Brasil é bronze na Superfinal mundial do Polo Aquático

Se na estreia a seleção brasileira já havia conquistado seu maior feito, ele foi  ainda maior. Graças ao planejamento e trabalho dos quais falamos na coluna passada, mais um capitulo  escrito neste final de semana em Bergamo na Itália.

Depois de  derrotar a Austrália por 9x8 e cair diante da Sérvia  por 13 a 9.Nunca um Brasil e Sérvia foi tão equilibrado.Os europeus ficaram com a medalha de bronze nas duas ultimas edições dos Jogos Olímpicos -Pequim 2008 e Londres 2012. Na final, em Bergamo a Sérvia bateu a Croácia por 9-6. Dusan Mandic foi o melhor jogador da Liga.

Vimos, pela primeira vez, uma equipe sul-americana chegar às semifinais da Liga Mundial de Polo Aquático, mais uma grande conquista deste grupo comandado pelo técnico Ratko Rudic que já está entre os melhores do mundo. O polo aquático brasileiro segue fazendo história.

A disputa do bronze foi contra os Estados Unidos . Tony Azevedo ,nascido no Rio de Janeiro ,é um dos destaques  norte americanos e capitão da equipe .Donos de várias medalhas Olímpicas , eles eram os grandes favoritos . Um ouro , três pratas e três bronzes atestaram isso .

Eles mandaram no jogo ,o Brasil só empatou a poucos segundos do final - 10-10.

Aí Ratko Rudic mudou o goleiro para as cobranças .Saiu o ótimo Vinicius Antonelli e entrou Thiê Matos Bezerra na meta brasileira .

Thiê pegou o pênalti do Tony Azevedo e Jonas Crivella marcou para o Brasil - 14 a 13  nas cobranças .24 a 23 no placar .Bronze Brasileiro .

O objetivo do grupo para este ano são os Jogos Pan Americanos de Toronto. Ao que apresentaram até aqui é claramente possível imaginar, sem exagero, que a conquista de uma medalha é real. O ouro depende de uma série de circunstâncias, inclusive do momento da partida, mas, também é bastante possível.

O mais importante é que essa equipe já é uma realidade para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. Para os atletas como Felipe Perrone que escolheu voltar a jogar aqui e aos que com ele vieram e escolheram o Brasil fica a certeza do primeiro resultado com essa ótima escolha.

 

Polo Aquático: Brasil campeão na primeira rodada

Existe isso? É possível uma equipe ser campeã tendo jogado apenas uma partida num torneio? Se considerarmos o feito do ponto de vista histórico e pela licença poética sim, mas pelas regras ainda temos passos a dar.

Vencer uma equipe campeã olímpica por 17x10 na rodada de abertura da Superfinal da Liga Mundial de Polo Aquático disputada em Bergamo na Itália foi o feito da equipe brasileira masculina. Conquista histórica que coloca o país no cenário das principais forças da modalidade por conta de um processo de renovação e capacitação da equipe para as Olimpíadas do Rio no ano que vem.

O primeiro passo para o fortalecimento da equipe veio com a contratação do técnico Ratko Rudic que tem seis medalhas olímpicas, sendo quatro de ouro como técnico e duas como jogador. Melhor portfólio impossível. A partir daí o repatriamento de Felipe Perrone, brasileiro, mas que estava jogando pela Espanha e foi o melhor jogador da última Liga dos Campeões de lá.

Felipe veio e trouxe também o espanhol Adrià Delgado e o italiano Paulo Salani, ambos filhos de brasileiros e nascidos no exterior. Além deles o central croata Josip Urlic e o goleiro Slobodan Suro reforçam o agora esquadrão brasileiro junto com os atletas que já formavam a seleção.

Uma característica notada nessa memorável vitória frente os campeões olímpicos foi a força física e uma marcação invejável que mostram a grande evolução da equipe. Talentos, estrutura e capacidade física e técnica sempre dão resultado em qualquer esporte.

