Um ano sem Luciano do Valle

luciano Um ano sem Luciano do Valle

Parece que foi ontem. A perda, a dor, a saudade.

Parece que foi ontem que todos nós, que tivemos o privilégio de trabalhar com o Luciano estávamos em alguma cabine, em algum grande evento, em algum lugar do mundo. Mundo que para ele era pequeno e apenas um lugar onde acontecia o que realmente era importante: o esporte.

Se o evento não era tão bom ele tinha a capacidade de transformá-lo num verdadeiro espetáculo. Se ainda não existia, ela criava. O mundo nada mais era que um estádio, uma quadra, uma piscina, um ginásio. O importante era o esporte.

O esporte traz emoção, paixão, arrebatamento. E Luciano foi um de seus maiores maestros. Se considerarmos a capacidade criativa e de realização junto com a do jornalista narrador, aí temos o maior de todos os tempos.

A vida de Luciano é tão grande e suas realizações e histórias idem. Numa proporção que dá alguns bons livros. Fernanda sua filha e amiga querida escreveu o primeiro deles com o talento e a competência que pode se esperar de alguém com o DNA do Bolacha. Leitura boa e necessária.

O que além do esporte tem o poder de atravessar o mundo, transformar pessoas que nasceram em lares que lutaram com muitas dificuldades em grandes astros que conquistam o mundo e milhões de pessoas fazendo com que até guerras parem enquanto o esporte promove a paz?

Luciano é o perfeito embaixador disso. Grandes sonhos, que viraram idéias, idéias que se transformaram em projetos e estes que chegaram à materialização como eventos. Um Maracanã de idéias e realizações que deslumbraram todos que se emocionam com o esporte.

O cara que fez Pelé voltar a jogar e colocou o esporte em faixa nobre, o transformou em muito mais que jornalismo e entretenimento. Fez com que o esporte virasse um espetáculo conceito hoje mais que disseminado. Ajudou com seus programas a que empresas passassem a ver o esporte como uma grande para que suas marcas estivessem ligadas às grandes emoções que só o esporte proporciona.

Luciano, fisicamente, nos deixou há um ano, mas ele está por aí. Nas idéias, nas emoções, no esporte. Tenho certeza que todos os que tiveram o privilégio de trabalhar com o Bolacha quando entram em alguma cabine onde estiveram com ele sentem a emoção e a saudade de muito mais que um grande realizador, um grande amigo.

Beijo, Luciano!

Os gestos de marketing do esporte

Messi abaixa e amarra a chuteira com o nome de Thiago e a bandeira Argentina. Homenagem a seu filho e, vestindo um uniforme da Nike e sendo a maior estrela da adidas e colocou a marca das três listras nos olhos dos milhões que assistiram ao jogo do Barcelona com o Paris Saint Germain em todo o mundo. Num jogo em que ambas as equipes usavam Nike Messi marcou um gol mercadológico de placa e foi também um golaço da adidas.

Grande ideia, mas não é nova. Tudo começou com Pelé no México 70 que abaixou para amarrar suas chuteiras antes do inicio da final da Copa do Mundo.  Boas e simples ideias sempre funcionam às vezes com outros nomes, mas, são, simplesmente, a mesma coisa. Gestos de marketing no esporte.

O 1 de Romário e Ronaldo para a cerveja. Gesto tradicional no esporte americano passou para a história no Brasil como ato de pedir a bebida.

O futebol trouxe também Motoradio do melhor em campo que até hoje é expressão para designar quem foi o craque do jogo. Vale desde as peladas no clube até uma ou outra transmissão na teve onde se lembra como eram premiados os jogadores. Claro que aí sem lembrar o nome do patrocinador da ação. A coisa era tão importante para os próprios jogadores que quando chegava a equipe da saudosa TV Tupi que faria a premiação e dava a chamada: “estamos aqui ao lado de fulano que foi o destaque do jogo e o escolhido para receber o Motoradio”. Era tiro e queda o jogador interrompia a entrevista ou finalizava rápido para receber seu prêmio. Era bom para o jogador e ótimo para a emissora e melhor ainda para o patrocinador já que quase sempre o atleta agradecia a emissora e a empresa. Para quem gostava de futebol Motoradio era o radio do carro. Depois a marca também foi para o automobilismo.

