na telinha. Orgulhoso me incluo entre os que trabalharem com o Bolacha e privaram de sua amizade. Como amigo, chefe ou colega não havia distinção era um grande barato trabalhar com o Luciano que quase a cada papo tinha uma sacada incrível criando algum projeto fantástico ali, na frente de todo mundo como se fosse a coisa mais tranqüila do mundo.

Luciano é um cara que vai sair de nosso convívio apenas fisicamente. Suas idéias e realizações estão aí e sempre vão continuar vivas. Muitas das medalhas olímpicas brasileiras e títulos conquistados mundo afora tem sua mão. Mesmo para aqueles que teimam em não ver. Foi o Bolacha que fez.

Até o Pelé voltar a jogar ele fez. Precisa mais? Personagem de grandes histórias, algumas que vivi a seu lado e estão em um livro que estou escrevendo tem sua cara. A do amigo, do bom profissional, do bom chefe e, principalmente, do grande e eterno apaixonado pelo esporte. Aquele que trocou o microfone da campeã de audiência pelo desafio de fazer o esporte acontecer, de fazer do sonho realidade.

A programação do esporte no domingo da manhã até à noite, num desfile de atrações sem igual foi por ele chamada de Show do Esporte. Ali o crescimento do esporte como vetor mercadológico cresceu e encontrou porto seguro. Para os investidores a certeza de que estariam na telinha. Quantos excelentes atletas viraram ídolos e ganharam asas com a exposição na tevê.

Tal qual o alfabeto de talentos por ele revelado, o povo brasileiro conheceu esportes que não pensava existir e nessas modalidades descobriu ídolos para os quais passou a torcer ferrenhamente e entender de suas regras e emoções.

Por duas vezes tive o grande privilégio de participar da transmissão de abertura de Jogos Olímpicos com Luciano e Armando Nogueira. Esse é o filme que me vem à mente agora e me enche os olhos de lágrimas.

Luciano sempre vai estar por aí. A cada set, a cada gol, a cada voleio, a cada largada decisiva para o esporte brasileiro ele vai estar presente.  A grande tristeza é que para ele a bandeirada do corpo físico chegou cedo demais...

Beijo Bolacha fique com Deus

A cueca e a copa

O esporte é, definitivamente, a melhor ferramenta de marketing para lidar com emoção e grandes massas. Os anéis olímpicos são a marca mais conhecida no planeta e o gesto criado pelo capitão Bellini em 58 ao levantar a taça Jules Rimet sobre a cabeça ganhou o mundo e é sinônimo de toda grande conquista. Vemos isso em toda premiação relevante. De todas as áreas.

Quem trabalha com marketing viu isso faz tempo e a cada grande evento uma das grandes preocupações é com o marketing de emboscada. Os organizadores lutam para evitá-lo, mas não é nada fácil. Afinal é de emboscada e, por isso mesmo imprevisível.

Por mais que brilhantes advogados trabalhem e criem escudos, proteções, barreiras e impedimentos legais, do outro lado estão os publicitários. Povo criativo e irreverente, extremamente atento a tudo o que acontece e, principalmente, ao que vai acontecer. Dessa maneira os causídicos correm, na grande maioria das vezes, atrás do prejuízo.

Por vezes acontecem aberrações como alguém não poder usar um nome ou termo por ele ser, presumivelmente, de propriedade de algum órgão ou comitê. Outras vezes expressões criadas por comunicadores e jornalistas são incorporadas como propriedade e ai de quem pensar em usar o nominho carinhoso em alguma ação mercadológica.

 

Neymar levantou a camisa e mostrou a cueca. Ué normal para essa moçada que usa as calças para baixo das cuecas. Isso já criou um rebu, pois está se pensando em como impedir isso durante jogos da seleção. Jogadores têm atitudes criativas e espontâneas que muitas vezes são apreciadas e potencializadas pelos homens de propaganda e marketing. Quem não se lembra da mensagem da camiseta de Romário sobre sua filhinha Ivy para todas as crianças portadoras da Síndrome de Down? Da mesma maneira a saudação do capitão Cafu ao Jardim Irene região paulistana de onde saiu o craque.