A meta da equipe para esta temporada é o Pan e tudo até lá é visto como preparação. A única vez em que o Brasil foi medalhista na modalidade foi nos Jogos de 63 disputados em São Paulo, quando o lugar mais destacado do pódio foi do Brasil. Em comum com aquela equipe e a atual a presença de destaques internacionais e no time de 63 esse lugar era de Aladar Szabo.

Szabo ou Zabão como é conhecido foi o responsável pelo primeiro salto do pólo aquático brasileiro. Figura lendária, o húngaro fugiu de seu país após a invasão soviética em 54 e veio para cá para ser técnico. Ao cair na água para mostrar jogadas era tão superior que acumular as funções foi o passo natural. Tão bom jogador como figura, sua presença nas piscinas era certeza de grandes jogadas. Se fosse fora delas e pintasse uma briga o certo era procurar uma cadeira e sentar para assistir, pois de uns dez o Zabão dava conta. Mole.

Primeiro no Rio depois em São Paulo, o Zabão fez muito da fama que o pólo aquático tem até hoje de grandes atletas e que tem facilidade de resolver as pendências à moda antiga. Folclore à parte o water polo está, novamente, começando a viver um momento maravilhoso.

Desta vez essa geração do Felipe tem a chance de se juntar à conquista dos tempos do Zabão e superá-lo e ao seu grupo no Pan e brigar muito no Rio em 2016.

O primeiro título todos eles, comandados pelo técnico Ratko Rudic eles já conquistaram. E olha que foi num jogo só...

Vôlei. Na quadra e na areia Brasil vai bem

Um final de semana com resultados excelentes no vôlei. Na quadra a equipe de Bernardinho conquistou uma grande vitória sobre a Itália e na areia um pódio todo das meninas brasileiras. Show de bola.

Depois de perder para os donos da casa no lindíssimo Foro Itálico, numa arena aberta que também recebe o aberto de Tênis de Roma, a seleção masculina dirigida por Rubinho se recuperou da derrota por 3x2 na sexta feira e conquistou um grande resultado ao bater os italianos por 3x0. Resultado que mostra que o rodízio entre os jogadores para a formação dos grupos que jogarão as finais da Liga Mundial e o Pan está funcionando muito bem e o Brasil, apesar de já classificado por sediar as finais no Rio, segue em primeiro lugar em seu grupo.

As expectativas para as finais do Liga e o Pan são fortes já que o desempenho da moçada está correspondendo. A diferença fundamental de uma partida para outra foi o bloqueio. Quando ele comparece, o jogo do Brasil fica muito mais consistente e intimida o adversário seja ele qual for. Inclusive Rússia e Polônia com quem não temos tido resultados favoráveis em decisões.

Já nas areias de São Petersburgo nos EUA, Ágatha e Barbara Seixas ficaram no lugar mais alto do pódio, Juliana e Maria Elisa em segundo e Fernanda Berti e Taiana fecharam a três medalhas brasileiras naquele Grand Slam num grande momento para o esporte brasileiro. Como o evento é valido para a corrida das vagas olímpicas, as campeãs assumiram também a liderança dessa briga, com Juliana e Maria Elisa no encalço e Larissa e Talita na terceira posição. Serão duas as duplas brasileiras nos Jogos do Rio ano que vem e a briga está muito boa.

Com a liderança do ranking mundial também em suas mãos nesse momento, Ágatha e Barbara Seixas vêm mostrando uma consistência grande como equipe e tem tudo para ficarem entre as melhores do mundo.

Se fora das quadras e areias a coisa, por vezes, está meio complicada, dentro delas o desempenho brasileiro continua a ser destaque em todo mundo com talento em todas as frentes.

Humor Olímpico

Com todo respeito a toda e qualquer manifestação esportiva é difícil imaginar que algumas das atividades que se apresentaram como candidatas a integrar o programa olímpico nos Jogos de Tóquio em 2020 tenham chance. A decisão será tomada na Assembléia do COI no Rio, antes do início do Rio 2016.