Lasse Viren foi o primeiro a colocar os tênis pendurados no pescoço. Claro que na época se pensou que era para descansar os pés então fatigados pela conquista do ouro olímpico, mas é obvio que não era isso. A conquista do medalhista de ouro em 72 e 76 também criou escola e Ronaldo Fenômeno e, agora, Usain Bolt repetem o gesto com os calcados no pescoço para mostrar a marca. Continuou funcionando até para três marcas diferentes.

Nos últimos dias vimos um grande debate sobre a Crefisa, patrocinadora do Palmeiras e que iria bancar as despesas de arbitragem das finais do Campeonato Paulista. O bicho pegou e até levantaram a questão que a FIFA não permite, com toda razão, que um mesmo patrocinador atue em equipes e entidades. O enfoque que ninguém deu é que é curioso. O produto que a empresa oferece com seu slogan é empréstimo para quem é negativado, ou seja, seu potencial cliente tem restrições e não possui, portanto, acesso às linhas de financiamento normais. Fosse um país teria grau de investimento de alto risco.

Numa analise direta é um produto que não é, digamos, comum. Logo utilizar uma propaganda ou patrocínio polêmico não é nada mais, a meu ver que alinhar produto e comunicação. Resta saber se essa era a real intenção dos executivos da empresa ao fechar o acordo.

Quantas pessoas se interessavam antes da questão pela Crefisa? Quantas a conheceram por conta disso ou começaram a se interessar por ela depois desse fato?

É só aguardar para ver quantos pedidos de patrocínio vão aparecer por lá. Gostaria de saber esse numero. Você não?

Rádio sem Carsughi não dá

No meio dos anos sessenta a Rádio Panamericana sofreu uma grande mudança. E passou a se chamar Jovem Pan. Lembro muito bem que tempos depois surgiu a Garota Jovem Pan. Era a Magui uma morena linda. Existia um pôster dela numa moto grande como propaganda da rádio e no i do nome no autografo dela era uma flor. Linda mulher, bela lembrança.

Na época da transformação na fonte da juventude a Pan como era conhecida tinha vários jornalistas bastante conhecidos e, como todos eram amigos do Dr. Paulo e estavam lá há um bom tempo. Meu pai Álvaro Paes Leme, Leônidas da Silva, Claudio Carsughi, Wilson Fittipaldi, Narciso Vernizzi e outros já veteranos quando da mudança de nome se chamavam de “jovem Leônidas, jovem Paes Leme, jovem Carsughi” e por aí afora durante um bom tempo. Eu achava aquilo muito engraçado.

Na questão da mudança do nome muito embora não seja isso que é dito na história, para Tuta mostrar sua força e gestão surgiu o Jovem Pan. Ok que a Record tinha a Jovem Guarda que era o grande fenômeno televisivo da época e numa grande sacada do Dr. Paulo isso traria para a radio um novo público, mas, para seu filho que passava a administrar a rádio serviu para mostrar, no melhor estilo das faixas de comércio que mudam de dono o famoso “sob nova direção”. Agora no melhor estilo tal pai, tal filho, Tutinha faz a mesma coisa em busca de uma modernidade.

Tirar Carsughi não faz a rádio mais moderna, muito menos, melhor. Apenas diminui sua qualidade. Tentar adivinhar para onde vai hoje o gosto e a preferência do consumidor de informação é difícil. Mesmo para quem já acertou muito antes. Com um numero muito maior de meios as opções sobem na mesma proporção e humor é ótimo e fundamental para rir, mas não é conteúdo.

Claudio Carsughi trouxe os números para as transmissões esportivas. Os mais novos não sabem, mas até parodiado ele já foi em programa de humor de rádio. Vinha a chamada para o “Craudio Carçudo” e os números do jogo e alguém tentava imitava sua inconfundível voz soltando: 44, 37, raiz quadrada de 19.

