Depois que sofreu com a cisão entre Tony George, dono do autódromo de Indianápolis, e a CART, organizadora da categoria, em 1996, a Fórmula Indy, que abre a temporada de 2010 em São Paulo (SP), neste domingo (14), perdeu muito espaço no automobilismo mundial.
Mas alguns anos antes, ela chegou até a ameaçar o reinado da Fórmula 1. Enquanto o campeonato com base na Europa sofria com a popularidade baixa depois da morte de Ayrton Senna no GP de San Marino de 1994, a Indy, ao mesmo tempo, tinha três carismáticos ex-campeões da F-1 em seus grids.
Nas temporadas de 1993 e 1994, o brasileiro Emerson Fittipaldi, o americano Mario Andretti e o inglês Nigel Mansell participaram juntos da categoria.
O primeiro a "chegar" foi Mario Andretti. Nascido na Itália, o piloto foi logo para os Estados Unidos, onde se naturalizou e correu na década de 1960. Depois, seguiu para a Europa para uma bem-sucedida carreira na F-1 - conquistou o Mundial em 1978, pela Lotus.
Andretti voltou à América do Norte e logo virou atração na recém-nascida F-Indy. Já veterano, não demorou a conquistar o título, em 1984, ano que marcou a estreia de Fittipaldi na disputa norte-americana.
O brasileiro, por sua vez, foi campeão e ganhou as 500 Milhas de Indianápolis em 1989, ajudando a popularizar ainda mais a categoria, que virou uma espécie de "plano B" para os pilotos que não conseguiam mais espaço na F-1.
E foi o que Nigel Mansell fez em 93, depois de ganhar seu único campeonato de F-1 e ser despedido da Williams. Na Indy, o inglês detonou a concorrência logo de cara, conquistando o título e deixando Emerson com o vice-campeonato. O brasileiro, por sua vez, ganhou as tradicionais 500 Milhas pela segunda vez.
Outros pilotos de nome reinaram nessa época, como os americanos Bobby Rahal, Michael Andretti (filho de Mario, hoje chefe da equipe de Tony Kanaan), Al Unser e seu filho Al Unser Jr., Rick Mears e Danny Sullivan.
No último ano antes da separação entre CART e IRL (Indy Racing League), em 1995, o canadense Jacques Villeneuve foi campeão e rumou para a F-1, onde ganharia o Mundial de 1997 pela Williams.
Depois, começou a decadência. Dividida em duas categorias, ambas com muitos estrangeiros - boa parte deles brasileiros -, a Indy perdeu popularidade nos Estados Unidos e passou a ficar atrás da Nascar na preferência dos norte-americanos.