Curioso é lembrar que na própria origem dos Jogos da Era Moderna, algumas de suas primeiras edições tiveram modalidades, bastante exóticas, as quais nos dias atuais seriam consideradas muito além de politicamente incorretas. Pensar que a edição dos Jogos de 1904 realizada em Saint Louis nos Estados Unidos teve a módica duração de cinco meses já que foi realizada em conjunto com a Feira Mundial. Imaginou essa moçada durante uma temporada assim hoje? Haja estrutura e grana para isso.

 Claro que é impensável por conta da profissionalização do esporte, calendários e emissoras de tevê só para levantar alguns senões. Da mesma maneira que algumas modalidades da época não têm apelo algum além de estarem altamente enquadradas no politicamente incorreto o que poderia gerar tantos protestos e processos que poderiam quebrar o COI. 

 Todo esporte sonha ser olímpico. Prestígio, interesses comerciais e de comunicação, marketing e outros benéficos que geram grandeza, visibilidade e poder. Mas isso é impossível de ser para todos. Elitista não, longe disso, apenas realista. Não existe espaço para sequer para todos os esportes quanto mais para atividades que estão virando esporte agora.

 Uma solução para se atender ao maior número possível seria enquadrar por grupo de esportes e criar Jogos específicos para eles. Por exemplo, os Mind Games. Jogos de estratégia e inteligência a começar pelo xadrez e agora envolvendo os jogos de carta que também viraram esporte. No grupo dos Beach Games entrariam o mergulho, surfe, esqui e wakeboard, frisbee e por aí vai.

 Para organizar esses eventos, países que, normalmente, não possuem condições de sediar uma edição de Jogos de Verão ou Inverno poderiam receber esses eventos dinamizando e ampliando seu potencial turístico e o desenvolvimento desses esportes. Teriam muito menos despesas e muito mais visibilidade.

 Para os esportes isso pode representar um crescimento consistente e paulatino sem devaneios megalômanos que, na grande maioria das ocasiões, sempre acabam em problemas maiores num prejuízo para o próprio esporte.

 Já o beisebol, caratê e pólo eqüestre são modalidades que parecem estar mais próximas de uma edição olímpica como conhecemos os Jogos hoje, mas isso é decidido numa votação e nem sempre resultados de urnas são lógicos.

 Por mais força que os guerreiros do sumô tenham, assim como um prestígio de acordo com suas circunferências, o esporte não é muito praticado fora do Japão, e isso deve pesar contra.

 No caso do Brasil, o futebol de salão ou futsal sequer foi relacionado para entrar no programa olímpico dos Jogos de Tóquio 2020. Bem, pelo tamanho da encrenca que a Confederação da modalidade tem, agora encampada pela CBF nessa última assembléia, os problemas lá são outros então talvez seja mais prudente ficar fora. Triste é pensar que Falcão e sua turma não vão disputar uma Olimpíada num esporte criado aqui no Brasil e que já ganhou o mundo.

 Bom pelo menos ninguém tentou colocar o arremesso de anões de volta. Isso mostra que estamos evoluindo...

Rússia: o esporte como política

Lá é assim desde os tempos da finada (será mesmo?) Guerra Fria. Não importa a nomenclatura do regime ou da filosofia dominante no momento, na Rússia esporte sempre é prioridade.

Agora o país de Putin vai lançar um canal estatal de esportes. Bancado pela gigantesca Gazprom, a estatal energética russa (petróleo e gás) que patrocina uma série de eventos esportivos pela Europa afora, o canal pretende iniciar suas atividades em setembro.

O mais curioso desse processo é que a empresa que vai produzí-lo é a Gazprom Media Holding divisão da estatal e a distribuição de conteúdo será, também por outra estatal, o canal VGTKR.