Aliás, o programa de humor de maior audiência do rádio, que também migrou para a tevê foi baseado num programa antigo chamado “Show de Rádio” criado por Estevam Sangirardi, que muitas vezes, dava mais audiência que as próprias transmissões já que os ouvintes de outras rádios migravam para o programa depois do jogo.

Os dados trazidos por Carsughi viraram hoje ponto obrigatório nas transmissões esportivas. Alguns chamam de números, outros de estatísticas, outros de scout com todas suas possíveis e criativas e não corretas grafias, mas tudo isso é baseado no que Claudio Carsughi introduziu em termos de informação nas transmissões esportivas brasileiras. Isso é um grande legado.

Anos atrás numa reunião ouvi de um diretor de um grande jornal uma frase emblemática: em comunicação talento e qualidade não existem em prateleira. Isso é Claudio Carsughi. Uma enorme capacidade e com toda certeza não ficará na prateleira. O rádio precisa da voz e do talento do “jovem Carsughi”.

Vôlei. O jogo da televisão

A vitória do Sada Cruzeiro contra o SESI no domingo, pela final da Superliga masculina, no Ginásio do Mineirinho lotado e com grandes craques em quadra, mostra um lado do vôlei como sucesso de publico e mídia.

Tão importante quanto esta conquista para o time mineiro que jogou muito e mereceu o título de uma das Ligas mais competitivas do mundo, é a conquista pela modalidade da transmissão dos jogos por mais de um canal de televisão aberta.

Luciano do Valle transformou o vôlei no esporte da televisão e, mesmo com os regulamentos antigos que ainda tinham a vantagem e todos os sets longos, o voleibol tornou-se muito mais que um esporte para se transformar num vetor estratégico de marketing de empresas que passaram a patrocinar a modalidade ou anunciar na televisão.

Foi na Record ,em 1982 e !983 ,que a modalidade caiu no gosto do público . Em 82 ,Luciano transmitiu os Mudialitos e o mundial masculino na Argentina . Em 83 veio o célebre jogo do Maracanã ,contra a União Soviética .Nem a chuva afastou a torcida que foi em peso e mais de 90 mil espectadores pagaram ingresso .O vôlei virou um sucesso e seguiu outros rumos .

Opções não faltavam. Normalmente existiam três emissoras que transmitiam os jogos (Band, Manchete e Cultura/Rede Educativa) então marcas, produtos e serviços encontravam, por meio de um esporte que conquistava resultados e imagem junto aos jovens, uma plataforma moderna e carregada de emoção.

Para as empresas que patrocinavam o esporte a certeza da exposição de suas marcas. Aos que adoram falar que ativação é coisa nova informa que desde os anos oitenta empresas que tinham equipes com seu nome ou parceria com clubes formadores já faziam ações de relacionamento, sampling, prospecção e outras mais, maximizando seus investimentos. Dali surgiram jogadores que viraram dirigentes e várias pessoas que participaram ativamente no desenvolvimento do marketing esportivo.

Hoje o volei é o esporte com maior procura nos ingressos olímpicos . Isso mesmo , lidera a preferencia popular.

Não se trata de preferência de um esporte em absoluto, mas é inegável a importância do vôlei para o esporte nas transmissões da televisão brasileira. A possibilidade de se oferecer opção ao consumidor de programação além de mais democrática, abre espaços para que mais marcas entrem e apoiem o esporte. Ao mesmo tempo com mais recursos o esporte cresce, se renova, dá mais resultados, traz mais crianças para a prática e a roda virtuosa segue.

Luciano, ele mesmo que passou por vários canais, com toda certeza está satisfeito com mais essa conquista do esporte na televisão.

Natação. Brasileiros mergulham para o mundial

O tradicional Troféu Maria Lenk, que nesta edição está sendo disputado na piscina do Fluminense, um dos clubes mais tradicionais da natação brasileira e onde meu pai foi atleta de polo-aquático e teve como calouro de equipe um nadador que era conhecido como “Joãozinho” que vem a ser, apenas, João Havelange.