Quando as mensagens podem aludir a marcas existe a neurose de quem comprou o patrocínio pressionar o organizador a proibir tudo. Na teoria pode até funcionar, mas fica muito longe na prática.

Aos que consideram o dedo indicador levantado como criação da mágica campanha da Brahma, isso não é real. O que o craque da propaganda Claudio Carillo fez foi tornar um gesto tradicional no esporte, principalmente, nos EUA no slogan da cerveja e, com isso ganhou o mundo.

Tênis ou chuteiras no pescoço na hora da premiação são, hoje, lugar comum, mas surpreenderam nos Jogos Olímpicos quando Lasse Viren colocou tirou seus tênis e atuou como um display medalha de ouro. A clássica agachada de Pelé na copa de 70 para amarrar melhor suas chuteiras chamou a atenção de meu pai na hora. Cobrindo todas as Copas desde 50 e pela primeira vez em casa, para felicidade nossa por conta deu trabalho, ao nosso lado ele exclamou no ato: “o Pelé fez para mostrar a chuteira!” Imediatamente eu e meu irmão perguntamos por que e a resposta veio na lata: “um jogo de copa e a chuteira não sai bem amarrada do vestiário? Ainda mais com ele? Impossível!” Concordamos afinal pai é pai e mesmo antes do Rei assumir, quando numa viagem logo em seguida ganhamos chuteiras (compradas) da Puma modelo “King Pelé”. Genial.

O saudoso Geraldo José de Almeida criou várias expressões como “craque café” para o Rei que deu marca a produto, “seleção canarinho” usada por todos e pela CBF e outras tantas. Da mesma forma Silvio Luiz, Osmar Santos, Galvão Bueno, Milton Neves e outros craques dos microfones e das letras criaram expressões que caíram no domínio popular e no dia a dia brasileiro.

Em criatividade quase tudo vale. Na neurose não porque se assim for daqui a pouco os imóveis passarão a ter apenas cozinha e anexo já que copa é uma palavra propriedade de evento. Da mesma maneira jogadores não poderão viajar de avião de qualquer companhia porque alguém que patrocina a seleção se julgou prejudicado. Ué, contrate os caras individualmente e pague muito bem por isso.

Criatividade se combate com mais criatividade, com humor e com talento. Tal qual num jogo não adianta devolver a botinada e achar que o juiz também não vai marcar. Isso nunca funcionou e nem vai.

Esporte é emoção, vontade, competição e muitas outras coisas que compõe uma receita única. Criatividade é a mágica componente do espetáculo. Talento que rege multidões. Tão simples quanto um drible dado por alguém tão irreverente como Neymar. Assim é que se equilibra o jogo. Não indo chorar porque não pensou nisso na hora de fazer contratos. Isso é ficar com as cuecas na mão.

Finais

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Torcida do Ituano comemorou muito no Pacaembu/ Foto:Thiago Bernardes/Estadão Conteúdo

Não há quem não goste de ver uma grande final. Seja de que modalidade for. Emoção, disputa, grandes desempenhos, estádios e ginásios lotados. Um clima único e emoção sem igual. Uma final é o ponto máximo do esporte.

Desde menino quando os jogos de futebol no campinho de terra batida próximo a minha casa eram a atividade esportiva, quando o jogo “valia taça” era outra coisa. Se a partida fosse de manhã, nas férias, mesmo co horário liberado era dia para se dormir cedo e não encher o saco do meu irmão Claudio, que era nosso (bom) goleiro e garantia lá atrás. Afinal goleiros normalmente são seres temperamentais, pois jogam com as mãos um esporte que se disputa com o pé e, reza a lenda onde pisam a grama não nasce, mas fico com a expressão dele que onde pisam a grama morre.

Do futebol à F1 quando o evento vale final a atenção é redobrada naqueles que assistem e nos que trabalham. Para todos é um privilégio, estar ali e, quem sabe, ver a história acontecer bem de perto. Mesmo para os que assistem pela tevê o clima é diferente. Olhos grudados na tela e, não raro, levantar emocionado torcendo por algo especial que mexe por ser final e que passaria batido num dia normal.

Finais por vezes não são justas, mas isso não quer dizer que não sejam emocionantes mesmo para quem perde. Formatos de finais podem ser discutidos e isso acontece quase sempre, mas as formulas hoje tem de privilegiar além do evento as transmissões e, por vezes, isso sacrifica o esporte.