A Rússia vê o esporte muito mais que a prática saudável, de entretenimento de alto nível, olímpica e de união. Enxerga desde tempos passados o esporte como uma Política de Estado. A organização de mega eventos como as Olimpíadas de Sochi, os Jogos de Inverno mias caros de toda a história e também vencedor nos cifrões da absoluta maioria das Olimpíadas de Verão, mostra que a coisa lá nunca foi e continua não sendo brincadeira. Ao mesmo tempo em que atletas competiam o conflito com a Ucrânia começava e a Criméia foi anexada numa guerra que ainda não tem previsão de fim no horizonte.

A briga para sediar a Copa de 2018, receber a Formula-1, a Formula-E,  e colocar um canal de tevê estatal de esportes, mostra que a sedução e emoção do esporte não passam ao largo dos observadores russos que sabem, muito bem, o poder de mobilização e emoção gerados pelo esporte. Isso, por lá, sempre foi prioridade.

Num quadro desses é muito difícil imaginar que, com as obras dos estádios para a Copa andando e todo o interesse político que Vladimir Putin tem com o esporte que seja possível tirar de lá a realização do Mundial. Independente dos prejuízos de ambos os lados para que o evento aconteça ou não, o que deve ser levado em consideração é que esse fato, caso aconteça, pode ser gerador de um novo e triste momento para o esporte. Aquele que, ao invés de promover a paz e a união, fez com que houvesse uma guerra.

Vale lembrar que a Rússia de Putin foi colocada sob inúmeras sanções econômicas e políticas por conta do conflito com a Ucrânia e não se dobrou mantendo suas ações políticas e militares contra sua antiga parceira gerando um grande impasse no cenário político internacional.

Qual será o papel da Copa de 2018 no futuro do mundo?Ou não teremos Copa ?

Vôlei: Brasil arrasador na quadra e na renovação

A seleção brasileira venceu seus primeiros quatro jogos na Liga Mundial. Primeiro foi a Sérvia em Belo Horizonte e agora a Austrália em São Bernardo com desempenho convincente e rotatividade entre os jogadores.

Cumprindo uma questionável punição de dez jogos, o técnico Bernardinho ficou durante as partidas na posição de analista deixando a função de quadra para Rubinho, seu auxiliar, também ótimo técnico que vai dirigir a equipe no Pan de Toronto. Será o segundo Pan de Rubinho que já foi campeão em Guadalajara 2011. A coincidência das datas do Pan e da Liga proporciona esse trabalho que é fundamental para o vôlei brasileiro.

Dessa vez ainda existe a vantagem do fato do Brasil já estar classificado para as finais da Liga Mundial pelo fato de sediar o evento no ginásio do Maracanãzinho que servirá de teste para os Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Além de poder utilizar novos valores, Bernardinho pode não se preocupar com os resultados já que a equipe está classificada.

Nesses quatro jogos é visível a evolução a da equipe a cada partida independente dos integrantes do time naquele momento. Isso é uma ótima dor de cabeça para a comissão técnica que passa a ter jogadores com mais rodagem em competições de alto nível. Essa experiência faz toda a diferença nos momentos difíceis.

Outra boa constatação é que a absoluta maioria dos atletas que estava em São Bernardo integrando a seleção é oriunda daquela que foi a maior peneira já organizada no esporte brasileiro. Banespa foi o clube criador desse processo que saiu da cabeça do então técnico do time Josenildo Carvalho. A partir dali se iniciou a maior fábrica de descobrimento de talentos do esporte brasileiro. Todos os anos centenas de garotos se dirigiam, para a Avenida Santo Amaro, sede do Esporte Clube Banespa para se candidatarem a uma vaga no projeto que dava além do esporte, horizontes. Depois com a mudança da equipe para São Bernardo, mas com mesmo nome a seletiva foi para lá. Esse trabalho merece, inclusive, uma coluna especifica onde os nomes daqueles que fizeram este trabalho devem ser lembrados por esse brilhante legado.

Banespa é uma marca que não mais existe, salvo no nome do clube que inclusive foi licenciado ao banco em seu processo de modernização. Assim como o Banco Nacional que também acabou, mas sobrevive nas imagens de Ayrton Senna com seu boné com a marca que ainda hoje corre o mundo e nossas lembranças.