E as tradicionais piscinas tricolores recebem o evento, atletas espetaculares e tempos idem, o que mostra que num ano com Jogos Pan-americanos em Toronto e o Campeonato Mundial em Kazan, as expectativas brasileiras são muito, mas muito boas mesmo.

Bruno Fratus venceu os 50 metros livre com o tempo de 21,74 segundos que é o segundo melhor do ano. Cesar Cielo ficou em segundo com 21,84 e, com essa marca fica com o terceiro tempo do ano na prova. O primeiro é do francês Florant Manadou que tem 21,57 nesta temporada. Os 50 metros livres no Mundial de Kazan, na Rússia prometem.

Thiago Pereira venceu os 400 metros medley e com índice para o mundial. Na prova conquistou seu 13º. título seguido e, segundo um dos maiores entendidos da natação, o Coach, é a maior sequência histórica em todas as provas em todos os campeonatos disputados no Brasil. Vai Thiago, vai Thiago.

O atleta do Corinthians Brandonn Almeida bateu o recorde brasileiro dos 1.500 metros livres e, no dia seguinte também fez um temporal nos 400 metros medley se classificando para as duas provas no Mundial mostrando muita força.

Com um calendário apertado onde o Mundial começa logo em seguida ao Pan, a natação brasileira estará muito bem representada seja no Canadá ou na Rússia. Claro que para alguns atletas só uma competição, para outros talvez as duas, mas, com uma delas como preparação ou até para ver como é que os adversários mais fortes estarão. Estratégia e analises para 2016.

A natação brasileira é uma realidade. Resultados consistentes e renovação e é disso que vive o esporte já que a inspiração para as gerações que se sucedem no esporte sempre serão os ídolos. E nesse quesito a natação tem se destacado.

É um banho desse belo esporte .

Galvão e seu livro

Jornalistas, via de regra, vivem boas historias, agora contá-las bem é que são elas. Muito além das mesas de restaurante, Salas de imprensa, cabines de transmissão e redações onde proporcionalmente poucos privilegiados tiveram o prazer de saber de histórias do Galvão ele agora generosamente divide com todos nós isso e muito mais em se primeiro livro, o Fala, Galvão.

Longe de querer interpretar a psique humana o título mostra um contraponto ao que ele mesmo chamou de míssil atômico em sua cabeça. O resultado é muito mais que um escudo ou mesmo um antimíssil. É a história de quem para chegar lá participou de um concurso, seleção, reality sem sequer haver se inscrito pessoalmente. Sua vontade e seu sonho foram lidos por um amigo que disso se encarregou agora chegar lá foi coisa de talento, puro talento.

No dia do Jornalista que é uma data especial para minha família já que a coisa começou com meu pai, passa por mim, meu irmão Claudio também é jornalista e meu irmão José Mauro também era, mas largou microfones para ser baterista do Korzus. Aliás, na toada no jornalismo e música, minhas homenagens à família Leme com o Regi e o Dinho que também é baterista e brilhante fazendo o paralelo perfeito entre esporte e música. História, talento e competência em grandes doses. Viva!

Ao Galvão amigo de longa data, parceiro de jornadas memoráveis e hilárias também fica o pedido para que não fique só nesse livro e justifique a fama e o apelido de papagaio. Vou até mais longe e dou a sugestão do nome do próximo: Fala mais Galvão! O esporte brasileiro agradece.

Nas formas de contar alguns jornalistas são poetas, estilistas como o mestre Armando Nogueira. Outros são hilários, onde verdade e ficção tem uma cumplicidade genial e o humor domina a cena como o saudoso Marcus Zamponi. Também existem os que colocam de maneira única e suave uma série de dados e informações que viram textos excelentes como o Claudio Carsughi.

Galvão Bueno como em tudo o que faz impõe um estilo personalista, único num espaço muito maior que uma transmissão, uma coluna ou artigo, uma entrevista dando ao leitor a oportunidade de conhecer melhor alguém que fez e faz história. História que vai além das transmissões esportivas e se funde com o jornalismo e a televisão brasileira.

