No dia 3 de agosto de 2006, o brasileiro Cristiano da Matta quase perdeu a sua vida em um acidente em Elkhart Lake, nos Estados Unidos, durante testes da Champ Car (categoria norte-americana de monopostos que recentemente foi integrada à Fórmula Indy). O piloto se chocou em alta velocidade com um cervo que cruzava a pista e se feriu gravemente. Menos de quatro anos depois, ao invés do temor, o mineiro de 36 anos prefere tocar sua guitarra e continuar competindo, agora na Fórmula Truck.
Hoje, o ex-piloto de F-1 (correu pela Toyota em 2003) prefere nem lembrar do acidente. Satisfeito por ter encontrado espaço na equipe Iveco na categoria brasileira de caminhões, ele contou ao
R7 que durante os quase dois anos que demorou para se recuperar, não podia esperar para voltar a correr.
- Esquecer o acidente é difícil. O processo de recuperação foi muito complicado, fiquei um ano fazendo fisioterapia e todo o tipo de tratamentos. Mas estou feliz, orgulhoso por ter saído disso podendo fazer o que eu quiser. Hoje eu entro no meu caminhão e não penso nada a respeito.
O piloto diz que não se lembra nada do acidente que quase tirou sua vida e do que aconteceu depois. Com traumatismo craniano severo, da Matta foi operado nos EUA com urgência e ficou em coma induzido. Após a lenta recuperação, o mineiro conta que trabalhou na empresa de equipamentos para mountain-bike de seus irmãos, preso em um escritório.
- Durante o tempo que os médicos me proibiram de competir, fiquei na empresa, mas esse negócio de escritório não é comigo. Quando podia, eu testava os equipamentos das bicicletas, e depois participei de provas. Mas minha família sempre soube que eu queria voltar para o automobilismo, tive muito apoio para tentar de novo.
A oportunidade apareceu apenas no início deste ano, quando a equipe Iveco o anunciou como piloto da equipe. Da Matta se diz feliz por voltar a competir e desenvolver o caminhão, mas reclama da falta de opções no automobilismo brasileiro.
- Fiquei chateado por não ter encontrado por algum tempo um lugar para correr, mas com a crise financeira ficou difícil para todas as equipes e categorias. Agora estou me agarrando com tudo o que tenho nesta oportunidade.
Casado com Vanessa há quase dois anos e ainda sem planos para filhos, da Matta se descreve como um grande fã do rock. Além de escutar bandas como Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam e Led Zeppelin, ele também toca sua guitarra na banda “Blue Balls” em Belo Horizonte. Ele admite, rindo, que infelizmente não vai conseguir viver da música depois que parar de competir.
Sua outra paixão é a F-1, categoria na qual correu em 2003 e marcou dez pontos, ficando à frente de seu companheiro de equipe na temporada, o francês Olivier Panis. Seu único arrependimento é não ter sido mais “político” dentro do time japonês. Ele acabou perdendo em 2004 o posto para Ricardo Zonta e deixou a F-1 chateado.
- Eu gostaria de ter ficado mais tempo. Naquela época eu não soube lidar com algumas coisas, como pessoas que estavam lá apenas para proteger o seu salário. Talvez hoje eu fizesse algo diferente. Não sei se conseguiria voltar para a F-1, por ter ficado tanto tempo fora. Teria de treinar muito. E hoje estou um pouco velhinho, não sou como o Michael Schumacher (risos).