Voltando à seleção de vôlei masculino, Bernardinho tem com mais talento ainda mais responsabilidades e pressão pela busca da vitória neste ano na Liga Mundial aqui e ano que vem com a Olimpíada, mas tal qual o eterno Ayrton Senna e respeitando as diferenças entre eles, Bernardinho assim como o tri campeão da F1 se encaixa muito bem no slogan de uma das melhores campanhas até hoje criadas que usam valores do esporte: “não quebra sob pressão”.

Marcas em campo de olho no Rio 2016

Essa deve ser uma semana quente nas agências de propaganda e empresas (sérias) de marketing esportivo. Cada vez que alguém ou alguma entidade atua de uma maneira, digamos não usual, o mercado naturalmente se retrai e busca um reposicionamento mais cuidadoso com parceiros e clientes.

A associação de marcas com o esporte na absoluta maioria das vezes gera um grande e positivo retorno, mas como todas as atividades que envolvem emoção e mobilização em grandes doses, quando algo não vai bem o problema tem proporções do tamanho e mobilização que o esporte proporciona.

Com o Pan de Toronto daqui a pouco mais de um mês e a Olimpíada no Brasil no ano que vem, este é um momento crítico para empresas e seus investimentos no esporte. Como entrar e assegurar retorno e, ao mesmo tempo, como garantir que as emoções proporcionadas por sua entrada, ou permanência no esporte sejam apenas aquelas oferecidas por atletas e equipes em grandes apresentações e desempenhos que permitam a justa e positiva associação das empresas e suas marcas com a atividade que mais mobiliza pessoas em todo o mundo.

Assim como os atletas, as marcas buscam recordes, imagem, desempenho e emoção apenas para citar alguns dos pontos em que a sinergia com o esporte valoriza aqueles que nele investem, quando um risco novo, ou inesperado surge a retração é inevitável.

Uma solução simples é a busca e o emparceiramento com empresas e pessoas sérias. Simples não? Aliás, essa máxima sempre serve para todas as ações em nossa vida, ou alguém por aí acredita em algum investimento que renda 20% ao mês. A sereia sempre canta do mesmo jeito seduzindo incautos que pelo antes pelo canto de Loreley e, depois, pelo tilintar das moedas direcionam seus barcos para o naufrágio.

Felizmente a absoluta maioria dos capitães e timoneiros mercadológicos, é séria e não se deixa seduzir por cantos milagrosos. Sempre levam seus clientes e suas marcas a bom porto, mesmo quando agitações aparecem pelo caminho. Para aqueles que navegam, seja em que mercado for, tempestades podem acontecer, mas com habilidade, seriedade, criatividade e talento elas são contornadas e superadas ficam para trás apenas aqueles que se julgaram melhores ou mais espertos que os demais.

Para as agências e marcas, mais do que nunca, agora é a hora de entrar nos campos, nas pistas, nas quadras, nas piscinas e buscar oferecer, como sempre seu melhor. Da mesma maneira que os atletas que, a cada dia, lutam por melhores marcas e melhores resultados.

Exatamente como todos nós.

Atletas: competição e comportamento

A questão não é nova. Como enquadrar? Foi na competição ou fora? Estava com o uniforme ou não? As questões não são poucas nem os problemas que elas geram são pequenos, mas, invariavelmente, quando o atleta tem uma conduta inadequada o problema, na grande maioria das vezes está na falta de regras.

O ambiente de competição é estressante. Quem praticou esporte a sério sabe disso e a primeira competição que um atleta passa é para integrar um grupo. Seja num esporte individual ou coletivo a primeira briga é por uma vaga na equipe. Seja de uma modalidade individual ou coletiva a primeira disputa é pelo lugar no grupo. A partir daí começa a competição entre os integrantes do grupo para a definição dos titulares e reservas. Outra disputa onde talento, emoção, força mental e autocontrole entram em cena, afinal quem já não ouviu alguma vez que algum atleta era ou é conhecido como “leão de treino?”.