Fala, mais Galvão!

O esporte e seus gestos

O corpo fala e o dos atletas e pessoas ligadas ao esporte mais ainda. Talvez por sempre existir uma câmera para tornar um gesto criativo, característico de um só atleta num movimento ou uma imagem que roda o mundo e por milhões é adotado passando a fazer parte de nosso dia a dia.

O soco no ar de Pelé, a taça erguida por Bellini, ou a volta olímpica da seleção uruguaia de futebol e de Adhemar Ferreira da Silva. Tem o “peixinho” da seleção masculina de vôlei e as cambalhotas das meninas a cada conquista são alguns exemplos de brasilidade espalhada pelo mundo.

Indo para o lado internacional o voo de Michael Jordan que até logo virou, o dedo fazendo o numero um que já existia há décadas e que virou comercial de cerveja. Usain Bolt e seu arco, Michael Schumacher regendo o hino italiano no pódio, medalhas sendo mordidas para que o sabor da conquista chegue a todos.

Senna com a bandeira brasileira após as vitórias, Joaquim Cruz em Los Angeles, Aurélio Miguel em Seul, ainda no tatame levantando os braços comemorando seu ouro e outros tantos gestos e imagens que nos levam a grandes momentos do esporte.

Também tivemos o gesto de Tommie Smith e John Carlos na Olimpíada do México em 68 quando, no pódio fizeram o gesto do braço esticado e punho cerrado durante a execução do hino americano. Muito antes disso em 1936 em Berlin Hitler se recusara a entregara a medalha de ouro a Jesse Owens quando de sua vitória nos 100 metros rasos. O alemão desceu as escadas internas e saiu do estádio. Anos mais tarde, filmando um documentário no mesmo estádio olímpico de Berlin, perguntado se havia ficado ofendido com o gesto Owens foi direto: “não fiquei. E o que posso dizer é que Eu estou aqui e ele não”.

Quem não se lembra da banana jogada e do gesto de Daniel Alves virando o gogo de goleada após descascá-la e dar uma mordida antes de cobrar o escanteio. O #somostodosmacacos correu o mundo e os intolerantes tiveram de recolher seu ódio e preconceito.

Na última semana mais um gesto emblemático de um grande técnico que vê o jogo como poucos. Vanderlei Luxemburgo colocou o esparadrapo na boca durante uma entrevista, pois havia sido suspenso por criticar o regulamento do Campeonato Carioca. Mesmo para quem não gostou da atitude do treinador, fazer constar em regulamento que a entidade não pode ser criticada mostra um princípio de realização no mínimo duvidoso e mais afeito a outras esferas e tipos de governo e gestão mais alinhados com os fatos ocorridos com Jesse Owens.

A repercussão veio rápida. Antes do Fla x Flu desse domingo a grande maioria dos jogadores tapou a boca se rebelando contra a mordaça e as imagens, claro, já correram o mundo.

Algumas pessoas ainda insistem em se servirem do esporte e não a ele servir. O que vale é que, independentemente dos postos que hoje ocupam estão fadados a logo ficarem num passado sombrio.

Isso me lembra de Chico Buarque em “Apesar de você”...

 

Toquio 2020: a Olimpíada do telefone

Pera aí. O Rio 2016 ainda nem chegou e já estamos falando de Toquio? Parece loucura, mas os Jogos Olímpicos de 2020 vão mostrar um dos duelos mais importantes das marcas que buscam se ligar ao esporte.

Curiosamente foi em Toquio, mas no século passado, nos Jogos Olímpicos de 1964 que foi a estreia das transmissões via satélite. O equipamento responsável chama-se Syncom3 e, apesar de não funcionar mais desde 69 ele provavelmente ainda está voando acima de nossas cabeças. Pelo menos no levantamento feito pela NASA em 2009 ele ainda estava no ar, praticamente sem mudança em sua orbita.