Além disso, tudo tem os componentes externos como arbitragem, seja qual for a modalidade o cara que tradicionalmente usava preto tem parcela no resultado. Se marcou foi porque marcou, se deixou passar foi porque é cego, ou ainda porque a bola bateu nele e entrou. Isso não foi numa final, mas deixou o arbitro em questão traumatizado e lembro meu pai, então membro da Comissão Nacional de Arbitragem dizer ao juiz: “você não errou intencionalmente. Estava mal posicionado por dez ou quinze centímetros e é neutro. A bola bateu no seu pé que devia estar fora de campo e entrou. Você deu o gol e cumpriu a regra. Ponto final.”

Quem vê uma final pela TV ainda sofre mais, pois os recursos de hoje reúnem múltiplas câmeras com tomadas de todos os ângulos possíveis e imagináveis, computação gráfica, leitura labial e tantas outras coisas que tornam um simples ato de ver ser esporte favorito na televisão algo quase tão complexo quanto botar o homem na lua. Aliás, já, já vão aparecer os drones nas transmissões.

Mas o que vale é a emoção e numa final independente de quem ganhe, na modalidade que for quem vence, sempre, é o esporte.

 

Basquete – Show de Magnano

magnano Basquete   Show de Magnano

Técnico campeão olímpico e mundial, o argentino Ruben Magnano começou sua viagem de convencimento aos atletas brasileiros que disputam a NBA. A primeira visita foi a Leandrinho que aceitou e já postou em rede social fazer parte do projeto. O Brasil abriu sua temporada de convocações e convencimentos para o Mundial com cesta de 3. Melhor início impossível.

Por mais simples que possa parecer e argumentar que o que passou, passou para um cara com o currículo de Magnano não é mole ter caído fora com a nacional equipe na primeira fase da Copa América, torneio classificatório para o Campeonato Mundial e depois pedir para o pessoal que ficou fora voltar, mas, para o bem do basquete brasileiro, parece que as coisas estão indo bem.

A presença do Brasil foi assegurada pela porta dos fundos, ou seja, entramos com um convite, caro, que foi pago para manter a tradição da participação brasileira nos mundiais e como uma competição importantíssima para a preparação aos Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro.

Agora, pela ordem, receberão a visita de Magnano Tiago Spliter, Anderson Varejão, Vitor Faverani e, finalmente, Nenê Hilário. Caso todos acertem com Magnano e confirmem suas presenças, o Brasil terá um dos times mais fortes de sua história para a disputa do Campeonato Mundial que será disputado na Espanha em agosto.

Na chave estão, além do Brasil, França, Espanha, Sérvia, Egito e Irã. O que seria em circunstâncias normais visto como uma competição muito importante, mas com objetivo de prepara para o Rio 2016, assume um papel muito maior face os últimos resultados do time e da ausência dos talentos da NBA.

O sucesso dessa viagem de Rubem Magnano pode ser o primeiro e decisivo passo para o desempenho do Brasil na Olimpíada do Rio. A convocação dos melhores e a união em torno do objetivo comum é o que leva grandes grupos a grandes resultados. Talento, preparo, união e motivação. Quando tudo isso está junto o resultado, quase sempre, é muito bom e para uma seleção que tem em seu portfólio um bi-campeonato mundial esse pode ser o momento do renascimento. Cesta!

 

Orelhas puxadas antes da Copa

Aos que mantinham certa tranqüilidade acerca dos possíveis problemas com relação ao andamento das obras para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016, iludidos com o cenário “agora é Copa, temos tempo” a bronca veio antes, na visão da turma do sossego, muito antes.

O italiano Francesco Ricci Bitti declarou textualmente que o atraso do Brasil para com as obras e organização do evento são os maiores “no mínimo nos últimos vinte anos” e que há a necessidade de um plano B que pode envolver a realização de disputas fora do Rio. Isso é muito ruim para o Brasil.