Esse atleta tem todas as qualidades para ser grande e até pode vir a ser, mas por alguma razão, na hora da competição também conhecida como hora H, o desempenho fica longe daquilo que permite seu potencial e que ele demonstra nos treinos. É a batalha mental para superar a competição com menor responsabilidade de um treino para lidar com ela no momento maior.

Quando as regras não são claras, tudo fica nebuloso e acreditar que o bom senso deve ser o único norte para comportamento pode funcionar muito bem para alguns, mas com toda certeza não funciona para todos.

As empresas quando investem no esporte tem como uma de suas maiores preocupações não o desempenho técnico do atleta ou da equipe onde irão colocar suas marcas, mas, principalmente, em problemas imprevistos que possam surgir e entornar o caldo. Claro que sempre existem situações imponderáveis, mas a grande maioria delas permite que a conduta dos atletas ou dirigentes que estejam representando uma marca, uma equipe ou um país tenham conhecimento daquilo que deles é esperado.

Se a coisa fica liberada à interpretação do atleta, uma série de fatores potencializa o risco mesmo com as melhores intenções por parte do esportista, já que quando não estiver competindo seu julgamento será o bastante para que as coisas corram da melhor maneira. Por mais discernimento que um atleta tenha esse livre arbítrio não é uma medida prudente já que ao se ver fora do estresse da competição, o comportamento dos atletas pode não ser tão adequado quanto aqueles que lhes dão toda liberdade pensam.

O ser humano nem sempre tem em suas características se colocar em todos os possíveis lados de uma situação para imaginar o que determinadas atitudes podem causar e, da mesma forma, não tem a qualidade de perdoar nas outras pessoas aquilo do que não gosta ou considera correto em termos de comportamento.

Quando regras são claras atletas, que na grande maioria das vezes são seres extremamente competitivos, encaram as regras como parte de seu trabalho. Assim como estar sempre viajando, treinando muitas horas por dia e atender compromissos com patrocinadores ou organizadores de evento quando assim lhes é determinado.

Longe de colocar atletas numa situação militar, mas regras de atitude e comportamento permanentes, enquanto fazem parte de um projeto esportivo seja ele grande ou não, possibilita a todos o entendimento claro de normas de conduta e não o “achismo” de imaginar de que quem está lá deve saber o que fazer. Com certeza na hora de venda de um patrocínio não é isso que é falado para a empresa que vai assinar o cheque.

As pessoas por melhores que sejam erram, mas quando sabem, claramente, seus limites erram muito menos. Em todas as situações. No esporte e na vid

Pan: são 50 dias para Toronto

Os Jogos Pan-Americanos são, para o esporte brasileiro, uma competição de afirmação como força continental. Para algumas modalidades representa o embate com algumas das maiores forças do mundo, para outras, nem tanto, mas o Pan é a grande competição desta temporada e o termômetro de a quantas vamos para o Rio 2016.

Como nem tudo é perfeito em toda fase pré competição, algumas baixas acontecem, e uma delas é a do ginasta Diego Hypólito com problemas nas costas. Ele, infelizmente, já está fora do Pan em Toronto.

Com oito medalhas no Pan, sendo cindo de ouro, Diego estava a caminho de sua quarta participação consecutiva nos Jogos Pan-Americanos. Com a lesão fica fora da disputa por uma das vagas e seu objetivo passa a ser o Mundial em Glasgow, na Escócia, que será disputado em outubro. O Brasil precisa da mescla de jovens talentos como a revelação Ângelo Assumpção e atletas experientes e já consagrados como Diego. Isso dá um equilíbrio fundamental a qualquer grupo que se trabalha para uma grande competição. Principalmente se ela será realizada em seu país, aí a pressão aumenta muito e experiência conta muito. Principalmente durante a preparação.