Como tudo que é militar, serviu à paz nos Jogos Olímpicos e serviu à guerra no conflito do Vietnã. Da mesma forma que é a telefonia celular. De comunicação militar agora a uma telefonia ao alcance de se não todos, a absurda e absoluta maioria, o celular hoje é nosso verdadeiro burro de carga no dia a dia. Agenda? Está lá. GPS ou guia em trânsito pesado? Também pode contar. Um taxi depois da balada? Opa é prá já. Provavelmente em termos funcionais já superou o famoso produto que tinha apenas mil e uma utilidades. Hoje isso é pouco. Nossa vida migrou para o telefone e as comunicações também.

Normalmente o que dispara uma grande ideia ou o um grande produto é a necessidade. Às vezes do consumidor e em outras ocasiões por necessidade do fabricante já que a lógica reversa funciona bem em muitos casos e dá lucros ainda melhores. No caso da telefonia, o patrocinador olímpico do segmento, a coreana Samsung. Segundo matéria publicada em jornais americanos e brasileiros, busca recuperar espaço com novos lançamentos já que está se colocando incomodamente, claro que não por seu interesse, como marca média. Perde no top para a Apple e tem em seus calcanhares as fabricas que oferecem produtos de custo menor. Ainda assim é a maior fabricante de smartphones do mundo, mas como a fatia cai cada vez mais, o consumidor não tem percepção de diferencial nenhum.

Para quem tem nada menos que o patrocínio dos Jogos Olímpicos e como o smartphone hoje nos traz tudo, até comida, não adianta possuir um canhão nas mãos e não utilizá-lo ou sequer olhar para ele. Tenho certeza que para quem está como patrocinador top do COI desde os Jogos em Seul em 88 a patinada está mais para Olimpíada de Inverno do que para mercado de telefonia móvel.

Quantos atletas, jornalistas, personalidades e fãs do esporte podem interagir por telefone? E o que isso pode gerar em desdobramentos para uma marca?

Lembro sempre da frase de Ferdinand Porsche que ao ser perguntado da razão de colocar sua marca nas competições ele respondia: “vença no domingo, venda na segunda”. Não há no mundo quem não ligue a Porsche às competições e como marca vencedora.

No caso da Samsung pode ser: “transmita, vença e venda!”.

 

Toronto 100 dias: O Pan é logo ali

O Brasil se prepara para uma edição histórica dos Jogos Pan-americanos Toronto 2015 é um evento fundamental para a preparação brasileira com vistas aos Jogos Olímpicos do Rio em 2016, que ontem teve aberta a inscrição para ingressos pela internet.
Em termos de importância, talvez Toronto fique apenas atrás do Rio, já que o Pan de 2007 foi a base da candidatura olímpica brasileira. Com relação ao evento de 1963, realizado em São Paulo, fica muito à frente já que naquela época a realização do Pan era o máximo que podíamos almejar.
No Rio em 2007 tivemos a maior delegação da história. Foram 660 atletas, para Toronto o COB projeta uma delegação de 600 atletas. Atletismo e natação buscam índices, sendo que a natação tem logo depois do Pan o Mundial em Kazan, na Rússia. Outras modalidades buscam, em Toronto, a classificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Muitas modalidades, muitos atletas e muitos objetivos.
Para chefiar a delegação em Toronto o escolhido é Bernard Rajzman, o Bernard do vôlei, do inesquecível saque Jornada nas Estrelas, ele mesmo uma das maiores estrelas que o vôlei brasileiro já produziu em todos os tempos. A meta é colocar todo planejamento funcionando para que os atletas se preocupem apenas com sua função: preparação e competição. Disso saem os resultados que podem trazer um passo consistente para a obtenção das metas que o Comitê Olímpico Brasileiro estabeleceu para o Rio 2016.
Aos que ponderam que as competições são muito diferentes entre si, concordo, mas em termos de preparação o Pan é fundamental. Para alguns esportes mais que simplesmente “bater o ponto” em mais uma competição internacional é a chance de renovar já que muitos dos grandes destaques não estarão presentes por coincidência de datas como no vôlei masculino por exemplo. Para atletas que esperam por uma chance para os técnicos que buscam testar novos valores para encontrar a alquimia perfeita para suas equipes em 2016 Toronto  pode ser, simplesmente, perfeita.
O COB busca em Toronto que o Brasil fique entre os três primeiros colocados e supere a marca de 141 medalhas obtidas em Guadalajara 2011. Na ocasião foram 48 ouros, 35 pratas e 58 bronzes que colocaram a bandeira brasileira nos pódios da cidade mexicana que tem uma histórica ligação com nosso país desde a Copa do Mundo de 70.
São 100 dias para mais uma grande festa do esporte. Para alguns a consagração, para outros a conquista da vaga. Para o Brasil, esperamos  seja o caminho do ouro.
Toronto é logo ali...