Aos que acreditam que tudo não passou de um papo e aconselhamento e que está “tudo muito bem” não é essa a leitura do Presidente do COI Thomas Bach que disse textualmente “é tempo de agir” mostrando que só papo não está convencendo mais ninguém.

agua Orelhas puxadas antes da Copa

Imagino se o saudoso Bussunda ainda estivesse por aqui. Claro que haveria um aparelho do tipo “procastinator Tabajara” que seria mostrado em cada canto onde deveria haver alguma coisa pronta, mas que por alguma razão, não rolou.

Nesse momento de alinhamento planetário onde a Terra está mais próxima de Marte até nossos hoje menos distantes vizinhos, se é que existem, sabem do famoso “jeitinho brasileiro” e “calma que no final vai dar tudo certo” devem estar se perguntando o que aconteceu nesse tempo todo em que pouco ou nada se fez. Claro que somado a isso temos as greves dos funcionários das obras olímpicas, mas tudo há de se resolver.

Pior é ver dirigentes internacionais pensando em plano B colocando modalidades em locais fora do Rio. Isso, definitivamente, é o fim! Basquete e handebol estão entre as Federações Internacionais que manifestaram essa preocupação. Dá para imaginar os Jogos Olímpicos no Rio e o Basquete ou Handebol em São Paulo?

A abordagem para a realização dos Jogos pelo visto vai mudar. A saída de Maria Silvia Bastos, executiva de grandes realizações e que lastreava com sua credibilidade nacional e internacional a Empresa Olímpica Municipal mais que acender as luzes amarelas por aqui acendeu e disparou os alarmes no mundo olímpico, portanto como disse o Presidente do COI: é tempo de agir. Principalmente com as orelhas ainda ardendo.

Só não vamos esperar pela ajuda dos marcianos, pois mesmo estando mais perto eles vão levar anos para chegar e aí não vai dar...

 

Numa hora difícil do esporte brasileiro só levantando muito peso

Rafael Vansolin aos 19 anos trouxe uma glória inédita para o Brasil. Uma medalha de ouro no halterofilismo conquistada em Dubai nos Emirados Árabes. Mais que a conquista, Rafael traz a certeza que na parte dos atletas temos a renovação e o surgimento de novos talentos a conquista vem ratificar que, aqui no Brasil, ainda que por vezes demore o esporte sempre vence.

O novo Campeão Mundial Junior conquistou seu título com a marca de 112 kg, feito inédito já que sua melhor marca mesmo em treinos era de 110 kg o que mostra que a adrenalina da competição, para ele, dá o gás a mais que faz a diferença entre os bons e os grandes do esporte. Motivação é o famoso plus buscado por todo o técnico, mas que nem todo atleta, mesmo muitos de grande potencial, possui ou consegue tirar. É aquela pequena diferença que num momento faz com que o dito impossível seja realizado. Para o atleta a glória suprema e para sua equipe a satisfação da superação dos 100% dos ótimos atletas para a marca que o trabalho duro e o potencial dirão qual é o limite.

Foi a primeira participação de Rafael em mundiais e o atleta mostrou a que veio superando um uzbeque, um iraniano e um turco para conquistar o ouro. Vale lembrar que esses países têm grande tradição no halterofilismo e o brasileiro foi lá e levantou, literalmente, o país com suas mãos.

Num momento conturbado fora das linhas de disputa das competições, o esporte brasileiro sempre ressurge naquilo que tem de melhor: o talento. Rafael vem provar isso de maneira inconteste com um desempenho brilhante que já o coloca como uma das possibilidades de medalha para os Jogos Paraolímpicos de 2016 no Rio.

Mineiro de Uberlândia, Rafael é a prova de que o esporte brasileiro na questão de talentos em competição, sempre se renova mostrando cada vez mais novos ídolos e talentos que fazem nossa bandeira tremular mundo afora.

Aos que acham que o feito de Rafael é grande vale dizer que ele quis e lutou por mais. Também competiu na categoria adulta e terminou com na16a. colocação. Uma grande promessa esse brasileiro que não conhece limites. Parabéns, Rafael!

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O esporte sempre vence

Realmente os últimos tempos não tem sido fáceis para o esporte. Principalmente fora das quadras, campos, pistas, arenas. Parece que tudo ou quase tudo que podia aparecer de problemas resolveu, de uma só vez assolar uma das maiores paixões de quase todos habitantes do planeta.