Na natação, o Mundial que será disputado em Kazan, na Rússia tirou Cesar Cielo da disputa do Pan. A proximidade das competições e o planejamento de competições para este ciclo olímpico do campeão olímpico dos 50 metros livres em Pequim 2008 e bronze nos Jogos de Londres em 2012 o fez optar por disputar apenas o Mundial como preparação para sua terceira briga por medalha olímpica.

Se não teremos o Cesão, Thiago Pereira vai para a briga nas duas competições. No Pan vai buscar mais medalhas para sua coleção e terá a possibilidade de se tornar o maior medalhista na competição. Na natação, as equipes masculina e feminina podem trazer excelentes resultados de Toronto para o Brasil.

No handebol feminino a expectativa de Duda Amorim, escolhida como MVP no último Mundial onde o Brasil se sagrou campeão pela primeira vez, as expectativas são grandes e o Pan também vai servir de preparação para o Mundial que será disputado em dezembro, onde as meninas brasileiras irão defender seu histórico título mundial. O Técnico Morten Soubak trabalha duro para manter o Brasil no topo do ranking.

São apenas 50 dias para muitas emoções. 5º dias para uma das grandes festas do esporte.

 

 

2015 é o ano dos 100 metros; tempo caindo

Em menos de uma semana os tempos dos cem metros rasos estão caindo. Primeiro foi Asafa Powell que fez a excelente marca de 9,84 segundos e agora foi Justin Gatlin que realizou a façanha de obter a quinta melhor marca da história para a prova e se colocar na condição de homem mais rápido do mundo depois de Usain Bolt que tem as quatro mais velozes marcas em todos os tempos.

Em comum Gatlin e Powell tem além da enorme velocidade o fato de haverem sido apanhados em exames anti-doping. Suspensos e afastados, após cumprirem suas penas voltam ao atletismo e brilham.

Justin Gatlin correu os 100 metros em 9,74 segundos, um décimo mais rápido que Powell. As marcas foram obtidas em Doha, no Qatar e em Kingston, Jamaica respectivamente. Para os fãs do esporte e, em especial do atletismo, é sensacional o fato de competições acontecerem ao redor do mundo e a escolha de cada atleta em termos de participação se, por vezes não coloca os grandes favoritos a uma prova juntos, o cronometro se encarrega de fazer isso e a luta contra o tempo independe do lugar.

A luta maior desses atletas, mais até que aquela contra os cronômetros será aquela para limpar definitivamente seus nomes do doping. Essa é a busca pela maior vitória já que ficar, definitivamente, limpos vai trazer não só a condição de grandes atletas de volta, mas, principalmente, a confiança de anunciantes e patrocinadores que arrepiam quando atletas que defendem suas marcas e empresas são ligados a escândalos de doping.

Na toada dessa questão, o laboratório brasileiro do Rio de Janeiro, antes Ladetec, agora Laboratório Brasileiro de Controle de Dopagem foi novamente credenciado pela WADA – Agência Mundial Antidoping e estará apto para a realização dos exames dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. Vale informar que durante a Copa do Mundo pelo fato do laboratório estar descredenciado, os exames foram realizados em Lausanne, Suíça o que, convenhamos, não foi um bom momento.

Vale lembrar que antes dos Jogos Olímpicos de Inverno realizados em Sochi, o laboratório russo também foi descredenciado pouco depois do Ladetec, também por falhas nos exames.

O esporte sempre tem de correr para provar que está limpo. Atletas e autoridades esportivas também para que os resultados conquistados nas pistas, quadras, campos e piscinas sejam eles, todos válidos, todos legais.

Fazer vista grossa a isso ou passar a mão na cabeça de quem usa, estimula ou facilita o uso de drogas que melhoram performance são casos patéticos que devem ser dirigidos às delegacias e presídios, pois lá é que essas pessoas devem estar.

Para Gatlin e Powell melhor chance impossível. Um ano antes dos Jogos Olímpicos do Rio eles estão voando. Que seja sempre com suas próprias asas para o bem deles e do esporte.

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