Duelo olímpico de montadoras

A chamada bem que poderia ser sobre automobilismo caso o termo olímpico não estivesse presente. Tudo indica isso, afinal para quem fabrica carros o mais lógico seria manter o marketing sobre quatro rodas não é mesmo? Só que para os criativos e estratégicos japoneses não é bem assim que a coisa funciona.

O Japão criou o que pode se chamar o primeiro modelo de patrocínio com empresas e esporte numa conexão forte envolvendo marca e equipes de empresas e isso fez com que o voleibol mudasse para sempre. Em todos os aspectos. Desde a preparação dos atletas e forma de jogar, passando por ginásios lotados, campeonatos fortes, televisão e rádio e o domínio mundial da modalidade na questão prestígio e organização.

No início bons atletas saídos das escolas secundárias e universidades eram convidados a trabalhar nas empresas em áreas para as quais estavam se preparando profissionalmente. Meio período no batente e depois treino muito treino. Depois disso os cartões de ponto (sim teve isso lá durante um bom tempo) dos atletas foram para os ginásios e lá que a moçada defendia sua marca e seu emprego. Isso virou o mundo e o esporte nunca mais foi o mesmo.

Resultados todos nós conhecemos e a profissionalização do esporte e sua gestão vem muito do trabalho que o vôlei japonês realizou. Cada um adaptou as ideias à sua realidade, isso no mundo capitalista claro, e o esporte nunca mais parou de crescer. No outro lado, os países que mantinham equipes de estado para representar suas bandeiras tiveram, ao longo do tempo mudanças mais difíceis. Políticas, geográficas e econômicas. Alguns se tornaram economias de mercado com gestão continuada, outros reduziram sua participação no cenário esportivo mundial despertando sentimentos nostálgicos daqueles que viram as grandes potências esportivas do século passado. O mundo mudou e os menos atentos perderam o bonde da história. Hoje com a velocidade das coisas está mais para trem bala e como a distância percorrida é muito mais rápida, fica difícil para quem perde a oportunidade recuperar terreno perdido.

Nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016 teremos a Nissan como montadora oficial e patrocinadora do evento. Equipe de atletas, ações de ativação, propaganda com o evento e tudo o mais que consta no manual. Para a Olimpíada seguinte, mais que depressa, a Toyota fechou o patrocínio. Numa tacada ousada cravou um ciclo de oito anos e pega quatro Olimpíadas: duas edições de verão e duas de inverno com destaque para a Olimpíada de Tokio em 2020.

Não como patrocinador local, mas pela primeira vez como patrocinador top, a montadora chega como o 11º. Patrocinador do Comitê Olímpico Internacional. Num momento em que o uso do carro é cada vez mais discutido, bem como o uso de combustíveis fósseis, uma ação de patrocínio no maior evento esportivo do planeta é uma maneira muito inteligente de se posicionar junto a um público que sabe muito bem o que quer e mobiliza bilhões de pessoas mundo afora.

Para a Toyota agora é arregaçar as mangas e fazer uma ação consistente para seu duplo ciclo olímpico. Para a Nissan turbinar seu planejamento dos Jogos do Rio e tornar sua participação inesquecível em exposição, resultados e marca.

Para as demais montadoras aguardar o Congresso do COI de Kuala Lumpur e estudar muito para pegar o trem bala na próxima estação.

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