O que está acontecendo dá muito mais que um livro, provavelmente uma coleção. São fatos que devem ser apurados e não podem ser esquecidos, mas não podem, e não devem parar o esporte. Àqueles que se serviram do esporte para se beneficiarem ou a seus apaniguados seja lá por quais motivos forem, a lei. Nenhuma lei nova é necessária. Nem mais dura, nem mais branda a necessidade é a apenas de sua aplicação. Isso é o que está faltando.

Aos responsáveis pela falta de segurança na construção de obras urgentes, a lei. Apenas isso fará retroceder essa onda daninha no esporte e, se não há mais tempo para rolar isso para a Copa, ainda há tempo de sobra para que esse legado de praga não seja passado aos Jogos Olímpicos que também já estão logo ali.

 

No tsunami do vôlei extra quadra as coisas continuam quentes. Bem quentes, mas na quadra o esporte mostra que sempre vence e os ginásios continuam cheios nessa fase final da Superliga. Nossos atletas, técnicos, empresas continuam proporcionando um grande espetáculo e o torcedor está lá, mostrando que está mais do que nunca, junto a seu time para uma conquista que vai muito além do resultado em quadra.

Esse é o movimento que o esporte precisa nesse momento. O do torcedor. Aquele que é, verdadeiramente, o dono do espetáculo. A ele são devidas as honras e às equipes a glória da vitória, mas o esporte só existe pela paixão do torcedor.

Ídolos quando se posicionam tem uma conexão forte e imediata com todos aqueles que acompanham o esporte. Não há quem não respeite uma opinião ou atitude séria de um esportista mesmo que ele faça parte de uma equipe rival. Quer melhor exemplo disso que a atitude de Felipe Massa ao não ceder passagem a seu companheiro de equipe Williams Valtteri Bottas no GP da Malásia? Se no GP da Alemanha em 2010 Felipe ficou marcado pelo dito “jogo de equipe” que pode ser alargado para todos os esportes como “jogar com os resultados” de acordo com interesses, Massa fez as pazes com grande parte daqueles que o condenaram à espoca. Não só aqui, mas em todo mundo. Isso é um efeito que só o esporte consegue.

O fã de esporte é um consumidor ávido. De informação e conhecimento. Isso faz com que nós que trabalhamos do lado de cá, fornecendo conteúdo nos esforcemos cada vez mais em atender e informar Embasar e não protagonizar. Quando todos realizam bem seu trabalho o esporte vence. Sempre. Independente do resultado obtido nas arenas.

O Esporte é de vocês, meus amigos. Façam bom uso dele...

 

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Mudança estranha

A pouco mais de 850 dias para o início dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, o Brasil tem um grande desfalque na organização do evento. A presidente da Empresa Olímpica Municipal anunciou que deixará o cargo. Em seu lugar irá assumir Joaquim Monteiro de Carvalho Neto, de tradicionalíssima família carioca é um dos fundadores do movimento Rio Eu amo, Eu Cuido e chefe executivo do Imagem Rio, órgão do governo municipal.

Maria Silvia, que também é conhecida nos meios empresariais como a “Dama do Aço” já que foi presidente da CSN Companhia Siderúrgica Nacional tem um histórico brilhante de gestão e realizações sempre acompanhada por resultados financeiros excelentes. Vale lembrar que ela foi Secretária Municipal da Fazenda na gestão Cesar Maia 93/96 e pelo valor que deixou em caixa ao final de sua gestão motivo que lhe deu outro apelido que brincava com a antiga série de tevê, apenas mudando o sexo do protagonista: A Mulher de um bilhão de dólares.

Séria, respeitada e vista pelo mercado como uma reserva de valor moral e competência, Maria Silvia sai logo após a visita do COI que passou meio despercebida em meio a escândalos no vôlei, problemas nos estádios da Copa e a crise internacional com os desdobramentos da invasão da Ucrânia, mas na visita do COI uma cobrança foi enfática à organização brasileira: a matriz de responsabilidades, que traduzindo significa quem vai pagar o quê. É bem simples. Tal qual os amigos sentam-se à mesa do bar para falar de esporte e vão tomar umas e outras e comer alguma coisinha, podem chamar amigos, juntar mesas com as meninas bonitas ao lado, ligar para uns e outros e, de repente, lotou o consumo subiu e a conta chegou nas alturas. Aí não dá para dar o famoso “migué” deixar dez reais na mesa e ir embora. Claro que não estou dizendo que isso vai acontecer, mas apenas dando um exemplo simples. Ok vamos fazer, mas quem paga o quê?

Não existem dúvidas de que a coisa toda vai estar pronta, mas cada vez que se fala de orçamento vem a lenga de que ele é uma peça móvel, mutável, em desenvolvimento constante, sujeito a mudanças e está sendo fechado. Qualquer gerundismo de atendimento telefônico de call center fica morrendo de inveja. Triste.

O Pan, o melhor de toda a história, foi realizado sem o fechamento da matriz e a conta bateu no lugar de sempre. Brasília. É para lá que vai o recurso arrecadado de nossos impostos e de lá que foi paga o conta de quem levantou da mesa antes.

Claro que é apenas uma coincidência a saída de Maria Silvia logo após essa reunião onde o Frankenstein orçamentário se recusou a levantar e reconhecer seus criadores, mas o atraso de sua apresentação não vai impedir a realização do Jogos, vai apenas tornar as coisas mais urgentes, palavra adorada por construtoras que trabalham com obras públicas.

O duro depois disso tudo é levantar da mesa. A ressaca é grande e a dor no bolso também. Alguém tem um engov aí?

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Fantasmas das Copas

Desde que o Campeonato Mundial de Futebol passou, por exigência da FIFA, a ter novos estádios dentro dos famosos “padrões” estabelecidos pela entidade que manda no futebol mundial, as Copas passaram a ter fantasmas diferentes daqueles de antigamente.

Nas Copas anteriores aos gigantescos canteiros de obras, os chamados “fantasmas” eram seleções ou jogadores que assombravam as outras equipes dando pesadelos aos técnicos, goleiros e marcadores. Afinal quem é que dormia bem sabendo que no dia seguinte enfrentaria Didi, Pelé, Garrincha e companhia?

Outro tipo de fantasma era o do não favorito que surpreendia e colocava a zebra em campo e tirava algum favorito da competição ou mesmo levava o caneco como o Uruguai em 50 aqui mesmo no Brasil.

Os fantasmas atuais são outros. Operários que em pleno século 21 morrem na construção de locais que são projetados para celebrar o esporte e a vida.

Aqui no Itaquerão mais um operário morreu. Apesar de Jerome Valcke postar em sua conta do twitter que está profundamente abatido com o ocorrido, parece que o trabalhador que caiu de uma altura de oito metros não estava com o cinto de segurança afixado. A essa somam-se outras sete mortes nas arenas da Copa de 2014 num triste placar contra a vida. Obras sempre têm riscos e obras feitas na pressa muito mais. Afinal a Copa da iniciativa privada como previa o ex-mandante da CBF Ricardo Teixeira foi decidida ali, há pouco, o que causou essa correria toda. Afinal o que são sete anos se podemos fazer tudo em dois?

morte Fantasmas das Copas

Para a Copa de 2022 as coisas estão piores, muito piores. Lá o numero de mortos nas obras está em torno de 1200 em números não oficiais. Segundo a International Trade Union Confederation os operários mortos, de maioria indiana e nepalesa, trabalham em condições terríveis que podem ser consideradas como trabalho escravo. Para piorar o quadro a previsão é de que até o início do evento no Catar, as mortes cheguem a quatro mil. Isso é numero de óbitos em guerras e não em construções.

A Anistia Internacional conseguiu entrevistar 210 trabalhadores e 90% deles afirmou que seus passaportes estavam retidos com seus chefes, 56% não tinham acesso a hospitais locais e 21%, pasmem, estavam com salários atrasados! No Catar!!!

A proximidade do esporte com regimes, digamos, pouco democráticos muitas vezes resulta nisso. A vitrine do poder, o oba-oba daqueles que se consideram salvadores do mundo ou encarnações de divindades ou mesmo seus descendentes num espetáculo grotesco que suja os objetivos do esporte.

O pior que em muitos casos suja de vermelho sangue e enche de fantasmas lugares que são para celebrar alegria. Vão se Catar!

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